segunda-feira, 20 de abril de 2009

DEVO DAR O DIZIMO E ONDE? por Caio Fabio

A idéia de que o “dizimo” é devido à “igreja” é uma tentativa de fazer do mero ajuntamento cristão algo pesado, legal, estatal, religioso, como era o “Templo de Jerusalém”.

No entanto, essa perversão não aconteceu desde o princípio. Os primeiros discípulos contribuíam, primeiro, para ajudarem-se uns aos outros (“...a família da fé...”; como diz Paulo); e, depois, a fim de criar meios e fundos a fim de ajudarem no sustento dos que vivem apenas para pregar e ensinar a Palavra.

Se você ler II Co 8 e 9 você entenderá qual era o espírito mediante o qual as ofertas em dinheiro eram feitas no ajuntamento dos primeiros discípulos.

Jesus disse aos judeus que eles deveriam dar o dízimo de seus bens e alimentos (era assim que era feito no Templo; e, descobertas arqueológicas feitas nas ruínas da casa de Caifás, o sumo sacerdote, revela como eram medidos e coletados esses “dízimos”), mas sem esquecer que a verdadeira lei de Deus é feita de justiça, misericórdia e verdade.

No entanto, já foi a perversão da fé original, desfigurando-se naquilo que chamamos de “Religião Cristã” ou de “Igreja”, o que evocou para si esse papel oficial de “Novo Templo” de Deus na Terra.

Ou seja: para o “Cristianismo” e para a “Igreja” a representação legal de Deus na Terra agora tem neles sua oficialidade. Todavia, essa é uma perversão que fundiu a idéia do Templo como lugar de oficialidade e poder (“chapa branca” de Deus no mundo), mais a oficialidade política e religiosa que os romanos, via Constantino, criaram.

Assim, “os evangélicos”, por exemplo, brigam pela “igreja” como detentora do “poder fiscal de recolhimento os impostos de Deus”, sem saber que tanto a interpretação legal de Malaquias não cabe nessa nova dispensação da consciência na Graça, conforme o Evangelho; como também não sabem que estão ainda vivendo sob os auspícios da Lei e não da Graça; visto que se colocaram sob o comando de algo que foi instituído para a “igreja” quando ela foi deixando de ser apenas Igreja, conforme a leveza do Evangelho; e conforme o poder que Constantino instituiu, chamando-o de “Cristianismo”.

Esta é a razão pela qual o texto de Malaquias 3, sobre os dízimos, ser o favorito da “igreja” nas questões de contribuições financeiras. Sim, ele supostamente se transfere para a “igreja”, a qual, tendo CGC e Estatuto, vira o “Banco do Dinheiro de Deus”; e o pastor, líder, apostolo, bispo, ou seja lá o que for..., torna-se o “Dono do Banco”; ou, na melhor das hipóteses, no caso de uma gestão menos centrada num homem, então surge o “Conselho Bancário”, que faz gestão do dinheiro de Deus na “igreja”. Ora, eles dizem que se o dinheiro de Deus não passar por eles, tal dinheiro não serve a nenhuma causa divina; não sendo, portanto, segundo eles, “abençoado”.

Tudo engano e manipulação!

O que não percebemos é que o N.T. não se utiliza de Malaquias 3 como Lei da Graça quando se trata de dinheiro. Como já disse, o texto de Malaquias fala do Templo-Estado. A Igreja não é assim!

Ao escolhermos, seletivamente, Malaquias como o Santo das Contribuições, sem o sabermos, estamos dizendo quatro coisas:

1) Nosso desejo de que a Igreja esteja para a sociedade assim como o Templo-Estado estava para a população de Israel.

2) Nossa seletividade arbitrária quanto a determinar o que, da Lei, nos é conveniente.

3) Nossa incapacidade de ver que Malaquias 3 tem sua atualização na Graça em II Co 8 e 9. E sem maldiçoes; evocando a alegria, não o medo.

4) Nossa ênfase na idéia de que aquele que não contribui é ladrão, põe aqueles que “cobram” no papel de sacerdotes-fiscais dos negócios de Deus na Terra.


Em Atos 5: 1-11, diz-se que dá quem deseja! Dar sem desejar, ou dar mentindo, gera morte, não vida!

Ananias e Safira foram exemplarmente disciplinados pela Liberdade que nasce da Verdade; e não a fim de gerar medo legalista na Igreja. Eles morreram por terem traído a Graça de dar ou não dar; de ser ou não. Eram livres para não dar; e, assim, não para mentir ao Espírito Santo!

Dar não os tornaria “maiores”! Não dar não os tornaria “menores”! Mentir a Deus, todavia, os destruiria! Porém, dar com alegria, abriria para eles um mundo de riquezas interiores e de retornos de bênçãos que são apenas o fruto da própria semeadura feita como generosidade na forma de dinheiro ou bens.

Deus ama a quem dá com alegria!

O que passar disso é "negócio" feito em nome de Deus e que se alimenta da culpa que se põe sobre os ombros ignorantes de quem não sabe que em Cristo tudo já está Consumado!

Portanto, não há barganhas a fazer!

Todavia, como eu disse ao “Jovem Honesto”, o dizimo é parte de todo culto racional e grato. Sua base, todavia, não é a Lei, mas sim a Lei da Graça, da gratidão, da alegria, do reconhecimento do amor e da providencia, do desejo de contribuir para ajudar outros, e, sobretudo, como manifestação de culto a Deus, no qual a alegria grata oferece como culto aquilo que é um “deus” na terra: o dinheiro!

Para mim, dar o dízimo, além de ser tudo o que há pouco lhe disse, é também um ato de vindicação da soberania de Deus sobre nossa existência. O dinheiro é uma Potestade espiritual. Foi a única realidade que Jesus usou para apresentar como um “deus” competindo pelo amor dos homens. Por isso Jesus chamou o dinheiro (Mamon) de “senhor”; e disse que ninguém poderia servir a Deus e às riquezas. Desse modo, quando alguém dá pelo menos 10% do que ganha, tal pessoa está confessando sua gratidão, sua confiança na Provisão, e, também, sua libertação em relação ao poder que os bens tendem a exercer sobre toda alma humana, reclamando um papel divino e de obediência e serviço, como faz todo senhor espiritual.

O interessante é que Jesus não atribuiu esse poder ao diabo, mas o atribuiu ao dinheiro.

Na Graça de Deus o dizimo é assim: filho da Lei da Graça, pois, é fruto da gratidão alegre; e não é uma obrigação legal. Todavia, mesmo não sendo uma obrigação legal, é, entretanto, um principio espiritual, o qual carrega em si as bênçãos que correspondem ao significado de um ser um humano ofertar suas posses a Deus, através de bens e serviços aos homens; e fazendo isto com alegria, conforme a Lei da Graça acerca desse assunto, a qual pode ser lida em II Coríntios 8-9.

Quanto a sua questão, digo-lhe o seguinte:

1o Minha prioridade nas minhas contribuições é dar para causas que divulguem o Evangelho como ele é, com pureza de propósitos e conteúdos. Isso pode ser numa “igreja”, pode ser numa missão séria, pode ser a alguém que carregue sozinho o compromisso de fazer algo importante e sério, mas que não conta com ajuda suficiente.


2o Além disso, ajudo pessoas em necessidade; ou, simplesmente, obedeço o impulso interior na alegria que nasce da possibilidade de ajudar alguém que está em necessidade. “Quem dá ao pobre, a Deus empresta”, diz o Provérbio.


3o Também faço isso sem deixar de me comprometer com aquelas coisas, causas, ou meios mediante os quais minha vida é enriquecida espiritualmente. Aliás, Paulo diz que aquele que recebe benefícios espirituais deve fazer beneficiário, com bens materiais, aquele que sobre ele ministra riquezas da Graça; seja como apoio, palavra, ensino ou atenção espiritual.


No entanto, eu nunca brinco com dinheiro, pois sei que ele é uma Potestade. O lugar mais seguro e útil para o dinheiro, portanto, é sendo usado como parte do culto racional e grato; mediante cujo gesto consciente a gente declara o Senhorio de Cristo sobre Mamon em nossa vida.

“Dar”, não só é espiritualmente melhor do que receber; mas também carrega em si o principio da vida: a vida é um permanente dar.

Além disso, Jesus disse que o ato livre, amoroso, carinhoso, responsável e devocional do “doar”, abre comportas espirituais de bem em nosso favor.

Ou seja: o ato de dar gere uma sincronia de nosso ser com as forças invisíveis e poderosas da generosidade.

Por isso, é que Ele disse que o ‘retorno’ do ‘dar’ em alegria é desproporcional; posto que você semeia um dízimo de seu ganho, ou, para sua felicidade, até mais que o dízimo; e, como resultado, abrem-se galerias invisíveis de uma graça que sempre se manifesta em favor dos generosos.

Assim, eu não do o dízimo por causa de Malaquias, nem tampouco com medo de ser “ladrão”, ou de ser vitimado pelo “devorador”. Todas essas coisas morreram com Jesus na Cruz. Nele todos os devoradores foram despojados na Cruz.

Todavia, não dando por medo, dou, entretanto, em razão da gratidão e da alegria da Graça em mim.

Portanto, nunca darei uma única oferta se minha motivação for medo (pois, desse modo, o que eu faço de nada vale; sem amor nada aproveita para mim).

Entretanto, não é porque não temo o devorador que deixarei agora de doar.

Não! Eu dôo por amor; e por saber que nada é meu; e por crer que tudo o que me vem às mãos, pagas as responsabilidades da vida, o mais deve ganhar significação espiritual filiada à gratidão e ao amor solidário e responsável.

Escolha causas que promovem o Evangelho e abençoam vidas e contribua com alegria; posto que isto é agradável a Deus.

Jesus disse que até mesmo o “administrador infiel” (Lc 16) pôde fazer bom uso do dinheiro que um dia ele havia ganho com esperteza e até desonestidade. Sim, Jesus recomendou que esse dinheiro seja usado para que se faça “amizades espirituais”, as quais, pela gratidão, sempre haverão de nos socorrer na hora da necessidade.

O “administrador infiel” foi “elogiado pelo Senhor” porque apostou em capitais imponderáveis (gratidão semeada na alma de outros), e não no dinheiro. Sim, ele preferiu ficar sem nada, mas semear a bondade e a gratidão, do que guardar o dinheiro e não contar a gratidão de ninguém nem na terra e nem no céu.

De fato, há um livreto meu chamado “Uma Graça que Poucos Desejam”, o qual eu pedirei que para seja posto aqui no site para se possa “baixar” de graça, para todos; posto que creio que o que escrevi em 1986 é hoje mais essencial que seja compreendido do jamais antes, desde que foi escrito. É sóclicar e ler ( http://www.caiofabio.com/2009/conteudo.asp?codigo=03194 )

Espero que tenha ajudado você!

Caio

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Curador Ferido Henri Nouwen


Henri Nouwen explorou este tema com profundidade e sensibilidade em sua obra clássica O curador ferido. Ele conta a história de um rabino que perguntou ao profeta Elias quando o Messias viria. Elias respondeu que o rabino deveria perguntar diretamente ao Messias, e que o encontraria sentado nos portões da cidade. — Como saberei que é ele? — perguntou o rabino. Elias respondeu: — Ele está sentado entre os pobres, coberto de feridas. Os outros desatam todas as suas feridas ao mesmo tempo e, então, as atam novamente. Mas, o Messias desata uma por vez e as reata novamente, dizendo para si mesmo: "Talvez eu seja necessário. Se assim for, devo sempre estar pronto de forma a não me demorar nem por um momento".

O Servo sofredor de Isaías reconhece suas feridas, mostra-as e disponibiliza-as para a comunidade como um meio de cura.

O curador ferido conclui que a graça e a cura são transmitidas por meio da vulnerabilidade de homens e mulheres que foram atropelados pela vida e tiveram o coração rasgado.

A serviço do Amor, apenas os soldados feridos podem se alistar.


Os Alcoólicos Anônimos são uma comunidade de curadores feridos. O psiquiatra James Knight escreveu:

Estas pessoas tiveram a vida exposta e pressionada até a beira da destruição pelo alcoolismo e pelos problemas que o acompanham. Quando essas pessoas ressurgem das cinzas do fogo do inferno, que é a escravidão do vício, têm uma compreensão, uma sensibilidade e uma disposição para entrar e se manter em encontros curadores com seus companheiros alcoólatras. Nesse encontro não podem, nem se permitirão, esquecer sua transgressão e vulnerabilidade. Suas feridas são reconhecidas, aceitas e mantidas à vista. Além disso, elas são usadas para iluminar e estabilizar suas vidas enquanto trabalham para trazer a cura da sobriedade a seus irmãos e irmãs alcoólatras e, às vezes, a filhos e filhas. A eficácia dos membros do AA no cuidado e tratamento de seus companheiros alcoólatras é uma das histórias de maior sucesso de nosso tempo e ilustra, vividamente, o poder das feridas quando usadas, produtivamente, para aliviar o fardo de dor e sofrimento.

Retirado do livro:
O Impostor que habita em mim
Brennam Manning

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O anjo em Betesda


Deus não apenas perdoa e esquece nossos atos vergonhosos, mas transforma até mesmo a escuridão em luz. Todas as coisas cooperam, juntamente, para o bem daqueles que amam a Deus, "até mesmo", acrescentou Santo Agostinho, "nossos pecados".

A peça, de um único ato, baseada em João 5:1-4, The angel that troubled the waters, de Thornton Wilder, dramatiza o poder de cura do tanque de Betesda sempre que um anjo agitava-lhe as águas. Um médico vem periodicamente ao tanque, esperando ser o primeiro da fila e ansiando ser curado de sua melancolia. O anjo finalmente aparece, mas impede o médico quando está prestes a entrar na água. O anjo manda o médico se afastar, pois esse momento não é para ele. O médico implora por ajuda numa voz entrecortada, mas o anjo insiste que a cura não está destinada a ele.

O diálogo continua, e então chega a palavra profética do anjo: "Sem suas feridas, onde estaria seu poder? E sua melancolia que faz sua voz baixa estremecer dentro do coração de homens e mulheres. Nem mesmo os próprios anjos conseguem convencer os filhos miseráveis e desajeitados na terra como consegue um ser humano quebrado pelas rodas do viver. A serviço do Amor, apenas soldados feridos podem se alistar. Médico, afaste-se".

Depois disso, o primeiro homem que entra no tanque é curado, regozija-se com sua boa sorte e, virando-se para o médico, diz: "Por favor, venha comigo. Estamos apenas a uma hora de casa. Meu filho está perdido em pensamentos obscuros. Eu não o entendo, e só você conseguiu melhorar-lhe o humor. Somente uma hora... Há também minha filha: desde que o filho dela morreu, fica sentada na sombra. Não nos ouvirá, mas ouvirá você".


Os cristãos que permanecem no esconderijo continuam vivendo a mentira. Negamos a realidade de nosso pecado. Numa tentativa fútil de apagar o passado, privamos a comunidade do dom de curar que temos. Se encobrirmos as feridas por conta do medo e da vergonha, nossas trevas interiores não poderão ser iluminadas nem se tornar luz para os outros. Apegamo-nos aos sentimentos ruins e remexemos no próprio passado, quando o que devíamos fazer é deixá-lo desaparecer.

Retirado do livro:
O Impostor que vive em mim.
Brennam Manning

sábado, 4 de abril de 2009

Igrejas crescendo com a mensagem errada.


Única verdade real: Somos amados por Deus - parte 3

Se você está acompanhando os textos entenderá mais facilmente o porquê do título desse post.

As igrejas que mais crescem tem uma mensagem positiva por detrás, seja ela de prosperidade, de resolução de problemas, de cura, de quebra de maldições, mas todas elas giram em torno de um só desafio: SUA VIDA NUNCA MAIS SERÁ A MESMA!

Porque essa mensagem tem atraído milhões de pessoas ao redor do mundo? Por causa do desejo intenso de agradar ao deus-parecido-com-você, o deus interior. A busca de ser melhor para ser agradável a Deus, de se aperfeiçoar para ser instrumento de Deus é uma caminhada sem fim mas com destino certo, a perdição.

E digo isto porque ninguém consegue chegar até Deus, senão por Jesus. E Jesus, como o nosso caminho já fez tudo o que poderia nos tornar agradáveis a Deus. E como não há mais nada que nós tenhamos que fazer, o que fazemos não é para Deus, é para nós mesmos.

Se, simplesmente entendêssemos isso, teríamos a libertação necessária para vivermos em paz com Deus.

A busca de sermos melhores não é errada, mas buscamos sermos melhores para sermos aceitos, e isso cria toda sorte de hipocrisia. Uma coisa é eu me conter para não ser rude sabendo que eu sou rude mesmo. Outra coisa é eu me conter porque eu sou crente, ou sou da religião tal.

É uma fina linha que nos põe no céu ou no inferno.

Por que digo que a mensagem das igrejas que crescem está errada? Porque elas não podem conceder o que prometem, porque prometem algo impossível.

Ninguém pode mudar ninguém, e Deus aceita as pessoas sem mudarem, mas as igrejas esperam que seus membros mudem e quando não mudam (de status, de condição física, de temperamento) eles devem mudar pra outra igreja, pois senão ficarão taxados como alguém que fracassou lá também.

Quantos foram bem recebidos na igreja, mesmo bebendo e com vícios, mas depois de alguns anos com várias recaídas, esses membros são desprezados e excluídos (mesmo que não formalmente) do grupo?

Ninguém fica com pessoas fracassadas, só JESUS! Heheheh...

Hoje, os membros mais desejados das igrejas não são os necessitados, os encarcerados, os pobres, mas sim os empresários, os atores, os jogadores de futebol, os políticos, alguém que traga exposição e evidência para aquela igreja.

Mas quem corre atrás desses pequeninos, recebe o DESEJADO DE TODAS AS NAÇÕES!

Quando tratamos das pessoas com seus percalços com compaixão tornamos nossas igrejas
como Hospitais - Casas de Misericórdias, mas o modelo que vemos hoje está mais para igrejas-empresas, que buscam o lucro, o crescimento de suas marcas, o aumento de seus membros, o aumento de seus bens, mas não atende as pessoas que vão caindo pelo caminho.

Até tem trabalhos sociais, mas não tratam os seus membros com compaixão e misericórdia. Até doam cestas-básicas para famílias carentes, mas aumentam a fome e sede de justiça-própria dos seus membros. Até ajudam as pessoas a mudarem sua forma de falar, sua forma de vestir, mas as condenam a uma máscara de ferro.

Sei que sou injusto ao generalizar, mas meu objetivo é despertar a mente e o coração das pessoas, fazê-las pensarem, refletirem, analisarem.

Que Deus nos ajude até nesse pensar, para que o nosso coração, olhando para todo esse emaranhado de igrejas comércio, não coloquemos nelas o nosso motivo de fracasso.

Somos fracassados por natureza! Isso não vem de Deus, nem do governo, nem das igrejas, nem dos sacerdotes, nem de ninguém, isso é meu! VEM DE DENTRO DE MIM! EU SOU ASSIM!

ACEITO QUE SOU COMO TODOS OS HOMENS: PECADORES E AMADOS POR DEUS!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Amarás a Deus e ao próximo COMO A TI MESMO!


Única verdade real: Somos amados por Deus - parte 2

Incrível como este mandamento é impossível! Primeiro porque amar a Deus é amar ao próximo, mas amar ao próximo exige um amor a mim mesmo. Mas, e se eu não me amo? Posso amar ao próximo com o baixo apreço que tenho por mim mesmo? Devo transferir ao meu próximo o desprezo que eu tenho por mim?

Explico o porquê.

Na história anterior do peru temos uma verdade que nos expõe: a nossa baixa estima. E por causa dela nós buscamos a todo custo a aceitação de todos os que nos rodeiam. Para que isso aconteça nós colocamos perfume, uma roupa nova, falamos diferente e até comemos diferente.

É por isso que as brigas acontecem depois que um namoro começa. A máscara se desfaz e começamos a nos relacionar com o verdadeiro eu.

A verdade é que, se formos e fizermos tudo aquilo que somos certamente não seremos aceitos e por isso fingimos, fugimos, mascaramos, mentimos.

Isso começa desde criança na ânsia de sermos aceitos pelos nossos pais e parentes, depois pelos amiguinhos e sociedade. Os comentários de sempre o que fazemos é errado, ou tudo o que colocamos a mão se quebra, ou que somos desajeitados, ou que nunca seremos bons nos leva a este caminho de auto-flagelo.

E como disse Blaise Pascal que Deus fez o homem à sua semelhança e nós, em retribuição o fizemos à nossa semelhança, isso destitui de Deus, aos nossos olhos o amor incondicional.

Formamos Deus como nós, e como nós não gostamos de nós mesmos, de como somos, de como falamos, do nosso nariz, do nosso passado, da nossa barriga, da nossa estatura, do nosso jeito de ser, o nosso deus também não gosta. E mais, temos que nos esforçar para agradá-lo.

Está aí a base de todas as religiões, o forte apelo para o esforço em busca de agradar a Deus.

Nos ísmos das religiões encontramos o homem sendo um deus, chamam o deus que há dentro de você. Esse deus é rancoroso, se lembra dos seus erros passados, é disciplinador exigindo que você não erre na próxima vez, é exigente esperando que você se supere sempre.

Esse não é o deus que você encontra em Jesus, mas mesmo buscando a Deus você o encontra quando erra, quando faz alguma besteira, quando se decepciona ou decepciona alguém. Este é o deus que aparece para você quando você se masturba, quando você é despedido, quando você bate o carro, quando você fica doente, quando você é processado, quando você cai em alguma tentação.

Esse é o deus que se apresenta como seu atormentador, seu algoz. Tudo por que quando você erra o seu parâmetro não é o amor de Deus, mas o seu conceito. Isto por que você não acredita realmente que Deus em Jesus é tão amável e perdoador como ele se mostrou em vida neste mundo.

DEUS NÃO PODE ME AMAR COMO EU SOU! ELE SÓ ME AMA QUANDO EU ESTOU FAZENDO A SUA VONTADE!

E é assim que vivemos... quando estamos de bem com Deus, servimos a Jesus... quando pecamos, erramos, nos deixamos punir pelo nosso deus interior.

Realmente assim não dá para amar a ninguém, nem a Deus nem ao próximo.

E como resolver esta situação?

1) Aceite que Deus te ama como você é.
2) Aceite que Deus te ama mesmo quando você peca.
3) Aceite que Ele JÁ PERDOOU TODOS OS SEUS PECADOS: PASSADOS, PRESENTES E FUTUROS.
4) Aceite que você é assim e não precisa ser melhor para Deus te querer, isso é graça.
5) Aceite que é amado por Deus PARA SEMPRE.
6) Não aceite o jugo de punição pelo deus-parecido-com-você, somente reconheça sua condição ou falta dela.
7) Caia na real... DEUS AMA VOCÊ!
8) Viva a partir de agora em resposta a esse amor de Deus.
9) Pelo amor de Deus... ... será que você entendeu!??!! Deponha as armas cara!
10) Sei lá... que Deus te ajude a entender e aceitar. Esta é minha oração por você!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O Conto do Peru por Flannery O´Connor.


Única verdade real: Somos amados por Deus - parte 1

No conto de Flannery O'Connor, The turkey, o anti-herói e protagonista é um garotinho chamado Ruller. Sua auto-imagem é ruim porque nada cm que põe a mão parece dar certo. À noite, em sua cama, ele ouve os pais o analisarem:

— O Ruller não é normal — diz seu pai. — Por que ele sempre brinca sozinho? — E sua mãe responde: — Como eu vou saber?

Um dia, Ruller percebe, na mata, um peru selvagem ferido e inicia uma intensa perseguição. "Ah, se eu conseguir pegá-lo!", ele grita. Vai pegá-lo ainda que tenha de correr até desmaiar. Ele se vê marchando triunfantemente pela porta da frente de sua casa, com o peru pendurado no ombro e toda a família gritando:

— Vejam o Ruller com um peru selvagem! Ruller, onde você conseguiu esse peru?

— Ah, eu o capturei na mata. Talvez algum dia vocês possam pegar um desse, como eu.

Mas, então, um pensamento lhe cruza a mente: "provavelmente, Deus vai me fazer perseguir este maldito peru a tarde inteira por nada". Ele sabe que não deveria pensar assim a respeito de Deus —, mas é assim que se sente. Seria possível evitar esse sentimento? Fica curioso por saber se é anormal.

Finalmente, Ruller captura o peru quando este cai morto por causa da ferida de um tiro que, anteriormente, o havia atingido. Ele o coloca nos ombros e inicia sua marcha messiânica de volta ao centro da cidade. Lembra-se de coisas que pensara antes de conseguir a ave. Eram pensamentos consideravelmente ruins, ele supõe. Imagina que Deus o tinha interrompido antes que fosse tarde demais. Deveria estar muito agradecido. — Obrigado, Deus! — ele diz. — Sou muito grato a ti. Este peru deve pesar uns quatro quilos. Foste tremendamente generoso.
Talvez, conseguir o peru seja um sinal, ele pensa. Talvez, Deus queira que seja um pregador. Pensa em Bing Crosby e Spencer Tracy enquanto adentra a cidade com o peru dependurado no ombro. Quer fazer algo para Deus, mas não sabe o quê. Se tivesse alguém tocando acordeão, na rua, hoje, ele daria seus dez centavos. São os únicos centavos que possui, mas ele os daria.

Dois homens se aproximam e assobiam. Chamam os outros homens que estavam na esquina para ver o peru.

Quanto você acha que ele pesa? — perguntaram eles.

Pelo menos uns quatro quilos — Ruller respondeu.

Por quanto tempo você o perseguiu?

Por quase uma hora — disse Ruller.

Isso é mesmo impressionante. Você deve estar bem cansado.

Não, mas tenho de ir — Ruller replica. — Estou com pressa. Ruller não via a hora de chegar em casa.

Ele deseja encontrar alguém mendigando. De repente, ele ora: "Senhor, mande um mendigo. Mande-o antes de eu chegar em casa". Deus pôs o peru naquele momento. Certamente, enviará um mendigo. Ele tem certeza de que Deus enviará alguém. Por ser uma criança singular, ela interessa a Deus. "Por favor, um mendigo agora mesmo!" — e nesse instante uma velha mendiga surge bem a sua frente. Seu coração bate com força. Ele dispara em direção à mulher, gritando: — Aqui, aqui —, aperta os dez centavos na mão e sai correndo sem olhar para trás.

Lentamente seu coração se acalma, e ele começa a ter um novo sentimento — algo como estar alegre e confuso ao mesmo tempo. Possivelmente, ele pensa, dará todo seu dinheiro a ela. Sente como se o chão não precisasse mais estar debaixo dele.

Ruller percebe um grupo de garotos da roça arrastando-se atrás dele. Ele se volta e pergunta, generosamente:

— Querem ver o peru ?

Os garotos o olham fixamente:

Onde você conseguiu esse peru?

Eu o achei na mata. Eu o cacei até a morte. Vejam, tomou um tiro na asa.

Deix'eu ver — diz um garoto.

Ruller lhe dá o peru. A cabeça do animal voa na direção de seu rosto enquanto o garoto o gira no ar sobre o próprio ombro, e dá meia volta e leva embora o peru. Os outros garotos também se viram e vão embora, andando despreocupadamente.

Eles estão a quatrocentos metros de distância quando Ruller se mexe. Finalmente, estão tão longe que nem consegue enxergá-los. Em seguida, ele se arrasta para casa. Anda um pouco e então, ao perceber que está escuro, subitamente começa a correr.

A requintada fábula de Flannery O'Connor termina com as palavras: "Ele correu cada vez mais rápido, e à medida que subia pela estrada de sua casa, sentia o coração tão acelerado quanto as pernas. Estava certo de que Algo apavorante rasgava atrás dele, com os braços rijos e os dedos prontos para agarrar".

Diante de Ruller, muitos de nós, cristãos, encontramo-nos revelados, despidos, expostos. Nosso Deus aparentemente é o Único que dá perus com benevolência e caprichosamente os tira.

Quando os dá, sinaliza o interesse e o prazer que tem em nós. Sentimo-nos próximos de Deus e somos incitados à generosidade. Quando os tira, sinaliza o desprazer e a rejeição. Sentimo-nos repudiados por Deus.

Ele é volúvel, imprevisível, excêntrico. Firma-nos apenas para nos decepcionar. Lembra-se de nossos pecados do passado e retalia arrancando os perus de saúde, riqueza, paz interior, progenitura, império, sucesso e alegria.

Assim, inadvertidamente, projetamos em Deus as atitudes e os sentimentos que nutrimos por nós mesmos. Como Blaise Pascal escreveu: "Deus fez o homem a sua imagem e semelhança, e o homem retribuiu a gentileza".

Portanto, se nos detestamos, tomamos por certo que Deus sente o mesmo por nós.

Mas, não podemos pressupor que ele sinta por nós o mesmo que sentimos por nós mesmos — a menos que nos amemos compassiva, intensa e livremente.

Na forma humana, Jesus nos revelou como Deus é. Ele expôs nossas projeções como idolatria e nos ofereceu um caminho para nos libertarmos delas.

É necessária uma profunda conversão para aceitar que Deus é inflexivelmente terno e compassivo conosco da maneira como somos — não a despeito de nossos pecados e culpas (isso não seria aceitação total), mas com elas.

Apesar de Deus não tolerar, ou sancionar o mal, ele não retém seu amor por nós devido à nossa maldade.

Se jogue nesse amor!!!!

Retirado do livro:
O impostor que habita em mim - Brennan Manning.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A força que vem da dor!


Sempre cri em cura divina e na confissão positiva (poder das palavras) e até hoje acredito, mas não com a mesma ênfase. Creio sim que Deus cura, mas que também ele põe de cama, de que ele salva de uma situação de perigo, tragédia ou risco de vida mas que também ele deixa morrer. E tudo isso não o diminui, nem contradiz o que a Bíblia fala dele.

Que diria o irmão que crê que quando alguém morre é o diabo que matou, quando lê o Salmos 116:15 - "Preciosa é à vista do SENHOR a morte dos seus santos"!?

Mas não é sobre isso que quero falar hoje, é sobre a nossa impotência sobre alguns fatores da vida, por exemplo, na dor, na depressão.

Quando somos despedidos da empresa, acabamos um namoro ou casamento de longos anos ou intenso, quando morre algum ente muito querido e próximo, quando ficamos doentes de cama... nosso força se vai, nossos pés perdem o chão, nem força pra orar muitas vezes temos, e a tristeza vem e a vemos, mas não temos ânimo de resistir a ela.

Depressão não é só o mal desse século, nem um demônio do inferno, é também uma doença qualquer, daquelas que se pode tirar muito ensinamento.

Quando bate a depressão, seja por qualquer motivo, nossos esforços espirituais de oração, jejum, ir à igreja trocam de lugar por choro, sentimento de angústia e vontade de dormir. O cansaço vem de dentro e cada vez que respiramos parece que o suspiro é mais profundo.

Quem pode te livrar disso? Qual atitude sua pode te livrar disso? Quais das suas ações farão de novo arrumar um serviço, vencer a dor do ente perdido, restabelecer a saúde e auto confiança perdida?

Podemos mandar currículo, procurar reconciliação, tomar remédio, ir ao médico, pedir oração, mas não é só por fazer isso que um problema se resolve, vários fatores devem acontecer juntos para a solução. Todos nós já passamos por situações assim, e quem nos livrou? O que foi decisivo para nossa recuperação? A maioria de nós não terá essa resposta, porque mesmo quando queremos tomar uma posição nesse momento de depressão, tem pouca influência na real mudança de todo o cenário em que estamos vivendo.

A maioria de nós vai concordar que simplesmente passou, nem sabemos quando, nem sabemos o que foi decisivo para isso acontecer... mas passou.

E como passou quero dizer a todos os que estão em depressão com todos os sintomas, e por todas as situações já descritas: O seu problema vai passar, mas o amor de Deus por você nunca passará! Hoje mesmo você pode contar com esse amor, porque ele não está dependendo da sua oração diária, nem da sua leitura da Bíblia, nem do seu jejum, nem das suas boas ações.

Papai se preocupa com você sim! E sabe, muito melhor que você ou qualquer outra pessoa, como cuidar de você! Acredite que o amor de Deus é maior que o amor do seu pai ou mãe que está nesse momento preocupado contigo. Acredite que o amor de Deus é muito maior que o dos seus filhos ou amigos com relação ao seu problema.

Deus te ama muito mais que eles! MUITO MAIS! E Ele pode todas as coisas, Ele é Todo Poderoso e pode acabar com o seu problema agora!

E porque não acaba? Por que muitas vezes, a dor ensina mais do que a alegria.

A dor nos ensina a nos manter vivos em situações de perigo, a nos preservar em situações de indisciplina, a nos dar o tom do crescimento que, quer de estatura quer de músculos, só vem com a dor.

Assim também o crescimento emocional, intelectual e espiritual vem com dor. Dores de todo o tipo. Pessoas maduras são pessoas de dores, que sabem o que é sofrer. Não é a toa que Jesus também foi um homem assim. Isaías o chama de homem de dores, desprezado, o mais rejeitado entre os homens e experimentado nos trabalhos.

Em Hebreus diz que ele aprendeu a obediência por aquilo que ele padeceu.

Lembrando que Ele mesmo recebeu um Nome acima de todo Nome, sabe quando? Leia lá em Filipenses, depois da sua morte, e morte de cruz.

E porque não acaba? Por que quando SEMPRE temos de tudo do bom e do melhor isso não nos faz mais amorosos, mais tolerantes, mais misericordiosos.

A vida fácil, a prosperidade constante e a falta de problemas na vida cria pessoas mais arrogantes, prepotentes, achando que tem o que tem porque Deus tem abençoado elas por causa de tê-lO agradado. E se alguém está doente ou passando por dificuldades financeiras é por causa de pecado, por não dar o dízimo ou não fazer COMO ELAS.

Crianças que nunca ficaram doentes não tem anticorpos para resistir às doenças. A dor que a febre traz é o trabalho no aumento da resistência do corpo. Crianças que sempre têm tudo o que querem se tornam mimadas, insuportáveis, mesquinhas e insubmissas às autoridades.

E porque não acaba? Por que quando as pessoas passam por problemas difíceis, elas têm maior facilidade de se solidarizar com as pessoas com os mesmos problemas. Não é à toa que os que mais ajudam os pobres são os próprios pobres. Dor gera empatia.

E imagine só, que todo esse cenário de dor, de tragédias, de pobreza consegue produzir o maior dos dons de Deus: o AMOR. Somente a compaixão produzida em pessoas que passaram por muita dor é que pode contribuir para que o AMOR exista nesse mundo.

E porque não acaba? por que coisas boas e ruins acontecem a todo mundo e a todo tempo, a crentes e não crentes, quando estamos de bem com Deus e quando estamos em pecado, a ricos e pobres, a todos de todas as religiões do mundo.

Você já percebeu algum dia em que você não estava de bem com Deus e mesmo assim algo de bom aconteceu na sua vida? Será que foi o diabo que te mandou algo de bom pra te abençoar, ou foi um pai que entende todos os seus dilemas e nem por isso separa você do amor Dele?

Você também já percebeu que, naquele período que você estava jóia com Deus, e aconteceram problemas, e com certeza você jogou nas costas do diabo? Não vou te dizer que foi Deus quem te mandou o problema, mas quero ressaltar que coisas boas e ruins acontecem com todas pessoas a qualquer tempo.

Ah, e mesmo que tenha sido o diabo, quem é ele para te separar do amor de Deus? Quem é ele para tocar em você se Deus não permitir? Quem é ele para bater no filho de outra pessoa, sendo o caso um dos filhos adotivos de Deus?

CONFIE NO AMOR DE DEUS!

1) Ele te ama mais do que qualquer pessoa nesse mundo.
2) Você não está errado ou em pecado quando algo ruim te acontece.
3) Você não está separado do amor de Deus nem mesmo quando você erra.
4) Acredite que o amor Dele por você é verdadeiro, é real, é presente, é eterno e não depende de você.
5) Espere que esse seu problema vai passar, de graça. Faça o que for preciso, mas saiba que Ele, e só Ele coloca ponto final nas nossas lutas.
6) Aprenda com tudo o que está passando.
7) Olhe para as pessoas que estão passando o mesmo que você, e, ore por elas. Sua oração é mais forte e mais eficaz porque você entende a dor da outra pessoa. Sua oração vem de dentro de você. Isso é intercessão.
8) Ore por mim, porque estou escrevendo para você, passando por isso!
9) Enquanto espera o dia mau passar, confie no amor de Deus que te dará de graça o livramento.
10) Enquanto espera, compre uma pizza e um sorvete e aproveite comer com a sua família e amigos!

Amanhã é outro dia!

Salmos 23:6 - Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR por longos dias.

Eu te amo tanto, tanto, tanto