sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Fazer com o que nos resta!!


A história do violinista Ytzahak Perlman é comovente e serve de inspiração nestes tempos delicados.

Perlman contraiu pólio aos 4 anos de idade e desde então caminha com muletas. Apesar desse impedimento, tornou-se um grande violinista, um “virtuose”.

Diz-se que, certa vez, no palco, sentou-se, colocou as muletas ao lado e posicionou o violino sob o queixo para começar a afiná-lo. De repente, com um ruído estridente, uma das cordas se rompeu.

Quando todos esperavam que ele pedisse outra corda, ele fez um sinal ao maestro para começar e executou todo o concerto com apenas três cordas. No final, todos o ovacionaram em pé.

Quando lhe deram a palavra, disse: “Nossa tarefa é fazer música com o que resta”.

Claro, todos entenderam que as suas palavras se referiam à vida, e não a cordas arrebentadas apenas.

sábado, 24 de janeiro de 2009

LIVRO IMPACTO DA GRAÇA VOL. 1

Ontem, dia 23/01 foi meu aniversário e em comemoração estou lançando o livro Impacto da Graça, Vol. 1 - Temas de Impacto.
É outra forma mais agradável de ler as mensagens aqui do blog.
Deêm uma olhadinha e vejam se ficou legal.
É também uma dica para os outros amigos blogueiros. Escrevam seus livros.
Grande abraço

domingo, 18 de janeiro de 2009

Merecer/Parecer X Receber/Ser

Exílio Todas as religiões partem do princípio do merecimento. Somente o Evangelho de Jesus é radicalmente contra esse princípio.

Fazer o bem para receber o bem. Quem faz mal merece o mal. Devo fazer mais coisas boas na minha vida do que maldades. Na balança da minha vida deve ter mais ações boas do que ações más.

Parecer para pertencer, porque se você não se mostra bom, correto, ético, honesto, o grupo religioso ao qual pertence não o aceitará. Bem, pior que isso é, se ninguém souber do seu caso extra conjugal, das suas negociatas, de como você trata mal sua mulher e filhos, da sua inveja e ambição de poder dentro do grupo, das mentiras e fofocas que você faz para minar adversários... enfim, se você parece um cara bom e digno, você ta bem na “fita”, e isso é o que importa para qualquer religião.

Tanto é assim que se um cara for pego em adultério ele pode ser excluído da igreja. E quem o exclui? Normalmente vários adúlteros que ainda não foram descobertos.

Quando Jesus disse que ao olharmos para uma mulher com pensamento impuro éramos adúlteros, isso já condenou 99,999999% dos homens. Em algum momento no dia, ou no melhor dos casos na semana, todos os homens têm pensamento impuro.

Embora tenha tido um tempo que passei sem problema algum com pensamento impuro. Meses sem qualquer pensamento assim. Foi num tempo de avivamento que passamos. Sim, avivamento. Durou mais ou menos 2 anos.

Nesse tempo de avivamento sabíamos que estávamos cheios da glória de Deus. Isso não quer dizer que fizemos nada para merecer não. Veio sobre nós. Passávamos 3, 4 horas orando e adorando e isso em vários dias na semana. Doideira geral.

Mas isso acabou! E tudo voltou ao normal.

Não seria o caso de Deus fazer assim com todas as pessoas que o buscasse, ou seja, retirar todo desejo de pecar? Deus fez muito mais que isso, Deus perdoou todos os nossos pecados passados, presentes e futuros. E nos aceitou como somos por causa de Jesus.

O nosso problema não é mais o pecado, nem a morte nem a vida, nem principados nem potestades, nem o presente nem o futuro, mas reconhecermos que somos pecadores e aceitarmos a graça de Deus. Isso retira de nós o poder da culpa gerada pelo esforço próprio e nos deixa livres para dedicarmos a nossa vida a Deus com liberdade.

NADA do que recebemos é por merecimento. Nem o que fazemos no trabalho, na escola, na família. Tem gente que faz muito no seu trabalho e não é reconhecido. Tem gente que estuda muito, e não passa no vestibular. Tem pais que se dedicam aos filhos e os filhos os envergonham. E tem o contrário também.

Como explicar isso?

Na verdade só Deus é o autor dessa história. O palco da nossa vida é Deus quem abre e fecha as cortinas, quem inicia o ato e termina a cena. Ele é quem decidiu em que data nasceríamos, em que família, em que cidade, em que época, quais as dificuldades ou facilidades teríamos etc, etc, etc.

Aqueles que buscam fazer por merecer não entendem o poder da oração, da entrega, do receber, do ficar em silêncio, do não fazer nada, do ouvir, do reconhecer fraquezas.

Temos que fazer o bem? Sim. Mas não para sermos salvos, ou para agradar a Deus, ou para ganhar uma bênção.

Fazer o bem porque fomos salvos, porque Deus nos livrou do diabo e agora podemos fazer isso, e podemos ser uma bênção na vida de outras pessoas.

Não é FAZER PARA, e sim FAZER PORQUE.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Poder de um Paradigma - 2

Desde que decidi que entregaria o controle da minha vida a Jesus, aos 16 anos, tenho andado na radicalidade dos evangélicos pentecostais e neo-pentecostais.

Nada de beber, nada de fumar, nada de falar palavrões, ter tempo devocional todos os dias, orar e ler muito a Bíblia. Tudo, tudo para agradar a Deus. Tudo, tudo para ser agradável a Deus. Tudo, tudo porque no fundo, achava que tinha que merecer as coisas de Deus.

Me lembro quando fizemos uma pesquisa com a liderança da igreja e verificamos que quase 100% deles não tinha tempo devocional todos os dias. Pra mim era um escândalo. Líderes têm que ser exemplos!

Mas o tempo foi passando, a patrola de Deus foi passando por cima de mim e meus planos, e muito melhor do que isso, o amor de Deus e o entendimento da sua graça foi se revelando quando vez maior, de tal forma que em 2007 depus as armas.

O entendimento de que não precisava fazer nada pra ser aceito, de que a salvação não era uma corrida meritória, e que, ao contrário, sou pecador e nada do que eu faça é 100% bom e agradável a Deus, fez a maior mudança de toda a minha vida.

Me libertou de temores, de conceitos de moralidade, de julgamentos dos outros, de culpa retida, de ansiedade pelo futuro que desmotiva e da utopia dos inúmeros sonhos religiosos.

Me libertou da busca da melhor estrutura para uma igreja (em células, nas casas, com propósitos, rede ministerial, congregacional, G12, G5 etc), da melhor forma de adoração (tradicional, extravagante, com dança, com cânticos espirituais, com cânticos espontâneos), da melhor estrutura de liderança (presbitério plural, colegiado, cobertura regional, bispado), do melhor ministério (pastoral, profético, apostólico), da melhor forma de evangelismo (festas, danças, teatro, 4 leis espirituais, testemunho de milagres, esportes), dos melhores dons (línguas, interpretação, visão, profecias, expulsão de demônios).

Me libertou do preconceito de religiões, das cerimônias de sacrifícios, do sacerdócio de um só homem, quebrou as paredes do meu culto a Deus e me deu paz com Deus.

Isso porque, encontrei tudo isso o que procurava. Procurei os melhores, os maiores do Brasil e alguns fora dele. Tudo muito bom, tudo muito importante, mas a base estava totalmente errada. Tudo o que vi estava alicerçado no pântano da meritocracia.

Vi que não adiantava a melhor estrutura, a melhor forma de adoração, o melhor ministério, os melhores dons, o melhor evangelismo, se tudo isso causa mais peso porque não consigo alcançar resultados satisfatórios, mais culpa porque não consigo fazer sempre o que é certo, mais hipocrisia porque não consigo ser melhor, e por isso vou "parecendo" melhor a cada dia.

Tudo isso acabou por causa da quebra do paradigma de tudo na minha vida posso ter se merecer. Sofro com as minhas recaídas, sim, mas creio estar convertendo dia a dia ao Senhor.

A GRAÇA entrou e mudou tudo.

Antes me preocupava muito com o diabo. Toda minha força, a maioria das minhas orações e até cânticos eram para e contra ele, reforçando a sua presença na minha vida e meu medo do seu poder.

Minha vida hoje é mais pacata, muito mais tranquila. Vivo preocupado com Deus, com minha família e com as pessoas com quem convivo. Vivo preocupado em fazer melhor o que faço por amor a Deus e às pessoas. Corro não mais para alcançar fama, poder e privilégios, mas para contribuir, de alguma forma, com as pessoas com quem convivo.

Tudo isso pela GRAÇA. Pelo amor de Deus. Por causa de Jesus.

Minha oração é que em 2009 haja a mudança deste paradigma na sua vida. Depois disso, a vida vai ficar muito mais simples de se viver. Se você ainda não entendeu a GRAÇA de DEUS, escreva pra mim. Vamos compartilhar sobre a liberdade que há para todos nós.

Feliz 2009.

Roberto Lima, 12/01/09

sábado, 10 de janeiro de 2009

O Poder de um Paradigma - 1

Como se tentava curar as pessoas na Idade Média? Por meio de sangrias. Qual era o paradigma? O mal estava no sangue, então era preciso extraí-lo.

Um exemplo vivo disso é a morte de George Washington. Embora os livros de história digam que ele morreu devido a uma infecção na garganta, provavelmente ele morreu por causa da sangria. A infecção na garganta era o sintoma de alguma outra coisa, mas como o paradigma era que o mal estava no sangue, os médicos tiraram grande quantidade de sangue num período de 24 horas.

Nós somos aconselhados a não doar mais do que um litro de sangue a cada dois meses, se nossa saúde é boa. Imagine o que deve ter acontecido com o pobre George Washington.

Imagine agora a revolução que ocorreu quando, Semmelweis na Hungria, Pasteur na França e outros cientistas empíricos concluíram que os germes eram a principal causa das doenças?

Isso imediatamente explicou porque as mulheres queriam que seus partos fossem feitos por parteiras. As parteiras eram mais limpas. Elas se lavavam. Isso explicou por que nos campos de batalhas mais homens morriam devido a infecções do que a tiros. As doenças se espalhavam atrás da linha de frente por meio de germes. Essa teoria orienta as práticas de saúde até os dias de hoje.

Se desejamos fazer pequenas mudanças e melhorias pontuais, devemos trabalhar nas práticas, hábitos, comportamentos ou atitudes. Se queremos fazer mudanças significativas, quânticas, devemos trabalhar nos paradigmas. Grandes mudanças ocorrem quando os paradigmas são mudados.

A palavra paradigma deriva da palavra grega paradeigma, originalmente um termo científico, hoje usado na linguagem comum para significar uma percepção, uma premissa, uma teoria, um marco de referência ou uma lente através da qual vemos o mundo.

É como o mapa de um território ou de uma cidade. Se estiver errado, não fará diferença o quanto nos empenharmos para achar nosso destino ou como pensemos de modo positivo – continuamos perdidos. Se o mapa estiver correto, então tudo o que fizermos ganhará importância e propósito.

Mas só se estiver correto.

Stephen R. Covey – O 8º Hábito - Da Eficência à Grandeza – pgs 21 e 22.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

CHEGA DE PAPO FURADO. VAMOS ORAR? por Caio Fábio


Somos informados pela Palavra que nada temos porque não pedimos, e que, quando pedimos, não obtemos, pois, pedimos mal, apenas para esbanjar nos prazeres e nas ilusões de aquisição, poder e conquista.

Por outro lado somos estimulados a pedir bem, segundo a vontade de Deus, que é amor, pois, assim sendo, sabemos que já obtivemos o que Lhe temos pedido.

Jesus mandou que pedíssemos com amor e fé, em Seu nome, pois, Ele mesmo é a Resposta a todas as nossas orações.

E mais: Ele disse que quando pedíssemos veríamos tanto amor de Deus sendo derramando que nossa alegria espiritual seria completa.

Além disso, foi Jesus também quem disse que ao orarmos devemos crer de antemão que já fomos ouvidos.

Já vi muitas vezes na vida o que uma intensa dedicação à oração concentrada em fé e amor pode realizar.

Vi acontecendo com outros e também comigo!

Na realidade vejo que peço pouco, pois, de algum modo, é como se eu mesmo soubesse que Ele sabe, e, assim, pelo excesso de certeza acerca Dele, não peço como foi ordenado que eu fizesse. Porém, quando faço, minha alegria é sempre completa, pois, muitas vezes, vejo na hora as coisas acontecerem. Outras vezes, no entanto, demora um pouco, e, em tais casos mais demorados, nem sempre a resposta vem como solicitada, pois, de fato, sempre vem melhor.

Eu, todavia, creio que se alguém se dedica a pedir aquilo ao que Jesus diz “amém”, não há como não vir a acontecer.

Jesus enfatizou a oração mais do que qualquer outro tema.

Sim! Jesus manda orar; orar mesmo; orar sem cessar; orar para não entrar em tentação; orar para amar o inimigo; orar pela vinda do reino; orar pelos doentes e encarcerados; orar pelos aflitos do mundo; orar por reis e governantes; orar pedindo que a grande tribulação não seja longa demais; orar pedindo que nossas fugas não sejam no inverno da vida; orar pela subversão dos poderes do mundo; orar sabendo que nenhuma autoridade manda em nada; orar crendo que para Deus tudo é possível.

Sobretudo, Jesus mandou orar com amizade por Deus, com solidariedade pelas causas do céu na terra!

Oração, todavia, hoje em dia, é, na melhor das hipóteses, uma macumba, um exercício de poder, um acesso alternativo aos “bens deste mundo”; ou, ainda, apenas um falar autoritário enquanto se marcha no chão do templo pedindo sucesso, carro, casa, emprego, ou soluções para problemas afetivos com o marido, o amante ou a eliminação dos inimigos.

Foi interrompido por alguns minutos!...

Mamãe ligou pra mim... Minha tia Elvira, a mais velha da casa de meu pai, acabou de partir para encontrar com Jesus, com meu avô, com meu pai, com meu irmão Luiz, com meu filho Lukas, e com todos os meus tios e tias que já foram, e, também, foi e já está na presença do Rei da Glória.

Louvado seja Deus pela partida de minha tia santinha e amada!

Aqui de onde estou — sem poder correr até Manaus para sepultá-la e consolar meu primo João Fábio, único filho dela — oro por todos e também pelo meu primo João; e peço ao Espírito Santo que se derrame sobre ele e sobre todos agora.

O Anjo do Senhor está acampado!

Por que você não firma o propósito de orar sempre neste ano que agora começa?

Sim! Falar menos, ouvir mais, opinar menos, julgar nada, e, em compensação, orar tudo o que antes seria objeto de seus discursos e tentativas de intervenção pessoal!

Fale com Deus. Com os homens adianta muito pouco!

Com oração, Nele, que é o meu Amém,

Caio
4 de janeiro de 2009

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Deus não vive onde eu trabalho: no IML por Caio Fábio


Olá Pastor Caio Fábio!

Eu sou professor e leciono em vários colégios. Fiquei sabendo a respeito do senhor por intermédio de uma colega de profissão em uma das escolas onde leciono. Foi então que li algumas cartas respondidas no seu portal, fiz um cadastro e resolvi escrever para o senhor.

Bem, eu sou uma pessoa muitíssimo complicada. Eu fui policial de necropsia da polícia civil por aproximadamente um ano, e nesse período pude ver todo o resultado da violência humana nas salas e nos corredores do IML (Instituto Médico Legal).

Os colegas mais antigos de profissão costumavam dizer: "... se há um lugar onde Deus definitivamente não está são nos corredores do IML...".

Em um dia de trabalho me deparei com uma criança de uns três anos de idade, sexo masculino, que fora vítima, de acordo com o laudo cadavérico após exame necroscópico, de espancamento seguido de morte por hemorragias internas múltiplas.

Embora fôssemos instruídos para que nunca entrássemos na história de sofrimento da vítima, não podia deixar de passar pela minha cabeça o seguinte questionamento:

"Onde estava Deus nessa hora em que a criança estava sendo agredida e espancada até à morte?"

Devido a esse fato e muitos e muitos outros... Inclusive coisas da minha própria vida que eu vivenciei e experimentei a respeito das pessoas, fui gradativamente perdendo a minha fé. E hoje parece que não me resta mais nada a não ser a minha razão.

Será que o senhor poderia me ajudar ?

Muitas Felicidades a todos!

______________________________________

Resposta:

Meu mano amado: Graça e Paz!

O que dizer então de Deus, que deixou crianças inocentes morrerem enquanto Jesus, Seu Filho, era levado em fuga parao Egito?

Nessas horas todos viram “Deus”!Sim! Todos têm idéia a dar a Deus. É a Síndrome de Jimmy Carrey!

Ora, se é assim, pergunto:

Como “Todo-Poderoso” o que você faria?

Que “soluções” traria ao mundo?

Faria o quê? Violaria as leis da Física sempre que alguém fosse fazer mal a alguém?

Sim! A faca entortaria sempre que fosse ser enfiada quem sabe o braço do espancador caísse morto quando ele fosse atacar um inocente. Ou, quem sabe, o pênis do estuprador pudesse ter um ataque do peixe candiru e se auto-enfiar no ânus do próprio agressor.

O fato, meu irmão, é que ninguém numa hora assim pensa na criança espancada!

Sim! Pois, caso a mesma criança estivesse na esquina, quem de vocês no IML, a levaria para casa para criar?

É tão fácil dar idéias para Deus acerca das coisas que nós, mesmo podendo, não fazemos nada para resolver em vida!

Em horas como essa o nosso egoísmo é tão grande que a gente só pensa em nós mesmos, que vemos a tragédia e ficamos sem esperança, ou nos que ficam sem esperança e injustiçados diante do ocorrido perverso. Entretanto, no fundo, o que fica não é a dor pela criança, mas o choque da brutalidade, a qual, de modo inconsciente, lembra que aquele corpo poderia ser o nosso ou de gente que nós amamos.

Mas e a criança? Foi mal para ela encontrar com o Pai de amor? Foi mal para ela ter sido tirada do inferno para o Paraíso do amor? Foi mal para ela nem ter sabido que teve um corpo mutilado ante ao fato de que ganhou um corpo eterno? Foi mal para ela não mais ter que sofrer os abusos dos homens de modo indefeso?

Foi mal o amor de Deus por ela, que a tirou do poder das maldades dos homens? Foi má a alegria de Deus ao acolher mais um de Seus santinhos?

“Preciosa é aos olhos do Senhor a morte de Seus santos!”

Sabe o que falta a você?

Consciência e alegria na vida que é!

Meu irmão, se meu corpo chegar a algum IML todo lacerado e arrebentando, não sinta nada, pois, de fato, aquele corpo é de morte, e se não morre hoje, morrerá amanhã, mas certamente morrerá.

Sim! Poderá não ser lacerado por homens,mas, sem duvidas, será banquete de vermes!

Mas e daí?

Meu irmão, você escreveu para um homem que já perdeu muito, segundo os homens, que já sofreu muitas dores, segundo os homens, e que já sentiu quase todos os sentimentos desta vida, segundo os homens — e que, apesar disso, não tem perguntas filosóficas a fazer a Deus.

Há quase cinco anos meus filhos e minha mulher não quiseram que eu visse o corpo atropelado de meu filho Lukas, pois,não queriam que eu visse o estado de deformidade inicial no qual o atropelamento deixou o seu corpo de 22 anos.

Eu, no entanto, nunca gastei cinco minutos para pensar no que o atropelamento fez a ele, embora, todos os dias, eu imagine, ainda que de modo pobre [pelas minhas limitações], a Glória que hoje o veste em eternidade!

O que falta a você é uma fé que seja fé,segundo o Evangelho; pois, a fé que você tem é segundo a “igreja triunfalista e mentirosa”, a qual vive de sua propaganda enganosa, vendendo Seguro de Vida e contra Acidentes aos crentes incautos.

Alguém lembra de Jesus dizendo:

“Meu Pai! Puxa Vida! Por que Pilatos tinha que misturar o sangue dos Galileus com os sacrifícios que eles ofereciam?”

Ou ainda:

“Pô, Pai! Por que aqueles dezoito homens que visitavam a Torre de Siloé tiveram que estar lá justamente na hora em que a Torre caiu?”

Sim! Você escreveu para um homem não ter perguntas e, por isto, não tem respostas humanas, visto que, para mim, a resposta não é a longevidade na Terra, mas a segurança na eternidade.

Sou um alienado? Não! Apenas sou coerente com o que Jesus ensinou e com o modo silencioso com o qual Ele tratou de todas essas coisas.

Sim! Ele nada disse, embora, muitas vezes tenha salvado a muitos, enquanto andava entre nós.

Entretanto, quando Ele quis ilustrar o amor,a imagem escolhida foi a do absurdo e a do casuísmo de um assalto na baixada para Jericó. E mais: na “história” Ele não impediu o assalto. Sim! Não enviou anjos e nem exércitos. E qual foi a “solução” de Jesus? Ora, foi fazer um homem de amor passar, ver e agir.

A resposta de Jesus às calamidades deste mundo é o amor de todos os Samaritanos Gente Boa de Deus!

Em horas como essa não se deve fazer perguntas a Deus, mas apenas a nós mesmos; tipo: O que eu posso fazer para ajudar quem está vivo?

Sua fé, aparentemente, era o produto evangélico de crença mágica, e que, aparentemente, se tornou“cristã” sem levar em consideração que somos discípulos de uma fé que não liga para a morte [que já foi vencida e que não mata mais], não se espanta com catástrofes e não demanda de Deus que no mundo não haja aflições.

E mais: esquecemos tudo o que Jesus disse que poderia acontecer aos discípulos, tanto como perseguição dos homens, como também no que tange a todo tipo de violências que poderíamos sofrer.

Releia os Evangelhos e veja se você encontra alguma promessa de suspensão do mundo real apenas porque alguém disse que crêem Jesus.

Meu irmão, se o precursor de Jesus teve a cabeça cortada porque causa dos meneios de uma jovem e da cobiça de um rei semi-brocha, Herodes; e se o Messias foi morto de modo estuprado de violências impensáveis... — por que você alimenta as ilusões de que nesta vida o amor de Deus pode ser medido pela ausência de dor e de maldades?

Largue essa fé de crenças mágicas e entre de cabeça no sentido do Evangelho, onde aprendemos que a morte já não mata mais ninguém, especialmente crianças inocentes, cujas faces são vistas de dia e de noite pelos anjos de Deus, conforme Jesus garante no Evangelho.

O mais, mano, só mesmo você escrevendo paraDeus, ou, se quiser simplificar, apenas crendo Nele!

Receba meu abraço!

Procure um grupo do Caminho em sua cidade afim de se congregar sem falsas expectativas sobre a existência.

Ah! Um problema:

O corpo de Jesus sumiu do IML de Jerusalém!

Um beijo!

Nele, que ainda demorou mais dois dias antes dese mover na direção da casa de Lázaro, o amigo que morria,

Caio
30 de dezembro de 2008
www.caiofabio.com