terça-feira, 27 de setembro de 2016

A Mágoa, a Ofensa e o Perdão por Roberto Lima



Situações ocorrerem onde confrontamos, afrontamos, magoamos e somos magoados. Dessas situações ALGUMAS conseguimos decidir se vamos À LUTA, ou se abaixamos a guarda.

Mas algumas situações acontecem e nos impedem de escolher o confronto, o atrito, sendo a colisão inevitável!

Tenho passado várias situações dessas no atendimento a clientes na rodoviária de Santa Barbara d´Oeste - SP.

A empresa da minha esposa é quem faz a venda de passagens de ônibus, e e todos na família tem que dar sua contribuição de tempo naquele lugar que não para.

Para meu azar tive o desprazer de conhecer uma senhora insuportável. Quando ela vem tentar pegar uma passagem gratuita, pois ela é idosa, e ela fala mal de todo mundo, dos taxistas, da administração da rodoviária, dos agenciadores e do prefeito. Também fala de quanto ela tem relacionamento com o prefeito, com o governador e com gente influente.

Quando ela vai embora fica aquele sentimento no ar que eu poderia ter dado uma boa e rasgada resposta ou até mesmo xingado a senhora.

Também fico imaginando em como poderia tornar a morte dela lenta e dolorosa.

É claro que tudo isso é degradante, mas é isso que acontece dentro de mim!

E me pego passando boa parte do dia me revoltando com aquela figura antipática, e como eu poderia me vingar.

JESUS, VIVE PARA INTERCEDER POR NÓS

Há algum tempo atrás, porém, descobri esta verdade que é um remédio para minha maldade, é um pacificador para minha alma agitada.

Sempre que lembro de tomar esse remédio ele funciona; SEMPRE!!! 

Agora mesmo, acabou de ocorrer as situações que relatei pra você, e lembrei do remédio e estou em paz e serenidade.

Mas o que eu faço?

Eu entendi que as coisas pelas quais Jesus passou, Ele pode interceder por nós. Jesus é um sacerdote que viveu nossas dores, mazelas, afrontas e por isso sabe o que passamos. Mas muito mais do que isso ELE VIVE HOJE PARA INTERCEDER POR NÓS.

Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. Hebreus 7:25

Eis o segredo: Às vezes o problema não está com você, mas o conflito e a situação deveria gerar pelo menos uma intercessão. Imagine que quando ocorrer um problema você interceder NÃO POR VOCÊ, mas por todos aqueles que estão sofrendo naquela situação.

Usar a sua dor para interceder por outros que estão sofrendo a mesma coisa, isso vem do exemplo de Jesus!

Use a sua dor para curar outras pessoas. Use o seu problema para construir pontes de misericórdia e amor!

Use a empatia com os problemas dos outros para se tornar mais humano!

Jesus nos deu o maior exemplo. Ele sendo Deus não quis ser um super herói para nós. Ele se tornou um ser humano. Todos aqueles que querem se tornar super heróis não andarão no caminho de Jesus mesmo que se sacrifiquem para isso. E todos aqueles que se tornarem mais humanos não conseguirão se desviar do caminho de Jesus!!!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

"Às vezes, é impossível perdoar" diz Íngrid Betancourt, ex-refém das Farc

Ingrid foi sequestrada pela guerrilha colombiana e mantida em cativeiro por seis anos

  • Ingrid foi sequestrada pela guerrilha colombiana e mantida em cativeiro por seis anos
Após 52 anos de guerra civil, Colômbia sinalizou o fim do conflito. Em entrevista à DW, ex-refém da guerrilha Íngrid Betancourt  fala sobre os anos no cativeiro e o significado para o país do aguardado acordo de paz entre governo e Farc.
Betancourt foi sequestrada pela guerrilha colombiana e mantida em cativeiro por seis anos na selva. Desde que foi resgatada, em julho de 2008, ela luta pelo fim da guerra civil em seu país. Poucos dias antes da assinatura do tratado de paz entre o governo colombiano e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), nesta segunda-feira (26), a repórter da DW Astrid Prange se encontrou com Betancourt em Paris, seu segundo lar.
A aparência dela era calma, amável e determinada. Mas, mesmo nesse momento repleto de esperança, o drama do sequestro e a política continuam determinando sua vida. Na entrevista à DW, ela falou sobre os anos no cativeiro, a capacidade de perdoar e o acordo de paz na Colômbia, ao qual muitos se opõem. "Na Colômbia, uma parte da sociedade está profundamente ligada à luta como meio de vida. Há o negócio belicoso que enriquece muita gente, há a política da guerra que dá poder a muitos líderes, e há a corrupção que depende dos combates", afirmou Betancourt.
Deutsche Welle - Qual foi a primeira coisa que lhe veio à cabeça ao escutar sobre as negociações de paz entre o governo colombiano e os rebeldes das Farc, em 2012?
Íngrid Betancourt - Nós não nos surpreendemos realmente com a notícia. Mas mesmo que estivéssemos esperando, quando isso aconteceu, eu me vi muito emocionada. Eu me lembro de ter ido à Basílica de Sacré-Coeur para agradecer. Foi incrível, porque encontrei tantos outros colombianos fazendo o mesmo. Passamos algumas horas somente celebrando, nos abraçando e chorando.
O que a ajudou a superar o sofrimento do cativeiro?
A voz da minha mãe pelas ondas de rádio foi a minha maior espécie de conselho de segurança. Ela me ajudou a ficar pensando que eu era um ser humano, que era amada e que era importante. Na selva, a fé também se torna algo bem real; isso me ajudou a entender o que estava acontecendo comigo e mudou minhas questões. No começo, eu indagava: por que eu? Mas então isso mudou para: como posso fazer o melhor disso? Como posso me tornar uma pessoa melhor? Como posso entender o que devo aprender aqui? Isso não teria sido possível sem a fé. Se você não acredita que Deus está ali e que há uma razão, se você não entende isso, então você está fadado a cair na amargura e na vingança.
Durante todos esses anos na selva, você teve medo de talvez nunca ser libertada?
Eu me lembro dos guardas dizendo que eu não seria libertada antes de ser avó. Isso me torturou no sentido de que eu passei a calcular a idade da minha filha, do meu filho e o que isso significava em termos de tempo. Emocionalmente, isso foi realmente muito doloroso. Mas eu sempre pensei que voltaria para casa um dia. Algumas vezes, essa casa era até mesmo a morte, porque isso era uma forma de escapar do controle da guerrilha, uma forma de libertação. Mas quando fui resgatada, como tudo aconteceu tão de repente e não tínhamos como prever o que estava para acontecer, a emoção foi enorme.
Você acha que o acordo de paz entre o governo colombiano e os rebeldes das Farc leva suficientemente em consideração o sofrimento das vítimas?
O que é suficiente? Nada é suficiente. No meu caso, o que poderia ser justiça para mim? Nada! Como substituir as pessoas de quem senti falta? Meu pai se foi enquanto eu estava em cativeiro. Como substituir os anos sem meus filhos? Então, não acredito que esta seja a pergunta certa.
Qual seria então a pergunta certa?
Para mim, a pergunta certa a se fazer e a se responder é: por que estamos fazendo isso? Acho que fazemos isso para que, no futuro, nenhum colombiano sofra o que sofremos. Temos a resposta certa, porque estamos salvando vidas. Estamos poupando traumas, protegendo famílias e dando aos colombianos a oportunidade de ser um país em paz. Na minha geração, nunca vivenciamos o que isso significa. Como colombiana, a única maneira de me relacionar com meu país é através do sofrimento. Espero que meus filhos e meus netos se relacionem com um país lindo, de uma forma positiva e amorosa.
O povo colombiano será questionado em referendo se concorda com o acordo de paz. Por quê? Há muitos que se opõem ao acordo?
Por um lado, parece estranho que um país que sofreu tanto com a violência e a guerra discuta se quer ou não a paz. Mas, na Colômbia, uma parte da sociedade está profundamente ligada à luta como meio de vida. Há o negócio belicoso que enriquece muita gente, há a política da guerra que dá poder a muitos líderes, e há a corrupção que depende dos combates. As pessoas que votam "não" não podem dizer que querem a continuidade da guerra. Então, elas usam outros argumentos, e é isso o que está acontecendo.
O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, era considerado um linha-dura. Ele queria derrotar as Farc por meios militares. Agora, ele vai assinar um acordo de paz com os rebeldes. O que o fez mudar de ideia?
De fato, Juan Manuel Santos era um linha-dura, mas ele é um líder com uma reflexão sobre a história da Colômbia. E ele entendeu que, com a morte dos primeiros líderes das Farc – Manuel Marulanda, Raul Reyes, Alfonso Cano –, esses foram substituídos por pessoas mais jovens, que não tinham as mesmas habilidades militares, que estavam abertas a uma solução política. Ele aproveitou a oportunidade com uma contrapartida que estava disposta a negociar a paz.
Você chegou a conhecê-lo?
Sim, muito!
Você o convenceu a mudar de ideia?
Não! Acho que ele estava realmente convencido de que esse era o caminho a seguir. E eu só posso aplaudir, porque há tantas forças locais que querem que a guerra continue, sem fim! Acho que ele é destemido e corajoso. Se for bem-sucedido em seu plano, será o colombiano que lembraremos na história.
Parece que a maior parte das vítimas, como você, está clamando por reconciliação. Você pode falar pela maioria delas?
Perdão é algo muito pessoal e íntimo. Perdão não é algo que se pode falar pelos outros, porque ele engloba não somente seu desejo e vontade, sua reflexão e intelectualidade, mas também suas emoções. E quem está no controle das próprias emoções? Eu ainda luto com as minhas! Então, mesmo que eu tenha me comprometido a perdoar, eu compreendo perfeitamente que outras vítimas sejam incapazes disso. Dependendo do sofrimento e da forma como se lida com isso, às vezes, é impossível perdoar.
Você acha que existe uma chance real de reintegrar os rebeldes das Farc à sociedade? Eles poderão garantir o próprio sustento em tempos de paz? Ou serão contratados pelos cartéis de droga?
Este é o grande desafio que enfrentamos como sociedade. Os colombianos são convidados a receber essas pessoas das Farc, que irão entregar suas armas e ser desmobilizadas. Eles [os ex-guerrilheiros] devem ser capazes de exercer uma atividade que seja digna, com a qual possam viver legalmente, fora da miséria e da pobreza. Exemplos anteriores semelhantes a essa situação são o caso dos paramilitares. E esse foi uma espécie de fiasco, porque alguns líderes foram extraditados, e o resultado dessas extradições não foi muito claro, pois acabaram passando menos tempo na prisão do que passariam na Colômbia. Mais do que isso: muitas organizações paramilitares mudaram, simplesmente, de rótulo e se tornaram organizações criminosas ligadas ao narcotráfico e também a outras atividades ilegais. A presença delas é perturbadora para a segurança dos cidadãos ainda hoje na Colômbia.
Você sempre esteve envolvida com a política. Você pensa em concorrer à presidência na próxima eleição?
(sorrindo) De forma alguma! Eu nunca pensei em me candidatar para a presidência nem para um mandato no Parlamento.
Não há plano algum de voltar à política colombiana, mesmo se o presidente Santos lhe pedisse?
Não. Isso não quer dizer que eu não vá voltar. Mas as coisas podem mudar. Não tenho uma bola de cristal, então, não posso dizer nunca. Mas há outros fatores determinantes que fazem com que uma resposta a essa pergunta seja muito complicada.
Astrid Prange (ca)

sábado, 24 de setembro de 2016

TUDO SE FEZ NOVO por Ed Rene Kivitz

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Não me lembro quando foi, mas sei que aconteceu. Sei também que não aconteceu da noite para o dia. Foram necessários muitos anos, e muita gente, para que acontecesse.
O fato é que num instante qualquer perdido no passado tomei consciência de que alguns paradigmas haviam mudado na minha teologia. Quando digo “minha teologia” quero dizer o sistema de crenças e compreensões que organizam meu mundo e me permitem transitar por ele.
Desde 1981, quando pela primeira vez estudei um texto de René Padilla, percorro um caminho teológico iluminado pelo Movimento de Lausanne e a Teologia da Missão Integral. Foi justamente nesse caminho que três conceitos fundamentais sofreram grande transformação e se encaixaram, dando coerência a todo o meu sistema teológico.
O primeiro conceito que percebi mudado em minha teologia foi o antropológico. O conceito de homem da cultura Ocidental é essencialmente platônico e neoplatônico. A concepção de corpo, alma e espírito como partes separadas constitutivas do ser humano encontra – inclusive na terminologia bíblica – amplo respaldo. Mas a cultura hebraica compreende o ser humano sobretudo como uma unidade indivisível constituída de pó da terra mais fôlego de vida. O ser humano hebreu é o conjunto inseparável de corpo e espírito.
Quando o salmista declara “minha alma engrandece ao Senhor e tudo o que há em mim bendiga seu santo nome”, está dizendo que alma é igual a “tudo o que há em mim”. Na declaração de Maria em seu Magnificat, “minha alma engrandece ao Senhor e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”, está presente o paralelismo da poesia hebraica, que utiliza palavras diferentes para se referir à mesma realidade, sendo alma e espírito equivalentes. Meu conceito antropológico está longe de Platão e muito próximo dos poetas e profetas hebreus.
O segundo conceito que percebi mudado em meu sistema teológico foi a referência do que será o mundo quando a redenção estiver consumada. A tradição cristã hegemonicamente fala do céu metafísico, uma outra dimensão de existência, própria da cosmogonia platônica. Mas o Novo Testamento e especialmente Jesus falam de Reino de Deus. A convocação de Jesus aos seus discípulos sempre foi para o engajamento no Reino de Deus como realidade presente na história, e não para o céu metafísico para onde vamos após a morte do corpo: "O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas-novas!" (Mc 1.15); “Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.9,10); “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça”(Mt 6.33); "Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7.21). Penso na consumação da redenção muito mais em termos da realização plena do Reino de Deus do que num lugar chamado céu.
O terceiro e último conceito que percebi mudado em minha teologia foi o horizonte escatológico. Talvez por causa da declaração de Jesus “meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36), a expressão bíblica “novo céu e nova terra” (Ap 21.1) geralmente é interpretada como referência a “outro mundo”, “outro lugar geográfico” para onde vamos após a morte. Mas não podemos desconsiderar que o que torna novos o céu e a terra é o fato de que “a cidade santa, a nova Jerusalém, descia do céu” (Ap 21.2). O apóstolo Paulo fala do futuro não necessariamente em termos de outro mundo em outro lugar, mas também e principalmente em termos de outro tempo: ”não apenas nesta era, mas também na que há de vir” (Ef 1.20-23). Penso no final escatológico muito mais como “uma nova era” do que como “um outro mundo”.
Aqueles que compreendem o homem como dividido em três ou duas partes distintas e separáveis (corpo, alma e espírito; ou corpo e alma; ou corpo e espírito) e acreditam que a salvação consiste no apodrecimento do corpo nesse mundo que será substituído por outro chamado céu, onde somente os espíritos salvos habitam para sempre, realmente têm dificuldade em assimilar a lógica de uma teologia integral.
Mas para quem compreende o ser humano como uma unidade indivisível que está sendo transformada à semelhança do Cristo ressurreto para viver no Reino de Deus, que já está inaugurado na história e será consumado na era que está por vir, quando todo o universo estiver sob o reinado de Deus, a lógica da teologia integral é não apenas de fácil assimilação, mas também inevitável.
Você pode acreditar que a salvação é o processo através do qual o espírito se desprende do corpo e vai para o céu depois da morte para passar a eternidade com Deus. A Bíblia está cheia de versículos que sugerem isso e a tradição cristã historicamente acredita assim.
Mas você também pode acreditar que a salvação é a retomada da unidade corpo mais espírito cindida pela morte e restaurada na ressurreição, e o ingresso numa nova era onde a vontade de Deus é feita na terra como no céu, isto é, o tempo do Reino de Deus consumado. Pode acreditar que Jesus Cristo ressurreto é o primeiro homem perfeito e também o primeiro a viver “neste mundo” segundo a lógica do “outro mundo”, isto é, o primeiro a viver na presente era desfrutando aquilo que será possível em plenitude para todos nós apenas na era que está por vir. Pode acreditar que a salvação tem início aqui e agora, quando nosso espírito é unido ao Espírito de Deus, que começa a nos transformar à imagem de Jesus Cristo, o primogênito entre muitos irmãos. E pode acreditar que desde já somos chamados a viver neste mundo sob o reinado de Deus, adotando como nossa missão trazer para o aqui e agora a maior densidade possível do que será perfeito ali e além. A Bíblia também está cheia de versículos que permitem você acreditar assim.
Não sei quando foi, mas sei que acordei um dia e já não pensava mais num outro mundo chamado céu onde meu espírito viveria para sempre depois da morte do meu corpo. Quando o sol brilhou naquela manhã, ouvi Jesus me chamando a ser um novo homem, vivendo de acordo com o novo mundo chamado Reino de Deus, já presente entre nós. Desde então não consigo mais pensar em termos platônicos e neoplatônicos. E quase não consigo pensar em termos metafísicos.
P.S. Milagre é tudo aquilo do outro mundo que acontece nesse mundo. Traduzindo, sempre que acontece aqui e agora alguma coisa que deveria ser possível somente quando o Reino de Deus estiver consumado, isso é um milagre. Não é lindo?
[Publicado originalmente na Revista Ultimato]

domingo, 28 de agosto de 2016

ZELO OU PRESUNÇÃO? POR HAROLD WALKER


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Postado por  em 19 jun, 2012 em Colunistas |  Revista Impacto


Zelo é bom e presunção é ruim! Isso é indiscutível, porém a linha de demarcação entre os dois às vezes é bem confusa. Uma pessoa cheia de zelo pode fazer coisas maravilhosas, mas também pode, apesar de ter as melhores intenções, ser presunçosa  e provocar desastres.
Definição de zelo do Dicionário Online de Português: Cuidados para com qualquer pessoa ou coisa; desvelo. Empenho extraordinário na execução dos deveres, obrigações etc. Afeição ardente e viva por alguém.
Definição da palavra no hebraico traduzida como zelo em português: Ciúme, inveja, zelo.  A intenção da palavra é expressar forte emoção com que o sujeito deseja algum aspecto do objeto ou sua posse. Descreve intenso fervor, paixão e emoção que é maior do que a ira ou cólera de uma pessoa (Pv 27.4). Esse sentimento pode ser bom ou mau: Fineias foi elogiado por ter assumido o zelo do Senhor (Nm 25.11); mas tal paixão também pode ser podridão para os ossos (Pv 14.30). (Bíblia de Esudo Palavras Chave).
Definição da palavra no grego traduzida como zelo em português:  calor, em sentido figurado “zelo” (em um sentido favorável, ardor; em um sentido desfavorável, ciúme. (Bíblia de Estudo Palavras Chave).
Definição da palavra presunção do Dicionário Online de Português: Opinião geralmente infundada ou exagerada de si mesmo; de suas próprias qualidades; pretensão; fatuidade; vaidade; afetação.
Atitudes que geralmente acompanham a pessoa presunçosa: impetuosidade, precipitação, autoconfiança – enfim, desastre!
É natural para o jovem ser zeloso, mas infelizmente também é comum esse zelo incluir uma boa dose de presunção. As experiências negativas tornam os mais velhos menos presunçosos, mas também podem torná-los menos zelosos.
Estamos entendendo nesses dias a importância das gerações trabalharem juntas, a mais velha com a mais nova. Uma grande vantagem desse trabalho em conjunto é que os mais velhos podem segurar a impetuosidade dos mais jovens e os mais jovens podem inflamar os mais velhos com o fogo do seu zelo.
Numa relação de mentoreamento é essencial que o mentor não sufoque o zelo do mentoreado, ao mesmo tempo em que procura evitar que ele se machuque demais com ações precipitadas e mal pensadas.
Vemos vários exemplos nas Escrituras dessa relação saudável entre um homem de Deus mais velho e os seus discípulos.
Josué era um servidor muito zeloso. Quando alguns homens começaram a profetizar no meio da congregação, ele pediu a Moisés para repreendê-los. Nesse caso, seu zelo se manifestou como um desejo para proteger a autoridade de Moisés diante do povo de qualquer concorrência. Qual foi a resposta de Moisés? “Tens tu ciúmes por mim? (No hebraico a mesma palavra é usada para ciúmes e zelo). Oxalá que do povo do Senhor todos fossem profetas…” (Nm 11.29).
Davi era cercado por homens zelosos, impetuosos e presunçosos. Os irmãos Joabe e Abisai foram os principais. Vez após vez, Davi teve que conter o zelo deles para não cometerem erros gravíssimos em seu zelo por ele. Eram homens valentes e defendiam o reino e a honra de Davi com unhas e dentes, mas se Davi não os repreendesse, em duas ocasiões teriam matado a Saul (1 Sm 24.4-7; 1 Sm 26.8,9) em outra ocasião a Simei (2 Sm 16.9-12) e, sem o conhecimento de Davi, Joabe realmente matou Abner à traição (2 Sm 3.22-30).
O próprio Jesus teve que conter o zelo dos seus discípulos em várias ocasiões. Certa feita, Tiago e João queriam que ele os autorizasse a chamar fogo do céu sobre uma cidade de samaritanos que não os recebera. Ele repreendeu-os dizendo que não sabiam de que espírito eram (Apesar de terem citado as Escrituras como base para tal ação – o exemplo de Elias!) (Lc 9.54-56). Em outra ocasião, João disse que haviam proibido alguém de expulsar demônios em nome de Jesus e Jesus lhe disse que não deveriam ter feito isso (Lc 9.49,50). Antes de sua morte, Pedro, com muito zelo, cortou a orelha de um servo do sumo sacerdote e Jesus teve que curar o homem e mandar Pedro guardar a espada (Lc 22.49-51).
Paulo disse o seguinte sobre os judeus que perseguiam os cristãos: “Porque lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas não com entendimento”(Rm 10.2).
Zelo é muito bom, mas é perigoso. Junto com presunção se torna desastroso. Deus quer que sejamos zelosos, porque ele é zeloso. Mas esse zelo precisa ser o zelo dele e não o nosso, senão podemos agir com outro espírito. “Fineias, filho de Eleazar, filho do sacerdote Arão, desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel, pois foi zeloso com o meu zelo no meio deles, de modo que no meu zelo não consumi os filhos de Israel” (Nm 25.11).
Que Deus levante uma nova geração cheia do zelo de Deus, mas que aceita a correção da geração mais velha. Precisamos de ardor, lealdade, paixão, ciúme santo – mas também precisamos de profunda desconfiança de nós mesmos, insegurança para agirmos sem a autorização de Deus e dos mais velhos.

sábado, 20 de agosto de 2016

UM DIA, UM DIA - O SONHO - por Roberto Lima



Acabei de levantar. São 04:30 hs da manhã deste sábado, dia 20 de agosto de 2016.

Sonhei e o sonho foi este.

O SONHO

Estava no fundo de uma igreja, tipo uma sacristia, um lugar reservado e me vestindo. Já estava com calçados e calça comprida só me faltando a camisa, quando comecei a ser tocado por Deus.

Comecei a me ajoelhar e a tremer. E tremia tanto que parecia que ia ter convulsões. Ali estavam minha esposa e minha cunhada perto de mim.

Fiquei ali por um bom tempo tremendo como estivesse tomando choque.

Depois desse tempo me levantei, e como tinha começado o culto fui procurar uma camisa para vestir, mas não achei nenhuma minha. Peguei uma "bonita" emprestada de alguém. E o culto rolava solto.

Fui ao dormitório, pois o local onde estávamos tinha um grande ginásio e dormitórios. Deitei na cama, agora só de cueca, e comecei a ser tomado pelo Espírito de Deus.

Fui levantando devagar, me enrolei no lençol e parti para o culto sabendo que tinha recebido uma palavra de Deus.

Cheguei ao ginásio e auditório e haviam milhares de pessoas ali e fiquei receoso do que fazer, mas cheguei no meio da multidão e comecei a gritar com voz rouca e fraca: DEUS DISSE, DEUS DISSE.

Enquanto gritava algumas pessoas começaram a olhar para mim e minha voz ficava mais forte, eu ganhava altura. Estava havendo como uma festa da Colheita nesse dia. Todos estavam com feixes enormes de trigo no culto, tão grandes que ao longe não se viam as pessoas, somente os feixes de trigo, colhidos recentemente, mas todos maduros e secos, mas bonitos.

Mas minha voz ficava mais forte quando alguns começaram a chorar ao me ouvir:
DEUS DISSE, DEUS DISSE: 
UM DIA VOCÊS ME BUSCARÃO E EU VIREI EM RESPOSTA. 
MAS HOJE NÃO É ESSE DIA!

E eu chorava, e alguns poucos choravam ao ouvir isso também.

A INTERPRETAÇÃO

Um alerta será gritado por todo canto para anunciar aos filhos de Deus que o que eles estão fazendo não é culto, o que eles estão dando não é oferta, e o que estão cantando não é louvor. Alguns poucos ouvirão e atenderão ao chamado do Espírito Santo.

Deus disse: Um dia vocês me darão o culto que eu quero. Quando isso acontecer eu virei para receber o que pedi. Mas não vou atender enquanto me oferecem sacrifícios de Caim.

Os feixes de trigo são o fruto da terra que são trazidos aos cultos. São as obras das pessoas, são as ofertas que as pessoas QUEREM TRAZER PARA DEUS, MAS DEUS não ACEITA ESSAS OFERTAS.

O louvor são músicas ensaiadas oferecidas para Deus.

O dinheiro dado como oferta são o que sobra de uma vida abastada, uma vida cheia de mimos e guloseimas e que, o que sobra é levado como oferta. E isso é chamado de oferta ao Senhor.

O culto é um evento social em que as pessoas trajam boas roupas e dizem que é para o Senhor. Realmente não vieram para me dar nada. Esse culto é para vocês mesmos.

Quando levantam as mãos, batem palmas e cantam suas expressões externas são vistas, mas seus corações e mentes estão longe do lugar secreto e do local de adoração. Não as ouvirei. Não as aceitarei. Isso não é o que quero. Nunca pedi isso. Mas vocês dizem que isso é adoração ao Senhor.

Mas Ele diz: Não são vocês que estão sendo rejeitados, são as suas ofertas, pois no dia que trouxerem as ofertas que eu quero eu as aceitarei.

Quando me trouxerem o fruto de Jesus na vida de vocês, Eu receberei. Quando Jesus estiver sendo gerado nas suas entranhas eu ouvirei seus gemidos, suas súplicas e suas dores.

Quando estiverem sendo perseguidos por causa de estarem fazendo a minha vontade, então atenderei suas orações.

Quando o cuidado com os pobres e necessitados for parte do seu orçamento, então nada te faltará. A régua, a medida é o quanto você gasta com você.

E não perguntem ao seu pastor: O que eu tenho que fazer? Por que isso vocês devem perguntar para mim, e eu lhes responderei o que quero de cada um.

A APLICAÇÃO

Era nítido pra mim que as pessoas que estavam conscientes da fajutice do culto e, consequentemente da vida que levavam ficaram muito tristes e quebrantadas.

Era um peso que não poderia ser aliviado por racionalizações humanas. Esses que preservaram o peso, como se fosse uma brasa que deveria ser preservada por um tempo, deveriam se juntar, a se humilhar e a orar.

Eu via que quando eles foram ao culto, eles eram brasas acesas, que em contato com os feixes de trigo maduros e secos provocavam um incêndio em todo o local.

A QUEM POSSA INTERESSAR!!!

Aluno, Apóstolo, Amigo - Um novo paradigma para o discipulado de Jesus - parte 4


AMIGOS 

Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido. João 15:15-15

No caminho, Jesus era o amigo que convivia, alegrava-se e sofria com seu discipulado. Dentro dessa convivência, eles se constituíram. Muitos pequenos gestos refletem o testemunho de vida com que Jesus marcava presença na vida dos discípulos: o seu jeito de ser e de conviver com eles, de relacionar-se com as pessoas e de acolher o povo que o procurava. Era a maneira de ele dar forma à sua experiência com Deus Pai (MESTERS, 2004, p. 45).
Eis algumas características do mestre que se dá a conhecer no caminho da vida (MESTERS, 2004, p. 45-46):
- amigo, compartilhava tudo, até mesmo o segredo do Pai (Jn 15, 15);
- carinhoso, provocava respostas fortes de amor (Lc 7, 37-38; Mc 14, 3-9; Jo 13, 1);
- atencioso, preocupava-se com a alimentação dos discípulos (Jo 21, 9), cuidava do descanso deles e procurava estar a sós com eles para descansar (Mc 6, 31);
- inspirava paz e reconciliação: "A Paz esteja com vocês!" (Mt 10, 26-33; Mt 18, 22; Mt 18, 18);
- compreensivo, aceitava os discípulos do jeito que eram, até mesmo a fuga, a negação e a traição, sem romper com eles (Mc 14, 27-28);
- comprometido, defendia os amigos quando criticados pelos adversários (Mc 2, 18-19);
- realista e observador, despertava a atenção dos discípulos para as coisas da vida por meio do ensino das parábolas (Lc 8, 4-8);
- livre e liberto, despertava liberdade e libertação: "O ser humano não foi feito para o sábado, mas o sábado para o ser humano!" (Mc 2, 27);
- misericordioso, manso e humilde, convidava os pobres: "Venham todos a mim" (Mt 11, 28);
- preocupado com a situação do povo, esquecia o próprio cansaço, para acolher a quem o procurasse (Mt 9, 36-38);
- sábio, conhecia a fragilidade do ser humano, sabia o que se passava no seu coração e, por isso, insistia na vigilância e ensinava-o a rezar (Lc 11, 1-13; Mt 6, 5-15); 
- homem de oração, orava em todos os momentos importantes de sua vida e despertava nos outros vontade de rezar: "Senhor, ensina-nos a orar!" (Lc 11, 14; Lc 4, 1-13; 6, 12-13; Lc 23, 46; Mc 15, 34).
Desse modo, Jesus encarnava o amor de Deus e o revelava aos discípulos (Mc 6,31; Lc 15,11-32), para quem se tornou uma pessoa significativa e os marcou fortemente como "caminho, verdade e vida" (Jo 14,6) (MESTERS, 2004, p. 46). Seguir o caminho de Jesus supõe, portanto, a participação no seu ministério de anúncio da Boa Nova do Reino de Deus. Isso fazia parte do processo formador, pois a missão constituía a razão de ser do grupo que ao redor de Jesus: formar amigos.
Pedro Arruda (2016, p.21) diz:

Ser discípulo de Jesus... é estar num curso, ser treinado para alguma coisa. Jesus é um Mestre especializado na formação de amigos. Seu curso é uma aprendizagem de como desenvolver amizades sólidas e contagiantes, baseadas em amor de aliança. O alvo é criar círculos de amizade e amor que vão-se expandindo cada vez mais. A estratégia por trás de tudo é o amor.


Esta abordagem que Pedro Arruda e também de Asher (INTRATER, 1989) trazem do discipulado é nova e surpreendente pois não foca o discipulado no crescimento da igreja, nem no desenvolvimento de novos convertidos, nem na manutenção dos membros das igrejas, mas tem forte ênfase no envolvimento pessoal visando a criação de laços de amizade voltados para relacionamentos de aliança.
Isso realmente é um novo paradigma, porque se o objetivo é esse, todo o caminho, todas as etapas do discipulado devem ter também outro enfoque.
Pedro Arruda (2016, p. 12,13) fala acerca do objetivo final do discipulado de Jesus, e descortina algo que parecia não tão evidente, e por isso ao longo de muitos anos o discipulado ficou somente nos dois pontos iniciais. Descobrir que Jesus queria transformar seguidores em amigos nos dá um novo paradigma para o discipulado, visto que entendemos que Deus está procurando amigos para compartilhar o seu coração.

Portanto, embora não ficasse muito evidente no início, o objetivo de Jesus, desde o dia em que chamou Pedro, André, João, Tiago, Mateus e os demais, era fazer deles seus amigos. Começou a andar com eles para todo lado, nas casas, na praia, no mar, nas cidades, acampando, dormindo, comendo e vivendo juntos. Ostensivamente, ele os ensinava a pregar, curar, expulsar demônios e outras funções do ministério, típicas da nossa atividade na igreja hoje. Porém, na realidade, Jesus tinha um objetivo mais elevado: “Vou fazer destes homens meus amigos”.

Pedro Arruda (2016, p. 29,30) encerra o seu entendimento sobre o discipulado unindo a necessidade de poder do Espírito Santo com o objetivo da amizade com Jesus.

Portanto, não somos apenas portadores de uma mensagem, trazemos em nossa companhia alguém – um Amigo para ser apresentado às pessoas.
... ser revestido do Espírito Santo precede a missão, que, na verdade, consiste em levar a pessoa de Jesus, não apenas um recado dele.


Pedro Arruda acrescenta que somos amigos que desenvolvem mais amigos para Deus.


5 Considerações Finais

Todo o trabalho mostra a obra de 3 anos e meio de Jesus, e ela foi perfeita e é a ideal para que o reino de Deus seja implantado na Terra segundo a vontade de Deus. No discipulado de Jesus temos o reino de Deus governado por Deus, e tendo nós como um reino de sacerdotes, amigos de Deus que o representam e o apresentam.
Como ALUNOS o discipulado tem seu caráter de desconstrução do pensamento vigente e a construção de uma nova consciência. As tarefas desenvolvem responsabilidade e confiabilidade. A utilização de poder e autoridade concedidos por Jesus, manifestando a evidência que o reino de Deus chegou, favoreceram o despertar de todas as falhas de caráter do coração deles as quais Jesus trabalhou todo o tempo.
Como APÓSTOLOS, visa preparar para o envio, recebendo orientação de Deus acerca da obra a ser realizada e com que coração e motivação serão realizados. O governo de Deus segundo a orientação de Deus através de homens confiáveis.
O ponto de chegada do discipulado é formar AMIGOS. Pessoas que possam fazer parte das necessidades de Deus. Orar junto, estar com Ele, compartilhar as coisas do Seu coração e Suas decisões.
Mike Bickle (do ministério IHOP – Casa de Oração Internacional) sintetizou essa verdade muito bem quando disse (ARRUDA, 2016, p.66):

“Há dois tipos de pessoas no Corpo de Cristo – os que amam e os que trabalham. Os que amam sempre conseguem realizar mais do que aqueles que focam somente no trabalho”. Os que amam conseguem realizar mais na esfera de obediência do que os escravos. Isso é porque têm acesso a uma fonte superior de recursos no coração, disponíveis somente na esfera de paixão, intimidade e amizade. ”

Assim sendo, nossa obra no discipulado tem a ver com ajudar as pessoas a entenderem seu propósito através de conhecerem mais a Deus e os dons e ministérios que ela tem. Serem treinadas em fazer a obra de Deus, com tarefas onde a disciplina é estimulada e o desempenho e reações são utilizados para desenvolvimento do caráter visando confiabilidade e amor compassivo por todos os homens.
O estímulo a exercer o seu sacerdócio perante Deus deve prepara-lo para ser testemunha em todo o lugar onde ele estiver, quer seja em casa, na sua comunidade, na sua cidade, país ou qualquer região da terra. Assim sendo, mais do que contar com a ajuda do discipulador, ele deve desenvolver a sua comunhão com Deus a ponto de receber diretamente dele suas orientações. A nossa obra deve permitir e antever que os alunos que temos um dia irão embora e deverão estar preparados para viverem bem sem nós, pois o objetivo é formar discípulos de Jesus e não nossos. E como nossos filhos, eles devem ser preparados para fazerem obras maiores que as nossas.
Por fim, nossos discípulos crescerão, e devemos incentivá-los a irem mais longe com Deus, mais fundo, amparando com a nossa vida a decisão deles de seguir a Jesus até o fim.
E, se conseguirmos tê-los como amigos, teremos chegado, com louvor, ao fim do nosso trabalho, como Jesus:

Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito. Isaías53:11a

6 Referências Bibliográficas

ANSTEY, Bruce. God’s order for christians meeting together for worship and ministry, Canadá, Christian Truth Publishing, Junho de 1993.
ARRUDA, Pedro. Amigos do Mestre. Americana, SP: Impacto Publicações, 2016.
D´ARAÚJO Filho, Caio Fábio. Jesus Nunca Não Amou. Acesso em 15 de julho de 2016, disponível em http://caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=06354.
INTRATER, Asher. Covenant Relationships: A Handbook for Integrity and Loyalty, Destiny Image Publishers, Shippensburg, PA, 1989.
JOHNSON, B. Quando o Céu invade a Terra. Belo Horizonte: Editora Vida, 2005.
LAGO, Daniel (2016). NAPC - Apologética Cristã. Acesso em 02 de julho de 2016, disponível em www.napec.org: http://www.napec.org/vida-crista/quando-a-igreja-nao-serve-para-nada/#more-4459.
MANNING, Brennan. A Assinatura de Jesus. 2ª. Edição, Belo Horizonte. Editora Mundo    Cristão, 2008.
MESTERS, Carlos. Jesus formador: bebendo na fonte – 2. Rio de Janeiro: s/ed., 2004.
NOBRE, J. (16 de Abril de 2011). Acesso em 03 de julho de 2016, disponível em Servindo com a Palavra: http://www.servindocomapalavra.com.br/dinamic3/index.php/textos-publicados/pastoral/13-os-dons-do-espirito-e-a-igreja-atual.
ORTIZ, Juan Carlos. O discípulo. Tradução de Myrian Talitha Lins, Sexta edição, Editora Betânia, Venda Nova, MG,1980.
PHILLIPS, Keith W. – A formação de um discípulo, Tradução Elizabeth Gomes – 2.ed.rev. e atual. - Editora Vida, SP, 2008.
PRICE, J. M. A pedagogia de Jesus; o mestre por excelência. Tradução do Rev. Waldemar W. Wey – 3ª edição Rio de Janeiro – RJ – JUERP – 1980.
PRINCE, Derek. Tradução de mensagens intituladas de: Sharing the Throne with Christ (Março de 1976). Americana, SP. Worship Produções, 2011.
RAMOS, Ariovaldo (2011). O Evangelho do Reino. Acesso em 15 de julho de 2016, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=iKwulD6HpzY.
SCHNEIDER, Mauro Nilo (2015). Portal dos Luteranos. Acesso em 06 de julho de 2016, disponível em http://www.luteranos.com.br/conteudo_organizacao/uruguai/a-estrategia-das-perguntas-inteligentes-no-ministerio-de-jesus-2.

SNYDER, H. A. (1986). The problem of Wineskins. (Cap. 10), Rubiataba, Goiás. Traduzido com autorização e permissão de InterVarsity Press.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Aluno, Apóstolo, Amigo - Um novo paradigma para o discipulado de Jesus - parte 3


APÓSTOLOS

... e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra. Atos 1:8

No grego a palavra Apostellein ”Apóstolo” significa “aquele que é enviado, mensageiro ou embaixador. Aquele que representa a quem o enviou”. Sendo assim, não abordaremos a interpretação contemporânea para o termo, mas simplesmente o chamado dos discípulos para serem representantes do reino de Deus por todo o mundo.
Os sábios, os doutores daquela época, tinham criado uma série de leis que eles impunham ao povo em nome de Deus. Eles achavam que Deus exigia do povo estas observâncias. Mas a lei do amor, trazida por Jesus, dizia o contrário. O que importava, não é o que se faz para Deus, mas sim o que Deus, no seu grande amor, faz pelas pessoas! O povo entendia a fala de Jesus e ficava alegre. Os sábios achavam que Jesus estava errado. Eles não podiam entender tal ensinamento que modificava o relacionamento do povo com Deus.
Certa vez lhe perguntaram (Lc 10, 25-35): mas quem é o meu próximo? Para ele a resposta foi simples: são os pecadores, os pobres, os simples, os humildes, os marginalizados, os doentes, os encarcerados, as prostitutas e tantos outros. Assim ele os ensinou a exercitar a caridade, a paciência, a misericórdia, o perdão, o amor ao próximo.
Caio Fábio (Araújo, 2012) em seu artigo Jesus Nunca Não Amou, retrata fortemente o que Jesus estava fazendo com seus discípulos que era muito mais do que ensinar teorias, ele estava impregnando neles o seu amor.
Amou os amáveis, os amigos, os discípulos, os pais e irmãos, e todo o povo carente.  Amou as pessoas das Forças de Ocupação Romana, amou autoridades boas, como o Centurião, como o oficial do rei, e como o bom chefe da sinagoga de Cafarnaum, Jairo.  Amou coletores de impostos, meretrizes, pecadores, religiosos sinceros, insinceros, lobos, mercenários, e todos os Herodes, Anás, Caifás, e cia..., bem como amou os religiosos aos quais confrontou; sim, até mesmo aos que chamou de “filhos do diabo”.
 Jesus nunca não amou. Sim, até quando disse “não podes vir”... ou quando disse “quem olha para trás não é digno do reino”... ou ainda quando disse a alguém que para segui-Lo não daria para esperar a morte do pai: “... deixa aos mortos sepultarem os seus mortos”.  Jesus nunca não amou. Mas amar para Ele não era namoro e nem romance; era verdade, compaixão e sinceridade sábia na expressão do amor!  Jesus nunca não amou. Nem quando fez um azorrague e a todos os negociantes do Templo expulsou!  Jesus nunca não amou. Nem quando Judas o traiu. Sim, amou antes, durante e depois...  Jesus nunca não amou. Nem quando era o Cordeiro de tudo o que ainda não era... Posto que antes de haver [...] Ele já se dera em amor por tudo o que seria!  Jesus nunca não amou e nunca não amará. Nem quando o mundo conhecer a Ira do Cordeiro. Sim, alguém pensa que a Ira de Deus é ódio? A Ira de Deus é amor em estado de fogo purificador.  Jesus nunca não me amou. Nem nos piores ou mais escuros dos dias e horas de agonia. Ele sempre está comigo. Ele nunca não me amará.
 Ah, como amo a santidade livre desse amor incomunicável de Deus, e que transcende a tudo o que compreendemos como amor.

O discipulado de Jesus não enfatiza somente o fazer, mas ensinava com que coração eles deveriam fazer. Ele estava ali semeando a motivação que os levaria a entregar tudo, por amor, até suas próprias vidas.
Dali a pouco Jesus não estaria mais presente, e teriam todas essas experiências e ensinamentos ativados e relembrados depois da descida do Espírito Santo.
Jesus veio para concretizar o sonho de Deus em ter um reino sacerdotal. Enquanto no livro de Êxodo o verbo indica futuro: SERÃO, na primeira carta de Pedro vemos o propósito cumprido: Mas vocês SÃO.

E serão um reino de sacerdotes de Deus, serão uma nação santa. Êxodo 19:6 (N.V.I.)

Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. 1 Pedro 2:9 (N.V.I.)

O Sacerdócio de todos os crentes

Quando ANSTEY (1993, p.100) fala da diferença entre sacerdócio e dom, ele define claramente a inter-relação entre o sacerdócio exercido por cada crente no seu relacionamento com Deus, com a atuação do discípulo neste mundo como embaixador do Reino de Deus:

É importante entender a diferença entre sacerdócio e dom. São duas esferas de atuação distintas na casa de Deus. Um sacerdote vai a Deus em nome do povo; uma pessoa que exercita seu dom no ministério vai ao povo em nome de Deus.

Ir ao povo em Nome de Deus é um dos objetivos do discipulado e isso só ocorre quando levamos a evidência de que temos autoridade para falar em nome deste reino.
Um dos pilares da reforma de Lutero é a doutrina conhecida como “sacerdócio de todos os crentes”. Baseando-se em 1 Pedro 2.9, e contrapondo-se ao sistema clerical e hierárquico da Igreja Católica, Lutero defendia a liberdade de todos os cristãos exercerem o sacerdócio, ou seja, de estarem diante do trono de Deus, pelo sangue de Jesus, sem necessidade de mediadores.
Pelo batismo, ele ensinou, os cristãos se tornam povo de Deus, irmãos de Cristo, consagrados junto com ele como sacerdotes. Usando João 10, mostrava que as ovelhas conhecem a voz do Bom Pastor e não seguem o estranho. Dessa forma, os membros leigos da igreja tinham o direito de julgar doutrina, pois “as ovelhas terão de discernir se estão ouvindo a voz de Cristo ou uma voz estranha”. Isso não era apenas um privilégio da congregação, mas um dever solene.
Lutero chegou a afirmar que os cristãos não só eram todos sacerdotes, mas ministros da Palavra, com o sagrado dever de ensiná-la. Abolindo, assim, praticamente toda distinção entre clérigo e leigo na igreja, ele realmente tentou implantar essa doutrina na prática.
Derek PRINCE (1976) vai mais além e relaciona o sacerdócio dos crentes com a Ordem de Melquisedeque, um rei que é também sacerdote, o que era proibido na velha aliança. Em Israel os dois ofícios foram separados, mas com Jesus é restaurado o desejo de Deus, de ter um rei que governe segundo a Sua vontade.

Cristo veio estabelecer o seu reino na terra. Ele veio se tornar rei. Mas nós precisamos de uma revelação de como este reino foi estabelecido. Este não é um reino natural, nem foi estabelecido de acordo com os métodos humanos. Pois Cristo não veio como rei. Ele veio como sacerdote. 
O reino de Cristo é estabelecido através do sacerdócio. Não através do sacerdócio levítico, imperfeito e limitado, incapaz de formar o reino de sacerdotes que Deus procurava. O reino de Cristo é estabelecido através do sacerdócio de Melquisedeque.

O entendimento de Pedro Arruda (ARRUDA 2016, p.38 e 29) sobre o exercício deste sacerdócio, que só existe pelo relacionamento com Jesus, crava o conceito de que não levamos somente uma mensagem, porque se assim fosse, o Evangelho seria mais uma teoria, mais um conjunto de normas e práticas religiosas. Ele diz:

... não somos apenas portadores de uma mensagem, trazemos em nossa companhia alguém – um Amigo para ser apresentado às pessoas. Enquanto uma mensagem precisa ser sistematizada a fim de ser compreendida, a pessoa apresentada se explica por si só.