domingo, 28 de agosto de 2016

ZELO OU PRESUNÇÃO? POR HAROLD WALKER


Resultado de imagem para presunção

Postado por  em 19 jun, 2012 em Colunistas |  Revista Impacto


Zelo é bom e presunção é ruim! Isso é indiscutível, porém a linha de demarcação entre os dois às vezes é bem confusa. Uma pessoa cheia de zelo pode fazer coisas maravilhosas, mas também pode, apesar de ter as melhores intenções, ser presunçosa  e provocar desastres.
Definição de zelo do Dicionário Online de Português: Cuidados para com qualquer pessoa ou coisa; desvelo. Empenho extraordinário na execução dos deveres, obrigações etc. Afeição ardente e viva por alguém.
Definição da palavra no hebraico traduzida como zelo em português: Ciúme, inveja, zelo.  A intenção da palavra é expressar forte emoção com que o sujeito deseja algum aspecto do objeto ou sua posse. Descreve intenso fervor, paixão e emoção que é maior do que a ira ou cólera de uma pessoa (Pv 27.4). Esse sentimento pode ser bom ou mau: Fineias foi elogiado por ter assumido o zelo do Senhor (Nm 25.11); mas tal paixão também pode ser podridão para os ossos (Pv 14.30). (Bíblia de Esudo Palavras Chave).
Definição da palavra no grego traduzida como zelo em português:  calor, em sentido figurado “zelo” (em um sentido favorável, ardor; em um sentido desfavorável, ciúme. (Bíblia de Estudo Palavras Chave).
Definição da palavra presunção do Dicionário Online de Português: Opinião geralmente infundada ou exagerada de si mesmo; de suas próprias qualidades; pretensão; fatuidade; vaidade; afetação.
Atitudes que geralmente acompanham a pessoa presunçosa: impetuosidade, precipitação, autoconfiança – enfim, desastre!
É natural para o jovem ser zeloso, mas infelizmente também é comum esse zelo incluir uma boa dose de presunção. As experiências negativas tornam os mais velhos menos presunçosos, mas também podem torná-los menos zelosos.
Estamos entendendo nesses dias a importância das gerações trabalharem juntas, a mais velha com a mais nova. Uma grande vantagem desse trabalho em conjunto é que os mais velhos podem segurar a impetuosidade dos mais jovens e os mais jovens podem inflamar os mais velhos com o fogo do seu zelo.
Numa relação de mentoreamento é essencial que o mentor não sufoque o zelo do mentoreado, ao mesmo tempo em que procura evitar que ele se machuque demais com ações precipitadas e mal pensadas.
Vemos vários exemplos nas Escrituras dessa relação saudável entre um homem de Deus mais velho e os seus discípulos.
Josué era um servidor muito zeloso. Quando alguns homens começaram a profetizar no meio da congregação, ele pediu a Moisés para repreendê-los. Nesse caso, seu zelo se manifestou como um desejo para proteger a autoridade de Moisés diante do povo de qualquer concorrência. Qual foi a resposta de Moisés? “Tens tu ciúmes por mim? (No hebraico a mesma palavra é usada para ciúmes e zelo). Oxalá que do povo do Senhor todos fossem profetas…” (Nm 11.29).
Davi era cercado por homens zelosos, impetuosos e presunçosos. Os irmãos Joabe e Abisai foram os principais. Vez após vez, Davi teve que conter o zelo deles para não cometerem erros gravíssimos em seu zelo por ele. Eram homens valentes e defendiam o reino e a honra de Davi com unhas e dentes, mas se Davi não os repreendesse, em duas ocasiões teriam matado a Saul (1 Sm 24.4-7; 1 Sm 26.8,9) em outra ocasião a Simei (2 Sm 16.9-12) e, sem o conhecimento de Davi, Joabe realmente matou Abner à traição (2 Sm 3.22-30).
O próprio Jesus teve que conter o zelo dos seus discípulos em várias ocasiões. Certa feita, Tiago e João queriam que ele os autorizasse a chamar fogo do céu sobre uma cidade de samaritanos que não os recebera. Ele repreendeu-os dizendo que não sabiam de que espírito eram (Apesar de terem citado as Escrituras como base para tal ação – o exemplo de Elias!) (Lc 9.54-56). Em outra ocasião, João disse que haviam proibido alguém de expulsar demônios em nome de Jesus e Jesus lhe disse que não deveriam ter feito isso (Lc 9.49,50). Antes de sua morte, Pedro, com muito zelo, cortou a orelha de um servo do sumo sacerdote e Jesus teve que curar o homem e mandar Pedro guardar a espada (Lc 22.49-51).
Paulo disse o seguinte sobre os judeus que perseguiam os cristãos: “Porque lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas não com entendimento”(Rm 10.2).
Zelo é muito bom, mas é perigoso. Junto com presunção se torna desastroso. Deus quer que sejamos zelosos, porque ele é zeloso. Mas esse zelo precisa ser o zelo dele e não o nosso, senão podemos agir com outro espírito. “Fineias, filho de Eleazar, filho do sacerdote Arão, desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel, pois foi zeloso com o meu zelo no meio deles, de modo que no meu zelo não consumi os filhos de Israel” (Nm 25.11).
Que Deus levante uma nova geração cheia do zelo de Deus, mas que aceita a correção da geração mais velha. Precisamos de ardor, lealdade, paixão, ciúme santo – mas também precisamos de profunda desconfiança de nós mesmos, insegurança para agirmos sem a autorização de Deus e dos mais velhos.

sábado, 20 de agosto de 2016

UM DIA, UM DIA - O SONHO - por Roberto Lima



Acabei de levantar. São 04:30 hs da manhã deste sábado, dia 20 de agosto de 2016.

Sonhei e o sonho foi este.

O SONHO

Estava no fundo de uma igreja, tipo uma sacristia, um lugar reservado e me vestindo. Já estava com calçados e calça comprida só me faltando a camisa, quando comecei a ser tocado por Deus.

Comecei a me ajoelhar e a tremer. E tremia tanto que parecia que ia ter convulsões. Ali estavam minha esposa e minha cunhada perto de mim.

Fiquei ali por um bom tempo tremendo como estivesse tomando choque.

Depois desse tempo me levantei, e como tinha começado o culto fui procurar uma camisa para vestir, mas não achei nenhuma minha. Peguei uma "bonita" emprestada de alguém. E o culto rolava solto.

Fui ao dormitório, pois o local onde estávamos tinha um grande ginásio e dormitórios. Deitei na cama, agora só de cueca, e comecei a ser tomado pelo Espírito de Deus.

Fui levantando devagar, me enrolei no lençol e parti para o culto sabendo que tinha recebido uma palavra de Deus.

Cheguei ao ginásio e auditório e haviam milhares de pessoas ali e fiquei receoso do que fazer, mas cheguei no meio da multidão e comecei a gritar com voz rouca e fraca: DEUS DISSE, DEUS DISSE.

Enquanto gritava algumas pessoas começaram a olhar para mim e minha voz ficava mais forte, eu ganhava altura. Estava havendo como uma festa da Colheita nesse dia. Todos estavam com feixes enormes de trigo no culto, tão grandes que ao longe não se viam as pessoas, somente os feixes de trigo, colhidos recentemente, mas todos maduros e secos, mas bonitos.

Mas minha voz ficava mais forte quando alguns começaram a chorar ao me ouvir:
DEUS DISSE, DEUS DISSE: 
UM DIA VOCÊS ME BUSCARÃO E EU VIREI EM RESPOSTA. 
MAS HOJE NÃO É ESSE DIA!

E eu chorava, e alguns poucos choravam ao ouvir isso também.

A INTERPRETAÇÃO

Um alerta será gritado por todo canto para anunciar aos filhos de Deus que o que eles estão fazendo não é culto, o que eles estão dando não é oferta, e o que estão cantando não é louvor. Alguns poucos ouvirão e atenderão ao chamado do Espírito Santo.

Deus disse: Um dia vocês me darão o culto que eu quero. Quando isso acontecer eu virei para receber o que pedi. Mas não vou atender enquanto me oferecem sacrifícios de Caim.

Os feixes de trigo são o fruto da terra que são trazidos aos cultos. São as obras das pessoas, são as ofertas que as pessoas QUEREM TRAZER PARA DEUS, MAS DEUS não ACEITA ESSAS OFERTAS.

O louvor são músicas ensaiadas oferecidas para Deus.

O dinheiro dado como oferta são o que sobra de uma vida abastada, uma vida cheia de mimos e guloseimas e que, o que sobra é levado como oferta. E isso é chamado de oferta ao Senhor.

O culto é um evento social em que as pessoas trajam boas roupas e dizem que é para o Senhor. Realmente não vieram para me dar nada. Esse culto é para vocês mesmos.

Quando levantam as mãos, batem palmas e cantam suas expressões externas são vistas, mas seus corações e mentes estão longe do lugar secreto e do local de adoração. Não as ouvirei. Não as aceitarei. Isso não é o que quero. Nunca pedi isso. Mas vocês dizem que isso é adoração ao Senhor.

Mas Ele diz: Não são vocês que estão sendo rejeitados, são as suas ofertas, pois no dia que trouxerem as ofertas que eu quero eu as aceitarei.

Quando me trouxerem o fruto de Jesus na vida de vocês, Eu receberei. Quando Jesus estiver sendo gerado nas suas entranhas eu ouvirei seus gemidos, suas súplicas e suas dores.

Quando estiverem sendo perseguidos por causa de estarem fazendo a minha vontade, então atenderei suas orações.

Quando o cuidado com os pobres e necessitados for parte do seu orçamento, então nada te faltará. A régua, a medida é o quanto você gasta com você.

E não perguntem ao seu pastor: O que eu tenho que fazer? Por que isso vocês devem perguntar para mim, e eu lhes responderei o que quero de cada um.

A APLICAÇÃO

Era nítido pra mim que as pessoas que estavam conscientes da fajutice do culto e, consequentemente da vida que levavam ficaram muito tristes e quebrantadas.

Era um peso que não poderia ser aliviado por racionalizações humanas. Esses que preservaram o peso, como se fosse uma brasa que deveria ser preservada por um tempo, deveriam se juntar, a se humilhar e a orar.

Eu via que quando eles foram ao culto, eles eram brasas acesas, que em contato com os feixes de trigo maduros e secos provocavam um incêndio em todo o local.

A QUEM POSSA INTERESSAR!!!

Aluno, Apóstolo, Amigo - Um novo paradigma para o discipulado de Jesus - parte 4


AMIGOS 

Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido. João 15:15-15

No caminho, Jesus era o amigo que convivia, alegrava-se e sofria com seu discipulado. Dentro dessa convivência, eles se constituíram. Muitos pequenos gestos refletem o testemunho de vida com que Jesus marcava presença na vida dos discípulos: o seu jeito de ser e de conviver com eles, de relacionar-se com as pessoas e de acolher o povo que o procurava. Era a maneira de ele dar forma à sua experiência com Deus Pai (MESTERS, 2004, p. 45).
Eis algumas características do mestre que se dá a conhecer no caminho da vida (MESTERS, 2004, p. 45-46):
- amigo, compartilhava tudo, até mesmo o segredo do Pai (Jn 15, 15);
- carinhoso, provocava respostas fortes de amor (Lc 7, 37-38; Mc 14, 3-9; Jo 13, 1);
- atencioso, preocupava-se com a alimentação dos discípulos (Jo 21, 9), cuidava do descanso deles e procurava estar a sós com eles para descansar (Mc 6, 31);
- inspirava paz e reconciliação: "A Paz esteja com vocês!" (Mt 10, 26-33; Mt 18, 22; Mt 18, 18);
- compreensivo, aceitava os discípulos do jeito que eram, até mesmo a fuga, a negação e a traição, sem romper com eles (Mc 14, 27-28);
- comprometido, defendia os amigos quando criticados pelos adversários (Mc 2, 18-19);
- realista e observador, despertava a atenção dos discípulos para as coisas da vida por meio do ensino das parábolas (Lc 8, 4-8);
- livre e liberto, despertava liberdade e libertação: "O ser humano não foi feito para o sábado, mas o sábado para o ser humano!" (Mc 2, 27);
- misericordioso, manso e humilde, convidava os pobres: "Venham todos a mim" (Mt 11, 28);
- preocupado com a situação do povo, esquecia o próprio cansaço, para acolher a quem o procurasse (Mt 9, 36-38);
- sábio, conhecia a fragilidade do ser humano, sabia o que se passava no seu coração e, por isso, insistia na vigilância e ensinava-o a rezar (Lc 11, 1-13; Mt 6, 5-15); 
- homem de oração, orava em todos os momentos importantes de sua vida e despertava nos outros vontade de rezar: "Senhor, ensina-nos a orar!" (Lc 11, 14; Lc 4, 1-13; 6, 12-13; Lc 23, 46; Mc 15, 34).
Desse modo, Jesus encarnava o amor de Deus e o revelava aos discípulos (Mc 6,31; Lc 15,11-32), para quem se tornou uma pessoa significativa e os marcou fortemente como "caminho, verdade e vida" (Jo 14,6) (MESTERS, 2004, p. 46). Seguir o caminho de Jesus supõe, portanto, a participação no seu ministério de anúncio da Boa Nova do Reino de Deus. Isso fazia parte do processo formador, pois a missão constituía a razão de ser do grupo que ao redor de Jesus: formar amigos.
Pedro Arruda (2016, p.21) diz:

Ser discípulo de Jesus... é estar num curso, ser treinado para alguma coisa. Jesus é um Mestre especializado na formação de amigos. Seu curso é uma aprendizagem de como desenvolver amizades sólidas e contagiantes, baseadas em amor de aliança. O alvo é criar círculos de amizade e amor que vão-se expandindo cada vez mais. A estratégia por trás de tudo é o amor.


Esta abordagem que Pedro Arruda e também de Asher (INTRATER, 1989) trazem do discipulado é nova e surpreendente pois não foca o discipulado no crescimento da igreja, nem no desenvolvimento de novos convertidos, nem na manutenção dos membros das igrejas, mas tem forte ênfase no envolvimento pessoal visando a criação de laços de amizade voltados para relacionamentos de aliança.
Isso realmente é um novo paradigma, porque se o objetivo é esse, todo o caminho, todas as etapas do discipulado devem ter também outro enfoque.
Pedro Arruda (2016, p. 12,13) fala acerca do objetivo final do discipulado de Jesus, e descortina algo que parecia não tão evidente, e por isso ao longo de muitos anos o discipulado ficou somente nos dois pontos iniciais. Descobrir que Jesus queria transformar seguidores em amigos nos dá um novo paradigma para o discipulado, visto que entendemos que Deus está procurando amigos para compartilhar o seu coração.

Portanto, embora não ficasse muito evidente no início, o objetivo de Jesus, desde o dia em que chamou Pedro, André, João, Tiago, Mateus e os demais, era fazer deles seus amigos. Começou a andar com eles para todo lado, nas casas, na praia, no mar, nas cidades, acampando, dormindo, comendo e vivendo juntos. Ostensivamente, ele os ensinava a pregar, curar, expulsar demônios e outras funções do ministério, típicas da nossa atividade na igreja hoje. Porém, na realidade, Jesus tinha um objetivo mais elevado: “Vou fazer destes homens meus amigos”.

Pedro Arruda (2016, p. 29,30) encerra o seu entendimento sobre o discipulado unindo a necessidade de poder do Espírito Santo com o objetivo da amizade com Jesus.

Portanto, não somos apenas portadores de uma mensagem, trazemos em nossa companhia alguém – um Amigo para ser apresentado às pessoas.
... ser revestido do Espírito Santo precede a missão, que, na verdade, consiste em levar a pessoa de Jesus, não apenas um recado dele.


Pedro Arruda acrescenta que somos amigos que desenvolvem mais amigos para Deus.


5 Considerações Finais

Todo o trabalho mostra a obra de 3 anos e meio de Jesus, e ela foi perfeita e é a ideal para que o reino de Deus seja implantado na Terra segundo a vontade de Deus. No discipulado de Jesus temos o reino de Deus governado por Deus, e tendo nós como um reino de sacerdotes, amigos de Deus que o representam e o apresentam.
Como ALUNOS o discipulado tem seu caráter de desconstrução do pensamento vigente e a construção de uma nova consciência. As tarefas desenvolvem responsabilidade e confiabilidade. A utilização de poder e autoridade concedidos por Jesus, manifestando a evidência que o reino de Deus chegou, favoreceram o despertar de todas as falhas de caráter do coração deles as quais Jesus trabalhou todo o tempo.
Como APÓSTOLOS, visa preparar para o envio, recebendo orientação de Deus acerca da obra a ser realizada e com que coração e motivação serão realizados. O governo de Deus segundo a orientação de Deus através de homens confiáveis.
O ponto de chegada do discipulado é formar AMIGOS. Pessoas que possam fazer parte das necessidades de Deus. Orar junto, estar com Ele, compartilhar as coisas do Seu coração e Suas decisões.
Mike Bickle (do ministério IHOP – Casa de Oração Internacional) sintetizou essa verdade muito bem quando disse (ARRUDA, 2016, p.66):

“Há dois tipos de pessoas no Corpo de Cristo – os que amam e os que trabalham. Os que amam sempre conseguem realizar mais do que aqueles que focam somente no trabalho”. Os que amam conseguem realizar mais na esfera de obediência do que os escravos. Isso é porque têm acesso a uma fonte superior de recursos no coração, disponíveis somente na esfera de paixão, intimidade e amizade. ”

Assim sendo, nossa obra no discipulado tem a ver com ajudar as pessoas a entenderem seu propósito através de conhecerem mais a Deus e os dons e ministérios que ela tem. Serem treinadas em fazer a obra de Deus, com tarefas onde a disciplina é estimulada e o desempenho e reações são utilizados para desenvolvimento do caráter visando confiabilidade e amor compassivo por todos os homens.
O estímulo a exercer o seu sacerdócio perante Deus deve prepara-lo para ser testemunha em todo o lugar onde ele estiver, quer seja em casa, na sua comunidade, na sua cidade, país ou qualquer região da terra. Assim sendo, mais do que contar com a ajuda do discipulador, ele deve desenvolver a sua comunhão com Deus a ponto de receber diretamente dele suas orientações. A nossa obra deve permitir e antever que os alunos que temos um dia irão embora e deverão estar preparados para viverem bem sem nós, pois o objetivo é formar discípulos de Jesus e não nossos. E como nossos filhos, eles devem ser preparados para fazerem obras maiores que as nossas.
Por fim, nossos discípulos crescerão, e devemos incentivá-los a irem mais longe com Deus, mais fundo, amparando com a nossa vida a decisão deles de seguir a Jesus até o fim.
E, se conseguirmos tê-los como amigos, teremos chegado, com louvor, ao fim do nosso trabalho, como Jesus:

Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito. Isaías53:11a

6 Referências Bibliográficas

ANSTEY, Bruce. God’s order for christians meeting together for worship and ministry, Canadá, Christian Truth Publishing, Junho de 1993.
ARRUDA, Pedro. Amigos do Mestre. Americana, SP: Impacto Publicações, 2016.
D´ARAÚJO Filho, Caio Fábio. Jesus Nunca Não Amou. Acesso em 15 de julho de 2016, disponível em http://caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=06354.
INTRATER, Asher. Covenant Relationships: A Handbook for Integrity and Loyalty, Destiny Image Publishers, Shippensburg, PA, 1989.
JOHNSON, B. Quando o Céu invade a Terra. Belo Horizonte: Editora Vida, 2005.
LAGO, Daniel (2016). NAPC - Apologética Cristã. Acesso em 02 de julho de 2016, disponível em www.napec.org: http://www.napec.org/vida-crista/quando-a-igreja-nao-serve-para-nada/#more-4459.
MANNING, Brennan. A Assinatura de Jesus. 2ª. Edição, Belo Horizonte. Editora Mundo    Cristão, 2008.
MESTERS, Carlos. Jesus formador: bebendo na fonte – 2. Rio de Janeiro: s/ed., 2004.
NOBRE, J. (16 de Abril de 2011). Acesso em 03 de julho de 2016, disponível em Servindo com a Palavra: http://www.servindocomapalavra.com.br/dinamic3/index.php/textos-publicados/pastoral/13-os-dons-do-espirito-e-a-igreja-atual.
ORTIZ, Juan Carlos. O discípulo. Tradução de Myrian Talitha Lins, Sexta edição, Editora Betânia, Venda Nova, MG,1980.
PHILLIPS, Keith W. – A formação de um discípulo, Tradução Elizabeth Gomes – 2.ed.rev. e atual. - Editora Vida, SP, 2008.
PRICE, J. M. A pedagogia de Jesus; o mestre por excelência. Tradução do Rev. Waldemar W. Wey – 3ª edição Rio de Janeiro – RJ – JUERP – 1980.
PRINCE, Derek. Tradução de mensagens intituladas de: Sharing the Throne with Christ (Março de 1976). Americana, SP. Worship Produções, 2011.
RAMOS, Ariovaldo (2011). O Evangelho do Reino. Acesso em 15 de julho de 2016, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=iKwulD6HpzY.
SCHNEIDER, Mauro Nilo (2015). Portal dos Luteranos. Acesso em 06 de julho de 2016, disponível em http://www.luteranos.com.br/conteudo_organizacao/uruguai/a-estrategia-das-perguntas-inteligentes-no-ministerio-de-jesus-2.

SNYDER, H. A. (1986). The problem of Wineskins. (Cap. 10), Rubiataba, Goiás. Traduzido com autorização e permissão de InterVarsity Press.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Aluno, Apóstolo, Amigo - Um novo paradigma para o discipulado de Jesus - parte 3


APÓSTOLOS

... e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra. Atos 1:8

No grego a palavra Apostellein ”Apóstolo” significa “aquele que é enviado, mensageiro ou embaixador. Aquele que representa a quem o enviou”. Sendo assim, não abordaremos a interpretação contemporânea para o termo, mas simplesmente o chamado dos discípulos para serem representantes do reino de Deus por todo o mundo.
Os sábios, os doutores daquela época, tinham criado uma série de leis que eles impunham ao povo em nome de Deus. Eles achavam que Deus exigia do povo estas observâncias. Mas a lei do amor, trazida por Jesus, dizia o contrário. O que importava, não é o que se faz para Deus, mas sim o que Deus, no seu grande amor, faz pelas pessoas! O povo entendia a fala de Jesus e ficava alegre. Os sábios achavam que Jesus estava errado. Eles não podiam entender tal ensinamento que modificava o relacionamento do povo com Deus.
Certa vez lhe perguntaram (Lc 10, 25-35): mas quem é o meu próximo? Para ele a resposta foi simples: são os pecadores, os pobres, os simples, os humildes, os marginalizados, os doentes, os encarcerados, as prostitutas e tantos outros. Assim ele os ensinou a exercitar a caridade, a paciência, a misericórdia, o perdão, o amor ao próximo.
Caio Fábio (Araújo, 2012) em seu artigo Jesus Nunca Não Amou, retrata fortemente o que Jesus estava fazendo com seus discípulos que era muito mais do que ensinar teorias, ele estava impregnando neles o seu amor.
Amou os amáveis, os amigos, os discípulos, os pais e irmãos, e todo o povo carente.  Amou as pessoas das Forças de Ocupação Romana, amou autoridades boas, como o Centurião, como o oficial do rei, e como o bom chefe da sinagoga de Cafarnaum, Jairo.  Amou coletores de impostos, meretrizes, pecadores, religiosos sinceros, insinceros, lobos, mercenários, e todos os Herodes, Anás, Caifás, e cia..., bem como amou os religiosos aos quais confrontou; sim, até mesmo aos que chamou de “filhos do diabo”.
 Jesus nunca não amou. Sim, até quando disse “não podes vir”... ou quando disse “quem olha para trás não é digno do reino”... ou ainda quando disse a alguém que para segui-Lo não daria para esperar a morte do pai: “... deixa aos mortos sepultarem os seus mortos”.  Jesus nunca não amou. Mas amar para Ele não era namoro e nem romance; era verdade, compaixão e sinceridade sábia na expressão do amor!  Jesus nunca não amou. Nem quando fez um azorrague e a todos os negociantes do Templo expulsou!  Jesus nunca não amou. Nem quando Judas o traiu. Sim, amou antes, durante e depois...  Jesus nunca não amou. Nem quando era o Cordeiro de tudo o que ainda não era... Posto que antes de haver [...] Ele já se dera em amor por tudo o que seria!  Jesus nunca não amou e nunca não amará. Nem quando o mundo conhecer a Ira do Cordeiro. Sim, alguém pensa que a Ira de Deus é ódio? A Ira de Deus é amor em estado de fogo purificador.  Jesus nunca não me amou. Nem nos piores ou mais escuros dos dias e horas de agonia. Ele sempre está comigo. Ele nunca não me amará.
 Ah, como amo a santidade livre desse amor incomunicável de Deus, e que transcende a tudo o que compreendemos como amor.

O discipulado de Jesus não enfatiza somente o fazer, mas ensinava com que coração eles deveriam fazer. Ele estava ali semeando a motivação que os levaria a entregar tudo, por amor, até suas próprias vidas.
Dali a pouco Jesus não estaria mais presente, e teriam todas essas experiências e ensinamentos ativados e relembrados depois da descida do Espírito Santo.
Jesus veio para concretizar o sonho de Deus em ter um reino sacerdotal. Enquanto no livro de Êxodo o verbo indica futuro: SERÃO, na primeira carta de Pedro vemos o propósito cumprido: Mas vocês SÃO.

E serão um reino de sacerdotes de Deus, serão uma nação santa. Êxodo 19:6 (N.V.I.)

Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. 1 Pedro 2:9 (N.V.I.)

O Sacerdócio de todos os crentes

Quando ANSTEY (1993, p.100) fala da diferença entre sacerdócio e dom, ele define claramente a inter-relação entre o sacerdócio exercido por cada crente no seu relacionamento com Deus, com a atuação do discípulo neste mundo como embaixador do Reino de Deus:

É importante entender a diferença entre sacerdócio e dom. São duas esferas de atuação distintas na casa de Deus. Um sacerdote vai a Deus em nome do povo; uma pessoa que exercita seu dom no ministério vai ao povo em nome de Deus.

Ir ao povo em Nome de Deus é um dos objetivos do discipulado e isso só ocorre quando levamos a evidência de que temos autoridade para falar em nome deste reino.
Um dos pilares da reforma de Lutero é a doutrina conhecida como “sacerdócio de todos os crentes”. Baseando-se em 1 Pedro 2.9, e contrapondo-se ao sistema clerical e hierárquico da Igreja Católica, Lutero defendia a liberdade de todos os cristãos exercerem o sacerdócio, ou seja, de estarem diante do trono de Deus, pelo sangue de Jesus, sem necessidade de mediadores.
Pelo batismo, ele ensinou, os cristãos se tornam povo de Deus, irmãos de Cristo, consagrados junto com ele como sacerdotes. Usando João 10, mostrava que as ovelhas conhecem a voz do Bom Pastor e não seguem o estranho. Dessa forma, os membros leigos da igreja tinham o direito de julgar doutrina, pois “as ovelhas terão de discernir se estão ouvindo a voz de Cristo ou uma voz estranha”. Isso não era apenas um privilégio da congregação, mas um dever solene.
Lutero chegou a afirmar que os cristãos não só eram todos sacerdotes, mas ministros da Palavra, com o sagrado dever de ensiná-la. Abolindo, assim, praticamente toda distinção entre clérigo e leigo na igreja, ele realmente tentou implantar essa doutrina na prática.
Derek PRINCE (1976) vai mais além e relaciona o sacerdócio dos crentes com a Ordem de Melquisedeque, um rei que é também sacerdote, o que era proibido na velha aliança. Em Israel os dois ofícios foram separados, mas com Jesus é restaurado o desejo de Deus, de ter um rei que governe segundo a Sua vontade.

Cristo veio estabelecer o seu reino na terra. Ele veio se tornar rei. Mas nós precisamos de uma revelação de como este reino foi estabelecido. Este não é um reino natural, nem foi estabelecido de acordo com os métodos humanos. Pois Cristo não veio como rei. Ele veio como sacerdote. 
O reino de Cristo é estabelecido através do sacerdócio. Não através do sacerdócio levítico, imperfeito e limitado, incapaz de formar o reino de sacerdotes que Deus procurava. O reino de Cristo é estabelecido através do sacerdócio de Melquisedeque.

O entendimento de Pedro Arruda (ARRUDA 2016, p.38 e 29) sobre o exercício deste sacerdócio, que só existe pelo relacionamento com Jesus, crava o conceito de que não levamos somente uma mensagem, porque se assim fosse, o Evangelho seria mais uma teoria, mais um conjunto de normas e práticas religiosas. Ele diz:

... não somos apenas portadores de uma mensagem, trazemos em nossa companhia alguém – um Amigo para ser apresentado às pessoas. Enquanto uma mensagem precisa ser sistematizada a fim de ser compreendida, a pessoa apresentada se explica por si só.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Aluno, Apóstolo, Amigo - Um novo paradigma para o discipulado de Jesus - parte 2



ALUNO

ALUNO 

O discipulado envolvia os trabalhos diários e tarefas simples, e o trabalho de evangelização. Nesse artigo não abordaremos as tarefas, daremos ênfase ao trabalho de evangelização, porém, ressaltamos a grande importância disso, visto que a responsabilidade deve ser desenvolvida no caráter do discípulo, e nada melhor do que tarefas práticas para avaliar o desempenho e confiabilidade de cada um.
Asher Intrater (INTRATER, 2016, p.21) mostra a necessidade do uso das tarefas no discipulado e esclarece mais adequadamente o seu objetivo:

Discipulado é o processo de cultivar amigos com potencial de ser confiáveis. O treinamento consiste de fazer uma série de experiências com um discípulo, confiando-lhe tarefas práticas que crescem em importância de acordo com seu desempenho anterior. Se for fiel numa determinada área, está apto para responsabilidades maiores. Se é fiel no pouco, é provável que seja fiel no muito. Um líder com potencial promissor deve primeiramente ser responsável por uma pequena tarefa.

3.1. O trabalho de Evangelização.

A origem da formação do discipulado de Jesus não consistiu, prioritariamente, na busca do saber pelo saber (como o faziam grandes mestres da cultura grega), nem do poder baseado na hierarquia (como o de certos líderes político-carismáticos). O que congregou um grupo em torno de Jesus foi, provavelmente, o sonho de construir um outro tipo de sociedade, na qual Deus é o senhor (Reino de Deus).
A evangelização de Jesus estava associada a implantação do reino de Deus.
Quando ele disse para os discípulos irem de dois em dois dando testemunho do reino, entrando nas casas, curando os enfermos, ressuscitando os mortos eles deveriam dizer: É chegado a vós o reino de Deus. Lucas 10:9.
O uso dos dons espirituais no trabalho de Jesus com seus discípulos mostrava-se vital para que sua mensagem fosse ouvida e o seu objetivo alcançado, pois eles estavam anunciando o Reino de Deus e a sua evidência era a manifestação do poder de Deus através dos dons espirituais.
Porém, o movimento de discipulado que aconteceu na Argentina em meados da década de 80, atingindo o Brasil e definindo seu conceito e sua aplicação, não trouxe consigo essa consciência, tornando o discipulado mais um mentoreamento[1] do que propriamente o que Jesus propunha. Os discipuladores viraram coachs[2] e os discípulos foram ensinados a serem pessoas melhores. Jamê Nobre (Nobre, 2011) em seu artigo “Os Dons Espirituais e a Igreja” ressalta esse aspecto faltante no discipulado:

Uma coisa aconteceu de forma surpreendente nesses anos: formamos homens bons, profissionais dedicados, pais conscientes, famílias exemplares, mas nos esquecemos do poder que geraria a graça para irmos aos povos e isso nos fez esquecer das nações. O discipulado se tornou em algo mental, baseado no convencimento de uma teologia aparentemente correta – digo aparentemente correta, pois ela deveria ter os elementos que nos levam a buscar uma excelência de caráter, mas esquecemos de que sem o poder do Espírito Santo o que fizermos não tem fruto permanente. Formamos pessoas sem paixão, sem compaixão, e sem a experiência dos dons espirituais para viver aquilo que ensinávamos.


Sem o poder de Deus a mensagem do Evangelho se torna refém de persuasão humana e o poder de convencimento de oradores e apologetas[3]. Jamê Nobre (Nobre, 2011) acerca disso acrescenta que:

Temos desejado sair da ignorância dos dons. Temos compreendido que os dons são as ferramentas de Deus para edificação da Igreja, de cada discípulo. Nossa mente tem sido aberta pelo Senhor para compreendermos que é impossível andar, construir, viver, sequer respirar sem o poder do Espírito Santo. Como podemos edificar sem ferramentas? Sem o poder do Espírito Santo, sem os dons espirituais, a nossa pregação se torna linguagem persuasiva de sabedoria humana. Sem o espírito de profecia perdemos o testemunho de Cristo! Considero os dons espirituais como os andaimes de uma construção. Sem eles somente construímos até a nossa altura. Não conseguiremos levantar as paredes mais além da nossa estatura. Se continuarmos colocando tijolos vamos formar uma fortaleza e não uma casa.
Como poderemos formar nossos filhos sem a Graça poderosa do Espírito Santo? Como poderemos discernir os espíritos sem os dons? Como poderemos curar sem a graça dos dons? E expulsar demônios? E beber coisas mortíferas? E ressuscitar mortos? E falar em novas línguas? Nesses últimos tempos tenho visto um pouco daquilo que o Senhor quer.

Davi Lago (Lago, 2016) em seu artigo “Quando a Igreja não serve pra nada” exorta que a Igreja que não se utiliza dos dons do Espírito estão se aperfeiçoando na carne, visto desprezarem o poder de Deus. Isso se relaciona perfeitamente com o discipulado:

Esse é um alerta urgente para a igreja hoje! Precisamos de poder! Não podemos ser crentes-árvore-de-natal: enfeitados, mas sem frutos. Não basta pregarmos sermões bem elaborados e intelectualmente perfeitos. Do mesmo modo, não basta pregarmos mensagens emotivas e sentimentalistas. Precisamos de poder! De nada vale empolgação sem transformação. De nada valem eventos e shows sem compromisso com o discipulado. Aliás, vivemos numa cultura cristã saturada de eventos. Como disse o pastor Simonton Araújo, o próprio termo se condena: “evento”, “é vento”. Na verdade, muito do que a igreja faz sob a imagem de evangelismo, não passa, afirmou o pastor Araújo, de “pesca esportiva”. O evento fisga pessoas mas depois as solta tranquilamente para o mundo.
Precisamos de poder. Precisamos perguntar hoje o que o apóstolo Paulo questionou aos gálatas: “Será que vocês são tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, querem agora se aperfeiçoar pelo esforço próprio? ” (Gálatas 3.3). Portanto, podemos questionar: Quando a Igreja não serve para nada? Jesus mesmo disse aos seus discípulos no sermão do monte que o sal insípido “não serve para nada”.

Davi Lago (Lago, 2016) encerra o seu artigo dizendo que:

Devemos buscar com paixão o Espírito Santo de Deus. Se não estivermos cheios de Deus não há como transbordamos! Sem enchimento não há vazão. Conforme registrado em Mateus 17.20b, Jesus disse: “Eu lhes asseguro que se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: ‘Vá daqui para lá’, e ele irá. Nada lhes será impossível”. Para a Igreja cheia de poder, nada é impossível.


Por outro lado, Howard A. Snyder no seu livro “O Problema dos Odres” (Snyder, 1986) enfatiza que não há nada mais prático do que ensinar as pessoas a descobrirem e praticarem seus dons, visto que as ajuda a entenderem quem são e como podem ser eficazes em seu testemunho e ministério:

Não há ensinamento mais prático do que na área dos dons do Espírito. A descoberta do seu dom espiritual muitas vezes torna um cristão frustrado e condenado em um discípulo feliz e eficaz. No meu próprio caso, a descoberta dos dons esclareceu o ministério para o qual Deus tem me chamado e abriu novas perspectivas de serviço. Quando identifiquei e nomeei meus dons espirituais, foi como se todas as peças contraditórias de minha vida de repente se encaixassem. Achei a chave do que Deus estava fazendo em e através de mim um ministério feliz e eficaz deve ser resultado de identificação e responsabilidade para com os dons que o Espírito nos tem dado. Pois é o próprio Cristo que “dá dons aos homens” para que possam com alegria glorificá-lo.

Conquanto alguns achem que os dons não são vitais para o discipulado, Bill Johnson (Johnson, 2005) diz:

No Novo Testamento, esta promessa veio para todos os crentes através da Grande Comissão. Ela torna-se vital quando Deus nos pede para fazer algo que humanamente é impossível. É importante vermos isso. É a presença de Deus que estabelece a ponte entre nós e o que é impossível. Costumo dizer ao meu pessoal: "Ele está em mim para o meu bem, mas Ele está sobre mim para o bem de vocês." Sua presença torna tudo possível! Deus não precisa fazer experiências para realizar algo sobrenatural. Ele é sobrenatural. Ele teria que fazê-las para não o ser. Se Ele é convidado para uma situação, não devemos esperar nada menos que uma invasão sobrenatural.

Vemos que o reino de Deus deve ser feito da maneira de Deus e com as ferramentas que Deus deixou. Se não utilizarmos o poder de Deus dos dons, teremos que nos contentar com ferramentas humanas, mentais e emocionais como terapias, conselhos, treinamentos, autoajuda, dinâmicas, oratórias, luzes e shows.
De acordo com o que vimos, a maioria daquilo que se faz e se denomina como discipulado hoje em dia tem pouco a ver com isso. O problema é que anos a fio denominando discipulado em alguma que não é, acaba se tornando, isto é, o conceito original é deturpado por causa da prática.
A palavra de Jesus confrontava o entendimento dos religiosos da época e, parece, que também os da nossa época. E isso os leva a questionar a prática com as escrituras. Bill Johnson (Johnson, 2005) fala sobre isso:

A história geral nos dá uma lição de um grande líder militar. Alexandre, o Grande, liderou seus exércitos de vitória em vitória, e o seu desejo por conquistas cada vez maiores finalmente o levou aos pés do Himalaia. Ele queria ir para o outro lado daquelas montanhas desafiadoras. Entretanto ninguém sabia o que os esperaria do outro lado. Seus oficiais diretos perturbaram-se com essa nova visão do seu líder. Por quê? Eles tinham ido até os limites do mapa, e não havia mapa algum para aquele novo território, do outro lado, do qual Alexandre agora queria tomar posse. Aqueles oficiais tiveram que tomar uma decisão: estariam dispostos a obedecer ao seu líder, indo além dos limites do mapa conhecido, ou se satisfariam em ficar dentro desses limites? Eles decidiram obedecer a Alexandre. Obedecer a direção do Espírito Santo pode colocar-nos neste mesmo dilema. Conquanto Ele nunca contradiz a Sua Palavra, o Espírito Se põe muito à vontade para contradizer o nosso entendimento dela. Aqueles que se sentem seguros em virtude de sua abordagem intelectual das Escrituras desfrutam de um falso senso de segurança.
Nenhum de nós tem um pleno entendimento das Escrituras, mas todos temos o Espírito Santo. Ele é o nosso denominador comum, que sempre nos conduzirá à verdade. Mas, para obedecer a Ele, precisamos estar dispostos a sair dos nossos limites - temos que ir além do que conhecemos. Para fazermos isso com sucesso, temos que reconhecer a Sua presença, acima de tudo. Há uma grande diferença entre o modo de ministrar de Jesus e o modo usual de como se ministra nos dias de hoje. O Senhor era completamente dependente do que o Pai estava fazendo e dizendo. Ele demonstrou claramente esse seu estilo de vida logo depois de ter sido batizado pelo Espírito Santo. Ele seguiu a liderança do Espírito, mesmo quando parecia ser um procedimento irracional, o que com frequência acontecia.


O discipulado proposto por Jesus tinha a manifestação do poder de Deus como evidência de que o Reino de Deus tinha chegado. Um discipulado que não ajuda as pessoas a descobrirem, desenvolverem e exercitarem seus dons tem pouco a ver com o discipulado de Jesus, pois como Paulo dizia: O reino de Deus não consiste em palavra, mas em poder. (I Cor. 4:20 NVI) ou como Bill Johnson  (Johnson, 2005) disse: 

Toda revelação da Palavra de Deus que não nos conduza a um encontro com Deus somente serve para nos tornar mais religiosos. A Igreja não pode permitir-se a ter "forma, mas sem poder", pois isso gera cristãos sem um propósito.

A Metodologia do Discipulado 

Jesus poderia escolher qualquer metodologia para ensinar seus discípulos. Poderia ter utilizado o ensino online, por correspondência, por livros, dando aulas em uma escola, enfim, ele poderia escolher em qual data nascer e qual metodologia de ensino utilizar. Ele escolheu viver cerca de 3 anos e meio com eles.
Jesus é o mestre dos mestres e também decidiu utilizar, de forma brilhante diversas maneiras para se fazer entender e explicar coisas sobrenaturais. Preleções e discursos foram utilizados por Ele para anunciar o Evangelho para multidões. Os cinco discursos principais, baseados no evangelho de Mateus foram: Sermão da Montanha (capítulos 6, 7 e 8), Discurso da Missão (cap. 10), Discurso das Parábolas (cap. 13), Discurso sobre a Igreja (cap. 18) e o Discurso das Oliveiras (cap. 24).
Também se utilizou de objetos e coisas do dia a dia – pão, sal, sol, cálice etc. Além da dramatização – quando trouxe as crianças, quando lavou os pés dos discípulos. Histórias e parábolas – Aparecem 50 vezes no Novo testamento.
Também foi exímio ao provocar as consciências através de perguntas, além de discussões e debates. Mauro Nilo Schneider (2015) mostra algumas das muitas perguntas utilizadas por Jesus aos seus diversos interlocutores. Aqui ressaltamos as direcionadas aos seus discípulos:
Os discípulos: a estes Jesus fez muitas perguntas. A dois discípulos de João Batista que passaram a segui-lo perguntou: Que buscais? (João 1.38). Sobre sua identidade, Jesus, em outro momento perguntou aos doze: Mas vós...quem dizeis que eu sou? (Mt 16.15). Depois de um duro embate com os judeus, muitos seguidores o abandonaram, e diante do fato ele os questiona: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? (João 6.67). Quando Pedro começou a afundar no Mar da Galileia, Jesus o socorreu, questionando-o: Homem de pequena fé, por que duvidaste? (Mt 14.31). Em outro momento, diante da inércia dos discípulos que não sabiam lidar com um jovem enfermo, Jesus exclama: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? (Mt 17.17). Ao Filipe disse: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? (João 14.9).
Ele encarnou, viveu, praticava aquilo que ensinava. Os discípulos não somente podiam entender o que Jesus fazia, mas também imitar seus procedimentos e atitudes. Eles ouviam o que Ele ensinava, mas também conseguiam ver a expressão da sua face, o tom e a altura da sua voz, a intensidade dos seus movimentos, tudo enquanto os fatos ocorriam no contexto de fome, dor, preconceito, perseguição, conflito, sublimação, angústia, alegria, tristeza etc. A frase célebre resume a força deste modo de ensino, "Aquilo que você é fala tão alto que não posso ouvir o que você diz." A melhor encadernação para os Evangelhos nunca foi qualquer que fosse a capa de couro: e, sim, a pele humana.
J.M.Price (Price, 1980 p. 7,8) diz sobre isso:

A encarnação da verdade pelo mestre afetava o seu ensino pelo menos de duas maneiras. Em primeiro lugar, dava-lhe um tom de autoridade que se não via nos escribas e rabinos do seu tempo — os professores oficiais dos dias de Jesus. A sabedoria destes era mais aquela vinda de fora, era matéria de oitiva, ensinavam mais citando autoridades e a tradição. A sabedoria de Jesus vinha de dentro e não precisava de escoras ou de confirmação.  "Este mestre era diferente.   Não citava ninguém, e apresentava sua própria palavra como suficiente." Portanto, ensinava com clareza meridiana, com convicção e poder. O povo "se admirava do seu ensino, porque ele os ensinava como quem tinha autoridade, e não como os escribas" (Mar.1:22). O fato de viver aquilo que ensinava também inspirava confiança naquilo que dizia. O povo viu corporificado no que ele praticava aquilo que ele queria que eles fizessem. Anotavam como ele se comportava diante da tristeza, da crítica, do desapontamento, da perseguição. O seu modo de viver reforçava e dava peso àquilo que dizia. "A maior coisa que seus discípulos aprenderam de seus ensinos não foi a doutrina, e, sim, sua influência. Até a última hora de suas vidas, a maior coisa foi o terem eles estado com Jesus." Por isso, "designou doze para estarem com ele" (Mar.3:14). Como mestres humanos podemos demonstrar em nossa vida "o delineamento do Cristo que mora em nós". Somente assim podemos estar na altura deste primeiro teste de habilitação ou idoneidade.

Concorda com isso Keith Phillips (2008, p. 20) quando definiu:

O discipulado cristão é um relacionamento de mestre e aluno baseado no modelo de Cristo e seus discípulos, no qual o mestre reproduz tão bem no aluno a plenitude da vida que tem em Cristo que o aluno é capaz de treinar outros para que ensinem outros.


Esse relacionamento tão perto de quase três anos foi essencial para imprimir neles muito mais do que ensino. Além de ensinar o que fazer com o poder que eles tinham recebido, Jesus queria que eles tivessem a motivação certa: o amor.



[1] Mentorear é o processo de transmissão de bagagem de conhecimentos e experiências a pupilos, no sentido de sua orientação, da facilitação do seu auto-descobrimento e do aperfeiçoamento de suas potencialidades de liderança. Nesse processo, o mentor não dita regras e informações, mas permite que outros o conheçam e ao mesmo tempo se revelem nas fraquezas onde desejam se fortalecer.
[2] Coach é uma palavra em inglês que significa treinador, instrutor e pode também ser um tipo de ônibus. Em inglês, quando usada como verbo, a palavra coach significa treinar ou ensinar. Além disso, um coach ou coacher é um profissional que exerce o coaching, uma ferramenta de desenvolvimento pessoal e profissional.
[3] Apologeta é aquele que tem por fim defender a religião cristã.