domingo, 29 de março de 2009

Entrevista especial com Brennan Manning

Brennan Manning é o autor de O evangelho maltrapilho, A sabedoria da ternura e outras obras já publicadas no Brasil.

Muitos cristãos ainda temem deixar que Deus os ame como realmente são, afirma o ex-padre, alcoólico sóbrio e escritor.

O que é um maltrapilho?

Bem, o Antigo Testamento apresenta uma bela cena sobre os Anawims. No século 18, eles são os pobres, desabrigados e sem-terras; Deus um dia restaurará a prosperidade deles. No século 6, porém, os Anawims adquiriram um sentido de imensa profundidade espiritual. Eram os pobres de espírito, que tinham confiança inabalável em Deus e se comprometeram por completo a fazer a vontade dele.

Agora, quando o tema chega ao Novo Testamento, os Anawims são os que se reúnem para conhecer Jesus em seu nascimento. São os pobres, desconhecidos, as pessoas à margem da respeitabilidade. São os pastores. Lá está Ana, uma senhora de 84 anos, e Simeão, um idoso. E todos os animais. E lá está, claro, a Virgem Maria, que fora considerada a última e a inferior em uma longa linhagem. Esses são os verdadeiros pobres de espírito. Eles reconhecem que dependem completamente de Deus, até mesmo para respirar, lançaram sua esperança sobre Jesus e se renderam à vontade do Pai. Isso, basicamente, é a definição de um maltrapilho.

Fale-nos de sua premissa sobre a confiança do crente em Deus.

A idéia básica se resume em uma sentença: O esplendor do coração humano que confia e é amado incondicionalmente dá a Deus mais prazer do que a Catedral de Westminster, a Capela Sistina, a Nona Sinfonia de Beethoven, os Girassóis de Van Gogh, a visão de dez mil borboletas em revoada ou o perfume de um milhão de orquídeas em flor. Confiança é o presente de retribuição que damos a Deus, que gosta tanto do presente que levou Jesus a morrer por amor a ele.

Foi isso que Jesus disse que precisamos trazer para o relacionamento?

Sim. Confiança e entrega como de uma criança, creio eu, é a definição do discipulado autêntico. Com freqüência, a necessidade suprema em nossa vida é a mais ignorada: confiança inabalável no amor de Deus, qualquer que seja a situação. Penso que foi esse o ensinamento de Paulo ao escrever em Filipenses 4.13: “Tudo posso naquele que me fortalece”.

Mas, como podemos saber se estamos confiando mesmo? A maioria das pessoas afirma que confia em Deus.

A característica dominante de uma vida espiritual autêntica é a gratidão que brota da confiança – não apenas por todos os dons que recebo de Deus, mas gratidão também por todo o sofrimento. Por ser uma experiência purificadora, o sofrimento é, freqüentemente, o caminho mais curto para a intimidade com Deus.
Acrescentaria, também, que a confiança bíblica cresce a partir do amor. Minha confiança em Deus deriva da experiência do amor dele por mim, dia e noite, haja tempestade ou calmaria, doença ou saúde, esteja eu em boa ou má situação. Ele se aproxima de mim onde eu vivo e me ama como sou.

Em João 17.26, Jesus disse: “Eu os fiz conhecer o teu nome, e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim esteja neles, e eu neles esteja”. Abba tem por nós exatamente o mesmo amor que tem por Jesus, quando habita em nosso coração. O problema é que a maioria das pessoas não sabe disso.

Quer dizer que parte do problema é falta de atenção?

Acredito que a verdadeira diferença na igreja americana não é entre conservadores e liberais, fundamentalistas e carismáticos, nem republicanos e democratas. A diferença está entre os que percebem e os que não percebem.

Quando uma pessoa percebe esse amor, o mesmo que o Pai tem por Jesus, ela se enche de gratidão espontânea. O clamor de gratidão se torna a característica dominante de sua vida interior, e o subproduto da gratidão é alegria. Não ficamos alegres e depois gratos, é a gratidão que nos enche de alegria.

Mas existe o sofrimento, também. Em seu livro, em meio à gratidão e à contemplação de Deus, você fala de forma bem pessoal sobre como, se quisermos realmente aprender a confiar em Deus, não é possível evitar o sofrimento pessoal.

Quando eu vivia em Nova Orleans, sem freqüentar nenhum centro de reabilitação para alcoólatras e dependentes de drogas, eu me agarrava a um gole de vodka e o que menos queria era o tratamento de 28 dias que poderia salvar minha vida.

Continuei a beber – uma criança bêbada clamando: “Jesus, onde você está?”. Como vivenciamos a confiança no meio de dor, sofrimento, mágoa e puro desespero? Quer dizer, será possível suportar e por fim vencer o cenário sombrio e melancólico do mal e da destruição e voltar a sentir que o amor de Deus é incondicional? Essa é a pergunta que faço aos cristãos. Vocês confiam no amor de Deus? Todos respondem que sim, que sabem disso há muito tempo. Aí, observe como vivem. Há tanto medo, tanta ansiedade, tanta raiva de si mesmos. A melhor definição de fé que já ouvi foi feita por Paul Tillich: “Fé é a coragem de aceitar a aceitação”.

O que significa isso?

Fé é um código para aceitar que Jesus conhece toda a história de minha vida, cada segredo, cada momento de pecado, vergonha, desonestidade e degradação em meu passado. Agora mesmo Ele conhece minha fé superficial, minha vida de oração frágil, meu discipulado inconstante, aproxima-se de mim e fala: “Desafio você a confiar. Confiar que eu o amo exatamente como você é e não como deveria ser, porque você nunca será como deveria ser”.

Por que temos medo de Deus não nos amar como somos?

Minha percepção é que pensamos que, se deixarmos Deus livre em nossa vida, ele irá pedir demais de nós. Será que ele vai me mandar ficar 10 anos em Calcutá, com as missionárias de Madre Teresa? Será que vai me fazer ter câncer? Ele pode me mandar deixar minha esposa e ir viver sozinho numa caverna, pensando só nele. Esses temores malucos não têm nada a ver com o Deus verdadeiro, que se delicia com seu povo.

Para mim, é mais importante amar do que ser amado. Quando a pessoa ainda não teve a experiência de ser amada por Deus, do jeito que é e não como deveria ser, então amar os outros se torna um dever, uma responsabilidade, uma tarefa. Mas, quando aceito ser amado como sou, com o amor de Deus derramado em meu coração pelo Espírito Santo, então posso alcançar os outros com menos esforço.

E a confiança que nasce desse amor, como você falou, é implacável.

Isso soa engraçado: confiança implacável. O dicionário define implacável como “sem piedade”. No contexto que estou usando, é sem autopiedade, que é a primeira reação normal inevitável. Creio ser perda de tempo tentar acabar com ela. Entretanto, chega o momento em que ela ameaça se tornar maligna. Pode nos atrair para a autodestruição e comportamentos como afastamento, isolamento, bebida, drogas e assim por diante. E depois apenas imploramos a graça de Deus para colocar um limite temporal em nossa autopiedade.

O poeta disse que a última ilusão de que devemos abrir mão é o desejo de nos sentirmos amados. Há um monge que viveu durante 30 anos na abadia Genesee. Um visitante lhe perguntou se ele se sentia mais próximo de Deus do que há 30 anos. A resposta gloriosa do monge foi: “Não, mas isso não tem mais importância”. Ele estava tão livre da necessidade de se sentir amado que podia aceitar, indiscriminadamente, consolo ou desolação, presença ou ausência de Deus, como sendo a mesma coisa. Graças a Deus que, com a instabilidade de meus sentimentos frágeis, a presença dele em mim não depende do que eu sinto. Se dependesse eu estaria com sérios problemas.

sábado, 28 de março de 2009

Sobre Brennan Manning


Batizado Richard Francis Xavier, o escritor Brennan Manning nasceu e cresceu, junto com os dois irmãos, num subúrbio barra pesada de Nova York. Sua família enfrentou dificuldades - experiência que certamente contribuiu para aguçar-lhe a sensibilidade pelos anseios dos humildes e simples no ministério que abraçaria anos depois -, mas isto não o impediu de entrar para a Universidade St. John, da qual sairia para servir no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (os famosos marines) durante a Guerra da Coréia.

De volta à vida civil, Manning tentou estudar jornalismo na Universidade do Missouri, mas seus questionamentos pessoais e a palavra de um conselheiro o levaram a um seminário católico. Em fevereiro de 1956, ao meditar sobre o caminho de Jesus até a cruz, sentiu-se comovido pelo Evangelho e chamado por Deus. "Naquele momento", relata, "a vida cristã passou a ter um novo significado para mim: uma relação íntima e profunda com Jesus." Quatro anos mais tarde, graduou-se em Filosofia e, posteriormente, em Teologia, pelo Seminário St. Francis.

Um dos aspectos mais interessantes sobre a trajetória ministerial de Brennan Manning é o trânsito entre a academia e as favelas, a universidade e as vilas, povoados e cortiços. Pensador brilhante, especialista em Escrituras e Liturgia, foi entre as populações carentes dos Estados Unidos e da Europa que encontrou o caminho para colocar em prática o tipo de cristianismo com o qual se comprometera desde o início de sua vocação: o da compaixão e serviço abnegado. Viveu em clausura e contemplação; carregou água para populações rurais e foi ajudante de pedreiro na Espanha; lavou pratos na França; deu apoio espiritual a presidiários suíços.

Com a fé reafirmada, Brennan Manning retornou aos Estados Unidos, fixando-se inicialmente no Alabama, onde tentou organizar uma comunidade nos mesmos moldes da Igreja primitiva. Voltou ao campus no fim dos anos 1970 e, depois de enfrentar uma crise pessoal, começou a escrever e ministrar palestras, atividades que mantém até hoje, sempre com o objetivo de comunicar o amor incondicional de Deus em Jesus. "Aprendi de um sábio franciscano que, para quem conhece o amor de Cristo, nada mais no mundo é tão belo e desejável."

* Site oficial do autor
Brennan Manning na Wikipedia
MC no YouTube: Brennan Manning

terça-feira, 24 de março de 2009

EU TENHO LEPRA! por Patricia Neme


O médico abriu o envelope da eletroneuromiografia e, num misto de alívio e preocupação, disse-me: “Hanseníase neural, em estágio avançadíssimo”. Ali findavam dois anos e meio de peregrinação a consultórios das mais variadas especialidades, sem que eu obtivesse qualquer resultado (e quantas vezes outros profissionais me encaminharam a psicólogos, psiquiatras. Só ele acreditava que havia algo mais sério). Tantos exames, tantas quedas súbitas, causando uma interminável quebradeira de ossos. Dali, fui ao dermatologista e, em seguida, ao posto de saúde, onde iniciei a poliquimioterapia.

Apesar de há muito tempo não receber uma visita pastoral, ou resposta aos meus e-mails e telefonemas, com o diagnóstico na mão, procurei o pastor da minha igreja, na pretensão de que ele entendesse a razão da minha rara freqüência aos cultos, pois mal conseguia andar; tinha dores intensas nas pernas e braços, além de muita dor de cabeça. Ele me perguntou: “O que você deseja que façamos por você?” “Quero sua unção e sua bênção, tudo o mais está resolvido”, respondi.

Recebi a unção e a bênção, e nunca mais tive notícias dele. Afinal, se a arca da aliança ficou três meses na casa de Obede-Edom e lhe resolveu a vida, eu passara quase três anos indo de mal a pior... E agora, uma lepra!

Aderi à igreja virtual e Silas Malafaia tornou-se meu pastor durante o meu caminhar pelo vale do sofrimento; e só Deus sabe o quanto ele me pastoreou. Deus o abençoe!

Lepra... Mudaram o nome para hanseníase -- é mais chique. Mas é lepra, mesmo. Sempre me julguei muito culta e, na minha “elevada sabedoria”, essa doença pertencia ao Antigo Testamento. A transição daquela época a 2007 foi difícil, mas comecei a conhecer o mal silencioso que assola o país, responsável por 90% dos casos em todo o continente americano. O Brasil é o segundo país no mundo em número absoluto de portadores, só perdendo para a Índia, que tem uma população cinco vezes maior do que a nossa. O que será que realmente fizeram com a CPMF, se até a poliquimioterapia nos é doada por uma ONG holandesa?

Causada pelo bacilo “mycobacterium leprae”, a hanseníase compromete a pele e os nervos. A transmissão ocorre pelas vias respiratórias. Os sintomas são manchas ou lesões cutâneas esbranquiçadas ou avermelhadas, com sensação de queimação, ardência, coceira ou perda de sensibilidade; também são sintomas da doença o aparecimento de placas, caroços vermelhos dolorosos e inchaços no rosto, dor nas articulações, febre, inchaço nas pernas, queda de pelos, além de dor no trajeto dos nervos que passam pelos cotovelos, punhos, atrás dos joelhos e tornozelos, causando a diminuição da força e dormência nas mãos e nos pés. Quanto mais cedo diagnosticada, maiores as chances de o paciente não ficar com seqüelas.

Porém, para o diagnóstico precoce e a cura, é necessária uma experiência que poucos dermatologistas adquirem, pois a parte cosmética de sua especialização lhes permite maiores lucros; também urgem algumas condutas de suma importância, ou jamais conseguiremos erradicar a hanseníase. Não podemos acreditar nas estatísticas, em razão do pouco conhecimento da maioria dos médicos, o que os leva a diagnósticos em direções outras, e do medo da discriminação, que impede muitos portadores de se apresentarem aos postos de saúde, onde as estatísticas são elaboradas.

Assim, é preciso: a) que o Ministério da Saúde faça campanhas elucidativas, para que o próprio paciente possa reconhecer os sintomas da doença e procurar um médico; b) que nossas igrejas realizem palestras sobre o tema; c) que as faculdades de medicina dediquem um espaço maior no currículo às doenças negligenciadas (hansen, malária, tuberculose etc.), com um ensino mais voltado à identificação dos sintomas e não apenas ao tratamento da doença, principalmente porque a hanseníase pode ser confundida com várias outras enfermidades; d) que os Conselhos Regionais de Medicina promovam constantemente cursos sobre o tema, já que a situação no país é crítica e muitos médicos acreditam que a lepra está erradicada no Brasil; e) que se acabe com o infeliz “slogan” “Hanseníase tem cura”, que banaliza a doença, colocando-a quase no mesmo patamar de um resfriado. Porque muitos casos são diagnosticados tardiamente, há muita gente com seqüelas graves (o meu caso), num processo irreversível que desmorona a pessoa física e psicologicamente. Cura parcial não é cura. Ou quem insiste em tal “slogan” obtém algum benefício ao compactuar com o descaso do governo?

Outros dois aspectos não podem deixar de ser mencionados, dada a sua importância na vida dos pacientes. O primeiro refere-se ao descaso dos peritos do INSS, que desconsideram relatórios médicos dos profissionais que nos acompanham e alteram diagnósticos segundo sua inspiração momentânea (um perito “mudou” meu laudo para osteoartrose e outro, para depressão... No caso da lepra neural, a boa aparência do paciente é interpretada como saúde total, por desconhecerem que a clofazimina deixa a pessoa com ótima aparência, bronzeada).

O segundo aspecto refere-se à ignorância de muitas igrejas (principalmente evangélicas), que rejeitam tratamentos médicos porque “Jesus cura” e ousam afirmar que a lepra é um castigo de Deus a quem muito peca (ouvi isso de um pastor. De outro, ouvi que eu deveria parar com o tratamento, pois tomar a poliquimioterapia demonstrava a minha pouca fé). Oséias 4.6 alerta que padecemos por falta de conhecimento. Até quando seguiremos com essa insanidade?

Deus cura, é verdade. Mas no tempo dele e através de diferentes formas, por exemplo usando a medicina. Ou não cura (alguém se lembra do apóstolo Paulo?), por motivos que ele conhece. E, se ele conhece, isto basta!

A lepra é um processo muito sofrido, que aumenta com o desconhecimento dos médicos sobre a doença, o que não lhes permite que nos orientem da melhor forma em relação às reações colaterais do tratamento (quase morri em função da dapsona, pois sou alérgica à sulfa). Ninguém explica ao paciente sobre a necessidade de acompanhamento por outros especialistas, pois a poliquimioterapia pode causar hepatite, anemia, catarata e problemas renais, um roteiro que percorri todo. E a dor agiganta-se, quando tememos a discriminação, o julgamento absurdo daqueles que deveriam nos acompanhar espiritualmente.

Pela misericórdia de Deus, e pela facilidade de acesso aos meios de informação, tive a felicidade de encontrar o Portal da Hanseníase (www.hanseniase.passosuemg.br), um trabalho abnegado e altamente profissional, voltado a ministrar cursos on-line a profissionais da área da saúde e a esclarecer dúvidas de portadores da doença. Mas e quem não dispõe desse recurso? E as pessoas mais simples, perdidas no labirinto da impaciência do sistema público de saúde? É por elas que estou aqui.

Quero convidar o leitor a que se informe sobre esse mal; que não nos olhe com reservas ou se assuste com nossas seqüelas físicas -- pior seria se fossem morais. Que nos ajude a buscar informações e esteja ao nosso lado nessa luta por uma verdadeira cidadania.

Eu tenho lepra, você tem diabetes, há quem tenha câncer. Somos todos merecedores de respeito, tratamento digno e fraterno. Se assim for, só nos contagiaremos de amor. Daquele que eleva e constrói. E cura! Pensemos nisso, e que Deus nos abençoe.


• Patrícia Neme é tradutora, intérprete e poetisa. É autora de “Relicário” (Ed. Corifeu).
http://www.ultimato.com.br

segunda-feira, 23 de março de 2009

Verdade “versus” alucinação por Ricardo Gondim


O culto pegava fogo. O frenesi do povo crescia, estimulado por um pastor quase grisalho, engravatado e bastante brilhantina nos cabelos. Mesmo acostumado a ambientes pentecostais, estranhei o exagero dos gestos e das palavras. Concentrei-me para entender o que o pastor dizia em meio a tantos gritos. Percebi que ele literalmente dava ordens a Deus. Exigia que honrasse a sua Palavra e que não deixasse “nenhuma pessoa ali sem a bênção”. Enquanto os decibéis subiam, estranhei o tamanho da sua arrogância. A ousadia do líder contagiou os participantes. Todos pareciam valentes, cheios de coragem. Assombrei-me quando ouvi uma ordem vinda do púlpito: “Chegou a hora de colocarmos Deus no canto da parede. Vamos receber o nosso milagre e exigir os nossos direitos”. Foi a gota d’água. Levantei-me e fui embora.

Os ambientes religiosos neopentecostais se tornaram alucinatórios porque geram fascínio por poder e pela capacidade de criar um mundo protegido e previsível. Por se sentirem onipotentes, buscam produzir uma realidade fictícia. Para terem esse mundo hipotético, os sujeitos religiosos chegam ao cúmulo de se acharem gabaritados para comandar Deus. É próprio da religião oferecer segurança, mas os neopentecostais querem produzir garantia existencial com avidez.

Em seus cultos, procuram eliminar as contingências, com a imprevisibilidade dos acidentes e os contratempos do mal. Acreditam-se capazes de domesticar a vida para acabar com a possibilidade de seus filhos adoecerem, de as empresas que dirigem falirem e de se safarem caso estejam em ônibus que despenca no barranco. Almejam uma religião preventiva, que se antecipa aos solavancos da vida. Imaginam-se aptos para transformar a aventura de viver em mar de almirante ou em céu de brigadeiro.
Acontece que essa idéia de um mundo sem percalços não passa de alucinação. Por mais que se ore, por mais que se bata o pé dando ordens a Deus, o Eclesiastes adverte: “O que acontece com o homem bom, acontece com o pecador; o que acontece com quem faz juramentos acontece com quem teme fazê-lo” (9.2).

Mas a pergunta insiste: por que os cultos neopentecostais lotam auditórios e ganham força na mídia? Repito, pelo simples fato de prometerem aos fiéis o poder de controlar o amanhã, eliminar os infortúnios e canalizar as bênçãos de Deus para o presente. Quando oram, pretendem gerar ambientes pretensiosamente capazes de antever quaisquer problemas para convertê-los em fortuna e felicidade.

Esta premissa deve ser contestada. Pedir a Deus para nunca se contrariar, ou para ser poupado de acidentes, significa exigir que ele coloque os seus filhos em uma bolha de aço. A vida é contingente. Tudo pode ocorrer de bom e de ruim. Uma existência sem imprevisibilidade seria maçante. O perigo da tempestade, a ameaça da doença, a iminência da morte fazem o dia-a-dia interessante.

A verdade não produz necessariamente felicidade. Verdade conduz à lucidez. O delírio, porém, tranqüiliza e gera um contentamento falso. Muitos recorrem à religião porque desejam fugir da verdade e se arrasam porque a paz que a alucinação produz não se sustenta diante dos fatos.

Cedo ou tarde, a tempestade chega, o “dia mau” se impõe e o arrazoamento do religioso cai por terra. Interessante observar que Jesus nunca fez promessas mirabolantes. Como não se alinhou aos processos alienantes da religião, ele não garantiu um mundo seguro para os seus seguidores. Pelo contrário, avisou que os enviaria como ovelhas para o meio dos lobos e advertiu que muitos seriam entregues à morte por seus familiares. Sem rodeio, afirmou: “No mundo vocês terão aflições”.
Quando o Espírito conduziu Jesus para o deserto, o Diabo lhe ofereceu uma vida segura, sem imprevistos. As três tentações foram ofertas de provisão, prevenção e poder, mas ele as rechaçou porque as considerou mentirosas. O mundo que o Diabo prometia não existe.

Porém as pessoas preferem acreditar em suas ilusões. Fugir da crueza da vida é uma grande tentação. Em um primeiro momento, parece cômodo refugiar-se da realidade, negando-a. É bom acreditar que a riqueza, a saúde, a felicidade estão pertinho dos que souberem manipular Deus.

O mundo neopentecostal se desconectou da realidade. Seus seguidores vivem em negação. Não aceitam partilhar a sorte de todos os mortais. Confundem esperança com deslumbre, virtude com onipotência mágica, culto com manipulação de forças esotéricas e espiritualidade com narcisismo religioso.

Os sociólogos têm razão: o crescimento numérico dos evangélicos não arrefecerá nos próximos anos. Entretanto, o problema é qualitativo. O rastro de feridos e decepcionados que embarcaram nessas promessas irreais já é maior do que se imagina.

A demanda por cuidado pastoral vai aumentar. Os egressos do “avivamento evangélico” baterão à porta dos pastores, perguntando: “Por que Deus não me ouviu?” ou “O que fiz de errado?”. Será preciso responder carinhosamente: “Não houve nada de errado com você. Deus não lhe tratou com indiferença. Você apenas alucinou sobre o mundo e misturou fé com fantasia”.

“Soli Deo Gloria”.


• Ricardo Gondim é pastor da Assembléia de Deus Betesda no Brasil e mora em São Paulo. É autor de, entre outros, Eu Creio, mas Tenho Dúvidas. www.ricardogondim.com.br

domingo, 22 de março de 2009

Einstein e a Árvore do conhecimento do Bem e do Mal


“Toda essa nossa tecnologia e desenvolvimento são apenas como um machado nas mãos de um demente”. — Einstein

Esta foi a afirmação de Einstein quando viu a Alemanha fanatizada pela guerra no inicio do século XX [1ª Guerra]. E o que ele viu para falar tal coisa?

Viu não apenas a Alemanha tomada pelo espírito do fanatismo racial e imperial antes de haver a manifestação mais grotesca de tal realidade, a qual veio a ganhar contornos definitivos algumas poucas décadas depois, quando veio a 2ª Guerra.

Entretanto, o que chocava Einstein era o fato que não apenas o povo caíra no fanatismo, mas também seus próprios amigos/cientistas, especialmente seu melhor amigo, que mergulhara na mesma vala.

Foi quando Einstein viu que tudo quanto começava a explodir em termos de conhecimento técnico/cientifico ia sendo imediatamente transformado em arma química, em aparatos de destruição em massa, mesmo antes da Bomba Atômica.

Ora, o que se tinha naquele tempo era ainda brincadeira se comparado ao que se tem hoje.

Einstein, todavia, viu isso antes de acontecer, por isto, indagado acerca de como seria a 3ª Guerra Mundial, ele disse: “A Terceira não sei como será. Mas a 4ª será guerreada com pedras e pedaços de pau”.

Ele anteviu o fato de que aquele conhecimento desacompanhado de consciência promoveria a Tragédia Final da Humanidade como a conhecemos.

A mesma mente que na solidão de um escritório, sem nada além de papel e lápis, pôde ver os fenômenos mais intrincados do Cosmo, apenas mediante as lógicas dos números e da intuição como experiência cientifica a ser demonstrada — também via que aquele conhecimento não tinha no homem um fundamento de paz e vida. Ou seja:

Einstein percebeu que aquele poder de criar era o mesmo poder que descriava em escala catastrófica.

Assim, com outras palavras, Einstein afirmava a terrível realidade da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.

Isto, entretanto, parece estar fechado à percepção de muita gente; ou, se não está, o descaso, todavia, é total para com as implicações de que o mesmo poder que descobre coisas e fenômenos é também o poder que usa o que se descobre para oprimir e aniquilar.

É trágico, mas é fato:

Para cada saber humano revolucionário sempre nos aguardam aplicativos do mesmo fenômeno na direção do que seja mal.

Assim, não em razão do saber, mas em razão de quem fica sabendo [o homem], pode-se dizer que para cada maravilha haverá a sua tragédia aplicativa.

Desse modo se pode afirmar que nada é mais real acerca do homem do que sua ligação espiritual com a Arvore do Conhecimento do Bem e do Mal.

Portanto, pergunto:

Alguém ainda duvida de que Adão comeu do fruto?

Ora, a conclusão não precisa ser baseada na Bíblia, basta que apenas se leia os sinais do homem no mundo.

Em tese este foi o fenômeno mais dramático que Einstein discerniu.

Caio
www.caiofabio.com.br

sábado, 21 de março de 2009

Jesus, a chave de interpretação das Escrituras!

LEITURA DO NOVO TESTAMENTO: cada pessoa no Caminho deve fazer a leitura do N.T. conforme a seqüência que se segue, sem leitura orientada, a fim de que cada um, de si mesmo, verifique o significado do Evangelho sem as leituras pré-condicionantes aprendidas na religião.

Os livros do Novo Testamento foram escritos na seguinte ordem: 1ª e 2ª Tessalonicenses; Gálatas; Efésios; 1ª e 2ª Coríntios; Romanos; Colossenses; Filemom; Filipenses; 1ª e 2ª Timóteo e Tito; 1ª Pedro; Marcos; Mateus; Hebreus; Lucas; Atos; Tiago; Judas; 1ª, 2ª e 3ª João; o evangelho de João; 2ª Pedro; e Apocalipse.

CHAVE HERMENÊUTICA: OLHE PARA JESUS E VOCÊ ENTENDERÁ A PALAVRA.

"O Verbo se fez carne...", sendo assim, a Encarnação torna-se nossa única e possível chave hermenêutica para entender a Palavra, a mim mesmo, o próximo e a realidade atual.

1. Deve-se ler existencialmente a Bíblia como tendo seu espírito realizado em Cristo. Ele veio para cumprir tudo. Cumpriu? Sim! Está consumado! Mas cumpriu de uma maneira legal-aos-sentidos? Não! Prova disso que o cumprimento da Palavra em Jesus era justamente aquilo que os mestres da Lei em Seus dias chamavam de transgressão. Assim, há um espírito até na Lei. Jesus cumpriu esse espírito, não suas materializações!

2. Deve-se ler as "falas" de Jesus e não somente fazer (quando se faz) exegese do texto. Antes disso, deve-se perguntar: qual o significado desse ensino de Jesus para Jesus? E a resposta é uma só: veja como Ele lidou com a vida, com as pessoas, com os fatos! Conferindo uma coisa com a outra fica se livre da construção de dois seres irreconciliáveis: o Jesus que viveu cheio de amor e graça, e o Jesus que ensinou coisas que só os interpretes autorizados conseguem "captar".

3. Desse modo, então, não se faz jamais uma interpretação textual que não coincida com o comportamento e com a atitude de Jesus na questão, conforme o Evangelho. Eu confiro tudo com o espírito de Jesus, conforme o Evangelho.

4. Só assim Jesus não fica esquizofrênico ante os nossos sentidos: o que Ele disse, Ele viveu; e o que Ele viveu, é o que Ele disse. "Assim, Jesus é a chave hermenêutica para se discernir a Palavra, mas mesmo assim, eu só a conhecerei como Verdade, se eu mesmo a provar na minha carne; e isto é o que acontece quando a gente anda no Caminho; e assim é mesmo quando a gente tropeça."

Caio Fábio
www.caiofabio.com.br

sexta-feira, 20 de março de 2009

Jesus, a chave que abre o coração - parte 3

"Perguntou-Lhe Pilatos: O que é a verdade?"

Ora, conquanto Jesus seja também uma informação histórica — afinal Ele existiu, e nós não estávamos lá quando isto aconteceu; razão pela qual dependemos completamente das descrições que os evangelhos fazem de Jesus a fim de melhor discernir seu espírito —, no entanto, o discernimento de Quem Ele era, só acontece como revelação de Deus no coração.

A Verdade não existe como Explicação, mas tão somente como Encarnação. A Verdade se fez carne! É Alguém. A Verdade é uma Pessoa! Por isso, a Verdade só pode ser vivida, não pensada. Todo pensamento acerca dela decorre da experiência. A Verdade não é objeto de prosa... O Jesus do Evangelho não é para ser aceito, mas para ser conhecido. A Verdade que vejo em Jesus — Encarnada Nele — eu mesmo tenho que conhecer na minha própria encarnação, que é o único estado de existência que eu tive até hoje.

Foi assim com Pedro. Ele conheceu a Verdade em Jesus, e teve que experimentá-la em si mesmo. E, provavelmente, o dia no qual ele negou a Jesus, tenha sido um dia de muito mais verdade que a noite da Transfiguração.

Portanto, é preciso que cada um conheça Jesus e Sua Palavra, para si mesmo. É preciso que cada um aprenda a Ter sua própria consciência em fé, a fim de viver a Palavra por si mesmo.

Em resumo, a Encarnação é a chave hermenêutica do conhecimento bíblico, mas essa chave tem que abrir antes o meu coração. E isto só acontece no encontro entre a Verdade e a Vida.

Ora, tal encontro só se dá no Caminho, e é a isso que chamamos Consciência do Evangelho. Por isso, aproveito-me deste trabalho para propor um exercício pessoal libertador:

* Quero convidá-lo a pegar os evangelhos e relê-los como se fosse a primeira vez, e faça-o como se nunca tivesse ouvido nenhuma interpretação deles. Pois, assim fazendo, você logo saberá que o que eu digo é apenas uma Nova Repetição do que não muda nunca, pois quando se tenta mudá-lo, nunca é para o bem, pois, trata-se daquilo que é eterno: o Evangelho.

A necessidade de escrever a mensagem de Jesus veio do afastamento cada vez maior da sua fonte histórica - o próprio Jesus de Nazaré (Lucas 1:1-4; João 20:30-31). Em meados de 70 D.C., já não vivia a quase totalidade das "testemunhas oculares" do Senhor ressuscitado (Lucas 1:2; 1 Cor 15:3-8). Esse distanciamento cronológico entre Jesus e as comunidades só poderia ser vencido pela palavra escrita. E assim se formaram as duas grandes coleções ou "corpus" das Cartas de Paulo e dos Evangelhos.

* Depois, eu gostaria de enfatizar a necessidade de ler o Novo Testamento na ordem cronológica da mais provável seqüência de sua produção: 1ª. e 2ª. Tessalonicenses; Gálatas, Efésios, 1ª. e 2ª. Coríntios, e Romanos; Colossenses, Filemom; Filipenses, 1ª. e 2ª. Timóteo e Tito; 1ª. Pedro; Marcos; Mateus; Hebreus; Lucas; Atos; Tiago, Judas 1ª.,2ª. e 3ª. João; o evangelho de João, 2ª. Pedro; e Apocalipse.

Como alerta, devo dizer que o primeiro inimigo a ser vencido no estudo bíblico é o pré-condicionamento na interpretação.

Então, meu querido, soda cáustica na cabeça, uma boa chacoalhada, limpeza, e início de leitura pessoal e aberta para a Palavra e para o Espírito. Então você verá que começará a surgir o Jesus real das páginas dos evangelhos! Experimente!

Que a Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos.

Caio
www.caiofabio.com.br

quinta-feira, 19 de março de 2009

E a leitura do Antigo Testamento? parte 2


"Eis aí vêm dias... em que firmarei Nova Aliança...: Na mente (não mais em tábuas), lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, eles serão o meu povo (...) Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei."
Grito do Profeta Jeremias – 31. 31-34

Após tais exercícios devocionais sob o Novo Testamento, muitos me endereçam questões de perplexidade e confusão relacionadas aos conteúdos do Velho Testamento.

Mas estou certo de que esse conflito nem Paulo e nem o escritor de Hebreus tinham, por exemplo. Digo isto porque Paulo recorre ao Antigo Testamento, aos salmos, e aos profetas, a fim de mostrar que aquela "Fase Humana" havia ficado sepultada em Jesus; e que, conforme as mesmas Escrituras, em Cristo começaria uma nova consciência, não como mandamentos de exterioridades, mas como percepção fundada no amor, na justiça e na verdade — tudo isto inscrito e gravado no coração.

Paulo também diz que a Lei foi dada, e com ela as causalidades e seus efeitos, a fim de que se avultasse (exagerasse) a consciência do pecado em nós. O próprio Paulo revelou que a Lei era parte da infância da consciência, como já nos referimos aqui, pois nos servia de guia, de servo que pega e leva para a escola — embora, agora, já andando no Caminho pela fé, ele diga que já não se precisa mais da Lei-Babá.

Além disso, toda a argumentação do apóstolo acerca da justificação pela fé conforme o dom da Graça se fundamentava nas declarações dos salmos e dos profetas; bem como, além do que estava declarado abertamente nos Textos, Paulo interpretava também o que estava apenas implícito na leitura — e ele faz isso lendo a Escritura a partir de Jesus, e não Jesus a partir da Escritura.

Isto porque Paulo lia o Velho Testamento a partir da consciência adquirida em Jesus. Ou seja: Jesus era a "Chave Hermenêutica" de Paulo, e partir dessa Chave, Paulo interpreta Abraão, Sara e Hagar, Ismael e Isaque, Esaú e Jacó e outros — sempre com o propósito de mostrar como Jesus era o cumprimento de todas as coisas.

E foi também a partir da mesma "Chave Hermenêutica" que o escritor de Hebreus interpretou os cerimoniais e os ritos descritos nos Livros da Lei, discernindo seus símbolos, utensílios e arquiteturas.

A carta aos Hebreus chega ao ponto de dizer que Jesus era maior do que Moisés, e maior do que tudo no Velho Testamento; chamando o que era pertinente à Velha Aliança de coisa obsoleta e sem utilidade, "antiquada, envelhecida e prestes a desaparecer". Hoje, ele diria que a Velha Aliança era chamada "velha", dado seu prazo de validade vencido.

Assim, o que se tem no Velho Testamento, na Antiga Aliança é o seguinte:

1. A justificação pela fé, mediante a qual todos foram justificados, de Adão a João Batista. Hebreus 11 declara isto. E isso embora as pessoas vivessem sob "o regime da lei", conforme Paulo. A justificação, entretanto, segundo Hebreus e Paulo (em todas as suas cartas), sempre aconteceu pela fé, e nunca pela Lei. Esta é, afinal, a tese de Paulo em Romanos e Gálatas; em especial.

2. A busca humana de se justificar pela Lei; pois, estava dito que aquele que desejasse se justificar pela Lei, esse teria que cumpri-la toda. E Jesus, dando continuidade aos profetas, deixou claro que tal obediência à Lei deveria ser por dentro e por fora. Mas é Davi quem diz: "Se observares iniqüidade, quem, Senhor, subsistirá?" Para então também declarar: "Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui iniqüidade".

3. A declaração, especialmente fundada no Livro de Jó, de que as calamidades da vida não são absolutas quanto a determinar o juízo de Deus sobre os homens. E Jó é a prova disso. Normalmente, todo homem acaba colhendo o que planta, mesmo que isto não chegue com cara de calamidade. Muitas vezes, somente a própria pessoa sente as conseqüências. Entretanto, conforme Jó e o Eclesiastes, as calamidades não nos vêm como aplicativo absoluto de uma Lei de Causa e Efeito; e, menos ainda, têm elas o poder de justiça; pois, muitas vezes, é o homem inocente de certos males aquele que recebe as suas conseqüências; e, outras vezes, aquele que faz algo que deveria trazer um efeito negativo equivalente ao mau-causa praticado, aparentemente, sai ileso. E o que ninguém sabe é o tamanho do desmonte na alma desse ser; pois, quando não vem como mal externo (calamidade), sempre vem como mal interno (medo, solidão, angústia, designificação existencial, amargura, sofreguidão do ódio, desespero da morte, etc.).

4. O que não há no Velho Testamento é justificação sem Sangue. Na Antiga Aliança, a própria Lei foi sancionada com derramamento de sangue; conforme o primeiro rito de "vestimenta espiritual" praticado "por Deus" no Gênesis, quando cobriu o homem e sua mulher com as peles de um animal morto para vesti-los.


Assim, meus irmãos, no Antigo Testamento, nós tanto temos a manifestação da devoção humana de forma primitiva; assim como temos a linha mestra de indicação do Caminho, e que é uma linha carregada de sangue de bodes e de touros; até que chegou o Cordeiro, que já havia sido imolado desde antes da fundação do mundo (portanto, infinitamente anterior à Lei); e, Nele, toda a Lei — tanto os mandamentos de conduta individual e social (10 mandamentos; por exemplo) como também as leis e ritos cerimoniais — foram cumpridos; e, com isto, tudo o mais se torna obsoleto, visto que o que agora prevalece explícita e encarnadamente é o Evangelho da Nova Aliança; e Nele, a obediência é conseqüência da fé que nasce do Amor que nos amou primeiro e que se entregou por nós.

Para os que ainda são da Lei, a emoção prevalente como "motor da obediência" é o medo. Já no Caminho do Evangelho nada tem sentido se não for o amor e a gratidão aquilo que movem o ser.

Por último, quero dizer que, na existência, existe causa e efeito em tudo (na justiça legal, nas leis naturais, nas leis econômicas, nas leis físicas, nas leis relacionais, nas leis conjugais, nas leis negociais, etc.) — menos no que tange à salvação em Cristo, conforme o Evangelho.

No Evangelho, a Lei fica para o Estado na regulamentação dos vínculos sociais (Romanos 13). Mas ela, a Lei, nada tem a ver com a justiça de Deus para salvação, que salva até o condenado pela lei como fez com o ladrão ao lado de Cristo.

Assim, no tempo Antigo, temos gente tentando viver pela Lei, com toda sinceridade; temos gente fazendo de conta que guardava a Lei, com toda falsidade; e temos gente que vivia sob a Lei por fé e esperança num Amor Maior – que os absolvesse dos rigores da própria Lei que os expôs como transgressores.

Quem se dedicar a leitura atenta dos evangelhos e das inúmeras afirmações de Paulo em suas cartas, mas em especial Romanos de 9 a 11, saberá que a finalidade da Lei é Cristo.

Continua

quarta-feira, 18 de março de 2009

Jesus, a Chave que abre as Escrituras - parte 1



"Cristo é o Mestre, as Escrituras são apenas o servo. A verdadeira prova a submeter todos os Livros é ver se eles operam a vontade de Cristo ou não. Nenhum Livro que não prega Cristo pode ser apostólico, muito embora sejam Pedro ou Paulo seu autor. E nenhum Livro que prega a Cristo pode deixar de ser apostólico, sejam seus autores Judas, Ananias, Pilatos ou Herodes"

Martinho Lutero


Os evangelhos são narrativas históricas das ações e acontecimentos relacionados a Jesus, bem como de Suas Palavras. O Evangelho, todavia, é um espírito. Os evangelhos são o corpo. O Evangelho é o espírito no corpo.

Para muitos, os evangelhos são apenas narrativas. Para outros, eles são palavras inspiradas. Para muito mais gente ainda, eles são apenas palavras mágicas. E para a maioria, eles são somente os quatro primeiros livros do Novo Testamento, sendo, portanto, parte da Bíblia Sagrada.

Todavia, o Evangelho é espírito e vida. Deus é espírito, e, portanto, Suas palavras são espírito e vida, pois carregam o poder da Verdade Absoluta e produz vida onde quer que cheguem.

Para melhor entender, suponha que os evangelhos não tivessem sido escritos. Decerto, sabemos que ainda assim, haveria um Evangelho a ser anunciado até os confins da Terra como Boa Notícia, visto ser o Evangelho um espírito, e não um livro.

Assim, o espírito do Evangelho é só uma forma de expressar-se acerca da Essência da Palavra. É a Plenitude da Revelação. Trata-se da forma de interpretação bíblica que olha para Jesus Cristo como a Chave Hermenêutica dessa Revelação.

De modo algum se está dizendo aqui que só Jesus interessa na Bíblia, mas, por outro lado, nada interessa senão a partir Dele e nada é Palavra de Deus se não for compatível com Ele, por mais 'bíblico' e 'teológico' que seja!

Leio a Bíblia a partir de Jesus e não Jesus a partir da Bíblia. Assim, meus livros não são considerados "teológicos" pelos teólogos, posto que nesses escritos raramente haja uma designação hermenêutica teologicamente aceitável; e nem tampouco há neles sistematizações que busquem o fechamento lógico de qualquer pacote de pensamento.

Isso porque creio que Jesus – que é Deus Manifesto entre nós - abre as Escrituras para nós. Cristo é a síntese das Escrituras e o Espírito da Graça é o agente hermenêutico que me aproxima do texto com a fé de que encontrarei a Palavra.

É a partir daí, então, que se interpreta a Antiga Aliança, os Profetas e todo o Novo Testamento. Isso porque Ele é a Palavra! A Encarnação Absoluta Dela, o Verbo Vivo de Deus, cheio de Graça e Verdade! E as próprias palavras de Jesus só podem ser entendidas se tiverem sua concreção no Evangelho vivido por Jesus de Nazaré.

Veja o livro de Atos dos Apóstolos: é um livro de atos, de ações. Mas sabemos que os únicos atos absolutos e irretocáveis feitos na Terra são os Atos de Jesus. Portanto, há Evangelho em Atos, mas o Atos não é o Evangelho. Digo isto porque se os critérios de Jesus forem aplicados aos atos dos apóstolos, os próprios apóstolos serão sempre relativizados.

Quando lemos o Atos, não se lê o Evangelho da Graça — esse só está plenificado em Jesus —, mas a tentativa humana de começar a viver conforme a fé em Jesus. E, em tal processo, há acertos, erros, equívocos, ação do Espírito, infantilidades, ambigüidades, milagres, diferenças, medos, ousadias, coragem maravilhosas, dúvidas atrozes, e todas as demais coisas concernentes aos homens que vivem no Caminho. Assim, o livro dos Atos Apostólicos é um livro de história, e não quer ser visto como o Evangelho.

A tentativa infantil de dizer que a igreja é o Corpo de Cristo - e logo, Cristo estava agindo como antes agira, só que agora em Seu Corpo Comunitário - é bela, mas não é verdadeira como valor absoluto. O Pedro que recebeu a revelação é o mesmo que recebeu a repreensão: Arreda, Satanás (Mt 16).

Em Jesus está toda a revelação e toda a referência para se julgar e entender o que quer que pretenda ser canônico. Onde o 'espírito do Evangelho' está presente, aí há o que levar para a alma e para a vida. No mais, vejo registros históricos da infância da fé e da consciência permeando toda a Escritura.

O exercício não é difícil: Basta olhar para Jesus, fazendo um caminho de observação. Deve-se perguntar: Qual o significado das falas e dos ensinos de Jesus para o próprio Jesus? E a resposta é uma só: Veja como Ele tratou a vida, a religião, os políticos, os pobres, os ricos, os doentes, os párias, os segregados, os esquecidos, os seres proibidos, os publicanos, as meretrizes, os santarrões, e tudo e todos. Conferindo uma coisa com a outra, ficamos livres da construção de dois seres irreconciliáveis: o Jesus que viveu cheio de amor e graça e o Jesus que ensinou coisas que só os intérpretes autorizados conseguem "captar".

Desse modo, então, não se faz jamais uma interpretação textual que não coincida com o comportamento e com a atitude de Jesus na dinâmica de seus movimentos e encontros narrados.

Assim, eu confiro tudo com o espírito de Jesus, conforme o Evangelho. Só assim Jesus não fica esquizofrênico ante os nossos sentidos: o que Ele disse, Ele viveu; e o que Ele viveu, é o que Ele disse.

"Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e Nele estão TODOS os tesouros da sabedoria e do conhecimento."

"Ele é o resplendor da glória do Pai e a expressão EXATA do Seu Ser, sustentando todas as coisas pela Palavra de Seu poder!"

Olhe para Ele, e tudo fica interpretado! O resto, irmãos, é invenção de quem não quer lidar com gente e prefere lidar com letras.

continua...

terça-feira, 17 de março de 2009

Vem e vê TV - Cadastro e distribuição




Clique aqui e saiba como contribuir para que o sinal da TV permaneça aberto a todos; e assim, o Evangelho da Graça de Jesus seja anunciado a milhares e milhares de pessoas por todo o mundo.



segunda-feira, 16 de março de 2009

Voltar ao início de tudo

[O Caminho da Graça]







O 'Caminho da Graça' no Brasil é um movimento que existe para anunciar que "Deus estava em Cristo, reconciliando consigo mesmo o mundo, e não imputando aos homens as suas transgressões".



Vamos voltar ao início de tudo... Você se lembra de como tudo começou? No início era o Evangelho...



Acesse os links abaixo e (re)leia os textos:











domingo, 15 de março de 2009

A Paz - Roupa Nova.

É preciso pensar um pouco nas pessoas que ainda vêm
Nas crianças
A gente tem que arrumar um jeito
De deixar pra eles um lugar melhor.
Para os nossos filhos
E para os filhos de nossos filhos
Pense bem!

Deve haver um lugar dentro do seu coração
Onde a paz brilhe mais que uma lembrança
Sem a luz que ela traz já nem se consegue mais
Encontrar o caminho da esperança

Sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homens
Se fazendo irmão e estendendo a mão

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Se você for capaz de soltar a sua voz
Pelo ar, como prece de criança
Deve então começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança

Deixe, que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão.

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Quanta dor e sofrimento em volta a gente ainda tem,
Pra manter a fé e o sonho dos que ainda vêm.
A lição pro futuro vem da alma e do coração,
Pra buscar a paz, não olhar pra trás, com amor.

Se você começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança.

Deixe, que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão.

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Inteira feliz ...

O amor de muitos esfriará!


Mateus 24:12 - "E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará."

Quando Jesus disse que nos últimos tempos, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará, Ele não disse que o amor a Deus esfriará, e sim o amor a qualquer coisa.

Note que, se você gosta muito do seu trabalho, mas lá começam as intrigas, as fofocas, e por isso pessoas buscam passar por cima de outras e injustiças começam a ocorrer, você começa a perder o gosto do trabalho. É assim com todo mundo.

Se você gosta de jogar futebol, mas sempre que vai tem brigas e discussões, e a cada passe errado as pessoas começam a te xingar, você começa a perder a vontade de estar ali jogando com eles.

Aumentando a iniquidade, ou seja, os pecados, as coisas erradas, diminui o amor da pessoa.

Mas, será que isso acontece àqueles que amam a Deus? Claro que acontece, acontece com todo mundo, independente de religião. Mas o que Jesus disse que seria o remédio para este grande mal, que torna as pessoas insensíveis e indiferentes?

Mateus 25:31-46 - E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;
E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas;
E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.
Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.
Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?
E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?
E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;
Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;
Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.
Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?
Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.
E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.


O remédio para que o amor não esfrie é FAZER! Fazer o que? Ajudar ao próximo que está próximo de você, não importando quem ele seja. Quando você ajuda alguém necessitado seu coração começa a derreter. O gelo da indiferença acontece quando nós terceirizamos a nossa missão.

Terceirizamos quando damos os nossos filhos pras escolas os educarem, para as igrejas os ensinarem a amar a Deus, para as creches e clubes os manterem ocupados.

Terceirizamos quando damos dízimos e ofertas na igreja para que os missionários vão evangelizar, para que a igreja doe cestas básicas, para que os irmãos sejam assistidos pela assistente social.

Terceirizamos quando doamos dinheiro e bens para as instituições que cuidam de crianças, para os asilos, para as casas de recuperação.

Tudo isso é importante fazer, mas tudo isso ainda é terceirizar. Isso quita nosso compromisso de ajudar as pessoas mas gela o nosso coração.

É o que disse Jesus aos fariseus, vocês dão dízimo de tudo mas desprezam o juízo, a misericórdia e a fé; deviam, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.

Quando você vai à uma instituição de crianças com câncer e acompanha o drama das crianças, seu coração muda, ele quebra o gelo. Quando você participa de uma reunião dos alcoólatras anônimos, você que se quebranta e os cordões do seu coração começam a funcionar.

A verdade que Jesus deixou é: Façam, sujem suas mãos com os necessitados, e isso vai ajudar a aquecer seu coração a ponto de não perdê-lo para a indiferença.

Estive fazendo um evento de responsabilidade social com o conselho de pastores de Botucatu-SP. As frases que eu mais ouvi foi a de que os espíritas estão fazendo obras sociais mais do que os evangélicos, que eles estã amando mais as pessoas do que nós, os que têm Jesus.

Ora, amar a Deus não tem nada a ver com a religião. E a religião não tem nada a ver com amar as pessoas.

Entenda: As pessoas que amam estão fazendo algo por outras pessoas. As pessoas que amam estão em todas as religiões. As pessoas que amam estão fazendo a vontade de Deus. As pessoas que amam podem ser incentivadas pela religião, mas elas não tem a ver com a religião.

As pessoas que amam estão fazendo alguma coisa para que outros se sintam um pouco melhor.

O resto das pessoas estão criando ONGs, abrindo igrejas, formando missionários, doando bens e dinheiro para terceirizar sua missão.

As pessoas que amam estão com as cordas do coração quentes (misericórdia). Mas o amor dos donos de ONGs e igrejas esfriará!

sábado, 14 de março de 2009

Fique no prejuízo, isso é de Deus!


Em tempos onde a mensagem pregada nos púlpitos é a da prosperidade, com certeza esta minha palavra é contra cultura. Mas vamos lá.

Eu sempre participei de igrejas pentecostais e neo-pentecostais. Sempre fiz parte dos mais fanáticos, dos mais engajados na causa da igreja ou denominação que participava. Sempre fui de encabeçar as mudanças propostas pela liderança. Sempre fui de entrar no sobrenatural quando isso era uma oportunidade.

Participei dos grupos de oração, de guerra espiritual, de cura interior ou crescimento emocional, já cuidei de crianças, de jovens, de casais, tomei conta da livraria, fui diácono, missionário, professor, líder de células, líder de rede, etc... etc... etc...

Sempre fui o cara que entrava de cabeça em qualquer desafio financeiro. Já dei diversas vezes meu 13o. salário, dinheiro da poupança, dois dízimos, para comprar terreno, comprar salão, comprar aparelhagem de som, etc, etc, etc.

Sempre estive na espectativa que Deus iria me dar 10 vezes mais, 50 vezes mais, 100 vezes mais, conforme o desafio e profecia do pregador. Não sei dizer se um dia ganhei realmente o que foi profetizado, mas sempre tive pastores sinceros que, poderiam estar equivocados quanto à mensagem, mas eram verdadeiros no seu coração.

Não posso reclamar de nada, que fui sacaneado, que fui ludibriado, que fizeram lavagem cerebral, não, eu fiz porque quis achando que me daria bem. Fiz porque além de tudo sou safado e queria barganhar com Deus, sim. Queria ficar rico sem trabalhar, ser promovido sem merecer, ser reconhecido pela minha espiritualidade, ganhar um carro de oferta de um irmão rico, tudo isso baseado no princípio que se eu der pra Deus vou ganhar muito mais que se colocar na poupança.

Business, somente isso! Negócios!

Mas sempre fui um safado sincero com Deus, explico, era safado e não sabia, mas era também desejoso de realmente encontrar Deus, que era o que eu sabia. Nessa ânsia por Deus eu muitas vezes me questionava se tudo aquilo que estava vivendo era realmente Palavra de Deus e Evangelho. Porque, pensava eu, se fosse Palavra de Deus teria que funcionar no mundo inteiro independente da cultura, do estado de governo, da economia do país, da região em que se morasse, da escolaridade, da formação profissional, da condição financeira da família, etc.

Para ser Evangelho, Palavra de Deus deveria funcionar nos Estados Unidos, no Brasil, na África e na China. Em países capitalistas e em comunistas. Em países do primeiro mundo e nos sub-desenvolvidos.

Mas eu não encontrava esta ligação, este padrão sendo evidenciado em todo mundo. Por isso, quando pensava nisso, eu relaxava dizendo que era um bom investimento o que eu fazia, mesmo que não trouxesse o rendimento que os pregadores falavam. Dava dinheiro porque era bom investir no Reino de Deus.

Hoje é muito diferente os meus pensamentos com relação a dar dinheiro para as igrejas. Sinceramente não dou. Não quero dar oferta, nem dízimo, nem nada. E acho que isso é ruim! Acho que fiquei tão traumatizado que a minha mão foi contaminada pelas minhas emoções e adoeceu a minha liberalidade. Não cheguei ao equilíbrio nessa área ainda. Se este for o seu caso, ore por mim. Você sabe pelo que eu estou passando e quando orar por mim sei que Deus ouvirá.

Mas o que procuro fazer então? Ficarei à mercê dos meus traumas? Das minhas frustrações? Do banditismo que está por aí nas igrejas cristãs, principalmente evangélicas? Do mau pastor, do mau obreiro? Não!

Posso procurar aqueles que realmente estão pregando o evangelho de Jesus e incentivá-los investindo neles. Posso me voltar para aqueles que estão próximos de mim, exemplo meus parentes, amigos, colegas de trabalho e encontrar aqueles cujas necessidades eu posso atender, mesmo que tendo algum tipo de prejuízo.

Tenho encontrado no "algum tipo de prejuízo", Jesus. Porque? Por que a grande maioria das necessidades das pessoas, do meu próximo, exigem de mim mais do que eu posso dar como esmola.

A esmola eu dou daquilo que não faz falta pra mim. Esmola eu dou do que sobra. Mas quando eu me disponho a ajudar alguma pessoa na sua necessidade, sabendo que se eu deixá-la, ela não conseguirá sair do problema sozinha, aí eu tenho que dar mais do que as sobras que eu tenho.

E eu tenho buscado viver isso: Atender a alguma necessidade de alguma pessoa próxima a mim, que não conseguirá ou terá muita dificuldade de ter essa necessidade atendida por seus próprios meios e esforços.

Isso sempre me dá prejuízo! Sempre gasto muito mais do que poderia, tanto em dinheiro, quanto em recursos, como em tempo. Mas encontrei algo que devo fazer, porque para isso fui chamado.

Não faço isso para ganahr a salvação, NADA DISSO. Faço isso PORQUE eu fui salvo para fazer. Se não fizer... estou salvo do mesmo jeito.

Mas como não vou atender à necessidade do próximo sabendo de tudo o que Jesus fez por mim? Sabendo quem realmente eu sou e mesmo assim Ele me ama?

Como não atender ao chamado de Jesus para acolher os necessitados, os órfãos, os drogados? Se você fizer isso, vai saber o que é prejuízo! Vai ficar no prejuízo sim!

Esse tipo de pessoa come sem moderação, gasta sua energia elétrica, quando toma banho deixa a água escorrendo e com o nível inverno no chuveiro, mesmo quando não precisa. Usa seu telefone, seu carro, é mau cheiroso, pode até te roubar.

Mas não estou falando de pessoas achadas na rua, estou falando do seu primo, da sua tia, da sua sogra, do seu irmão, de algum amigo de infância que, tendo alguma grande dificuldade na vida, você o acolhe e fica no prejuízo por causa dele.

Isso é de Deus!

Quando esse tempo termina e essa pessoa sai da tua vida com gratidão, porque ele nunca teria como se reabilitar sozinho, pois não tinha ninguém para ajudar, isso é maravilhoso, é Reindo de Deus na terra é cumprir a sua missão, é dar propósito à vida, é ter valor!

Mas quando esse tempo termina e essa pessoa sai da tua vida sem gratidão, ou não quer mudar e pula fora do barco, desiste e volta para as drogas, deixa você com as contas pra pagar e some no mapa, fazendo parecer que tudo aquilo que você fez foi em vão, e você ouve um monte de gente te dizendo que sabia que não ia dar certo, que você quebrou a cara tentando ajudar... isso é maravilhoso, é Reino de Deus na terra, é cumprir a sua missão, é dar propósito à sua vida, é ter valor, é sentir o que o Papai sente com tantos filhos aqui na terra.

É compartilhar da dor de Deus pelo homem. É participar dos Seus sofrimentos. É tomar a ceia com Jesus que disse: Este é o meu corpo partido por vocês. Façam isso em memória de mim.

Você ajudou alguém que voltou as costas para você? E daí! As pessoas tomam as suas próprias decisões. Ajudar buscando atender as necessidades do nosso próximo é nossa missão. Fazendo isso não para alcançarmos a salvação, fazemos porque fomos alcançados por Jesus. Se fizermos esperando que as pessoas sejam gratas a nós, esperamos uma retribuição que pode não vir, e isso não pode mudar a nossa disposição de fazer o bem de novo.

Só gente boa de Deus consegue atender a esse chamado. Vamos voltar a cuidar das pessoas, pois Deus quer a gente engajado nesse serviço. Quero encorajá-lo a ajudar sem obrigar as pessoas a atenderem à sua expectativa de mudança. Ame-as e quando ficar triste e chateado por aglo que não deu certo, deixe na mão de Deus e continue fazer o bem.

Sempre esperamos a gratidão das pessoas, mas se ela não vier, fique no prejuízo, isso é de Deus!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Nem o diabo sabia disso!


Jesus morreu. Mas a morte que Ele morreu foi mais que a morte que faz o corpo falecer. Jesus ressuscitou. Mas a ressurreição que Ele manifestou é mais do que apenas trazer um corpo morto à vida.

Jesus morreu todas as mortes. Mas a morte mais mortal que Ele morreu foi a de ter entrado no Inferno tendo sido feito pecado em nosso lugar. Jesus no Inferno é o que nos põe no Céu!

Jesus no Inferno é a esperança na morte, na quase mais profunda das mortes, posto que ainda haja uma outra, que é Lago de Fogo, é extinção até do que extingue... Mas em Jesus até o Lago de Fogo tem um oposto de Vida: o Mar de Vidro Transparente. Somente Deus sabe se o que cai no 1º não sai re-existente no 2º.

Jesus morreu todas as mortes, e, assim, entrou no ambiente oculto em Deus onde todas as possibilidades existem como alternativas de existência. A Cruz foi erguida antes da fundação do mundo justamente nesse ambiente de tudo... Daí tudo ser apenas uma possibilidade Nele; possibilidade, porém, redimida pelo amor mesmo antes de existir.

O diabo não existia e a Cruz já havia sido erguida! Somente Deus viu Deus morrer pela Criação que ainda não existia.Daí a Cruz histórica ter sido celebrada como vitória na Praça das Ignorâncias do Inferno! Até que entra o Cordeiro, como havia sido morto desde antes da fundação do mundo!...

Pedro diz: “e, na morte, em espírito, anunciou o evangelho da vitória sobre a morte aos que estavam em grilhões”[ é a sugestão do texto grego].

Havia sido a morte de Deus por Deus o que havia criado todos os mundos e existências. Mas nem o diabo sabia disso. A Cruz era um assunto entre Deus e Deus!

Este era o mistério outrora oculto e agora revelado.

Assim, a Ressurreição de Jesus é a recriação glorificada de todas as coisas; Nele.

Muitos hão de ver e provar!

Pense nisso!

Caio
www.caiofabio.com.br

domingo, 8 de março de 2009

Round 1 - Quem sou eu?


Quem é você? Como você se apresenta para as pessoas? Com certeza com seu nome, não é mesmo? Vejamos então alguns significados de nomes:

Adriana - deusa das trevas, mulher de pele morena.
Alexandre - defensor da espécie humana.
Anésio - desmemoriado.
Carlos -
lavrador.
César - de cabelo grande.
Cláudio - aleijado, manco.
Gérson - estrangeiro.
Priscila - pequena idosa.
Roberto - aquele que brilha na glória e na fama.

Nós nos apresentamos pelo nosso nome, mas na verdade não o somos. Você conhece algum Cláudio? E ele é aleijado? Você conhece algum Alexandre? E realmente ele é o salvador da humanidade? E o que dizer das Adrianas, as deusas das trevas? Você conhece alguma? E os Robertos que você conhece, todos vivem de fama e glória?

Claro que não, claro que não.

A segunda pergunta me vem à mente: Se você não é quem você diz ser, então quem você é? Se você tivesse que fazer uma apresentação de quem você é, sem poder falar o seu nome, como se apresentaria?

Normalmente quando eu faço essa dinâmica as pessoas se apresentam com suas profissões: Sou doutor, empresário, funileiro, dentista, pastor, padre, juiz, professor etc... etc...

Ou então com suas características emocionais: Sou uma pessoa extrovertida, alegre, tímida, introspectiva, colérica, sanguínea etc.. etc..

Essas características não definem realmente como a pessoa é, mas como ela está, pois qualquer profissional pode mudar de profissão, quer seja por livre e espontânea vontade, quer por causa de novos negócios em que se envolveram, quer por situações que os impediram de exercer a profissão, como por exemplo, doenças, acidentes, etc.

Também emocionalmente as pessoas podem mudar com o tempo. Os fatores que influenciam para que isso aconteça são os mais diversos: Amadurecimento emocional, tragédias pessoais, doenças, profissão etc.

Mas a pergunta ainda fica: Quem é você? E esta pergunta está no centro de cada ser humano e repercute desde as eras mais remotas da humanidade.

Jesus contou uma parábola de dois homens que se apresentaram perante Deus dizendo quem eram. Veja a estória em Lucas 18:9-14 :

E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros:
Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano.
O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: O Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano.
Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.

O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: O Deus, tem misericórdia de mim, pecador!
Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.

Todos os outros religiosos em geral, mas principalmente hoje, na igreja evangélica tem a síndrome do fariseu cada vez mais forte.

Quando convertem e vêm pra igreja parece que todos se tornam SUPERIORES aos amigos não crentes, MENOSPREZAM os católicos e espíritas que são de outras religiões, e se tornam ardentes evangelizadores para o grupo ou igreja que pertencem.

Na maioria das vezes quando pensam em ganhar alguém pra Jesus tem a ver mais com aumentar o nosso grupo e fazê-lo mais forte, do que pregar as boas novas para que a pessoa seja salva.

Isto ocorre porque os conceitos estão todos errados na nossa cabeça e isto nos tira do caminho de Deus.

O DEUS TEMPLO

No velho testamento foi dado ao povo de Israel um lugar onde pudessem fazer sacrifícios e ofertas a Deus. Um único lugar no mundo inteiro sendo que, durante o ano eles deveriam voltar para este lugar para comemorar 3 grandes festas, a da Páscoa, a de Pentecostes e a de Tabernáculos. Isto era mandamento de Deus.

Lembrando que era abominação fazer sacrifícios em qualquer outro lugar. Quando os judeus saíram da sua terra perseguidos por inimigos, eles não podiam ir mais ao templo em Jerusalém, e então eles construíam as sinagogas.

Sinagoga não é um templo, é só um lugar para se ajuntar e conversar sobre assuntos do interesse do povo. É como se fosse uma câmara municipal. E como religião e política para o judeu estava tudo muito junto, eles também liam e estudavam as escrituras nas sinagogas.

Mas o templo se tornou o fim da adoração para eles. Ele começou a ser cultuado também. O templo apontava para Jesus, o único lugar, o único caminho pelo qual qualquer homem na face da terra pode buscar a Deus. Fora dele, em nenhum outro nome, em nenhuma outra pessoa.

Quando o salmista fala dos átrios da Casa de Deus, quando Malaquias fala dos dízimos e ofertas, eles não estão falando das nossas igrejas, eles estão falando do templo de Jerusalém. Hoje, o Templo de Deus na terra são os homens que, reunidos dois ou três formam a igreja onde Jesus está presente em qualquer lugar do mundo.

Por isso é mais importante ajudar o próximo do que dar dízimos e ofertas nas igrejas. Tem gente que deixa de ajudar pai e mãe, os deixa em dificuldades e ao invés disso dá dízimos e ofertas na igreja. Isto é coar um mosquito e engolir um camelo.

Não estou dizendo com isso que não podemos investir nosso dinheiro nas igrejas... não é isto! Estou dizendo que você não pode deixar o seu próximo passando necessidade enquanto dá o seu dízimo na igreja porque você acha que vai ser mais abençoado. Isso é abominação.

Investir em projetos que propaguem o Evangelho, que ajudem as pessoas, que promovam o bem social é uma postura digna e inteligente, devemos fazer isso.

Outra parábola esclarece muito bem isso, a do Bom Samaritano.

Quantas vezes já me perguntaram: Roberto, é pecado eu deixar de dar o dízimo pra ajudar minha família?

Ora, eu sempre disse pra ela: Dê o seu dízimo pra Deus, na casa de Deus, na nossa igreja, onde você congrega, onde você se alimenta (deixando bem claro que não podia dar nem pra outra igreja semelhante) e ajude a sua família com o seu dinheiro!

Quanta hipocrisia, quanta religiosidade e farisaísmo da minha parte! Vivi isso intensamente e sei hoje que estava totalmente errado. Mas eu tinha o mesmo sentimento do sacerdote e do levita que passaram perto do quase morto na estrada para Jericó.

Se o sacerdote e o levita fossem ver o moribundo e ele realmente estivesse morto, isso os contaminaria e eles não poderiam fazer o seu serviço no Templo, pois ficariam imundos conforme determina a lei.

Nesta parábola Jesus diz que é melhor você ajudar as pessoas que necessitam de você do que estar bem para cumprir a liturgia religiosa. Que o culto a Deus passa pelo próximo. Ele nem diz seu irmão, e sim o seu próximo, que pode ser qualquer pessoa necessitada que esteja PRÓXIMO de você.

Quanta gente não pode ajudar os outros porque tem que dar o dinheiro na igreja... Quanta gente não pode ajudar os outros porque está no horário do culto ou da missa...
Quanta gente não pode ajudar os outros porque tem um cargo na igreja...
Quanta gente não pode ajudar os outros porque esse não é o seu dom...
Quanta gente não pode ajudar os outros porque são de outras religiões...
Quanta gente não pode ajudar os outros porque não pode ser visto naquele lugar de pecado...
Quanta gente não pode ajudar os outros... quanta gente...

E o samaritano, que sabe pouco de Deus, sabe pouco de religião, tem muito mais consciência das necessidades dos outros para poder ajudar só por ajudar, só porque tem um SER HUMANO necessitando da sua ajuda é apontado por Jesus como alguém que fez a vontade de Deus.