segunda-feira, 25 de maio de 2009

Achar uma boa igreja... que difícil!


Como está difícil hoje de frequentar uma boa igreja. Vou descrever a minha frustração e peço aos amigos que orem por mim.

A IDOLATRIA PERSONAL

Aqueles que estão no palco, chamado de altar, no púlpito viraram estrelas e receberam auréolas por parte do povo que fica sentando embaixo esperando que de cima venha orientação sobre como deverão adorar a Deus naquela reunião e o que devem falar um pro outro e pra Deus. Falamos coisas que os outros pensaram e sentiram, não o que estamos passando e pensando. E se o culto não foi "quente, animado" a culpa é dos líderes.

Essa idolatria, é claro, vem de baixo pra cima. Os espectadores do culto jogam pra cima dos seus líderes a expectativa de que eles tragam Deus para aquela reunião.

Eles também terceirizaram a comunhão diária com Deus, o evangelismo, a preocupação com os pobres, a ajuda a missões etc para os líderes.

Eles acham que seus líderes são mais santos que eles, que oram mais, que sabem mais da Bíblia, que evangelizam, que são melhores maridos, melhores pais, melhores em tudo. Não é por acaso que boa parte das mulheres da igreja se apaixonam por seus líderes e pastores. Resumindo, são homens de Deus.

Tudo isso, porém, é só fachada. E não é por dolo dos líderes, eles não fazem isso pra realmente enganar as pessoas, mas isso acontece com os membros das igrejas e os líderes aceitam essa reverência em nome de uma autoridade espitirual e o ciclo narcisista cresce dentro da igreja. Mas a decepção tem hora marcada.

A busca por estar em evidência no palco corrompe a simplicidade de servir e ministrar ao Senhor. Mas isso tudo acontece com conivência de todo mundo.

Fora isso temos os líderes que exercem com dolo a sua autoridade abusando das pessoas, obrigando-as a servirem-lhes e as oprimindo por se acharem donos dessas ovelhas. A autoridade vira autoritarismo e os membros ficam escravizados por medo de se rebelarem ou serem amaldiçoados se saírem daquela maldita igreja.

Em Limeira - SP, a igreja Cruzada é uma das maiores da cidade, é controlada por uma pastora que usa esses instrumentos de manipulação com sua membresia. E o povo é conivente com esse absurdo em nome de Jesus por causa da forte idolatria arraigada nos seus corações.

Veja mais sobre esse assunto no tópico: IDOLATRIA: Esse assunto é com você!

OS DÍZIMOS E OFERTAS

Meu Deus, é realmente constrangedor estar na maioria das igrejas evangélicas na hora de coleta de ofertas e dízimos. Os pregadores vão desde apelo emocional ao sentimento de culpa, desde o desejo de ser abençoado como a tentativa louca de não ser amaldiçoado.

E o uso desse dinheiro é cada vez menos mostrado.

Quando eu era pequeno, as igrejas mostravam um balancete de tudo o que entrava e tudo o que gastavam. Isso era deixado no mural de entrada. Hoje tudo fica só na confiança de que deu seu dinheiro pra Deus e o que vão fazer disso é problema dos pastores.

A PREGAÇÃO

É difícil achamos alguém que não pregue sobre prosperidade e sucesso. Mais difícil ainda é quem pregue sobre algo que seja contra sim mesmo ou que admita culpa ou responsabilidades.

Quando se prega arrependimento normalmente é para os outros, não para nós. E o arrependimento tem a ver com segundas e terceiras intenções, como de arrecadar mais dízimo e o de chamar mais gente pra igreja, entre outros exemplos.

Nas igrejas com células é difícil ouvir uma mensagem sobre Jesus. Sempre estão falando de multiplicação, de adição, de divisão... cuja mensagem deve ser martelada vez após vez, que falta espaço para outros temas e personagens.

É difícil acharmos igrejas que não falem sobre o diabo muito, muito, muito mais do que se fala em Jesus. e que se ora muito, muito, muito mais contra o diabo do que para Deus. Nessas o diabo tem destaque central. Se você ver um teatro nessa igreja notará que 90% da peça tem o diabo como ator pricipal e Jesus aparece somente no final da festa para delírio de todo mundo.

Também nessas igrejas o modelo de testemunho é o mesmo. Passam 1 hora e meia falando de como eram quando o diabo lhes comandava a vida e nos últimos cinco minutos do testemunho falam de Jesus. Nessas igrejas quanto pior é o melhor.

O CULTO

O culto na maioria das vezes é um show gospel onde as pessoas vão se apresentar. Em algumas igrejas tem grupo de dança, em outros teatro e por aí vai.

O culto sem sua direção, sua liturgia que todos sabem como vai funcionar e nenhum elemento, natural ou espiritual deve atrapalhar essa "santa" liturgia.

Nas igrejas de células muitas vezes temos a celebração dos irmãos que mais se destacaram nas suas células e redes e tudo isso baseado na motivação pela meritocracia. Tudo muito empresarial, tudo muito parecido com McDonalds.

A FREQUÊNCIA

Grupos de góticos, Emos, roqueiros, prostitutas, bêbados, homossexuais são pessoas indesejáveis nesses lugares. Eles distoam tanto que atrapalham a concentração a Deus.

Gente diferente nos cultos atrapalha tudo. As orações mudam, muda uma e outra música, e até a pregação muda.

É difícil não sentir o forte sentimento de preconceito e desprezo.

AS AMIZADES

Meu Deus, como são importantes as amizades. Mas como é complicado você ter amigos de outras igrejas, principalmente você sendo casado. Normalmente as pessoas tendem a se relacionar somente com o grupo em que participam, até pela quantidade de tempo.

Como são importantes a convivência com pessoas que participam da sua vida, que você pastoreia e é pastoreada por elas. Você se sente amado e pode amar.

O grande problema é que na maioria das igrejas esse amor é muito superficial e não resiste a uma saída de igreja, se você saiu, perdeu os amigos.

Mas como não sentir falta dos amigos e irmãos que sentam à sua mesa e você pode abrir seu coração? Pode abrir seus problemas e sentir o cuidado deles com seus filhos, com sua esposa, com seu casamento.

Isso não tem preço.

Por isso, acho que vale a pena nós fecharmos os olhos para algumas das coisas indigestas nas igrejas, e mesmo assim frequentá-las. Precisamos estar unidos aos irmãos e com eles ir além e granjearmos amigos nessess lugares.

Ficar sozinho é triste, e você pode fazer pouca coisa sozinho. Vários irmãos juntos podem multiplicar ações e produzir coisas mais relevantes.

Ah, como eu gostaria de poder reunir com vocês que acessam o meu blog e pudéssemos passar um dia conversando sobre nós e sobre as coisas de Deus e orarmos juntos!!!

Quem sabe poderíamos adorar a Deus juntos e até construirmos algo que fosse além dessa estrutura impessoal da internet.

Pois bem, eu tenho esse sonho e esse desejo. Se você é assim também, que tal criarmos uma lista ou um grupo onde possamos nos conhecer?

Sugiro este grupo do Google: http://groups.google.com/group/impacto-da-graca onde você poderá entrar, participar e poderemos nos conhecer também.

o link da nossa comunidade no orkut é http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=87868320

Gostaria realemnte de te conhecer.

Grande abraço

domingo, 24 de maio de 2009

A Angustiante Insatisfação de Ser Comum - por Clesio Pena


Existe um grande número de evangélicos que participaram de alguns movimentos espirituais genuínos no final da década de 70 e início dos anos 80. Naquela ocasião, havia um número considerável de grupos espalhados pelo Brasil que tinham uma seriedade muito intensa com o Senhor. Jovens entregavam-se por completo a Jesus. Parece que era um Jesus diferente do de hoje. Era o Senhor, o Todo, o Dono, Absoluto, Completo.

Na época, tínhamos certeza de que, num futuro próximo, o reino de Deus estaria bem ali, à nossa frente, palpável. Tínhamos convicção de que nossa vida não seria comum. Seríamos adultos diferentes, completamente entregues nas mãos do Senhor. O fluir do Espírito Santo seria transbordante tal qual as cataratas do Iguaçu. Éramos apaixonados por Deus de uma forma contagiosa. Nosso alvo de vida era viver na esperança de que Deus cumprisse sua obra. E a vontade de estar junto na edificação dessa obra tomava-nos por completo.

Sentíamos que algo sobrenatural estava prestes a acontecer e que seríamos, de alguma forma, incluídos nesse mover. A expectativa aumentava a cada encontro, a cada derramar do Espírito. E, por algum tempo, nossa participação naquele “fenômeno espiritual” ajudou outros irmãos que também estavam desabrochando no Senhor.

E o tempo, ah o tempo! Não olhávamos pela janela do trem (tempo) enquanto este viajava, soltava fumaça, mas não tocava aquele ‘piuí, piuí’, andando entre as pastagens silenciosamente. Então, já se passaram 20, 30 anos. Olhamos para trás e não acreditamos que aquela obra ainda não aconteceu. As cataratas (espirituais) não estão se derramando. E o pior, onde estamos dentro do mover? Qual é nossa participação? O que temos feito? Onde está aquele reino de Deus que parecia bem próximo, logo à nossa frente?

Uma angústia tremenda toma nosso coração (pelo menos, o meu) só em pensar que estamos fora do maior evento que está por vir. Qual é nosso papel, nossa função? Eu não poderei dar mais nada? Foi só aquilo mesmo de 30 anos atrás?

Minha vida parece tão comum. Não tenho realizado nada. Isso me consome a cada dia. Sou mais um dentre esses 6 bilhões de pessoas no planeta! Onde está minha tarefa no reino? Aquele plano no qual estaríamos inclusos e que mudaria a História? Meu Jesus, onde o Senhor se escondeu? O tempo não pára, e ainda não realizei, não vi o fenômeno acontecer. Minha vida tem sido em vão?

Esse grito desesperador de pessoas que tocaram na orla de Jesus alguns anos atrás tem aumentado. Encontramos pessoas que têm a mesma angústia interior, que desejam fazer diferença em sua geração, mas, por outro lado, se sentem deslocadas.

Na verdade, o sentimento é que fomos deixados de lado. Não fomos achados qualificados; por isso, nossa vida é tão comum. O sal está insípido. É um choro que queima, arde e não tem remédio. Não adianta participarmos de alguns eventos evangélicos. Queremos mais, muito mais. Vimos um trailer do filme que está por vir. Sentimos a brisa das cataratas. Não nos contentaremos com gotas. Queremos um fluir sobrenatural, um dilúvio espiritual.

Essa dor de sentir-se de fora, abandonado, ultrapassado, parece que piora quando vemos tantas propagandas de evangélicos mostrando o sucesso espiritual, as realizações, o crescimento. É triste dizer que muitos desses irmãos, que fazem parte do mesmo corpo de Cristo que nós, outrora tinham uma paixão por Jesus, tinham algo interior, uma mensagem real; hoje, embora tenham excelentes canais para comunicá-la (livros, rádio, TV), já não têm a mesma mensagem de antes. O marketing engarrafou aquela água das cataratas.

EU NÃO QUERO MERGULHAR NUMA GARRAFA, em algo fabricado, condicionado, com rótulos. Não. Eu vi o trailer.

A questão é: espero um pouco mais pelo fenômeno espiritual verdadeiro e genuíno ou tento produzir algo? Não aguento mais esperar. Ao mesmo tempo, nada posso produzir por mim mesmo (do contrário, resultaria em um fruto espiritual transgênico – meio humano, meio espiritual).

Caro amigo, não tenho respostas para essas questões, só tenho mesmo as perguntas, as inquietações, o desespero, o grito, a vontade de alistar-me novamente naquele esquadrão especial. As primaveras vêm e vão, e continuo sendo normal.

Eu não quero ser normal. Não fui chamado para isso. Muitos que tocaram na orla de Jesus durante a juventude estão, hoje, inquietos, soltando gritos, insatisfeitos espiritualmente. Para onde essa insatisfação nos levará? Até quando permaneceremos só insatisfeitos? Onde está nosso comandante com as ordens e nossa missão em suas mãos?

Jesus, filho de Davi, tem compaixão de nós!

Clésio Pena é farmacêutico e professor; reside em Araras, SP, com a esposa Rosied e seus três filhos.
Retirado da Revista Impacto - Link.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A paquistanesa que não se calou!


Mukhtar Mai, 28 anos, foi condenada por um crime que não cometeu, e pagou por isso ao ser estuprada coletivamente. Ao contrário da maioria das mulheres de seu país, que ao sofrerem essa violência cometem suicídio, ela resolveu falar. E assim deixou o mundo perplexo com seu ato de coragem e transformou o futuro de sua cidade

Violência
Em 22 de junho de 2002, Mukhtar Mai, pertencente à casta de camponeses Gujjar, no Paquistão, foi obrigada a pedir perdão por uma condenação feita pela tribo Mastoi, considerada superior a eles. O crime? O seu irmão Shakkur, de 12 anos, falou com Salma, uma mulher do clã Mastoi. Eles acusaram o garoto de ter ofendido Salma, que tem 27 anos, apenas por ter trocado algumas palavras... Após ser espancado pelo grupo, a polícia o prendeu - sob determinação da tribo. Então, a sua irmã foi escolhida pela família para pedir perdão aos Mastoi, por ser considerada uma mulher respeitável: ensina o Corão para as crianças, recebeu o divórcio do marido e não tem filhos. Ao chegar lá, porém, todos os homens estavam armados e sem nenhuma intenção de misericórdia. Eles a arrastaram até um estábulo e lá ela foi estuprada por quatro homens durante uma noite inteira.

O costume local
Mukhtar foi para o seu quarto aquele dia e ali permaneceu por semanas, pensando em suicídio. Depois de ter sido estuprada, o caminho que ela teria de seguir, segundo os costumes locais, seria cometer o suicídio. Só que as notícias que chegavam até ela eram mais revoltantes: seu irmão só foi solto após a sua família pagar fiança, e a tribo Mastoi ainda o ameaçava. Quando ela percebeu que o seu sofrimento tinha sido em vão, resolveu esquecer o suicídio, tão previsível.

A escolha pela vida
Mukhtar decidiu viver, para lutar por justiça e ajudar outras mulheres a terem uma vida mais digna. Apoiada pelos pais e fortalecida espiritualmente pelas lições do Alcorão, dizia: "Sou só a primeira gota d'água, mas a chuva virá. E muitas gotas de chuva acabam formando um grande rio."

Seu pai, ela, a mãe e quatro irmãos não sabiam ler, nem freqüentaram a escola. Porém, eram muçulmanos devotos, que rezavam cinco vezes ao dia. Mukhtar tinha uma mente privilegiada e conseguia memorizar trechos do Alcorão. Tranqüila, mansa no falar, essa mulher altiva de 1,70 metros de altura pensava, mantendo os profundos olhos negros voltados para baixo: "O Alcorão me protegerá."

A luta por Justiça

Chamada para depor na delegacia, ela foi induzida a deixar as suas impressões digitais em um papel em branco. Embora analfabeta, Mukhtar percebeu que ali seria colocado o depoimento que os policiais quisessem. E assim passou por vários depoimentos, sempre forçada pela polícia local a não dizer a verdade ao juiz. Mas ela conseguiu chegar até ele e falar tudo o que haviam feito, além de reconhecer os policiais que tentavam impedi-la de declarar a verdade. Após inúmeras audiências, o caso já havia repercutido em toda a imprensa.

A família
A família de Mukhtar Mai é da casta mais baixa dos gujar e vivia de escassos recursos dos campos de cana-de-açúcar e trigo. A casa era de barro e tinham somente poucas cabras e bois, uma vaca e um pedaço de terra. Não dispunham de luz elétrica, telefone, nem água corrente. Mukhtar casou-se aos 18 anos e não teve filhos. Um casamento arranjado. Ela não foi feliz. O divórcio era raro no Paquistão rural - a mulher era mal vista, mas os pais a apoiaram e em menos de um ano Mukhtar recebeu do marido o talaq (na lei islâmica, o repúdio do homem à mulher que a libertou oficialmente do casamento e a permitiu voltar para a casa da família em Mirvala.


O ensino que ela recebeu
Ghulam, pai de Mukhtar Mai, lhe ensinou a respeitar os mais velhos e a proibia de mentir. "Temos muito pouco, mas possuímos nossa honestidade", dizia à filha, o que fez com que ela desenvolvesse um forte senso de certo e errado.

A indenização
Por ordem do governo, a ministra federal para as mulheres, Attiva Inayatullah, deu-lhe um cheque de meio milhão de rupias, cerca de Us$ 8.200, (mais do que seu pai ganharia em décadas). Segundo a ministra, não era uma compensação, mas um pequeno símbolo de "nossa identificação" pelo sofrimento pelo qual Mukhtar passou. Mukhtar, que jamais havia visto um cheque, disse: "Não preciso de dinheiro. O que realmente preciso é de uma escola." Ela teve essa idéia ao perceber que a maioria de pessoas que com ela se solidarizavam eram educadas.

O dinheiro da indenização
Então, ela concordou em receber o cheque, desde que pudesse usar o dinheiro para a construção de uma escola para meninas. Determinada, comprou um terreno perto de casa e contratou trabalhadores para a construção de uma escola primária. Ela também ajudou, fazendo tijolos de barro e transportando para o local da obra. A Escola-Modelo para Meninas Mukhtar Mai tomou forma e abriu as portas em dezembro de 2002. O governo pavimentou a estrada e trouxe luz e telefone para Mirvala.

As alunas
Acompanhada de guarda-costas da polícia, foi de casa em casa pedir aos pais que enviassem as filhas para a nova escola. A tarefa não foi fácil, pois ouvia sempre a alegação: "Meninas não precisam aprender a ler"; ou: "Só os meninos precisam ser educados." Mukhtar se comprometeu, então, a mandar uma van para buscar cada menina.

A escola
A escola não tinha luxo. Em vez de cadeiras, as meninas se sentavam sobre sacos de aniagem. Mukhtar se sentava ao lado de algumas alunas, para também aprender a ler e escrever. Buscou mais recursos, vendeu seus brincos e uma vaca e quando a imprensa divulgou a história, chegaram muitas doações. Ela então contratou carpinteiros para fazer assentos e carteiras de madeira para as alunas. Foram instalados ventiladores no teto, tornando, assim, agradável o ambiente sufocante das aulas. Com saldo suficiente, abriu uma escola para meninos em Mirvala e outra para meninas numa aldeia próxima. E mais de 700 crianças de todas as castas (inclusive da casta mastoi) se misturavam livremente nas escolas.

Ajudando outras vítimas
A ação benemérita desta notável paquistanesa não parou por aí. Mulheres, algumas estupradas, outras mutiladas, outras espancadas, outras com cicatrizes horríveis no rosto - vítimas de ataques de ácido, ou sem nariz ou orelhas, punição para supostas adúlteras, procuravam Mukhtar. Foi então criada, ao lado da primeira escola, o Centro Mukhtar Mai de Assistência de Crise da Mulher, para o qual chegava, em média, diariamente, cinco vítimas, em busca de auxílio. Ninguém deixava de ser atendida.

O livro
Depois da repercussão que o caso teve na imprensa mundial, a jornalista Marie-Theres Cunny e Mukhtar Mai lançaram um livro, Desonrada, para contar essa história. O livro já foi traduzido para vários idiomas e lançado em muitos países, inclusive o Brasil.

Lançando sementes
Nós podemos ver nessa história é que, conforme escreveu o apóstolo Paulo, ”Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes.”Podemos aprender com Mukhtar Mai que qualquer uma pessoa, mesmo que seja analfabeta pode fazer a diferença no mundo plantando o Bem e denunciando a injustiça, e isso deve começar onde estivermos.

“Sinto-me como uma pequena planta que começa a crescer. Ainda precisamos ver os frutos. Mas, na vila onde moro, histórias como a minha não acontecem mais”.
Mukhtar Mai

Ordem de Melquisedeque
Eu me inclino diante do exemplo dessa mulher simples, a quem honro diante de todos porque, para mim, ela é serva do Deus Altíssimo, segundo a Ordem de Melquisedeque.


Bento Souto
bentosouto@caiofabio.com
http://www.caiofabio.com/2009/conteudo.asp?codigo=04762

quarta-feira, 20 de maio de 2009

domingo, 17 de maio de 2009

Canção Óbvia por Paulo Freire


Escolhi a sombra desta árvore para
repousar do muito que farei,
enquanto esperarei por ti.
Quem espera na pura espera
vive um tempo de espera vã.
Por isto, enquanto te espero
trabalharei os campos e
conversarei com os homens
Suarei meu corpo, que o sol queimará;
minhas mãos ficarão calejadas;
meus pés aprenderão o mistério dos caminhos;
meus ouvidos ouvirão mais,
meus olhos verão o que antes não viam,
enquanto esperarei por ti.
Não te esperarei na pura espera
porque o meu tempo de espera é um
tempo de quefazer.
Desconfiarei daqueles que virão dizer-me,:
em voz baixa e precavidos:
É perigoso agir
É perigoso falar
É perigoso andar
É perigoso, esperar, na forma em que esperas,
porquê êsses recusam a alegria de tua chegada.
Desconfiarei também daqueles que virão dizer-me,
com palavras fáceis, que já chegaste,
porque êsses, ao anunciar-te ingênuamente ,
antes te denunciam.
Estarei preparando a tua chegada
como o jardineiro prepara o jardim
para a rosa que se abrirá na primavera.

Paulo Freire
Genève, Março 1971.
In: Freire, P. Pedagogia da Indignação. São Paulo: UNESP, 2000.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Minha vida em Angola! por Jaqueline Moreira

Jaqueline é uma amiga, recém formada em Serviço Social, que ama a Deus e tem senso de missão. Agora ela está na Angola. Que Deus a abençoe!

23/04 – O dia inteiro foi despedindo-me dos meus amigos e família brasileira... Confesso que não foi nada fácil, chorei muito por deixar as pessoas que tanto amo, afinal sou humana, tenho coração e amo a todos.

Finalizei realmente minha mala, próximo de minha saída para a rodoviária de Americana, minha família me levou... As lágrimas expressaram todo meu sentimento de deixá-los para cumprir um sonho e uma missão.

Às 23h10, meu ônibus saiu rumo a minha última viagem brasileira, cidade maravilhosa.
24/04 - Cheguei ao Rio de Janeiro às 8h, meu amigo estava me esperando junto com o taxista, fomos direto para a casa dele, e saímos de imediato para pagar o aéreo.

Conheci as principais praias num ônibus, e me questionando por que não tinha ido antes... Até que encontrei um grande problema que deixou eu e meu amigo muito preocupado e com fome... Cada segundo era preciosíssimo... Meu cartão de crédito não passava de jeito nenhum... Tivemos que ir a minha agencia para sacar o valor, mas não foi possível porque, na correria, deixei meus documentos na mala, tivemos que voltar, mais 3 horas dentro do ônibus (ida e volta).

Conseguimos chegar ao banco, faltando 30 minutos para fechar, estava uma fila gigante, mas o atendente passou-me na frente porque já havia ido de manhã. Fomos direto a agencia, quando ela nos disse que o vôo sairia às 22h, eu e meu amigo não sabíamos se riamos ou chorávamos... Quanto nervosismo haviam os passados. Se fosse às 19h, conforme me falando por telefone, não iria dar tempo, teríamos mais 1h30 para chegar a casa... Não chegaria às 18 no aeroporto, muito menos na casa. Sendo assim, comemos nosso almoço às 16h10.

Chegamos à casa do meu amigo, às 18h40, tomei um banho de gato e fui para o taxi. Cheguei ao aeroporto 10 minutos atrasada do limite, ou seja, às 20h10, fui direto fazer meu check-in, e às 21h eu já estava dentro do avião, realizando mais um sonho.
Às 22h15, o vôo iniciou a viagem, que coisa maravilhosa e tranqüila estar nele, não senti nada, pelo contrário, melhor transporte que já andei. Pegamos turbulência sim, mas não é nada tenebroso. A janta que serviram estava maravilhosa...

24/04 – Às 4h, horário de Brasília, eu adiantei meu relógio no horário de Angola, ou seja, 8 horas. Antes serviram café da manhã maravilhoso.

Cheguei a Luanda às 9h, e já percebi a diferença: o clima é de muito calor, o céu é diferente, a paisagem não tem as mesmas cores do Brasil. Às 9h45 eu já estava esperando me buscarem... Foi uma sensação muito estranha, eu estar na saída parada com minhas malas e todos me olhando, todos que estavam esperando pessoas chegarem, ou seja, 98% angolanos. Logo apareceu um rosto conhecido que veio em minha direção, nos cumprimentamos e fomos para a caminhonete... Três angolanos nos acompanharam querendo nos ajudar, eu não sabia se estavam com o meu amigo ou não, uma vez que chegaram junto com ele e me deram a mão em cumprimento... Só percebi que não eram quando me pediram 50 dólares pela ajuda com as malas e de colocar e amarrá-las na caminhonete.

Dentro do carro, o Lucas me explicou algumas coisas diferentes que acontecem em Angola... Inclusive que viria muito carro grande... No caminho para casa, parou para eu conhecer o seminário salesiano, de frente fica a faculdade católica, a única em Angola que tem o curso de Serviço Social, porém não entrei, a fachada é bem diferente da nossa... No seminário conheci dos padres, mas não lembro seus respectivos nomes...

Voltamos para a estrada, esta é muito diferente do Brasil, no Brasil é raro quando encontramos pessoas vendendo coisas no trânsito ou semáforo... Aqui não, isso é normal, tem homens e mulheres, e se vende de tudo: desde água, sumo (suco), gasosa (guaraná), frutas, até carnes, roupas no cabide e, eletrodomésticos... As idades desses angolanos são variadas, desde criança a idosos...

No percurso eu quase não consegui falar, as palavras sumiram, não estava sentindo o meu coração, mas em momento algum me senti chocada, grande parte do que vi já havia passado na televisão... Só sei que até agora não sei qual o motivo das palavras não terem saído... Não conseguia acreditar que eu havia chego, que estou em outro país e principalmente, na tão pobre África... Ouvi várias vezes o Lucas me falar: - Isso aqui é África... Não fiquei sem falar com ele, apenas respondia o que me falava... É inexplicável... Talvez fosse o cansaço de praticamente ficar sem dormir durante duas noites (ônibus e avião).

Paramos num estabelecimento de um português comprar garrafas de água... Eu não desci, aproximou um menino aparentando três ou quatro anos de idade, e ficou sorrindo e me olhando pelo vidro da caminhonete e me disse a palavra brinquedo... Automaticamente lembrei-me dos muitos brinquedos que doamos para crianças brasileiras e de alguns que estão no banheiro da minha casa no Brasil...
Após seguimos para Kalakala, e ele continuou a fazer perguntas e relatar suas experiências... Que paisagens belíssimas da natureza, parece tudo perfeito, mas não é...

Chegamos a Kalakala quase 15h00, paramos para tirar uma foto minha no portal da fazenda... Ao chegar ao portão, tocou as primeiras buzinas e foi aparecendo os meninos, os educadores e voluntários... Cantaram algumas musicas, me senti totalmente anestesiada e sem palavras... Um menino dançou rapidamente e em minha frente alguns passos do Kuduro. Após as palavras do Lucas de apresentação, eu tive que dizer as minhas não me lembro de nada... Parecia que estava tendo mais um de meus sonhos com Angola...

Lembro de algumas carinhas assustadas, de algumas sorrindo, das boas-vindas da Carola (argentina), que ficou muito feliz por eu chegar, dividimos a mesma casa de banho (banheiro). Levou-me para conhecer a casa e depois meu quarto. Meu quarto tem ar condicionado, duas beliches, eu durmo em uma cama, sobra três para quem quiser me visitar... RS!

Ao deixar as malas no quarto, Lucas me chamou para ir conhecer o restante com quatro visitantes adolescentes de uma paróquia... Logo após, fomos para a sala, não conseguimos conectar a internet... Ficamos batendo papo e logo adormeci... Acordei e fui matar bicho (comer) e fui chamada por Carola para ir à missa na nossa capela. Todos participam da Santa Missa, aos sábados, eu me emocionei com o canto ao vivo dos meninos... E no final o padre (uruguaio) e nosso diretor espiritual me chamou para dar boas vindas...

Logo após a missa serviu o jantar, com oração no inicio e no fim, sentamos olhando para os meninos, conversei muito com o padre, mas não quis comer, caso contrário não comeria no churrasco à noite... Os meninos demoraram muito para se aproximar de mim, ao sairmos da capela alguns se reuniram próximo de minha foto e fui falar com eles, bem como no final da janta, mas me olham muito... Conversei com alguns, até que eu e Carola fomos para o quarto, conversamos muito, cada uma tomou seu banho e fomos para o churrasco no fundo de casa... Neste participou os voluntários e convidados, estava presente: Lucas, Paulo, Carola, Padre, Manuel e Pedro (portugueses) e um caseiro que mora na nossa fazenda.

O churrasco foi muito farto, conversaram e riram muito, eu mais observei do que falei... Não estranhei o arroz, mesmo tendo gosto diferente. O ruim é que a noite tem muito mosquito, tivemos que ficar na sala com as portas fechadas e o ar condicionado ligado.

Fui dormir muito tarde e muito feliz, posso dizer com toda certeza que minha primeira noite em Angola foi inesquecível!

26/04 – Meu Deus que domingo corrido, porém muito importante. Acordei no meu horário, nessa primeira semana será assim, não preciso seguir o relógio da casa. Os meninos e voluntários acordam às 6 horas, mata bicho é servido às 6h30. Acordei às 8h. Lucas disse para eu conhecer a enfermaria, Lucas e Paulo estavam fazendo curativo em uma senhora que caiu na aldeia... Não tive coragem de olhar, talvez eu tenha que ajudá-los nessas questões... Precisarei de muita coragem e força de Deus, uma vez que não me sentia bem com essas questões, mas minha mente e meu coração estão abertos para tudo e sei que eles precisam de mim...

Logo, eu e Carola saímos com Lucas para buscar pomada para um senhor com lepra na aldeia, conheci duas irmãs salesianas de Uruguai, extremamente simpáticas.
Na estrada contemplei a bela natureza de Angola, como também alguns lugares bem precários... mas tudo isso aqui é África.

Recebi minha primeira visita em minha casa angolana, grande amigo Simão veio me visitar, juntos fomos com o Lucas conhecer as aldeias, e levar o Corpo de Cristo para dois homens doentes. No caminho encontramos pessoas que nos pediram boleio (carona), fiquei admirada quando vi uma cena que só via em filmes – mães com seu filho nas costas, mais calões com 20, 40 kilos de águas levando na cabeça, ou senhoras bem idosas fazendo um grande percurso... Lotamos nossa caminhote com elas e de galões...

Passamos e paramos em três aldeias, novamente vivenciei cenas de filmes, meu Deus quanta criança sem nada para fazer, todas sujas, com poucas roupas, barrigudas, vivendo na miséria extremas... Graças a Deus não me senti mal e sim feliz por Deus ter me dado essa oportunidade de fazer a diferença na vida dessas famílias... Fui o centro das atenções das crianças, mas foram pouquíssimas que se aproximaram.

É importante relatar que as mulheres angolanas trabalham muito mais que seu marido, e passam seus dias sentados na frente de seus barracos, muito piores que de uma favela brasileira, e infelizmente, muito sujo... Porém, o povo é muito alegre e todos querem nos cumprimentar... O Lucas é muito querido por eles, gritam seu nome para dar tchau.

À tarde, realmente foi uma grande experiência de vida, mas acima de tudo espiritual, pensei em diversas pessoas brasileiras que necessitavam estar comigo para refletirmos que o pouco que temos é muito perto dessas famílias que vivem dia após dia sem nenhuma perspectiva de melhoria, vivem assim não porque querem e sim por não terem oportunidade de mudanças e seus antepassados assim viveram.

Foi uma felicidade muito grande visitar duas “casas” e levar Jesus Cristo para eles e vivenciar a felicidade em recebê-Lo com a fé e esperança de serem curados.

Na última aldeia, Lucas fez rapidamente uma dança com as crianças, meu Deus, apareceu muita criança do nada, acho que tinham umas 50 ao redor dele, todas felizes, cantando, dançando e batendo palmas, eu tive que segurar a emoção porque o coração bateu forte, queria estar lá no meio, queria também tirar sorrisos e principalmente, tirá-las da monotonia cotidiana. Mas terei que amadurecer nesse sentido, a cultura angola das aldeias é bem diferente de minha cultura. Porém é necessário fazer algo com a esperança que um dia mudaram.

Fiquei muito feliz quando o Lucas me disse que irei trabalhar com as famílias das aldeias, principalmente quando a criança estiver faltando muito das aulas, irei analisar o motivo e tentarei fazer com que ela permaneça. Sei que será um desafio muito grande porque os pais não estudaram e não conseguem exigir que o filho estude, para eles é cômodo ter o filho na aldeia, esses filhos jamais dão trabalho, principalmente quando estão doentes, não há nada para ser feito... E nós, principalmente, eu com os professores iremos fazer algo para esses filhos não sofrer tanto quando estiverem enfermos, e tentaremos de tudo para que ele não venha a óbito...

Voltamos para Kalakala no inicio da noite, fiz todo o percurso calada, com mil coisas passando em meu coração, pena que não sei como explicar para vocês, é só estando aqui para sentir e vivenciar, mas a felicidade jamais some, que bom que Deus me deu essa graça de fazer a diferença na vida de quem realmente necessita.

Fomos jantar os meninos ainda me olham com tímidos e com vergonha de se aproximarem. Mas é normal, sou uma pessoa nova e muito diferente deles.

Fui dormir sem hora certa para acordar, isso durante a semana inteira porque é minha semana de adaptação, mas às 6h acordei com o barulho dos meninos, meu Deus quanta falação... Eles falam muito rápido e quase não dá para eu entender! Continuo mais observando do que falando! Porém, voltei a dormir!

26/04 – Foi um dia extremamente tranquilo, não sai de Kalakala, aproveitei para me aproximar dos meninos, está dando certo. De manhã o Lucas me levou para conhecer três salas de aulas com as crianças das aldeias, que lindas, porém tinha duas que estavam dormindo na carteira, o Lucas encaminhou-as para o nosso enfermeiro fazer análise.

Após o almoço, observei os meninos internos fazerem limpeza em seus quartos, eles dividem um quarto com mais três, alguns estavam limpando os pátrios, é uma forma de incentivarmos a limpeza porque eles não tiveram esse costume com seus familiares.
Na janta, um menino pediu para falar comigo em particular, e lá fomos nós sentarmos ao ar livre, queria dizer que gostou muito de mim, eu sorri, e meus olhos nadaram em lágrimas, tive que contê-las, meu Deus, ainda não fiz nada para ele gostar de mim, apenas estou observando-os... Quanta falta de amor e de atenção... Conversei rapidamente com ele porque logo fiquei rodeada de meninos, todos me fazem perguntas ao mesmo tempo e fico perdida porque não entendo algumas e não dá para responder todos ao mesmo tempo...

Às 21h todos nós nos reunimos com os meninos na capela para rezarmos e darmos feliz noite.

À noite, infelizmente o sono não veio, fiquei até tarde conversando com o Lucas e Paulo, um contando para o outro histórias vividas no Brasil, até que o Paulo quis ir deitar, e todos nós fomos, mesmo assim demorei muito para dormir, deve ser devido ao fuso horário, afinal são de 4 horas, mas só no horário de dormir porque com o horário da refeição já está certo e me habituei.

28/04 – Hoje acordei com Lucas batendo em minha porta, era 9h40, estava louca para tomar um banho, mas infelizmente fiquei sem porque acabou nossa água...
Hoje foi um dia estressante, muito calor e fiquei muito tempo sem ter nada para fazer, procurei mais não tinha, portanto fiquei boa parte do dia sentada na sala lendo um manual internacional dos missionários salesianos.

Ah, na hora do almoço com os meninos tive que comer uma comida típica de Angola, em especial das aldeias, chama-se Funji/Fungi (não sei como escreve), é parecida com a polenta dura brasileira, porém sem nenhum tempero, até mesmo sal, o Lucas disse que se colocar tempero os meninos não comem, e todos ficaram me olhando para ver meu rosto ao comê-la... Com a graça de Deus e muito molho da carne eu consegui comer... E comerei novamente.

Na janta foi servido arroz e a mesma carne, comi pouco porque Lucas fez rosquinhas de coco (igual de minha mãe, ambos lembramos-nos de nossas mamas) e já sabia que iria fazer lanche para nós. Todas as noites temos que comer com eles, nem se for um pouquinho, mas temos, é impressionante a quantidade de comida que eles comem e repetem, Lucas me explicou que no começo alguns deles chegaram a desmaiar de tanto comer... Alguns meninos continuam com vergonha de mim, até disseram ao Lucas que não repetem porque eu estou olhando para eles, não tem como não olhá-los, sentamos de frente para todos.

Lembrei-me de uma coisa, muitos meninos me chamam de irmã Jaqueline ou irmã Jaquí (com acento no í).

Infelizmente tentei conectar a internet para mandar e-mails, mas novamente não consegui, queira Deus que amanhã de para enviar este.
Nesses quatro dias em Angola, posso dizer que estou muito bem e feliz, estou sendo tratada bem por todos e quero começar logo a trabalhar... Graças a Deus em nossa geladeira não falta nada, porém senti falta do nosso pão francês, aqui em Angola ainda não encontramos somente pão caseiro, que é comprado...

Peço a Deus por nossa saúde, que ela esteja em equilíbrio e que todo mal não chegue até nós. Amém!

domingo, 10 de maio de 2009

POR QUE PREGAR O EVANGELHO?...

Pregar o Evangelho é meu privilégio, mas não é o encurralamento de Deus!
O mandamento para pregar ao mundo é parte da Graça divina de fazer dos homens Seus cooperadores no semear o bem na Terra, mas não é porque sem o homem e sua boa disposição Deus não tenha como se comunicar com quem Ele bem deseje.

Pregar não é um mandamento para anjos, mas para homens. No entanto, quando os homens não pregam, os anjos pregam.

Sim, se os homens não pregam o Evangelho, tudo o mais prega... A Natureza prega, os rios pregam, as árvores pregam, os jumentos pregam, as mulas pregam, as pedras pregam...

“Por toda a terra se faz ouvir a Sua voz”.

Sim, nesta manhã de 10 de maio de 2009 Deus está falando...

Está falando nas montanhas distantes do Tibet. Está falando nas ilhas perdidas do Pacifico. Está falando nas tribos silenciosas da África. Está falando com índios puros... Está falando com prostitutas que se deram como pão ao diabo a noite toda...

Está falando até com crentes...

Sim, Ele fala por toda a terra...

Fala por sonhos, pela consciência, pela memória de um tempo bom, pela recordação de bons conselhos, pela cogitação do bem gerado pelo Espírito Santo, pela sabedoria silenciosa que Ele derrama sobre todos, pelo olhar simples de um filho, pela lágrima da mãe, pelo esforço amoroso de um pai, pela solidariedade de um samaritano anônimo, pela estrela que diz algo ao mago distante, pelo cicio suave que fala à viúva que ela não está só...; ou, como quase sempre, Ele fala no silencio, no intimo, como segredos de um Pai que a pessoa nem sabe que tem.

Ah, como são presunçosos e arrogantes os que pensam que se não forem Deus não terá como ir!...

Deus é! Deus está!...

Eu é que tenho o privilégio de me engajar na aventura de Deus de contar aos homens sobre o Seu amor!

Sim, pois, quando assim faço, o maior beneficiado sempre sou eu, antes mesmo de ser aquele que me dê ouvidos.

E mais:

Para mim pregar não é uma obrigação. Não! Jamais! Pregar é minha alegria, é minha impossibilidade, é minha paixão, é meu vício santificado, é minha vida, é meu sentido, é minha razão de ser.

Não pregar para mim seria como amar minha mulher sem fazer amor com ela; seria como crer que amo e nunca confessar; seria como ser apaixonado e me esconder do amor; seria como saber da vida e não contar nada a ninguém; seria como ver e a ninguém esclarecer sobre o caminho...

Há muitas motivações para pregar...

Muitos pregam para ficar famosos, para terem uma posição fácil, para arrecadarem sem esforço, para suscitarem inveja em outros, ou mesmo por mera disputa de poder e crescimento...

Outros pregam por se considerarem incompetentes para fazerem qualquer outra coisa... Então, por exclusão, sentem-se chamado pela incompetência para o “ministério da Palavra”.

Entretanto, quando alguém prega apenas por amor, esse logo notará que quanto mais pregue, mais a pregação forjará caráter nele mesmo. Ou seja: pregar com amor trás a Palavra para dentro da gente, na forma de caráter e de conteúdo natural do ser.

Portanto, pregue para o bem de todos, mas, sobretudo, para o seu próprio bem.

Entretanto, saiba:

Se você não for, as pedras rolarão..., e dirão a todos os que necessitem aquilo que os homens pedrados se negam a falar com amor.

Ó Espírito Santo! Derrama o amor de Deus sobre os homens no dia de Hoje!

Nele, que fala de Si mesmo a todos os homens,

Caio

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sobreviva e ganhe depois - Elie Horn


O "mito" se transformou em homem de carne e osso. O empresário Elie Horn, presidente e controlador da Cyrela Brazil Realty, a maior incorporadora de imóveis do país entrou numa das salas de reunião da sede da empresa para conceder sua primeira entrevista a um jornalista brasileiro.

Aos 64 anos de idade, 46 deles a frente de sua companhia, Horn forjou ao longo da carreira a fama de empreendedor arguto e discreto. Aproveitou como ninguém o recente boom imobiliário brasileiro e a onda de aberturas de capital. Com o IPO da Cyrela, em 2005, levantou 900 milhões de reais e ingressou no reduzido grupo de bilionários brasileiros. Praticante fervoroso do judaísmo, Horn sempre evitou qualquer exposição pública - em grande medida porque os ensinamentos religiosos pregam a humildade.

Em sua primeira entrevista a imprensa brasileira, Elie Horn, dono da Cyrela, fala sobre como encara a crise e o que é possível aprender com ela.

Que tipo de executivo o senhor gosta de ter trabalhando ao seu redor?
Primeiro tem de ser honesto. Depois tem de ter boa índole e ser trabalhador. 0 mais importante e o caráter. A inteligência vem depois. E tem que vestir a camisa da empresa.

0 senhor é muito religioso. Como essa característica se manifesta na condução dos negócios?
Deus cria seres diferentes, com credos diferentes, para cada um, no fim chegar a Ele a sua maneira. Acredito em Deus e na missão humana. Qual a minha missão nesta Terra? Primeiro, fazer o bem. Grande parte do meu patrimônio, não vou dizer quanto, irá para a caridade. Meu pai doou tudo o que tinha. Com isso dá um significado ao trabalho. Eu posso transformar o produto do trabalho em dinheiro a depois usar o dinheiro para ajudar pessoas menos favorecidas. 0 dinheiro pode ser santificado quando ajuda a salvar pessoas.

Mas em alguns momentos o lado empresário e o lado religioso devem entrar em conflito...
Não. Estamos aqui com a missão de ligar o espiritual ao material. Na hora em que você ganhou um tostão e esse tostão ajuda a salvar uma criança, você santificou e dignificou o dinheiro fruto de seu trabalho. Nessa hora, tudo o que parece ser egoísta deixa de ser.



Reportagem de Cristiane Correa - Leia todo a entrevista na Revista Exame 25/03/09.

terça-feira, 5 de maio de 2009

O “CRISTIANISMO” COMO O PIOR ADVERSÁRIO DO EVANGELHO...


O fato simples é que sem religião, Jesus é quase irresistível, quando exposto em Sua nudez de simplicidade.

Disse “quase irresistível” porque existem os que odeiam o bem e o bom.

Entretanto, na maioria das vezes, em qualquer lugar e cultura, a mera apresentação de Jesus, sem doutrinações, sem vínculos culturais, sem adereços e penduricalhos, o torna insuportavelmente desejável.

Infelizmente, salvo pequenos spots de total ignorância acerca da existência do “Cristianismo” [que é o maior dificultador de Jesus na Terra], Jesus não mais chega sem ter sido precedido pelo anti-testemunho do Evangelho feito pelo “Cristianismo” e sua história de morte, perseguições, corrupção e perversão do Evangelho.

Se a humanidade tivesse uma amnésia total acerca do “Cristianismo”, e Jesus, somente Ele, fosse pregado na simplicidade com a qual Ele mesmo anunciou o Evangelho, então, creia: uma explosão aconteceria.

O “Cristianismo”, todavia, inviabilizou o Evangelho como testemunho universal!

Assim, é a Religião dos Cristãos o poder mais cria antagonismo ao Evangelho entre os homens.

Os Judeus já teriam outra atitude frente ao Evangelho não fosse o Cristianismo.

O mesmo se pode dizer dos Islâmicos...

O mesmo se pode dizer dos Hindus e Budistas...; e de todos os demais grupos históricos importantes.

Os cultos Africanos caso não tivessem sido demonizados pelo “Cristianismo” das formas culturais, e pela impaciência religiosa do “crsistãos”, também não fariam resistência, assim como em geral os índios, quando apenas expostos ao Evangelho, não o rejeitam, antes abraçam Jesus como um menino abraça um amigo.

O “Cristianismo”, no entanto, historicamente, desfigurou Jesus de tal modo que Ele se tornou desprezível em muitos lugares, e não é por maldade humana, mas apenas pela impossibilidade de aceitar o estupro do pacote “cristão sem o espírito de Jesus”.

Desse modo, historicamente, até hoje, o pior inimigo de Jesus e do Evangelho na Terra foi o “Cristianismo”.

Sim, historicamente, quanto mais expansão do “Cristianismo”, mais dificuldades para o Evangelho de Jesus no mundo.

Quem conhece um mínimo que seja dos vasos comunicantes da História, sabe que não exagero nada.

Nele, que é Deus, e, portanto, nada tem a ver com o “Cristianismo”, assim como nada tem a ver com Religião, mas apenas com Vida e Amor,


Caio

segunda-feira, 4 de maio de 2009

COM A MORTE DO “PAI CRISTIANISMO”, DEUS ESTÁ ÓRFÃO?


Neste início de século há entre os cristãos uma crescente agonia. A tão propalada Era Pós-Cristã, já há algum tempo presente em localidades da Terra, hoje é uma realidade global, mesmo nos lugares onde as mais diversas formas de Cristianismo ainda são fortes como religião.

A questão é que o Cristianismo não acabará, mas apenas perderá seu poder histórico, já desde há muito usado e abusado, sempre se servindo do nome de Deus a fim de fazer as coisas conforme as ambições dos homens exercendo o poder de tornar as coisas de seu interesse em ordem divina ou em Direito Canônico.

Na realidade o Cristianismo já nasceu sob o signo da perversão. Ele não foi fundado por Jesus, que não era idiota, pois era Deus, e, portanto, jamais fundaria uma religião.

O Cristianismo é criação humana do pior tipo, fruto da mistura frankensteiniana feita no laboratório dos interesses políticos terrenos do Dr. Constantino, no quarto século.

Aliás, o nome dessa religião atribuída a Jesus deveria ser “Cristantinianismo”, pois seria muito mais próximo tanto da motivação original do Imperador Romano, como também seria um nome muito mais digno e sincero para designar os interesses que de fato o Cristianismo representou na Terra nos últimos 1700 anos; ou seja: desde que nasceu no leito palaciano de Constantino, mas nunca na manjedoura de Belém.

O Cristianismo acabou por virar uma besta de muitas cabeças e chifres, onde Jesus não é e nunca foi o Cabeça. Isto porque se Deus criou o Cristianismo Histórico e o patrocinou todos esses anos, então, creiam-me, o diabo pede licença para apresentar sua alternativa: o anticristo, o qual, não poderia nascer senão nos ambientes da manjedoura de Constantino.

Enquanto isso os cristãos discutem o que fazer. Uma nova mensagem. Uma reavaliação do conceito de “Deus”. Uma releitura do Evangelho. Um novo Deus. Uma nova espiritualidade. Novos paradigmas. Novos etcs...

Tudo para salvar aquilo pelo que Jesus não morreu!

Sim, porque Jesus não deu a Sua vida para criar o Cristianismo. Jesus não morreu para salvar nenhuma religião da Terra, nem mesmo aquela que tomou Abraão como “pai”.

Jesus é Senhor e Salvador de todos os homens, não dos filhos do Cristianismo.

Se Deus tem algum interesse em religião, então, certamente, de duas, uma: ou Ele, em tendo tais estranhos interesses (próprios da mais medíocre finitude), escolheria outra religião para representá-Lo na Terra, o que seria muito estranho (e, para mim, razão de total descrença acerca desse “Deus”); ou, então, Ele não é Ele, mas apenas uma fabricação humana, e, nesse aspecto, não haveria em minha alma qualquer estimulo a adorá-Lo.

E o Deus Verdadeiro sabe que falo sério!

De fato, ao contrário do que parece, a salvação da verdadeira fé está justamente no desaparecimento do Cristianismo como Potestade na Terra!

Enquanto o Cristianismo Histórico for o guardião da crença cristã, não haverá lugar para Jesus na “hospedaria” desse reino feito de pequenos Herodes, os quais amam tanto o seu próprio poder, que nem mesmo Jesus desperta mais interesse neles.

É por esta razão que os cristãos-de-herodes haverão de ficar perplexos ao verem que gente que segue estrelas com sinceridade chega ao lugar da adoração Dele com muito mais rapidez do que os que discutem o “livro santo” e não tiram a bunda do lugar a fim de irem também adorar.

Enquanto a Terra geme e se contorce, vivendo seus piores dias, os cristãos discutem se Deus muda, se sente ciúmes, se volta atrás, se se esvaziou de vez e não sabe mais voltar, se depende de nós o entendê-Lo e explicá-Lo aos habitantes do mundo, se o Cristianismo chegou ao fim, se se deve lutar pela sua preservação, e um monte de outros “ses” a mais.

“Ri-se deles o Senhor!” — diz a Escritura acerca da triste ironia de Deus, embora, na intimidade, o que se diga seja apenas: “Jesus chorou”.

Ah, amigos! Não me chamem para discutir nada. Não há nada a ser discutido. Há apenas muita coisa a ser crida e vivida, não criada e discutida.

Sim, tem que ser criado, pois os criados obedecem!

Entretanto... Há um Evangelho eterno para pregar, segundo o Apocalipse, e, quem brada pelo meio do céu anunciando tal hora é um anjo que já voa pelos ares invisíveis do planeta, clamando: “Temei a Deus e dai-lhe glória! A Ele que criou os céus, a terra, o mar, e as fontes das águas”.

Ora, a esse anjo desejo unir a minha voz, sem discutir a mensagem, sem teologizar suas palavras, sem perguntar onde, sem querer saber de nada...

Quero apenas gritar junto com o anjo!

Não há tempo a perder!

Olho as discussões teológicas que me enviam pela Internet e choro com a perda de tempo e energia. Isto enquanto a Terra acaba e a civilização humana corre sérios riscos...

Sim, somos como os egoístas do Titanic, capazes de brigar e matar enquanto o navio inteiro afunda.

Que tristeza! Nem mesmo o fim do mundo tem o poder de acabar com nossa enraizada babaquice!

De fato, seguindo Tiago, eu diria que quem quer que deseje uma religião, não tem que discuti-la, mas apenas praticá-la de modo simples, o que, para o apóstolo, significava visitar os órfãos e as viúvas em suas necessidades e acolher os mais fracos. Ora, nos nossos dias, além disso, certamente Tiago incluiria “preservar a Terra e toda a criação de Deus”, conforme João o faz no Apocalipse, ao dizer que o juízo do Cordeiro virá sobre os que destroem a Terra e escravizam almas humanas.

Mas não! Os caras querem é preservar “Deus”, o “Cristianismo Histórico”, as “sãs doutrinas” dos “sãos” e um monte de outras coisas.

Sim, o Grande Órfão da religião deles é Deus, o qual, sem cuidados e sem redefinições de Sua “identidade”, fica perdido no cosmos sem saber o Seu santo lugar.

Assim, os teólogos cristãos criam e afofam um leito para esse novo Deus repousar enquanto eles decidem Sua crise de identidade, a qual não é dos teólogos — todos mais do que conscientes de quem são —, mas sim desse pobre e combalido Deus, o qual tem sido mantido vivo pela respiração boca-a-boca que Seus médicos-teólogos fazem em Seu Santo Corpo-Conceito.

Já está tudo consumado, em todas as coisas, mas os caras ainda querem acrescentar novos valores a Deus. Coisas que nem mesmo Deus conhecia.

Deus É! E quem mexer nisso está brincando com um fogo que a tudo extingue! Portanto, cuidado!

De saco cheio de tanto tempo perdido e de tanta bobagem discutida,

Caio

domingo, 3 de maio de 2009

COMO O CAMINHO DO EVANGELHO VIROU CRISTIANISMO


O que será que Jesus tinha em mente quando disse aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder?

Esperava Ele que após o derramar do Espírito eles ficassem Jerusalém? Que ali fizessem uma base? Que o lugar se tornasse um centro de decisões? Que ficassem e tentassem converter o judaísmo à fé de Jesus? Que buscassem tornar fariseus em discípulos fariseus? E fazer sacerdotes saduceus (a classe sacerdotal) tornarem-se discípulos sacerdotes? Será que Ele desejava que dali para frente o que quer que acontecesse em qualquer lugar tivesse que ser referendado pelo poder dos discípulos de Jerusalém? E que toda e qualquer expressão dos novos discípulos, de outros lugares, tivesse que ter o carimbo de autenticação feito no cartório de Jerusalém?

Paulo vai até eles, “aos de Jerusalém”, apenas duas vezes. Na primeira, vai constrangido pela bobagem dos motivos da ida, mas vai assim mesmo, buscando paz e a diminuição da opressão que ele mesmo sentia na pele, sendo sempre perseguido ou por fariseus em “missão” no estrangeiro, ou por cristãos judaizantes. Assim, em Jerusalém, Paulo consegue uma carta com algumas concessões para os cristãos gentios. Para Paulo era apenas uma tentativa de diminuir o conflito, mas, certamente, era uma carta básica demais para as alturas de entendimento pelas quais o espírito de Paulo já planava ao sabor do vento da Graça. Na segunda vez que lá esteve também fez de tudo para acalmar os “líderes de Jerusalém”, e até se submeteu a um “voto”, e raspou a cabeça, e foi fazer orações no templo, até que foi apanhado pelas autoridades judaicas que se deixaram levar pelas provocações de judaizantes que encontraram a Paulo na cidade, e que já o perseguiam desde há muito; e, assim, alegraram-se com a possibilidade de matar aquele piolho contra as paredes pedradas de Jerusalém.

Paulo acabou preso, tendo que se defender sozinho, sem contar com uma única voz apostólica a seu favor, e sem nenhuma aparente ação de Tiago — o líder de Jerusalém — ou de seus seguidores; e foi deixado à sorte e aos humores dos judeus.

Para mim, o desconforto de Paulo com a igreja de Jerusalém — e a ação deles em relação a Paulo — bem expressa o que ele cria que não deveria ter acontecido jamais. Paulo queria ver seus compatriotas convertidos e crendo em Jesus, mas não desejava que a fé tivesse um centro físico de decisões, um vaticano, que, efetivamente, foi aquilo no que a incipiente igreja de Jerusalém desejou fazer de si mesma: um centro de decisões para os demais cristãos.

Ora, a ordem de Jesus era para que se pregasse também em Jerusalém, mas que de lá se fosse pela judéia, por Samaria, e até aos confins da terra. Eles, todavia, ficaram, ficaram, e ficaram em Jerusalém. E de lá só começaram a sair quando da perseguição de Estevão, tempos depois. E logo retornaram; e logo lá se re-estabeleceram, a ponto de Tiago se orgulhar, dizendo a Paulo: “Vê, irmão, quanto milhares de milhares há entre nós que crêem, e são todos zelosos da lei”. O que para Tiago era uma alegria e uma vitória da fé, para Paulo, era, todavia, uma derrocada.

É insistente a rejeição de Paulo com relação ao papel cartorial e papal que a igreja de Jerusalém evocava para si mesma. O centro do poder!

Esta é uma demonstração simples de como o “poder do Espírito” — “permanecei na cidade até que do alto sejais revestidos de poder!” — pode, rapidamente, se transformar em poder político-religioso, mesmo que o argumento seja tão supostamente nobre quanto dizer: “É para regular a fé”.

Eu comecei fazendo a seguinte pergunta: O que será que Jesus tinha em mente quando disse aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder?

Na minha opinião, Ele esperava que tudo quanto Ele havia dito antes acerca de como se deveria proceder, de cidade em cidade, fosse, agora, não mais “treinado”, como antes Ele os fizera experimentar — Mateus e Lucas narram esse eventos preparatórios —, mas sim, que agora, tudo aquilo fosse vivido como uma ação continua, num fluxo ininterrupto, num vai-e-vem constante, e como um poder que nunca tivesse um trono, nem uma cidade santa, nem um vaticano, nem um centro de poder.

Tudo o que Jesus queria era que os discípulos continuassem discípulos e que os apóstolos fossem os servos de todos. sem haver nem alguém maior, e, muito menos, um lugar mais santo, ou um centro de poder.

Eu vejo Paulo sendo acusado de ter criado o cristianismo. Que terrível acusação!

Não, não acusem Paulo disso. Pode-se dizer que dele vieram as elaborações e as conclusões “teológicas” acerca do significado daquilo que entre eles havia acontecido como fato histórico, mas que não tinha ainda tido sua síntese reflexiva e aplicativa feita por ninguém antes. Os apóstolos pregavam a salvação no nome de Jesus, mas não sabiam das implicações mais profundas da fé, e nem tampouco acerca da desconstrução religiosa que tal fé, sendo discernida, provocaria.

Acusem sim os “pais da igreja” e seus “mestres” de haverem feito doutrinas sobre as afirmações de Paulo, e de terem usado suas revelações acerca do “mistério antes oculto, agora, porém, revelado de uma vez por todas”, em um pacote de doutrinas que vieram a moldar o pensar do cristianismo, embora a prática religiosa posterior dos cristãos seja tão-somente filha do casamento da igreja de Jerusalém com as autoridades do templo, e com os legalismos dos fariseus “convertidos à fé”. A isso, posteriormente, se fez sincretismo, incorporando noções dos cultos de mistério dos gregos, abrindo-se também para as influências gnósticas, e adotando o método grego — mais precisamente o Aristotélico — a fim de ser o “modo científico” da igreja pensar e fazer teologia e suas filhas: as doutrinas.

Jesus não havia dito apenas “fiquem”. Mas sim “fiquem até que sejais revestidos de poder”.

Jesus esperava que o poder do Espírito os fizesse sair em desassombro pelo mundo, pregando a Palavra da Boa Nova, ensinando singelamente os discípulos a serem de Jesus em suas próprias casas e culturas. Desse modo, se teria sempre um movimento hebreu, crescente, progressivo, livre, levado pelo vento, guiado pelo Espírito, e completamente semelhante ao que eles haviam vivido com Jesus durante o Caminho, naqueles três anos de estrada que construíram o Evangelho ao ar livre, nas praias da Galiléia, nos desertos da Judéia, nas passagens por Samaria, nas terras de Decápolis, e nas regiões onde os cachorrinhos, debaixo da mesa, aguardavam as migalhas que poderiam saciar a fome de toda a Terra.

Alguém, com razão, diria que tal projeto não seria possível, visto que ninguém consegue viver sem um centro de poder. Entretanto, parece que ainda não se discerniu que o convite de Jesus é contrário a toda lógica de poder, e não propõe nada que não seja Hoje, e que não obriga a ninguém a pavimentar o futuro de Deus na Terra mediante a construção de algo duradouro.

Para Jesus o algo duradouro era justamente aquilo que não se poderia pegar, nem fixar, nem pontuar, nem ser objeto de vistas turísticas, dada a sua impermanência num chão marcado pelas urinas dos mandões. Ele esperava que os discípulos fossem como o Mestre, e que aqueles anos de Caminho não ficassem cristalizados nas páginas dos registros dos evangelhos, mas que se tornassem um modo de ser de seus discípulos.

Jesus não era pragmático. Se o fosse, teria logo se mudado para Roma, ou teria aceitado o convite dos gregos, conforme João 12. Se Jesus fosse pragmático jamais teríamos o Evangelho. Isso porque o Evangelho propõe o Caminho Inviável, e que só se faz possível quando os homens são capazes de esquecer todas as suas formas de controle e poder.

O poder dos discípulos, paradoxalmente, está em não ter poder. E o convite para que se morra a fim de que se tenha vida é também valido para a igreja, que, ao contrário do discípulo, quer mandar na vida, e controlar os homens e o mundo. Assim, pretendendo salvar a sua vida neste mundo, a igreja não só perde a sua própria vida, mas deixa de ganhar o mundo.

O que Jesus queria era uma multidão de seres-sal-e-luz se espalhando pela Terra e se diluindo em sabores e luzes que só seriam sentidos mas não pontuados, jamais se tornando uma Salina ou uma Usina de luz cristã a ser visitadas pelos curiosos.

O reino é como o fermento escondido...até que pervade toda a massa da humanidade...sem ninguém saber como...e sem que ninguém possa dar glória a mais ninguém, senão ao Pai que está nos céus.

Aliás, a proposta de Jesus é tão pouco pragmática que a vontade de aparecer não pode resisti-la. O sal, por exemplo, foi usado por Jesus como metáfora desse desaparecimento da igreja na terra. Tudo ao que Ele associa a metáfora do sal é ao sabor, e nada mais. O sal tem que ter sabor, se não já não presta para nada. E para que o sal salgue e dê sabor, de fato, ele tem que se dissolver nos elementos que recebem o seu benefício. O sal só salga quando morre como sal visível e se torna apenas gosto, presença, realidade, inescusável benefício, embora ninguém possa dizer onde ele está, podendo apenas dizer: “Ele está na panela. Mas onde?”

Já a Luz do mundo —vós sois!— deveria ser a ação contínua da bondade e da misericórdia, de modo completamente discreto, porém pleno de efetividade, de tal modo que os “de fora” é que ao receberem os benefícios da luz, discirnam-na como boas obras, e, assim, eles mesmos agradeçam a Deus pelos filhos da misericórdia que Ele espalhou pela Terra.

O que Jesus propõe como simplicidade total, entretanto, logo deu lugar às complexidades regimentais e aos centros de poder. Mesmo dizendo “tal não é entre vós” — referindo-se ao poder de governar dos reis e autoridades —, o que se criou desde bem logo foi aquilo que era comum, não o que era completamente incomum.

“O meu reino, agora, não é deste mundo” os fez pensar que aquele “agora” já havia passado, e que, “agora”, eles estavam livres para facilitar as coisas, ou seja: para torná-las complexas, conforme os governos da terra, deixando de lado a leveza do caminho e o verdadeiro espírito hebreu —andarilho, cruzador de fronteiras—, que havia sido também encarnado em Jesus.

O que estou dizendo? Que nada valeu a pena? É claro que não! O que estou dizendo é que o mundo ainda não acabou, e que a cada nova geração os discípulos de Jesus têm, outra vez, a chance de viver o Evangelho, simples e puro, leve e livre, dissolvido em sabores sentidos, mas sem sede física de poder, sem qualquer mandão entre nós; e que a luz do mundo pode ainda brilhar no mundo, não como uma ação da igreja, mas como fruto da bondade justa e misericordiosa de cada discípulo que não queira ser um “agente da igreja”, mas apenas um filho do amor de Deus solto nesta terra.

“E não nos reuniremos mais?” — é a pergunta angustiada de alguns.

É claro que nos reuniremos sempre. Mas tais encontros não visariam centralizar as forças e organizar as ações de poder, mas apenas renovar as alegrias da fé e da esperança, fortalecer o amor e devolver as pessoas à vida com a simplicidade do sal e da luz. Ou seja, com sabor e boas obras.

Eu sei que pareço louco para alguns. Não nasci ontem. Conheço os mecanismos de poder dos quais a “igreja” se alimenta. E também sei que apenas um punhado mínimo de pessoas tem a coragem que o Evangelho do reino demanda, que é a coragem para abrir mão do poder para liderar pela simplicidade, sem trono a nos acolher em honras.

Quem, no entanto, tiver tal coragem da simplicidade, esse conhecerá o significado de ser discípulo de Jesus no reino deste mundo, e que é o poder que nasce da fraqueza — que, aliás, é o único poder que Jesus quer ver sendo vivido pelos Seus discípulos.

Minha esperança é que pelo menos alguns poucos entendam e creiam.

Caio

sábado, 2 de maio de 2009

O CRISTIANISMO COMEÇA A CAIR NA AMÉRICA…


Quando bin Laden derrubou as duas torres, de fato derrubava não apenas o que caía em Nova York, mas, também, muitas estruturas invisíveis, feitas de crenças, muitas delas religiosas.

Osama bin Laden fez cair fogo dos céus sobre a América! — pelo menos é assim que muita gente no mundo vê o que aconteceu e os desdobramentos que se seguiram.

O link http://news.aol.com:80/article/religion-in-amerca-survey/374444 [em inglês] mostra o crescente e súbito declínio da religião na América do Norte.

São antigos cristãos deixando as crenças ou apenas o clube religioso: a paróquia, o templo ou a “igreja”.

No entanto, como o que fazia tais pessoas se sentirem religiosas era a freqüência aos cultos e a importância que davam ao grupo do qual fizessem parte, então, agora que perderam toda a fé na “Instituição”, o que sobra é o que sempre foi e apenas a pessoa não sabia: fé nenhuma; ou, ainda: nenhuma religião na vida.

Na Europa o fenômeno já é antigo. A Novidade agora é a América. Aqui pela América Latina, ou mesmo na África, a tendência é que não aconteça tão cedo, pois, o grau de superstição é muito grande.

Na América, na prática, nada muda; exceto a arrecadação das igrejas e a freqüência aos templos, pois, para a vida, tal fato faz pouca diferença, especialmente porque a maioria era de religiosos nominais, com pouco engajamento.

Enquanto isto o Islã é a religião que mais cresce no mundo.

O Islã está para o mundo assim como a Universal está para o Brasil: quanto mais brutais, fanáticos e ostensivos, mas crescem.

As religiões orientais também estão crescendo, especialmente entre os mais sutis e politicamente corretos.

O Islã cresce porque é a alternativa religiosa, militante e engajada contra o sistema que levou a Terra ao colapso: o Cristianismo Ocidental.

O Islã é como o Vale Tudo no início, quando valia tudo, em comparação ao Cristianismo Ocidental, que, se comprado a um estilo de luta, seria como meninas jogando Capoeira: lindo, mas elas não podem nem pensar em encarar os fatos da luta real...

Entre os cristãos religiosos do mundo, os mais firmes, os que menos gente haverão de perder, certamente serão os Ortodoxos: Gregos e Russos.

Na América do Norte, entretanto, além do desgaste dos católicos com os casos de Pedofilia e a tentativa de inicialmente diminuírem as implicações para o Clero, foi o que de imediato mais pesou no êxodo atual, pois, há 20 anos que os católicos estavam crescendo muito nos Estados Unidos, inclusive com muitos evangélicos indo para lá.

Entre os Protestantes e suas variações de cabeça de hidra, os que mais sofrerão certamente serão os Históricos e os Pentecostais.

Os Históricos por sua total irrelevância à vida; sempre apenas repetindo as últimas máximas e axiomas das filosofias ou ciências da moda. São apenas sacristãos de cientistas ou de filósofos. Quando não o sejam, então, sobra-lhes o papel fiel e zumbificado de guardiões do Legado de Calvino e de Lutero. Ou seja: São fiéis donos de Casas Funerárias.

Os Pentecostais diminuirão também porque a nova geração na acredita mais nas mágicas tolas que enganavam os seus pais. Os Benny Himns de hoje são melhores... e não fazem os truques em nome de Jesus, pois, são mais honestos. Dizem que é mágica ou sugestão mesmo. Além disso, os escândalos incessantes envolvendo dinheiro e tudo mais que se queira, acabou com toda boa fé entre muitos antes fiéis contribuintes.

Agora, com o inicio da falência da Religião Cristã como Poder e Potestade Espiritual, é que chega, outra vez, depois de 1700 anos, uma nova chance à fé simples e ao testemunho de formiguinha, boca a boca, levando as pessoas ao encontro de Deus, não da “igreja”.

Agora ou se vive e se prega o Evangelho de Jesus e somente Dele, ou, então, já não se terá mais o pretexto antigo de convidar alguém para o lugar onde Deus assiste: a “igreja”; especialmente nas horas de reunião com Deus, aos domingos de preferência.

Aqui no site venho falando disso faz anos!

Há um monte de alusões a tal fato no corpo de muitos textos. Quem desejar ler pode pesquisar.

Os discípulos, no entanto, não têm com que se preocupar, pois, logo o mundo estará tão sem “o Deus cristão” e tão alienado, que, pregar, será outra vez como foi para os que primeiro testemunharam Jesus entre os gregos e os romanos no passado.

Eu prefiro pregar para alienados e ignorantes do que para gente cristã anestesiada e cínica!

A tendência é o surgimento de uma população na América cada vez menos religiosa, e, para alguns, no máximo mais preocupada com espiritualidade. E é nessa esteira que as filosofias e religiões orientais vão fazer a festa.

Aqui no Brasil, no dia em que o Islã fizer uma investida braba, vai levar logo todo o movimento do tráfico de drogas para o front. Estão prontos um para o outro!

Sim! Existe há anos um Brasil preparado para a brutalidade do Islã. Quando chegar vai levar...

Na África o fenômeno Islâmico já um fato crescente e aparentemente inarredável.

O mundo está ganhando outra cara.

Inegavelmente trata-se de um tempo novo, não necessariamente melhor, mas indubitavelmente novo.

O que vem aí é uma Nova Era.

Mas quem anda com Jesus sabe que Ele estará conosco até a consumação de todas as Eras.

Nele, que está sempre conosco,

Caio