Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

CUIDADO COM A MAGIA NEGRA DA INGRATIDÃO!

LIVRAMENTOS INVISÍVEIS

Se sou tão ignorante como sei que sou, então, minha gratidão consciente diante de Deus sempre representa uma fração mínima do que seja o cuidado de Deus para comigo.
Na realidade todas as vezes que agradeço livramentos de Deus para comigo, na mesma gratidão consciente incluo todos os milhares de livramentos reais que nunca percebi.

Para cada livramento que vejo há milhares de livramentos que não vejo e que provavelmente apenas conhecerei na eternidade.

Muitas vezes me sinto como um retardado que agradece ao Pai por cuidados pequenos e interessantes a mim, enquanto tudo o mais é cuidado do Pai, embora eu somente veja os presentinhos ou os livramentos das barras pesadas.

Entretanto, o homem deve ser grato pelo menos pelo que veja...

Assim como somos responsáveis pelo irmão carente que vemos e podemos ajudar... [conforme I João], também somos responsáveis pela alegria em razão dos livramentos que se veja e se reconheça [...], embora a maturidade nos leve depois de um tempo a sermos também gratos pelo que não vemos; visto que aí estão os livramentos em quantidade muito maior.

Por isto todo dia agradeço ao Pai pelo que vejo e também pelo que não enxergo, pois sei que a multidão dos livramentos que recebo são maiores que minha própria ignorância, que é imensa.

Maiores são os livramentos divinos que não vejo do que os que eu percebo.

Quando alguém aprende o tamanho de sua própria ignorância acerca do que esteja acontecendo na vida — de mundos micro-bióticos invasivos e letais, até acidentes fatais que não vemos em razão de termos sido poupados até de enxergá-los —, então, daí em diante, o que não lhe faltará jamais será gratidão no coração, posto que tal consciência saiba que para cada razão consciente de gratidão, há milhares de livramentos invisíveis, que desconhecemos, mas que podemos ter certeza de terem acontecido; pois o mundo que não vejo, para o bem e para o mal, é infinitamente maior do que o mundo que vejo e percebo como real.

PECADO OCULTO

É a mesma coisa com o pecado oculto e que coabita com minha ignorância.

Sim, para cada pecado consciente que cometo ou me dou conta de ter cometido, há os milhares de pecados que nem vejo, nem percebo ou nem mesmo discirno... — tamanha é minha ignorância até mesmo acerca do meu pecado e da extensão dele.

Do mesmo modo e talvez em extensão bem maior, é o que acontece em relação ao livramento de Deus, que não somente é maior do que o meu pecado, mas, sobretudo, é infinitamente maior do que a minha percepção da própria Graça que eu recebo sempre.

Portanto, a expressão “andar de joelhos” não é um exagero, pois, se meus olhos se abrissem, e eu visse a grandeza do que me salva e me poupa todos os dias, seria assim que minha alma me impeliria a andar sobre o chão da terra: de joelhos...

Todavia, como eu sei que nada sei, e como sei que mesmo sem saber de nada sou salvo de tudo o que ignoro, então, sabendo factualmente ou não de qualquer coisa em meu favor, por meramente saber de minha própria ignorância..., ando de joelhos sobre o chão da consciência da minha ignorância e sobre o chão da Graça de Deus que é maior do que eu consiga discernir.

Por isto quem reclama e murmura peca de modo abominável!...

Sim, pois não vê tudo o de que já foi livre e está sendo livre; e, muitas vezes, ignora coisas das quais se está sendo livre até mesmo por meio daquilo que na hora se veja como algo não grato e não agradável.

É por causa de tantos livramentos invisíveis e de tantos livramentos visíveis... que todo aquele que se torna ingrato e murmurador pratica algo mais abominável do que feitiçaria e bruxaria.

Portanto, pare de reclamar... Pare de se auto-vitimar... Pare de murmurar... Pare de apenas achar que a bondade de Deus é o que nos seja visível e gostoso...

Sim, pois toda ingratidão murmuradora se torna como uma grande magia negra para a alma daquele que a pratica.

Sem gratidão pelo que se vê e pelo que se não vê... não existe a menor chance de que alguém prove a alegria do amor de Deus em todas as coisas.

Ora, tudo o que digo aqui é verdade absoluta!

Sim, não está aberto a discussões...

A menos que alguém deseje jogar-se contra a Rocha dos Séculos a fim de ficar todo esbagaçado pela realidade da existência.

É assim que é, e ninguém o fará ser diferente!

Nele, de Quem me vem tal certeza,

Caio

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

O paralítico e os 4 amigos - Terra dos Palhaços

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Pedabobos: Líderes Pré-históricos ou Pós-modernos

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Livro A CABANA entre os mais vendidos - Revista VEJA.



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Michael Jackson precisava de uma segunda chance?

Resposta de Mário Persona a um artigo sobre a morte de Michael Jackson.


Seu artigo com o título "Michael Jackson, não há segunda chance" parece trazer no bojo uma mensagem de salvação por obras ou boa conduta, e não uma mensagem de graça e perdão para o pecador perdido em seus pecados. Sutilmente você dá a entender que não há segunda chance para Michael Jackson por ele não ter aproveitado a primeira.

Você escreveu:

"Não basta ser o ‘Rei do Pop’. Reis, para chegarem bem ao fim da vida, precisam prestar atenção ao destaque bíblico na biografia de todos eles: devem fazer aquilo que é reto aos olhos do Senhor".

Será que você quis dizer que se Michael Jackson fizesse aquilo que é reto aos olhos do Senhor como os reis bíblicos ele teria sua salvação garantida? O problema é que o maior rei de Israel, Davi, não é de modo algum um exemplo de boa conduta. Dentre outras coisas, Davi condenou um de seus melhores amigos à morte só para ficar com a mulher dele.

Todavia sabemos que Davi se arrependeu de seus pecados, apesar de boa parte de sua vida ter sido perdida. Ele foi salvo por ter reconhecido sua incapacidade e rogado pelo perdão e graça de Deus, e não por alguma boa obra que tivesse feito. Aliás, que boa obra ou conduta exemplar poderia apagar um homicídio para encobrir um adultério? Ao que me consta, não existe no prontuário de Michael Jackson algum homicídio do gênero. Não sabemos ainda se Michael Jackson creu no Salvador Jesus, mas o céu certamente será um lugar cheio de surpresas, não acha?

Continuando, seu texto diz:

"E por que devem fazer o que é reto? Porque não há segunda chance. Nossa vida é o nosso tempo. Michael teve 50 anos à sua disposição. Até o momento, Deus concedeu-me 45. Após o último e definitivo suspiro, findam-se as chances. Neste momento nossa sentença eterna já está determinada nas mãos do Pai".

Será que com isso você está querendo dizer que em seus 45 anos você tem aproveitado bem a chance que Deus lhe deu, mas que Michael Jackson não fez isso? Seu texto parece indicar que se aproveitarmos o tempo que temos para "fazer aquilo que é reto aos olhos do Senhor" estaremos salvos, mas o problema é que ninguém consegue fazer o que é reto aos olhos do Senhor. Daí precisarmos de um Salvador que tenha morrido para levar nossos pecados sobre si e da graça de Deus.

Minha pergunta é: Será que Michael Jackson precisava de uma segunda chance? Como você pode ter certeza de que ele não aproveitou a primeira chance? Como você sabe o que aconteceu nos segundos antes de seu desmaio, ou mesmo nos segundos de silêncio de seu coma, antes que o espírito deixasse definitivamente o corpo? Seria um segundo tempo insuficiente para clamar a Deus por salvação? Vamos ver o que Deus pensa da morte do ímpio:

"Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?" Ez 18:23

Este é o sentimento verdadeiro de Deus por qualquer pecador. Você acha que Deus descansa antes que o espírito se separe definitivamente do corpo? De modo nenhum, pois Ele não tem prazer na morte do ímpio. Do modo como você escreve seu artigo eu não diria ser este o sentimento que você transmite, muito pelo contrário.

Como costuma acontecer com a morte de celebridades, parece existir um certo prazer nisso em pessoas religiosas, como se dissessem... "Viu? Bem feito! Quem mandou não fazer aquilo que é reto aos olhos do Senhor". Não me surpreenderia se Michael Jackson fosse o tema principal de muitos púlpitos neste momento, com os pregadores tentando fazer dele um exemplo de como uma vida de exageros e pecados pode levar à morte e ao inferno.

O problema é que nos evangelhos encontro tantos "Michael Jacksons" com suas vidas totalmente desestruturadas que tudo leva a crer que é mais fácil um Michael Jackson ser salvo do que o religioso que pode ser encontrado neste momento em algum púlpito qualquer falando dele como um perdido. O próprio Senhor disse aos fariseus (os que ocupavam os púlpitos daqueles dias) que publicanos e prostitutas os precederiam no Reino de Deus. É curioso isso, não é?

Se ler com atenção os evangelhos verá que em momento algum o Senhor Jesus usou de chicote ou ameaçou com fogo e enxofre os publicanos, prostitutas ou qualquer Michael Jackson da vida. Essas ameaças Ele reservava a uma classe de pessoas: os religiosos fariseus, que batiam no peito, se consideravam justos e se gabavam de serem fiéis no dízimo e no jejum, e não serem como "esse publicano".

Não posso deixar de lembrar de um homem que viveu torto a vida inteira e nem sequer podia dizer que contribuiu de alguma forma com a sociedade, seja por seus dotes artísticos ou por ter dado emprego a milhares de pessoas como fez o cantor. Aliás, esse homem não proporcionava o sustento de outros, mas roubava o sustento dos trabalhadores. Porém a ele bastou balbuciar "Senhor, lembra-te de mim" em meio ao sofrimento de seu martírio para ter do próprio Senhor a palavra de certeza de sua salvação eterna.

Se eu fizer vista grossa à sua mensagem de salvação por meio de uma boa conduta que seu texto parece anunciar, e usar de boa vontade para achar que sua intenção foi alertar o pecador para que se arrependa antes que seja tarde, mesmo assim eu diria que o exemplo foi infeliz. O próprio Senhor teria usado, não um cantor pop de vida irregular, mas algum dignitário religioso de boa reputação e grande destaque na sociedade, como ele usou o fariseu em "O fariseu e o publicano" ou na "Parábola do filho pródigo".

Faça uma releitura da parábola do filho pródigo e verá que Jesus não a contou para pessoas devassas como o filho pródigo, portanto não é aquele filho devasso o exemplo que quer mostrar com sua parábola. Ele dirigiu sua parábola aos religiosos fariseus, exatamente aqueles que não tinham nada de um Michael Jackson, mas eram como o filho mais velho, que ficou na casa do pai fazendo tudo de acordo com o figurino mas que, em momento nenhum, demonstrou estar arrependido justamente disso: de ser um religioso.

Nunca se esqueça disto: "Cristo Jesus veio ao mundo para salvar PECADORES". Apenas para os que não se consideram como tais é impossível a salvação. Aliás, para estes não há chance alguma.

Retirado do site: O QUE RESPONDI.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

A Gruta e o Sonho por Lou Mello



Creio ser o sucesso do livro A Cabana bastante previsível e não tenha ocorrido por acaso. Quem não gostaria de chegar na Gruta e passar um fim de semana inteiro falando com a Trindade toda? Especialmente se o interesse dela fosse você e seus problemas, apenas. Não acredito nessa possibilidade, no meu caso. Gostaria, mas não consigo imaginar um Deus, por mais bondoso que seja, se dar a esse trabalho por um picareta subdesenvolvido e feio feito eu.

Talvez você goste de saber a respeito de um sonho meio megalomaníaco que acalento há muitos anos. Provavelmente ele morrerá comigo sem nunca ter se tornado realidade, se não for uma certeza absoluta.

Passei muitas horas dessa vida bandida imaginando um lugar, provavelmente junto ao mar, onde as pessoas pudessem passar algum tempo, como um fim de semana, e ali reorganizassem suas vidas, recebessem muito carinho, atenção e fossem paparicadas até. Todo mundo vestindo aquelas togas brancas ridículas que nos obrigam a usar no batismo, recebendo chuvas de rosas após o jantar e muito, muito papo com Deus. Nada de pregações e discussões em pequenos grupos e as idiotices psicológicas de sempre. Para ouvir a Deus é preciso silêncio, muita música clássica composta em êxtase espiritual e a brisa do mar. No máximo, um monitor ao lado para orientar e ouvir suas lamurias. Orações, muito arrependimento e sorrisos. Geralmente me via nesse sonho fazendo um monte de palhaçadas, (stand up ) para fazer os caras morrerem de rir. Isso faz um bem danado. Fora isso, muita comida caseira, suco natural e até um vinhozinho à noite para ajudar a quebrar a inibição e combater os radicais livres. Na hora de ir embora, todo mundo chorando, muitos abraços e beijos.

Sou patético ou não? Aqui, sem lenço e sem documento e pensando em fazer bem a um bando de gente que nunca vi e jamais verei. Mas isso é a Gruta. Davi, aquele amigão de Saul, não planejou nada. Entrou na gruta para não virar mulherzinha dos soldados de seu grande amigo e sogro. Mas como tinha nascido virado para a lua, atrás dele entraram aqueles quatrocentos vagabundos endividados e se tornaram seus seguidores, prontos a morrer por ele, sem nada pedir em troca. Não é o nosso caso. Aqui ganhamos muito, mas o que tem de gente querendo nos tirar até o que não temos, não é brincadeira. Afinal somos uns párias. Claro que falo por mim.

Nós não faremos sucesso e muito menos seremos um exército capaz de derrotar sequer uma mosca, quanto mais essa gente prepotente e egoísta que nos fez assim. Mas ninguém poderá nos impedir de sonhar com uma Gruta verdadeira.


Fonte: A Gruta do Lou

Sábado, 4 de Julho de 2009

Quer saber a vontade de Deus para sua vida?

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

O que é aquilo?

Este é um pequeno filme grego feito em 2007. Pai e filho estão sentados num banco. Subitamente um pardal pousa perto deles. Um filme simples mas comovente de Constantin Pilavios.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

“Ninguém comete erro maior do que não fazer nada porque só podia fazer pouco.”


Fonte: www.franciscanosmapi.org.br/

Pobreza
Entre 55 e 90 milhões de pessoas passarão à condição de
pobreza extrema ainda neste ano de 2009, devido à recessão mundial resultante da crise financeira internacional.Mais de 1 Bilhão sofrerá de fome crônica no mundo todo.
Segundo pesquisas, 53,9 milhões de brasileiros são pobres; isso significa que quatro em cada dez brasileiros vivem em miséria absoluta. Entre as 130 Nações que medem a distribuição de renda, o Brasil é o penúltimo colocado; só ganha de Serra Leoa.equivale a 31,7% da população. 21,9 milhões dessa população são muito pobres, ou 12,9% dos brasileiros.


Fonte: 4.bp.blogspot.com/

Violência
Segundo a UNESCO, de 60 países analisados, em apenas 06 o número de homicídios é superior ao número de mortes por acidentes de trânsito.Dentre esses está o Brasil e mais três países da América Latina. Em 49 desses países, o número de suicídios é superior ao número de homicídios; dentre as exceções está o Brasil e mais sete países da América Latina. A América Latina é a região onde mais ocorrem homicídios no planeta: 30 mortes para cada grupo de 100.000 pessoas ao ano, o triplo da média mundial.
Da população mundial, o Brasil responde por 11% de todos os homicídios do planeta. É o 2º país que mais mata utilizando armas de fogo, 3º em homicídios contra jovens e 4º colocado em homicídios no geral. O Brasil é o 3º mais violento da América Latina, perdendo somente para a Colômbia e Venezuela.


Fonte: raulmarinhog.files.wordpress.com/

Aborto
Estima-se que são feitos 42 milhões de abortos a cada ano em todo o Planeta, e, desses, 20 milhões são ilegais ou executados clandestinamente. Segundo a OMS, abortos inseguros causam por volta de 65.000 a 70.000 mortes maternas a cada ano(1), 99% das quais ocorrendo nos países em desenvolvimento(2).
No Brasil a cada minuto, quase dois abortos clandestinos são realizados . O número é uma estimativa baseada nas internações pós-aborto pelo SUS e aponta que, desde 1999, cerca de 952 mil mulheres interromperam a gravidez por ano no país.


Fonte: www.santoinacio-rio.com.br/

Desmatamento
Dados divulgados indicam que a Floresta Amazônica perdeu 754,3 quilômetros quadrados de florestas entre novembro de 2008 e janeiro de 2009. A área equivale a metade do município de São Paulo.
O país perdeu um campo de futebol a cada dez minutos na Amazônia, nos últimos 20 anos.
O Brasil é campeão mundial de desmatamento. Em segundo lugar está a Indonésia: 18,7 km2 por ano e, em terceiro, segue o Sudão, com 5,9 km2. As principais causas pelo desmatamento na Amazônia são a retirada de madeira, o cultivo de soja e gado.

Nós, do Planeta Voluntários, convidamos você a servir e a apoiar os outros com devoção e compaixão. Começando com a nossa própria transformação pessoal e, mediante serviço, por fazer a diferença, é a forma como nós acreditamos que vamos chegar a essa massa crítica de pessoas que, juntas, emerge como a nova humanidade.

Serviço altruísta surge espontaneamente a partir de apenas compreendendo que somos uma humanidade. Talvez você possa escolher as atividades que podem de alguma forma contribuir para o bem estar dos outros em sua comunidade. Isso poderia ser empenho pessoal voluntariado como ajudar uma pessoa idosa, um orfanato, um abrigo, um hospital, entre outros.

Os valores e os princípios do movimento emergente para uma nova humanidade, e da Aliança, que está a tentar servi-lo, se baseiam no apoio de políticas, as causas e as ações que favoreçam o respeito pela vida, dignidade humana, a liberdade, a sustentabilidade ecológica e a paz.

Faça todo o bem que puder
Por todos os meios que puder
De todas as maneiras que puder.
Em todos os lugares que puder
Todas as horas que puder
Para todas as pessoas que puder
Enquanto você puder.
Faça a Diferença.

Por Marcio Demari - PLANETA VOLUNTÁRIOS

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Debate sobre o livro A Cabana

Ocorreu na noite de 27 de abril na IBAB um debate sobre o livro A Cabana de Willian P. Young. Ed René Kivitz atuou como mediador entre o pastor Ariovaldo Ramos e Ricardo Gouvêa, atual pastor da Igreja Presbiteriana do Limão. O debate faz parte do fórum de reflexão teológica que atualmente esta com o tema Deus no banco dos réus.

O debate foi um ping-pong onde Ed René leu algumas perguntas da platéia e alternadamente os debatedores davam sua interpretação as questões levantadas. Entretanto antes das perguntas Ed René abriu espaço de 10 minutos para cada debatedor falar sobre sua impressão do livro.

Ricardo Gouveia

Polêmico e instigador como sempre, Ricardo Gouvêa iniciou sua fala dizendo que o livro A Cabana do ponto de vista literário é uma obra medíocre demais. Que o livro nunca será um clássico da literatura cristã como foi, por exemplo, O Peregrino de John Bunyan. Gouvêa afirmou que William P. Young não é um homem das artes literárias, mas simplesmente um teólogo que escreveu uma obra de ficção apresentando conceitos sobre Deus. A responder uma pergunta de Ed René sobre o que o livro diz sobre o sofrimento, Gouvêa diz que o problema do sofrimento não tem solução e que o evangelho não tem obrigação de dar esta resposta e que devemos reconhecer que o sofrimento faz parte da raça humana e que o autor do livro mostra que Deus sofre conosco, sendo que o maior sofrimento foi feito com seu filho Jesus na cruz. Gouveia afirma, entretanto que o livro apesar de polêmico, é bastante conservador em sua teologia, pois falando sobre pecado original, trindade e soberania divina, apresenta os conceitos clássicos da teologia. É a velha história da salvação recontada de uma nova forma e roupagem. Gouvêa também diz que não gostou do final do livro “Happy End” em que tudo dá certo no final e o criminoso é preso. Gouvêa termina sua fala citando um trecho do livro na página 176 – “A fé não cresce na casa da certeza”.

Mesa debate sobre o livro A Cabana

Mesa do debate sobre o livro A Cabana formada por Ariovaldo Ramos, Ed René Kivitz e Ricardo Quadros Gouvêa


Ariovaldo Ramos disse não querer analisar o livro como obra literária, mas sim como um livro que apresenta uma visão sobre Deus e o sofrimento, pois no quando Deus é questionado em relação ao que faria a respeito do sofrimento humano, a resposta é que Deus já fez através de Cristo na cruz. Ariovaldo explica que por ser de origem anglo-saxão, o autor é influenciado a terminar o livro com um final feliz. Ariovaldo afirmou que gostou da interpretação dada pelo autor em relação à trindade, pois ali esta o conceito de paternidade, maternidade e filiação.

plenaria

Retirado do blog http://alexfajardo.wordpress.com/2009/04/28/debate-sobre-o-livro-a-cabana/
Contribuição da Sammy.

Leia o livro e veja que maravilhoso ele é e como suscita tanta admiração e polêmica.
Veja o comentário da Sammy: https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6272041167325302764&postID=3653371956344481000&isPopup=true

Se quiser baixar o livro - A CABANA - DOWNLOAD.

Sábado, 27 de Junho de 2009

A RESPOSTA DE DEUS


Eu sempre aprendi que Deus responde: Sim, Não ou Espere.

Mas como a vivência com Deus é algo particular, e num relacionamento você encontra peculiaridades que ninguém mais viu ou percebeu, eu também recebi uma resposta de Deus diferente.

Eu estava muito chateado e preocupado com minha situação financeira. Como sou consultor de empresas meu trabalho foi bastante afetado pela crise mundial, muito mesmo. Desde março as coisas estavam pretas para o meu lado, na verdade vermelhas.

No meio de maio, estava indo para minha última visita, na minha última empresa (porque sempre dei consultoria para várias empresas ao mesmo tempo), para fazer o fechamento dos trabalhos. Fui dirigindo, são 3 hs de viagem de Sta Bárbara d'Oeste para Vista Alegre do Alto (cidade perto de Bebedouro, Catanduva, no interior de SP), e orando.

Fui relembrando tantas as vezes que Deus reverteu situações difíceis na minha vida, me deu fôlego, resgatou coisas que eu tinha perdido, me levou a lugares melhores quando eu fiquei desempregado.

Isso foi gerando uma grande alegria e saudade Dele.

Ah, que gostoso sentir a presença do Espírito Santo sozinho ali no carro com Ele, vindo e me envolvendo com consolo e alegria. Parecia que eu estava sendo abraçado por Ele.

Nesse momento lágrimas rolavam pelo rosto, soluços de choro e gemidos de alegria começavam a fazer parte daquela conversa íntima e silenciosa na rodovia.

Eu ia torcendo para não chegar o pedágio (tem 4 de Sta B. à Vista A.) e quebrar esse momento de intimidade.

Foi quando com meu coração pacificado pela Sua presença e cheio de fé, me lembrei de como Deus nos chama a pedir as coisas para Ele.

Fiquei pensando na lógica de pedir alguma coisa para alguém que já sabe tudo.

É mais ou menos assim, pensei:

Eu tenho filhos que não precisam me pedir muitas coisas: Comida, carona pra escola, pagar o clube, comprar material escolar, dar assistência médica, quando nenês troc de roupa, banho etc...

Porque todas essas coisas e muito mais, fazem parte do meu cuidado com eles. Eu dou a eles coisas que acho que eles precisam, mesmo que eles nem tenham me pedido.

Mas quando eles querem algo diferente, um chocolate por exemplo, ir ao cinema, pegar um filme na locadora, comprar uma roupa com marca específica, preciso que eles me falem, porque está fora do meu planejamento para eles, às vezes fora do meu orçamento, e às vezes não tenho tempo disponível para atendê-los.

Meu coração se encheu de fé e pedi ao Senhor que me desse mais um mês naquela empresa que eu estava indo para que, principalmente a minha esposa, tivesse mais tranquilidade quanto a parte financeira, visto que eu já tinha articulado vários outros projetos e negócios mas que só terão seu início em agosto.

Cheio de fé, no momento em que pedi fui transbordado de alegria e paz.

Fui para minha última visita na última empresa com confiança e tranquilidade. Tinha certeza absoluta que Deus tinha dito SIM.

DEIXA COMIGO

Passados alguns dias agora deste mês de junho, e correndo atrás de novos projetos e negócios, e sempre falando com Deus, às vezes chorando, às vezes gemendo, sempre num misto de insegurança e confiança, de medo e de paz, fui sentindo que Deus não tinha dito SIM.

Ora, não poderia ter respondido NÃO e também não acredito que Ele falou ESPERE, então o que será que aconteceu comigo na rodovia Washington Luis enquanto ia para a empresa?

Com o desenrolar dos negócios e projetos e também desse mês de junho percebi a resposta de Deus: DEIXA COMIGO!

Não foi como pedi, mas a paz e alegria que senti naquele dia era minha resposta.

DEIXA COMIGO! EU RESOLVO ESTA PARADA!

Eu sei que, mesmo que eu faça tudo certo, entre em contato com as pessoas certas, apresente o melhor planejamento com custos baixos, e que seja um projeto atraente e lucrativo para ambas as partes, e o mercado tenha demanda para este novo produto ou projeto, mesmo assim as coisas podem não acontecer.

O mercado, a vida, é muito dinâmica e não é porque você fez tudo certo que as coisas vão dar certo. Muitas vezes as coisas dão erradas e não é sua culpa.

Por isso não dá pra depender só da nossa inteligência, capacidade, dinheiro, tempo, disponibilidade. Tudo isso não garante nada, somente é mais uma coisa que está agregando valor àquilo que você quer apresentar ou vender.

DEIXA COMIGO!

Que bom poder correr, articular, planejar, buscar informações mas ter paz que as coisas acontecerão de bom porque Deus é a garantia.

Ontem, sexta feira 26 de junho vi como Deus atendeu meu pedido. Fui surpreendido, chorei e me senti profundamente amado. Ele sabe que não consegui passar nenhum dia sequer desses últimos 3 meses sem sentir medo, insegurança, tristeza e dúvida. Mas sempre falei pra Ele sobre todas essas coisas.

Quem sabe nesses dias você, no seu relacionamento com Deus, também receba uma resposta diferente daquelas que todo mundo diz haver.

"Porque Deus é Todo Poderoso, Ele pode fazer qualquer coisa;
Porque Ele é sábio, Ele sabe o melhor para nós;
Porque Ele é amor, Ele quer dar o que você pedir."

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Completamente perdoado - O que pode me impedir de pecar? - 3


Meu pai nunca foi um pai realmente presente na minha infância, mas foi um bom pai. Na minha adolescência, como a maioria, tive muitos problemas com meus pais. Em todo esse tempo eu ia à igreja e buscava a Deus, mas havia um profundo abismo entre nós.

Foi na juventude, depois de casar logo aos 21 anos, hoje tenho 41, que Deus foi curando o meu relacionamento com meus pais, principalmente com o meu pai.

No começo do meu casamento foi difícil, antes de Collor de Melo entrar na presidência, os juros chegavam a 30% ao dia, um absurdo. Logo depois ele confisca todo o dinheiro nos bancos. Sem dinheiro muitas empresas quebraram, muito empresário faliu e até suicidou-se.

Nesse contexto Deus foi resgatando a sua paternidade em minha vida. Curando o meu relacionamento com meu pai, Ele ajustava o meu coração para Ele.

Desde esse tempo meu pai me ajudou muito. Principalmente com dinheiro. Mas não pelo dinheiro, era a forma como ele dava o dinheiro que era o importante, demonstrava cuidado.

Hoje, depois de quase 20 anos casado, 16 de dezembro completam-se os 20 anos, tenho no meu coração um forte desejo de melhorar de vida, de ganhar dinheiro, para poder retribuir ao meu pai, com gratidão, tudo o que ele me fez.

Faço questão de fazer isso não por barganha, não porque ele pode fazer mais por mim, mas por causa do que ele já fez.

Mesmo que ele não faça nada mais por mim, meu coração é cheio de gratidão e amor por reconhecer tudo o que ele já fez.

ABA PAI

O que me impede de pecar sendo eu livre, e sabendo que todos os meus pecados já foram perdoados, mesmo os quais eu ainda cometerei?

QUERO AGRADÁ-LO, por tudo o que já fez na minha vida.

Senti tanto o seu amor durante todo esse tempo da minha vida... Senti tanto o seu cuidado através de pessoas, de acontecimentos, de orações respondidas, de experiências espirituais... Senti tanto a minha pequenez e a sua grandeza... Fui tão amado... que me sinto grato por tudo o que já vivi e por tudo o que Ele já fez.

Ele não precisava se importar comigo...

Mas se importou... talvez seja por causa dos meus olhos castanhos esverdeados que Ele mesmo me deu... não sei porque Ele se importou comigo... e não consigo entender o seu amor... e muitas vezes não consigo nem receber esse amor...

Ele não precisava me amar tanto asssim...

Eu sei quem eu sou... e como sou... e poderia gastar páginas e páginas falando da minha indignidade. Mas Ele me amou e eu senti esse amor.

Não vou deixar a maldade, não vou ficar no prejuízo pelos outros, não vou me humilhar, não vou lutar pela justiça social, não vou buscar o alívio dos necessitados para pagar a minha salvação, para receber em troca algo que Ele pode me dar...

O amor que eu recebi sabendo quem eu sou, me empurra, me joga, me atrai, me puxa, me capturou e agora sinto a necessidade de agradecê-lo com toda a minha vida. Tudo o que eu puder fazer para agradá-lo por tudo o que Ele já me fez.

Com você também é assim e com todo mundo, mas alguns ainda não caíram em si, como o filho pródigo que saiu de casa.

O amor de Deus, esse grande e infinito amor, esse grande e acessível amor, é capaz de nos libertar do pecado e nos levar de volta para Ele.

Podemos ficar nas nossas igrejas pregando, ensinando, nos centros de recuperação falando, tratando, mas se o coração das pessoas não for tocado pelo amor de Deus nada disso valerá. O interessante é que Deus pode nos usar nisso, compartilhar o amor que recebemos, em forma de cuidado, de ajuda, de não julgamento.

Paulo orou várias vezes para que o amor de Deus operasse nos corações. Podemos começar assim, e depois colocar nossas mãos para servir.

Essa é minha oração por você: Que o amor de Deus destrua as suas fortalezas de auto-estima, de convicções religiosas, de medo, de orgulho e te dê percepção de si mesmo em relação a Deus. E nessa percepção você se veja como Deus te vê. E que tua indignidade seja vista por teus olhos e que o amor de Deus encha o teu coração.

O pecado não tem mais domínio sobre aqueles que foram dominados em gratidão pelo amor de Deus.

Completamente perdoado - O que pode me impedir de pecar? - 2



Se todos os meus pecados passados, presentes e futuros já foram perdoados...

Se Deus sabe como é a minha natureza pecaminosa e a qualquer hora, mesmo decidindo fazer o que é bom posso estar fazendo o mal, pois até nisso não sei exatamente o que é certo ou errado...

Se Deus destruiu através de Jesus o poder do pecado sobre a minha vida...

Se eu pecar ou não isso não mudará o tamanho ou intensidade do amor Dele por mim...

Então... o que me impede de pecar? O que me impede de estar vivendo a minha vida direcionada somente pra mim?

No último ano eu passei por esta crise. Crise de liberdade.

Antes eu tinha os mandamentos de Deus para cumprir. Tinha os irmãos da igreja como meus fiscais e ajudadores para cumprir os mandamentos. Tinha o pessoal do "mundo" para mostrar como são abençoados e justos aqueles que cumprem os mandamentos, e tinha Deus como meu Papai Noel que recompensava minhas boas atitudes.

Mas quando entendi que tudo o que eu fiz era lixo, um trapo sujo com o qual eu tentava me limpar e que Jesus já tinha feito tudo o que era necessário pra me reconciliar com Deus e agora era só eu aceitar isso... Isso me quebrou, tirou o meu chão.

Foi como se eu estivesse no meio de um tornado e soltei as pilastras, que eu agarrava para não ser levado pelo vento.

Hoje fui levado pelo vento.

Qual é aminha segurança? No que posso me segurar? Como posso pecar e ser amado ao mesmo tempo? Como continuar pecando e ser amado na mesma intensidade?

Relâmpagos e maldições não mais recaem sobre minha cabeça quando eu peco, mesmo quando é consciente e proposital.

E o pior... não mudou nada no meu relacionamento com Deus... Ele continua a me amar do emsmo jeito.

O que me impede de pecar então? Porque deveria seguir a bondade e a misericórdia se com os meus atos não estou comprando a minha salvação?

1) Por mim mesmo - Sinto que a pornografia, a mentira, a falsidade, o ódio, a amargura, e todas as coisas de ruim que eu posso fazer me fazem mal antes de chegar a qualquer pessoa. E me fazem mal mesmo depois de desfrutar algum prazer nesse pecado.

Outra coisa é que quando peco me torno pior como pessoa, me torno pior como pai, me torno pior como marido, me torno pior como filho, me torno pior como profissional, me torno uma pessoa como cidadão...

Posso até fazer... mas como me faz mal e me torna pior, decido não fazer.

2) Pelo meu próximo - E como meu próximo estão minha família, meus amigos, meus irmãos. Eles se ressentem com a minha maldade. Me torno mais rude, dissimulado, insensível, orgulhoso, prepotente, e isso machuca as pessoas com quem convivo e amo.

Sinto o amor deles e os quero também amar e cuidar, por isso, quando decido viver uma vida com amor e misericórdia eles também sentem. E como é gostoso ver que as pessoas ficam felizes de estarem ao nosso lado porque isso também faz bem a elas!

3) Pelo mundo - Tenho a consciência que a sociedade sofre com pessoas corruptas, imorais, injustas, indiferentes aos dramas sociais que vivemos. Mas também vejo como parece uma luz no fim do túnel, uma flor no deserto, um pingo de cor numa folha branca, água para o sedento quando pessoas se levantam para ajudar a melhorar a vida do próximo, a cidade, o governo, o planeta.

A própria criação geme esperando que os filhos de Deus assumam uma postura de protagonismo, de direção (luz) e proteção (sal) para o mundo.

4) Por causa DELE - Falo disso amanhã... Ele merece tópico especial...

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Completamente perdoado - O que pode me impedir de pecar? - 1


Na festa de aniversário do Cláu, meu amigo e irmão, encontrei o irmão dele, o Dani.

Conheço o Dani há uns 15 anos mais ou menos. Conversamos e ele contou sua história.

Saiu de casa aos 13 anos de idade, do interior do estado e foi morar em São Paulo capital. Morava com duas tias e mais uma amiga. Todo o custo da casa era dividido em 4 partes, sendo que a parte dele ficava em 150,00. Ele arranjou um bico que lhe dava 135,00 por mês e o seu irmão, o Cláu, inteirava o resto.

Na volta de uma festa na casa de outros amigos, um amigo do Dani disse: Vamos embora de carro.

Você está louco? Não tenho dinheiro pra nada, quanto mais para pegar um taxi, disse o Dani.

Não... eu dou um jeito. E foi tirando uma lixa da meia, abriu a porta de um carro e entrou nele.

O Danilo ficou horrorizado, mas foi junto com ele. Chegando próximo de casa, o amigo dele vendeu o carro por 500,00 e deu-lhe metade do dinheiro.

Numa "puxada de carro" deu o dobro do que ganhava num mês... Foi onde começou a roubar carros e se drogar. Foram mais 13 anos de roubo, drogas e passagens na polícia.

Quando ele estava sendo retirado pelo irmão pela primeira vez da cadeia, ele correu e deu um soco na cara do Cláu.

O irmão sempre o socorreu, a mãe nunca o mandou embora, e ele sempre foi o herói da irmãzinha, que não o tinha como bandido.

Há mais ou menos 5 anos atrás ele ficou sabendo que a sua parceira estava grávida e que deveria o filho ser dele. Resolveu parar com tudo,roubo, drogas, cigarro, pois pensava: Como poderei dizer ao meu filho que não pode fazer se eu mesmo faço?

No oitavo mês de gravidez ficou sabendo que não era o pai. Todo mundo ficou com medo que o Dani voltasse para as drogas, mas ele decidiu continuar limpo, arrumou um emprego e assumiu a paternidade da criança.

Hoje, 5 anos depois ele ainda está limpo, trabalhando e é pai de duas crianças.

O que mais me chamou a atenção foram os motivos pelos quais ele não quer voltar mais para as drogas.

1) Ele voltou a jogar futebol e não tem mais problema de correr. Ele se sente bem, com saúde para fazer algo que gosta muito.

2) O amor da mãe, do irmão e da irmã. Ele disse que deu tanta dor de cabeça e recebeu tanto amor, que não gostaria mais entristecer as pessoas que o ama.

3) Todos os três deixaram de ficar em cima dele. Deixaram de se sobrecarregar com os problemas que o Dani trazia e foram buscar viver as suas vidas. Ele se sentiu sozinho e entendeu que não podia ficar sem o amor deles.

Ele disse que todo aquele tempo foi uma lição pra ele que o fez mudar, mas ressaltei que achei que não era isso. Tudo o que ele viveu, e tudo o que falaram pra ele, e tudo o que ele sabia de certo e errado, nada mudou sua vida. Ele poderia ainda ter passsado vários anos no fundo do poço. Certamente não existe aprendizado que tire alguém das drogas.

Acompanho o trabalho realizado no Desafio Jovem de Botucatu onde presto serviço voluntário de consultoria, e o Rivaldo, gerente executivo da entidade me falou da sua grande frustração no tratamento de homens viciados.

A taxa de recuperação dos drogadictos é abaixo de 20% nesta entidade.

Ele disse sobre os internados que depois de 9 meses saem conscientizados e informados de tudo na vida, e voltam às drogas em menos de um mês.

Voltando ao Dani, disse pra ele: Dani, acho que você não aprendeu, acho que o que te aconteceu foi uma nuvem de graça que envolveu a sua vida e você mudou. Ninguém muda porque aprendeu algo, porque sabe, porque alguém lhe ensinou. Precisa haver algo mais!

Com o Dani foi assim, o amor mudou a sua vida, mesmo que tenha demorado 13 anos para que isso acontecesse.

Hoje ele pode voltar para aquela velha vida, talvez até lhe dê vontade muitas vezes de voltar, e se ele quiser fazê-lo, ele é de maior e a responsabilidade é somente dele, de mais ninguém. Mas agora ele não quer, ele foi tocado pelo amor.

Talvez um dia ele volte, não sei, tomara que não, mas eu acredito que nada invalida o que lhe aconteceu, e duvido que menos num retorcesso tenha sido apagada a lembrança e ele tenha renegado o amor dos irmãos.

Pode acontecer, pode sim, mas porque ele (nós) é mau, doente e toma decisões equivocadas e tem que assumir as responsabilidades de seus atos. E ele ficará muito culpado, se isso acontecer, pois pensará na tristeza que aqueles que o amam terão. Mas, repito, isso não invalida o que aconteceu em sua vida e não joga fora esses cinco anos de "limpeza", como podemos julgar.

Aliás, se isso acontece em nossa família, ou em qualquer igreja, esse cara é mais do que massacrado. Todos vão dizer que, se ele se batizou ou aceitou Jesus, ou estava indo na igreja, ou tenhsa tido alguma experiência espiritual foi tudo uma mentira.

Mentira é dizer que nós (eu) não estamos em constante mudança fazendo escolhas certas e erradas que mudam a nossa vida e mudam as nossas crenças. O que hoje é, amanhã não é mais porque amadureci, porque vivenciei outra coisa, ou por qualquer outra coisa.

Mentira é dizer que o instante presente não tem valor, que só terá se depois de um bom tempo passado continuarmos bons, senão não terá valido nada.

Os AAAs, NAs, Desafios Jovens têm muito a nos ensinar e um deles é que, por hoje eu estou limpo! Ou seja, aquilo que vivo hoje vou dar valor, porque se mudar para o errado amanhã, hoje foi bom, mesmo que amanhã não seja. E isso não só comigo mesmo, mas com todas as pessoas.

Por isso, NÃO JULGUEIS, é mais do que um mandamento restritivo, é um ato de amor, que não invalida o que cada um acha verdade de si mesmo.

Porque o verdadeiro amor lança fora todo o medo!
Porque o verdadeiro amor nos tira do reino das trevas e nos leva para o seu reino!
Porque o verdadeiro amor liberta o seu amado mesmo que o deixe livre para escolher outro!
Porque o verdadeiro amor lança fora todo medo, ele mesmo é desprovido de medo!

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Santidade por Ivo Fernandes


Texto Inicial: (1PE 1:16) - Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.

Introdução

Decidi falar de santidade hoje por perceber que na igreja evangélica são as mulheres que são mais cobradas. São sobre elas que pesam a maioria das proibições. A maioria dos homens consegue até justificar seus pecados culpando a mulher de levá-los a pecar. Assim, percebo que as mulheres estão levando um fardo pesado demais, e isso por séculos. Hoje, pela Graça de Deus, gostaria de falar o que na Verdade no Evangelho significa ser santo.

Análise do Texto

O texto que lemos nos exorta a sermos santos como o Senhor é santo, mas a pergunta que se faz é: - Como podemos ser santos como o Senhor? Ora, a resposta para essa e para todas as perguntas que temos a respeito de Deus, estão respondidas em Cristo. Sendo, assim devemos ser santos como Cristo foi. E como Cristo foi santo?

Cristo é o exemplo máximo de santidade para vida de qualquer pessoa

Vamos analisar alguns comportamentos de Cristo, a fim de aprendermos com eles:

Jesus e a pecadora que O ungiu. (Lc 7.36-50)


Neste episódio o Senhor nos mostra que ser santo não é se esquivar do próximo só porque ele não tem uma boa-reputação social, antes é permitir que sua alma se revele da forma em que se encontra.

Jesus e o homem hidrópico (Lc 14.1-6)


Neste, Ele nos ensina que mais vale a vida do que as Leis, mesmo que essas leis recebam o nome de sagrada.

Jesus entre os publicanos (Mt 9.9-13)


Neste, Ele nos mostra que ser santo não é se esquivar da vida e nem da agitação da mesma, mas no meio desse mundo agitado exercer misericórdia.


Jesus e o Leproso (Mt 8.1-4)


Aqui Jesus nos mostra que quando se é santo não se suja ou se corrompe quando tocamos o impuro, já que esse toque é um toque de amor. Aqui, as ordens se invertem. Para os judeus religiosos um homem puro se contaminava ao tocar num impuro, para os Filhos da Graça, o homem impuro é abençoado quando tocado pelas mãos daquele que o toca com amor.

Jesus nos mostrou com sua vida que para ser santo não precisamos maquiar a realidade, fingir para não ser mal interpretado. Por isso Ele não se preocupou com o que diriam a seu respeito, apenas se preocupou em ser íntegro, e ser íntegro é ser verdadeiro para com a nossa condição humana: é ter a coragem de chorar em público, como Ele chorou (Jo. 11.35), de admitir perdas e saudade (Jo. 11.36), de gritar de dor (Mt. 27.50), de confessar depressão (Mt. 26.38), de pedir ajuda emocional (Mc. 27.50), de se confessar cansado (Jo. 4.6), de dizer tenho sede (Jo. 19.28), de confessar dificuldades familiares (Mc. 3.21;Jo. 7.1-9), de admitir que a privacidade é um direito e uma necessidade de sobrevivência (Mc. 6.30-32,45,46).
Com Jesus aprendemos que até sendo alvo do silêncio de Deus podemos ser santos (Mt. 27.46).

Conclusão

Dessa forma, sabemos que a santidade que a igreja exige da maioria de nós é apenas uma performance para termos uma boa imagem para os outros, e esse tipo de atitude só faz mal para a alma. Hoje o Senhor nos convida a deixar de carregar esse fardo religioso e a semelhança Dele caminharmos com o coração pacificado no chão da existência.

Retirado do Blog do Ivo fernandes - http://ivofernandes.blogspot.com/

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

A HISTÓRIA DAS COISAS

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

ELE é o Tesouro - DWYL - John Piper

Domingo, 21 de Junho de 2009

A DOUTRINA DO ESTUPRO por Cláudio N. Horácio


Estou morando com um amigo pai de santo há cerca de 1 mês. Semanas atrás me convidou para comer uma pizza com ele e 2 amigas. Bom, passamos no apartamento delas, as pegamos e nos fomos a pizzaria. Chegando lá, estavam 3 umbandistas e 1 presbiteriano.

A Carmem que estava a minha esquerda me bombardeou de perguntas. Ela é advogada, e como boa advogada logo que me sentei disse: "muito bem! pode me contar tudim de você desde o dia em que nasceu até hoje!" Eu sorri e respondi: "Mas que dia mesmo iremos embora daqui?" Todos riram, pedimos a pizza e a Carmem me bondardeando de perguntas e afirmações a respeito da religião evangélica.

E dizia: "Mas se você não acredita na reencarnação então como explica as diferenças sociais, as doenças etc e tal."

Eu muito educado esquivava do debate, mas ela insistia e me cutucava mais e mais achando que eu não era páreo para a doutrina dela.

Certa hora, após uns 30 minutos de "inferno astral" eu a peguei pelo ombro, olhei dentro de seus olhos e gritei bem alto: "SE EU TE PEGAR AQUI! AGORA! E TE ESTUPRAR! DE QUEM SERÁ A CULPA???? SUA OU MINHA?"

A mulher quase teve um treco, mas respondeu: "Sua! É claro!" Aí eu lhe disse: "Quer dizer que se eu te estuprar não será porque você fez algo na encarnação passada? Então eu estarei dando inicio ao carma que terei contigo aqui e agora? Se for isso, então a reencarnação não explica todas as desgraças da existência humana. Além disso, julgando que alguém está doente ou pobre, ou desgraçado nesta vida por culpa dele mesmo, porque ele fez algo de que nem mesmo sabe que fez não só é absurdo como cruel, pois ao invés de darmos apoio, de ajudá-lo a carregar sua cruz, estaremos pondo mais peso sobre essa pessoa que já não aguenta mais a desgraça da sua vida. Isso é cruel demais."

Pronto! O diálogo terminou aí.

Dias depois a encontrei dentro do ônibus e ela estava toda amigável.

Oro para que Deus a salve dos carmas, das reencarnações e da religião que pensa encontrar Deus, sendo que o correto é que Deus é quem nos encontra, que ela relaxe e aguarde Deus buscá-la, pois somente Ele pode salvá-la de si mesma e das vãs filosofias.

A Ele sejam a glória, o louvor, o poder e o domínio, hoje e pelos séculos dos séculos. Amém.

Por Cláudio Nunes Horácio - Retirado do blog: http://sustodeamor.blogspot.com/

Sábado, 20 de Junho de 2009

Rob Bell - 01 - Rain (Legendado)

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

A Cabana - livro fantástico... você deve ler!


Que livro fantástico! Acabei de ler.
Este é um dos poucos livros que tem a mensagem do evangelho tão despida de religiosidade tratando de um dos temas mais controversos: A dor.
Chorei várias vezes, fiquei vagando em meus pensamentos muitas outras vezes e adorei, adorei ao Senhor que verdadeiramente é AMOR.
Esse livro mexeu muito comigo e espero que mexa com você!
Abaixo segue a sinopse e o link para download.

» Sinopse
Esta história deve ser lida como se fosse uma oração, a melhor forma de oração, cheia de ternura, amor, transparência e surpresas. Se você tiver que escolher apenas um livro de ficção para ler este ano, leia A cabana. – Michael W. Smith

Publicado nos Estados Unidos por uma editora pequena, A Cabana revelou-se um desses livros raros que, por meio do entusiasmo e da indicação dos leitores, se torna um fenômeno de público: já são quase dois milhões de exemplares vendidos.

Durante uma viagem em um fim de semana, a filha mais nova de Mack Allen Phillips é raptada e evidências de que ela foi brutalmente assassinada são encontradas em uma cabana abandonada.

Após quatro anos vivendo em uma tristeza profunda, causada pela culpa e pela saudade da menina, Mack recebe um estranho bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o para voltar à cabana onde aconteceu a tragédia.

Apesar de desconfiado, ele vai ao local do crime em uma tarde de inverno e adentra passo a passo no cenário de seu mais terrível pesadelo. Mas o que ele encontra lá muda o seu destino para sempre.

Em um mundo tão cruel e injusto, A Cabana levanta um questionamento atemporal: se Deus é tão poderoso, por que não faz nada para amenizar o nosso sofrimento?

As respostas que Mack encontra vão surpreender você e podem transformar a sua vida de forma tão profunda quanto transformou a dele. Você vai querer partilhar este livro com todas as pessoas que ama.

Download - A CABANA.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

A loucura da Cruz e o escândalo da Graça — para os cristãos


Meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós; pudera eu estar presente convosco e falar em outro tom de voz; porque me vejo perplexo a vosso respeito!

Paulo, aos cristãos na Galácia 4:19-20

A Graça é hoje a mais escandalosa de todas as mensagens cristãs! No entanto, também é a única que existe! É a loucura da Cruz! E o mais “louco” disso é que nada disso deveria ser louco para nós e nem fonte de escândalo, posto que essa mensagem seja o próprio Ensino e Vida de Jesus. É o espírito do Evangelho! Mas, incrivelmente, estranhamos a Graça de Jesus, nos assustamos com ela e aceitamos um enredo de perversões da Mensagem que é muito mais assustador que qualquer Loucura!

Sinceramente, quem não percebe que atualmente nosso Cristianismo é, quase sempre, a repetição dos mesmos conteúdos contra os quais Jesus, os profetas do Antigo Testamento, Paulo, os apóstolos e a Palavra se levantam nas Escrituras?

Hoje as pessoas se convertem à “igreja”, não a Cristo! É por essa razão que os conteúdos do Evangelho de Jesus estão tão adulterados entre nós. E pior, parecemos estar com os sentidos embotados para esta percepção, de modo que o que hoje se vê é uma caricaturização de Jesus. O Jesus que nos foi apresentado é um composer do Jesus da "igreja", o qual é moldado para ficar "parecido" com o grupo religioso ao qual a pessoa pertence. Portanto, o Jesus da “igreja”, na maioria das vezes, é uma fabricação feita para validar as teses do grupo. E tal “Jesus” não faz nada de bom ou de mal que qualquer outro condicionamento mental, psicológico e cultural também não realize. A leitura que fazemos do Evangelho é uma adaptação. E é também num “Jesus de terceira ou quarta mão” que a maioria das pessoas crê!

Posso asseverar, com convicção e tristeza, que na igreja evangélica atual, primeiro a pessoa tem que ser salva do Jesus inventado. Primeiro precisa ser salva do Jesus dos “evangélicos” a fim de conhecer o Jesus do Evangelho.

É exagero tal dedução? Então, permita-se uma reflexão honesta. E se Paulo estivesse presente num ano eleitoral no Brasil? Se visse e soubesse de todas as negociações de almas-votos que são feitas em Nome de Jesus? E se assistisse pela televisão à venda de todos os significados cristãos em objetos de energia espiritual pagã? E se visitasse uma “igreja” e assistisse às filas de pessoas para andarem sobre sal grosso ou para mergulharem em águas tonificadas do Jordão e a passarem pela Cruz de Jesus a fim de ganharem um carro zero, como pagamento pela sua crença? E se ele soubesse agora que a fé é um sacrifício que se expressa como dízimos, como troca de bênçãos por dinheiro, “sacrificados” no altar-bolso dos pastores, em longas novenas e correntes as mais mirabolantes?

O que enojaria Paulo seria ver pastores oferecendo o “sangue do Cordeiro” a fim de ungir a casa de trás para frente e da frente para trás. O “Sangue do Cordeiro” não é mais o que Jesus fez na Cruz, mas passou a ser um fetiche, uma mágica de bruxos, uma blasfêmia, um estelionato satânico dos símbolos de uma Verdade com a qual não se brinca impunemente.

A carta aos Hebreus foi escrita por muito menos! O escritor dela diria que estão brincando com fogo ardente e consumidor, e crucificando o Filho de Deus não apenas uma segunda vez, mas todos os dias — fazendo de Jesus um produto de troca. Sim! Aquilo que custou o alto preço de Seu sangue, para que nos fosse gratuito, agora é mercadoria a ser vendida pelos camelôs do engano, em repetidos sacrifícios e indulgências!

Admira-me que estejais passando tão depressa Daquele que vos chamou na Graça de Cristo para outro evangelho...

Paulo aos Gálatas 1:6

Meu Deus, e se Paulo visse?!... Sim, se Paulo nos visitasse? Que epístola nos escreveria?

Veria aturdido o regresso da fé evangélica aos tempos dos cultos feitos a Baal e às imagens de escultura. Àquele tempo onde nem sombra ainda havia das sombras das coisas que haviam de vir — coisas que, inclusive, perderam a simbolização em razão de Jesus haver sido o cumprimento de todas elas.

Ser evangélico, para o Apóstolo, significava ter compromisso de fé e vida com o Evangelho de Jesus. Hoje, ser “evangélico” é pertencer a uma instituição religiosa que roubou o direito autoral do termo e se utiliza dele praticando um terrível “estelionato” de símbolos, histórias, mensagens e ilustrações.

Hoje, de maneira geral, quando um evangélico “evangeliza”, ele o faz a fim de que a “igreja” cresça como poder visível. Ou seja, “evangelização” significa crescimento numérico sob o pretexto de salvar as almas do inferno.

Quando Paulo evangelizava, isso significava levar as pessoas à consciência da Graça salvadora de Jesus e da possibilidade da experiência da liberdade-salvadora, tanto na vida pessoal como também na comunitária. O resultado, portanto, não é o surgimento de um número a mais para as estatísticas celestiais, mas uma nova criatura que o Espírito da Graça, em Cristo, faz nascer no Novo Homem!

Desse modo, se Paulo estivesse vivo hoje, provavelmente, ele nos diria que nós ainda não somos convertidos, pois voltamos atrás e aderimos aos conteúdos que negam a Cruz de Cristo!

A doutrina do Purgatório é uma verdade existencial para todos os cristãos — incluindo os protestantes e evangélicos! E por quê? Ora, dizemo-nos “salvos” pela Graça na chegada. Daí em diante somos “santificados” pela Lei (ou por nossas Listas, o que é a mesma coisa na intenção). Porém, tal “santificação” anula a Graça, pois, se a justiça vem pela Lei, Cristo morreu inutilmente. “Se é pela GRAÇA, já não é mais pelas obras; se fosse, a GRAÇA já não seria GRAÇA”, então ficamos num purgatório existencial sobre a Terra, pois nem nos tornamos verdadeiros filhos da Graça e nem nos entregamos aos rigores da Lei com honestidade. Ao contrário, fazemos o malabarismo de tentar conter o Vinho da Nova Aliança nos odres da Antiga, que se tornaram extintos e obsoletos.

Assim, não usufruímos nem a saúde nem a paz que vem da Graça e, tampouco, conseguimos viver pela Lei. Ou seja, vivemos em permanente estado de transgressão e culpa.

E quanto mais nós existimos nesse “purgatório”, mais orgulhosos, raivosos, arrogantes e mal-humorados nos tornamos, pois, no coração temos consciência de que não somos nem uma coisa nem outra: nem Gente da Graça e nem tampouco o Povo da Lei.

Jesus, porém, não veio ao mundo para criar um Circo, em alguns casos; uma Penitenciária, conforme outros; um Hospício, como acontece cada vez mais, ou um Estado Soberano como o Vaticano Católico e os “vaticaninhos” dos outros grupos cristãos.

Em Cristo, não temos que ser pré-condicionados por nada que não seja o fundamento dos Apóstolos e Profetas, cuja Pedra Angular responde pelo nome histórico de Jesus de Nazaré.

Quanto à igreja cristã, sabemos que ela não deixará de crescer em número e em poder terreno. Não. Seus templos estarão cheios e seu fervor religioso pode até aumentar. Mas saiba que esse nosso Cristianismo não terá qualquer mensagem do Evangelho a pregar para as próximas gerações (com suas complexidades psicológicas e espirituais), a menos que se converta radicalmente à Graça, não como uma doutrina-teológico-moral, mas como a essência de nossa relação com Deus, com o próximo e com o nosso próprio ser!

Nossa esperança é a possibilidade de que Ele ainda venha a gerar consciências libertas do medo de ser e podendo experimentar a Graça de viver em Cristo, sem os temores que hoje são tão bem administrados pela “igreja”, na sua obsessão de ser a “conquistadora” do mundo e de seus poderes — incluindo almas humanas —, embora não ajude as pessoas a terem uma alma para gozar a vida em Deus e Deus na vida, ainda na Terra, pois o “Jesus” da “igreja” veio para que tenhamos medo, e medo em abundância!

Caio Fábio

*Extraído do livro “Um só Caminho” (2ª edição do booklet “O Caminho da Graça para Todos”, que foi revisto e ampliado em seu conteúdo). O livro foi lançado no Encontro das Estações no Rio e pode ser adquirido através do email atendimento@caiofabio.com.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

A história de Pedro por Mário Persona


Quero contar que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.

Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras. O livro é publicado pela Editora Mondrian.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.

Minha irmãzinha e futura enfermeira ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.

Hoje ela está mais confiante e generosa. Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.

Site: http://www.stories.org.br/querocontar/

Sábado, 6 de Junho de 2009

Que tipo de fé agrada a Deus?


Sem fé é impossível agradar a Deus.

Mas que tipo de fé agrada a Deus? A do tipo que anda 100 km em romaria pra cumprir uma promessa? A do tipo que dá o dízimo e a oferta em troca de algo? Daquele que jejua e ora crendo que assim vai obrigar a Deus a fazer o que ele quer? Daquele que canta em verso e prosa que Deus é Todo Poderoso?

Sei lá, acho que estes tipos de fé não agradariam nem meu rei, se aqui no Brasil fosse uma monarquia. Eu penso que o filtro de Malaquias é adequado aqui: Dê ao seu rei o que você está dando para Deus e veja se ele receberá com alegria sua oferta. Ora, se nem ele ficaria satisfeito, porque encontraria animais cegos e doentes, assim Deus não aceita também.

A fé que agrada a Deus, na minha opinião, tem o poder de mudar montanhas de lugar.

Então temos que ter fé no poder de Deus? Não e sim. SIM porque você deve crer que Ele tem poder para fazer o que você lhe pede, e NÃO porque tem outras coisas mais importantes do que esse tipo de fé.

Creio que, assim como o amor é o maior dos dons, também existe uma fé que é mais importante que todas, e que é a que agrada a Deus.

FÉ NO SEU AMOR

Crer que Ele te ama é a fé que muda o mundo, que transporta montes, que ressuscita mortos.

Alguns de nós acreditam que Deus é Todo Poderoso e consegue fazer qualquer coisa; que ele é perfeitamente Sábio e pode fazer o que a melhor escolha pode exigir; mas que ele é todo Amor e que fará qualquer coisa que eu lhe pedir, isso já é demais!

Mas Deus é mais Todo Poderoso, do que é Sábio? Ou ele é mais Sábio e Todo Poderoso do que é Amor? Claro que não.

Por que podemos crer no poder de Deus, e na sua sabedoria e não cremos no seu amor? Por que é que temos que barganhar com Deus, dando alguma coisa pra ele dar em troca outra que queremos? Por que devemos colocar o seu desejo também de nos agradar de lado?

Crer que Deus te ama e por isso pode acontecer tudo o que você pedir É DAR MOTIVO PARA ORARMOS.

Seria assim... como pai eu dou tudo o que é necessário para os meus filhos: alimento, roupas, material de higiene, carona para escola, material escolar, essas coisas eles nem precisam pedir, eu já sei que eles vão precisar e lhes dou sem que peçam ou entendam que vão precisar disso. Mas se eles querem algo diferente ele têm que pedir. É um chocolate, um sorvete, um tênis específico, uma bolsa diferente, uma camisa ou uma calça de marca, etc.

Por que pedir para Deus? Porque ele é meu Pai e porque ele me ama e quer me dar.

OBSTÁCULOS À NOSSA FÉ

Um deles, eu acho, e um dos mais importantes é a falta de amor por nós mesmos.

Não nos amamos, ao contrário, nos suportamos. Não aceitamos o nosso cabelo, nosso nariz, nossos dentes, nossa cor, nossa altura, nosso peso, nossa condição financeira, nossa família, nossa memória (ou falta dela), nossa inteligência, nosso gênio, nosso comportamento, nosso passado, etc.

Tudo isso, na hora que vamos pedir algo a Deus, interfere dizendo de coração para Deus: NÃO ME DÊ QUE EU NÃO MEREÇO!

Também dizemos: TEMOS RAIVA DO SENHOR PORQUE O SENHOR ME AMA. PORQUE EU NÃO ME AMO, NÃO ACEITO E NÃO ACREDITO NO AMOR DE DEUS POR MIM. Porque se eu não mereço ser amado porque eu não sou uma pessoa boa, então o seu amor por mim deve ser falso. Ninguém pode me amar como realmente eu sou.

Não acreditar que Deus te ama como você realmente é, creio ser o maior dos nossos conflitos.

CONFLITO 1: NÃO ME AMO - VOU MELHORAR.

Essa questão de justiça própria é próprio daqueles que querem melhorar para serem agradáveis a Deus. Fazer, fazer, fazer e fazer melhor que os outros para ser aceito, para ser amado, para ser reconhecido.

Isso, de certa forma, diminui o conflito em ter fé amor de Deus, porque você começa a crer que ele te ama porque você tem sido um bom menino, e por isso pode ganhar um presente.

Mas cria um problema muito maior, porque Deus não aceita essa fé baseada na própria justiça. Isso é abominação para Deus.

O desejo de melhorar para aceitar o amor de Deus é que criou as religiões, onde o homem faz as coisas para se religar a Deus. É desse desejo que nascem todas as disciplinas de santidade pessoal: promessas, romarias, jejuns, vigílias, não assistir tv, não entrar na internet, se tornar um monge ou eremita, etc. Tudo isso na motivação de ser ceito, ser reconhecido é abominável para Deus.

Por quê?

1) Porque você é pecador e nada pode mudar isso.
2) Porque Jesus morreu por você para que, como pecador que é, sendo assim mesmo, reconhecendo o seu estado, você pudesse ser aceito diante de Deus.
3) Porque ele já fez tudo o que era necessário para a reconciliação entre você e o Pai, e não restou NADA pra você fazer. Agora é só acreditar nisso/Nele.

CONFLITO 2: NÃO ME AMO, NINGUÉM ME AMA.

Ninguém poderá amar alguém como eu, se eu não me tornar melhor.

Por crer assim é que são criadas as máscaras, os papéis representados, o não saber dizer NÃO, o engolir sapos, o querer agradar todo mundo, as crises dentro de casa, a hipocrisia...

Como mudar isso? USE SUA FÉ DO TAMANHO DE UM GRÃO DE MOSTARDA.

Se você identificou com os tópicos anteriores então assuma que sua fé no amor de Deus é muito pequena. Esse entendimento não afasta você de Deus, porque Deus determinou que a fé pequenininha, do tamanho de um grão de mostarda é suficiente para Ele mudar a nossa vida.

Se você, de verdade, pelo menos tem uma pequenina fé no amor de Deus, e isso por causa de tudo o que falamos anteriormente, então ouça uma palavra, que creio, de Jesus para você:

"PROCURE USAR AO MÁXIMO A CONFIANÇA QUE TIVER EM MIM, MESMO QUE ELA SEJA PEQUENA."

COMO USAR?

1) ACEITE-SE COMO VOCÊ É.

Você tem que melhorar? Claro que sim, mas não para ser amado e reconhecido, por que você já o é assim mesmo, mas para ter uma vida melhor, e tornar a vida daqueles que vivem ao seu redor melhor também.

Ore ao Senhor dizendo as suas verdades (as que estão no seu coração), falando de como você se vê, e como você O vê, quais são as suas inseguranças quanto ao seu relacionamento com Ele.

A verdade nesse relacionamnto revolucionará todos os outros.

2) DUVIDE DA SUA DÚVIDA.

Se Deus é Todo Poderoso, Sábio e me Ama então posso acreditar que as coisas sempre serão boas para mim, mesmo quando forem ruins.

Posso acreditar qua nas coisas ruins que eu preciso passar, Deus que sabe que é importante essa fase pra mim, e que está permitindo que eu sofra, VAI SOFRER JUNTO COMIGO.

Posso acreditar que NUNCA estou sozinho.

Então, se as dúvidas acerca do amor de Deus vierem, e virão, duvide delas. Se as dúvidas são pensamentos, pense no amor de Deus, na sua sabedoria e no seu poder e considere o seu problema e a sua aflição com base nisso. E claro, coloque o máximo da sua confiança em Deus, mesmo que ela seja pequena.

Acho que você chegará num estágio de oração mais ou menos assim:

"Ah Pai, como dói essa situação que estou passando (e talvez chore um pouco), mas eu sei que o Senhor está passando comigo. Peço que me ajude a passar por esse tempo. Tanto eu como minha família (talvez chore mais um pouco)..."

Deixe o poder do amor de Deus, que vem pelo Espírito Santo, te console e te fortaleça, pois se você está chorando, lembre-se: Papai também está chorando!

Tem outros links sobre estes temas que poderão acrescentar mais entendimento a você:

- O JOGO ACABOU.
- A BÊNÇÃO DA DOR.
- VOCÊ CONFIA NO AMOR DE DEUS?

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

EU PRECISAVA OUVIR ISTO HOJE por Carlos Bregantim


Sempre que recebo uma " boa palavra ", seja pessoalmente, por telefone, emails, no msn, skipe, sms e/ou por todas as vias que hoje podem ser usadas para nos comunicarmos, digo: DEUS SABE PORQUE VOCÊ ESTÁ ME DIZENDO ISTO HOJE.

Quando digo isto, o que quero dizer é, EU PRECISAVA OUVIR ISTO HOJE, E DEUS TE USOU PARA ME DIZER.

Sempre que alguém me diz: DEUS FALOU COMIGO HOJE ATRAVÉS DE VOCÊ, sei que, de alguma forma, Deus me usou para dizer a estes o que era a necessidade da alma, do espírito e até mesmo do corpo destas pessoas.

Entre os que amam ao Senhor há esta sintonia. Não fosse a "espiritualização exagerada", digo, esta ânsia por transcender que nos acomete de quando em quando, certamente seriamos todos mais enriquecidos na mutualidade entre os irmãos.

A materialização dos chamados MANDAMENTOS RECIPROCOS, refiro-me aos "UNS AOS OUTROS" abundantes no texto bíblico, é onde a nossa fé ganha vitalidade horizontal.

"Uns aos outros" deve ser o cotidiano dos seguidores de Jesus. Esta pratica deve acontecer sem que seja necessário usar as tais palavras ungidas.

Não precisamos andar por ai dizendo: "EIS QUE TE DIGO", "EU PROFETIZO" "EU DECLARO", não, apenas precisamos cumprir o que nos é recomendado no que tange aos relacionamentos entre os seguidores de Jesus.

É um exercício saudável reler os MANDAMENTOS RECIPROCOS e re-coloca-los na dinâmica das nossas relações.

Desde o singelo e ao mesmo tempo profundo "AMAI-VOS UNS AOS OUTROS", até o "NÃO MINTAIS UNS AOS OUTROS," cada um destes MANDAMENTOS RECIPROCOS, podem tornar a vida mais digna de ser vivida.

É no exercicio destes dons que estão distribuídos na comunidade da fé, que acontecem curas, pastoreio, acolhimento, encorajamentos, que fazem parte do resultado do uso correto do que a nós foi concedido pela graça do Senhor.

Deus sabe porque estou escrevendo isto agora a você, bem como eu sei o quanto o que você me diz é da parte dEle para comigo.

Esta reciprocidade é a que acontece em nossos encontros. esta reciprocidade que desejamos que aconteça quando nos encontramos.

Este é um dos motivos de encorajarmos as conversas entre os irmãos e amigos que participam conosco no partir do pão e no repartir de vida.

A esperança é que, a partir dos nossos ENCONTROS COMUNITÁRIOS, sejam aos DOMINGOS ou outros dias, se desencadeie um processo de relacionamentos em que UNS AOS OUTROS, se cuidem.

Esta semana, fiquei com alguns nomes e feições em minha mente e coração. Pude, durante a semana, dizer de alguma forma a estes que DEUS SEMPRE TERMINA O QUE COMEÇA EM NÓS.

Estou lhe dizendo isto para encorajar você a participar de algum encontro onde haja este tipo de exercício de fé. Fé vertical ( você e Deus ) que desemboca na fé horizontal ( você e o outro ).

Carlos Bregantim é um dos mentores do Caminho da Graça
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Não Permita Que o Legalismo Mate Sua Alegria Pelo Ministério por Rick Warren


O antídoto para o legalismo é graça. Graça significa que não temos que merecer o amor de Deus ou seu sorriso. Deus está sempre sorrindo para nós.

Legalismo é um exterminador da alegria no ministério. Destrói a alegria natural que vem de servir os outros em ministério, como nunca vi nada igual. Já vi mais ministérios arruinados por causa do legalismo mais do que por qualquer outra coisa.

O que é legalismo? Legalismo acontece quando substituímos nosso relacionamento com Cristo pelas nossas regras e rituais. É uma armadilha sutil que tira o foco do que Deus fez por você e, vagarosamente, coloca o foco naquilo que você fez por Deus.

Em Filipenses 3, Paulo nos fala sem rodeios que experimentou o legalismo. Neste processo, ele mostra 5 formas diferentes em que incorreu como um legalista – formas que ainda persegue muitos em nossos dias.

Legalismo é colocar sua confiança em rituais. Paulo diz: “Fui circuncidado ao oitavo dia de acordo com a lei Judaica” (Fp 3.5a). Hoje, um cristão pode dizer: “Eu fui batizado”, “Sou membro da igreja” ou “Participo da Ceia do Senhor”. Tudo isso é bom, mas não ganha a aprovação de Deus.

Legalismo é colocar sua confiança na corrida. Paulo diz: “Pertencente ao povo de Israel, à tribo de Benjamim” (Fp 3.5b). Tenho o pedigree real. São como estas pessoas, hoje em dia, falando que tem um relacionamento com Deus porque o tio era um missionário ou a mãe é cristã. Não funciona desta forma. Todos têm que decidir, por conta própria, seguir Jesus.

Legalismo é colocar sua confiança em uma religião. Paulo diz: “Sou verdadeiro hebreu” (Fp 3.5c). Alguns cristãos, hoje em dia, falam a mesma coisa. Eles apontam para sua denominação quando perguntados sobre seu relacionamento com Deus. Quando chegarmos ao céu, Deus não perguntará de qual denominação somos – Ele nos perguntará qual foi nossa resposta a seu Filho, Jesus.

Legalismo é colocar sua confiança em regras. Paulo também diz: “Quanto à Lei, fariseu” (Fp 3.5d). Os fariseus eram a elite espiritual. Eles transformaram os Dez Mandamentos em 613! Dez não eram suficientes para eles. Eles não comiam nem um ovo que uma galinha botasse no sábado por causa do “trabalho” da galinha para botar. Eles não coçariam uma mordida de mosquito no sábado, porque consideravam isso trabalho. Por chamar a atenção sobre seu passado como fariseu, Paulo estava dizendo: “Você quer conversar sobre leis? Eu guardei as leis!”

Legalismo é colocar sua confiança na reputação. Finalmente, Paulo acrescenta: “Quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na Lei, irrepreensível” (Fp 3.6). Em outras palavras, Paulo estava dizendo que era um legalista superstar! Hoje, pode ser que nos gabamos sobre o número de pessoas que freqüentam nossas igrejas, por quanto tempo oramos ou por quantas pessoas levamos a Cristo na semana passada. O resultado final é o mesmo – isto não fará Deus ficar nem um pouco mais feliz conosco.

Não tem nada de errado com nada disso. O problema começa quando pensamos que isto nos dá “pontos” com Deus – mas não dão. Ele nos ama de forma incondicional. Se começar a confiar nestas coisas, você perderá a alegria e seu ministério desmoronará.

O antídoto para o legalismo é graça. Graça significa que não temos que merecer o amor de Deus ou seu sorriso. Deus está sempre sorrindo para nós. Por que mereço? De jeito nenhum. Por que guardo algumas leis e regulamentos? De jeito nenhum. É porque sou coberto pelo sangue de Jesus Cristo.

O problema para muitos de nós no ministério é que, sutilmente, mudamos nossa perspectiva do que Deus fez por nós para o que estamos fazendo para Deus no ministério. Isto é perigoso, muito perigoso. Deus não o amará nem mais e nem menos não importando como você o serve. O que você tira do serviço é alegria. Você não tem aprovação. Deus o aprova, mas não pelo que você faz. Ele o aprova pelo que Cristo já fez por você. Isto é graça.

A vida cristã não é um ritual e nem é sobre leis, é sobre relacionamento. Religião é baseada em desempenho, mas o Cristianismo é baseado em uma pessoa, Jesus Cristo. Nunca se esqueça disso ou seu ministério acabará. E você perderá a alegria. Nada é mais triste do que uma pessoa sarcástica no ministério.

Rick Warren - Igreja com Propósitos

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

DEUS USA A NOSSA DOR?

Você já ficou desempregado e alguém que sempre teve seu emprego, ou que nunca precisou trabalhar veio orar por você com um tom de guerra, profetizando um emprego e te dando sermões de vitória e de fé?

Também já aconteceu com você, de alguém que já ficou desempregado por um bom tempo, que já passou muitas dificuldades, ou que ainda está passando veio orar e falar com você?

Da mesma forma, você já esteve doente e alguém veio orar por você e o deixou com um sentimento pior do que se não estivesse orado? Porque aquela oração lhe trouxe mais um sentimento de culpa, de não ter fé, de vergonha do que de consolo e fortalecimento?

Também aconteceu de alguém vir orar com você quando estava doente e simplesmente encher seu coração de vida e amor? Talvez nem tenha orado direito, talvez só o olhar de compaixão e atenção o tenha consolado e o sentimento de cuidado ter envolvido a sua alma?

Será que você viu alguma diferença entre ambos? Será que há diferença entre eles?

Pois bem, eu já estive em todas as alternativas anteriores. Já fui o arrogante com sentimento de vitória, que estava por cima da "carne seca" cuja oração funcionava mais como exortação pela falta de fé do irmão do que oração de compaixão.

Mas também eu já estive desempregado e doente e logo depois, vendo outros amigos passando pelo mesmo problema, meu coração se enterneceu e orei de coração pela reabilitação deles.

EMPATIA E A DOR

Nessas duas últimas semanas fiquei muito mal, com gripe, e não só eu mais minha esposa e meu filho. Caramba, como foram difíceis esses dias. Dor no corpo inteiro, cabeça pesada, vontade de deitar, nariz escorrendo e olhos lacrimejantes.

Tive vontade de sair de reuniões de trabalho para ir deitar um pouco. Sofri nessas reuniões. Estava desesperado por ir embora e deitar.

Em casa vi meu filho e minha esposa ruins também e meu sentimento era de guardá-los, deixá-los descansar também, porque eu sabia o que eles estavam sentindo e me colocava no lugar deles.

Minha sogra, que teve derrame há dois anos atrás, normalmente vai para cama às 21 horas. Não a levamos antes que é pra ela não acordar muito cedo, e fazer todo mundo levantar da cama por causa dela. Pois bem, mas nesses dias, ela também ficou um pouquinho ruim, e quanado era 7 da noite, ela pediu pra ir pra cama, e como ela estava com cara de sofrimento, e eu tinha passado uma semana ruim, não tive dúvida: Coloca a veinha na cama. Acabe com o sofrimento dela.

JESUS EM NOSSO LUGAR

Hebreus 4:15 - " Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado."

Hebreus 7:25 - "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles."


Jesus sabe da nossa dor e por isso pode interceder por nós. Assim como alguém que nunca ficou desempregado, nunca precisou arrumar um emprego, sempre teve de tudo, não conseguirá entender a sua dor e se orar por você faltará o ingrediente que poderia "colar" essa oração em você, que é a empatia e compaixão, da mesma forma nossa confiança para com as pessoas que passaram pelo nosso sofrimento é maior.

Jesus sabe da nossa dor e por isso pode interceder por nós.

Certa vez eu estava num culto e senti como se Jesus estivesse na minha frente. Me ajoelhei instintivamente para adorá-lo quando vi que seus pés ainda estavam sangrando. Olhei para ele e lhe perguntei porque ainda sangravam as feridas? Senti como resposta: Meu povo ainda precisa de cura.

Pra mim, a questão da intercessão é de nunca esquecer de nossas feridas, mesmo as cicatrizadas. Elas nos tornam humanos, sensíveis, nos fazem compadecer das misérias desse mundo e nos colocam no caminho do amor.

Por isso a dor é muito importante para o que Deus quer fazer em toda a terra. A dor pode nos levar mais pra perto de Deus e das pessoas sim. Muito mais do que a prosperidade e saúde poderiam fazer.

É claro que não estou fazendo apologia à dor, defendendo que todos devamos ser pobres e doentes. Claro que não. O que estou dizendo é que não podemos esquecer da dor pela qual passamos, NUNCA!

Nossas cicatrizes existem para ajudar a curar os outros.

Quanto mais a ferida estiver aberta, mais sensível à dor dos outros poderemos estar.

Por que digo poderemos? Porque somos tão maus, tão podres, que a dor que deveria nos humanizar, nosso coração transforma em pedra para com Deus e consigo mesmo. Mas não vou tratar desse assunto aqui e agora. O assunto é a parte positiva, quando a dor produz intercessão.

DEIXE DEUS USAR A SUA DOR.

Imagine que tudo aquilo que você sente como dor, ou como desconforto físico ou emocional fosse usado para gerar uma intercessão verdadeira, de coração. E IMAGINE QUE TODO MUNDO FIZESSE A MESMA COISA?

Estaríamos fazendo intercessões e recebendo orações do mundo inteiro pelos nossos problemas também.

Como você se sentiria se soubesse que centenas de pessoas, que passaram pelo seu problema, e sabem como você se sente, estão orando por você nesse instante?

Então seria assim: Toda vez que eu sentisse dor de cabeça eu poderia orar pela minha dor de cabeça e por todos amigos e pessoas no mundo que estão com dor de cabeça naquele dia.

O que aconteceria? Seriam milhares, centenas de milhares de pessoas intercedendo umas pelas outras por causa da dor de cabeça.

E se você estivesse triste pela morte de algum parente ou amigo e orasse não só por você mas também por todos aqueles que tivessem tristes pela morte de algum ente querido?

E se você estivesse com um problema no trabalho, ou com seus filhos, ou no seu casamento, ou nos seus negócios, ou no seu ministério, ou na sua escola, ou espiritualmente...?

Na verdade nós poderíamos usar TODAS as coisas que acontecem na nossa vida para intercedermos pelas outras pessoas. E, se isso acontecesse, talvez a nossa vida inteira ficasse CHEIA de intercessões porque veríamos que por tudo podemos interceder.

Talvez esse seja o significado de VIVER SEMPRE PARA INTERCEDER POR ELES!

Creio que a intercessão feita com fé, mas recheada com emoções, tem muito mais sentido e verdade para nós e para as pessoas que oramos.

A dor, como a disciplina para nós nunca é boa, mas se ela existe, e, se Deus nos deixa passar por ela, talvez tenha um significado maior, relevante até.

Ah, mas e o diabo, perguntariam alguns, e a dor que ele traz, temos que ficar passivos quanto à isso?

Eu acho que se o diabo causasse alguma dor em mim, que Deus permitiu e isso me humanizasse, fazendo interceder por outros que em todo mundo passam pelo mesmo problema, a dor que ele me impingiu me tornou mais forte. Acontecria a mesma coisa que aconteceu com Jó, as suas aflições e provações o tornaram mais consciente de Deus: Antes eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora meus olhos te vêem (Jó 42:6).

Quanto à intercessão, se Jesus escolheu essa tarefa depois de ir ao céu e ficará nela até o final dos tempos, talvez seja algo muito importante, e que pudéssemos nos envolver nesse trabalho.

Que a sua dor, suas feridas e suas cicatrizes possam ser usadas por Deus para cura de muitos. E que seu coração seja enternecido ao invés de endurecido por ela. essa é minha oração por você!

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Achar uma boa igreja... que difícil!


Como está difícil hoje de frequentar uma boa igreja. Vou descrever a minha frustração e peço aos amigos que orem por mim.

A IDOLATRIA PERSONAL

Aqueles que estão no palco, chamado de altar, no púlpito viraram estrelas e receberam auréolas por parte do povo que fica sentando embaixo esperando que de cima venha orientação sobre como deverão adorar a Deus naquela reunião e o que devem falar um pro outro e pra Deus. Falamos coisas que os outros pensaram e sentiram, não o que estamos passando e pensando. E se o culto não foi "quente, animado" a culpa é dos líderes.

Essa idolatria, é claro, vem de baixo pra cima. Os espectadores do culto jogam pra cima dos seus líderes a expectativa de que eles tragam Deus para aquela reunião.

Eles também terceirizaram a comunhão diária com Deus, o evangelismo, a preocupação com os pobres, a ajuda a missões etc para os líderes.

Eles acham que seus líderes são mais santos que eles, que oram mais, que sabem mais da Bíblia, que evangelizam, que são melhores maridos, melhores pais, melhores em tudo. Não é por acaso que boa parte das mulheres da igreja se apaixonam por seus líderes e pastores. Resumindo, são homens de Deus.

Tudo isso, porém, é só fachada. E não é por dolo dos líderes, eles não fazem isso pra realmente enganar as pessoas, mas isso acontece com os membros das igrejas e os líderes aceitam essa reverência em nome de uma autoridade espitirual e o ciclo narcisista cresce dentro da igreja. Mas a decepção tem hora marcada.

A busca por estar em evidência no palco corrompe a simplicidade de servir e ministrar ao Senhor. Mas isso tudo acontece com conivência de todo mundo.

Fora isso temos os líderes que exercem com dolo a sua autoridade abusando das pessoas, obrigando-as a servirem-lhes e as oprimindo por se acharem donos dessas ovelhas. A autoridade vira autoritarismo e os membros ficam escravizados por medo de se rebelarem ou serem amaldiçoados se saírem daquela maldita igreja.

Em Limeira - SP, a igreja Cruzada é uma das maiores da cidade, é controlada por uma pastora que usa esses instrumentos de manipulação com sua membresia. E o povo é conivente com esse absurdo em nome de Jesus por causa da forte idolatria arraigada nos seus corações.

Veja mais sobre esse assunto no tópico: IDOLATRIA: Esse assunto é com você!

OS DÍZIMOS E OFERTAS

Meu Deus, é realmente constrangedor estar na maioria das igrejas evangélicas na hora de coleta de ofertas e dízimos. Os pregadores vão desde apelo emocional ao sentimento de culpa, desde o desejo de ser abençoado como a tentativa louca de não ser amaldiçoado.

E o uso desse dinheiro é cada vez menos mostrado.

Quando eu era pequeno, as igrejas mostravam um balancete de tudo o que entrava e tudo o que gastavam. Isso era deixado no mural de entrada. Hoje tudo fica só na confiança de que deu seu dinheiro pra Deus e o que vão fazer disso é problema dos pastores.

A PREGAÇÃO

É difícil achamos alguém que não pregue sobre prosperidade e sucesso. Mais difícil ainda é quem pregue sobre algo que seja contra sim mesmo ou que admita culpa ou responsabilidades.

Quando se prega arrependimento normalmente é para os outros, não para nós. E o arrependimento tem a ver com segundas e terceiras intenções, como de arrecadar mais dízimo e o de chamar mais gente pra igreja, entre outros exemplos.

Nas igrejas com células é difícil ouvir uma mensagem sobre Jesus. Sempre estão falando de multiplicação, de adição, de divisão... cuja mensagem deve ser martelada vez após vez, que falta espaço para outros temas e personagens.

É difícil acharmos igrejas que não falem sobre o diabo muito, muito, muito mais do que se fala em Jesus. e que se ora muito, muito, muito mais contra o diabo do que para Deus. Nessas o diabo tem destaque central. Se você ver um teatro nessa igreja notará que 90% da peça tem o diabo como ator pricipal e Jesus aparece somente no final da festa para delírio de todo mundo.

Também nessas igrejas o modelo de testemunho é o mesmo. Passam 1 hora e meia falando de como eram quando o diabo lhes comandava a vida e nos últimos cinco minutos do testemunho falam de Jesus. Nessas igrejas quanto pior é o melhor.

O CULTO

O culto na maioria das vezes é um show gospel onde as pessoas vão se apresentar. Em algumas igrejas tem grupo de dança, em outros teatro e por aí vai.

O culto sem sua direção, sua liturgia que todos sabem como vai funcionar e nenhum elemento, natural ou espiritual deve atrapalhar essa "santa" liturgia.

Nas igrejas de células muitas vezes temos a celebração dos irmãos que mais se destacaram nas suas células e redes e tudo isso baseado na motivação pela meritocracia. Tudo muito empresarial, tudo muito parecido com McDonalds.

A FREQUÊNCIA

Grupos de góticos, Emos, roqueiros, prostitutas, bêbados, homossexuais são pessoas indesejáveis nesses lugares. Eles distoam tanto que atrapalham a concentração a Deus.

Gente diferente nos cultos atrapalha tudo. As orações mudam, muda uma e outra música, e até a pregação muda.

É difícil não sentir o forte sentimento de preconceito e desprezo.

AS AMIZADES

Meu Deus, como são importantes as amizades. Mas como é complicado você ter amigos de outras igrejas, principalmente você sendo casado. Normalmente as pessoas tendem a se relacionar somente com o grupo em que participam, até pela quantidade de tempo.

Como são importantes a convivência com pessoas que participam da sua vida, que você pastoreia e é pastoreada por elas. Você se sente amado e pode amar.

O grande problema é que na maioria das igrejas esse amor é muito superficial e não resiste a uma saída de igreja, se você saiu, perdeu os amigos.

Mas como não sentir falta dos amigos e irmãos que sentam à sua mesa e você pode abrir seu coração? Pode abrir seus problemas e sentir o cuidado deles com seus filhos, com sua esposa, com seu casamento.

Isso não tem preço.

Por isso, acho que vale a pena nós fecharmos os olhos para algumas das coisas indigestas nas igrejas, e mesmo assim frequentá-las. Precisamos estar unidos aos irmãos e com eles ir além e granjearmos amigos nessess lugares.

Ficar sozinho é triste, e você pode fazer pouca coisa sozinho. Vários irmãos juntos podem multiplicar ações e produzir coisas mais relevantes.

Ah, como eu gostaria de poder reunir com vocês que acessam o meu blog e pudéssemos passar um dia conversando sobre nós e sobre as coisas de Deus e orarmos juntos!!!

Quem sabe poderíamos adorar a Deus juntos e até construirmos algo que fosse além dessa estrutura impessoal da internet.

Pois bem, eu tenho esse sonho e esse desejo. Se você é assim também, que tal criarmos uma lista ou um grupo onde possamos nos conhecer?

Sugiro este grupo do Google: http://groups.google.com/group/impacto-da-graca onde você poderá entrar, participar e poderemos nos conhecer também.

o link da nossa comunidade no orkut é http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=87868320

Gostaria realemnte de te conhecer.

Grande abraço

Domingo, 24 de Maio de 2009

A Angustiante Insatisfação de Ser Comum - por Clesio Pena


Existe um grande número de evangélicos que participaram de alguns movimentos espirituais genuínos no final da década de 70 e início dos anos 80. Naquela ocasião, havia um número considerável de grupos espalhados pelo Brasil que tinham uma seriedade muito intensa com o Senhor. Jovens entregavam-se por completo a Jesus. Parece que era um Jesus diferente do de hoje. Era o Senhor, o Todo, o Dono, Absoluto, Completo.

Na época, tínhamos certeza de que, num futuro próximo, o reino de Deus estaria bem ali, à nossa frente, palpável. Tínhamos convicção de que nossa vida não seria comum. Seríamos adultos diferentes, completamente entregues nas mãos do Senhor. O fluir do Espírito Santo seria transbordante tal qual as cataratas do Iguaçu. Éramos apaixonados por Deus de uma forma contagiosa. Nosso alvo de vida era viver na esperança de que Deus cumprisse sua obra. E a vontade de estar junto na edificação dessa obra tomava-nos por completo.

Sentíamos que algo sobrenatural estava prestes a acontecer e que seríamos, de alguma forma, incluídos nesse mover. A expectativa aumentava a cada encontro, a cada derramar do Espírito. E, por algum tempo, nossa participação naquele “fenômeno espiritual” ajudou outros irmãos que também estavam desabrochando no Senhor.

E o tempo, ah o tempo! Não olhávamos pela janela do trem (tempo) enquanto este viajava, soltava fumaça, mas não tocava aquele ‘piuí, piuí’, andando entre as pastagens silenciosamente. Então, já se passaram 20, 30 anos. Olhamos para trás e não acreditamos que aquela obra ainda não aconteceu. As cataratas (espirituais) não estão se derramando. E o pior, onde estamos dentro do mover? Qual é nossa participação? O que temos feito? Onde está aquele reino de Deus que parecia bem próximo, logo à nossa frente?

Uma angústia tremenda toma nosso coração (pelo menos, o meu) só em pensar que estamos fora do maior evento que está por vir. Qual é nosso papel, nossa função? Eu não poderei dar mais nada? Foi só aquilo mesmo de 30 anos atrás?

Minha vida parece tão comum. Não tenho realizado nada. Isso me consome a cada dia. Sou mais um dentre esses 6 bilhões de pessoas no planeta! Onde está minha tarefa no reino? Aquele plano no qual estaríamos inclusos e que mudaria a História? Meu Jesus, onde o Senhor se escondeu? O tempo não pára, e ainda não realizei, não vi o fenômeno acontecer. Minha vida tem sido em vão?

Esse grito desesperador de pessoas que tocaram na orla de Jesus alguns anos atrás tem aumentado. Encontramos pessoas que têm a mesma angústia interior, que desejam fazer diferença em sua geração, mas, por outro lado, se sentem deslocadas.

Na verdade, o sentimento é que fomos deixados de lado. Não fomos achados qualificados; por isso, nossa vida é tão comum. O sal está insípido. É um choro que queima, arde e não tem remédio. Não adianta participarmos de alguns eventos evangélicos. Queremos mais, muito mais. Vimos um trailer do filme que está por vir. Sentimos a brisa das cataratas. Não nos contentaremos com gotas. Queremos um fluir sobrenatural, um dilúvio espiritual.

Essa dor de sentir-se de fora, abandonado, ultrapassado, parece que piora quando vemos tantas propagandas de evangélicos mostrando o sucesso espiritual, as realizações, o crescimento. É triste dizer que muitos desses irmãos, que fazem parte do mesmo corpo de Cristo que nós, outrora tinham uma paixão por Jesus, tinham algo interior, uma mensagem real; hoje, embora tenham excelentes canais para comunicá-la (livros, rádio, TV), já não têm a mesma mensagem de antes. O marketing engarrafou aquela água das cataratas.

EU NÃO QUERO MERGULHAR NUMA GARRAFA, em algo fabricado, condicionado, com rótulos. Não. Eu vi o trailer.

A questão é: espero um pouco mais pelo fenômeno espiritual verdadeiro e genuíno ou tento produzir algo? Não aguento mais esperar. Ao mesmo tempo, nada posso produzir por mim mesmo (do contrário, resultaria em um fruto espiritual transgênico – meio humano, meio espiritual).

Caro amigo, não tenho respostas para essas questões, só tenho mesmo as perguntas, as inquietações, o desespero, o grito, a vontade de alistar-me novamente naquele esquadrão especial. As primaveras vêm e vão, e continuo sendo normal.

Eu não quero ser normal. Não fui chamado para isso. Muitos que tocaram na orla de Jesus durante a juventude estão, hoje, inquietos, soltando gritos, insatisfeitos espiritualmente. Para onde essa insatisfação nos levará? Até quando permaneceremos só insatisfeitos? Onde está nosso comandante com as ordens e nossa missão em suas mãos?

Jesus, filho de Davi, tem compaixão de nós!

Clésio Pena é farmacêutico e professor; reside em Araras, SP, com a esposa Rosied e seus três filhos.
Retirado da Revista Impacto - Link.

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

A paquistanesa que não se calou!


Mukhtar Mai, 28 anos, foi condenada por um crime que não cometeu, e pagou por isso ao ser estuprada coletivamente. Ao contrário da maioria das mulheres de seu país, que ao sofrerem essa violência cometem suicídio, ela resolveu falar. E assim deixou o mundo perplexo com seu ato de coragem e transformou o futuro de sua cidade

Violência
Em 22 de junho de 2002, Mukhtar Mai, pertencente à casta de camponeses Gujjar, no Paquistão, foi obrigada a pedir perdão por uma condenação feita pela tribo Mastoi, considerada superior a eles. O crime? O seu irmão Shakkur, de 12 anos, falou com Salma, uma mulher do clã Mastoi. Eles acusaram o garoto de ter ofendido Salma, que tem 27 anos, apenas por ter trocado algumas palavras... Após ser espancado pelo grupo, a polícia o prendeu - sob determinação da tribo. Então, a sua irmã foi escolhida pela família para pedir perdão aos Mastoi, por ser considerada uma mulher respeitável: ensina o Corão para as crianças, recebeu o divórcio do marido e não tem filhos. Ao chegar lá, porém, todos os homens estavam armados e sem nenhuma intenção de misericórdia. Eles a arrastaram até um estábulo e lá ela foi estuprada por quatro homens durante uma noite inteira.

O costume local
Mukhtar foi para o seu quarto aquele dia e ali permaneceu por semanas, pensando em suicídio. Depois de ter sido estuprada, o caminho que ela teria de seguir, segundo os costumes locais, seria cometer o suicídio. Só que as notícias que chegavam até ela eram mais revoltantes: seu irmão só foi solto após a sua família pagar fiança, e a tribo Mastoi ainda o ameaçava. Quando ela percebeu que o seu sofrimento tinha sido em vão, resolveu esquecer o suicídio, tão previsível.

A escolha pela vida
Mukhtar decidiu viver, para lutar por justiça e ajudar outras mulheres a terem uma vida mais digna. Apoiada pelos pais e fortalecida espiritualmente pelas lições do Alcorão, dizia: "Sou só a primeira gota d'água, mas a chuva virá. E muitas gotas de chuva acabam formando um grande rio."

Seu pai, ela, a mãe e quatro irmãos não sabiam ler, nem freqüentaram a escola. Porém, eram muçulmanos devotos, que rezavam cinco vezes ao dia. Mukhtar tinha uma mente privilegiada e conseguia memorizar trechos do Alcorão. Tranqüila, mansa no falar, essa mulher altiva de 1,70 metros de altura pensava, mantendo os profundos olhos negros voltados para baixo: "O Alcorão me protegerá."

A luta por Justiça

Chamada para depor na delegacia, ela foi induzida a deixar as suas impressões digitais em um papel em branco. Embora analfabeta, Mukhtar percebeu que ali seria colocado o depoimento que os policiais quisessem. E assim passou por vários depoimentos, sempre forçada pela polícia local a não dizer a verdade ao juiz. Mas ela conseguiu chegar até ele e falar tudo o que haviam feito, além de reconhecer os policiais que tentavam impedi-la de declarar a verdade. Após inúmeras audiências, o caso já havia repercutido em toda a imprensa.

A família
A família de Mukhtar Mai é da casta mais baixa dos gujar e vivia de escassos recursos dos campos de cana-de-açúcar e trigo. A casa era de barro e tinham somente poucas cabras e bois, uma vaca e um pedaço de terra. Não dispunham de luz elétrica, telefone, nem água corrente. Mukhtar casou-se aos 18 anos e não teve filhos. Um casamento arranjado. Ela não foi feliz. O divórcio era raro no Paquistão rural - a mulher era mal vista, mas os pais a apoiaram e em menos de um ano Mukhtar recebeu do marido o talaq (na lei islâmica, o repúdio do homem à mulher que a libertou oficialmente do casamento e a permitiu voltar para a casa da família em Mirvala.


O ensino que ela recebeu
Ghulam, pai de Mukhtar Mai, lhe ensinou a respeitar os mais velhos e a proibia de mentir. "Temos muito pouco, mas possuímos nossa honestidade", dizia à filha, o que fez com que ela desenvolvesse um forte senso de certo e errado.

A indenização
Por ordem do governo, a ministra federal para as mulheres, Attiva Inayatullah, deu-lhe um cheque de meio milhão de rupias, cerca de Us$ 8.200, (mais do que seu pai ganharia em décadas). Segundo a ministra, não era uma compensação, mas um pequeno símbolo de "nossa identificação" pelo sofrimento pelo qual Mukhtar passou. Mukhtar, que jamais havia visto um cheque, disse: "Não preciso de dinheiro. O que realmente preciso é de uma escola." Ela teve essa idéia ao perceber que a maioria de pessoas que com ela se solidarizavam eram educadas.

O dinheiro da indenização
Então, ela concordou em receber o cheque, desde que pudesse usar o dinheiro para a construção de uma escola para meninas. Determinada, comprou um terreno perto de casa e contratou trabalhadores para a construção de uma escola primária. Ela também ajudou, fazendo tijolos de barro e transportando para o local da obra. A Escola-Modelo para Meninas Mukhtar Mai tomou forma e abriu as portas em dezembro de 2002. O governo pavimentou a estrada e trouxe luz e telefone para Mirvala.

As alunas
Acompanhada de guarda-costas da polícia, foi de casa em casa pedir aos pais que enviassem as filhas para a nova escola. A tarefa não foi fácil, pois ouvia sempre a alegação: "Meninas não precisam aprender a ler"; ou: "Só os meninos precisam ser educados." Mukhtar se comprometeu, então, a mandar uma van para buscar cada menina.

A escola
A escola não tinha luxo. Em vez de cadeiras, as meninas se sentavam sobre sacos de aniagem. Mukhtar se sentava ao lado de algumas alunas, para também aprender a ler e escrever. Buscou mais recursos, vendeu seus brincos e uma vaca e quando a imprensa divulgou a história, chegaram muitas doações. Ela então contratou carpinteiros para fazer assentos e carteiras de madeira para as alunas. Foram instalados ventiladores no teto, tornando, assim, agradável o ambiente sufocante das aulas. Com saldo suficiente, abriu uma escola para meninos em Mirvala e outra para meninas numa aldeia próxima. E mais de 700 crianças de todas as castas (inclusive da casta mastoi) se misturavam livremente nas escolas.

Ajudando outras vítimas
A ação benemérita desta notável paquistanesa não parou por aí. Mulheres, algumas estupradas, outras mutiladas, outras espancadas, outras com cicatrizes horríveis no rosto - vítimas de ataques de ácido, ou sem nariz ou orelhas, punição para supostas adúlteras, procuravam Mukhtar. Foi então criada, ao lado da primeira escola, o Centro Mukhtar Mai de Assistência de Crise da Mulher, para o qual chegava, em média, diariamente, cinco vítimas, em busca de auxílio. Ninguém deixava de ser atendida.

O livro
Depois da repercussão que o caso teve na imprensa mundial, a jornalista Marie-Theres Cunny e Mukhtar Mai lançaram um livro, Desonrada, para contar essa história. O livro já foi traduzido para vários idiomas e lançado em muitos países, inclusive o Brasil.

Lançando sementes
Nós podemos ver nessa história é que, conforme escreveu o apóstolo Paulo, ”Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes.”Podemos aprender com Mukhtar Mai que qualquer uma pessoa, mesmo que seja analfabeta pode fazer a diferença no mundo plantando o Bem e denunciando a injustiça, e isso deve começar onde estivermos.

“Sinto-me como uma pequena planta que começa a crescer. Ainda precisamos ver os frutos. Mas, na vila onde moro, histórias como a minha não acontecem mais”.
Mukhtar Mai

Ordem de Melquisedeque
Eu me inclino diante do exemplo dessa mulher simples, a quem honro diante de todos porque, para mim, ela é serva do Deus Altíssimo, segundo a Ordem de Melquisedeque.


Bento Souto
bentosouto@caiofabio.com
http://www.caiofabio.com/2009/conteudo.asp?codigo=04762

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Que gripe... !!!

A maioria do pessoal em casa está meio adoentado. Orem por nós!

Domingo, 17 de Maio de 2009

Canção Óbvia por Paulo Freire


Escolhi a sombra desta árvore para
repousar do muito que farei,
enquanto esperarei por ti.
Quem espera na pura espera
vive um tempo de espera vã.
Por isto, enquanto te espero
trabalharei os campos e
conversarei com os homens
Suarei meu corpo, que o sol queimará;
minhas mãos ficarão calejadas;
meus pés aprenderão o mistério dos caminhos;
meus ouvidos ouvirão mais,
meus olhos verão o que antes não viam,
enquanto esperarei por ti.
Não te esperarei na pura espera
porque o meu tempo de espera é um
tempo de quefazer.
Desconfiarei daqueles que virão dizer-me,:
em voz baixa e precavidos:
É perigoso agir
É perigoso falar
É perigoso andar
É perigoso, esperar, na forma em que esperas,
porquê êsses recusam a alegria de tua chegada.
Desconfiarei também daqueles que virão dizer-me,
com palavras fáceis, que já chegaste,
porque êsses, ao anunciar-te ingênuamente ,
antes te denunciam.
Estarei preparando a tua chegada
como o jardineiro prepara o jardim
para a rosa que se abrirá na primavera.

Paulo Freire
Genève, Março 1971.
In: Freire, P. Pedagogia da Indignação. São Paulo: UNESP, 2000.

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Minha vida em Angola! por Jaqueline Moreira

Jaqueline é uma amiga, recém formada em Serviço Social, que ama a Deus e tem senso de missão. Agora ela está na Angola. Que Deus a abençoe!

23/04 – O dia inteiro foi despedindo-me dos meus amigos e família brasileira... Confesso que não foi nada fácil, chorei muito por deixar as pessoas que tanto amo, afinal sou humana, tenho coração e amo a todos.

Finalizei realmente minha mala, próximo de minha saída para a rodoviária de Americana, minha família me levou... As lágrimas expressaram todo meu sentimento de deixá-los para cumprir um sonho e uma missão.

Às 23h10, meu ônibus saiu rumo a minha última viagem brasileira, cidade maravilhosa.
24/04 - Cheguei ao Rio de Janeiro às 8h, meu amigo estava me esperando junto com o taxista, fomos direto para a casa dele, e saímos de imediato para pagar o aéreo.

Conheci as principais praias num ônibus, e me questionando por que não tinha ido antes... Até que encontrei um grande problema que deixou eu e meu amigo muito preocupado e com fome... Cada segundo era preciosíssimo... Meu cartão de crédito não passava de jeito nenhum... Tivemos que ir a minha agencia para sacar o valor, mas não foi possível porque, na correria, deixei meus documentos na mala, tivemos que voltar, mais 3 horas dentro do ônibus (ida e volta).

Conseguimos chegar ao banco, faltando 30 minutos para fechar, estava uma fila gigante, mas o atendente passou-me na frente porque já havia ido de manhã. Fomos direto a agencia, quando ela nos disse que o vôo sairia às 22h, eu e meu amigo não sabíamos se riamos ou chorávamos... Quanto nervosismo haviam os passados. Se fosse às 19h, conforme me falando por telefone, não iria dar tempo, teríamos mais 1h30 para chegar a casa... Não chegaria às 18 no aeroporto, muito menos na casa. Sendo assim, comemos nosso almoço às 16h10.

Chegamos à casa do meu amigo, às 18h40, tomei um banho de gato e fui para o taxi. Cheguei ao aeroporto 10 minutos atrasada do limite, ou seja, às 20h10, fui direto fazer meu check-in, e às 21h eu já estava dentro do avião, realizando mais um sonho.
Às 22h15, o vôo iniciou a viagem, que coisa maravilhosa e tranqüila estar nele, não senti nada, pelo contrário, melhor transporte que já andei. Pegamos turbulência sim, mas não é nada tenebroso. A janta que serviram estava maravilhosa...

24/04 – Às 4h, horário de Brasília, eu adiantei meu relógio no horário de Angola, ou seja, 8 horas. Antes serviram café da manhã maravilhoso.

Cheguei a Luanda às 9h, e já percebi a diferença: o clima é de muito calor, o céu é diferente, a paisagem não tem as mesmas cores do Brasil. Às 9h45 eu já estava esperando me buscarem... Foi uma sensação muito estranha, eu estar na saída parada com minhas malas e todos me olhando, todos que estavam esperando pessoas chegarem, ou seja, 98% angolanos. Logo apareceu um rosto conhecido que veio em minha direção, nos cumprimentamos e fomos para a caminhonete... Três angolanos nos acompanharam querendo nos ajudar, eu não sabia se estavam com o meu amigo ou não, uma vez que chegaram junto com ele e me deram a mão em cumprimento... Só percebi que não eram quando me pediram 50 dólares pela ajuda com as malas e de colocar e amarrá-las na caminhonete.

Dentro do carro, o Lucas me explicou algumas coisas diferentes que acontecem em Angola... Inclusive que viria muito carro grande... No caminho para casa, parou para eu conhecer o seminário salesiano, de frente fica a faculdade católica, a única em Angola que tem o curso de Serviço Social, porém não entrei, a fachada é bem diferente da nossa... No seminário conheci dos padres, mas não lembro seus respectivos nomes...

Voltamos para a estrada, esta é muito diferente do Brasil, no Brasil é raro quando encontramos pessoas vendendo coisas no trânsito ou semáforo... Aqui não, isso é normal, tem homens e mulheres, e se vende de tudo: desde água, sumo (suco), gasosa (guaraná), frutas, até carnes, roupas no cabide e, eletrodomésticos... As idades desses angolanos são variadas, desde criança a idosos...

No percurso eu quase não consegui falar, as palavras sumiram, não estava sentindo o meu coração, mas em momento algum me senti chocada, grande parte do que vi já havia passado na televisão... Só sei que até agora não sei qual o motivo das palavras não terem saído... Não conseguia acreditar que eu havia chego, que estou em outro país e principalmente, na tão pobre África... Ouvi várias vezes o Lucas me falar: - Isso aqui é África... Não fiquei sem falar com ele, apenas respondia o que me falava... É inexplicável... Talvez fosse o cansaço de praticamente ficar sem dormir durante duas noites (ônibus e avião).

Paramos num estabelecimento de um português comprar garrafas de água... Eu não desci, aproximou um menino aparentando três ou quatro anos de idade, e ficou sorrindo e me olhando pelo vidro da caminhonete e me disse a palavra brinquedo... Automaticamente lembrei-me dos muitos brinquedos que doamos para crianças brasileiras e de alguns que estão no banheiro da minha casa no Brasil...
Após seguimos para Kalakala, e ele continuou a fazer perguntas e relatar suas experiências... Que paisagens belíssimas da natureza, parece tudo perfeito, mas não é...

Chegamos a Kalakala quase 15h00, paramos para tirar uma foto minha no portal da fazenda... Ao chegar ao portão, tocou as primeiras buzinas e foi aparecendo os meninos, os educadores e voluntários... Cantaram algumas musicas, me senti totalmente anestesiada e sem palavras... Um menino dançou rapidamente e em minha frente alguns passos do Kuduro. Após as palavras do Lucas de apresentação, eu tive que dizer as minhas não me lembro de nada... Parecia que estava tendo mais um de meus sonhos com Angola...

Lembro de algumas carinhas assustadas, de algumas sorrindo, das boas-vindas da Carola (argentina), que ficou muito feliz por eu chegar, dividimos a mesma casa de banho (banheiro). Levou-me para conhecer a casa e depois meu quarto. Meu quarto tem ar condicionado, duas beliches, eu durmo em uma cama, sobra três para quem quiser me visitar... RS!

Ao deixar as malas no quarto, Lucas me chamou para ir conhecer o restante com quatro visitantes adolescentes de uma paróquia... Logo após, fomos para a sala, não conseguimos conectar a internet... Ficamos batendo papo e logo adormeci... Acordei e fui matar bicho (comer) e fui chamada por Carola para ir à missa na nossa capela. Todos participam da Santa Missa, aos sábados, eu me emocionei com o canto ao vivo dos meninos... E no final o padre (uruguaio) e nosso diretor espiritual me chamou para dar boas vindas...

Logo após a missa serviu o jantar, com oração no inicio e no fim, sentamos olhando para os meninos, conversei muito com o padre, mas não quis comer, caso contrário não comeria no churrasco à noite... Os meninos demoraram muito para se aproximar de mim, ao sairmos da capela alguns se reuniram próximo de minha foto e fui falar com eles, bem como no final da janta, mas me olham muito... Conversei com alguns, até que eu e Carola fomos para o quarto, conversamos muito, cada uma tomou seu banho e fomos para o churrasco no fundo de casa... Neste participou os voluntários e convidados, estava presente: Lucas, Paulo, Carola, Padre, Manuel e Pedro (portugueses) e um caseiro que mora na nossa fazenda.

O churrasco foi muito farto, conversaram e riram muito, eu mais observei do que falei... Não estranhei o arroz, mesmo tendo gosto diferente. O ruim é que a noite tem muito mosquito, tivemos que ficar na sala com as portas fechadas e o ar condicionado ligado.

Fui dormir muito tarde e muito feliz, posso dizer com toda certeza que minha primeira noite em Angola foi inesquecível!

26/04 – Meu Deus que domingo corrido, porém muito importante. Acordei no meu horário, nessa primeira semana será assim, não preciso seguir o relógio da casa. Os meninos e voluntários acordam às 6 horas, mata bicho é servido às 6h30. Acordei às 8h. Lucas disse para eu conhecer a enfermaria, Lucas e Paulo estavam fazendo curativo em uma senhora que caiu na aldeia... Não tive coragem de olhar, talvez eu tenha que ajudá-los nessas questões... Precisarei de muita coragem e força de Deus, uma vez que não me sentia bem com essas questões, mas minha mente e meu coração estão abertos para tudo e sei que eles precisam de mim...

Logo, eu e Carola saímos com Lucas para buscar pomada para um senhor com lepra na aldeia, conheci duas irmãs salesianas de Uruguai, extremamente simpáticas.
Na estrada contemplei a bela natureza de Angola, como também alguns lugares bem precários... mas tudo isso aqui é África.

Recebi minha primeira visita em minha casa angolana, grande amigo Simão veio me visitar, juntos fomos com o Lucas conhecer as aldeias, e levar o Corpo de Cristo para dois homens doentes. No caminho encontramos pessoas que nos pediram boleio (carona), fiquei admirada quando vi uma cena que só via em filmes – mães com seu filho nas costas, mais calões com 20, 40 kilos de águas levando na cabeça, ou senhoras bem idosas fazendo um grande percurso... Lotamos nossa caminhote com elas e de galões...

Passamos e paramos em três aldeias, novamente vivenciei cenas de filmes, meu Deus quanta criança sem nada para fazer, todas sujas, com poucas roupas, barrigudas, vivendo na miséria extremas... Graças a Deus não me senti mal e sim feliz por Deus ter me dado essa oportunidade de fazer a diferença na vida dessas famílias... Fui o centro das atenções das crianças, mas foram pouquíssimas que se aproximaram.

É importante relatar que as mulheres angolanas trabalham muito mais que seu marido, e passam seus dias sentados na frente de seus barracos, muito piores que de uma favela brasileira, e infelizmente, muito sujo... Porém, o povo é muito alegre e todos querem nos cumprimentar... O Lucas é muito querido por eles, gritam seu nome para dar tchau.

À tarde, realmente foi uma grande experiência de vida, mas acima de tudo espiritual, pensei em diversas pessoas brasileiras que necessitavam estar comigo para refletirmos que o pouco que temos é muito perto dessas famílias que vivem dia após dia sem nenhuma perspectiva de melhoria, vivem assim não porque querem e sim por não terem oportunidade de mudanças e seus antepassados assim viveram.

Foi uma felicidade muito grande visitar duas “casas” e levar Jesus Cristo para eles e vivenciar a felicidade em recebê-Lo com a fé e esperança de serem curados.

Na última aldeia, Lucas fez rapidamente uma dança com as crianças, meu Deus, apareceu muita criança do nada, acho que tinham umas 50 ao redor dele, todas felizes, cantando, dançando e batendo palmas, eu tive que segurar a emoção porque o coração bateu forte, queria estar lá no meio, queria também tirar sorrisos e principalmente, tirá-las da monotonia cotidiana. Mas terei que amadurecer nesse sentido, a cultura angola das aldeias é bem diferente de minha cultura. Porém é necessário fazer algo com a esperança que um dia mudaram.

Fiquei muito feliz quando o Lucas me disse que irei trabalhar com as famílias das aldeias, principalmente quando a criança estiver faltando muito das aulas, irei analisar o motivo e tentarei fazer com que ela permaneça. Sei que será um desafio muito grande porque os pais não estudaram e não conseguem exigir que o filho estude, para eles é cômodo ter o filho na aldeia, esses filhos jamais dão trabalho, principalmente quando estão doentes, não há nada para ser feito... E nós, principalmente, eu com os professores iremos fazer algo para esses filhos não sofrer tanto quando estiverem enfermos, e tentaremos de tudo para que ele não venha a óbito...

Voltamos para Kalakala no inicio da noite, fiz todo o percurso calada, com mil coisas passando em meu coração, pena que não sei como explicar para vocês, é só estando aqui para sentir e vivenciar, mas a felicidade jamais some, que bom que Deus me deu essa graça de fazer a diferença na vida de quem realmente necessita.

Fomos jantar os meninos ainda me olham com tímidos e com vergonha de se aproximarem. Mas é normal, sou uma pessoa nova e muito diferente deles.

Fui dormir sem hora certa para acordar, isso durante a semana inteira porque é minha semana de adaptação, mas às 6h acordei com o barulho dos meninos, meu Deus quanta falação... Eles falam muito rápido e quase não dá para eu entender! Continuo mais observando do que falando! Porém, voltei a dormir!

26/04 – Foi um dia extremamente tranquilo, não sai de Kalakala, aproveitei para me aproximar dos meninos, está dando certo. De manhã o Lucas me levou para conhecer três salas de aulas com as crianças das aldeias, que lindas, porém tinha duas que estavam dormindo na carteira, o Lucas encaminhou-as para o nosso enfermeiro fazer análise.

Após o almoço, observei os meninos internos fazerem limpeza em seus quartos, eles dividem um quarto com mais três, alguns estavam limpando os pátrios, é uma forma de incentivarmos a limpeza porque eles não tiveram esse costume com seus familiares.
Na janta, um menino pediu para falar comigo em particular, e lá fomos nós sentarmos ao ar livre, queria dizer que gostou muito de mim, eu sorri, e meus olhos nadaram em lágrimas, tive que contê-las, meu Deus, ainda não fiz nada para ele gostar de mim, apenas estou observando-os... Quanta falta de amor e de atenção... Conversei rapidamente com ele porque logo fiquei rodeada de meninos, todos me fazem perguntas ao mesmo tempo e fico perdida porque não entendo algumas e não dá para responder todos ao mesmo tempo...

Às 21h todos nós nos reunimos com os meninos na capela para rezarmos e darmos feliz noite.

À noite, infelizmente o sono não veio, fiquei até tarde conversando com o Lucas e Paulo, um contando para o outro histórias vividas no Brasil, até que o Paulo quis ir deitar, e todos nós fomos, mesmo assim demorei muito para dormir, deve ser devido ao fuso horário, afinal são de 4 horas, mas só no horário de dormir porque com o horário da refeição já está certo e me habituei.

28/04 – Hoje acordei com Lucas batendo em minha porta, era 9h40, estava louca para tomar um banho, mas infelizmente fiquei sem porque acabou nossa água...
Hoje foi um dia estressante, muito calor e fiquei muito tempo sem ter nada para fazer, procurei mais não tinha, portanto fiquei boa parte do dia sentada na sala lendo um manual internacional dos missionários salesianos.

Ah, na hora do almoço com os meninos tive que comer uma comida típica de Angola, em especial das aldeias, chama-se Funji/Fungi (não sei como escreve), é parecida com a polenta dura brasileira, porém sem nenhum tempero, até mesmo sal, o Lucas disse que se colocar tempero os meninos não comem, e todos ficaram me olhando para ver meu rosto ao comê-la... Com a graça de Deus e muito molho da carne eu consegui comer... E comerei novamente.

Na janta foi servido arroz e a mesma carne, comi pouco porque Lucas fez rosquinhas de coco (igual de minha mãe, ambos lembramos-nos de nossas mamas) e já sabia que iria fazer lanche para nós. Todas as noites temos que comer com eles, nem se for um pouquinho, mas temos, é impressionante a quantidade de comida que eles comem e repetem, Lucas me explicou que no começo alguns deles chegaram a desmaiar de tanto comer... Alguns meninos continuam com vergonha de mim, até disseram ao Lucas que não repetem porque eu estou olhando para eles, não tem como não olhá-los, sentamos de frente para todos.

Lembrei-me de uma coisa, muitos meninos me chamam de irmã Jaqueline ou irmã Jaquí (com acento no í).

Infelizmente tentei conectar a internet para mandar e-mails, mas novamente não consegui, queira Deus que amanhã de para enviar este.
Nesses quatro dias em Angola, posso dizer que estou muito bem e feliz, estou sendo tratada bem por todos e quero começar logo a trabalhar... Graças a Deus em nossa geladeira não falta nada, porém senti falta do nosso pão francês, aqui em Angola ainda não encontramos somente pão caseiro, que é comprado...

Peço a Deus por nossa saúde, que ela esteja em equilíbrio e que todo mal não chegue até nós. Amém!

Domingo, 10 de Maio de 2009

POR QUE PREGAR O EVANGELHO?...

Pregar o Evangelho é meu privilégio, mas não é o encurralamento de Deus!
O mandamento para pregar ao mundo é parte da Graça divina de fazer dos homens Seus cooperadores no semear o bem na Terra, mas não é porque sem o homem e sua boa disposição Deus não tenha como se comunicar com quem Ele bem deseje.

Pregar não é um mandamento para anjos, mas para homens. No entanto, quando os homens não pregam, os anjos pregam.

Sim, se os homens não pregam o Evangelho, tudo o mais prega... A Natureza prega, os rios pregam, as árvores pregam, os jumentos pregam, as mulas pregam, as pedras pregam...

“Por toda a terra se faz ouvir a Sua voz”.

Sim, nesta manhã de 10 de maio de 2009 Deus está falando...

Está falando nas montanhas distantes do Tibet. Está falando nas ilhas perdidas do Pacifico. Está falando nas tribos silenciosas da África. Está falando com índios puros... Está falando com prostitutas que se deram como pão ao diabo a noite toda...

Está falando até com crentes...

Sim, Ele fala por toda a terra...

Fala por sonhos, pela consciência, pela memória de um tempo bom, pela recordação de bons conselhos, pela cogitação do bem gerado pelo Espírito Santo, pela sabedoria silenciosa que Ele derrama sobre todos, pelo olhar simples de um filho, pela lágrima da mãe, pelo esforço amoroso de um pai, pela solidariedade de um samaritano anônimo, pela estrela que diz algo ao mago distante, pelo cicio suave que fala à viúva que ela não está só...; ou, como quase sempre, Ele fala no silencio, no intimo, como segredos de um Pai que a pessoa nem sabe que tem.

Ah, como são presunçosos e arrogantes os que pensam que se não forem Deus não terá como ir!...

Deus é! Deus está!...

Eu é que tenho o privilégio de me engajar na aventura de Deus de contar aos homens sobre o Seu amor!

Sim, pois, quando assim faço, o maior beneficiado sempre sou eu, antes mesmo de ser aquele que me dê ouvidos.

E mais:

Para mim pregar não é uma obrigação. Não! Jamais! Pregar é minha alegria, é minha impossibilidade, é minha paixão, é meu vício santificado, é minha vida, é meu sentido, é minha razão de ser.

Não pregar para mim seria como amar minha mulher sem fazer amor com ela; seria como crer que amo e nunca confessar; seria como ser apaixonado e me esconder do amor; seria como saber da vida e não contar nada a ninguém; seria como ver e a ninguém esclarecer sobre o caminho...

Há muitas motivações para pregar...

Muitos pregam para ficar famosos, para terem uma posição fácil, para arrecadarem sem esforço, para suscitarem inveja em outros, ou mesmo por mera disputa de poder e crescimento...

Outros pregam por se considerarem incompetentes para fazerem qualquer outra coisa... Então, por exclusão, sentem-se chamado pela incompetência para o “ministério da Palavra”.

Entretanto, quando alguém prega apenas por amor, esse logo notará que quanto mais pregue, mais a pregação forjará caráter nele mesmo. Ou seja: pregar com amor trás a Palavra para dentro da gente, na forma de caráter e de conteúdo natural do ser.

Portanto, pregue para o bem de todos, mas, sobretudo, para o seu próprio bem.

Entretanto, saiba:

Se você não for, as pedras rolarão..., e dirão a todos os que necessitem aquilo que os homens pedrados se negam a falar com amor.

Ó Espírito Santo! Derrama o amor de Deus sobre os homens no dia de Hoje!

Nele, que fala de Si mesmo a todos os homens,

Caio

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Sobreviva e ganhe depois - Elie Horn


O "mito" se transformou em homem de carne e osso. O empresário Elie Horn, presidente e controlador da Cyrela Brazil Realty, a maior incorporadora de imóveis do país entrou numa das salas de reunião da sede da empresa para conceder sua primeira entrevista a um jornalista brasileiro.

Aos 64 anos de idade, 46 deles a frente de sua companhia, Horn forjou ao longo da carreira a fama de empreendedor arguto e discreto. Aproveitou como ninguém o recente boom imobiliário brasileiro e a onda de aberturas de capital. Com o IPO da Cyrela, em 2005, levantou 900 milhões de reais e ingressou no reduzido grupo de bilionários brasileiros. Praticante fervoroso do judaísmo, Horn sempre evitou qualquer exposição pública - em grande medida porque os ensinamentos religiosos pregam a humildade.

Em sua primeira entrevista a imprensa brasileira, Elie Horn, dono da Cyrela, fala sobre como encara a crise e o que é possível aprender com ela.

Que tipo de executivo o senhor gosta de ter trabalhando ao seu redor?
Primeiro tem de ser honesto. Depois tem de ter boa índole e ser trabalhador. 0 mais importante e o caráter. A inteligência vem depois. E tem que vestir a camisa da empresa.

0 senhor é muito religioso. Como essa característica se manifesta na condução dos negócios?
Deus cria seres diferentes, com credos diferentes, para cada um, no fim chegar a Ele a sua maneira. Acredito em Deus e na missão humana. Qual a minha missão nesta Terra? Primeiro, fazer o bem. Grande parte do meu patrimônio, não vou dizer quanto, irá para a caridade. Meu pai doou tudo o que tinha. Com isso dá um significado ao trabalho. Eu posso transformar o produto do trabalho em dinheiro a depois usar o dinheiro para ajudar pessoas menos favorecidas. 0 dinheiro pode ser santificado quando ajuda a salvar pessoas.

Mas em alguns momentos o lado empresário e o lado religioso devem entrar em conflito...
Não. Estamos aqui com a missão de ligar o espiritual ao material. Na hora em que você ganhou um tostão e esse tostão ajuda a salvar uma criança, você santificou e dignificou o dinheiro fruto de seu trabalho. Nessa hora, tudo o que parece ser egoísta deixa de ser.



Reportagem de Cristiane Correa - Leia todo a entrevista na Revista Exame 25/03/09.

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

O “CRISTIANISMO” COMO O PIOR ADVERSÁRIO DO EVANGELHO...


O fato simples é que sem religião, Jesus é quase irresistível, quando exposto em Sua nudez de simplicidade.

Disse “quase irresistível” porque existem os que odeiam o bem e o bom.

Entretanto, na maioria das vezes, em qualquer lugar e cultura, a mera apresentação de Jesus, sem doutrinações, sem vínculos culturais, sem adereços e penduricalhos, o torna insuportavelmente desejável.

Infelizmente, salvo pequenos spots de total ignorância acerca da existência do “Cristianismo” [que é o maior dificultador de Jesus na Terra], Jesus não mais chega sem ter sido precedido pelo anti-testemunho do Evangelho feito pelo “Cristianismo” e sua história de morte, perseguições, corrupção e perversão do Evangelho.

Se a humanidade tivesse uma amnésia total acerca do “Cristianismo”, e Jesus, somente Ele, fosse pregado na simplicidade com a qual Ele mesmo anunciou o Evangelho, então, creia: uma explosão aconteceria.

O “Cristianismo”, todavia, inviabilizou o Evangelho como testemunho universal!

Assim, é a Religião dos Cristãos o poder mais cria antagonismo ao Evangelho entre os homens.

Os Judeus já teriam outra atitude frente ao Evangelho não fosse o Cristianismo.

O mesmo se pode dizer dos Islâmicos...

O mesmo se pode dizer dos Hindus e Budistas...; e de todos os demais grupos históricos importantes.

Os cultos Africanos caso não tivessem sido demonizados pelo “Cristianismo” das formas culturais, e pela impaciência religiosa do “crsistãos”, também não fariam resistência, assim como em geral os índios, quando apenas expostos ao Evangelho, não o rejeitam, antes abraçam Jesus como um menino abraça um amigo.

O “Cristianismo”, no entanto, historicamente, desfigurou Jesus de tal modo que Ele se tornou desprezível em muitos lugares, e não é por maldade humana, mas apenas pela impossibilidade de aceitar o estupro do pacote “cristão sem o espírito de Jesus”.

Desse modo, historicamente, até hoje, o pior inimigo de Jesus e do Evangelho na Terra foi o “Cristianismo”.

Sim, historicamente, quanto mais expansão do “Cristianismo”, mais dificuldades para o Evangelho de Jesus no mundo.

Quem conhece um mínimo que seja dos vasos comunicantes da História, sabe que não exagero nada.

Nele, que é Deus, e, portanto, nada tem a ver com o “Cristianismo”, assim como nada tem a ver com Religião, mas apenas com Vida e Amor,


Caio

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

COM A MORTE DO “PAI CRISTIANISMO”, DEUS ESTÁ ÓRFÃO?


Neste início de século há entre os cristãos uma crescente agonia. A tão propalada Era Pós-Cristã, já há algum tempo presente em localidades da Terra, hoje é uma realidade global, mesmo nos lugares onde as mais diversas formas de Cristianismo ainda são fortes como religião.

A questão é que o Cristianismo não acabará, mas apenas perderá seu poder histórico, já desde há muito usado e abusado, sempre se servindo do nome de Deus a fim de fazer as coisas conforme as ambições dos homens exercendo o poder de tornar as coisas de seu interesse em ordem divina ou em Direito Canônico.

Na realidade o Cristianismo já nasceu sob o signo da perversão. Ele não foi fundado por Jesus, que não era idiota, pois era Deus, e, portanto, jamais fundaria uma religião.

O Cristianismo é criação humana do pior tipo, fruto da mistura frankensteiniana feita no laboratório dos interesses políticos terrenos do Dr. Constantino, no quarto século.

Aliás, o nome dessa religião atribuída a Jesus deveria ser “Cristantinianismo”, pois seria muito mais próximo tanto da motivação original do Imperador Romano, como também seria um nome muito mais digno e sincero para designar os interesses que de fato o Cristianismo representou na Terra nos últimos 1700 anos; ou seja: desde que nasceu no leito palaciano de Constantino, mas nunca na manjedoura de Belém.

O Cristianismo acabou por virar uma besta de muitas cabeças e chifres, onde Jesus não é e nunca foi o Cabeça. Isto porque se Deus criou o Cristianismo Histórico e o patrocinou todos esses anos, então, creiam-me, o diabo pede licença para apresentar sua alternativa: o anticristo, o qual, não poderia nascer senão nos ambientes da manjedoura de Constantino.

Enquanto isso os cristãos discutem o que fazer. Uma nova mensagem. Uma reavaliação do conceito de “Deus”. Uma releitura do Evangelho. Um novo Deus. Uma nova espiritualidade. Novos paradigmas. Novos etcs...

Tudo para salvar aquilo pelo que Jesus não morreu!

Sim, porque Jesus não deu a Sua vida para criar o Cristianismo. Jesus não morreu para salvar nenhuma religião da Terra, nem mesmo aquela que tomou Abraão como “pai”.

Jesus é Senhor e Salvador de todos os homens, não dos filhos do Cristianismo.

Se Deus tem algum interesse em religião, então, certamente, de duas, uma: ou Ele, em tendo tais estranhos interesses (próprios da mais medíocre finitude), escolheria outra religião para representá-Lo na Terra, o que seria muito estranho (e, para mim, razão de total descrença acerca desse “Deus”); ou, então, Ele não é Ele, mas apenas uma fabricação humana, e, nesse aspecto, não haveria em minha alma qualquer estimulo a adorá-Lo.

E o Deus Verdadeiro sabe que falo sério!

De fato, ao contrário do que parece, a salvação da verdadeira fé está justamente no desaparecimento do Cristianismo como Potestade na Terra!

Enquanto o Cristianismo Histórico for o guardião da crença cristã, não haverá lugar para Jesus na “hospedaria” desse reino feito de pequenos Herodes, os quais amam tanto o seu próprio poder, que nem mesmo Jesus desperta mais interesse neles.

É por esta razão que os cristãos-de-herodes haverão de ficar perplexos ao verem que gente que segue estrelas com sinceridade chega ao lugar da adoração Dele com muito mais rapidez do que os que discutem o “livro santo” e não tiram a bunda do lugar a fim de irem também adorar.

Enquanto a Terra geme e se contorce, vivendo seus piores dias, os cristãos discutem se Deus muda, se sente ciúmes, se volta atrás, se se esvaziou de vez e não sabe mais voltar, se depende de nós o entendê-Lo e explicá-Lo aos habitantes do mundo, se o Cristianismo chegou ao fim, se se deve lutar pela sua preservação, e um monte de outros “ses” a mais.

“Ri-se deles o Senhor!” — diz a Escritura acerca da triste ironia de Deus, embora, na intimidade, o que se diga seja apenas: “Jesus chorou”.

Ah, amigos! Não me chamem para discutir nada. Não há nada a ser discutido. Há apenas muita coisa a ser crida e vivida, não criada e discutida.

Sim, tem que ser criado, pois os criados obedecem!

Entretanto... Há um Evangelho eterno para pregar, segundo o Apocalipse, e, quem brada pelo meio do céu anunciando tal hora é um anjo que já voa pelos ares invisíveis do planeta, clamando: “Temei a Deus e dai-lhe glória! A Ele que criou os céus, a terra, o mar, e as fontes das águas”.

Ora, a esse anjo desejo unir a minha voz, sem discutir a mensagem, sem teologizar suas palavras, sem perguntar onde, sem querer saber de nada...

Quero apenas gritar junto com o anjo!

Não há tempo a perder!

Olho as discussões teológicas que me enviam pela Internet e choro com a perda de tempo e energia. Isto enquanto a Terra acaba e a civilização humana corre sérios riscos...

Sim, somos como os egoístas do Titanic, capazes de brigar e matar enquanto o navio inteiro afunda.

Que tristeza! Nem mesmo o fim do mundo tem o poder de acabar com nossa enraizada babaquice!

De fato, seguindo Tiago, eu diria que quem quer que deseje uma religião, não tem que discuti-la, mas apenas praticá-la de modo simples, o que, para o apóstolo, significava visitar os órfãos e as viúvas em suas necessidades e acolher os mais fracos. Ora, nos nossos dias, além disso, certamente Tiago incluiria “preservar a Terra e toda a criação de Deus”, conforme João o faz no Apocalipse, ao dizer que o juízo do Cordeiro virá sobre os que destroem a Terra e escravizam almas humanas.

Mas não! Os caras querem é preservar “Deus”, o “Cristianismo Histórico”, as “sãs doutrinas” dos “sãos” e um monte de outras coisas.

Sim, o Grande Órfão da religião deles é Deus, o qual, sem cuidados e sem redefinições de Sua “identidade”, fica perdido no cosmos sem saber o Seu santo lugar.

Assim, os teólogos cristãos criam e afofam um leito para esse novo Deus repousar enquanto eles decidem Sua crise de identidade, a qual não é dos teólogos — todos mais do que conscientes de quem são —, mas sim desse pobre e combalido Deus, o qual tem sido mantido vivo pela respiração boca-a-boca que Seus médicos-teólogos fazem em Seu Santo Corpo-Conceito.

Já está tudo consumado, em todas as coisas, mas os caras ainda querem acrescentar novos valores a Deus. Coisas que nem mesmo Deus conhecia.

Deus É! E quem mexer nisso está brincando com um fogo que a tudo extingue! Portanto, cuidado!

De saco cheio de tanto tempo perdido e de tanta bobagem discutida,

Caio

Domingo, 3 de Maio de 2009

COMO O CAMINHO DO EVANGELHO VIROU CRISTIANISMO


O que será que Jesus tinha em mente quando disse aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder?

Esperava Ele que após o derramar do Espírito eles ficassem Jerusalém? Que ali fizessem uma base? Que o lugar se tornasse um centro de decisões? Que ficassem e tentassem converter o judaísmo à fé de Jesus? Que buscassem tornar fariseus em discípulos fariseus? E fazer sacerdotes saduceus (a classe sacerdotal) tornarem-se discípulos sacerdotes? Será que Ele desejava que dali para frente o que quer que acontecesse em qualquer lugar tivesse que ser referendado pelo poder dos discípulos de Jerusalém? E que toda e qualquer expressão dos novos discípulos, de outros lugares, tivesse que ter o carimbo de autenticação feito no cartório de Jerusalém?

Paulo vai até eles, “aos de Jerusalém”, apenas duas vezes. Na primeira, vai constrangido pela bobagem dos motivos da ida, mas vai assim mesmo, buscando paz e a diminuição da opressão que ele mesmo sentia na pele, sendo sempre perseguido ou por fariseus em “missão” no estrangeiro, ou por cristãos judaizantes. Assim, em Jerusalém, Paulo consegue uma carta com algumas concessões para os cristãos gentios. Para Paulo era apenas uma tentativa de diminuir o conflito, mas, certamente, era uma carta básica demais para as alturas de entendimento pelas quais o espírito de Paulo já planava ao sabor do vento da Graça. Na segunda vez que lá esteve também fez de tudo para acalmar os “líderes de Jerusalém”, e até se submeteu a um “voto”, e raspou a cabeça, e foi fazer orações no templo, até que foi apanhado pelas autoridades judaicas que se deixaram levar pelas provocações de judaizantes que encontraram a Paulo na cidade, e que já o perseguiam desde há muito; e, assim, alegraram-se com a possibilidade de matar aquele piolho contra as paredes pedradas de Jerusalém.

Paulo acabou preso, tendo que se defender sozinho, sem contar com uma única voz apostólica a seu favor, e sem nenhuma aparente ação de Tiago — o líder de Jerusalém — ou de seus seguidores; e foi deixado à sorte e aos humores dos judeus.

Para mim, o desconforto de Paulo com a igreja de Jerusalém — e a ação deles em relação a Paulo — bem expressa o que ele cria que não deveria ter acontecido jamais. Paulo queria ver seus compatriotas convertidos e crendo em Jesus, mas não desejava que a fé tivesse um centro físico de decisões, um vaticano, que, efetivamente, foi aquilo no que a incipiente igreja de Jerusalém desejou fazer de si mesma: um centro de decisões para os demais cristãos.

Ora, a ordem de Jesus era para que se pregasse também em Jerusalém, mas que de lá se fosse pela judéia, por Samaria, e até aos confins da terra. Eles, todavia, ficaram, ficaram, e ficaram em Jerusalém. E de lá só começaram a sair quando da perseguição de Estevão, tempos depois. E logo retornaram; e logo lá se re-estabeleceram, a ponto de Tiago se orgulhar, dizendo a Paulo: “Vê, irmão, quanto milhares de milhares há entre nós que crêem, e são todos zelosos da lei”. O que para Tiago era uma alegria e uma vitória da fé, para Paulo, era, todavia, uma derrocada.

É insistente a rejeição de Paulo com relação ao papel cartorial e papal que a igreja de Jerusalém evocava para si mesma. O centro do poder!

Esta é uma demonstração simples de como o “poder do Espírito” — “permanecei na cidade até que do alto sejais revestidos de poder!” — pode, rapidamente, se transformar em poder político-religioso, mesmo que o argumento seja tão supostamente nobre quanto dizer: “É para regular a fé”.

Eu comecei fazendo a seguinte pergunta: O que será que Jesus tinha em mente quando disse aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder?

Na minha opinião, Ele esperava que tudo quanto Ele havia dito antes acerca de como se deveria proceder, de cidade em cidade, fosse, agora, não mais “treinado”, como antes Ele os fizera experimentar — Mateus e Lucas narram esse eventos preparatórios —, mas sim, que agora, tudo aquilo fosse vivido como uma ação continua, num fluxo ininterrupto, num vai-e-vem constante, e como um poder que nunca tivesse um trono, nem uma cidade santa, nem um vaticano, nem um centro de poder.

Tudo o que Jesus queria era que os discípulos continuassem discípulos e que os apóstolos fossem os servos de todos. sem haver nem alguém maior, e, muito menos, um lugar mais santo, ou um centro de poder.

Eu vejo Paulo sendo acusado de ter criado o cristianismo. Que terrível acusação!

Não, não acusem Paulo disso. Pode-se dizer que dele vieram as elaborações e as conclusões “teológicas” acerca do significado daquilo que entre eles havia acontecido como fato histórico, mas que não tinha ainda tido sua síntese reflexiva e aplicativa feita por ninguém antes. Os apóstolos pregavam a salvação no nome de Jesus, mas não sabiam das implicações mais profundas da fé, e nem tampouco acerca da desconstrução religiosa que tal fé, sendo discernida, provocaria.

Acusem sim os “pais da igreja” e seus “mestres” de haverem feito doutrinas sobre as afirmações de Paulo, e de terem usado suas revelações acerca do “mistério antes oculto, agora, porém, revelado de uma vez por todas”, em um pacote de doutrinas que vieram a moldar o pensar do cristianismo, embora a prática religiosa posterior dos cristãos seja tão-somente filha do casamento da igreja de Jerusalém com as autoridades do templo, e com os legalismos dos fariseus “convertidos à fé”. A isso, posteriormente, se fez sincretismo, incorporando noções dos cultos de mistério dos gregos, abrindo-se também para as influências gnósticas, e adotando o método grego — mais precisamente o Aristotélico — a fim de ser o “modo científico” da igreja pensar e fazer teologia e suas filhas: as doutrinas.

Jesus não havia dito apenas “fiquem”. Mas sim “fiquem até que sejais revestidos de poder”.

Jesus esperava que o poder do Espírito os fizesse sair em desassombro pelo mundo, pregando a Palavra da Boa Nova, ensinando singelamente os discípulos a serem de Jesus em suas próprias casas e culturas. Desse modo, se teria sempre um movimento hebreu, crescente, progressivo, livre, levado pelo vento, guiado pelo Espírito, e completamente semelhante ao que eles haviam vivido com Jesus durante o Caminho, naqueles três anos de estrada que construíram o Evangelho ao ar livre, nas praias da Galiléia, nos desertos da Judéia, nas passagens por Samaria, nas terras de Decápolis, e nas regiões onde os cachorrinhos, debaixo da mesa, aguardavam as migalhas que poderiam saciar a fome de toda a Terra.

Alguém, com razão, diria que tal projeto não seria possível, visto que ninguém consegue viver sem um centro de poder. Entretanto, parece que ainda não se discerniu que o convite de Jesus é contrário a toda lógica de poder, e não propõe nada que não seja Hoje, e que não obriga a ninguém a pavimentar o futuro de Deus na Terra mediante a construção de algo duradouro.

Para Jesus o algo duradouro era justamente aquilo que não se poderia pegar, nem fixar, nem pontuar, nem ser objeto de vistas turísticas, dada a sua impermanência num chão marcado pelas urinas dos mandões. Ele esperava que os discípulos fossem como o Mestre, e que aqueles anos de Caminho não ficassem cristalizados nas páginas dos registros dos evangelhos, mas que se tornassem um modo de ser de seus discípulos.

Jesus não era pragmático. Se o fosse, teria logo se mudado para Roma, ou teria aceitado o convite dos gregos, conforme João 12. Se Jesus fosse pragmático jamais teríamos o Evangelho. Isso porque o Evangelho propõe o Caminho Inviável, e que só se faz possível quando os homens são capazes de esquecer todas as suas formas de controle e poder.

O poder dos discípulos, paradoxalmente, está em não ter poder. E o convite para que se morra a fim de que se tenha vida é também valido para a igreja, que, ao contrário do discípulo, quer mandar na vida, e controlar os homens e o mundo. Assim, pretendendo salvar a sua vida neste mundo, a igreja não só perde a sua própria vida, mas deixa de ganhar o mundo.

O que Jesus queria era uma multidão de seres-sal-e-luz se espalhando pela Terra e se diluindo em sabores e luzes que só seriam sentidos mas não pontuados, jamais se tornando uma Salina ou uma Usina de luz cristã a ser visitadas pelos curiosos.

O reino é como o fermento escondido...até que pervade toda a massa da humanidade...sem ninguém saber como...e sem que ninguém possa dar glória a mais ninguém, senão ao Pai que está nos céus.

Aliás, a proposta de Jesus é tão pouco pragmática que a vontade de aparecer não pode resisti-la. O sal, por exemplo, foi usado por Jesus como metáfora desse desaparecimento da igreja na terra. Tudo ao que Ele associa a metáfora do sal é ao sabor, e nada mais. O sal tem que ter sabor, se não já não presta para nada. E para que o sal salgue e dê sabor, de fato, ele tem que se dissolver nos elementos que recebem o seu benefício. O sal só salga quando morre como sal visível e se torna apenas gosto, presença, realidade, inescusável benefício, embora ninguém possa dizer onde ele está, podendo apenas dizer: “Ele está na panela. Mas onde?”

Já a Luz do mundo —vós sois!— deveria ser a ação contínua da bondade e da misericórdia, de modo completamente discreto, porém pleno de efetividade, de tal modo que os “de fora” é que ao receberem os benefícios da luz, discirnam-na como boas obras, e, assim, eles mesmos agradeçam a Deus pelos filhos da misericórdia que Ele espalhou pela Terra.

O que Jesus propõe como simplicidade total, entretanto, logo deu lugar às complexidades regimentais e aos centros de poder. Mesmo dizendo “tal não é entre vós” — referindo-se ao poder de governar dos reis e autoridades —, o que se criou desde bem logo foi aquilo que era comum, não o que era completamente incomum.

“O meu reino, agora, não é deste mundo” os fez pensar que aquele “agora” já havia passado, e que, “agora”, eles estavam livres para facilitar as coisas, ou seja: para torná-las complexas, conforme os governos da terra, deixando de lado a leveza do caminho e o verdadeiro espírito hebreu —andarilho, cruzador de fronteiras—, que havia sido também encarnado em Jesus.

O que estou dizendo? Que nada valeu a pena? É claro que não! O que estou dizendo é que o mundo ainda não acabou, e que a cada nova geração os discípulos de Jesus têm, outra vez, a chance de viver o Evangelho, simples e puro, leve e livre, dissolvido em sabores sentidos, mas sem sede física de poder, sem qualquer mandão entre nós; e que a luz do mundo pode ainda brilhar no mundo, não como uma ação da igreja, mas como fruto da bondade justa e misericordiosa de cada discípulo que não queira ser um “agente da igreja”, mas apenas um filho do amor de Deus solto nesta terra.

“E não nos reuniremos mais?” — é a pergunta angustiada de alguns.

É claro que nos reuniremos sempre. Mas tais encontros não visariam centralizar as forças e organizar as ações de poder, mas apenas renovar as alegrias da fé e da esperança, fortalecer o amor e devolver as pessoas à vida com a simplicidade do sal e da luz. Ou seja, com sabor e boas obras.

Eu sei que pareço louco para alguns. Não nasci ontem. Conheço os mecanismos de poder dos quais a “igreja” se alimenta. E também sei que apenas um punhado mínimo de pessoas tem a coragem que o Evangelho do reino demanda, que é a coragem para abrir mão do poder para liderar pela simplicidade, sem trono a nos acolher em honras.

Quem, no entanto, tiver tal coragem da simplicidade, esse conhecerá o significado de ser discípulo de Jesus no reino deste mundo, e que é o poder que nasce da fraqueza — que, aliás, é o único poder que Jesus quer ver sendo vivido pelos Seus discípulos.

Minha esperança é que pelo menos alguns poucos entendam e creiam.

Caio

Sábado, 2 de Maio de 2009

O CRISTIANISMO COMEÇA A CAIR NA AMÉRICA…


Quando bin Laden derrubou as duas torres, de fato derrubava não apenas o que caía em Nova York, mas, também, muitas estruturas invisíveis, feitas de crenças, muitas delas religiosas.

Osama bin Laden fez cair fogo dos céus sobre a América! — pelo menos é assim que muita gente no mundo vê o que aconteceu e os desdobramentos que se seguiram.

O link http://news.aol.com:80/article/religion-in-amerca-survey/374444 [em inglês] mostra o crescente e súbito declínio da religião na América do Norte.

São antigos cristãos deixando as crenças ou apenas o clube religioso: a paróquia, o templo ou a “igreja”.

No entanto, como o que fazia tais pessoas se sentirem religiosas era a freqüência aos cultos e a importância que davam ao grupo do qual fizessem parte, então, agora que perderam toda a fé na “Instituição”, o que sobra é o que sempre foi e apenas a pessoa não sabia: fé nenhuma; ou, ainda: nenhuma religião na vida.

Na Europa o fenômeno já é antigo. A Novidade agora é a América. Aqui pela América Latina, ou mesmo na África, a tendência é que não aconteça tão cedo, pois, o grau de superstição é muito grande.

Na América, na prática, nada muda; exceto a arrecadação das igrejas e a freqüência aos templos, pois, para a vida, tal fato faz pouca diferença, especialmente porque a maioria era de religiosos nominais, com pouco engajamento.

Enquanto isto o Islã é a religião que mais cresce no mundo.

O Islã está para o mundo assim como a Universal está para o Brasil: quanto mais brutais, fanáticos e ostensivos, mas crescem.

As religiões orientais também estão crescendo, especialmente entre os mais sutis e politicamente corretos.

O Islã cresce porque é a alternativa religiosa, militante e engajada contra o sistema que levou a Terra ao colapso: o Cristianismo Ocidental.

O Islã é como o Vale Tudo no início, quando valia tudo, em comparação ao Cristianismo Ocidental, que, se comprado a um estilo de luta, seria como meninas jogando Capoeira: lindo, mas elas não podem nem pensar em encarar os fatos da luta real...

Entre os cristãos religiosos do mundo, os mais firmes, os que menos gente haverão de perder, certamente serão os Ortodoxos: Gregos e Russos.

Na América do Norte, entretanto, além do desgaste dos católicos com os casos de Pedofilia e a tentativa de inicialmente diminuírem as implicações para o Clero, foi o que de imediato mais pesou no êxodo atual, pois, há 20 anos que os católicos estavam crescendo muito nos Estados Unidos, inclusive com muitos evangélicos indo para lá.

Entre os Protestantes e suas variações de cabeça de hidra, os que mais sofrerão certamente serão os Históricos e os Pentecostais.

Os Históricos por sua total irrelevância à vida; sempre apenas repetindo as últimas máximas e axiomas das filosofias ou ciências da moda. São apenas sacristãos de cientistas ou de filósofos. Quando não o sejam, então, sobra-lhes o papel fiel e zumbificado de guardiões do Legado de Calvino e de Lutero. Ou seja: São fiéis donos de Casas Funerárias.

Os Pentecostais diminuirão também porque a nova geração na acredita mais nas mágicas tolas que enganavam os seus pais. Os Benny Himns de hoje são melhores... e não fazem os truques em nome de Jesus, pois, são mais honestos. Dizem que é mágica ou sugestão mesmo. Além disso, os escândalos incessantes envolvendo dinheiro e tudo mais que se queira, acabou com toda boa fé entre muitos antes fiéis contribuintes.

Agora, com o inicio da falência da Religião Cristã como Poder e Potestade Espiritual, é que chega, outra vez, depois de 1700 anos, uma nova chance à fé simples e ao testemunho de formiguinha, boca a boca, levando as pessoas ao encontro de Deus, não da “igreja”.

Agora ou se vive e se prega o Evangelho de Jesus e somente Dele, ou, então, já não se terá mais o pretexto antigo de convidar alguém para o lugar onde Deus assiste: a “igreja”; especialmente nas horas de reunião com Deus, aos domingos de preferência.

Aqui no site venho falando disso faz anos!

Há um monte de alusões a tal fato no corpo de muitos textos. Quem desejar ler pode pesquisar.

Os discípulos, no entanto, não têm com que se preocupar, pois, logo o mundo estará tão sem “o Deus cristão” e tão alienado, que, pregar, será outra vez como foi para os que primeiro testemunharam Jesus entre os gregos e os romanos no passado.

Eu prefiro pregar para alienados e ignorantes do que para gente cristã anestesiada e cínica!

A tendência é o surgimento de uma população na América cada vez menos religiosa, e, para alguns, no máximo mais preocupada com espiritualidade. E é nessa esteira que as filosofias e religiões orientais vão fazer a festa.

Aqui no Brasil, no dia em que o Islã fizer uma investida braba, vai levar logo todo o movimento do tráfico de drogas para o front. Estão prontos um para o outro!

Sim! Existe há anos um Brasil preparado para a brutalidade do Islã. Quando chegar vai levar...

Na África o fenômeno Islâmico já um fato crescente e aparentemente inarredável.

O mundo está ganhando outra cara.

Inegavelmente trata-se de um tempo novo, não necessariamente melhor, mas indubitavelmente novo.

O que vem aí é uma Nova Era.

Mas quem anda com Jesus sabe que Ele estará conosco até a consumação de todas as Eras.

Nele, que está sempre conosco,

Caio

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

DEVO DAR O DIZIMO E ONDE? por Caio Fabio

A idéia de que o “dizimo” é devido à “igreja” é uma tentativa de fazer do mero ajuntamento cristão algo pesado, legal, estatal, religioso, como era o “Templo de Jerusalém”.

No entanto, essa perversão não aconteceu desde o princípio. Os primeiros discípulos contribuíam, primeiro, para ajudarem-se uns aos outros (“...a família da fé...”; como diz Paulo); e, depois, a fim de criar meios e fundos a fim de ajudarem no sustento dos que vivem apenas para pregar e ensinar a Palavra.

Se você ler II Co 8 e 9 você entenderá qual era o espírito mediante o qual as ofertas em dinheiro eram feitas no ajuntamento dos primeiros discípulos.

Jesus disse aos judeus que eles deveriam dar o dízimo de seus bens e alimentos (era assim que era feito no Templo; e, descobertas arqueológicas feitas nas ruínas da casa de Caifás, o sumo sacerdote, revela como eram medidos e coletados esses “dízimos”), mas sem esquecer que a verdadeira lei de Deus é feita de justiça, misericórdia e verdade.

No entanto, já foi a perversão da fé original, desfigurando-se naquilo que chamamos de “Religião Cristã” ou de “Igreja”, o que evocou para si esse papel oficial de “Novo Templo” de Deus na Terra.

Ou seja: para o “Cristianismo” e para a “Igreja” a representação legal de Deus na Terra agora tem neles sua oficialidade. Todavia, essa é uma perversão que fundiu a idéia do Templo como lugar de oficialidade e poder (“chapa branca” de Deus no mundo), mais a oficialidade política e religiosa que os romanos, via Constantino, criaram.

Assim, “os evangélicos”, por exemplo, brigam pela “igreja” como detentora do “poder fiscal de recolhimento os impostos de Deus”, sem saber que tanto a interpretação legal de Malaquias não cabe nessa nova dispensação da consciência na Graça, conforme o Evangelho; como também não sabem que estão ainda vivendo sob os auspícios da Lei e não da Graça; visto que se colocaram sob o comando de algo que foi instituído para a “igreja” quando ela foi deixando de ser apenas Igreja, conforme a leveza do Evangelho; e conforme o poder que Constantino instituiu, chamando-o de “Cristianismo”.

Esta é a razão pela qual o texto de Malaquias 3, sobre os dízimos, ser o favorito da “igreja” nas questões de contribuições financeiras. Sim, ele supostamente se transfere para a “igreja”, a qual, tendo CGC e Estatuto, vira o “Banco do Dinheiro de Deus”; e o pastor, líder, apostolo, bispo, ou seja lá o que for..., torna-se o “Dono do Banco”; ou, na melhor das hipóteses, no caso de uma gestão menos centrada num homem, então surge o “Conselho Bancário”, que faz gestão do dinheiro de Deus na “igreja”. Ora, eles dizem que se o dinheiro de Deus não passar por eles, tal dinheiro não serve a nenhuma causa divina; não sendo, portanto, segundo eles, “abençoado”.

Tudo engano e manipulação!

O que não percebemos é que o N.T. não se utiliza de Malaquias 3 como Lei da Graça quando se trata de dinheiro. Como já disse, o texto de Malaquias fala do Templo-Estado. A Igreja não é assim!

Ao escolhermos, seletivamente, Malaquias como o Santo das Contribuições, sem o sabermos, estamos dizendo quatro coisas:

1) Nosso desejo de que a Igreja esteja para a sociedade assim como o Templo-Estado estava para a população de Israel.

2) Nossa seletividade arbitrária quanto a determinar o que, da Lei, nos é conveniente.

3) Nossa incapacidade de ver que Malaquias 3 tem sua atualização na Graça em II Co 8 e 9. E sem maldiçoes; evocando a alegria, não o medo.

4) Nossa ênfase na idéia de que aquele que não contribui é ladrão, põe aqueles que “cobram” no papel de sacerdotes-fiscais dos negócios de Deus na Terra.


Em Atos 5: 1-11, diz-se que dá quem deseja! Dar sem desejar, ou dar mentindo, gera morte, não vida!

Ananias e Safira foram exemplarmente disciplinados pela Liberdade que nasce da Verdade; e não a fim de gerar medo legalista na Igreja. Eles morreram por terem traído a Graça de dar ou não dar; de ser ou não. Eram livres para não dar; e, assim, não para mentir ao Espírito Santo!

Dar não os tornaria “maiores”! Não dar não os tornaria “menores”! Mentir a Deus, todavia, os destruiria! Porém, dar com alegria, abriria para eles um mundo de riquezas interiores e de retornos de bênçãos que são apenas o fruto da própria semeadura feita como generosidade na forma de dinheiro ou bens.

Deus ama a quem dá com alegria!

O que passar disso é "negócio" feito em nome de Deus e que se alimenta da culpa que se põe sobre os ombros ignorantes de quem não sabe que em Cristo tudo já está Consumado!

Portanto, não há barganhas a fazer!

Todavia, como eu disse ao “Jovem Honesto”, o dizimo é parte de todo culto racional e grato. Sua base, todavia, não é a Lei, mas sim a Lei da Graça, da gratidão, da alegria, do reconhecimento do amor e da providencia, do desejo de contribuir para ajudar outros, e, sobretudo, como manifestação de culto a Deus, no qual a alegria grata oferece como culto aquilo que é um “deus” na terra: o dinheiro!

Para mim, dar o dízimo, além de ser tudo o que há pouco lhe disse, é também um ato de vindicação da soberania de Deus sobre nossa existência. O dinheiro é uma Potestade espiritual. Foi a única realidade que Jesus usou para apresentar como um “deus” competindo pelo amor dos homens. Por isso Jesus chamou o dinheiro (Mamon) de “senhor”; e disse que ninguém poderia servir a Deus e às riquezas. Desse modo, quando alguém dá pelo menos 10% do que ganha, tal pessoa está confessando sua gratidão, sua confiança na Provisão, e, também, sua libertação em relação ao poder que os bens tendem a exercer sobre toda alma humana, reclamando um papel divino e de obediência e serviço, como faz todo senhor espiritual.

O interessante é que Jesus não atribuiu esse poder ao diabo, mas o atribuiu ao dinheiro.

Na Graça de Deus o dizimo é assim: filho da Lei da Graça, pois, é fruto da gratidão alegre; e não é uma obrigação legal. Todavia, mesmo não sendo uma obrigação legal, é, entretanto, um principio espiritual, o qual carrega em si as bênçãos que correspondem ao significado de um ser um humano ofertar suas posses a Deus, através de bens e serviços aos homens; e fazendo isto com alegria, conforme a Lei da Graça acerca desse assunto, a qual pode ser lida em II Coríntios 8-9.

Quanto a sua questão, digo-lhe o seguinte:

1o Minha prioridade nas minhas contribuições é dar para causas que divulguem o Evangelho como ele é, com pureza de propósitos e conteúdos. Isso pode ser numa “igreja”, pode ser numa missão séria, pode ser a alguém que carregue sozinho o compromisso de fazer algo importante e sério, mas que não conta com ajuda suficiente.


2o Além disso, ajudo pessoas em necessidade; ou, simplesmente, obedeço o impulso interior na alegria que nasce da possibilidade de ajudar alguém que está em necessidade. “Quem dá ao pobre, a Deus empresta”, diz o Provérbio.


3o Também faço isso sem deixar de me comprometer com aquelas coisas, causas, ou meios mediante os quais minha vida é enriquecida espiritualmente. Aliás, Paulo diz que aquele que recebe benefícios espirituais deve fazer beneficiário, com bens materiais, aquele que sobre ele ministra riquezas da Graça; seja como apoio, palavra, ensino ou atenção espiritual.


No entanto, eu nunca brinco com dinheiro, pois sei que ele é uma Potestade. O lugar mais seguro e útil para o dinheiro, portanto, é sendo usado como parte do culto racional e grato; mediante cujo gesto consciente a gente declara o Senhorio de Cristo sobre Mamon em nossa vida.

“Dar”, não só é espiritualmente melhor do que receber; mas também carrega em si o principio da vida: a vida é um permanente dar.

Além disso, Jesus disse que o ato livre, amoroso, carinhoso, responsável e devocional do “doar”, abre comportas espirituais de bem em nosso favor.

Ou seja: o ato de dar gere uma sincronia de nosso ser com as forças invisíveis e poderosas da generosidade.

Por isso, é que Ele disse que o ‘retorno’ do ‘dar’ em alegria é desproporcional; posto que você semeia um dízimo de seu ganho, ou, para sua felicidade, até mais que o dízimo; e, como resultado, abrem-se galerias invisíveis de uma graça que sempre se manifesta em favor dos generosos.

Assim, eu não do o dízimo por causa de Malaquias, nem tampouco com medo de ser “ladrão”, ou de ser vitimado pelo “devorador”. Todas essas coisas morreram com Jesus na Cruz. Nele todos os devoradores foram despojados na Cruz.

Todavia, não dando por medo, dou, entretanto, em razão da gratidão e da alegria da Graça em mim.

Portanto, nunca darei uma única oferta se minha motivação for medo (pois, desse modo, o que eu faço de nada vale; sem amor nada aproveita para mim).

Entretanto, não é porque não temo o devorador que deixarei agora de doar.

Não! Eu dôo por amor; e por saber que nada é meu; e por crer que tudo o que me vem às mãos, pagas as responsabilidades da vida, o mais deve ganhar significação espiritual filiada à gratidão e ao amor solidário e responsável.

Escolha causas que promovem o Evangelho e abençoam vidas e contribua com alegria; posto que isto é agradável a Deus.

Jesus disse que até mesmo o “administrador infiel” (Lc 16) pôde fazer bom uso do dinheiro que um dia ele havia ganho com esperteza e até desonestidade. Sim, Jesus recomendou que esse dinheiro seja usado para que se faça “amizades espirituais”, as quais, pela gratidão, sempre haverão de nos socorrer na hora da necessidade.

O “administrador infiel” foi “elogiado pelo Senhor” porque apostou em capitais imponderáveis (gratidão semeada na alma de outros), e não no dinheiro. Sim, ele preferiu ficar sem nada, mas semear a bondade e a gratidão, do que guardar o dinheiro e não contar a gratidão de ninguém nem na terra e nem no céu.

De fato, há um livreto meu chamado “Uma Graça que Poucos Desejam”, o qual eu pedirei que para seja posto aqui no site para se possa “baixar” de graça, para todos; posto que creio que o que escrevi em 1986 é hoje mais essencial que seja compreendido do jamais antes, desde que foi escrito. É sóclicar e ler ( http://www.caiofabio.com/2009/conteudo.asp?codigo=03194 )

Espero que tenha ajudado você!

Caio

Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

O Curador Ferido Henri Nouwen


Henri Nouwen explorou este tema com profundidade e sensibilidade em sua obra clássica O curador ferido. Ele conta a história de um rabino que perguntou ao profeta Elias quando o Messias viria. Elias respondeu que o rabino deveria perguntar diretamente ao Messias, e que o encontraria sentado nos portões da cidade. — Como saberei que é ele? — perguntou o rabino. Elias respondeu: — Ele está sentado entre os pobres, coberto de feridas. Os outros desatam todas as suas feridas ao mesmo tempo e, então, as atam novamente. Mas, o Messias desata uma por vez e as reata novamente, dizendo para si mesmo: "Talvez eu seja necessário. Se assim for, devo sempre estar pronto de forma a não me demorar nem por um momento".

O Servo sofredor de Isaías reconhece suas feridas, mostra-as e disponibiliza-as para a comunidade como um meio de cura.

O curador ferido conclui que a graça e a cura são transmitidas por meio da vulnerabilidade de homens e mulheres que foram atropelados pela vida e tiveram o coração rasgado.

A serviço do Amor, apenas os soldados feridos podem se alistar.


Os Alcoólicos Anônimos são uma comunidade de curadores feridos. O psiquiatra James Knight escreveu:

Estas pessoas tiveram a vida exposta e pressionada até a beira da destruição pelo alcoolismo e pelos problemas que o acompanham. Quando essas pessoas ressurgem das cinzas do fogo do inferno, que é a escravidão do vício, têm uma compreensão, uma sensibilidade e uma disposição para entrar e se manter em encontros curadores com seus companheiros alcoólatras. Nesse encontro não podem, nem se permitirão, esquecer sua transgressão e vulnerabilidade. Suas feridas são reconhecidas, aceitas e mantidas à vista. Além disso, elas são usadas para iluminar e estabilizar suas vidas enquanto trabalham para trazer a cura da sobriedade a seus irmãos e irmãs alcoólatras e, às vezes, a filhos e filhas. A eficácia dos membros do AA no cuidado e tratamento de seus companheiros alcoólatras é uma das histórias de maior sucesso de nosso tempo e ilustra, vividamente, o poder das feridas quando usadas, produtivamente, para aliviar o fardo de dor e sofrimento.

Retirado do livro:
O Impostor que habita em mim
Brennam Manning

Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

O anjo em Betesda


Deus não apenas perdoa e esquece nossos atos vergonhosos, mas transforma até mesmo a escuridão em luz. Todas as coisas cooperam, juntamente, para o bem daqueles que amam a Deus, "até mesmo", acrescentou Santo Agostinho, "nossos pecados".

A peça, de um único ato, baseada em João 5:1-4, The angel that troubled the waters, de Thornton Wilder, dramatiza o poder de cura do tanque de Betesda sempre que um anjo agitava-lhe as águas. Um médico vem periodicamente ao tanque, esperando ser o primeiro da fila e ansiando ser curado de sua melancolia. O anjo finalmente aparece, mas impede o médico quando está prestes a entrar na água. O anjo manda o médico se afastar, pois esse momento não é para ele. O médico implora por ajuda numa voz entrecortada, mas o anjo insiste que a cura não está destinada a ele.

O diálogo continua, e então chega a palavra profética do anjo: "Sem suas feridas, onde estaria seu poder? E sua melancolia que faz sua voz baixa estremecer dentro do coração de homens e mulheres. Nem mesmo os próprios anjos conseguem convencer os filhos miseráveis e desajeitados na terra como consegue um ser humano quebrado pelas rodas do viver. A serviço do Amor, apenas soldados feridos podem se alistar. Médico, afaste-se".

Depois disso, o primeiro homem que entra no tanque é curado, regozija-se com sua boa sorte e, virando-se para o médico, diz: "Por favor, venha comigo. Estamos apenas a uma hora de casa. Meu filho está perdido em pensamentos obscuros. Eu não o entendo, e só você conseguiu melhorar-lhe o humor. Somente uma hora... Há também minha filha: desde que o filho dela morreu, fica sentada na sombra. Não nos ouvirá, mas ouvirá você".


Os cristãos que permanecem no esconderijo continuam vivendo a mentira. Negamos a realidade de nosso pecado. Numa tentativa fútil de apagar o passado, privamos a comunidade do dom de curar que temos. Se encobrirmos as feridas por conta do medo e da vergonha, nossas trevas interiores não poderão ser iluminadas nem se tornar luz para os outros. Apegamo-nos aos sentimentos ruins e remexemos no próprio passado, quando o que devíamos fazer é deixá-lo desaparecer.

Retirado do livro:
O Impostor que vive em mim.
Brennam Manning

Sábado, 4 de Abril de 2009

Igrejas crescendo com a mensagem errada.


Única verdade real: Somos amados por Deus - parte 3

Se você está acompanhando os textos entenderá mais facilmente o porquê do título desse post.

As igrejas que mais crescem tem uma mensagem positiva por detrás, seja ela de prosperidade, de resolução de problemas, de cura, de quebra de maldições, mas todas elas giram em torno de um só desafio: SUA VIDA NUNCA MAIS SERÁ A MESMA!

Porque essa mensagem tem atraído milhões de pessoas ao redor do mundo? Por causa do desejo intenso de agradar ao deus-parecido-com-você, o deus interior. A busca de ser melhor para ser agradável a Deus, de se aperfeiçoar para ser instrumento de Deus é uma caminhada sem fim mas com destino certo, a perdição.

E digo isto porque ninguém consegue chegar até Deus, senão por Jesus. E Jesus, como o nosso caminho já fez tudo o que poderia nos tornar agradáveis a Deus. E como não há mais nada que nós tenhamos que fazer, o que fazemos não é para Deus, é para nós mesmos.

Se, simplesmente entendêssemos isso, teríamos a libertação necessária para vivermos em paz com Deus.

A busca de sermos melhores não é errada, mas buscamos sermos melhores para sermos aceitos, e isso cria toda sorte de hipocrisia. Uma coisa é eu me conter para não ser rude sabendo que eu sou rude mesmo. Outra coisa é eu me conter porque eu sou crente, ou sou da religião tal.

É uma fina linha que nos põe no céu ou no inferno.

Por que digo que a mensagem das igrejas que crescem está errada? Porque elas não podem conceder o que prometem, porque prometem algo impossível.

Ninguém pode mudar ninguém, e Deus aceita as pessoas sem mudarem, mas as igrejas esperam que seus membros mudem e quando não mudam (de status, de condição física, de temperamento) eles devem mudar pra outra igreja, pois senão ficarão taxados como alguém que fracassou lá também.

Quantos foram bem recebidos na igreja, mesmo bebendo e com vícios, mas depois de alguns anos com várias recaídas, esses membros são desprezados e excluídos (mesmo que não formalmente) do grupo?

Ninguém fica com pessoas fracassadas, só JESUS! Heheheh...

Hoje, os membros mais desejados das igrejas não são os necessitados, os encarcerados, os pobres, mas sim os empresários, os atores, os jogadores de futebol, os políticos, alguém que traga exposição e evidência para aquela igreja.

Mas quem corre atrás desses pequeninos, recebe o DESEJADO DE TODAS AS NAÇÕES!

Quando tratamos das pessoas com seus percalços com compaixão tornamos nossas igrejas
como Hospitais - Casas de Misericórdias, mas o modelo que vemos hoje está mais para igrejas-empresas, que buscam o lucro, o crescimento de suas marcas, o aumento de seus membros, o aumento de seus bens, mas não atende as pessoas que vão caindo pelo caminho.

Até tem trabalhos sociais, mas não tratam os seus membros com compaixão e misericórdia. Até doam cestas-básicas para famílias carentes, mas aumentam a fome e sede de justiça-própria dos seus membros. Até ajudam as pessoas a mudarem sua forma de falar, sua forma de vestir, mas as condenam a uma máscara de ferro.

Sei que sou injusto ao generalizar, mas meu objetivo é despertar a mente e o coração das pessoas, fazê-las pensarem, refletirem, analisarem.

Que Deus nos ajude até nesse pensar, para que o nosso coração, olhando para todo esse emaranhado de igrejas comércio, não coloquemos nelas o nosso motivo de fracasso.

Somos fracassados por natureza! Isso não vem de Deus, nem do governo, nem das igrejas, nem dos sacerdotes, nem de ninguém, isso é meu! VEM DE DENTRO DE MIM! EU SOU ASSIM!

ACEITO QUE SOU COMO TODOS OS HOMENS: PECADORES E AMADOS POR DEUS!

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Amarás a Deus e ao próximo COMO A TI MESMO!


Única verdade real: Somos amados por Deus - parte 2

Incrível como este mandamento é impossível! Primeiro porque amar a Deus é amar ao próximo, mas amar ao próximo exige um amor a mim mesmo. Mas, e se eu não me amo? Posso amar ao próximo com o baixo apreço que tenho por mim mesmo? Devo transferir ao meu próximo o desprezo que eu tenho por mim?

Explico o porquê.

Na história anterior do peru temos uma verdade que nos expõe: a nossa baixa estima. E por causa dela nós buscamos a todo custo a aceitação de todos os que nos rodeiam. Para que isso aconteça nós colocamos perfume, uma roupa nova, falamos diferente e até comemos diferente.

É por isso que as brigas acontecem depois que um namoro começa. A máscara se desfaz e começamos a nos relacionar com o verdadeiro eu.

A verdade é que, se formos e fizermos tudo aquilo que somos certamente não seremos aceitos e por isso fingimos, fugimos, mascaramos, mentimos.

Isso começa desde criança na ânsia de sermos aceitos pelos nossos pais e parentes, depois pelos amiguinhos e sociedade. Os comentários de sempre o que fazemos é errado, ou tudo o que colocamos a mão se quebra, ou que somos desajeitados, ou que nunca seremos bons nos leva a este caminho de auto-flagelo.

E como disse Blaise Pascal que Deus fez o homem à sua semelhança e nós, em retribuição o fizemos à nossa semelhança, isso destitui de Deus, aos nossos olhos o amor incondicional.

Formamos Deus como nós, e como nós não gostamos de nós mesmos, de como somos, de como falamos, do nosso nariz, do nosso passado, da nossa barriga, da nossa estatura, do nosso jeito de ser, o nosso deus também não gosta. E mais, temos que nos esforçar para agradá-lo.

Está aí a base de todas as religiões, o forte apelo para o esforço em busca de agradar a Deus.

Nos ísmos das religiões encontramos o homem sendo um deus, chamam o deus que há dentro de você. Esse deus é rancoroso, se lembra dos seus erros passados, é disciplinador exigindo que você não erre na próxima vez, é exigente esperando que você se supere sempre.

Esse não é o deus que você encontra em Jesus, mas mesmo buscando a Deus você o encontra quando erra, quando faz alguma besteira, quando se decepciona ou decepciona alguém. Este é o deus que aparece para você quando você se masturba, quando você é despedido, quando você bate o carro, quando você fica doente, quando você é processado, quando você cai em alguma tentação.

Esse é o deus que se apresenta como seu atormentador, seu algoz. Tudo por que quando você erra o seu parâmetro não é o amor de Deus, mas o seu conceito. Isto por que você não acredita realmente que Deus em Jesus é tão amável e perdoador como ele se mostrou em vida neste mundo.

DEUS NÃO PODE ME AMAR COMO EU SOU! ELE SÓ ME AMA QUANDO EU ESTOU FAZENDO A SUA VONTADE!

E é assim que vivemos... quando estamos de bem com Deus, servimos a Jesus... quando pecamos, erramos, nos deixamos punir pelo nosso deus interior.

Realmente assim não dá para amar a ninguém, nem a Deus nem ao próximo.

E como resolver esta situação?

1) Aceite que Deus te ama como você é.
2) Aceite que Deus te ama mesmo quando você peca.
3) Aceite que Ele JÁ PERDOOU TODOS OS SEUS PECADOS: PASSADOS, PRESENTES E FUTUROS.
4) Aceite que você é assim e não precisa ser melhor para Deus te querer, isso é graça.
5) Aceite que é amado por Deus PARA SEMPRE.
6) Não aceite o jugo de punição pelo deus-parecido-com-você, somente reconheça sua condição ou falta dela.
7) Caia na real... DEUS AMA VOCÊ!
8) Viva a partir de agora em resposta a esse amor de Deus.
9) Pelo amor de Deus... ... será que você entendeu!??!! Deponha as armas cara!
10) Sei lá... que Deus te ajude a entender e aceitar. Esta é minha oração por você!

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

O Conto do Peru por Flannery O´Connor.


Única verdade real: Somos amados por Deus - parte 1

No conto de Flannery O'Connor, The turkey, o anti-herói e protagonista é um garotinho chamado Ruller. Sua auto-imagem é ruim porque nada cm que põe a mão parece dar certo. À noite, em sua cama, ele ouve os pais o analisarem:

— O Ruller não é normal — diz seu pai. — Por que ele sempre brinca sozinho? — E sua mãe responde: — Como eu vou saber?

Um dia, Ruller percebe, na mata, um peru selvagem ferido e inicia uma intensa perseguição. "Ah, se eu conseguir pegá-lo!", ele grita. Vai pegá-lo ainda que tenha de correr até desmaiar. Ele se vê marchando triunfantemente pela porta da frente de sua casa, com o peru pendurado no ombro e toda a família gritando:

— Vejam o Ruller com um peru selvagem! Ruller, onde você conseguiu esse peru?

— Ah, eu o capturei na mata. Talvez algum dia vocês possam pegar um desse, como eu.

Mas, então, um pensamento lhe cruza a mente: "provavelmente, Deus vai me fazer perseguir este maldito peru a tarde inteira por nada". Ele sabe que não deveria pensar assim a respeito de Deus —, mas é assim que se sente. Seria possível evitar esse sentimento? Fica curioso por saber se é anormal.

Finalmente, Ruller captura o peru quando este cai morto por causa da ferida de um tiro que, anteriormente, o havia atingido. Ele o coloca nos ombros e inicia sua marcha messiânica de volta ao centro da cidade. Lembra-se de coisas que pensara antes de conseguir a ave. Eram pensamentos consideravelmente ruins, ele supõe. Imagina que Deus o tinha interrompido antes que fosse tarde demais. Deveria estar muito agradecido. — Obrigado, Deus! — ele diz. — Sou muito grato a ti. Este peru deve pesar uns quatro quilos. Foste tremendamente generoso.
Talvez, conseguir o peru seja um sinal, ele pensa. Talvez, Deus queira que seja um pregador. Pensa em Bing Crosby e Spencer Tracy enquanto adentra a cidade com o peru dependurado no ombro. Quer fazer algo para Deus, mas não sabe o quê. Se tivesse alguém tocando acordeão, na rua, hoje, ele daria seus dez centavos. São os únicos centavos que possui, mas ele os daria.

Dois homens se aproximam e assobiam. Chamam os outros homens que estavam na esquina para ver o peru.

Quanto você acha que ele pesa? — perguntaram eles.

Pelo menos uns quatro quilos — Ruller respondeu.

Por quanto tempo você o perseguiu?

Por quase uma hora — disse Ruller.

Isso é mesmo impressionante. Você deve estar bem cansado.

Não, mas tenho de ir — Ruller replica. — Estou com pressa. Ruller não via a hora de chegar em casa.

Ele deseja encontrar alguém mendigando. De repente, ele ora: "Senhor, mande um mendigo. Mande-o antes de eu chegar em casa". Deus pôs o peru naquele momento. Certamente, enviará um mendigo. Ele tem certeza de que Deus enviará alguém. Por ser uma criança singular, ela interessa a Deus. "Por favor, um mendigo agora mesmo!" — e nesse instante uma velha mendiga surge bem a sua frente. Seu coração bate com força. Ele dispara em direção à mulher, gritando: — Aqui, aqui —, aperta os dez centavos na mão e sai correndo sem olhar para trás.

Lentamente seu coração se acalma, e ele começa a ter um novo sentimento — algo como estar alegre e confuso ao mesmo tempo. Possivelmente, ele pensa, dará todo seu dinheiro a ela. Sente como se o chão não precisasse mais estar debaixo dele.

Ruller percebe um grupo de garotos da roça arrastando-se atrás dele. Ele se volta e pergunta, generosamente:

— Querem ver o peru ?

Os garotos o olham fixamente:

Onde você conseguiu esse peru?

Eu o achei na mata. Eu o cacei até a morte. Vejam, tomou um tiro na asa.

Deix'eu ver — diz um garoto.

Ruller lhe dá o peru. A cabeça do animal voa na direção de seu rosto enquanto o garoto o gira no ar sobre o próprio ombro, e dá meia volta e leva embora o peru. Os outros garotos também se viram e vão embora, andando despreocupadamente.

Eles estão a quatrocentos metros de distância quando Ruller se mexe. Finalmente, estão tão longe que nem consegue enxergá-los. Em seguida, ele se arrasta para casa. Anda um pouco e então, ao perceber que está escuro, subitamente começa a correr.

A requintada fábula de Flannery O'Connor termina com as palavras: "Ele correu cada vez mais rápido, e à medida que subia pela estrada de sua casa, sentia o coração tão acelerado quanto as pernas. Estava certo de que Algo apavorante rasgava atrás dele, com os braços rijos e os dedos prontos para agarrar".

Diante de Ruller, muitos de nós, cristãos, encontramo-nos revelados, despidos, expostos. Nosso Deus aparentemente é o Único que dá perus com benevolência e caprichosamente os tira.

Quando os dá, sinaliza o interesse e o prazer que tem em nós. Sentimo-nos próximos de Deus e somos incitados à generosidade. Quando os tira, sinaliza o desprazer e a rejeição. Sentimo-nos repudiados por Deus.

Ele é volúvel, imprevisível, excêntrico. Firma-nos apenas para nos decepcionar. Lembra-se de nossos pecados do passado e retalia arrancando os perus de saúde, riqueza, paz interior, progenitura, império, sucesso e alegria.

Assim, inadvertidamente, projetamos em Deus as atitudes e os sentimentos que nutrimos por nós mesmos. Como Blaise Pascal escreveu: "Deus fez o homem a sua imagem e semelhança, e o homem retribuiu a gentileza".

Portanto, se nos detestamos, tomamos por certo que Deus sente o mesmo por nós.

Mas, não podemos pressupor que ele sinta por nós o mesmo que sentimos por nós mesmos — a menos que nos amemos compassiva, intensa e livremente.

Na forma humana, Jesus nos revelou como Deus é. Ele expôs nossas projeções como idolatria e nos ofereceu um caminho para nos libertarmos delas.

É necessária uma profunda conversão para aceitar que Deus é inflexivelmente terno e compassivo conosco da maneira como somos — não a despeito de nossos pecados e culpas (isso não seria aceitação total), mas com elas.

Apesar de Deus não tolerar, ou sancionar o mal, ele não retém seu amor por nós devido à nossa maldade.

Se jogue nesse amor!!!!

Retirado do livro:
O impostor que habita em mim - Brennan Manning.

Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

A força que vem da dor!


Sempre cri em cura divina e na confissão positiva (poder das palavras) e até hoje acredito, mas não com a mesma ênfase. Creio sim que Deus cura, mas que também ele põe de cama, de que ele salva de uma situação de perigo, tragédia ou risco de vida mas que também ele deixa morrer. E tudo isso não o diminui, nem contradiz o que a Bíblia fala dele.

Que diria o irmão que crê que quando alguém morre é o diabo que matou, quando lê o Salmos 116:15 - "Preciosa é à vista do SENHOR a morte dos seus santos"!?

Mas não é sobre isso que quero falar hoje, é sobre a nossa impotência sobre alguns fatores da vida, por exemplo, na dor, na depressão.

Quando somos despedidos da empresa, acabamos um namoro ou casamento de longos anos ou intenso, quando morre algum ente muito querido e próximo, quando ficamos doentes de cama... nosso força se vai, nossos pés perdem o chão, nem força pra orar muitas vezes temos, e a tristeza vem e a vemos, mas não temos ânimo de resistir a ela.

Depressão não é só o mal desse século, nem um demônio do inferno, é também uma doença qualquer, daquelas que se pode tirar muito ensinamento.

Quando bate a depressão, seja por qualquer motivo, nossos esforços espirituais de oração, jejum, ir à igreja trocam de lugar por choro, sentimento de angústia e vontade de dormir. O cansaço vem de dentro e cada vez que respiramos parece que o suspiro é mais profundo.

Quem pode te livrar disso? Qual atitude sua pode te livrar disso? Quais das suas ações farão de novo arrumar um serviço, vencer a dor do ente perdido, restabelecer a saúde e auto confiança perdida?

Podemos mandar currículo, procurar reconciliação, tomar remédio, ir ao médico, pedir oração, mas não é só por fazer isso que um problema se resolve, vários fatores devem acontecer juntos para a solução. Todos nós já passamos por situações assim, e quem nos livrou? O que foi decisivo para nossa recuperação? A maioria de nós não terá essa resposta, porque mesmo quando queremos tomar uma posição nesse momento de depressão, tem pouca influência na real mudança de todo o cenário em que estamos vivendo.

A maioria de nós vai concordar que simplesmente passou, nem sabemos quando, nem sabemos o que foi decisivo para isso acontecer... mas passou.

E como passou quero dizer a todos os que estão em depressão com todos os sintomas, e por todas as situações já descritas: O seu problema vai passar, mas o amor de Deus por você nunca passará! Hoje mesmo você pode contar com esse amor, porque ele não está dependendo da sua oração diária, nem da sua leitura da Bíblia, nem do seu jejum, nem das suas boas ações.

Papai se preocupa com você sim! E sabe, muito melhor que você ou qualquer outra pessoa, como cuidar de você! Acredite que o amor de Deus é maior que o amor do seu pai ou mãe que está nesse momento preocupado contigo. Acredite que o amor de Deus é muito maior que o dos seus filhos ou amigos com relação ao seu problema.

Deus te ama muito mais que eles! MUITO MAIS! E Ele pode todas as coisas, Ele é Todo Poderoso e pode acabar com o seu problema agora!

E porque não acaba? Por que muitas vezes, a dor ensina mais do que a alegria.

A dor nos ensina a nos manter vivos em situações de perigo, a nos preservar em situações de indisciplina, a nos dar o tom do crescimento que, quer de estatura quer de músculos, só vem com a dor.

Assim também o crescimento emocional, intelectual e espiritual vem com dor. Dores de todo o tipo. Pessoas maduras são pessoas de dores, que sabem o que é sofrer. Não é a toa que Jesus também foi um homem assim. Isaías o chama de homem de dores, desprezado, o mais rejeitado entre os homens e experimentado nos trabalhos.

Em Hebreus diz que ele aprendeu a obediência por aquilo que ele padeceu.

Lembrando que Ele mesmo recebeu um Nome acima de todo Nome, sabe quando? Leia lá em Filipenses, depois da sua morte, e morte de cruz.

E porque não acaba? Por que quando SEMPRE temos de tudo do bom e do melhor isso não nos faz mais amorosos, mais tolerantes, mais misericordiosos.

A vida fácil, a prosperidade constante e a falta de problemas na vida cria pessoas mais arrogantes, prepotentes, achando que tem o que tem porque Deus tem abençoado elas por causa de tê-lO agradado. E se alguém está doente ou passando por dificuldades financeiras é por causa de pecado, por não dar o dízimo ou não fazer COMO ELAS.

Crianças que nunca ficaram doentes não tem anticorpos para resistir às doenças. A dor que a febre traz é o trabalho no aumento da resistência do corpo. Crianças que sempre têm tudo o que querem se tornam mimadas, insuportáveis, mesquinhas e insubmissas às autoridades.

E porque não acaba? Por que quando as pessoas passam por problemas difíceis, elas têm maior facilidade de se solidarizar com as pessoas com os mesmos problemas. Não é à toa que os que mais ajudam os pobres são os próprios pobres. Dor gera empatia.

E imagine só, que todo esse cenário de dor, de tragédias, de pobreza consegue produzir o maior dos dons de Deus: o AMOR. Somente a compaixão produzida em pessoas que passaram por muita dor é que pode contribuir para que o AMOR exista nesse mundo.

E porque não acaba? por que coisas boas e ruins acontecem a todo mundo e a todo tempo, a crentes e não crentes, quando estamos de bem com Deus e quando estamos em pecado, a ricos e pobres, a todos de todas as religiões do mundo.

Você já percebeu algum dia em que você não estava de bem com Deus e mesmo assim algo de bom aconteceu na sua vida? Será que foi o diabo que te mandou algo de bom pra te abençoar, ou foi um pai que entende todos os seus dilemas e nem por isso separa você do amor Dele?

Você também já percebeu que, naquele período que você estava jóia com Deus, e aconteceram problemas, e com certeza você jogou nas costas do diabo? Não vou te dizer que foi Deus quem te mandou o problema, mas quero ressaltar que coisas boas e ruins acontecem com todas pessoas a qualquer tempo.

Ah, e mesmo que tenha sido o diabo, quem é ele para te separar do amor de Deus? Quem é ele para tocar em você se Deus não permitir? Quem é ele para bater no filho de outra pessoa, sendo o caso um dos filhos adotivos de Deus?

CONFIE NO AMOR DE DEUS!

1) Ele te ama mais do que qualquer pessoa nesse mundo.
2) Você não está errado ou em pecado quando algo ruim te acontece.
3) Você não está separado do amor de Deus nem mesmo quando você erra.
4) Acredite que o amor Dele por você é verdadeiro, é real, é presente, é eterno e não depende de você.
5) Espere que esse seu problema vai passar, de graça. Faça o que for preciso, mas saiba que Ele, e só Ele coloca ponto final nas nossas lutas.
6) Aprenda com tudo o que está passando.
7) Olhe para as pessoas que estão passando o mesmo que você, e, ore por elas. Sua oração é mais forte e mais eficaz porque você entende a dor da outra pessoa. Sua oração vem de dentro de você. Isso é intercessão.
8) Ore por mim, porque estou escrevendo para você, passando por isso!
9) Enquanto espera o dia mau passar, confie no amor de Deus que te dará de graça o livramento.
10) Enquanto espera, compre uma pizza e um sorvete e aproveite comer com a sua família e amigos!

Amanhã é outro dia!

Salmos 23:6 - Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR por longos dias.

Eu te amo tanto, tanto, tanto

Terça-feira, 31 de Março de 2009

Dust in the wind

Domingo, 29 de Março de 2009

Entrevista especial com Brennan Manning

Brennan Manning é o autor de O evangelho maltrapilho, A sabedoria da ternura e outras obras já publicadas no Brasil.

Muitos cristãos ainda temem deixar que Deus os ame como realmente são, afirma o ex-padre, alcoólico sóbrio e escritor.

O que é um maltrapilho?

Bem, o Antigo Testamento apresenta uma bela cena sobre os Anawims. No século 18, eles são os pobres, desabrigados e sem-terras; Deus um dia restaurará a prosperidade deles. No século 6, porém, os Anawims adquiriram um sentido de imensa profundidade espiritual. Eram os pobres de espírito, que tinham confiança inabalável em Deus e se comprometeram por completo a fazer a vontade dele.

Agora, quando o tema chega ao Novo Testamento, os Anawims são os que se reúnem para conhecer Jesus em seu nascimento. São os pobres, desconhecidos, as pessoas à margem da respeitabilidade. São os pastores. Lá está Ana, uma senhora de 84 anos, e Simeão, um idoso. E todos os animais. E lá está, claro, a Virgem Maria, que fora considerada a última e a inferior em uma longa linhagem. Esses são os verdadeiros pobres de espírito. Eles reconhecem que dependem completamente de Deus, até mesmo para respirar, lançaram sua esperança sobre Jesus e se renderam à vontade do Pai. Isso, basicamente, é a definição de um maltrapilho.

Fale-nos de sua premissa sobre a confiança do crente em Deus.

A idéia básica se resume em uma sentença: O esplendor do coração humano que confia e é amado incondicionalmente dá a Deus mais prazer do que a Catedral de Westminster, a Capela Sistina, a Nona Sinfonia de Beethoven, os Girassóis de Van Gogh, a visão de dez mil borboletas em revoada ou o perfume de um milhão de orquídeas em flor. Confiança é o presente de retribuição que damos a Deus, que gosta tanto do presente que levou Jesus a morrer por amor a ele.

Foi isso que Jesus disse que precisamos trazer para o relacionamento?

Sim. Confiança e entrega como de uma criança, creio eu, é a definição do discipulado autêntico. Com freqüência, a necessidade suprema em nossa vida é a mais ignorada: confiança inabalável no amor de Deus, qualquer que seja a situação. Penso que foi esse o ensinamento de Paulo ao escrever em Filipenses 4.13: “Tudo posso naquele que me fortalece”.

Mas, como podemos saber se estamos confiando mesmo? A maioria das pessoas afirma que confia em Deus.

A característica dominante de uma vida espiritual autêntica é a gratidão que brota da confiança – não apenas por todos os dons que recebo de Deus, mas gratidão também por todo o sofrimento. Por ser uma experiência purificadora, o sofrimento é, freqüentemente, o caminho mais curto para a intimidade com Deus.
Acrescentaria, também, que a confiança bíblica cresce a partir do amor. Minha confiança em Deus deriva da experiência do amor dele por mim, dia e noite, haja tempestade ou calmaria, doença ou saúde, esteja eu em boa ou má situação. Ele se aproxima de mim onde eu vivo e me ama como sou.

Em João 17.26, Jesus disse: “Eu os fiz conhecer o teu nome, e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim esteja neles, e eu neles esteja”. Abba tem por nós exatamente o mesmo amor que tem por Jesus, quando habita em nosso coração. O problema é que a maioria das pessoas não sabe disso.

Quer dizer que parte do problema é falta de atenção?

Acredito que a verdadeira diferença na igreja americana não é entre conservadores e liberais, fundamentalistas e carismáticos, nem republicanos e democratas. A diferença está entre os que percebem e os que não percebem.

Quando uma pessoa percebe esse amor, o mesmo que o Pai tem por Jesus, ela se enche de gratidão espontânea. O clamor de gratidão se torna a característica dominante de sua vida interior, e o subproduto da gratidão é alegria. Não ficamos alegres e depois gratos, é a gratidão que nos enche de alegria.

Mas existe o sofrimento, também. Em seu livro, em meio à gratidão e à contemplação de Deus, você fala de forma bem pessoal sobre como, se quisermos realmente aprender a confiar em Deus, não é possível evitar o sofrimento pessoal.

Quando eu vivia em Nova Orleans, sem freqüentar nenhum centro de reabilitação para alcoólatras e dependentes de drogas, eu me agarrava a um gole de vodka e o que menos queria era o tratamento de 28 dias que poderia salvar minha vida.

Continuei a beber – uma criança bêbada clamando: “Jesus, onde você está?”. Como vivenciamos a confiança no meio de dor, sofrimento, mágoa e puro desespero? Quer dizer, será possível suportar e por fim vencer o cenário sombrio e melancólico do mal e da destruição e voltar a sentir que o amor de Deus é incondicional? Essa é a pergunta que faço aos cristãos. Vocês confiam no amor de Deus? Todos respondem que sim, que sabem disso há muito tempo. Aí, observe como vivem. Há tanto medo, tanta ansiedade, tanta raiva de si mesmos. A melhor definição de fé que já ouvi foi feita por Paul Tillich: “Fé é a coragem de aceitar a aceitação”.

O que significa isso?

Fé é um código para aceitar que Jesus conhece toda a história de minha vida, cada segredo, cada momento de pecado, vergonha, desonestidade e degradação em meu passado. Agora mesmo Ele conhece minha fé superficial, minha vida de oração frágil, meu discipulado inconstante, aproxima-se de mim e fala: “Desafio você a confiar. Confiar que eu o amo exatamente como você é e não como deveria ser, porque você nunca será como deveria ser”.

Por que temos medo de Deus não nos amar como somos?

Minha percepção é que pensamos que, se deixarmos Deus livre em nossa vida, ele irá pedir demais de nós. Será que ele vai me mandar ficar 10 anos em Calcutá, com as missionárias de Madre Teresa? Será que vai me fazer ter câncer? Ele pode me mandar deixar minha esposa e ir viver sozinho numa caverna, pensando só nele. Esses temores malucos não têm nada a ver com o Deus verdadeiro, que se delicia com seu povo.

Para mim, é mais importante amar do que ser amado. Quando a pessoa ainda não teve a experiência de ser amada por Deus, do jeito que é e não como deveria ser, então amar os outros se torna um dever, uma responsabilidade, uma tarefa. Mas, quando aceito ser amado como sou, com o amor de Deus derramado em meu coração pelo Espírito Santo, então posso alcançar os outros com menos esforço.

E a confiança que nasce desse amor, como você falou, é implacável.

Isso soa engraçado: confiança implacável. O dicionário define implacável como “sem piedade”. No contexto que estou usando, é sem autopiedade, que é a primeira reação normal inevitável. Creio ser perda de tempo tentar acabar com ela. Entretanto, chega o momento em que ela ameaça se tornar maligna. Pode nos atrair para a autodestruição e comportamentos como afastamento, isolamento, bebida, drogas e assim por diante. E depois apenas imploramos a graça de Deus para colocar um limite temporal em nossa autopiedade.

O poeta disse que a última ilusão de que devemos abrir mão é o desejo de nos sentirmos amados. Há um monge que viveu durante 30 anos na abadia Genesee. Um visitante lhe perguntou se ele se sentia mais próximo de Deus do que há 30 anos. A resposta gloriosa do monge foi: “Não, mas isso não tem mais importância”. Ele estava tão livre da necessidade de se sentir amado que podia aceitar, indiscriminadamente, consolo ou desolação, presença ou ausência de Deus, como sendo a mesma coisa. Graças a Deus que, com a instabilidade de meus sentimentos frágeis, a presença dele em mim não depende do que eu sinto. Se dependesse eu estaria com sérios problemas.