segunda-feira, 20 de abril de 2009

DEVO DAR O DIZIMO E ONDE? por Caio Fabio

A idéia de que o “dizimo” é devido à “igreja” é uma tentativa de fazer do mero ajuntamento cristão algo pesado, legal, estatal, religioso, como era o “Templo de Jerusalém”.

No entanto, essa perversão não aconteceu desde o princípio. Os primeiros discípulos contribuíam, primeiro, para ajudarem-se uns aos outros (“...a família da fé...”; como diz Paulo); e, depois, a fim de criar meios e fundos a fim de ajudarem no sustento dos que vivem apenas para pregar e ensinar a Palavra.

Se você ler II Co 8 e 9 você entenderá qual era o espírito mediante o qual as ofertas em dinheiro eram feitas no ajuntamento dos primeiros discípulos.

Jesus disse aos judeus que eles deveriam dar o dízimo de seus bens e alimentos (era assim que era feito no Templo; e, descobertas arqueológicas feitas nas ruínas da casa de Caifás, o sumo sacerdote, revela como eram medidos e coletados esses “dízimos”), mas sem esquecer que a verdadeira lei de Deus é feita de justiça, misericórdia e verdade.

No entanto, já foi a perversão da fé original, desfigurando-se naquilo que chamamos de “Religião Cristã” ou de “Igreja”, o que evocou para si esse papel oficial de “Novo Templo” de Deus na Terra.

Ou seja: para o “Cristianismo” e para a “Igreja” a representação legal de Deus na Terra agora tem neles sua oficialidade. Todavia, essa é uma perversão que fundiu a idéia do Templo como lugar de oficialidade e poder (“chapa branca” de Deus no mundo), mais a oficialidade política e religiosa que os romanos, via Constantino, criaram.

Assim, “os evangélicos”, por exemplo, brigam pela “igreja” como detentora do “poder fiscal de recolhimento os impostos de Deus”, sem saber que tanto a interpretação legal de Malaquias não cabe nessa nova dispensação da consciência na Graça, conforme o Evangelho; como também não sabem que estão ainda vivendo sob os auspícios da Lei e não da Graça; visto que se colocaram sob o comando de algo que foi instituído para a “igreja” quando ela foi deixando de ser apenas Igreja, conforme a leveza do Evangelho; e conforme o poder que Constantino instituiu, chamando-o de “Cristianismo”.

Esta é a razão pela qual o texto de Malaquias 3, sobre os dízimos, ser o favorito da “igreja” nas questões de contribuições financeiras. Sim, ele supostamente se transfere para a “igreja”, a qual, tendo CGC e Estatuto, vira o “Banco do Dinheiro de Deus”; e o pastor, líder, apostolo, bispo, ou seja lá o que for..., torna-se o “Dono do Banco”; ou, na melhor das hipóteses, no caso de uma gestão menos centrada num homem, então surge o “Conselho Bancário”, que faz gestão do dinheiro de Deus na “igreja”. Ora, eles dizem que se o dinheiro de Deus não passar por eles, tal dinheiro não serve a nenhuma causa divina; não sendo, portanto, segundo eles, “abençoado”.

Tudo engano e manipulação!

O que não percebemos é que o N.T. não se utiliza de Malaquias 3 como Lei da Graça quando se trata de dinheiro. Como já disse, o texto de Malaquias fala do Templo-Estado. A Igreja não é assim!

Ao escolhermos, seletivamente, Malaquias como o Santo das Contribuições, sem o sabermos, estamos dizendo quatro coisas:

1) Nosso desejo de que a Igreja esteja para a sociedade assim como o Templo-Estado estava para a população de Israel.

2) Nossa seletividade arbitrária quanto a determinar o que, da Lei, nos é conveniente.

3) Nossa incapacidade de ver que Malaquias 3 tem sua atualização na Graça em II Co 8 e 9. E sem maldiçoes; evocando a alegria, não o medo.

4) Nossa ênfase na idéia de que aquele que não contribui é ladrão, põe aqueles que “cobram” no papel de sacerdotes-fiscais dos negócios de Deus na Terra.


Em Atos 5: 1-11, diz-se que dá quem deseja! Dar sem desejar, ou dar mentindo, gera morte, não vida!

Ananias e Safira foram exemplarmente disciplinados pela Liberdade que nasce da Verdade; e não a fim de gerar medo legalista na Igreja. Eles morreram por terem traído a Graça de dar ou não dar; de ser ou não. Eram livres para não dar; e, assim, não para mentir ao Espírito Santo!

Dar não os tornaria “maiores”! Não dar não os tornaria “menores”! Mentir a Deus, todavia, os destruiria! Porém, dar com alegria, abriria para eles um mundo de riquezas interiores e de retornos de bênçãos que são apenas o fruto da própria semeadura feita como generosidade na forma de dinheiro ou bens.

Deus ama a quem dá com alegria!

O que passar disso é "negócio" feito em nome de Deus e que se alimenta da culpa que se põe sobre os ombros ignorantes de quem não sabe que em Cristo tudo já está Consumado!

Portanto, não há barganhas a fazer!

Todavia, como eu disse ao “Jovem Honesto”, o dizimo é parte de todo culto racional e grato. Sua base, todavia, não é a Lei, mas sim a Lei da Graça, da gratidão, da alegria, do reconhecimento do amor e da providencia, do desejo de contribuir para ajudar outros, e, sobretudo, como manifestação de culto a Deus, no qual a alegria grata oferece como culto aquilo que é um “deus” na terra: o dinheiro!

Para mim, dar o dízimo, além de ser tudo o que há pouco lhe disse, é também um ato de vindicação da soberania de Deus sobre nossa existência. O dinheiro é uma Potestade espiritual. Foi a única realidade que Jesus usou para apresentar como um “deus” competindo pelo amor dos homens. Por isso Jesus chamou o dinheiro (Mamon) de “senhor”; e disse que ninguém poderia servir a Deus e às riquezas. Desse modo, quando alguém dá pelo menos 10% do que ganha, tal pessoa está confessando sua gratidão, sua confiança na Provisão, e, também, sua libertação em relação ao poder que os bens tendem a exercer sobre toda alma humana, reclamando um papel divino e de obediência e serviço, como faz todo senhor espiritual.

O interessante é que Jesus não atribuiu esse poder ao diabo, mas o atribuiu ao dinheiro.

Na Graça de Deus o dizimo é assim: filho da Lei da Graça, pois, é fruto da gratidão alegre; e não é uma obrigação legal. Todavia, mesmo não sendo uma obrigação legal, é, entretanto, um principio espiritual, o qual carrega em si as bênçãos que correspondem ao significado de um ser um humano ofertar suas posses a Deus, através de bens e serviços aos homens; e fazendo isto com alegria, conforme a Lei da Graça acerca desse assunto, a qual pode ser lida em II Coríntios 8-9.

Quanto a sua questão, digo-lhe o seguinte:

1o Minha prioridade nas minhas contribuições é dar para causas que divulguem o Evangelho como ele é, com pureza de propósitos e conteúdos. Isso pode ser numa “igreja”, pode ser numa missão séria, pode ser a alguém que carregue sozinho o compromisso de fazer algo importante e sério, mas que não conta com ajuda suficiente.


2o Além disso, ajudo pessoas em necessidade; ou, simplesmente, obedeço o impulso interior na alegria que nasce da possibilidade de ajudar alguém que está em necessidade. “Quem dá ao pobre, a Deus empresta”, diz o Provérbio.


3o Também faço isso sem deixar de me comprometer com aquelas coisas, causas, ou meios mediante os quais minha vida é enriquecida espiritualmente. Aliás, Paulo diz que aquele que recebe benefícios espirituais deve fazer beneficiário, com bens materiais, aquele que sobre ele ministra riquezas da Graça; seja como apoio, palavra, ensino ou atenção espiritual.


No entanto, eu nunca brinco com dinheiro, pois sei que ele é uma Potestade. O lugar mais seguro e útil para o dinheiro, portanto, é sendo usado como parte do culto racional e grato; mediante cujo gesto consciente a gente declara o Senhorio de Cristo sobre Mamon em nossa vida.

“Dar”, não só é espiritualmente melhor do que receber; mas também carrega em si o principio da vida: a vida é um permanente dar.

Além disso, Jesus disse que o ato livre, amoroso, carinhoso, responsável e devocional do “doar”, abre comportas espirituais de bem em nosso favor.

Ou seja: o ato de dar gere uma sincronia de nosso ser com as forças invisíveis e poderosas da generosidade.

Por isso, é que Ele disse que o ‘retorno’ do ‘dar’ em alegria é desproporcional; posto que você semeia um dízimo de seu ganho, ou, para sua felicidade, até mais que o dízimo; e, como resultado, abrem-se galerias invisíveis de uma graça que sempre se manifesta em favor dos generosos.

Assim, eu não do o dízimo por causa de Malaquias, nem tampouco com medo de ser “ladrão”, ou de ser vitimado pelo “devorador”. Todas essas coisas morreram com Jesus na Cruz. Nele todos os devoradores foram despojados na Cruz.

Todavia, não dando por medo, dou, entretanto, em razão da gratidão e da alegria da Graça em mim.

Portanto, nunca darei uma única oferta se minha motivação for medo (pois, desse modo, o que eu faço de nada vale; sem amor nada aproveita para mim).

Entretanto, não é porque não temo o devorador que deixarei agora de doar.

Não! Eu dôo por amor; e por saber que nada é meu; e por crer que tudo o que me vem às mãos, pagas as responsabilidades da vida, o mais deve ganhar significação espiritual filiada à gratidão e ao amor solidário e responsável.

Escolha causas que promovem o Evangelho e abençoam vidas e contribua com alegria; posto que isto é agradável a Deus.

Jesus disse que até mesmo o “administrador infiel” (Lc 16) pôde fazer bom uso do dinheiro que um dia ele havia ganho com esperteza e até desonestidade. Sim, Jesus recomendou que esse dinheiro seja usado para que se faça “amizades espirituais”, as quais, pela gratidão, sempre haverão de nos socorrer na hora da necessidade.

O “administrador infiel” foi “elogiado pelo Senhor” porque apostou em capitais imponderáveis (gratidão semeada na alma de outros), e não no dinheiro. Sim, ele preferiu ficar sem nada, mas semear a bondade e a gratidão, do que guardar o dinheiro e não contar a gratidão de ninguém nem na terra e nem no céu.

De fato, há um livreto meu chamado “Uma Graça que Poucos Desejam”, o qual eu pedirei que para seja posto aqui no site para se possa “baixar” de graça, para todos; posto que creio que o que escrevi em 1986 é hoje mais essencial que seja compreendido do jamais antes, desde que foi escrito. É sóclicar e ler ( http://www.caiofabio.com/2009/conteudo.asp?codigo=03194 )

Espero que tenha ajudado você!

Caio

7 comentários:

  1. A Lei e os Profetas duraram (profetizaram) até João Batista. Este João foi o profeta que apresentou o Messias prometido a Israel. O Antigo Testamento preparou o caminho (serviu de aio) até Cristo. “Porque o fim da Lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê”. (Romanos 10:4). Jesus Cristo mostrou aos judeus a necessidade de um novo pacto, mais aperfeiçoado. Durante o seu ministério, Jesus falou muito aos judeus, indicando que a Lei não os aperfeiçoou espiritualmente e que a tradição ofuscou muito a essência dos ensinamentos da Lei.

    Por ter Jesus nascido sob a lei (Gálatas 4.4) vemos, nos Evangelhos, muitas vezes Jesus ordenando que se cumprisse o que determinou Moisés e mais algumas retratações da lei, na antiga aliança.

    Dessa forma, podemos observar muitas passagens que devem ser entendidas como período de transição entre o AT e NT, que muitos confundem com NT. Por exemplo:

    Em Lc 1.15 o anjo Gabriel consagra João Batista ao nazireado, conforme Nm 6.3.
    Em Lucas 2.21 Jesus é circuncidado obedecendo o disposto em Levítico 12.3;
    Em Lucas 2.22 Maria se purifica conforme estabelecido em Levítico 12.4;
    Em Lucas 2.23 os pais de Jesus oferecem o sacrifício prescrito em Levítico 12.6-8;
    Em Mateus 8.4 Jesus manda um leproso fazer o sacrifício prescrito em Levítico 14;
    Em Lucas 19.8 Zaqueu se submete duplamente à pena estabelecida em Êxodo 22.9;
    Em Mateus 17.24 Jesus paga o imposto estipulado em Êxodo 30.11-16
    Em Mateus 26.17 Jesus e os discípulos cumprem o requerido em Êxodo 12.1-27.

    Vemos então que enquanto Jesus vivia, a Lei Mosaica estava em vigor. Como entender Mt 8.4, onde Jesus ordena a apresentação de um sacrifício de animal ao que havia sido curado de lepra? É necessário que façamos isto hoje? Evidentemente que não. Da mesma forma, quando, em Mt 23.23, Jesus ordena aos fariseus que dessem o dízimo do cominho, da hortelã e do endro, devemos entender que eles estavam debaixo da mesma aliança mosaica que obrigou o leproso a cumprir o ritual de Levítico 14.

    O Novo Testamento (Nova Aliança, Novo Pacto, Novo Compromisso) começa com a morte de Jesus Cristo na Cruz do Calvário; quando o véu se rasgou. Antes do sangue de Jesus Cristo ser derramado na cruz, o pacto vigente era o Antigo Testamento. Jesus em seu ministério antes da cruz, mostrou ao povo a necessidade de um melhor pacto com Deus. Demonstrou ao jovem rico que guardar a lei não o aperfeiçoou espiritualmente; demonstrou aos fariseus e escribas que dizimar não os aperfeiçoou espiritualmente; demonstrou às autoridades religiosas a sua cegueira espiritual.

    Cumprir uma tarefa significa concluir uma tarefa. A Lei foi cumprida por Cristo. A Lei apontava para Cristo, serviu de aio (condutor) até o Messias. Chegado o Messias, a lei já não tem mais função. Mas o Novo Testamento só pôde ter início com a morte de Jesus Cristo na cruz.

    Marcos 14:24 “E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que por muitos é derramado.”

    Faço um questionamento para aqueles irmãos que dizimam porque entendem ser um mandamento válido para o cristão: Qual dos cinco dízimos que aparecem na Bíblia é entregue hoje nas igrejas? 1 – O dízimo de Abraão – Gênesis 14:17-20 2 – O dízimo do rei – 1Samuel 8:11-17 3 – O dízimo dos levitas – Números 18:21-24 4 – O dízimo das festas – Deuteronômio 14:22-27 5 – O dízimo dos pobres – Deuteronômio 14:28-29 Estes são dízimos bíblicos. Se o que tu praticas não for nenhum destes, não é um dízimo bíblico.

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  2. Por que atacam tanto o sustendo da igreja na terra? Quem mais tem interesse em que as igrejas não tenham recursos suficiente para manter seus projetos de evangelização e missões?
    Quem mais gostaria de ver as igrejas fecharem as portas por falta de recursos?
    Uma resposta que caberia bem para essas perguntas é: Satanás, isso mesmo, sem dúvida Satanás está por trás de todo investimento contra a contribuição e a fidelidade na área financeira na igreja. Continuem dando as mãos a ele, eu prefiro continuar de mãos dada com Jesus.

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    1. querido mas o dizimo não é para sustento da nem para salario de pastor.dizimo nunca foi dinheiro e sim mantimento,ver no dicionario o significado da mantimento.o dizimo foi especificamente para nação de israel.

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  3. Dar é tão vital quanto o não dar é mortal para nós. Ou seja, quem não dá, morre. Quem não dá, torna-se um mar morto - sem saídas, sem vazão, sem trocas, só recebe - por isso morto. Para não morrer (embora não soubesse disso) aquela viúva teve que dar o pouco de farinha que tinha e o pouco azeite que lhe sobrara. O não dar implicava na própria morte. Aqui está a ironia fina da vida. Aquilo a que ela atribuía valor fundamental para sua vida seria o que lhe roubaria a vida, caso não se dispusesse a entregar. Dar era tão vital quanto o não dar seria mortal para ela. Talvez esta seja a razão porque existam muitas pessoas que morreram para vida. Nunca deram de si para ninguém. Sofrem da síndrome do mar morto. São lacradas, são sem saídas, são hermeticamente fechadas, só recebem; são cisternas podres - cujas águas estão sempre paradas, nunca se renovam. Dar é tão vital quanto o não dar é letal para nós.

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  4. Se não devemos fazer as coisas que Jesus ensinou em vida, o que foi que ele ensinou depois da morte para que obedeçamos?

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  5. Gostei da explicação do pastor, e vejo que muitos não entendem realmente as escrituras e como consequência não entendem que a base de tudo é o amor, de que adianta dizimar com dó daquele dinheiro que se vai, e onde está o amor do cristão, uma vez que dar sem amor é uma causa perdida e para quem não entendeu isto não quer dizer que não devemos ajudar o sustento da igreja mas sim faze-lo com amor, pois foi isto que cristo pregou.

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  6. Não podemos nos esquecer da expressão usada por Deus: "Roubará o homem a Deus?Todavia vós me roubais... Ml:3.10.A questão é o oitavo mandamento.Almeida

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