sábado, 28 de novembro de 2009

A MALDIÇÃO DOS QUE NÃO GUARDAM O SÁBADO por Roberto Lima


Nesta quinta feira eu estava em Indaiatuba SP, com um amigo e pastor fazendo projetos para negócios voltados para prefeituras. Ele é um empreendedor nato e estávamos na igreja dele.

Como teríamos no dia seguinte uma reunião na prefeitura de Socorro-SP, queria terminar a apresentação dos projetos, mas estava chegando a hora do culto e o meu amigo fez questão que eu parasse e fosse para o culto.

Falei que precisávamos terminar o projeto e não daria tempo até o dia seguinte...

Ele me questionou se eu estava fugindo de participar do culto... e eu já fiquei incomodado com isso. Falei da prioridade da situação, mas ele me disse: Roberto, temos que parar. O culto é um momento de pararmos da correria louca em que vivemos atrás de tantos negócios, trabalhos e projetos e buscarmos a Deus.

OK, disse. Resignado e convencido a parar, fechei o computador e fomos para o culto.

STRESS, O MAL DO SÉCULO!

Ora, sabemos que a cada dia basta o seu mal, e que ninguém é intocável quando o assunto é stress. O dia a dia, a rotina, os problemas cotidianos vão nos comendo por dentro e tirando a alegria de viver.

Daí vamos às compras e compramos o que é desnecessário, mas o suficiente para nos encher de mais preocupações aumentando o stress.

Todo esse ciclo é agravado com doenças que são provenientes dessas preocupações.

Boa parte de nós que virou workholic, ou seres humanos que não conseguem parar de trabalhar mesmo quando estão de folga, não sabe o que é ficar sossegado, descansar, ter paz.

Esse ser produtivo, que não pode perder tempo, que não pode deixar de aproveitar uma oportunidade, que não consegue mais viver sem metas e objetivos claros, que não consegue parar de fazer, fazer, fazer... é o candidato mais forte a um ataque do coração, desligamento da paz e de ouvir Deus falar consigo.

Porque digo isso?

Deus, quando criou o sábado, o criou para dar descanso ao homem. Todo dia é dia de trabalhar, mas um se deve descansar e deixar para que a paz de Deus organize seus pensamentos e direcione seu coração devidamente.

O sábado é o descanso criado por Deus para o homem. O sábado foi criado para o homem.

Hoje, o sábado não precisa ser o sétimo dia, o nosso sábado ocidental, mas o seu princípio continua ativo. Parar é essencial para uma vida saudável.

Quando se para temos que voltar a pensar no que é essencial para nós: Deus, família, amigos. Dar tempo para o essencial é transformar a nossa vida mais leve e mais feliz.

A vida produtiva nos come o tempo e nos faz consumir, consumir, como num desejo inconsciente de pagar a nós mesmos pelo tempo perdido no trabalho.

Sem contar que a maioria de nós não consegue ficar parado, ficar em silêncio, ficar totalmente sozinho. Aqueles que recorrem a meditação fazem bem para si mesmo porque param e se voltam para si mesmos e recarregam suas energias para o dia a dia.

Não é à toa que a Bíblia nos fala tanto de meditar nas coisas de Deus.

Nem quero entrar no que Deus quer de nós, que é relacionamento, intimidade, só estou falando sobre a necessidade de se parar dessa corrida tresloucada para a produtividade. Para esse assunto leiam o post: DEUS QUER ATENÇÃO, NÃO PRODUÇÃO! Por Harold Walker.

A CONCLUSÃO

A conclusão disso foi simples para mim nesta quinta feira: Devo ter meu sábado algum período todos os dias, e algum dia da semana. Isso é importante para eu continuar sóbrio dando valor para as coisas mais importantes e direcionando o meu coração para o que Deus quer.

Bem, quanto ao culto em que tive que participar... não foi lá aquelas coisas não. Uma palavra fraquinha... um louvor condicionado onde ficam toda hora querendo colocar as palavras na nossa boca...

Mas como dizem... eu não tenho que achar nada no culto, porque o culto não foi pra mim!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

PELA GRAÇA ATRAVÉS DA FÉ por C.H.Spurgeon


Porque Deus é gracioso, os pecadores são perdoados, convertidos, purificados e salvos. Não é por causa de algo neles mas por causa do amor ilimitado, da bondade, da piedade, da compaixão, da misericórdia e graça de Deus.

Descanse um momento no manancial. Veja como o rio puro de águas vivas procede do trono de Deus e do Cordeiro.

Quão vasta é a graça de Deus! Quem pode medir a sua largura? Quem pode sondar a sua profundidade? Assim como todo o resto dos atributos divinos, ela é infinita. Deus é cheio de amor, pois "Deus é amor".

Deus é cheio de bondade; da bondade ilimitada e o amor se encontra na própria essência da divindade. É porque "a sua misericórdia dura para sempre" que não somos destruídos. Porque as "Suas compaixões não falham" que os pecadores são conduzidos a Ele e perdoados.

Lembre-se disso ou você pode cair no erro de fixar tanto a sua mente na fé que é o canal da salvação que se esquece da graça que é a fonte e até origem da prórpia fé.

A fé é a obra da graça de Deus em nós.

Ninguém pode dizer que Jesus é o Cristo senão pelo Espírito Santo. "Ninguém vem a mim", disse Jesus, "exceto aquele que o Pai que Me enviou o atrair".

Assim a fé, que está vindo de Cristo, é o resultado da atração divina. A graça é a primeira e a última causa da salvação, e a fé, essencial como ela é, é apenas uma parte importante do maquinário que a graça emprega. Somos salvos "através da fé", mas a salvação é "pela graça".

Ecoam estas palavras com a trombeta do arcanjo: "pela graça sois salvos". Que boas novas para o indigno.

A fé ocupa a posição de um canal ou tubo condutor. A graça é a fonte e a correnteza. A fé é o aqueduto ao longo do qual o fluxo da misericórdia flui para refrescar os filhos sedentos dos homens. É uma grande perda quando o aqueduto é quebrado. É uma triste visão olhar em torno de Roma muitos aquedutos nobres que não conduzem mais a água para a cidade, porque os arcos estão quebrados e as estruturas maravilhosas estão em ruínas.

O aqueduto deve ser mantido inteiro para conduzir a corrente e do mesmo modo a fé deve ser verdadeira e sólida, conduzindo direto até Deus e vindo direto para baixo até nós, para que se torne um canal útil da misericórdia para a nossa alma.

Novamente lembro vocês que a fé é só o canal ou aqueduto, e não a nascente da fonte, e não devemos olhar tanto para ela para exaltá-la acima da fonte divina de toda a bênção que está na graça de Deus.

Nunca faça 'cristo' fora da sua fé, nem pense nele como se fosse a fonte independente da sua salvação. A nossa vida é encontrada no olhar para Jesus, não no olhar para a nossa própria fé.

Pela fé todas as coisas se tornam possíveis para nós, contudo o poder não está na fé, mas em Deus sobre quem a fé descansa. A paz dentro da alma não é proveniente da contemplação da nossa própria fé, mas vem a nós Dele que é a nossa paz, da orla de cujo vestuário a fé toca, e a virtude sai Dele para a nossa alma.

A fraqueza da sua fé não destruirá você. Uma mão trêmula pode receber um presente de ouro. A salvação do Senhor pode vir a nós embora tenhamos a fé somente como um grão da semente de mostarda.

O poder está na graça de Deus e não na nossa fé.

Grandes mensagens podem ser enviadas através de fios delgados e a paz dá testemunho de que o Espírito Santo pode alcançar o coração por meio de uma fé semelhante a um filamento que parece incapaz de sustentar o seu prórpio peso.

Pense mais NAQUELE para quem você olha do que em seu próprio olhar.

Você deve olhar para longe até mesmo do seu próprio olhar e ver apenas Jesus, e a graça de Deus revelada Nele.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Modismo Emergente... Atitude Urgente! por Lindoélio Lázaro


Já escrevi certa vez (vide) sobre a nova onda de revolução que tem levado muita gente a abandonar os pilares eclesiásticos para defender uma outra linha de pensamento ou simplesmente para não ter mais que participar das chatas programações religiosas e nem ter responsabilidades com elas. Falei do perigo desse comportamento desencadear uma nova moda, passageira como todas, que só serviria para fazer barulho e algazarra para depois se desnortear com o vento sem nenhum propósito realmente útil.

Saí da igreja e fui totalmente desvirtuado pelos "irmãos". Tive minha fé caçada por eles, por entenderem que a equação Fi = AD <> FD ("F"ora da "i"greja igual a "A"teu "D"esgraçado diferente de "F"ilho de "D"eus) seja verdadeira. Mas, apesar de toda descriminação e preconceito, sair de lá fez muito bem pra minha alma. Luto dia após dia para não cair no modismo, para não achar que preciso revolucionar o Evangelho.

Alguns podem até dizer que não quer revolucionar o Evangelho e sim a igreja, mas esta vem sendo revolucionada desde que nasceu como instituição humana, e essas revoluções foram o maior fator agravante da sua situação como missionária do amor de Cristo. O modelo de igreja, hoje, é o resultado de uma série de revoluções para modelar uma fórmula de salvação do homem.

Nós, os "sem igreja", criticamos, denunciamos, enfrentamos o poder da imposição da igreja sobre as pessoas, mas caímos em muitos dos erros que o sistema igrejeiro preconceituoso comete. Agimos de forma preconceituosa também, julgamos e, de certa forma, até queremos condenar alguns religiosos, segundo nosso entendimento. De maneira que, sem freio, podemos ser tão hipócritas quanto os fariseus modernos convencidos da salvação. Aliás, devemos nos perguntar se não somos também um desses fariseus, com a diferença de que não suportamos conviver com outros iguais a nós.

Os emergentes só existem porque passaram um dia por uma igreja, senão, a palavra "emergente" perderia o sentido. E nessa passagem de um estágio para outro, uma massa frenética tem saído de suas igrejas para fugir de suas amarras. Contudo, é preciso cautela para não cair em amarras maiores e não viver da ilusão barata de revolução. Não será nosso ímpeto para criticar e até praguejar as instituições igrejeiras que vai revolucionar o mundo, quanto menos a nós mesmos.

Precisamos deixar de querer impor nosso estilo de vida como sendo o remédio do mundo, a verdade absoluta, tanto os emergentes quanto os membros e líderes das igrejas. Precisamos deixar as críticas e os pensamentos vãos a fim de melhor cumprir nosso legado. Precisamos ver o Evangelho como uma missão de amor, vivendo o sacrifício de Cristo. Ouvir e aplicar mais, falando menos. Argumentar, discutir, "teologizar" não vai nos tirar da posição de prequiçosos que perde tempo falando.

A igreja não é a solução do Evangelho, portanto, é um desperdício lutar para revolucioná-la mais uma vez.

A solução é Cristo. E Ele será conhecido e amado quando as pessoas virem o que de bom Ele produz no nosso caráter, estando nós dentro de uma igreja ou não.

A moda dos emergentes passará. Mesmo que o modelo de igreja seja novamente afeiçoado, agora pela influência dos emergentes, precisaremos sempre de atitude cristã ao invés de pragmatismo.

Alguém pare esse mundo, porque eu preciso subir!

Retirado do Blog Os Lazaros: http://oslazaros.blogspot.com/search?updated-max=2009-04-22T17%3A33%3A00-07%3A00&max-results=7

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O OUTRO O CONDUZIRÁ por Henri Nouwen


O mundo diz: “Quando vocês são jovens são dependentes de seus pais e não podem ir aonde querem, mas quando ficarem mais velhos serão capazes de tomarem suas próprias decisões, tomar seus próprios caminhos e controlar seus próprios destinos”.

Mas Jesus nos dá uma visão completamente diferente da maturidade: é a habilidade e a disposição de ser guiado pelos outros.

O caminho do líder cristão ao é o caminho da ascensão, no qual o mundo investe tanto. É o caminho descendente que termina na cruz.

Aqui nós focamos na qualidade mais importante da liderança cristã no futuro. Não é uma liderança de poder e domínio, mas uma liderança de fraqueza e humildade, através da qual o servo sofredor de Deus, Jesus Cristo, se manifesta. Obviamente, não estou falando sobre uma liderança psicologicamente fraca, na qual o líder cristão é simplesmente a vítima passiva das manipulações do seu meio. Não, estou falando de uma liderança na qual o poder é constantemente abandonado em favor do amor. É uma verdadeira liderança espiritual.

O líder cristão do futuro precisa ser radicalmente pobre, viajando sem nada a não ser um cajado (“sem pão, sem mochila, sem dinheiro, sem uma segunda túnica” Mac. 6:8).

O que há de bom em ser pobre? Nada, exceto que isto nos oferece a possibilidade de exercer liderança, deixando que outros nos liderem.

Passaremos a depender das respostas positivas ou negativas daqueles a quem somos enviados e, dessa forma, seremos realmente conduzidos para onde o Espírito de Jesus nos quer guiar.

A abundância e as riquezas nos impedem de realmente discernir o caminho de Jesus.
Paulo escreve a Timóteo:”Mas os que querem ser ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição” (I Tim. 6:9).

Se há alguma esperança para a Igreja no futuro, será a esperança de uma Igreja poder, que tem líderes dispostos a serem liderados.

Retirado do livro: Líder Cristão do século XXI

domingo, 22 de novembro de 2009

Deus Usa Brasileiros Para Abençoar Moçambique por Susana Walker

Quem viu as condições de Moçambique no final da guerra civil em 1992 dificilmente teria acreditado que, em menos de duas décadas, tantas mudanças poderiam acontecer como se vê hoje nesse pequeno país no sudeste da África.

Rod e Ellie Hein, um casal de Zimbábue (antiga Rodésia) que trabalhou incansavelmente levando mantimentos físicos e espirituais às partes mais recônditas de Moçambique durante os longos e sofridos anos de guerra, têm sido instrumentos de Deus para provocar e possibilitar muitas dessas mudanças. Eles olharam para os ossos secos e desconjuntados de um povo analfabeto, traumatizado pelos horrores da injustiça e miséria, mergulhado no espiritismo e na adoração ancestral herdada dos antepassados e, contrariando tudo o que viam com os olhos naturais, creram no impossível. Creram na palavra profética de que esses ossos reviveriam e encontrariam, cada um, seu lugar certo de ligação. Creram que Deus sopraria seu Espírito, trazendo vida onde as pessoas só conheciam morte, alegria onde reinava a tristeza e liberdade aos que eram cativos de demônios.

Na mesma época, receberam direção de Deus para buscar ajuda em outro país de fala portuguesa e traços culturais semelhantes, o Brasil. Foi-lhes revelado que os brasileiros seriam instrumento de bênção para Moçambique, e que portas seriam abertas para poderem conquistar o coração dos moçambicanos e ajudar a conduzi-los ao único e verdadeiro Deus.

Baseados nessas e em outras palavras, os Hein começaram uma escola bíblica em Inhaminga, vila remota localizada numa zona rural muito pobre no centro de Moçambique. Com professores brasileiros, o Colégio Teológico Afrika Wa Yesu em Inhaminga já treinou mais de 500 pastores e obreiros para igrejas de todas as regiões de Moçambique além de jovens estrangeiros em missões transculturais. Tem afetado de maneira significativa o país por meio de ensino consistente e fundamental das Escrituras, ênfase na oração, adoração com muita liberdade no Espírito e treinamento prático em evangelismo e outras áreas de ministério.

Deus tem honrado poderosamente os anos de labuta e trabalho contínuo. O ambiente espiritual da região de Inhaminga mudou, os batuques dos curandeiros são muito mais escassos durante as noites, e podemos ver, a olhos nus, que os ossos secos já estão recebendo vida.

A cada ano, uma nova turma de alunos chega à escola para receber seis meses de treinamento e é imersa imediatamente num ambiente de louvor e adoração que quebra a rotina ritualista e religiosa de muitas igrejas rurais. Estas igrejas, por falta de ensino, seguem os mesmos rituais aprendidos há décadas sem vida ou poder. Logo na segunda semana de aula, os alunos descobrem que podem, ainda nesta vida, ter a certeza da salvação baseada somente no precioso sangue de Jesus recebido por meio de arrependimento e confissão.

Quando possuem uma experiência sólida de salvação, são batizados nas águas, muitas vezes num tanque por falta de rio ou lagoa na região. Algumas vezes, mesmo antes de receberem ensino sobre o batismo no Espírito Santo, saem das águas falando em outras línguas, cheios de unção. Outras vezes, isso acontece depois de passarem por aulas sobre a pessoa do Espírito Santo e de aprenderem para quem e para que ele concede seus dons. A partir de então, a Palavra é recebida com alegria, e, a cada manhã, os devocionais são cheios da vida do Espírito, enquanto cada um vai descobrindo quão ilimitado é o nosso Deus e quão profundas são as riquezas dele que podemos experimentar.

Ao sair da escola, os alunos voltam para suas vilas, igrejas e famílias como elementos de mudança e transformação. Muitos outros vêm para a escola impressionados com a visível transformação na vida deles.

Em 2005, Jeff e Nicky Reetz, um casal americano que trabalhou seis anos em Inhaminga com Rod e Ellie, começaram outra escola bíblica Afrika wa Yesu no norte de Moçambique. Ao visitarem a baía de Nacala, perguntaram a Deus se aquele seria o lugar para começar um trabalho para alcançar a população muçulmana do norte de Moçambique. Sentiram, em oração, que Deus viria para esse lugar se preparassem o caminho. E, desde então, mais de 150 alunos foram formados na escola bíblica ali, e cerca de 60, no curso profissionalizante de marcenaria.

Outros brasileiros chegaram e continuam abençoando Moçambique. Desde 2008, os professores brasileiros que lecionam em Inhaminga são Jeosafá Vasconcelos, Diogo Pinto e Leidiane Oliveira. Dorotheia Felix veio comigo para Nacala em 2007 e, hoje, está totalmente adaptada, desenvolvendo sua própria visão e cooperando no Centro Vocacional.

Lembro-me de uma palavra que recebi em minha formatura na SFM (Escola de Missões nas Fronteiras, no Christ For the Nations, Dallas, EUA) de que Deus me usaria como ponte entre continentes; hoje vejo isso acontecendo. Sei que o Brasil tem potencial, recursos e capacidade de ser bênção para muitos países; dentre eles, Moçambique.

Os professores e missionários brasileiros na Afrika Wa Yesu dependem de irmãos e igrejas no Brasil que ouvem a necessidade e veem a oportunidade de fazer real diferença na vida de pessoas em Moçambique. Em dezembro de 2009 e janeiro de 2010, Dora, Jeosafá, Leidiane e Diogo estarão no Brasil visitando a família e compartilhando o que Deus tem feito em Moçambique. Se você deseja tornar-se parceiro nessa missão, entre em contato com eles por e-mail ou os convide para visitar sua igreja ou grupo caseiro. No site da revista (www.revistaimpacto.com), há mais informações sobre cada um deles.

É impossível fazer missões sozinho!

Dora

Minha visão é afetar a vida dos irmãos moçambicanos, transformando sua maneira de pensar e trazendo esperança para o futuro pelo ensino na sala de aula, nos grupos nas casas das vilas, no relacionamento e discipulado pessoal e nos projetos de microempresas e geração de renda. Creio que, se construirmos um pensamento diferente do que conheceram até hoje, baseado na Palavra, haverá resultados visíveis em todo o país e louvor a Deus. Já vimos isso acontecer. Alguns de nossos ex-alunos têm demonstrado, em suas comunidades, um verdadeiro testemunho de transformação e um estilo de vida diferente. Um deles é Issa, que, desde que saiu de seu curso de negócios e marcenaria, não ficou mais sentado passivamente em casa olhando o dia passar, sem nada para fazer como antes; agora tem se esforçado para trabalhar na profissão de marceneiro conseguindo sustento para sua casa.

Isso é muito gratificante!

Jeosafá

Durante esse tempo em Moçambique, tenho descoberto o que deixa Deus alegre, e isso tem me levado a cumprir meu propósito pessoal que é ter a amizade dele. Deus quer se revelar a essas pessoas da mesma maneira que se revelou a mim: um Deus pessoal que deseja ter um relacionamento verdadeiro com cada um sem religiosidade e sem engano; um relacionamento de amor que gera amor.

Tenho entendido que Deus quer se revelar aos moçambicanos por meio do meu relacionamento com eles. Não é um relacionamento profissional entre “missionário” e perdido, mas sim entre um filho amado que já foi encontrado e seu irmão amado que, muito em breve, também será encontrado. Deus me achou e quer achar os moçambicanos também.

Construí uma pequena casa na zona de Nhamacaringa, onde passo os fins de semana. Aquele lugar tem o objetivo de ser o ponto de partida no desenvolvimento desse relacionamento com os locais. Desejo criar um ambiente onde Deus se sinta bem para agir na vida das pessoas, e elas se sintam bem na presença de Deus.

Deus me deu como missão procurar as pedras perdidas de sua Casa que estão espalhadas pelo mundo. Algumas estão aqui em Moçambique, onde já comecei a procurar. Essas pedras são difíceis de achar, são pedras preciosas em um garimpo muito explorado e destruído pelo mundo. Assim que encontrar cada pedra, entregá-la-ei ao Ourives Jesus Cristo, que a purificará com seu Espírito, seu Fogo Purificador.

Amo ser um garimpeiro de meu Amigo. Durante as aulas que ensino, vou descobrindo quem sente a mesma chama arder em seu interior ao ouvir sobre o desejo de Deus de ter amizade com o homem. Durante cada atividade evangelística nas zonas rurais, cada caminhada na vila de Inhaminga, cada conferência realizada, as pedras vão sendo encontradas. Deus quer uma casa; eu sou um voluntário para juntar os materiais para a honra e glória do seu Nome!

Retirado do site: Revista Impacto

sábado, 21 de novembro de 2009

Deus Quer Atenção, Não Produção! por Harold Walker - parte2


Três fatores para dar fruto

Em sua grande parábola sobre o semeador, Jesus ressalta três fatores decisivos para que haja um resultado positivo em nossa vida: a semente, a terra e a exclusividade. Sem a semente, a terra pode ser boa ou ruim; não haverá fruto algum. Mas, se a semente for boa, entrará o segundo fator fundamental: a terra. Se a terra for dura, a semente nem chegará a germinar. Se a terra tiver uma camada fina apenas, a semente germinará, mas não vingará.

Porém, mesmo que a terra seja boa, pode ser que não dê fruto! Como pode acontecer isso? Semente boa e terra boa não garantem uma boa colheita? De acordo com Jesus e qualquer agricultor, a resposta é NÃO! Por quê? Porque existem espinhos e ervas daninhas. Apesar de a terra ser boa, a semente não frutifica porque a força da terra é roubada por outras plantas. Jesus diz que as ervas daninhas são “os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas” (Mt 13.22) – em outras palavras, AS DISTRAÇÕES. Para ter uma boa colheita, para que nossa vida termine com um saldo positivo, é preciso haver boa semente, boa terra e EXCLUSIVIDADE.

E isso nos leva a uma ação prática, constante e indispensável para uma boa colheita: dizer NÃO, todo dia, para muitos convites, oportunidades, propostas e tentações. Na agricultura, chamam isso de capinar a lavoura. Quanto melhor a terra, maior a presença de ervas daninhas e mais constante a necessidade de arrancá-las. Quanto mais inteligentes, talentosos, jovens e habilidosos nós formos, mais precisaremos aprender a dizer NÃO! Do contrário, correremos o perigo de dedicar-nos a Deus só quando nos restarem as sobras – quando estivermos velhos, fracos e sem força, quando não houver tantas demandas sobre nosso tempo. É claro que Deus quer nossa dedicação nessa época também, porque ele quer TUDO, mas devemos dar-lhe não só nossos últimos anos, mas também as primícias, o melhor, o mais precioso de tudo o que ele investiu em nós quando nos criou.

Mesmo a terra boa que consegue produzir fruto é classificada, por Jesus, de várias formas: ela pode produzir a 30%, a 60% ou a 100%. Isso significa que a Palavra e o Espírito de Deus que recebemos têm imenso potencial, mas o fruto que produzirão em nossa vida depende da proporção e da intensidade de atenção que lhes foi dedicada. Quantos minutos, horas, dias e até anos de nossa vida são desperdiçados por não ouvirmos a voz de Deus? Consequentemente, perdemos oportunidades preciosas que Deus poderia ter usado para gerar fruto! Que porcentagem de produtividade você gostaria de oferecer a Deus?

Há um exemplo no Velho Testamento e outro no Novo que ressaltam a importância de se fugir das distrações para obter bom êxito em uma missão. Quando Eliseu mandou Geazi para ressuscitar o filho da sunamita, ele lhe deu as seguintes instruções: “Cinge os teus lombos, toma o meu bordão na mão, e vai. Se encontrares alguém, não o saúdes; e se alguém te saudar, não lhe respondas...” (2 Rs 4.29). Ao enviar os setenta discípulos de dois em dois para preparar seu caminho, Jesus disse-lhes: “Não leveis bolsa, nem alforge, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho” (Lc 10.4). A ideia, em ambos os casos, é a importância de se ter foco, atenção total no alvo para desempenhar, com sucesso, uma missão encomendada por Deus. Até mesmo uma saudação pode servir de distração e fazer vazar a unção.

Terminando, faríamos bem em refletir sobre as exortações de Paulo para Timóteo:

“Até que eu vá, aplica-te à leitura, à exortação, e ao ensino. Não negligencies o dom que há em ti... Ocupa-te destas coisas, dedica-te inteiramente a elas, para que o teu progresso seja manifesto a todos. Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Tm 4.13-16).

Oremos usando as palavras desta linda música de Aline Barros:

Sonda-me, Senhor, e me conhece, quebranta o meu coração
Transforma-me conforme a tua palavra
E enche-me até que em mim se ache só a ti
Então, usa-me, Senhor, usa-me

Refrão

Como um farol que brilha à noite
Como ponte sobre as águas
Como abrigo no deserto
Como flecha que acerta o alvo
Eu quero ser usado, da maneira que te agrade
Em qualquer hora e em qualquer lugar, eis aqui a minha vida
Usa-me, Senhor, usa-me

Sonda-me, Senhor, e me conhece, quebranta o meu coração
Transforma-me conforme a tua palavra
E enche-me até que em mim se ache só a ti
Então, usa-me, Senhor, usa-me

Refrão

Sonda-me, quebranta-me
Transforma-me, enche-me e usa-me, Senhor.

Retirado do site: www.revistaimpacto.com.br

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Deus Quer Atenção, Não Produção! por Harold Walker - parte1


“Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus requer de ti, senão que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma...” (Dt 10.12)

“Pois não falei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios. Mas isto lhes ordenei: Dai ouvidos à minha voz... Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos...” (Jr 7.22-24).

Desde que criou o homem à sua imagem, Deus definiu duas verdades que seriam inerentes à sua essência: por um lado, ele seria o ápice da criação como representante do Criador do Universo e, por outro, teria de depender totalmente do próprio Deus para conseguir exercer essa função primordial de sua existência. Um fato o exalta, o outro o humilha. Ao mesmo tempo em que ele é o procurador de Deus para todo o restante da criação, sem contato contínuo e vivo com Deus ele não consegue fazer nada de valor!

O drama da humanidade, então, gira em torno deste conflito: o homem, desde que atendeu à tentação da serpente de tentar ser como Deus, comendo da árvore do conhecimento do bem e do mal, quer produzir alguma coisa para provar seu valor e reforçar sua identidade. Deus, em contrapartida, só quer que o homem desista de todos esses esforços inúteis e volte à missão inicial de focar toda a atenção no Criador, vivendo a partir dessa única fonte de vida e inspiração.

Deus só pede tudo!


Na passagem acima, Moisés argumenta apaixonadamente com o povo de Israel dizendo: “Que é que o Senhor requer de ti?” Deus não quer nosso esforço, nosso trabalho, nossas boas obras. Ele quer nossa atenção ininterrupta e irrestrita a uma só coisa – ELE MESMO! “Que temas ao Senhor... que andes em todos os seus caminhos e o ames e sirvas ao Senhor... de todo o teu coração e de toda a tua alma”. Que é que o Senhor pede de nós? Tudo! Todo o coração e toda a alma, todo o nosso amor e todo o nosso temor!

Será que isso não é pedir demais? Será que não é uma carga muito pesada? De acordo com a lógica de Moisés, é uma tremenda barganha! Ele usa a expressão de um bom vendedor: Que é que o Senhor pede? Quanto custa esse produto? Uma mixaria! Uma ninharia! Mas como nosso TUDO pode ser avaliado tão baixo assim? Por dois motivos: primeiro, porque deveria ser extremamente fácil amar a Deus de todo o coração já que ele nos criou para isso! Qualquer outra atitude seria desvirtuar nosso propósito natural. Assim como o peixe nasce nadando, o homem deveria nascer amando a Deus! O segundo motivo de ser um negócio tremendamente vantajoso é a desproporção entre o produto e o pagamento: somos chamados a dar tudo do nosso nada para recebermos em troca todos os recursos do Dono do Universo! E ele não pede que façamos alguma tarefa árdua e ingrata – apenas que o amemos e o temamos de todo o coração.

Se o Espírito abrir seu entendimento, você perceberá que esse clamor divino por nossa atenção atravessa toda a História e toda a Bíblia. “Filho meu, dá-me o teu coração...” (Pr 23.26). “Ouve-me, povo meu, e eu te admoestarei; ó Israel, se me escutasses!” (Sl 81.8). “Oxalá me escutasse o meu povo!” (Sl 81.13). “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças” (Mc 12.30). “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas” (Mt 11.29). Tragicamente, o homem tenta dar qualquer coisa a Deus, menos isso. Esse é o tema central do romance entre Deus e a humanidade.

Jesus e Buda – soluções diferentes para o mesmo problema

Cada um de nós, ao entrar neste mundo, recebe certa quantidade de força física, força mental, força psíquica, força emocional, força de vontade. Deus não cobrará de nós algo que não nos deu. O grande diferencial, no último dia, não será nossa produção, mas a maneira como aplicamos essa força limitada que recebemos. Podemos aplicar toda nossa força em um alvo errado ou em um alvo certo. Aí, é fácil saber como será o desfecho.

A maior tragédia de nossos dias, porém, não é essa. Nosso maior inimigo, hoje, é a dispersão da atenção, a perda de foco, o escoamento vagaroso mas incessante de nossas forças vitais em múltiplas direções. Dessa forma, mesmo que tenhamos bons objetivos e maravilhosas propostas, nosso saldo final será próximo a zero.

É por esse motivo que Jesus nos alerta: “Não vos inquieteis!” Em outras palavras: “Não vos preocupeis!” ou, ainda, “Não vos distraiais!” (Mt 6.31). O seu conselho é que não demos atenção às muitas coisas (à lista de “todas estas coisas”), mas que busquemos uma coisa só: O SEU REINO E A SUA JUSTIÇA. Se fizermos isso, “todas estas coisas” nos serão acrescentadas (Mt 6.33).

A ênfase de muitas religiões orientais, em especial do budismo, é eliminar totalmente as preocupações com a vida material. Dizem que Gautama Buda sentou-se debaixo de uma árvore e pôs-se a meditar sobre a causa de todo o sofrimento. Chegou à conclusão de que os desejos são a fonte de todo o sofrimento da humanidade e que, consequentemente, se o homem conseguisse acabar com todos os seus desejos, daria fim ao sofrimento. Chamou esse estado de não ter desejo de nirvana e o estabeleceu como alvo máximo para todos os seus seguidores.

Como vimos acima, Jesus tem outra orientação. Apesar de concordar que a fonte do sofrimento seja nosso apego e desejo por coisas e experiências palpáveis, ele não diz que a solução é acabar com o desejo, o querer, a vontade. Pelo contrário, ensina-nos a pegar todo o nosso querer, anseio e vontade fragmentados e reuni-los em torno de uma coisa só – Deus e sua vontade! A solução não é deixar de querer – na verdade, devemos aumentar o querer, só que não mais por múltiplas coisas sem valor permanente, mas pelo ÚNICO no Universo que tem valor intrínseco.

Retirado do site: www.revistaimpacto.com.br

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A DISCIPLINA: CONFISSÃO E PERDÃO por Henri J.M. Nouwen


Que disciplina é necessária para que o futuro líder vença a tentação de heroísmo individual? Eu gostaria de propor a disciplina da Confissão e do Perdão.
Assim como os futuros líderes devem buscar o sobrenatural, profundamente embevecidos na oração, eles também devem estar sempre dispostos a confessar a sua fragilidade e a pedir perdão daquele a quem ministram.

Eu não fico nem um pouco surpreso que tantos ministros e líderes sofram de profunda solidão emocional, que freqüentemente sintam uma grande necessidade de afeição e intimidade, e que algumas vezes passem por sentimentos profundos de culpa e vergonha diante de seu próprio povo.

Freqüentemente parecem estar dizendo: “E se o meu povo soubesse como eu me sinto realmente, se soubesse como penso e sonho, por onde minha mente anda quando estou sentado sozinho no meu escritório?” São precisamente os homens e mulheres mais dedicados para a liderança espiritual que são também os mais vulneráveis à carnalidade mais intensa.

A razão disto é que não sabem como viver a verdade da Encarnação. Separam-na da sua própria comunidade física, tentando dominar as suas necessidades ignorando-as ou satisfazendo-as em lugares distantes e anônimos e, então experimentam uma divisão crescente entre seu próprio mundo interior particular e as boas novas que estão anunciando.

Quando a espiritualidade se torna espiritualização, a vida no corpo se torna carnal. Quando os ministros e líderes vivem seus ministérios principalmente na esfera mental, e consideram o Evangelho como um conjunto de idéias valiosas para serem anunciadas, o corpo rapidamente vinga-se, clamando fortemente por afeição e intimidade.

É exatamente pelas disciplinas da confissão e do perdão que se pode evitar a espiritualização e a carnalidade, e pode-se viver a verdadeira encarnação. Através da confissão, os poderes das trevas são arrancados da sua isolação carnal e trazidos para a luz e manifestos à comunidade. Através do perdão, os poderes das trevas são desarmados e dissipados, e uma nova integração entre o corpo e o espírito se torna possível.

Inúmeros cristãos têm descoberto o mais profundo significado da Encarnação, não em suas igrejas, mas nos Doze Passos dos Alcoólatras Anônimos, e experimentaram a presença curadora de Deus numa comunidade formada por pessoas que têm coragem de buscar a cura através da confissão mútua.
Isto não significa que ministros e líderes devam explicitamente confessar os seus próprios pecados ou falhas no púlpito ou em suas ministrações diárias. Isto seria doentio e imprudente, e não seria de maneira alguma o caminho para se tornar um servo-líder.

O que estamos dizendo é que ministros e líderes também são chamados para serem membros completos de suas comunidades, devem prestar contas a elas, e necessitam o seu carinho e apoio. São chamados para ministrar com todo o seu ser, inclusive com suas próprias feridas.

Eu, pessoalmente fui muito afortuna do em ter encontrado esse tipo de lugar na L´Arche, com um grupo de amigos que dão atenção às minhas próprias dores freqüentemente escondidas e me mantêm fiel à minha vocação com suas críticas gentis e seu apoio amoroso. Quem dera que todos os lideres pudessem ter para si um lugar seguro como esse!

Retirado do livro: O Perfil do Líder Cristão do Século XXI.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O filão religioso / Ricardo Gondim


As Casas Bahia disputam o mesmo mercado que a Magazine Luiza. As duas lojas se engalfinham para abocanhar o filão dos eletrodomésticos, guarda-roupas de madeira aglomerada e camas de esponja fina. Buscam conquistar assalariados, serralheiros, aposentados e garis. Em seus comercias, o preço da geladeira aparece em caracteres pequenos, enquanto o valor da prestação explode gigante na tela da televisão. A patuléia calcula. Não importa o número de meses, se couber no orçamento, uma das duas, Bahia ou Luiza, fecha o negócio - o juro embutido deve ser um dos maiores do mundo.

Toda noite, entre oito e dez horas, a mesma lengalenga se repete nos programas evangélicos. Pelo menos quatro “ministérios” concorrem em outro mercado: o religioso. Todos caçam clientes que sustentem, em ordem de prioridade, os empreendimentos expansionistas, as ilusões messiânicas e o estilo de vida nababesco dos líderes. Assim, cada programa oferece milagres e todos calçam suas promessas com testemunhos de gente que jura ter sido brindada pelo divino. Deus lhes teria abençoado com uma vida sem sufoco. Infelizmente, o preço do produto religioso nunca é explicitado. Alardeia-se apenas a espetacular maravilha.

Considerando que a rádio também divulga prodígios a granel, como um cliente religioso pode optar? Para preferir uma igreja, precisa distinguir sobre qual missionário, apóstolo, pastor ou evangelista, Deus apontou o dedo. E se tiver uma filha com leucemia aguda, não pode errar. Ao apelar para uma igreja com pouco poder, perde a filha. O correto seria freqüentar todas. Mas como? Em nenhuma dessas igrejas televisivas o milagre é gratuito ou instantâneo. As letrinhas, que não aparecem na parte de baixo do vídeo, afirmariam que, por mais “ungido” que for o missionário, um monte de exigência vem embutida na promessa da bênção. É preciso ser constante nos cultos por várias semanas, contribuir financeiramente para que a obra de Deus continue e, ainda, manter-se corretíssimo. Um deslize mínimo impede o Todo Poderoso de operar; qualquer dúvida é considerada uma falta de fé, que mata a possibilidade do milagre.

Lojas de eletrodoméstico vendem eletrodoméstico, óbvio. Igrejas evangélicas comercializam a idéia de que agenciam o favor divino com exclusividade. E por esse serviço, cobram caro, muito caro. Afinal de contas, um produto celestial não pode ser considerado de quarta categoria. A "Brastemp" espiritual que os teleevangelistas oferecem vem do céu. O acesso ao milagre se complica, porque todos mercadejam o mesmo produto. Os critérios de escolha se reduzem a prazo de entrega, conforto e garantia. Opa, quase esqueci! As lojas, em conformidade com o Código do Consumidor, são obrigadas a dar garantia, mas as igrejas evangélicas não dão garantia alguma. O cliente nunca tem razão. Quando a filha morrer de leucemia, o pai, além de enlutado, será responsabilizado pela perda. Vai ter que escutar que a menina morreu porque ele “deu brecha” para o diabo, não foi fiel ou não teve fé.

Mercadologicamente, Casas Bahia e Magazine Luiza estão bem à frente das igrejas. Melhor assim, geladeira nova é bem mais útil do que a ilusão do milagre.

Fonte: http://www.ricardogondim.com.br

Vi em http://dlgrubba.blogspot.com/2009/03/o-filao-religioso.html

sábado, 14 de novembro de 2009

Para onde vai a Igreja do Senhor? por Mario Persona


Depende do que você chama de "Igreja do Senhor". Se está se referindo a todos os salvos por Cristo, seremos todos arrebatados a qualquer momento, para nos encontrarmos com o Senhor nos ares.

Mas, se está se referindo à cristandade, essa mescla de joio e trigo, suas organizações e as assim chamadas "igrejas", isso vai permanecer aqui, de certa forma desfalcada, depois do arrebatamento dos salvos. Essa que deveria ser a noiva de Cristo (como testemunho) surpreende o apóstolo João quando ele a vê como uma meretriz em Apocalipse. O que você lê da meretriz, a Grande Babilônia, em Apocalipse é o futuro da cristandade como a forma exterior do cristianismo então vazio de seus verdadeiros salvos.

Para entender melhor o processo de degradação e apostasia, leia 1 Timóteo pensando em como Deus gostaria que o testemunho da Igreja fosse, e 2 Timóteo (última carta de Paulo) pensando em como esse testemunho acabou se tornando. O capítulo 2 de 2 Timóteo é crítico nesta análise, mostrando a necessidade do cristão se apartar da má doutrina e iniquidade que leva o nome de Cristo.

II Tim 2:19 a 22 - "Todavia, o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade.
Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra.
De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra.
Foge, também, dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, a caridade e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor".

O capítulo 3 de 2 Timóteo fala do caráter dos homens nos últimos dias. Esses homens não são pagãos, mas "cristãos" nominais. Algumas características desse homens são o egocentrismo, a avareza (fazem comércio de seus seguidores), presunção de poder, sedutores de mulheres carregadas de desejos vários (inclusive lícitos, como dinheiro, saúde etc.) e imitação dos milagres de Deus, como fizeram os magos de Moisés, Janes e Jambres.

II Tim 3:1 a 9 - "Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.
Porque deste número são os que se introduzem pelas casas e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências, que aprendem sempre e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.
E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé.
Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também o foi o daqueles".

O último capítulo de 2 Timóteo é triste, pois mostra que todos acabam abandonando Paulo no final. Isso está acontecendo hoje, quando a doutrina ensinada por Paulo em suas epístolas é cada vez mais deixada de lado como "difícil de entender" para dar lugar a práticas totalmente contrárias ao que Deus nos ensina através dele.

Muito do que Paulo escreveu é hoje considerado como "costumes de sua época" por não se encaixarem no modo de pensar das organizações eclesiásticas da atualidade.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Para onde vai a igreja? por Tomaz de Aquino


A igreja do Senhor de verdade vai sempre em direção ao Senhor Jesus. São noivas que tem uma caminhada em direção ao noivo. São pessoas que buscam andar como Ele andou, buscam ser cada dia mais parecido com Ele.

No entanto aquilo que a maioria de nós chama de igreja, ou seja, as instituições evangélicas, penso que deverão desaparecer e farão um grande favor à humanidade que for o mais rápido possível.

Os movimentos que hoje vemos, cada um tem o seu próprio evangelho, sua própria visão e missão, a sua própria agenda, seus próprios interesses. Cada uma delas está implantando o seu reinadozinho. Veja este artigo no blog:
http://sojesusnavida.blogspot.com/2009/01/reino-de-deus-versus-reino-de-deus
es.html


A igreja evangélica faz o mesmo caminho que a Católica já fez e a Católica carismática faz o caminho das evangélicas pentecostais e neo-pentecostais.

Nas igrejas de hoje, com raras exceções, vemos pouco de Jesus. Na verdade usam a Bíblia para seus próprios interesses através de uma teologia onde Jesus não é a fonte de toda revelação. Veja o artigo do blog - "O que há errado em nossa mensagem?"

Hoje fica cada dia mais difícil para quem quer de verdade seguir a Jesus, afirmar-se um evangélico. Ser evangélico no sentido lato é aquele que tem o evangelho no coração,na mente, nos pés, nas mãos, na vida. Mas infelizmente hoje representa somente está em uma instituição chamada evangélica.

Sinceramente não me vejo incluídos nestes evangélicos sem Jesus.

Não tenho uma visão de que tudo será destruído, mas sim que a meretriz, que já foi a igreja católica para os evangélicos, mas que penso ser toda religião institucionalizada que tem aparência de piedade mas nega o poder de Deus, deva ser desconstruída para que surja a noiva. Isso é obra do Espírito de Deus!

A Igreja de Jesus, que é gente, gente que crer, gente que segue, gente que discípulo, gente que busca pela ação do Espírito ser cada dia mais parecido com Jesus, essa não será abalada, pois é coluna e baluarte da verdade.

Não afirmo, até porque não sou juiz, que as pessoas da instituição serão banidos para o inferno pois creio na Graça e misericórdia de Deus. Creio no entanto que cada dia mais pessoas se desencantam com estes serviços institucionais e são atraídos a Jesus.

Grande prazer em conversar.

Alem de ler o blog, lei também nosso site pois lá você pode ouvir todas as
mensagens por mim ministradas na Casa do Senhor.

Em Jesus que não é crente nem cristão e mesmo evangélico, é Deus vivendo em
nós.

Tomaz de Aquino Pinheiro - É pastor da Comunidade Evangélica Casa do Senhor, uma comunidade de cristãos com sede em São Luís do Maranhão uma comunidade de seguidores de Jesus com ênfase num ensino bíbilico atual e contextualizado com as necessidades de nossa cultura. É autor de dois livros: " Roubadores de corações" e " Respondendo com Habilidade para a Vida", e também engenheiro civil com MBA em liderança cristã. pela Faculdade Teológica Sul Americana - FTSA.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A Tentação de SER PODEROSO por Henri J. M. Nouwen

Todos sabem qual foi a terceira tentação de Jesus. Foi a tentação do poder. "Eu te darei todos os reinos deste mundo e a sua glória", o diabo disse a Jesus.

Uma das maiores ironias da história do cristianismo é que os seus líderes constantemente caíram ante a tentação do poder - poder político, poder militar, poder econômico, ou poder moral e espiritual - muito embora continuassem a falar no nome de Jesus, que não se apegou ao seu poder divino, mas esvaziou-se a si mesmo e tornou-se como um de nós.

A tentação de considerar o poder um instrumento apto para a proclamação do Evangelho é a maior de todas. Estamos sempre ouvindo de outros, e dizendo a nós mesmos, que ter poder (desde que o usemos no serviço de Deus e em favor dos seres humanos) é uma boa coisa.

Mas era com ESTE RACIOCÍNIO que cruzadas foram realizadas; inquisições foram instituídas; índios foram escravizados; posições de grande influência foram cobiçadas; palácios episcopais, catedrais esplêndidas e opulentos seminários foram construídos; e muita manipulação de consciência foi usada.

Toda vez que vemos uma grande crise na história da igreja, notamos que a maior causa da divisão é sempre o poder exercido por aqueles que dizem ser seguidores do pobre e despojado Jesus.

O que torna a tentação do poder aparentemente tão irresistível?

Talvez porque o poder ofereça um fácil substituto para a difícil tarefa de amar...

Parece mais fácil ser Deus do que amar a Deus, mais fácil controlar as pessoas do que amá-las, mais fácil ser dono da vida do que amar a vida.

Jesus pergunta: "Você me ama?"

Nós perguntamos: "Podemos sentar à tua direita e à tua esquerda no teu reino?"

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A Tentação de SER ESPETACULAR por Henri J. M. Nouwen

Fui educado num seminário que me fez acreditar que o ministério era essencialmente um assunto individual. Eu tinha uqe ser bem treinado e bem formado, e depois de anos de treinamento e formação, era considerado bem equipado para pregar, administrar, aconselhar e dirigir uma igreja.

Fizeram-me sentir como um homem numa caminhada muito longa com uma enorme mochila contendo todo o necessário para ajudar as pessoas que encontrasse pelo caminho. As peguntas teriam respostas, os problemas teriam soluções e as dores teriam remédios. era só ter certeza com qual dos três eu estava lidando.

Vivendo numa comunidade com pessoas tão feridas (deficiência mental), descobri que eu havia passado a maior parte da minha vida como trapezista, tentando caminhar nas alturas, numa corda bamba, para alcançar o outro lado, e sempre esperando por aplausos quando eu não caía.

A segunda tentação à qual Jesus foi exposto foi precisamente a tentação de fazer algo espetacular, algo que pudesse render-lhe grandes aplausos. "Atira-te do pináculo do templo e deixa que os anjos te segurem e te carreguem em seus braços". Mas Jesus recusou-se a ser um super-homem. Ele não veio para se mostrar. Ele não veio para caminhar sobre brasas incandescentes, para engolir fogo ou para colocar a sua mão na boca do leão para demonstrar o grande valor do que tinha a dizer.

Quando você olha a igreja de hoje, é fácil ver o predomínio do individualismo entre ministros e líderes.

Pode-se dizer que a maioria de nós se sente como um trapezista fracassado, que não tinha poder para atrair multidões, que não conseguia promover muitas conversões, não tinha o talento para criar belos programas, não era tão popular entre os jovens, os adultos ou os idosos como esperava, e que não era tão capaz de atender às necessidades do povo como queria.

Ao mesmo tempo, a maioria sente que deveria ter sido capaz de fazer tudo isto, e de fazê-lo com secesso. A ambição de ser uma estrela ou herói individual, que é tão comum na nossa sociedade competitiva, também não é um sentimento estranho na igreja. Lá também a imagem dominante é aquela do homem ou mulher que conseguiu o sucesso sem a ajuda de ninguém, ou daquele que pode fazer tudo sozinho.

O autor, Henri Nouwen, compreendeu que o caminho para subir é descer. Abandonou sua brilhante carreira de professor nas melhores universidades dos EUA (Notre Dame, Yale e Harward) para compartilhar sua vida com os necessitados, servindo numa comunidade para deficientes mentais em Toronto, Canadá.

Retirado do livro: O Perfil do Líder Cristão do Século XXI - Editora ATOS.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A Tentação de CAUSAR IMPACTO por Henri J. M. Nouwen


A primeira coisa que me chocou quando vim morar numa casa com deficientes mentais foi que a sua afeição ou antipatia por mim não tinha, absolutamente, nada a ver com quaisquer das muitas coisas úteis que eu havia feito até então.

Como nenhum deles podia ler meus livros, estes não podiam impressioná-los, e como a maioria deles nunca havia ido à escola, os meus vinte anos em Notre Dame, Yale e Harvard não me proporcionaram uma apresentação especial.

A minha considerável experiência ecumênica provou ter menos validade ainda.

A incapacidade de usar quaisquer das habilidades que me foram tão úteis no passado era uma verdadeira fonte de ansiedade. De repente, eu estava às voltas com a minha própria nudez, aberto a afirmações e rejeições, abraços e socos, sorrisos e lágrimas, tudo dependendo simplesmente de como eu era compreendido no momento.

Amizades, contatos e reputações não mais podiam ser levado em conta. Essa experiência foi, e de muitas maneiras ainda é, s mais importante experiência da minha nova vida, porque obrigou-me a redescobrir minha verdadeira identidade.

Estas pessoas arruinadas, feridas e completamente despretensiosas me forçaram a abandonar o meu ego relevante, o ego que pode realizar coisas, mostrar coisas, provar coisas e construir coisas.

Elas me forçaram a retomar aquele ego sem enfeite, que me deixa completamente vulnerável, aberto a receber e a dar amor indiferente de quaisquer realizações.

Digo isto porque estou profundamente convencido de que o líder cristão do futuro é chamado para ser completamente irrelevante e a estar neste mundo sem nada a oferecer a não ser a sua própria pessoa vulnerável.

A primeira tentação de Jesus era para ser relevante: transformar pedras em pão. Oh, quantas vezes desejei ter este poder! Ao caminhar pelo arredores de Lima, no Peru, onde crianças morrem de fome e por causa da água contaminada. Eu não seria capaz de rejeitar esse dom mágico de transformar as ruas de pedras empoeiradas em lugares onde as pessoas pudessem pegar uma pedra e descobrir que era um pãozinho

Não somos nós, líderes e ministros, chamados para ajudar as pessoas, alimentar os famintos e aliviar o sofrimento dos pobres? Jesus enfrentou essas mesmas questões. Mas, quando lhe pediram para provar o seu poder como Filho de Deus através do comportamento relevante do transformar pedras em pães, Ele se apegou a sua missão de proclamar a Palavra.

o líder do futuro será aquele que ousa afirmar a sua irrelevância no mundo contemporâneo como uma vocação divina. Ela permite que ele esteja em profunda solidariedade com a angústia atrás de todo aquele esplendor do sucesso. E leve a luz de Jesus para brilhar ali.

O autor, Henri Nouwen, compreendeu que o caminho para subir é descer. Abandonou sua brilhante carreira de professor nas melhores universidades dos EUA (Notre Dame, Yale e Harward) para compartilhar sua vida com os necessitados, servindo numa comunidade para deficientes mentais em Toronto, Canadá.

Retirado do livro: O Perfil do Líder Cristão do Século XXI - Editora ATOS.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O PARADOXO DA DECISÃO


Toda de-cisão tem que ter um começo. Sem começo não há de-cisão, e sem decisão não há começo de nada.

Saber disso muda a vida, seja no âmbito mais simples ou no mais complexo.

De-cisão não é apenas boa intenção. Boa intenção é a sepultura dos covardes que não fazem nada além de falar, falar, falar...

É completamente triste e devastador quando você encontra pessoas viciadas em “boas intenções”; e que em geral são pessoas incapacitadas de realizar o que “formulam”, justamente porque sua “bem intencionada conversa” é apenas uma máscara que esconde a incapacidade dela (o pensar, o falar, o propor) realmente se tomar uma de-cisão.
Sem decisão toda boa intenção já está morta!

Toda decisão carrega, para quem a pratica, a possibilidade do pecado. Pois quem sabe se a boa intenção é mesmo boa?

A questão é que a decisão precisa ser boa, e nenhum de nós sabe além de sua própria intenção.

Por isto, se somos chamados para boas obras, também o somos para que as façamos com alegria, apesar de não sabermos se no fim elas todas serão realizadoras do bem.

Ora, isto tudo parece nos colocar num “chão” de total paradoxo; visto que sou chamado a fazer com boa intenção todas as coisas, ao mesmo tempo em que não sei se o que eu chamo de “bom” é de fato o que Deus chama de Bem.

E ainda sou chamado a fazer todas as coisas com alegria e gratidão...

Portanto, para o ser que se decide, tal ato implica numa entrega, pois, de fato, não se sabe nada sobre aquilo acerca do que se decide. Sim, nunca!

Dessa forma, vindo a ser para o bem, ou para o mal, a decisão precisa ser em fé e boa consciência; posto que somente o tempo revelará se foi boa ou má a abra que fiz.
Assim, meu chamado é para a obediência em razão de que toda de-cisão deve gerar alguma “partida”; alguma cisão.

Cordões umbilicais se partem...

Não nasce um homem sem de-cisão!

A obediência sempre será por muitos outros olhos vista como desobediência, visto que num mundo caído o que é bom para uns nem sempre é bom para todos; na maioria das vezes a minha benção é vista como algo péssimo para algum outro ser humano, no mínimo.

O que nos salva da loucura é a ignorância!

Esta é minha melhor lucidez!

Isto porque se soubéssemos quais são os desdobramentos de todas as nossas ações e decisões, provavelmente não suportássemos.

E a pura ironia talvez fosse ver que nossas boas intenções nem sempre geraram o bem; e algumas de nossas obras más nem sempre realizaram o mal.

“Ri-se deles o Senhor...”

Eu, porém, carrego toda a culpa pela primeira; e não tenho mérito pela segunda.
Assim, conclui-se que o coração do homem faz planos, mas a resposta certa vem da boca do Senhor.

Daí Paulo dizer que tudo o que não provém de fé é pecado. Pois o que nos salva da moralidade judiciosa e enlouquecedora das decisões é a fé que age com boa consciência diante de Deus.

Do contrário...sem fé...todo ato de obediência se tornaria loucura. Cada um, porém, tem que decidir conforme sua própria consciência, mesmo que isto seja “desobediência” para quem observa.

Esta será sempre a sua sanidade!

O covarde que não entrará no Reino dos Céus é todo aquele que teme decidir pelo bem revelado, pois achou mais segurança no mal como estabilidade.

Caio

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O que há de errado com a nossa mensagem? por Tomaz de Aquino


Trinta milhões de brasileiros afirmam sua confissão evangélica, fora os milhões que se dizem cristão ou como Cristo, que se denominam católicos e outros seguimentos do cristianismo, no entanto não há transformação em nosso mundo decorrentes de tais confissões.

No mundo chamado cristão já houve e ainda há muitas aberrações que nada tem a ver com o ensino de Cristo: escravidão, genocídio dos nativos da América, a segregação racial, o apartheid sul africano, a degradação ambiental, as duas guerras mundiais, os escândalos da pedofilia, da corrupção e muitas destas coisas dentro dos muros da igreja ou pelo menos apoiado por ela.

No Brasil assistimos nos jornais os escândalos de padres, pastores e outros religiosos envolvidos com corrupção, pedofilia e outros desvios sexuais. Ainda assistimos o crescimento da violência, da prostituição, da corrupção, a injustiça social, a desvalorização cada dia maior do ser humano em face da ganância institucionalizada.

Mas o que está acontecendo?

Jesus não disse que o Reino de Deus é como o fermento, como uma pequena semente? Não disse que os filhos do reino são luz e sal?
O que está errado com o fermento do reino que não atinge a massa toda? Será que é o fermento do reino de Deus ou o fermento do reino dos homens deuses?
O que está errado com a semente do Reino que não se torna uma grande árvores e da abrigo a muitos?

A resposta a estas perguntas é simples: os chamados cristãos são ou se fazem incapazes de agirem conforme o ensino de Jesus.

Por que isso acontece?

É mais simples ainda! Os políticos são incapazes de fazer o certo por simples falta de vontade política, assim como os cristãos de hoje são incapazes de andar pelos ensinos de Jesus por simples falta de vontade, pois isso acarretaria uma profunda mudança na vida dos mesmos assim como consideráveis perdas daquilo que eles não querem abrir mão. Preferem ganhar a vida a perdê-la.

Soren Kierkegaard já no século IXX disse como uma mestria e lucidez exuberante o que está errado conosco:

“A questão é muito simples. A Bíblia é muito simples de se entender. Mas nós, os cristãos, somos um bando de caloteiros intrigantes. Fingimos ser incapazes de compreendê-la porque sabemos muito bem que, no instante em que a compreendermos, estaremos obrigados a agir de acordo com ela.
Pegue quaisquer palavras do Novo Testamento e deixe tudo o mais de lado exceto o seu empenho pessoal de agir de modo coerente com elas. Meu Deus! – você dirá. - Se fizer isto, toda a minha vida estará arruinada. Como poderia dar continuidade a minha vida neste mundo?
Eis, portanto, o verdadeiro propósito da erudição cristã. A erudição crista é a invenção mais prodigiosa da igreja para se defender da Bíblia, a fim de garantir que poderemos continuar sendo bons cristãos sem que a Bíblia se aproxime demais de nós. Quão temível é cair nas mãos do Deus vivo! Sim, mais temível ainda é ficar a sós com o Novo Testamento”.

Charles Swindoll está certo quando afirma que “os cristãos de hoje estão dispostos a lutarem por um trono e não por uma toalha”.

Hoje é imprescindível e vital pensar no que o autor de Provérbios afirma quando diz que “o orgulho precede a ruína”. É necessário que as instituições, incluindo entre elas a igreja, experimentem uma queda antes de se abrirem para o verdadeiro arrependimento.

Concluo este artigo com uma frase muito preciosa de Christoph Friedrich Blumhard citada por Brian D. McLaren no livro “A mensagem secreta de Jesus”:

“Nada é mais perigoso para o avanço do Reino de Deus do que a religião. Mas é isto o que o cristianismo se tornou. Vocês não percebem que é possível que se mate a Cristo com esse tipo de cristianismo?”.

Pense nisso e que Deus nos ajude a encontrar a pérola de grande valor e a encontrando, abrir mão de tudo para adquiri-la.

Tomaz de Aquino É pastor da Comunidade Evangélica Casa do Senhor, uma comunidade de cristãos com sede em São Luís do Maranhão uma comunidade de seguidores de Jesus com ênfase num ensino bíbilico atual e contextualizado com as necessidades de nossa cultura. É autor de dois livros: " Roubadores de corações" e " Respondendo com Habilidade para a Vida", e também engenheiro civil com MBA em liderança cristã. pela Faculdade Teológica Sul Americana - FTSA.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Jaqueline, em missão na África.


Olá meus queridos amigos e queridas amigas,
Primeiramente, peço desculpe por ficar tanto tempo sem mandar notícias...

Ontem, 25/10, completei 6 meses de missão em África, missão de uma vida nova, de posturas novas, de relacionamentos novos, de muito aprendizado e de muito trabalho, tudo isso misturado com muita saudade de nosso querido Brasil, de nosso querido povo brasileiro.

Tenho tantas coisas que gostaria de partilhar com vocês... muitas coisas mesmo... Ficaria o dia inteiro escrevendo... rs.

Em relação ao trabalho que venho desenvolvendo, anexo, está uma entrevista que saiu no jornal Conect da Fundação Romi, neste mês. Ajudará muito para que este não fique extenso e cansativo... rs.

O povo angolano é muito alegre e acolhedor, eles gostam muito dos brasileiros e perguntam muito sobre o nosso país. No mês passado, aconteceu algo engraçado... fui à noite, junto com 7 argentinos e só eu de brasileira, num “quiosque” fechado à beira mar em Luanda, onde tem mesas ao ar livre e uma parte coberta com pista de dança... como íamos só comer doce, ficamos na parte aberta... Nisso o garçom angolano começou a conversar conosco... perguntou de qual país somos, qdo os argentinos terminaram de falar... eu respondi que eu sou do Brasil, ele respondeu bem sério: - nota-se pela beleza... os brasileiros tem uma beleza inexplicável... Confesso que fiquei envergonhada porque os argentinos começaram a brincar comigo... E não foi a primeira vez que me falam isso, já ouvi até de mulheres, não estou me referindo a minha beleza...rs. Em relação ao corpo, achamos que as mulheres como os homens angolanos tem uma estrutura corporal muito bonita e definida, sem contar do gingado para dança que eles possuem... uma leveza para dançar inexplicável e ‘incopiável’...rs, já tentei, mas não acerto dançar kuduro e nem Domilindro, a única que saberia dançar a Tarraxinha, mas não danço nem morta... rs. Qdo vi pela primeira vez fiquei surpresa e de boca aberta... dança-se em dupla, bem juntinho, mas bem juntinho mesmo, devagar e de modo sensual, bem sensual mesmo, especialmente aos olhos do brasileiro que nunca viu, só está acostumado com funk individual... rs. Eles gostam muito de música, em destaque a nossa. Ontem veio um grupo de jovens usar o nosso Jango (onde fazemos nossas festas), trouxeram caixas de som e ficaram boa parte do tempo ouvindo Zezé de Camargo e Luciano, logo quando cheguei, um outro grupo só ouviu música brasileira, em especial fank, confesso que me senti no Brasil... fank, TV globo e cana-de-açúcar ao lado de casa... rs

A pobreza do povo é inexplicável, bem como a quantidade de crianças pelas ruas e nas aldeias...

Trânsito é muito ruim, principalmente da capital, Luanda, é terrível... perde-se muito tempo. Moro na província (estado) próximo da capital, chamada Bengo, nunca gastamos menos de 2h30 para chegar, sendo que sem trânsito gastaríamos no máximo 1h30, mas para isso temos que sair bem cedo, antes das 6h30. Quando cheguei em Angola, do momento que entrei no carro até chegar em kala-kala, gastamos 4h30. Sem falar dos motoristas imprudentes que ultrapassam pela direita e dos muitos caminhões que encontramos, Angola está em fase de construção, muitas obras, estradas sendo reformadas ou sendo construídas. Outra coisa que acho importante relatar é que já estou acostumada a viajar... já teve semana que fui a semana inteira à Luanda e voltei no mesmo dia à Kala-Kala.

Ah, outra coisa, praia, pelo menos duas vezes ao mês vamos a praia para passar um dia inteiro, nunca ficamos para dormir, uma vez vamos com os meninos que se comportaram bem no mês anterior e outra vez vamos para descansar, freqüentamos as praias desertas, porque são mais limpas... Só uma vez fui a praia de Luanda, onde encontramos muitos brancos e as coisas para comprar são muito caras... A minha última ida a praia foi dia 15, na qual eu fui dirigindo um carro e Lucas o outro, saímos às 8h de casa e chegamos por volta das 10h, fomos a praia mais próxima, levamos 13 meninos conosco, sempre o regresso é às 17h e chegamos por volta das 19h.

Conheço 5 províncias (estado): Luanda, Bengo, Kwanza Sul - cidade de Calulo, Kwanza Norte - cidade de Dondo e Benguela (lugar mais distante que já fui, quase 8h de viagem de carro, iremos passar o Ano Novo).

As paisagens da natureza são belíssima, cada região com seu encantamento e sua particularidade. O pôr-do-sol totalmente diferente de nosso Brasil, é maravilhoso, laranjado, me encanta toda vez que Deus me dá a oportunidade de contemplá-lo, e a Lua, fantástica, em especial quando ela está cheia, também tem uma cor diferente, um brilho incomparável... amo ficar olhando e pensar nas coisas de minha vida... No Brasil já fazia isso, aqui muito mais... As árvores nativas são totalmente diferentes, chamadas de himbondeiros, chega atingir 20 metros de perímetro, seu fruto chama Mukua, aqui eles comem e fazem gelado (sorvete), não agrada meu paladar porque é bem azedo e amargo... nossos meninos adoram.
Tive a oportunidade de fazer um safári em agosto, parque da Kissama, cada paisagem belíssima, porém não vimos o tão desejado elefante... apenas veados, guinus e macacos.

Minha maior dificuldade com o povo angolano está na paciência que tenho que ter com eles, principalmente com os funcionários de kala-kala, são 30 distribuídos nos setores: pedagógico, profissionalizante, agricultura, limpeza, segurança, cozinha, lavanderia, motorista e saúde. Seu modo de trabalho e de pensar é diferente do nosso, não é algo somente percebido por mim, bem como, percebido pelos outros expatriados que temos aqui em Kala-Kala e que me relaciono.

Os professores não sabem trabalhar de modo interdisciplinar e os alunos não gostam de fazer trabalhos em grupos ou dinâmicas em sala de aula. Dou aula para os alunos internos de Educação Moral e Cívica, uma vez na semana, duas aulas seguidas, todas as vezes que apliquei dinâmicas ou trabalhos em grupos não obtive êxito, mesmo explicando até “cansar” como é que tem que ser feito... É um grande desafio que agarrei e vou continuar persistindo até conseguir êxito. Semana passada tivemos a primeira olimpíada de Kala-Kala, tanto com os alunos internos como com os externos, mas diferentes horários, dois professores ficaram responsáveis por uma equipa, e todos os dias falávamos que o educador deve organizar sua equipe, porém não deve torcer por ela, e mesmo assim os professores defendiam suas equipes como se fosse um jogador. Confesso que foi uma semana de muito estresse, principalmente quando eu estava sendo responsável por uma modalidade, uma professora disse na frente de todos os alunos que os alunos não queriam que eu fosse a juíza do jogo de queimada porque eu roubei para a outra equipa, eu disse a ela que se a equipe dela não jogasse automaticamente a outra equipe seria vencedora e não importava porque eu continuaria a ser a juíza, ela virou para os alunos e pediu para não se preocuparem que ela estaria ali e não me deixaria roubar... Em nenhuma modalidade eu fui injusta, a bola batia no braço e os alunos diziam que foi na mão... O pior que não foi só ela que agiu assim em outras modalidades... um menino foi sincero e disse que foi queimado a professora dizia que ele não havia sido... Eu quase morri de nervo... rs. Acontecia coisas obvias e como só ficavam olhando para sua equipe, não observava o acerto dos outros... mas a ética está também, em fase de construção aqui assim como no país. Não era só comigo que faziam isso, faziam com Lucas também, diretor de Kala-kala.

Nós expatriados chegamos a conclusão que o trabalho é de formiguinha e exige muita paciência para não brigarmos impondo a nossa cultura e nosso jeito de trabalhar, temos sim que ensinar a serem justos e éticos, mas de modo diferente, que só Deus para me dar paciência e sabedoria... (quem me conhece sabe muito bem o que estou falando, rs). Essas são experiências vivenciadas no setor em que faço parte, setor pedagógico, mas temos inúmeras na cozinha, agricultura e etc... Não quero generalizar, temos profissionais ótimos, mas que de vez em quando acabam tbm escorregando, assim como eu e os próprios expatriados, faz parte do ser humano... Mas aqui é diferente, por isso cheguei a conclusão e encontro a resposta do para que estou aqui...

A questão da saúde é muito precária, falta muito para chegar como é a do nosso país. Rezamos muito a Deus para que não fiquemos doentes aqui. Em Luanda tem dois hospitais que consideramos bons e dizem que são de confiança, mas é bom ficarmos em alerta e observar muito. Qualquer enfermeiro aqui é considerado médico e se passa por médico, mas sem maldade alguma, ao contrário dos muitos estrangeiros que atuam na saúde.

Desde quando cheguei a cada 40 dias faço exame de sangue para verificar se tenho paludismo (malária), graças a Deus sempre dá negativo, nós de kala-kala vamos sempre a um posto de saúde pequeno mantido por uma ordem religiosa em parceria com o ministério da saúde angolano, lá tem uma irmã brasileira do sul, na qual é enfermeira e com grande conhecimento das doenças angolanas, é um lugar que depositamos mais confiança. Eu e Marcela somos as únicas que desde quando chegamos não pegamos paludismo. Lucas, está aqui 1 ano e 3 meses, já pegou 4 vezes. Carola, 8 meses, já pegou uma vez. Canário, 5 meses está se recuperando do seu 1º paludismo neste ano. Marcela e ele vieram da Argentina tomando remédio anti-paludico, mas não adiantou. De todos os missionários salesianos que conhecemos eu sou a única “resistente” ao mosquito, Marcela já morou dois anos antes de vir para o terceiro ano e havia pego... Chego a concluir que os mosquitos não gostam de mim... rs, que continuem a não gostar... Não se assustem, temos a malária (paludismo) no Brasil tbm, na Amazônia. Os sintomas são parecidos com o da dengue, e ataca o fígado.

Outra questão delicada é da higiene, em nossa cidade não há nenhum lugar de confiança que possa comer algo tranquilamente, assim como em quase toda Angola... São raros os restaurantes como em nosso país, em Luanda encontramos alguns. Único lugar que podemos comer “tranquilo” é no shopping, geralmente são empresas estrangeiras e em restaurantes na orla da praia em Luanda, mas nunca sabemos como é nos “bastidores”, é melhor nem olharmos e nem pensarmos... 90% dos freqüentadores do único shopping de Angola são brancos. Com a água, temos que ter uma atenção especial, eu não tomo água sem ser mineral comprada. A questão do saneamento básico é quase inexistente. Já estou acostumada em ver homens e mulheres urinando na estrada. As mulheres usam panos para se cobrir... Eu ainda não fiz isso... rs. Ou melhor, ainda não precisei... rs Mas se eu necessitar terá que ser num lugar super discreto... rs

A diversidade de povos em Angola é enorme, além de brasileiros e portugueses, já conheci muitos povos falando seu idioma misturado com português... Em Angola encontramos muitas outras nacionalidades: italianos, uruguaios, espanhóis, cubanos, franceses, argentinos, indianos, mulçumanos, eslováquios, israelenses, mexicanos, e principalmente, chineses.

Aqui em Angola, Deus me dá muitos presentes e surpresas inesquecíveis, mas tem três que jamais vou esquecer: 1º trabalhar de Assistente Social na Educação. 2º Passar uma semana com a estrela e defensora do Serviço Social, Dr Carmelita Yazbek, em especial trazê-la para conhecer onde estou, passar um dia com essa mulher fantástica foi de grande lição e aprendizado pessoal para mim. E, por último a realização de um sonho meu quando era criança: assistir um show da rainha dos baixinhos, Xuxa, e de perto... rs. Dia 10 deste mês aconteceu o Dia da Amizade Angola/Brasil com apresentação do Luciano Huck.

Bom, estou escrevendo muito, acho melhor parar por aqui para não cansar ainda mais vocês, como disse tenho muitas coisas para contar, tanto boas como ruins, as coisas ruins tbm fazem parte da vida, esteja eu em Angola, em nosso país, na Europa e etc. Tudo e todos tem suas coisas boas como suas coisas ruins.

Dúvida, comentário, por favor me escrevam que terei o prazer em responder.

Quis escrever um pouco da realidade de África, em especial de Angola, país que me redescubro a cada dia. Apesar das dificuldades encontradas, gosto muito de estar aqui, e sou feliz por ter feito está escolha que já faz parte de minha história de vida e fará parte da história de alguns angolanos.

Se eu fosse embora hoje iria com a certeza que realizei meu sonho e cumpri meu objetivo, fazer a diferença, sem dúvida na vida de um menino eu fiz diferença, e jamais vou esquecer, por mais que ele não se dê conta ou se esqueça de mim, e só eu sei como meu coração se sente, e das muitas preocupações para conseguir todas as documentações, desde certidão de nascimento, bilhete de identidade e passaporte para ele ir à Itália junto com mais 10 meninos de Luanda e três meninos de Kala-Kala, representando Angola no Inter de Milão, e meninos de mais de 20 países. Só eu sei como foi difícil ouvir a pessoa responsável falar que havia desistido de levá-lo porque a empresa que ficou responsável por todas as documentações não havia feito nada, e quem passou o caso para a empresa foi a direção de Kala-Kala, isso foi logo quando cheguei, e eu estava com a responsabilidade de falar que ele não ia mais...

Meu coração não queria dizer e sim lutar para conseguir, no fundo eu sabia que a pessoa estava certa pela experiência que havíamos passado na emissão da cédula de nascimento, bilhete de identidade e passaporte dos três meninos... tudo aqui é muito demorado e enrolado... E, todos os documentos necessários teriam que ficar prontos em menos de um mês. Quando pedi esse voto de confiança, a pessoa disse que seguraria a passagem até o limite, mas se eu conseguisse seria um milagre... Como eu acredito em milagre, entrei na luta contra o tempo com plano A e plano B, sempre, e com a graças de Deus, ficaram prontos dentro do prazo... Porém, não ouvi nenhuma palavra de agradecimento das pessoas envolvidas... faz parte, estou aqui para servir e não ser servida...

Jamais esperei uma palavra de agradecimento do menino, pois não entende muito... Só eu e Deus sabemos a as lágrimas de emoção que derramei quando conseguimos tudo, quando ele saiu de casa, quando eu lia as notícias da Itália, quando ele foi eleito como melhor animador, quando abri os e-mails com reportagem com ele... e principalmente quando eu soube da notícia que ele tem que voltar para a Itália porque tem um problema no coração muito grave e terá que passar por uma cirurgia, caso contrário ele pode vir à óbito a qualquer momento. Não só um milagre nessa vida e sim, dois... Obrigada, meu Deus!

Quando estou cansada e desanimada, penso no motivo em que vim... e logo, a força e coragem volta para lutar por novos desafios e surpresas que surgirão.

Concluo, os quase 30 anos de guerra ainda mancham esse povo tão sofrido, que precisa aprender inúmeras coisas para desenvolver-se muito mais.

Obrigada pelas orações e energias positivas que me enviam!

Daqui, no máximo, 6 meses estarei desfrutando das maravilhas de nosso país... Especialmente das coxinhas de batata com frango... sinto vontade... rs.

Beijos com carinho e saudades!!!!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Movimento pela Regeneração da Igreja


Nos dias da Reforma Protestante, 95 foram as teses. Hoje a tese é uma só: Se tudo é Graça de Deus, então, não há barganhas a serem nem propostas e nem aceitas, jamais.

Portanto, eis como segue:

1. Há um só Deus, que se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo; sendo, no entanto, um só Deus; e tal realidade divina pode ser por nós apenas crida, mas jamais entendida. Ora, sem fé é impossível agradar a Deus!

2. Tudo e todos os que existem foram criados por Deus e para Deus; e Deus ama a todas as Suas criaturas e criações; posto que sendo amor a natureza de Deus, tudo o que Ele criou por amor o criou.

3. Deus é Amor; portanto, Deus é Graça; visto que somente no Amor há Graça; sendo também esta a razão de Deus haver feito o Sacrifício Eterno pela Sua criação e todas as Suas criaturas, antes mesmo de criar qualquer coisa; posto que o Cordeiro Eterno de Deus, que é também o Filho, entregou-se como Redenção e Remissão de pecados antes que qualquer coisa, ente, criatura ou dimensão tivessem sido criadas.

4. As transgressões que houve e há na criação, não demandaram de Deus um "improviso", um remendo; posto que a Graça do amor de Deus revelado aos homens não seja um improviso, mas a consecução do amor que já se dispusera a tudo por amor à criação antes de haver mundo.

5. Deus é amor, é, portanto, Pessoa; pois não há amor sem pessoalidade. Por isto ao criar seres capazes da pessoalidade, Deus chamava a Sua criação a um vinculo de relacionalidade com Ele, em amor, verdade e graça.

6. Sendo Deus Eterno e Infinito, e o homem mortal e finito, não há meios de o homem ou qualquer criatura discernirem Quem Deus é a menos que Deus faça revelação de Si mesmo.

7. Portanto, tudo quanto de Deus possa ser sabido nos vem exclusivamente por revelação; seja a revelação Dele mediante a Natureza das coisas criadas, seja pela iluminação da consciência, seja pelas Escrituras que decorreram da fé de Abraão, seja pela ciência como apreensão da revelação livre que Deus faz de Si mesmo.

8. A Palavra de Deus, portanto, se manifesta de muitos modos; entretanto, uma só é a Palavra; e toda a sua revelação está manifesta em Jesus, que é o Verbo Eterno, a Palavra antes de qualquer Natureza, Consciência, Ciência ou Escritura; posto que somente em Jesus seja possível discernir Deus em Sua plenitude de revelação aos homens. Afinal, Jesus disse: "Quem me vê a mim, vê o Pai" [...] "Eu e o Pai somos Um".

9. Sendo Deus Eterno e totalmente transcendente ao homem, tudo o que Dele nos venha é Graça; e sem Graça, favor divino em todas as coisas, nada pode ser por nós apreendido como bem eterno em razão de nossa incapacidade de discernir o Eterno e Infinito, especialmente quanto a aprender a Sua vontade.

10. Além disso, pela mesma razão, somente se pode manter relação com Deus mediante a fé, posto que a fé se abra para todas as coisas, visíveis e invisíveis; e mais: somente a fé não conhece impossível; portanto, somente pela fé se pode manter vinculo com Aquele está para além de toda compreensão.

11. Ora, sendo Jesus o Cordeiro Eterno de Deus que se manifestou na História, o fez no mesmo espírito da Graça Eterna, a mesma concedida à criação e às criaturas antes que houvesse mundo. Por isto Jesus não é o Deus dos cristãos, nem de qualquer grupo humano, nem o fundador do Cristianismo, nem o Deus dos crentes que assim se confessem apenas pela filiação a uma agremiação religiosa... Antes pelo contrário, Ele é a verdadeira Luz que vinda ao mundo ilumina a todos os homens; posto que Jesus tenha sido apresentado a nós como pertencendo a uma Ordem Sacerdotal Superior, não religiosa, não humana, e que é descrita como sendo a Ordem de Melquizedeque, na qual todos os seres humanos, sabendo ou não de tamanha Graça a eles disponível em Cristo, nela estão incluídos por uma decisão unilateral do amor de Deus; posto que Deus estivesse em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo.

12. Desse modo, tudo quanto concerne ao homem como necessidade, surge de Deus como solução do amor na Graça; a saber: arrependimento, fé, salvação, redenção, perdão, justificação, alegria, santificação e esperança eterna. Assim, não há nada que seja essencial ao homem que seja provisão do homem para o homem; pelo contrário, tudo provém de Deus.

13. Por esta razão o povo de Deus é o Povo da Graça; pois, quem quer que esteja em Deus só o está em razão de ter sido incluído gratuitamente em tão grande salvação.

14. Além disso, esse Povo de Deus é chamado a tornar-se seguidor de Deus nos passos de Jesus; e, por isto, só é Povo de Deus [e, portanto, Igreja], aquele que se entregar a Deus apenas crendo que no Cordeiro Eterno, Cristo Jesus, Tudo Está Consumado; não restando ao homem nada a fazer a fim de completar o que já estava Feito antes de haver mundo.

15. É porque o Evangelho é assim, e porque Jesus assim ensina, e, além disso, por ter sido apenas este o Fundamento Apostólico sobre o qual a revelação da Nova Aliança se deu, é que afirmamos com temor e santo temor que:

15.1. O que se fez nesses 1700 anos de História Cristã Romana, da qual a própria Reforma Protestante não deixou de ser herdeira, rompendo com muitas coisas, mas não com todas, tornando-se assim, de certa forma, apenas uma Re-forma, mas não uma Revolução de sentidos, conteúdos, e, sobretudo, de simplificação não de formas, mas de espírito — é ainda algo totalmente insatisfatório; posto que seja ainda um reformar, mas não uma ruptura de conteúdos, de dogmas, de doutrinas humanas, de lógicas mundanas, todas elas criadas pelo Pai do Cristianismo e seus auxiliares históricos: o Imperador Constantino.

15.2. Que o que provocou a Reforma nos dias dos Reformadores do Século XVI, tornou-se algo revivido com ênfases e disfarces de maldade ainda maior entre nós, hoje; posto que agora tudo seja feito com máscaras do "nome de Jesus", porém, com modos que fazem as vendas de Indulgências que deram pavio ao fogo da Reforma, tornarem-se temas inocentes de presépio infantil.

15.3. Que as barganhas, as negociatas, as campanhas de exploração da credulidade do povo, o uso perverso da Bíblia, o espírito de troca e comercio, as maldições e ameaças pronunciadas "em nome de Jesus", os novos apóstolos do dinheiro e da prosperidade, o desenfreado comercio da fé como produto, a utilização de todos as formas de manipulação e engano, as inegáveis manifestações de ações criminosas em nome da fé, o uso político da igreja e do nome de Jesus, e tudo quanto entre nós hoje se define como "igreja" e sua prática histórica, não mais é que um estelionato sem tamanho e medida, e que faz a Igreja Católica do Século XVI uma entidade de bruxos aprendizes daqueles que entre nós hoje são pastores, bispos, apóstolos e candidatos diabólicos à divindade.

15.4. Que não é mais possível usar termos como "evangélico", que deveria significar "aquilo que carrega a qualidade do Evangelho", nem termos como "Igreja", que deveria apenas ser a assembléia dos crentes no Jesus dos Evangelhos — posto que "evangélico" tenha se tornado aquilo que no Evangelho é descrito como sendo anti-evangélico, e "Igreja" tenha se tornado aquilo que no Evangelho é apenas uma multidão perdida e sem pastor, tamanho é o descaminho dos seus guias e condutores do engano.

15.5. Que não é mais possível conviver passivamente com tamanho engano blasfemo, sob pena de nos tornarmos indesculpáveis diante de Deus, desta geração, e das que ainda virão.

15.6. Que hoje se ouve a Voz de Deus, dizendo como fez antes muitas vezes, e no futuro ainda voltará a dizer: "Sai do meio dela, ó povo meu!" Sim, pois "o Senhor conhece os que Lhe pertencem"; e deseja separar Seu Povo do convívio perverso não no "mundo", mas, sobretudo, no "ambiente chamado 'igreja'"; posto que, pela anuência silenciosa, estamos corroborando o engano para aqueles que não sabem discernir entre a mão direita e a esquerda.

15.7. Portanto, convidamos a todo aquele que ainda crê em Jesus segundo a pureza do Evangelho, que assuma hoje, e para sempre, uma total ruptura com tudo aquilo que se disfarça sob o nome de Jesus, mas que nada mais é do que manifestação do engano, até que chegue o Dia quando todo "Senhor, Senhor" que não teve correspondência de obediência ao Evangelho, de Jesus ouvirá o terrível "Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim todos vós que praticais a iniqüidade".

15.8. Aqui, sem alarde, com total sinceridade no Evangelho, convidamos você a abraçar a busca da Regeneração; pois, o que a "igreja" precisa a fim de se tornar Igreja, segundo Jesus, é de Regeneração, de conversão, de arrependimento e de iluminação do Evangelho na Graça de Deus.

15.9. Portanto, não temos barganhas a fazer com tudo aquilo que, mesmo sendo anunciado "em nome de Jesus", nada tenha de Jesus e do Evangelho; e assim fazemos porque temos certeza de que seremos cobrados por Deus se nos mantivermos alheios, silenciosos, perversamente educados no nosso assistir da mentira na sua prevalência histórica contra a verdade e a simplicidade do Evangelho.

15.10. Estas são as teses puras e simples deste momento/tempo de Busca de Regeneração de nós mesmos no Evangelho. Quem diz amém ao Evangelho de Jesus, esse não temerá viver todas as implicações dessa decisão proposta não como Reforma, mas como Regeneração.

Nele, que nos chama a servi-Lo hoje, nesta geração, pois a ela estamos endividados pelo conhecimento da Verdade em Jesus,

Caio Fábio

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