quinta-feira, 21 de julho de 2016

A coragem de tomar a cruz por Brennan Manning


Deus pede que cada um de nós aceite a própria "cruz". Nossas feridas, nossas limitações, nossas falhas de personalidade, o dano que as pessoas nos fizeram desde o começo da vida até hoje, a dor da condição humana como temos experimentado pessoalmente — essa é nossa verdadeira cruz.

Para mim, é o terror do abandono que me tem assombrado desde criancinha — o aterrorizante sentimento de que não há ninguém para mim, de que eu tenho de mostrar um bom desempenho para você gostar de mim. Em minha vida, é o que creio ter sido a predisposição genética ao alcoolismo que matou meu melhor amigo, meu irmão Rob, deixando atrás de si esposa e seis filhos. E minha reincidência no álcool, o tiritar e o estremecer do centro de desintoxicação, os insuportáveis latejares e formigamentos e a terrível depressão que acompanha o novo abandono do vício.

Tudo isso é o que Cristo me pede para aceitar e permitir que ele compartilhe.

Para você talvez seja a perda de um relacionamento profundamente estimado. Talvez seja a luta para alcançar o sucesso num ambiente de trabalho hostil, ou um recente fracasso financeiro. Talvez sejam conflitos contínuos com um adolescente rebelde ou a insuportável solidão causada pela rejeição por parte de seu cônjuge.

Tudo isso, e mais, Cristo pede que você aceite e permita que ele compartilhe.

Jesus, em sua paixão e morte, experimentou minha dor e a sua e fez delas sua própria dor. O que acontece nesse encontro com o crucificado é que adentramos algo que já aconteceu, nossa união com Jesus e tudo que ela implica: ele assumir nossa dor, ansiedade, temores, vergonha, autodepreciação e desânimo.

Tudo isso está incluído implicitamente em seu brado: "Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?" (Mt 27:46). 

Seus amigos estavam dispersos, sua honra violada, sua mensagem feita em pedaços. Ele jazia condenado como criminoso. Ainda assim este era o momento de nossa redenção. Por quê? Porque seu grito na cruz foi o nosso grito de desesperada alienação de Deus assumido por ele como seu e transformado pela ressurreição. 

Á medida que nos permitimos experimentar nossa dor, podemos saber que na verdade sentimos Cristo sofrendo em nós e nos redimindo. Em vez de nos repreendermos por nossa fraqueza e de fazermos esforços conscientes de continuar tentando com maior empenho, podemos permitir que o Crucificado nos ame em nossa devastação. 

Não há modo de curarmos as feridas que cada um de nós traz, a não ser por meio do amor de Jesus, que perdoa setenta vezes sete e não mantém um placar de nossa transgressão.

Retirado do livro: A assinatura de Jesus.

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