quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Cura do Câncer! parte 2


Por Vanessa Lampert - http://vanlampert.blogspot.com/

Recebi recentemente isso por e-mail, mas desconfiei e resolvi pesquisar.

Pesquisando um pouco, encontrei links de gente que pesquisou mais e que podem esclarecer isso tudo. Ao que entendi, esse médico realmente existe, teve o diploma cassado e nem médico é mais. Não publicou um único estudo sério sobre essa "descoberta" e parece ser só mais um maluco inconsequente tentando se promover. Já houve inclusive morte de gente que acreditou nessas aplicações de bicarbonato e abandonou os medicamentos.

Vão os links:

http://lablogatorios.com.br/rnam/2008/11/bicarbonato-nao-cura-o-cancer/

http://www.memedecarbono.com.br/2008/11/12/fungos-candida-bicarbonato-e-a-cura-do-cancer/

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-74912003000100017&script=sci_arttext


Fiquei impressionada ao ver a história desse médico e constatar como alguém pode ser tão inescrupuloso dessa maneira! Puxa, o cara lida com vidas, com esperanças, e não tem escrúpulos em enganar gente desesperada em troca de dinheiro.

Lendo mais um pouco, descobri que o cara, além de perder o título de médico, foi condenado a quatro anos de prisão por homicídio. Um dos pacientes morreu após a aplicação de bicarbonato com água no tumor do intestino: teve laceração e perfuração. Outra tinha câncer no pulmão e também morreu em decorrência da aplicação. Para essa decisão, foram três vítimas, mas não são as primeiras, nem as únicas, nem as últimas. Ah, e a reportagem diz que o paciente de câncer no intestino - que estava em estado terminal, mas teve a morte apressada pelo "médico" - pagou 400 euros pela aplicação. A outra, gastou 7.500 euros no que a reportagem chama de "coquetel inútil". Bandido mesmo.

http://archiviostorico.corriere.it/2006/maggio/21/Medico_condannato_omicidio_colposo_co_10_060521029.shtml

Abraços!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Cura do Câncer!


Um médico italiano descobriu algo simples que considera a causa do câncer.
Inicialmente banido da comunidade médica italiana, foi aplaudido de pé na Associação Americana contra o Câncer quando apresentou sua terapia.
O médico observou que todo paciente de câncer tem aftas.
Isso já era sabido da comunidade médica, mas sempre foi tratada como uma infecção oportunista por fungos - Cândida albicans.
Esse médico achou muito estranho que todos os tipo de câncer tivessem essa característica, ou seja, vários são os tipos de tumores mas têm em comum o aparecimento das famosas aftas no paciente.
Então, pode estar ocorrendo o contrário - pensou ele.
A causa do câncer pode ser o fungo.
E, para tratar esse fungo, usa-se o medicamento mais simples que a humanidade conhece: bicarbonato de sódio.
Assim ele começou a tratar seus pacientes com bicarbonato de sódio, não apenas ingerível, mas metodicamente controlado sobre os tumores.
Resultados surpreendentes começaram a acontecer.
Tumores de pulmão, próstata e intestino desapareciam como num passe de mágica, junto com as Aftas. Desta forma, muitíssimos pacientes de câncer foram curados e hoje comprovam com seus exames os resultados altamente positivos do tratamento.
Para quem se interessar mais pelo assunto, siga o link (em inglês):não deixem de ver o vídeo, no link abaixo.
O médico fala em italiano, mas tem legenda em português.
http://www.curenaturalicancro.com/
Lá estão os métodos utilizados para aplicação do bicarbonato de sódio sobre os tumores.
Quaisquer tumores podem ser curados com esse tratamento simples e barato.

Parece brincadeira, né?
Mas foi notícia nos EUA e nunca chegou por aqui.
Bem que o livro de homeopatia recomenda tratar tumores com borax, que é o remédio homeopático para aftas.

Neste endereço, o vídeo, onde o médico italiano mostra a evolução do tratamento até a completa cura em 4 casos:
http://www.cancer-fungus.com/sub-v1pt/sub-pt.html

Neste, o site em Português. Clicando-se nas bandeirinhas no alto da página, muda-se o idioma:
http://www.cancerfungus.com/simoncini-cancro-fungo.php

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

2- De mal a pior por Mario Persona



Leitura: Evangelho de Mateus 2:1-22

Quando Jesus nasceu, alguns homens sábios do Oriente chegaram em Jerusalém perguntando pelo Rei de Israel que tinha nascido.

Quando o rei Herodes e os moradores de Jerusalém souberam disso ficaram preocupados. Você também ficaria se corresse o risco de passar o governo a outro.

E o governo de sua vida, você passaria a Jesus? Ou faria qualquer coisa para evitar isso? Herodes decidiu que precisava eliminar Jesus.

Aqueles sábios chegaram a Belém com presentes para o menino: ouro, incenso e mirra, uma erva amarga tirada de uma árvore cheia de espinhos.

Apesar de Sua perfeição áurea e fragrância divina, Jesus estava destinado a amargar uma morte infame. Pregado num madeiro como um criminoso qualquer.

Depois de encontrarem Jesus, os sábios voltaram por outro caminho. Ninguém volta pelo mesmo caminho depois de um encontro assim. E ninguém tem um encontro assim se não escutar a voz dAquele que disse: "Eu sou o caminho".

Ao saber que Herodes pretendia matar o menino, José fugiu para o Egito levando Jesus e Maria, e só voltou depois da morte de Herodes, indo morar em Nazaré.

Jesus acabou ficando conhecido como nazareno, numa época quando as pessoas costumavam dizer que de Nazaré não vinha coisa alguma que prestasse.

Dá para entender isso? Deus vem ao mundo em um curral, passa suas primeiras noites em um cocho de alimentar gado, vai viver como refugiado no exílio e acaba indo morar numa cidadezinha desprezível de pessoas de quinta categoria.

Sabe o que é? Só quem passou por tudo isso pode entender quem está passando por tudo isso. Tristeza, desprezo, perseguição, você conhece essas coisas, não? Pode ter certeza de que Jesus não veio aqui a passeio. Ele começou mal e terminou pior.

Agora, tente adivinhar a troco de quê ou por quem Ele fez tudo isso. Você sabe a resposta.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Cristianismo Radical - Eliasaf de Assis


Descobrindo entre os marginalizados e miseráveis o que realmente significa seguir a Cristo

Nota da Redação: O artigo a seguir descreve um trabalho singular desenvolvido numa região decadente do centro de São Paulo. Há extensas citações do Pr. Paulo Cappelletti, presidente da missão. Suas afirmações não representam necessariamente a opinião do Conselho Editorial da revista Impacto e podem até chocar o leitor. Entretanto, consideramos que o trabalho que faz e o preço que paga lhe dão pleno direito de ser ouvido, até nas suas críticas à igreja como está hoje. Pedimos, tão-somente, que o leitor pondere tudo com coração aberto e retenha o que o Espírito lhe vivificar. Seja impactado!

Cruzando ruas famosas pelo comércio especializado de produtos eletrônicos, nossa atenção era disputada por lojas com CPU’s, cd-rom’s, instrumentos de som e garotos deitados na calçada fumando cachimbos de crack. Prostitutas de várias idades faziam “ponto” em estreitas portas de hotéis imundos, ladeados por lojas com cartazes de “impressoras laser usadas em 3 vezes sem juros”.

Percorríamos o centro velho de São Paulo, região conhecida como Crackolândia, dada a facilidade de se verificar o uso de drogas a céu aberto. A visão de crianças entorpecidas é revoltantemente comum. Tradicionalmente descrito como antro de vício, prostituição e crimes violentos, o centro velho não muda a despeito dos planos municipais de revitalização. E nos últimos anos, a decadência e ruína estão mais profundas.

A Missão CENA

Um grupo de jovens seminaristas me acompanhava em uma visita à missão CENA (Comunidade Evangélica Nova Aurora). Encontramo-la instalada em um prédio antigo que serviu a um histórico clube de São Paulo. Uma grande fila de moradores de rua aguardava o início da distribuição de refeições. Ao passar por eles, fomos envolvidos por uma atmosfera de odores, cuja emanação ia do cheiro fétido de corpos sem banho ao agradável aroma da comida. A equipe, formada por gente de todo lado (recuperados, missionários brasileiros, suecos, ingleses, americanos...), estava a todo vapor: panelas chiavam na cozinha, esfregões e rodos limpavam o chão, organizadores ordenavam a espera pela refeição e as filas de banho. Na hora das refeições, os moradores de rua passam primeiramente pelos banheiros, estrategicamente posicionados. Banho primeiro, refeição depois. Nem todos gostam.

Assim que chegamos, nos deram serviço. O pessoal foi se envolvendo em algum afazer. Podado de dons que parecessem úteis, como eu ajudaria? Ocasionalmente utilizava um rodo (o maior que já vi!) para puxar a água do chão. Então piorou: pediram que eu pregasse, uma mensagem rápida de uns 5 minutos. Não me lembro do que falei, mas sim do esforço em escolher palavras adequadas. Foi difícil! Sentados diante de mim, aguardando a refeição, dezenas de moradores de rua oscilavam entre impaciência, torpor alcoólico ou um inesperado interesse. Público heterogêneo: homens e mulheres com históricos diversos: trabalhadores braçais que perderam o teto, profissionais especializados que sofreram decepções amorosas, portadores de doenças mentais e gente que nem se lembra mais como foi parar na rua.

Quando terminei, alguém sugeriu que me sentasse com os mendigos e conversasse. Movi a cabeça procurando um interlocutor. Um homem de idade indecifrável, estimo que de 30 a 50 anos, chamou-me a atenção. Mesmo após o banho, sua pele estava encardida e manchada, e o rosto grande e anguloso, emoldurado pelo cabelo desgrenhado, compunha uma selvagem aparência; parecia uma espécie de viking moreno.

Não demorou e desenvolvemos uma animada conversa. Ele explicou detalhadamente como conseguia CPF’s frios e outros documentos, tarefa que fazia com regularidade, para si e para outros. Um dos jovens que me acompanhava sentou-se conosco. Animado com o aumento da platéia, o homem contou sua história mais impressionante: sofrera um atropelamento há quase dez anos. Seus intestinos ficaram expostos enquanto sangrava sob as rodas do carro. Socorrido, foi levado ao Hospital da Santa Casa, onde passou por uma operação paliativa. Avesso ao ambiente hospitalar, fugiu antes da cirurgia definitiva. Abriu então a camisa, soltou uma faixa que o envolvia na região do abdômen e mostrou, a mim e a um assustado seminarista, como seu ânus estava agora na barriga, ao lado do umbigo. Apesar desse susto, os sentidos de meu coração foram adaptando-se, e pude perceber além da aparência: vi uma pessoa singular, vivaz e inteligente, feita à imagem de Deus, ainda que coberta com a fuligem da rua e tornada invisível pela indiferença da grande cidade.

Com as portas do carro travadas, vidros fechados e ar-condicionado ligado, cruzamos com eles sem vê-los. Mas ali, criadas à imagem de Deus e por ele amadas com obsessão, no espaço entre a pista e a calçada, vivem, moram e morrem pessoas singulares. E a distância entre nós não é medida em metros, mas em compaixão. Nossa compaixão as alcançará?

O Que Fazer?

A missão CENA tenta cobrir essa distância. Seu presidente, Pr. Paulo Cappelletti, é avesso a qualquer culto de personalidade. “Aqui não homenageamos ninguém. Na CENA há muito trabalho, não personalidades em evidência”, diz. A seu pedido, devo chamá-lo como é conhecido nas ruas: Macarrão.

Foi uma das melhores conversas que tive: atendeu-me prontamente, embora tivesse um compromisso dali a pouco tempo. “Vamos levar uma maca ginecológica para um prostíbulo. A ginecologista atende aqui no clube. Mas é difícil as garotas virem, só aquelas com muito vínculo com as missionárias. Fomos ao prostíbulo, conversamos com as meninas e sugerimos levar a ginecologista com a maca para fazer um exame papanicolau. O mais difícil foi explicar que o exame exige 72 horas sem ‘trabalhar’.”

Alto e grisalho, com voz forte e fala jovial, Macarrão exprime-se com uma franqueza desconcertante. Quando discutimos sobre o tempo que leva a recuperação de dependentes, ele responde: “Quanto a converter, eu mesmo estou tentando... não podemos deixar de enfatizar o processo de crescer em Cristo”. Ele apresenta casos em que o trabalho de recuperação durou mais de 10 anos.

Macarrão mora com seus dois filhos e a esposa Sílvia, que é assistente social, em uma casa família com mais 20 pessoas, todas elas tiradas das ruas. Tomei um café da manhã com eles, certa vez, e os vi lidando com problemas bem familiares, como estímulo a leitura e preparo para procurar emprego.

Agora ele está vestido com uma bermuda, camiseta e havaianas, e parece-se muito com algum dos atendidos pela missão. Sueli pergunta se ele vai se arrumar. “Vou a um prostíbulo”, responde bem-humorado. “Quanto mais malvestido, melhor...”.

Macarrão é famoso por pregar uma vez nas igrejas e não ser convidado de novo.

Na inauguração de um templo novo e luxuoso, não resistiu e trombeteou lá do púlpito:

“Segundo a escatologia pré-tribulacionista, este templo vai ficar pro diabo. Aqui deveria funcionar um albergue ou uma creche. Já que fez, use! Em vez de templos de uso exclusivo de uma igreja, deveríamos levantar prédios para uso comum dos cristãos, da sociedade e comunidade adjacente. O templo é um instrumento, não deveria ser um monumento erigido a nada. O movimento evangélico de hoje não se assemelha de jeito nenhum ao movimento do século XVI. Além disso, historicamente a Reforma se adequou aos ricos”.

Sem Máscaras

“A igreja perdeu o rumo. Ernst Kasemann, o teólogo, dizia já em 1931 que não podemos comparar o cristianismo atual com o Cristo Senhor. O que o cristianismo tem a ver com Cristo hoje? Kierkegaard também disse que o mundo religioso cristão é parecido com uma festa de máscaras”.

Kasemann e Kierkegaard? Uma citação surpreendente feita por um pastor que empurra uma mesa ginecológica rua acima. Profundidade intelectual, espiritualidade prática e uma atitude questionadora são características de Macarrão.

O Movimento de Jesus: em direção aos pobres

“Parte da razão de as igrejas não se interessarem pelo pobre é facilmente respondida: como vou pedir dízimo de um sem-teto, que vive na rua? Nós é que temos que dar nosso dízimo pra ele! Madre Tereza teria dito o seguinte: ‘Se houver pobre na lua, iremos até lá’. O movimento de Jesus é um movimento em direção aos pobres. Que não são muito diferentes de Jesus: ele não tinha onde morar ou o que comer. Se ele não era pobre, o que era então? A frase em meu orkut e msn é ‘aquele que quer pregar o evangelho aos pobres, tem que se fazer pobre como eles para que o reino de Deus apareça’. Quem prega o evangelho tem que conferir ao pobre alguma dignidade, uma possibilidade de vida nesta Terra, tornar sua vida melhor. Jesus deixou a sua riqueza para que os pobres pudessem ser ricos. Ele perdeu sua vida para que os pobres que morrem possam ter vida. A intenção do evangelho é esta: dar vida. E essa vida acontece fora, no convívio e no caminhar. Ajudando alguém a conseguir emprego, ‘batendo na porta’ das empresas junto com ele e mobilizando pessoas a ajudar e repartir seu dinheiro com os pobres.

Há sentido em 2.500 pessoas estarem dentro de um templo e ao final alguém dizer: ‘o culto foi maravilhoso!’? Maravilhoso em quê? Onde Deus se manifestou? O rico ficou mais pobre? O pobre ficou mais rico? Algum dos pobres da igreja teve ajuda para construir sua casa? Levantar a mão, ir à igreja, sentar no banco e ouvir um sermão, cantar as mesmas músicas todo domingo... Será que a vida cristã se resume a isso, uma espécie de monastério dominical? Eu não consigo viver assim.”

A Conversão Deve Ser do Coração

“A maioria dos pastores não se importa com aspectos essenciais do cristianismo, como moral ou mesmo perdão. Jesus disse em Mateus que se você tem algum problema com alguém, primeiro pede perdão e depois oferta. Minhas ofertas devem condizer com minha vida com Deus. Finanças não deveriam falar tão alto. Mas ouvimos sermões em que gente berrando condena pessoas que não dão o dízimo. Mesmo com tantas necessidades que experimentamos na missão, ouso dizer que o problema da igreja não é dinheiro: é um problema moral e, por que não dizer, de conversão.

“Não há uma conversão do coração, e sim uma conversão psicológica. Só isso explica andar pelo centro velho de São Paulo e não ter compaixão pelas pessoas caídas. Não dá pra viver um ‘evangelho’ que não se compadece das pessoas. Como alguém convertido de verdade poderia ver alguém passando fome e dizer: ‘eu vou orar por você...’. A julgar pelo que diz o apóstolo João, o que devemos é agir!”

À nossa volta, o cenário é de decrepitude e abandono, mas Macarrão fala com fé e entusiasmo sobre os planos da missão: uma creche para filhos de prostitutas, um projeto filantrópico para construção de casas populares...

Eu e minha turma rumamos pra casa. Vejo toda aquela gente embarcando no metrô lotado, corpos coladinhos, cada um vivendo um mundo tão distante um do outro! Eu não consigo imaginar Jesus fazendo outra coisa que não fosse envolver-se com as pessoas, chorar por elas, buscar os marginalizados. Todos que desejam ver Jesus caminhando em nossas esquinas e cortiços, condomínios e avenidas, farão das palavras finais de Macarrão uma oração:

“Não quero ser chamado de reformado nem de evangélico. Eu quero ser conhecido como cristão, porque quero seguir a Cristo. Quero ter ações na Terra que promovam a pessoa de Jesus.”

Obs. O Pr. Paulo Cappelletti está atualmente abrindo um novo trabalho nos mesmos moldes em outro local da Grande São Paulo.

Para maiores informações:

http://www.missaocena.com.br

ou visite a missão:

R. Gen. Couto de Magalhães, 280

01212 – 030 - São Paulo, SP

Fone 11-3331-4471

1- SÓ PODE SER VERDADE.



Leitura: Evangelho de Mateus 1:1-25; Lucas 2:1-7; 3:23-38

Qual judeu, de sã consciência, incluiria na genealogia de Jesus duas prostitutas? Mateus fez isso no primeiro capítulo de seu evangelho. Tamar e Raabe eram prostitutas.

E tem mais, tem Jeconias, um rei amaldiçoado pelo profeta Jeremias; tem Rute, uma moabita, povo inimigo de Israel; tem o rei Salomão, que teve mil mulheres, grande parte delas de povos inimigos, e mergulhou na mesma idolatria desses povos. Quem foi Salomão. Era filho de Bate-Seba, a mulher com quem Davi cometeu adultério e cujo marido mandou para a morte.

E se você analisar a vida de cada um da lista de ancestrais de Jesus vai chegar à conclusão de que não salva um. Ou então vai perceber que Deus queria mandar um recado; queria dizer que eram justamente pecadores assim que Ele ia salvar.

A chave para entender isso está no que o anjo disse a José em um sonho, depois que ele descobriu que sua noiva, Maria, estava grávida e o filho não era dele.

O anjo disse: Ela dará à luz um filho e você o chamará de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.

Aquele Ser que a virgem trazia no ventre tinha sido gerado pelo Espírito Santo e seria chamado de "Deus conosco". Deus estava a ponto de experimentar o que era nascer, viver e morrer como homem. Deus estava a ponto de sentir na própria pele o que eu e você sentimos. Quer maior empatia do que isso?

Ah, eu quase me esqueci. Mateus, o autor do evangelho, era um judeu traidor da pátria. Ele coletava impostos para César, o invasor romano. Seria algo como um judeu trabalhando para Hitler durante a segunda guerra.

Sabe de uma coisa. Essa história é tão incrível que só pode ser verdade. Eu creio nela e eu creio nEle, em Jesus, o Salvador. Eu preciso crer, eu sou tão pecador quanto Mateus e essa gente toda. E você?

Retirado do blog: O Evangelho em 3 minutos.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Boca do Lixo conhece o Evangelho


Paulo Cappelletti e Missão Cena levam a Palavra de Deus para transformação de vidas no bairro Nova Aurora, em São Paulo

“Aos que o receberam, aos que creram no seu nome,deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus”(João 1.12)

Naquilo que era uma simples borracharia num bairro conhecido como a Boca do Lixo, em São Paulo, nasceu uma igreja – nasceu uma Missão. Num lugar onde se encontram prostitutas, drogados, inúmeros moradores de rua, alcoólicos, menores abandonados nasceu uma Esperança. Para Paulo Cappelletti, diretor da Missão Cena – Comunidade Evangélica Nova Aurora – e graduado internacional do Instituto Haggai, “é sempre um desafio mostrar a estas pessoas um Evangelho que pode transformar e mudar suas vidas”.

Ele, trabalhando na área de Engenheira Mecânica de uma grande empresa multinacional, optou há 11 anos por este projeto audacioso como pastor e diretor desta Missão – “muitos achavam que era uma loucura sem sentido iniciar qualquer coisa ali, que não teria futuro”. Mas hoje, ele comemora com sua equipe, as muitas vidas transformadas pela Palavra de Deus. Mudanças de vida, devido a uma equipe de 26 missionários, trabalhando tanto em São Paulo, em Juquitiba e em Santo André; e principalmente pela ação de Deus nas vidas dessas pessoas marginalizadas pelo pecado e pela sociedade.

Seu trabalho segue em três objetivos:

1) Resgatar esses moradores das ruas de São Paulo;
2) Oferecer apoio e restauração numa Fazenda em Juquitiba;
3) Reintegra-los nas igrejas, nas suas famílias e na sociedade;

“Muito mais do que assistencialismo, buscamos cuidar do ser humano como um todo, sempre pautados na Palavra de Deus. Para isso temos constantemente preparado nossos líderes para evangelismo e discipulado, com uma fundamentação espiritual de qualidade”, afirma Paulo Cappelletti.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O DESESPERO DE TER QUE AGRADAR por Ricardo Gondim


Sinto melancolia ao lembrar o dia em que João correu ao meu lado. Ele tinha 25 anos de idade e era magro; por isso, não precisava esforçar-se para manter meu ritmo. Com fôlego sobrando, de repente, João começou a me contar que se sentia deprimido. Perguntei-lhe se identificava alguma causa para sua tristeza. “Medo de fracassar”, retrucou, entre um passo e outro.

Pelo restante do percurso procurei mostrar-lhe que podia descansar, pois Deus nos ama sem cobrar desempenhos e, mesmo nunca alcançando êxito, continuamos queridos por ele; falei-lhe que Deus, ao contrário das pessoas, não desiste dos malsucedidos. Porém, duas semanas depois, chorei: João se suicidara.

João tinha medo do futuro e, por mais que tenha se esforçado, não conseguiu reverter seu desespero. Sua morte me desmoronou. Eu aprendera a amá-lo. Meus conselhos e orações, aliados ao cuidado de outros cristãos, não o ajudaram. Nada, absolutamente nada, reverteu seu desânimo, e ele se puniu com o mais desastroso ato — castigando a todos nós.

Angústia e depressão fazem parte da nossa existência. Vários personagens da história secular e bíblica tentaram fugir para dentro de cavernas escuras em momentos semelhantes; abatidos, nem sequer imaginavam encontrar forças que lhes devolvessem esperança. Essa apatia não lhes tirava apenas o sono; acordados, tinham de conviver com um pessimismo infinitamente triste. Pensamentos mórbidos não são incomuns, porém, não precisam terminar de forma tão horrível.

No trágico suicídio do João, aprendi que as pessoas não têm, necessariamente, medo de morrer, elas se apavoram por não saberem viver. A inevitabilidade da morte não as assusta, elas só querem evitar uma vida sem valia, que vem da noção de que existimos, mas desapareceremos sem importância.

O escritor Milan Kundera afirmou: “Todo mundo tem dificuldade de aceitar o fato de que desaparecerá, desconhecido e despercebido, num universo indiferente”. Isso explica por que algumas pessoas se esforçam tanto para realizar algo extraordinário — até cometer um crime. Todo mundo quer ser valorizado em vida e lembrado depois de morto.

Meses depois, contaram-me que João passara a infância angustiado com o desejo de agradar seu pai, mas intuindo que nunca conseguiria. Na adolescência, jogava futebol com os olhos fitos na arquibancada, esperando ganhar um sorriso de aprovação, que não vinha. João formou-se em engenharia, mas, envergonhado, não celebrou: não alcançara nota máxima em todas as matérias. Assim, ao projetar sua vida futura, se deprimia antecipando possíveis fracassos.

Preocupa-me que o mundo religioso ocidental enfatize tanto as exigências rigorosas de um Deus difícil de ser agradado. A maioria dos evangélicos brasileiros jamais concordaria com isto que Gilberto Gil canta: “Se eu quiser falar com Deus/ Tenho que aceitar a dor/ Tenho que comer o pão/ Que o diabo amassou/ Tenho que virar um cão/ Tenho que lamber o chão”. Contudo, o comportamento da maioria confirma o conteúdo da música. A espiritualidade que se difunde e prevalece atualmente oprime as pessoas com fardos pesados. Multiplicam-se pelo Brasil igrejas que não deixam as pessoas esquecerem suas dívidas perante um Deus implacável na defesa de sua lei.

Nessa religião, ninguém descansa já que se culpam as inadequações humanas pelos revezes da vida, e todo contratempo acontece como resultado de pecados ou de eventuais brechas por onde o diabo entra. Multidões lotam essas igrejas, ávidas por saberem como agradar um Deus manhoso. Desse modo, cultuam sem jamais esperarem afetos ou compaixão da parte dele. Tudo se resume em como conseguir afastar o mal e “alcançar bênçãos”. Se alguém almejar “conquistar” o amor divino, precisará fazer sacrifício, passar por ritos punitivos e, lógico, dar ofertas.

As pessoas não precisam desse tipo de religião, o fardo de viver já lhes pesa. Elas carecem de uma mensagem diferente: Deus não desiste de amar, mesmo quando seus filhos não merecem. Seu amor é leal. Nada diminuirá seu compromisso de oferecer seu melhor para que seus filhos cresçam.

Na parábola do pródigo, o Pai disse ao filho mais velho: “Tudo o que tenho é seu”. Essa frase precisa ressoar na mente de todos os cristãos, pois ela contém a promessa bíblica de que somos co-herdeiros com Cristo. Deus não estima as pessoas por sua capacidade de cumprir mandamentos ou alcançar níveis excelentes de santidade, ele ama gratuitamente.

Chorei com a morte do João, mas solidifiquei minha percepção da graça. O bem que Deus despeja sobre seus filhos não vem atrelado a desempenho e ele não abandona os malogrados.

Ninguém precisa ter medo de fracassar, porque ninguém precisa fazer jus ao amor de Deus. Ponto final. Assim, qualquer um pode se sentir convidado para o banquete divino e colocar-se rumo ao fantástico projeto de ser lapidado à imagem de Jesus Cristo.

Soli Deo Gloria.

Retirado do site: www.utlimato.com.br

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

MINHA EXPERIÊNCIA COM AUTO-AJUDA por Jesus Ourives


“Sejam bem-vindos aos SEGREDOS PARA O SUCESSO”! Com estas palavras, pronunciadas num sábado, às 9 da manhã, em sala reservada de hotel de luxo de uma cidade importante do Brasil, eu dava início à ministração do Curso de Crescimento Pessoal chamado SEGREDOS PARA O SUCESSO. No auditório, estavam no máximo 15 a 16 pessoas, geralmente casais, que haviam feito a inscrição. A atmosfera na sala era acolhedora, e o conforto da hospedagem, num hotel cinco estrelas, deixava os participantes à vontade embora curiosos para conhecer o conteúdo do programa que lhes estava sendo oferecido.

Assim começava uma atividade a que estive ligado por cerca de um ano e meio na década de 70 no século passado. Meu envolvimento começou da seguinte maneira:

eu estava deslumbrado com uma empresa de venda piramidal que iniciara, há pouco, suas atividades no Brasil. As promessas de ganho fácil e oportunidades mil, junto com uma situação de desemprego na faixa dos 40, levaram-me a aceitar a proposta. Em pouco tempo, consegui a confiança dos dirigentes (estrangeiros) e fui convidado a preparar e lançar no Brasil um programa de auto-ajuda que vinha fazendo sucesso na filial japonesa da companhia. Ficou ao meu encargo preparar a tradução, adaptar o programa para o mercado brasileiro, providenciar a gravação de fitas cassete, a impressão e edição dos livros e demais itens que formavam o kit de apresentação do programa, além de todo o material de divulgação – incluindo um filme em 16 mm. Para isso, precisei contratar profissionais de propaganda, estúdios de gravação, locutores e gráficas dentre outras coisas, o que demandou um tempo considerável.

O programa, no início, seria destinado apenas aos participantes da companhia, com o objetivo de incentivá-los na melhoria do desempenho como vendedores de produtos ou aliciadores de novos participantes, que é o objetivo principal de todas as empresas de venda piramidal. Depois de consolidada a experiência, porém, o programa seria aberto a qualquer participante.

O curso era ministrado num fim de semana em um hotel de luxo. Começava na manhã de sábado e estendia-se até a tarde de domingo. Embora eu fosse o “ministrador” do curso, minha função, na verdade, era mais uma espécie de moderador, já que todas as palestras – oito ao todo – eram ouvidas a partir de um gravador. Nos intervalos das aulas, havia um coffee break . Na noite de sábado, era servido um jantar aos participantes que assumia o caráter de celebração – em que todos eram convidados a apresentar-se com as melhores roupas; as mulheres geralmente de vestido longo. Isso dava ao curso um caráter de evento chique, o que certamente agradava aos participantes.

Ao fim das oito palestras, depois de uma sessão de testemunhos, era feita a entrega solene de um diploma de participação em forma de pergaminho, com o nome do diplomado em caracteres góticos, e também do material a ser levado para casa, onde o curso continuaria pelos oito meses seguintes. Esse material era condicionado em um bonito baú de madeira, com a inscrição do nome do curso Segredos para o Sucesso, e consistia em dois livros de texto, dois livros de exercícios e oito fitas cassete. O participante assumia o compromisso de ouvir cada uma das fitas durante um mês inteiro, três vezes por dia, e de fazer uma avaliação do seu aprendizado, no final de cada mês, utilizando os livros de exercícios.

Cada uma das oito lições era chamada de “pergaminho”, aproveitando a mesma terminologia de um dos famosos livros de auto-ajuda do século passado intitulado O Maior Vendedor do Mundo, de Og Mandino.

Desilusão – O Que Está Errado?


Mas um dia esse programa parou. Por que parou? Parou por quê? Porque senti que tudo aquilo era vazio e desprovido de conteúdo. As palestras eram motivadoras, o assunto era agradável, e as pessoas sentiam-se entusiasmadas. Acredito até que muitos foram beneficiados com o que lhes foi ministrado. Entretanto, havia uma supervalorização do homem, uma espécie de você-pode-tudo-porque-o-poder-está-dentro-de-você. E eu não acreditava nisso – e ainda não acredito.

A supervalorização do ser humano coloca Deus de canto e não à frente ou, quando muito, ao lado do homem. O “poder do pensamento”, o “poder da vontade”, a “atitude mental positiva”, a “mentalização” e muitos outros expedientes proclamados pelos gurus da auto-ajuda NÃO TÊM VALOR se Deus não está presente em minha vida.

Como cristão, sei que “tudo posso naquele que me fortalece”; sei também que posso contar com o auxílio de Deus em qualquer circunstância. Tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, temos provas mais do que evidentes de que os vencedores sempre foram aqueles que não confiaram nos próprios méritos ou nas próprias forças, mas que se submeteram humildemente à vontade e à direção de Deus. O maior exemplo que temos é do próprio Senhor Jesus quando declarou que “a minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” (Jo 4.34).

Em nosso mundo cristão, os exemplos de vencedores não são os grandes capitães industriais ou os magnatas que transformaram suas habilidades em riquezas materiais. Nossos exemplos de vencedores são nomes de vidas vitoriosas como Francisco de Assis, David Livingstone, Albert Schweitzer, Madre Teresa, Adoniram Judson, David Brainerd e tantos outros que dedicaram a vida para servir ao próximo movidos pelo exemplo do Senhor Jesus. É uma lista enorme de pessoas, muitas delas anônimas para nós, e que constituem aquilo que o autor americano Halford Luccock chamou de “Linha de Esplendor sem Fim”.

Quando tomei a decisão de não mais orientar pessoas dessa maneira, senti um alívio muito grande. E continuo sentindo a mesma coisa tantos anos passados. Não digo que os livros e programas de auto-ajuda sejam totalmente inúteis. Muitas pessoas podem beneficiar-se deles, mas continuo preferindo a nossa velha e querida Bíblia, com seus princípios, sua simplicidade e eficácia para a vida do dia-a-dia.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Sagrado – Uma Resposta Rabínica a “O Segredo” por Nilton Bonder


O livro O Segredo já provocou a publicação de várias respostas – dentre as quais Muito Além do Segredo, de Ed Gungor (Thomas Nelson Brasil), e O Segredo de Deus, do dr. Henry Cloud (Editora Planeta do Brasil).

Uma resposta certamente bem menos divulgada no meio cristão é O Sagrado (Editora Rocco), escrita por Nilton Bonder, doutor em literatura hebraica pelo Jewish Theological Seminary de Nova York, autor de vários livros e rabino da Congregação Judaica do Brasil.

A seguir, alguns dos pensamentos expostos por Bonder em seu livro.

1. Sintoma de nossa época

Embora seja extremamente difícil definir os mitos e fantasias da própria época, nenhuma parece tão própria do tempo atual como a tentativa de construir um cosmos que consome, um universo que toma características de um enorme supermercado desenhado para suprir as pessoas não só de bens, mas de liberdade e independência. A produção espiritual mais importante do nosso tempo tem sido as religiões do indivíduo, religiões estas que procuram direcionar a pessoa a estabelecer uma relação isolada com Deus ao invés de integrá-la num contexto coletivo com raízes bem mais amplas de significado e propósito. O pior é que esse individualismo fortalece a liberdade à custa do anonimato, pois, como a pessoa tende a não assumir a identidade do país, da tribo, da família ou do grupo, ela perde o senso de significado e não sabe por que existe.

2. O perigoso vírus do interesse pessoal

Desde tempos imemoriais, o ser humano acredita na existência de algum segredo ou lei espiritual que lhe permita desfrutar de riquezas, poderes, sabedoria e sucesso e explique quais são as trajetórias vencedoras e quais as perdedoras. O grande problema de qualquer sistema de pensamento ou consciência são as lógicas dissimuladas de interesses subliminares que se fazem passar por interesses do próprio indivíduo.

É como o vírus que age no organismo. Usando um material genético semelhante, mas com interesses particulares, ele se faz passar pelo próprio corpo do indivíduo infectado, driblando todas as proteções celulares. Invadindo o sistema mais privado do organismo, o vírus passa a ter acesso ao código que defende a identidade e a integridade do mesmo e começa a controlá-lo com objetivo pernicioso, seguindo a vontade de outro interventor que se impõe. Assim também funcionam os vírus de computador.

Para a consciência humana, nada é mais perigoso do que a mensagem subliminar que encontra brechas em nossos pensamentos e mescla-se com nosso discernimento, mascarando a realidade e cegando o juízo. É o que tem acontecido com o segredo (e tantas outras teorias semelhantes): camuflando-se em uma das mais amplas leis do universo e um dos mais profundos discernimentos da realidade, na verdade traz uma sutil distorção, escondendo ainda mais o verdadeiro segredo, “o segredo do segredo”1.

3. Balaão: a distorção do desejo


É uma história muito conhecida (Nm 22-24): Balaque, rei dos moabitas, percebe que não tem condições de resistir à nação de Israel e quer usar uma forma antiga de segredo, ou mágica, para obter seu desejo de amaldiçoar o inimigo. Balaão, o mago ou profeta, é um homem que realmente conhece o mundo espiritual. Porém, é infectado pelo mesmo vírus do desejo ou interesse próprio. Enquanto Balaque deseja poder, Balaão está atrás de riquezas e honra.

Embora os dois se esforcem ao máximo, insistindo no objetivo com foco e intensidade, eles esbarram numa lei superior que os impede de obter o desejo. Balaão é acostumado a valer-se da mágica para conseguir o que quer, usando leis espirituais (Nm 22.6). Nada sabemos a respeito de suas outras experiências; apenas que já tinha uma reputação de sucesso e que conversava com Deus.

O objetivo do texto bíblico, claramente, é mostrar não só a soberania de Deus em não permitir que seu povo seja amaldiçoado, mas também os efeitos que um desejo dominante pode causar sobre uma pessoa mesmo que ela tenha faculdades espirituais bem desenvolvidas. Apesar das afirmações piedosas de fazer e falar somente o que o Senhor ordenar, Balaão insiste com Deus até conseguir sua “permissão” para aceitar a missão e avança mesmo depois de ter seu caminho bloqueado por um anjo, de perceber que o Senhor estava irado e de ouvir sua jumenta falar.

Como fica, então, “a lei universal de atração”? De acordo com esse relato, não funcionou nem com Balaque nem com Balaão. Na verdade, vemos outra lei de atração que não garante a obtenção de todos os nossos desejos, mas que tende a corromper tudo o que passa perto da nossa vontade, distorcendo a percepção, a compreensão e a reação de acordo com a força do nosso querer. O homem que “tem os olhos abertos” (Nm 24.3) não consegue enxergar o que sua jumenta vê; sua capacidade de ouvir Deus é prejudicada; seus poderes de sensibilidade não funcionam como antes. Ele só escuta o que quer escutar. E, no fim, o desejo insaciável de Balaão leva-o à morte (Nm 31.8,16).

Por aí se pode ver a perspectiva bíblica da lei universal de o segredo, mostrando claramente que nem tudo o que se deseja pode ser obtido.

4. A diferença entre o “segredo” e o princípio da “bênção”

Existe uma grande diferença entre a aquisição daquilo que se deseja e a bênção bíblica. O desejo é basicamente individual, egoísta e excludente por natureza. Mesmo que, em tese, o “universo” tivesse recursos suficientes para satisfazer os desejos mais exagerados de todas as pessoas que existem, um pouco de reflexão basta para deduzir que muitos desejos dependem da exclusão de outros para serem satisfeitos. Como posso satisfazer meu desejo de ser o melhor atleta, de ocupar a mais alta posição na empresa ou de ganhar uma eleição sem, necessariamente, tirar a satisfação de outra pessoa que deseja a mesma coisa? Ainda que se tente divulgar o segredo a um grande número de pessoas, a idéia é sempre que algumas pessoas vencem porque descobriram a chave, deixando outras pessoas para trás na derrota. E, como o universo não gera as possessões materiais no vácuo, qualquer desejo satisfeito significa que outras pessoas suaram e sofreram, provavelmente com pouca compensação, para prover a casa, o carro novo ou o brinquedo eletrônico desejado.

Outro problema intrínseco ao desejo é que a satisfação não vem com a obtenção do objeto, posição ou alvo pretendido. O desejo está sempre mais preocupado com a preservação de sua potência do que com a própria experiência de usufruir da realização. Este é o custo satânico do desejo: obstruir a bênção da satisfação e da plenitude. O governo do desejo é marcado pela maldição da carência e pela dependência total do querer.

É por isso que a história de Balaão é exemplar. Para Balaão conseguir o que quer, ele precisa satisfazer o desejo de Balaque. E o desejo de Balaque é amaldiçoar Israel, porque Israel tem algo que ameaça a posição e o poder de Balaque. Para ele, a bênção de um depende da maldição do outro. Mas a lei da bênção divina funciona em outra base. A bênção origina-se de algo exterior ao homem e se consuma numa interação absoluta entre o homem e Deus. Não há intervenção possível na bênção porque ela não é relativa a um terceiro. Não há olhar ou força maligna que seja capaz de modificá-la.

Ao tentar lançar maldição sobre o povo abençoado, Balaão foi dominado pela verdadeira e superior lei de atração do universo (a lei da bênção) e teve de abençoar o abençoado.

Quando percebo que posso conseguir algo do universo utilizando apenas meu querer, elimino o potencial de um desejo originado de um estímulo externo, produzido fora de mim. Com isso, abro mão de outra fonte de quereres, essa sim, inesgotável, cuja dádiva maior não está na experiência de ter os desejos saciados, mas na qualidade de surpreendente, transcendente, imerecido.

Os presentes mais especiais da vida não são os que conquistamos, mas os que ganhamos como gentilezas, os brindes que ganhamos antes do querer, os desejos produzidos posteriormente ao ganho. São as surpresas que driblam a vontade e apresentam-se antes da aspiração e do anseio, o manjar antes do apetite.

Balaão, mesmo sem o aplicar à própria vida, definiu a verdadeira natureza da bênção quando proclamou sobre Israel: “sua prosperidade será como a semente junto às águas” (Nm 24.7). A semente tem um potencial de fazer nascer. Contudo, nada conseguirá sem a água. Conjugar potenciais internos e externos é o que constitui a bênção. Diferente do desejo que age sozinho, e cuja essência está em impor e exigir, a bênção está no casamento de vários potenciais. Esses potenciais não são desejos embora se assemelham a eles. A diferença sutil está na origem – o desejo nasce da semente que quer germinar sozinha; a bênção nasce da dádiva da água que encontra o potencial da semente e o desperta. No primeiro, o desejo pertence ao indivíduo, a um elemento independente; no segundo, é o encontro entre potenciais.

A atração não é um poder que faz acontecer o que eu quero. A atração se dá entre potenciais que se completam – tal como o masculino encontra sua função no feminino, como a carga negativa encontra atração na positiva. Atrações e repulsões nunca nascem de um único item que as impõe; pelo contrário, elas são interações que só podem ocorrer no espaço “entre” e nunca “em”.

A bênção não é excludente. O outro não diminuirá a minha bênção; ao contrário, a ampliará. A bênção não diminui quando repartida, mas surpreendentemente se reforça e se propaga. A bênção contagia e não se fragmenta. Aliás, essa é sua característica maior. Para saber se algo é um desejo atendido ou uma bênção, basta fazer o seguinte teste: se, ao ser compartilhado, ele perder valor ou intensidade, terá sido apenas fruto do desejo; se, ao contrário, ele se expandir e desenvolver-se, terá sido uma bênção.

Reirado do site: www.revistaimpacto.com.br

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A LITERATURA DE AUTO-AJUDA ATRAVÉS DO TEMPO por Jesus Ourives


Embora o excelente resultado de vendas do livro O Segredo, da jornalista Rhonda Byrne (milhões de exemplares do livro vendidos e outros milhões do DVD) impressione, esse fenômeno não é recente. Livros de auto-ajuda já existem desde o século 18, pois, em 1733, foram publicados Poor Richard’s Almanack (Almanaque do Pobre Richard), por Benjamin Franklin nas colônias norte-americanas, e, mais tarde, sua autobiografia, também considerada um clássico da auto-ajuda.

No século 19 e no princípio do século 20, aparecerem algumas obras que são consideradas referências desse tipo de livro: As a Man Thinketh (Assim Como o Homem Pensa) de James Allen, um autor inglês (o título é extraído de Provérbios 23.7), e Acres of Diamond (Terras de Diamantes) de Russel Conwell (pastor batista), que apareceu em forma de livro em 1915.

Foi a partir do meado do século 20, porém, que a literatura de auto-ajuda começou a trajetória de crescimento extraordinário. Os meios de comunicação, ainda sem o computador e a Internet, entraram também, complementando os livros com discos de vinil e fitas cassete que reforçavam a mensagem escrita. Foi nessa época que apareceram os autores que mais se destacaram e que até hoje são referência:

DALE CARNEGIE, cujo livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, lançado em 1937, foi um dos primeiros grandes sucessos nessa linha. Até hoje, é considerado um dos livros mais lidos em todo o mundo. Em 1955, quando da morte do autor, a cifra extraordinária de 5 milhões de exemplares já havia sido vendida em 31 línguas. O Instituto Dale Carnegie continua funcionando até hoje. “Você pode superar qualquer temor desde que se decida a fazê-lo. Não se esqueça que o medo e a insegurança existem apenas na sua mente. Você pode ser e fazer muito mais do que jamais imaginou. Descubra quem é você e quanta força você tem, junte tudo isso à ação e sua vida jamais será a mesma. Decida-se a ser grande e você será. Tudo está em sua mente.”

W.CLEMENT STONE, filantropo famoso e criador da sigla PMA, que, em inglês, quer dizer Atitude Mental Positiva. Escreveu com Napoleon Hill o livro Sucesso Através da Atitude Mental Positiva (1960). Os dois fundaram a revista Success Unlimited (Sucesso sem Limites), que existe até hoje. Ele esperava que seus empregados iniciassem cada dia proclamando juntos: “Estou feliz! Estou saudável! Sinto-me ma-ra-vi-lho-so!!!”

NAPOLEON HILL, responsável por uma pesquisa histórica com duração de 20 anos (1908-1928), na qual milhares de homens de negócio bem-sucedidos em várias partes do mundo foram entrevistados. Com base nessa pesquisa, escreveu o livro A Lei do Triunfo, um clássico entre as obras de auto-ajuda. Outro livro dele, Pense e Enriqueça, publicado em 1937, vendeu mais de 30 milhões de exemplares. Sua frase célebre: “Se minha mente consegue imaginar, então eu consigo realizar”.

OG MANDINO, autor de vários livros, dentre os quais um dos mais conhecidos é O Maior Vendedor do Mundo (publicado em 1968). Mais de 50 milhões de exemplares de seus livros já foram vendidos em mais de 25 línguas. “Cada ato memorável na história do mundo representa um triunfo do entusiasmo. Nada de grande jamais foi alcançado sem entusiasmo porque é ele que confere a qualquer desafio, por mais aterrador que seja, e a qualquer ocupação, por mais difícil que seja, um novo significado. Sem entusiasmo, você será fadado a uma vida medíocre, mas com entusiasmo você pode realizar milagres.”

Em uma edição da revista Success Unlimited (novembro de 1976), houve anúncios de 80 (oitenta) livros de auto-ajuda só nos Estados Unidos.

Pastores que Também Escreveram sobre Auto-ajuda

NORMAN VINCENT PEALE, pastor da Igreja Marble Collegiate por 52 anos em Nova York; seu livro mais famoso é O Poder do Pensamento Positivo. É considerado o introdutor da psicologia moderna nas igrejas.

ROBERT SCHULLER, pastor de uma grande igreja na Califórnia conhecida como Catedral de Cristal; o livro que representa a essência de sua pregação tem o título O Pensamento da Possibilidade.

DAVID (PAUL) YONGGI CHO, pastor sul-coreano da igreja que é considerada a maior igreja evangélica do mundo. Em seu livro A Quarta Dimensão, ele sugere que as pessoas “engravidem” de seus desejos para torná-los realidade.

JOEL OSTEEN, pastor da Igreja Lakewood, em Houston, EUA, é atualmente um dos nomes mais em evidência nos Estados Unidos. Dentre seus livros, estão Só Depende de Você e O Que Há de Melhor em Você.

Uma Fonte Antiga de Auto-ajuda?

As listas acima são apenas representativas; há incontáveis autores, livros e linhas, do passado e do presente, que não foram mencionados, mas que poderiam ser enquadrados em algum tipo de auto-ajuda.

Na verdade, como afirma o livro O Segredo, essas idéias sempre existiram. É um estudo fascinante passar pela literatura mundial e identificar as premissas essenciais em quase todas as épocas da história.

Tal pesquisa histórica e literária traz, sem dúvida, grandes surpresas. Nenhuma, porém, maior do que a identificação do livro mais distribuído e lido em todo o mundo como fonte primária de auto-ajuda. Veja, nesse sentido, o testemunho de um dos maiores autores do gênero, Og Mandino. No final de seu livro O Maior Segredo do Mundo, ele se propõe a indicar os “Doze Maiores Livros de Auto-aperfeiçoamento” de acordo com sua opinião. Depois de dar os nomes de 11 livros, ele escreve:

“Mas aí estão só onze, você dirá. Bem... a oportunidade é excelente para você pensar que talvez o décimo segundo você tenha em sua casa. Talvez você não o folheie há anos, mas ele está lá, esperando pacientemente servi-lo... e é um reservatório ilimitado que tem sido usado e será usado em quase todo livro de auxílio próprio: a Bíblia.”

É aí que está o grande choque: os grandes gurus da auto-ajuda realmente encontram base para o que afirmam nas páginas das Sagradas Escrituras. Tanto é que alguns pastores também adotaram princípios de auto-ajuda ou pensamento positivo em seus livros e pregações. Mais do que isso: quando você lê ou ouve algumas das afirmações nos livros, cursos e palestras, é impossível não sentir que há algo que inspira, desafia e motiva ali, que pode estar faltando em muitos círculos cristãos ortodoxos.

Portanto, está diante de nós um grande desafio: identificar as distorções, o veneno misturado com o leite, mas continuar em busca do verdadeiro segredo, sabendo que existe algo realmente capaz de liberar nosso potencial em Deus.

Retirado do site: www.revistaimpacto.com.br

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sofismas da Auto-ajuda por João A. de Souza Filho


“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e, sim, poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Co 10.4-5).

O texto acima é um dos mais utilizados para falar sobre a luta do cristão – e com razão, pois apresenta a estratégia de guerra para o confronto espiritual. Embora andando na carne, diz Paulo, não militamos segundo a carne, mas batalhamos com armas espirituais. As “armas” dessa batalha são a palavra da verdade, que é a espada do Espírito, a Palavra de Deus.

Lutamos contra o quê? O texto cita três obstáculos comumente encontrados por quem proclama a palavra de salvação: fortalezas, sofismas e altivez.

Fortalezas são áreas nas quais o inimigo consolidou uma resistência ao avanço do evangelho, do reino de Deus numa pessoa, igreja, cidade ou região maior. Podem ser representadas por hábitos, pecados, vícios, crenças e atitudes. Precisam ser destruídas por métodos e armas espirituais como discernimento, intercessão, perseverança, expulsão de demônios e outras.

Altivez é uma barreira de orgulho e exaltação que lança sombra, escurece a razão e impede a penetração do conhecimento divino. É uma poderosa arma do inimigo para manter as pessoas nas trevas, intocadas pela luz do evangelho, ao mesmo tempo em que se sentem sábias e superiores.

Os sofismas são mais sutis. Um sofisma é uma “verdade” que não é verdade; pode ser mais bem-definida como uma mentira com aparência de verdade – e que continua sendo mentira. Os sofismas alteram a essência da mensagem do evangelho e “implantam”, no conhecimento humano, uma mentira que, de tanto ser repetida, é aceita como verdade. Enquanto as fortalezas precisam ser destruídas, o sofisma tem de ser anulado. E uma mentira só é anulada com a verdade. Exemplo disso é a teoria da evolução, uma mentira ensinada nas escolas como uma grande verdade, embora mentirosa.

Os sofismas geralmente são artimanhas lingüísticas, teorias, suposições e idéias que se opõem à mensagem do evangelho. Sempre existiram ao longo dos séculos, mas, nessas últimas décadas da Igreja cristã, os sofismas passaram a ser apresentados com atraentes rótulos coloridos. O evangelho pregado nos dias de hoje não é apresentado com a pura essência e substância, corrompido que está pela ação dos sofismas, ou seja, de mentiras aparentemente verdadeiras.

Sofismas Encontrados no Evangelho Atual

Mesmo num breve artigo como este, podemos mencionar alguns dos muitos sofismas que entraram na mensagem do evangelho.

Por exemplo, a fé tornou-se sinônimo de pensamento positivo de tal forma que uma pessoa é curada somente se tiver fé. Embora a fé, de fato, ajude a pessoa a pensar positivamente, a erguer-se e a vencer, essa fé que se ouve pregar hoje não é a fé mencionada nas Escrituras. No texto de Habacuque (o justo viverá pela sua fé – Hc 2.4), o sentido é de que a pessoa sobreviverá à invasão do mal – do ataque dos caldeus – se permanecer agarrada ou “colada” em Deus. Fé tem o sentido de viver-se agarrado, preso (a Deus). Não importa o que aconteça, o cristão permanece firme. Doente, mas firme. Sem dinheiro, mas forte.

O sofisma entra e inverte a ordem: se alguém está doente, não tem fé; se está sem dinheiro, há algo de errado. Dessa forma, a fé tornou-se algo a ser conquistado. Quem tem fé é curado; quem não tem continua doente. A corrupção da mensagem do evangelho produz manchetes do tipo: “Centenas de pessoas curadas pelo poder da fé”.

O sofisma ou a mentira é que a fé cura, quando, na realidade, a cura é realizada pela autoridade e ação do Nome de Jesus Cristo, às vezes independentemente da fé de uma pessoa, da fé do pregador ou da fé da audiência, como uma operação da expressa vontade de Deus.

Ligada aos sofismas sobre a fé, aparece a mensagem de auto-ajuda. E há de diferenciar aqui a auto-estima da auto-ajuda. Deus sempre “levanta” a estima de uma pessoa que pensa negativamente sobre si mesma. Ao medroso, ele diz: “Não temas, homem valente”; “Esforça-te, tem bom ânimo”; “Eu sou contigo” – porque a fonte da auto-estima é o próprio Deus e não a fé ou o pensamento positivo. A expressão de Paulo, “tudo posso naquele que me fortalece”, resume a capacitação humana que vem diretamente de Deus.

Na mensagem de auto-ajuda, o foco é sempre o homem e o que este pode fazer por si mesmo, por seu potencial; para tanto, basta repetir frases, ler os passos práticos para uma vida de vitória ou conhecer o “segredo”. Nesse sentido, a mensagem de auto-ajuda tornou-se um canal de prosperidade aos autores de livros e CDs, aos pregadores e conferencistas que despertam o potencial que existe em cada pessoa. O sofisma reside no fato de que o “potencial” passa a ser o próprio homem e não o fruto de sua dependência de Deus. Aliás, o sofisma da capacitação humana descarta toda ajuda divina. Elogia-se o humanismo porque o homem realiza feitos independentes da ação direta e da interferência divina.

Alteração Sutil do Evangelho


Percebe-se, assim, que a mensagem do evangelho que se ouve todos os dias está impregnada e corrompida com filosofias, humanismo e até símbolos, idéias e práticas de movimentos orientais que se assemelham aos métodos e filosofias da Nova Era.

Analisando-se o conteúdo de algumas mensagens televisivas e de livros recentemente publicados, é evidente que muitos pregadores, evangelistas, pastores e apóstolos já não abordam mais a essência do evangelho como faziam os primeiros apóstolos, pois pincelam o tema bíblico com cores e sofismas que atraem; sim, porque um sofisma bem-apresentado atrai indiscutivelmente mais seguidores do que a radicalidade do evangelho.

O sofisma alterou o chamamento de seguir-se a Cristo incondicionalmente – às vezes, perdendo-se tudo – para uma mensagem de prosperidade. As pessoas vêm a Cristo porque querem sentir-se bem, enriquecer e ter vida farta; exatamente o oposto do que pregavam nossos pais.

Os jovens são desafiados a serem prósperos, ricos, milionários, enquanto a verdadeira mensagem do evangelho consigna a que se abandone tudo pela causa do evangelho, mesmo que para seguir a Cristo a pessoa precise renunciar uma vida confortável, tranqüila ou próspera. O desapego aos bens materiais foi um dos fatores que permitiu que o evangelho fosse pregado por todo o mundo greco-romano. Os bens deixados pelos irmãos da igreja primitiva aos pés dos apóstolos eram distribuídos entre os pobres e necessitados de Jerusalém; o sofisma consegue arrecadar os bens para enriquecer os pregadores, apóstolos e instituições. A lei da semeadura é apresentada com cores atraentes de possibilidades de riquezas e de bem-estar social quando, na realidade, Paulo, ao tratar do tema, tinha em mente os recursos para evangelizar as nações e ajudar os pobres e necessitados.

É certo que existe uma prosperidade na vida cristã como resultado do evangelho, mas é algo intrínseco à mensagem, como um dos efeitos que faz parte do conjunto, não como o objetivo principal. Os que progrediram financeiramente na vida não aceitaram o evangelho por ambição de riquezas, mas pela obra de Cristo e seu senhorio.

Jesus já não é mais apresentado como o Salvador da humanidade, que morreu para perdoar aos homens os seus pecados, mas como exemplo de sucesso de quem se podem extrair passos significativos de sucesso empresarial. Dessa forma, o sofisma consegue encobrir o verdadeiro Jesus e sua missão redentora. Livros e mais livros vêm sendo escritos sobre Jesus como fórmula de sucesso, deixando uma névoa sobre sua verdadeira missão entre os homens.

Anulando os Sofismas

Combatem-se os sofismas com a palavra da verdade. Conforme Hebreus 4.12, a Palavra de Deus é a única arma capaz de fazer a separação entre o que é humano e o que é de Deus; ela separa a filosofia arguta e humana dos homens infiéis, permitindo que realce apenas a verdade de Deus.

Paulo soube combater os filósofos e humanistas da época, apresentando a verdade bíblica junto com as manifestações do poder de Deus. Ele provava aos seus ouvintes que palavra (Escritura) e poder (manifestações sobrenaturais) constituem uma grande verdade. Sempre que confrontou os sofismas com a verdade, Paulo deixou igrejas estabelecidas, porque sua mensagem não constava de palavras apenas, mas de demonstração de poder (1 Ts 1.5). Paulo aprendeu a combater os sofismas com a verdade e, por isso, orienta aos cristãos que anulem os sofismas com a Palavra de Deus!

Os sofismas são anulados quando se conhece o que diz a Palavra de Deus sobre cada coisa – tanto as que estão na esfera da vida humana quanto as que estão no contexto do sobrenatural. O verdadeiro “segredo” consiste em desvendar os mistérios da Palavra de Deus com a ajuda da própria Palavra.

Retirado do site:www.revistaimpacto.com.br

Pobres ateus por Ariovaldo Ramos


Me disseram que o ateísmo está crescendo.

Fiquei a pensar... Quem quer o mundo oco e solitário dos ateus?

Não eu!

Eu quero o mundo povoado dos cristãos, dos judeus, dos muçulmanos, dos animistas...
Quero um mundo onde a gente não esteja só.

Um mundo com anjos de pé e caídos.

De entidades, de elfos, de mística, de mágica, de mistérios...

Quero o mundo onde os tambores invoquem.

Onde a multidão de línguas estranhas dos pentecostais façam os seres da escuridão retroceder.

Quero o mundo que produziu Beethoven, que, surdo dizia ouvir a música que Deus queria escutar, a quem aplaudiu na nona.

Que produziu Shakespeare, que disse que havia mais entre o céu e a terra, do que supõe a nossa vã filosofia, e que valia morrer por amor.

Que desafiou Mozart a zombar de Deus, enquanto, qual o profeta Balaão, só conseguia emitir os sons que boca de Deus entoa!

Quero o encanto catártico de Haendell gritando ALELUIA! de forma arrebatadora!
A beleza de Bach nos fazendo ver a paz da Família Eterna.

Quero mundo das lindas e majestosas catedrais e dos pregadores das praças, das esquinas, dos caminhos...

Da riqueza sonora profunda dos cantos gregorianos e dos vociferantes pregadores: convocando os homens a mudar e o Espírito Santo a se levantar contra o mal.

Quero o mundo que faça um ser humano, diante a pior das borrascas, ver o seu salvador andando sobre o mar, anunciando a possibilidade.

Aquele em que o guerreiro, diante da incerteza, se ajoelha perante o Eterno e se levanta com um brilho nos olhos, certo de que tem uma missão, um motivo para brandir a espada, porque se há de correr o sangue humano, tem de haver uma razão, que dando significado a vida o faça não temer a morte.

Um mundo de poetas e romancistas, que fazem a morte gerar vida, que contam histórias porque, em meio ao mais insano, há algo para contar, e se há o que contar, então significa; e se há como contar, então há um significante anterior, de modo que, por mais que cada leitor possa, de alguma maneira, reinventar, ninguém consegue negar que leu, e, se leu, podia ser lido.

Quero a fé que faz uma menina entrar numa das melhores faculdades do pais, sonhando que um dia, tudo o que sabe ajudará um ser desprovido de tudo, num dos miseráveis cantões do planeta, a sorrir com esperança!

Quero a loucura dos missionários que abandonam tudo no presente, certos de que levarão milhares a viver o futuro.

Quem quer o socialismo frio do ateus?

Eu quero o socialismo dos crentes que, em meio à marcha dos trabalhadores, e, diante do impasse do confronto com as forças do estabelecido, grita ao megafone: companheiros, avancemos! Deus está do nosso lado!

Da ciência não quero as equações, quero o grito de "Eureka!", onde o cálculo se mistura com a revelação.

Da matemática quero a música, a certeza de que há sons no universo, que não só os podemos cantar, mas que há quem nos ouve.

Que ouviremos a grande e última trombeta, que reunirá toda a criação para o canto da redenção.

Eu não quero capitalismo nenhum, mas prefiro o dos seres humanos que acreditavam que o trabalho é um culto ao Criador e que o seu produto tinha de gerar um mercado a serviço do bem.

Quem quer o capitalismo consumista dos ateus, que reduz a vida ao aqui e agora, e transforma todos em desesperados que, pensando que não sobrará para eles, correm para acumular para o nada?

Os ateus dizem que evoluímos, mas que não vamos para lugar nenhum; que a ciência pode tudo; que verdade é a palavra dos vencedores; que os mais fortes sobreviverão, e que é o direito natural deles.

Não! Mil vezes não!

Quero o mundo onde os fracos tenham direito ao Reino; onde os mansos herdarão a terra; onde os que choram serão consolados; onde os que têm fome e sede de justiça serão fartos; onde os que crêem na justiça estejam prontos a morrer por ela; onde os mortos ressuscitarão.

Quem quer um mundo explicado, onde tudo é virtude ou falha de um neuro-transmissor qualquer?

Quero um mundo onde a fé , o amor, a paixão curem, mudem histórias e construam caminhos! Onde os artistas tenham o que registrar!

Um mundo onde o sol nasça e se ponha, onde as estrelas, polvilhando o infinito, apontem um caminho, falem da esperança de uma grande e decisiva família, e que qualquer ser humano ao ver isso, não se envergonhe de falar: maravilha! Um Deus fez isto!

Mas não quero a teologia técnica...

Quero o Deus apaixonado dos cristãos, que abandona sua glória e se faz gente, trazendo a divindade para a humanidade e, ressuscitado, ao voltar, leva a humanidade para a divindade!

Quero o Deus inquieto de Israel, o pai dos judeus, com quem é possível lutar.
Quero do Deus que se permite ser detido por um Jacó.

Quero o Deus chorão de Jesus de Nazaré, que mesmo a gente tendo brigado com Ele, nunca conseguiu brigar conosco.

O Deus Pai, Mãe e Filho que repartiu conosco o privilégio de ser!

Quero o mundo do medo do desconhecido, e do maravilhar-se com o desconhecido: o mundo do encanto.

Como disse o pai da filosofia moderna, o que se descobre ser ao pensar, precisa de um mundo para aterrissar, precisa que haja alguém que faça pensar valer a pena, alguém que, ao fim, é da onde se pensa, e se ele não existe, então nada existe, porque o que pensa não tem como pensar a partir de si.

Quero o mundo que ri da finitude; que desdenha das limitações; que resiste ao sofrimento; que olha para o infinito sabendo que nossa existência não é determinada pela morte ou por nossas impossibilidades; que não somos frutos de um acidente.

Quero mundo que se sustenta na fé de que ressuscitaremos, de que brilharemos como o sol ao meio dia; de que vale a pena lutar pelo bem; de que vale a pena existir!

Fonte: www.ariovaldoramos.com.br

domingo, 14 de dezembro de 2008

Reportagem sobre patrimônio da IURD rende prêmio


(ALC) A repórter da Folha de São Paulo, Elvira Lobato, autora da matéria intitulada "Universal chega aos 30 anos com império empresarial", recebeu, na terça-feira, 9 de dezembro, no Rio de Janeiro, o Prêmio Esso de Jornalismo 2008.

A reportagem, produzida ao longo de dois meses de consultas na Junta Comercial, revelou que a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) é proprietária de 23 emissoras de tevê e 40 estações de rádio, além de manter 19 empresas registradas em nome de fiéis.

Publicada no dia 15 de dezembro de 2007, a reportagem de Elvira gerou a indignação de fiéis da IURD, que impetraram 105 petições na justiça contra a jornalista, numa orquestração deliberada, segundo indícios, pela cúpula da igreja. As petições deram entrada em diferentes cidades e a terminologia e argumentos que os moviam eram coincidentes.

Em declaração ao portal Imprensa, Elvira disse ter ficado surpresa com o modo como a sua reportagem foi interpretada pela igreja e fiéis, principalmente pelo fato de não se tratar de material opinativo. Ela agradeceu o apoio recebido pelos colegas de profissão, que "formaram uma fileira em defesa da reportagem e da imprensa", inibindo a ação da Universal.

"Emocionalmente, essa série de processos me causou um impacto muito grande, porque eu temi que me jogassem contra fiéis da Igreja Universal", desabafou a jornalista premiada, que chegou a receber 13 intimidações judiciais em apenas uma semana.

Do total de 105 processos movidos contra Elvira, 58 já foram arquivados ou vencidos pela jornalista. A repórter espera que o prêmio "ajude a desatar esse nó judicial".

Além do Prêmio Esso de Jornalismo, a cerimônia de premiação também contemplou outros 13 profissionais dos segmentos de telejornalismo, mídia impressa e fotografia.

Fonte: www.alcnoticias.org

O Segredo: de Deus ou do Diabo? por Harold Walker - parte2


Semelhança Importante

Refletindo sobre esses dois pontos de divergência, devemos concluir o seguinte: a auto-ajuda está errada no que se refere a imputar tanto a origem quanto o destino ao próprio homem – um verdadeiro buraco negro! Já no cristianismo bíblico, entendemos que nossa origem e destino estão em Deus – alguém fora de nós, maior que o universo e distinto dele, Criador de tudo.

Dito isso, porém, devemos também concluir que muitos aspectos do processo de trazer coisas do invisível para o visível, tanto no cristianismo quanto na auto-ajuda, são semelhantes. Se nosso destino (o alvo de nossas orações, petições e anseios) é Deus, e nossa origem (o propósito de nossa vida, nossa missão na Terra, o criador de nossos sonhos e anseios) também é Deus, podemos pedir, visualizar detalhes, sonhar, “engravidar”, acreditar firmemente (sem duvidar ou vacilar), repetir, confessar, sentir a emoção antecipada como se já o possuíssemos – e o receberemos!

Você consegue ver a diferença? Não é simplesmente querer um diamante, uma casa nova, um iate luxuoso ou chegar à presidência da empresa ou do país. Se a origem é Deus, é ele quem tem de colocar dentro de mim esse forte desejo e convicção, inclusive mostrando como tal desejo contribuirá para o seu prazer e o cumprimento da missão que ele me deu. Nas palavras de Davi: “Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração” (Sl 37.4), e de Agostinho: “Ama a Deus e faze o que quiseres”. Qualquer coisa é possível para aquele que se une a Deus em amor de tal modo que só deseja aquilo que ele deseja!

Os Extremos

Nesse caso, assim como em tantos outros, precisamos tomar muito cuidado para não ir nem para um extremo nem para outro. Não devemos “jogar fora o bebê junto com a água suja”! Por um lado, temos o fatalismo religioso que mascara a ausência de fé com argumentos “piedosos”: “Deus é soberano e você tem de aceitar tudo o que acontece como a vontade dele”, “Se você está doente, deve ser porque ele quer santificá-lo!”, “O importante não é ter riquezas ou conforto material; Deus olha para o espírito” e “Pessoas que têm alegria e curtem a vida são menos espirituais do que as que vivem sofrendo!” O Movimento da Fé e irmãos como Kenneth Hagin e David Cho têm combatido, com propriedade, essa defesa doentia de miséria e desgraça como se fossem inevitáveis ou resultados da vontade irrevogável de Deus.

A Bíblia, de modo geral, e Jesus, de forma especial, enfatizam que Deus opera dentro e por intermédio do homem, e que este tem autoridade para reverter situações aparentemente impossíveis. Veja os seguintes exemplos:

Josué não perguntou para Deus se podia parar o Sol e a Lua! Ele simplesmente ordenou (Js 10.12,13), e assim aconteceu!

Quando o profeta Isaías desafiou o rei Acaz a pedir qualquer sinal que quisesse nos céus ou na terra, e este bancou o piedoso conformado, dizendo: “Não pedirei; não porei o Senhor à prova”, Isaías o repreendeu, dizendo: “Não basta abusarem da paciência dos homens? Também vão abusar da paciência do meu Deus?” (Is 7.10-13, NVI).

Quando os fariseus, que se orgulhavam de sua teologia aparentemente impecável, comentaram: “Quem é este que profere blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão só Deus?”, Jesus respondeu enfaticamente: “Para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa” (Lc 5.20-25, ênfase acrescentada).

Deus não quer que o homem permaneça passivo, aceitando tudo o que acontece de forma fatalista como sendo a vontade dele, “terceirizando” sua responsabilidade diante das circunstâncias da vida.

No extremo oposto, temos os que ficam tão entusiasmados com o poder da fé que se esquecem de que é Deus quem tem a palavra final em tudo. Ele é soberano, somente a sua vontade deve ser feita, e nós existimos para sua glória e seus propósitos. “Todas as coisas cooperam para o bem [de quem?] daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28, ênfase acrescentada). “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 Jo 5.14, ênfase acrescentada). Portanto, não temos licença para usar a fé em prol das nossas ambições egoístas e carnais. “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tg 4.3).

A própria história do mundo nos últimos séculos revela os frutos desses dois extremos. As filosofias e religiões orientais (principalmente hinduísmo e budismo), com seu fatalismo e teorias de carma e reencarnação, não permitiram o desabrochar do potencial do homem para interagir produtivamente com o ambiente. De certa forma, o próprio catolicismo, que também defendia a passividade diante da soberania de Deus, resultou no mesmo tipo de estagnação na parte do mundo que se manteve sob seu domínio na Idade Média.

Foi o protestantismo, com a fé irreprimível na possibilidade de cada homem ter contato direto com Deus e usar a imaginação e criatividade para melhorar o mundo visível, que trouxe a explosão de ciência e tecnologia que hoje predomina sobre toda a face da Terra. Ao mesmo tempo, porém, que esse tremendo poder criativo que permaneceu preso dentro do homem por tantos séculos foi liberado, o senso de assombro e reverência diante da soberania e grandeza de Deus foi praticamente anulado, gerando assim a cultura capitalista, consumista, hedonista e anti-Deus que acompanha os avanços tecnológicos no atual processo inexorável de globalização.

Ao meditar sobre essas coisas, fico emocionado. Sinto o Senhor olhando para seu povo com muito amor e zelo paternal e dizendo:

Oh, minha igreja! Os últimos dias já chegaram! Não olhem nem para a direita nem para a esquerda! Olhem firmemente para o Autor e Consumador de sua fé! Creiam no tremendo potencial que há dentro de vocês para mudar circunstâncias, chamar à existência aquilo que não é e tornar visível o invisível. Porém não se esqueçam de que tudo o que existe fui eu que fiz para minha glória! Prostrem-se diante de mim! Desistam de seus próprios sonhos terrenos! Abram o coração para meus sonhos que são muito maiores! Haverá novos céus e nova terra nos quais habita a justiça! E o poder desse mundo vindouro já está dentro de vocês! É o Espírito Santo, o penhor da sua herança! Vocês serão o instrumento por meio do qual meu poder agirá para trazer meu reino para a Terra! Não fiquem olhando para este ou aquele lado, perguntando de onde virá o socorro! A palavra está dentro de vocês, na sua boca, no seu coração! O meu sonho é um povo totalmente submisso e rendido a mim, sem um pingo de autopromoção ou egoísmo, que só deseje a minha glória e o meu prazer, mas que, ao mesmo tempo, seja ousado, corajoso, intrépido para desafiar meus inimigos, fazer proezas em meu nome e exercer minha autoridade sobre a Terra! Esse sonho há de se realizar!

Retirado do site: www.revistaimpacto.com.br

O Segredo: de Deus ou do Diabo? por Harold Walker


Nas últimas décadas, houve uma explosão de crescimento dos evangélicos no Brasil. Apesar de nos alegrarmos com os milhares de testemunhos de vidas transformadas, junto com esse crescimento exponencial há evidências cada vez maiores de que há “morte na panela” (2 Rs 4.40).

Enquanto o livro de auto-ajuda O Segredo está na lista da Veja dos mais vendidos no Brasil há 71 semanas (setembro de 2008) – até agora foram vendidos mais de 2 milhões de cópias em DVD e 13 milhões de livros no mundo todo –, ouve-se o mesmo tipo de ensinamento de um número cada vez maior de púlpitos evangélicos.

Um artigo da revista Veja (26 de setembro de 2003) ressalta esses dois assuntos (crescimento evangélico e ênfase em auto-ajuda) em um só parágrafo curto: “Enquanto a Igreja Católica não conseguia ordenar mais do que 900 padres por ano, só um único instituto evangélico de São Paulo formava, no mesmo período, 200 pastores. São pastores de uma nova geração, mais centrados na auto-ajuda e menos no sobrenatural do que seus predecessores – nada da ira e dos exorcismos de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, ou de R. R. Soares, o onipresente telepastor da Internacional da Graça de Deus”.

Mas, afinal, o que há de errado na filosofia de vida defendida por Rhonda Byrne (autora do livro O Segredo) e por tantos outros autores e pregadores de auto-ajuda? Deus não quer tirar-nos do fatalismo passivo, da incredulidade paralisante e da miséria financeira que predominam há séculos neste país? Jesus não disse: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Lc 11.9)? Ele não afirmou em outra ocasião: “Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu” e “Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito” (Mt 18.18,19, ênfase acrescentada)?

Não foi por meio de uma revelação pessoal da passagem de Marcos 11.22-24 (“Qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, assim lhe será feito... Tudo o que pedirdes em oração, crede que o recebestes, e tê-lo-eis”) que Kenneth Hagin foi curado miraculosamente de uma doença terminal em 1934, abrindo o caminho a centenas de outras grandes curas milagrosas testemunhadas por ele durante mais de 50 anos a partir de então? Não foi por seu método de sonhar, de “engravidar” daquilo que se almeja, visualizar e imaginar, em todos os detalhes, o objetivo desejado que David Yonggi Cho levantou a maior igreja do mundo na Coréia do Sul?

Diferenças Fundamentais

É óbvio que, em um artigo curto como este, não é possível dar respostas detalhadas a essas perguntas. Porém, tentaremos ressaltar alguns pontos essenciais que podem ajudar-nos a localizar “a morte na panela” e separar “o joio do trigo”.

1. De onde procede a resposta ao anseio do homem?


A essência da filosofia de auto-ajuda defendida por Rhonda Byrne é: “Pense, acredite, receba”. É a Lei da Atração. “No momento em que você pede alguma coisa, e acredita, e sabe que já a tem no invisível, o Universo inteiro se move para deixá-la visível” (Rhonda Byrne: O Segredo, pág.49. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006).

Há uma diferença vital entre os ensinamentos de Jesus e os dos gurus: Jesus afirma que é do Pai que vem a resposta, enquanto os mestres de auto-ajuda sempre se referem a duas fontes distintas: o universo e o próprio homem. No fim, acabam considerando os dois como um só, porque o homem faz parte do universo. Para eles, a grande dicotomia de Criador e criatura, revelada na primeira frase da Bíblia (“No princípio, criou Deus os céus e a terra” – Gn 1.1), não existe. A criatura é o criador. Deus está em nós e em todo o universo. O universo é Deus. Portanto, baseados nessa falsa premissa fundamental, afirmam que nós somos Deus e podemos mudar nosso destino. Basta querer!

2. Qual é o propósito da vida?


Veja as seguintes citações do livro O Segredo:

Portanto, seu objetivo é o que você determinar. Sua missão é a que você se atribui (Neale Donald Walsch).

Levei muitos anos para chegar a este ponto, porque fui criado com a noção de que havia algo que eu deveria fazer, e, se eu não fizesse, Deus não ficaria satisfeito comigo. Quando entendi concretamente que minha meta principal era sentir e vivenciar alegria, comecei a fazer só o que me alegrasse. Meu lema é: “Se não é divertido, não faça!” (Jack Canfield).

Faça as coisas que lhe trazem prazer e alegria. Se você não sabe do que gosta, pergunte: “Qual é o meu prazer?” E quando você encontrá-lo e se dedicar a ele, ao prazer, a lei da atração irá derramar em sua vida uma avalanche de coisas, pessoas, situações, acontecimentos e oportunidades alegres, só porque você está irradiando alegria (Jack Canfield).

Como se pode ver, as filosofias de auto-ajuda ensinam que vivemos para o próprio prazer. Somos nós que determinamos o que é bom para nós.

A Bíblia, porém, do princípio ao fim, enfatiza que o homem existe para amar e agradar a Deus. Conseqüentemente, Deus não é apenas aquele que responde nossas orações e anseios, mas também é aquele a quem prestaremos contas pela maneira como conduzimos nossa vida na Terra. Em suma, não estamos na Terra para sermos felizes, mas para fazer Deus feliz. Por outro lado, se isso é verdade, fomos feitos de tal forma que só podemos ser felizes quando ele é feliz. Essa é a essência do amor. O amor se interessa tanto pela felicidade alheia que não consegue ser feliz sem que o outro o seja.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O Homem que caiu no buraco


Um homem no buraco from Caminho da Graça | blog on Vimeo.

A Igreja dos homens por Richard Halverson


"No início, a igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo. Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia. Depois, chegou à Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura. E, finalmente, chegou à América e tornou-se um negócio."

Richard C. Halverson (1916-1995) pastor americano.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Honestidade e idolatria por Roberto Lima

A honestidade é mercadoria tão preciosa que é raramente encontrada no mundo da igreja. A honestidade exige a sinceridade de admitir os apegos e as dependências que controlam a nossa atenção, dominam a nossa consciência e agem como falsos deuses.

Posso ser tão viciado em vodka quanto em acessar e-mails, tanto em maconha quanto em querer agradar os outros, tanto em jogo quanto em coca-cola, tanto em televisão quanto em fofoca. Minha dependência pode ser de comida, atuação, dinheiro, popularidade, poder, vingança, leitura, futebol, cigarro, peso ou sucesso.

Quando damos a qualquer coisa mais prioridade do que damos a Deus, cometemos idolatria.

PORTANTO, TODOS COMETEMOS IDOLATRIA INCONTÁVEIS VEZES AO DIA.

Uma vez que aceitamos o evangelho da graça e buscamos nos livrarmos dos mecanismos de defesa, a honestidade torna-se ao mesmo tempo mais difícil e mais importante. A honestidade envolve a disposição de enfrentarmos a verdade a respeito do que somos, não importando quão ameaçadoras ou desagradáveis possam ser nossas percepções.

Quando João Batista pregava no deserto, as pessoas iam até ele confessando os seus pecados e eram batizadas. Reconhecer o seu pecado ajuda-o a ser curado e ser liberto do poder dele.

Algumas coisas para refletirmos:

1)Não existe nenhuma pessoa que seja santa neste mundo por si mesma. Todos pecaram, pecam e pecarão por toda vida. Quando achamos que estamos livres de um pecado caímos em outro, quando não fazemos, julgamos,quando achamos que somos ou estamos "santificados" por não fazermos algum pecado aparente, nosso orgulho já nos prendeu.

2)Peco porque sou pecador. Minha essência é assim e assim aprouve a Deus colocar a todos debaixo do seu juízo para usar para com todos de misericórdia, para que nenhum, NENHUM, se apoiasse em alguma coisa que fez, senão somente no amor e misericórdia de Deus.

3) Reconhecer seu próprio pecado e estado irremediável de perdição pessoal, é ponto crucial para que não julgarmos aos outros, pois se a salvação é pela graça então ninguém fez nada e não poderá nada para alcançá-la. É fruto da misericórdia de Deus e tão somente isso!

Você já está perdoado de todos os seus pecados passados, presentes e futuros. Foi isso que Jesus fez na cruz por você. E mesmo assim Ele te ama. Exatamente como você é, e exatamente como você está. Ele te aceitou assim.

Se Jesus te aceitou assim, porque você deve se mascarar e ser alguém que não é?

Sua honestidade para consigo mesmo e a sua rendição ao amor de Jesus te cura do poder do pecado e da morte.