terça-feira, 23 de outubro de 2007

Perguntas para Deus

Você tem alguma pergunta tão difícil que até hoje ninguém lhe deu alguma resposta convincente?
Ou alguém lhe perguntou algo que você ficou sem resposta?
Então... agora você pode mandar a pergunta e nós mandaremos para alguns dos nossos amigos que ajudarão a respondê-la... e você comenta depois o que achou da resposta... Pode ser sobre qualquer assunto...
Quer tentar?? Então... faça a sua pergunta!!! É SÓ ESCREVÊ-LA COMO COMENTÁRIO ABAIXO.


JÁ ESTÃO CHEGANDO RESPOSTAS. CLIQUE PARA VER E COMENTAR
1)
Jaqueline - Limeira - SP : Qual é a igreja certa? Onde está a verdade?
Resposta por Caio Fábio. www.caiofabio.com.br

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Evangelho: Palavra e Espírito por Caio Fábio

Tenho dito repetidamente que os evangelhos são narrativas históricas das ações e acontecimentos relacionados a Jesus, bem como de Suas Palavras. O Evangelho, todavia, é um espírito. Os evangelhos são o corpo. O Evangelho é o espírito no corpo. Para muitos os evangelhos são apenas palavras. Para outros são narrativas. Para outros eles são palavras inspiradas. Para muito mais gente ainda eles são apenas palavras mágicas. Para a maioria, no entanto, eles são os quatro primeiros livros do Novo Testamento, sendo, portanto, parte da Bíblia Sagrada.

O terno evangelho é também bastante usado para caracterizar a conversão; tipo: “Quando eu vim para o Evangelho”; significando: “Quando me converti e entrei pra a igreja”. O Evangelho, no entanto, é espírito e vida. Foi isso que Jesus disse. Deus é espírito, e, portanto, Suas palavras são espírito e vida. O Evangelho é espírito e é um espírito. É espírito porque carrega o poder da verdade absoluta e produz vida onde quer que chegue. E é um espírito porque não é letra. Ora, sempre se diz e se repete que a “letra mata, mas que o espírito vivifica”.

Até os mais letristas, legalistas, e escribas de textos em cuneiforme repetem essa frase. Eles, no entanto, não pensam que até as palavras de Jesus podem se transformar apenas em letra morta. Sim, as palavras de Jesus, vistas apenas como algo fixo, e que não carrega um sentir de uma justiça aplicável em qualquer lugar ou tempo da existência humana e dos humanos—tornam-se em letra morta, e nada realizam de bom para o ser.

Jesus ensinou que o Espírito Santo atualizaria a Palavra do Evangelho conforme o tempo, as circunstancias e a necessidade; especialmente na hora da opressão. Em alguns lugares, em narrativas dos evangelhos, isto que acabei de afirmar fica mais do que explicitado.

Por exemplo, aquela seqüência de Lucas 9 é assustadora. Jesus parece não ter critérios. Pede o impensável. Diz a um filho enlutado que não há tempo para sepultar o próprio pai; garante a outra pessoa que não dá tempo nem mesmo de voltar em casa para se despedir; e a um outro diz que mesmo o casamento pode ser deixado para trás a fim de que se seguisse o Caminho. Ora, tais palavras feitas letra se tornam insuportáveis e desumanas, isso se aplicadas indiscriminadamente na vida, e para qualquer pessoa, ou em qualquer daquelas situações.

O espírito que aquelas ocorrências carregam, este sim, é o espírito do Evangelho, posto que só pode ser discernido como espírito, e não como letra; pois, nesse caso, sendo letra e lei, seriam apenas palavras de morte e não de vida; porém, como espírito, as palavras se renovam; e se fazem entender como urgência, como a sobrevalorização do que é eterno em relação ao que é passageiro, e como afirmação do amor ao reino de Deus sobre qualquer outro grande amor. O Evangelho é espírito e vida; e é também vida no espírito, tanto com ‘e’ minúsculo, como também com ‘e’ maiúsculo.

O que o torna letra é a tentativa de confiná-lo a um código de doutrinas ou de preceitos morais e dogmáticos. Nessa hora e nesse dia o Evangelho vira apenas o suporte técnico — via ‘os evangelhos’ — para ajudar no levantamento do edifício pedrado, da câmara mortuária, que é erigida para abrigar os Credos e as Dogmáticas: a versão cristã do Livro dos Mortos. Deus é espírito. A Palavra é espírito. O Espírito é como o vento. O vento é como o espírito.

A iluminação é no espírito. O Novo Nascimento é no espírito. O nascido de novo é como o vento, como o espírito. O discernimento é espiritual, e a sua atualização é feita pelo Espírito. Por isso o Evangelho é mais que palavras, ensinos congelados, e narrativas transformadas e acontecimentos e calendários religiosos. Assim como Deus é, a Palavra é. E assim como é a Palavra, assim é o Evangelho; visto que nada há mais vivo e espiritual do que a Encarnação Daquele que é espírito; o que faz das narrativas dos evangelhos descrições de Deus entre os homens; e o que também faz de tais narrativas analogias espirituais que encontram sua propriedade e pertinência em qualquer tempo ou era da existência humana.

É isto que quero dizer quando digo que o Evangelho é espírito; e também que há algo que deve ser definido como ‘espírito do Evangelho’; e que é o aplicativo do Evangelho ao tempo, conforme a atualização que o Espírito faz; e que é o olhar do Evangelho em cada geração; sendo, no entanto, o olhar do amor.

Nele,

Caio

domingo, 21 de outubro de 2007

Sombras - A Wonderful World - porque a arte é dom de Deus.

Cristão Bonzinho – Nunca Mais! por Camerin Courtney

Paul Coughlin, autor, âncora cristão de um programa de rádio de entrevistas, casado e pai de três filhos, descreve a si mesmo como um “ex-cristão bonzinho”. Criado num lar abusivo, que lhe deu uma imagem deturpada de um Jesus fraco e sem fibra, Paul, 39, fez uma avaliação de sua vida há seis anos e percebeu que era um homem frustrado. “Quando eu trouxe a passividade gerada pelo medo na minha juventude para o meu casamento, junto com o falso ideal do Meigo Jesus, deu curto-circuito”, explica Paul. “Sustentar a minha família era difícil porque eu não era páreo para os companheiros de trabalho e os chefes que sabiam que podiam facilmente me dominar. Meu temor era transmitir esse vazio emocional para os meus filhos.”

Depois de constatar que esse fator de passividade estava emperrando inúmeras outras famílias, Paul iniciou uma ação que chama de “Revolução do Sr.Bonzinho Nunca Mais”, que é uma guerra contra a vida apática, usando ferramentas no seu website
www.ChristianNiceGuy.com e o livro que escreveu No More Christian Nice Guy (Cristão Bonzinho Nunca Mais).

A seguir, uma entrevista com Paul Coughlin:


Então, o que há de errado em ser um sujeito bonzinho?

Se bonzinho significa ser gentil e paciente, então não há nada de errado. Esses atributos são frutos do Espírito. Mas, geralmente, quando alguém é descrito como um “sujeito bonzinho”, ele não é bem o que parece. Homens bonzinhos normalmente são passivos; escondem-se por trás de sua “bondade”. Pensam assim: Se eu me encolher bastante, minhas dificuldades serão menores. São do tipo “Maria-vai-com-as-outras” – não porque sempre concordem, mas porque temem os conflitos.

Mas como seguidores de Cristo devemos ser sinceros uns com os outros. Devemos ser sal e luz para aqueles que não conhecem Jesus (Mt 5.13-16). É difícil ser sal e luz quando achamos que precisamos ser agradáveis o tempo todo.

Se ser bonzinho é ruim, qual a alternativa melhor?

Ser um sujeito autêntico. Um sujeito autêntico é alguém disposto a enfrentar conflito a fim de ser uma força redentora para o bem. Ele tem força de vontade. Às vezes, arrisca. Ele protege aqueles que estão sob seu cuidado. Ele toma posição clara a fim de confrontar a injustiça. Enquanto o sujeito bonzinho é desprovido de emoção, o sujeito autêntico é um apaixonado pela vida. O seu modo de vida se parece muito mais com a “vida abundante” de que Jesus fala em João 10.10.

De onde veio esse fenômeno do Cristão Bonzinho?

Em grande parte da imagem distorcida que temos de Jesus. Ao contrário da ficção comum que muitas igrejas promovem do “Jesus gentil, manso e suave”, nosso Senhor tinha qualidades impressionantes tanto de compaixão como de determinação. Para pegar alguns exemplos só do evangelho de Marcos, podemos ver Jesus confrontando pessoas, curando pessoas, gritando e falando duro com elas. Temos a noção de que Jesus era infinitamente paciente, contudo ele se voltou para os seus discípulos, claramente exasperado, e disse: “Ó geração incrédula e perversa... até quando vos sofrerei?” (Mt 17.17).

Ver como Jesus se comportava – perceber que era mais apaixonado, mais determinado, com mais força de vontade do que aqueles que estavam ao seu redor – deve encorajar os seus seguidores a se despertarem de sua passividade.

Quando você percebeu que era por demais passivo?

Não foi uma experiência única e, sim, uma série de acontecimentos que me deram a pista. Um foi quando estudava o Evangelho de Marcos e percebi que a par dos seus maravilhosos atos de amor, Jesus também tomava umas atitudes realmente confrontadoras. Compreendi que se eu queria ser como Jesus, precisava me conformar ao verdadeiro Jesus.

Também observei os meus amigos homens que pareciam ser mais honestos com as suas emoções. Eram capazes de chorar, enquanto eu simplesmente não conseguia. Não demonstrei emoção nem quando nasceram os meus filhos. Um dos versículos mais curtos da Bíblia é também um dos mais profundos: “Jesus chorou” (Jo 11.35). Como seguidores de Cristo, deveríamos ser as pessoas mais vivas (sensíveis e vibrantes) do mundo. Mas eu não era, e sabia muito bem disso. Pior ainda, receava estar instilando nas minhas crianças essa mesma falta de emoção.

Procurei uma conselheira para me ajudar a lidar com o abuso físico e emocional que sofri da minha mãe, e que me afetou profundamente no meu desejo de viver encolhido, sem ser notado. É comum para o Sujeito Bonzinho ter algum tipo de disfunção que vem da criação e que estimula a passividade. Minha conselheira me ajudou a ver o que o medo e a passividade estavam fazendo com a minha vida emocional, e a enfrentar a minha ansiedade.

De que forma a sua passividade afetou o seu casamento?

Minha esposa, Sandy, expressava profunda afeição por mim, e eu pensava: Ó, isso é ótimo; ao mesmo tempo, as emoções profundas me assustavam. Às vezes, eu tentava mostrar timidamente meu afeto ou meus desejos, mas o fato de ela não perceber as minhas deixas me deixava zangado ou amuado. Eu não sentia segurança para ser honesto com os meus desejos e desapontamentos. Como resultado, minha esposa vivia pisando em ovos.

Deliberadamente, eu evitava contato social porque um contexto de grupo me dava desconforto. Com o tempo, isso frustrava a minha esposa. Sujeitos bonzinhos geralmente se casam com mulheres comunicativas, vivazes. Minha esposa, Sandy, tinha plenas condições de dar um curso em afirmação e determinação. Embora inicialmente ela tivesse gostado do meu jeito engraçado e tranqüilo, depois de três meses de casamento, as nossas qualidades opostas criaram grandes problemas. Isso acontece muito com os Sujeitos Bonzinhos.

De que maneira a sua passividade afetou a sua vida espiritual?

Eu pensava que Deus estava sempre prestes a me castigar. Como muitos Cristãos Bonzinhos, eu pensava que podia conquistá-lo com “bom” comportamento. Eu sabia a respeito do amor e da graça de Deus, mas o temor não me permitia experimentá-los plenamente.

A passividade também me levou a alguns pecados específicos, tais como meias-verdades, manipulação, ressentimento e amargura. Cristãos Bonzinhos enfrentam mais problemas com amargura e ressentimento porque costumam deixar que os outros pisem neles.

Como deve agir uma mulher que é casada com um Sujeito Bonzinho?

Deve dizer para ele como se sente quando a passividade dele a afeta. Por exemplo, quando um profissional cobra um preço excessivo para fazer um serviço em sua casa e o seu marido não quer pegar o telefone e confrontá-lo, você provavelmente não se sente protegida e segura. Seja honesta a respeito disso. Mas durante o processo, evite envergonhar o seu marido ou diminuí-lo. Isso o afundará mais ainda.

Tente ajudá-lo a ver o que o medo está fazendo na vida dele, e encoraje-o a buscar ajuda de um conselheiro, se necessário. Uma vez que o medo esteja fora do controle de sua vida, o seu marido se tornará uma nova pessoa. A sua personalidade verdadeira finalmente virá à tona.

Quem sabe, pode sugerir que estudem juntos o Evangelho de Marcos ou a vida de Jesus, tomando o cuidado especial de observar todos os atributos de Jesus. Isto vai ajudar vocês dois a se tornarem mais semelhantes a ele.

O que mudou na sua vida agora que se tornou um Sujeito Autêntico?

Eu sou mais proativo, tenho mais iniciativa própria. Não estou mais tão propenso a ser engolido pela agenda de outras pessoas como antes. Agora eu sigo a direção de Deus para a minha vida ao invés de me preocupar em agradar aos outros.

Sou mais protetor, também. Recentemente um garoto ficou amolando minha filha enquanto voltava da escola para casa. Então fui ao encontro deles no dia seguinte, pus o meu braço nos ombros dele, e disse-lhe: “Oi, sou o pai da Abby. Prazer em conhecê-lo. Agora preste atenção. Minha filha diz que você andou perturbando-a. Quando você perturba a Abby, está perturbando a mim. Por isso eu quero que você pare com isso. A partir de agora”. Ele deixou minha filha em paz depois daquele dia. Eu jamais teria sonhado em fazer uma coisa dessas anteriormente. Agora meus filhos estão mais seguros.

Minha esposa sabe que agora está convivendo com um líder imperfeito, mas que não precisa mais me tratar com luvas de pelica todo o tempo. Ela sabe que não vou mais ser tão frágil como antes. Ela está mais feliz e à vontade.

Jesus demonstrou amor quando convidou as crianças para estarem com ele – mas também quando expulsou os cambistas do templo. Já que Jesus deu o modelo para os dois tipos de amor – terno e duro – isso me dá, como homem e como seguidor de Cristo, a liberdade de fazer o mesmo.

Como podem os pais evitar que seus filhos se tornem Sujeitos Bonzinhos?

Meninos passivos temem tomar suas próprias posições ou discordar dos seus pares. Por isso, uma das melhores coisas que um pai ou uma mãe pode fazer é permitir que o seu filho tenha opinião – mesmo que seja errada a princípio. Não estou dizendo para deixar sem correção as idéias más ou pecaminosas. Mas faça isso de tal maneira que o seu filho saiba que ter uma opinião não é mau. Se não lhe for permitido expressar as suas opiniões quando é jovem, suas chances de afirmá-las quando for mais velho serão menores ainda.

Sem envergonhar ou diminuir o seu filho, mostre-lhe como as suas atitudes e seus comportamentos passivos estão afetando a vida dele. Ajude-o a se entender com os seus temores, o motivador que causa a passividade. Trate com um medo específico e, então, duas semanas mais tarde, fale sobre o fato de que esse medo não chegou a se concretizar. Mostre também que se aquilo que temia viesse a acontecer, não seria o fim do mundo. Fale a respeito de como pode lidar com a situação.

Existe uma mulher cristã passiva?

Sim. Infelizmente o medo e a passividade são agentes destruidores que operam de modo igual em ambos os sexos. É um pouco mais evidente nos homens já que se espera que sejam mais competitivos e durões. Mas esse comportamento pode ser igualmente frustrante para os maridos de mulheres cristãs passivas. O lado bom é que as mulheres, tipicamente, são mais inclinadas a procurar ajuda e mais capazes de falar a respeito das suas emoções e problemas.

Independente de gênero, é impressionante o que acontece quando colocamos esse medo enganoso e debilitante na luz: ele perde o seu poder sobre nós. E, com a ajuda de Deus, passamos a ser capacitados para uma vida melhor, mais livre, mais abundante nele.

Publicado na revista “Today’s Christian Woman” – Março/Abril 2006 (do grupo “Christianity Today”, www.christianitytoday.com).

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Sites de suicídios assustam Japão

PLANTÃO INFO / 10/2007 / internet
Quinta-feira, 11 de outubro de 2007 - 10h44

TÓQUIO - O Japão esta às voltas com sites que facilitam o suicídio, o que tem preocupado as autoridades locais.
A polícia japonesa prendeu um homem que mantinha um site suicida por suspeita de assassinar uma mulher que havia pedido para que ele a matasse, declarou um oficial da polícia nesta quinta-feira.
Um número crescente de sites suicidas surgiu no Japão nos últimos anos, onde a taxa de suicídio é uma das mais altas entre os países industrializados.
Especialistas afirmam que esses sites atraem pessoas com medo de morrerem sozinhas.
A polícia do município de Kanagawa, a oeste de Tóquio, prendeu Kazunari Saito, eletricista de 33 anos, por dar soníferos a Sayaka Nishizawa, 21, e depois sufocá-la até a morte, afirmou um oficial da polícia.
Reportagens disseram que Nishizawa contatou Saito através de seu site e pagou 200 mil ienes (1.700 dólares) para que ele lhe tirasse a vida.
Além de dar dicas de como cometer suicídio, Saito, que tem dívidas em torno de 2 milhões de ienes, também se oferecia para realizar "vinganças" e vendia drogas ilícitas por seu site, segundo a mídia.
Um bilhete com dicas de suicídio foi descoberto no apartamento de Nishizawa, onde o corpo foi encontrado, mas o motivo da morte não foi esclarecido, de acordo com as reportagens.
Não existe proibição religiosa contra suicídio no Japão, onde a prática já foi uma forma de fuga ou de salvar entes queridos de vergonha ou perdas financeiras.
Mais de 30 mil pessoas se mataram em 2006 no Japão, segundo números da polícia.
Reuters

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

A BENÇÃO DA DOR por Caio Fábio

A grande verdade prática acerca do crescimento humano num mundo caído [sendo o próprio homem um ser caído e em busca suicida de subida para baixo], é que sem a benção da dor ninguém seria salvo para a consciência do Significado da Vida.

Nós, entretanto, tratamos a dor como maldição, sem sabermos que num mundo caído, os cardos, os abrolhos, os espinhos, o suor, o trabalho, o desejo dedicado a um só objeto de amor, e o trazer filhos ao mundo em dores de parto, são as bênçãos da Graça de Deus para o homem caído.

“Maldita é a terra por tua causa” — disse Deus.

“Pois a própria criação geme, aguardando para ser redimida do cativeiro de sua sujeição à vaidade por causa daquele que a sujeitou” — disse Paulo conforme esta minha paráfrase de suas palavras em Romanos 8. E acrescentou: “Na esperança de que também a criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus”.

Assim, a terra foi amaldiçoada por causa da criatura [o homem] para que a criatura tivesse a esperança da salvação de sua própria escravidão à vaidade de ser, e, assim, se torne as primícias da criação em glória para Deus.

A terra amaldiçoada é o único lugar possível de cura para o homem endiabrado pela vaidade do suposto conhecimento do Bem e do Mal.

Isso tudo, entretanto, não acontece sem dor. Pois só a dor cura da vaidade. Seja qual for a qualidade da dor, ela será necessária na transformação da vaidade do homem ao chamado da glória de Deus.

A boa resposta do homem à dor é a Esperança de Deus para a cura humana num mundo caído!

Portanto, a terra sob maldição é parte da Graça que cura o homem de seu mal de vaidade essencial de falta de sentido e de significado, a fim de conduzi-lo ao que realiza a glória de Deus no homem, que é torná-lo à imagem e semelhança do Filho de Deus.

Assim, saiba: a dor faz parte...

Aliás, sem tal parte tudo seria nada; e, assim, nada teria parte com a Vida. Chegar à Árvore da Vida no estado no qual a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal no deixou, seria ficar perdido no estado fixado de Queda.

Agora, entretanto, espinhos, abrolhos, cardos, suores, esforços, limitações, impotência e fraquezas fazem parte do que em nós será o que se terá por mais precioso como verdadeiro bem da Vida.

Também é por tais certezas que se tem o mais profundo mergulho desamargurado no mar da existência real.

Sim! Pois, por tal apropriação da Realidade é que se saberá que se terá que aprender a passar por espinhos para se chegar às fontes; atravessar cardos para se chegar ao mar; usar abrolhos como decoração no deserto; amar como catividade de desejo a um só; comer apenas porque se trabalha; e chorar os filhos que nasceram do prazer.

Ou do que mais é feita a presente existência?

Paulo ensina que aquele que deseja aprender a gloriar-se na esperança da glória de Deus tem que antes aprender a gloriar-se nas próprias tribulações; pois, somente a tribulação, ou a provação, ou a tentação, ou as fraquezas nos fazem produzir o Fruto da Vida que se alimenta da eternidade.

Num mundo caído a falta de limitações e de dificuldades é o diabo para a alma humana.

O homem, entretanto, chama de benção justamente aquilo que dele tira a vereda da consciência.

O estranho é que a dor não gera o egoísta, mas sim o altruísta; enquanto a ausência de dor gera auto-indulgência aos desejos e caprichos da vaidade, e, assim, apenas produzindo o egoísta.

Mais uma vez se afirma por outra via o que Jesus disse com total simplicidade: “Aquele que ama a sua vida neste mundo a perde, mas aquele que aborrece a sua vida neste mundo a preserva para a vida eterna”.

Desse modo, aquele que existe odiando a tudo o que dói, e apenas chamando de benção aquilo que não dói, será aquele que se perderá para o Sentido da Vida.

Aquele, porém, que abraça a dor que é parte da vereda natural das coisas estabelecidas por Deus, e que evita a dor que vem do mal que se faz contra a natureza das coisas, e que beija em fé a dor que é filha do absurdo [a qual nunca deve ser buscada, mas, uma vez advinda sobre nós, deve ser transformada para o nosso bem] — esse será sempre o ser mais enriquecido na jornada sobre o chão dessa terra amaldiçoada pela vaidade humana.

Os que vêem a vida desse modo são os que se tornam pessoas das quais o mundo não é digno, conforme Hebreus 11.

Ora, embora se creia que chegará a Nova Jerusalém quando toda dor cessará, ainda aqui neste mundo algumas pessoas crescem não para a cessação da dor, mas sim para a transformação de toda dor em gratidão; assim como a mulher que estando para dar a luz, sente dores, mas já as sente como quem se alegra no fato maior que um novo homem está sendo trazido ao mundo.

Sim! Há pessoas que crescem em fé e entendimento espiritual que as possibilita viverem o “apocalipse da dor como dor”, e as faz viverem na “Nova Jerusalém” existencial na qual a “dor já não existe como dor”, mas sim como meio de Graça para transformações mais profundas, conforme o ensino dos profetas, de Jesus e dos Seus apóstolos.

Assim, que sempre se lembre que no mundo se tem aflições, mas que se tenha bom animo, pois Jesus venceu o mundo.

Nele, em Quem o mundo foi relativizado em suas falsas importâncias e valores, inclusive no significado da dor,

Caio

IDOLATRIA: Esse assunto é com você!!!!

Ídolo - do Gr. eídolon, s. m., figura, estátua ou imagem que representa uma divindade e que é objecto de adoração; pessoa a quem se tributa muito respeito e veneração; aquilo que é objecto de adoração, de paixão cega.

Nós, como pessoas que têm tendência para a idolatria fazemos a seguite equação:

1) Bom pregador = Santo Homem de Deus.
2) Famoso Autor de livros espirituais = Santo Homem de Deus.
3) Compositor e cantor de lindas músicas gospel = Santo Homem de Deus.
4) Homem de grande conhecimento bíblico = Santo Homem de Deus.
5) Pastor de uma grande igreja = Santo Homem de Deus.
6) Pessoa que tem algum dom espiritual = Santo Homem de Deus.

A idolatria nos cega. Sem a idolatria as pessoas SÃO O QUE SÃO.

1) Bom pregador =
Homem que fala bem.
2) Famoso Autor de livros espirituais = Bom escritor.
3) Compositor e cantor de lindas músicas gospel = Músico.
4) Homem de grande conhecimento bíblico = Homem de grande conhecimento bíblico.
5) Pastor de uma grande igreja =
Pastor de uma grande igreja.
6) Pessoa que tem algum dom espiritual = Pessoa que tem algum dom espiritual.

SÓ ISSO!!!! MAIS NADA!!!

Não se pode acrescentar nem uma gota de virtude, nem um traço de caráter de valor, se você não convive com essas pessoas. Só a convivência pode mostrar quem realmente elas são.

"Quanto mais uma pessoa se esconde atrás de uma máscara, mais será apreciada. É o que acontece na vida das igrejas. Quanto mais um líder é intocável, mais as pessoas os apreciam e querem aproximar-se dele. Quanto mais acessível e transparente, menos interesse suscita. Mas quando vivemos em família, as máscaras caem. A falsa espiritualidade não se sustenta. Mesmo líderes erram, são pecadores dependentes da graça de Deus e têm que pedir perdão."
Pastor Paulo Capeletti da Missão Cena, SP.
Mas o problema não acaba aí. Quando nós obrigamos os líderes a serem quem eles não são, jogando sobre eles a nossa expectativa de santidade, de busca a Deus, fazemos com que usem máscaras para continuarem a ser reconhecidos por nós como santos e modelos. Essa busca por reconhecimento dos outros corrói a alma dos líderes fortalecendo o narcisismo.
O que você pode fazer para não contribuir com esse sistema mundano dentro da igreja? Aceite seus líderes como seres humanos falhos como eles são. Ouçam suas palavras, os apoiem em suas fraquezas, conversem com eles sobre suas faltas, e ... AMEM....
Outra coisa importante seria você não usar máscaras na igreja. Que as pessoas pudessem te conhecer verdadeiramente através da sua confissão de pecados. É claro, que se você realmente fizer assim... provavelmente nunca ocupará um cargo na igreja... por todos os motivos acima... mas... esse assunto é com você!!!!
Obs: Uma dica é você ler o livreto: Abaixo da Linha de Fundo. Ele está disponível na área Destaques do Blog e pode ser baixado gratuitamente.

domingo, 14 de outubro de 2007

A Prática da Vida Simples - John Walker

John Walker, 83 anos, veio para o Brasil em 1964 em obediência a uma direção de Deus de tirar sua família de uma sociedade materialista e tecnológica (EUA) e criar seus seis filhos num ambiente natural e simples, em que seriam desafiados a servir a necessitados e não a buscar um futuro seguro e próspero para si mesmos. A seguir, uma entrevista com ele sobre a importância da vida simples em sua experiência e jornada espiritual.

Onde o senhor aprendeu sobre a vida simples? Foi na sua própria criação?
Não aprendi sobre o estilo de vida simples na minha criação. Fui criado num ambiente em que, embora não houvesse ostentação, havia bastante afluência. Aprendi sobre simplicidade através de um amigo chamado John Manchester e da experiência que tive trabalhando num ministério de literatura, The Herald of His Coming (O Arauto da Sua Vinda).
Com John, aprendi sobre alimentação saudável, sobre como fazer pão integral e, também, sobre a esposa ter os partos em casa e não no hospital.
No Arauto da Sua Vinda, aprendi muitas coisas que marcaram minha vida. Por exemplo, na parede havia uma placa que dizia: "Economizar para Evangelizar". Os obreiros recebiam apenas o estritamente necessário para viver. Alguns davam seu trabalho voluntariamente porque eram aposentados. Usavam roupas (em alguns casos) que eram enviadas como donativo para o ministério. A atitude de todos era economizar o máximo a fim de dar o máximo à obra do Senhor. O próprio jornal publicado ali tinha uma tiragem de várias centenas de milhares de cópias, enviadas gratuitamente aos leitores, num ministério totalmente sustentado pela fé.
Há algum testemunho contemporâneo ou passado que influenciou suas convicções nesta área?
C. T. Studd sempre foi uma inspiração para mim. Ele herdou uma fortuna e doou tudo a obras de Deus antes de atender ao chamado para ir a terras estrangeiras para pregar o evangelho. Ele foi primeiro à China, depois à África, ficando, às vezes, meses ou até anos longe de sua esposa. Posso citar também Francisco de Assis e Madre Teresa.


Como o senhor definiria a vida simples para o cristão? Existe um padrão ou regra que todos os cristãos deveriam seguir?
Aprendi primeiro sobre a atitude de 100% de John Manchester. Na época em que conversávamos sobre isso, nenhum dos dois ainda era convertido! Porém, essa idéia encontrou ressonância imediata no meu coração. Se Deus é Deus, então não pode haver meias medidas. O primeiro mandamento é amar a Deus com todo seu coração. O segundo é semelhante a este: amar ao seu próximo como a si mesmo.
Não existe uma regra para todos os cristãos – senão seria uma obrigação. Ou, se houvesse, seria esta: Tudo para Jesus.
O apóstolo Paulo nos exorta a nos contentarmos com o que comer e o que vestir (1 Tm 6.6-8). Jesus disse que devemos buscar em primeiro lugar o reino de Deus e todas as outras coisas nos serão acrescentadas (Mt 6.33). Quando o Espírito foi derramado no Pentecostes, as pessoas dividiam suas posses umas com as outras, de forma que ninguém sentia falta de coisa alguma (At 2.44-45; 4.34).

Qual tem sido a sua experiência nesta área? Conte um pouco sobre como aplicou isso na sua vida e família.
Este estilo de vida simples tornou-se uma paixão em minha vida. Sentia que era um grande pecado (ou crime) desperdiçar dinheiro em luxos ou coisas desnecessárias. Nunca comprávamos móveis novos, roupas caras, sapatos extras ou coisas assim. Se eu tinha algum dinheiro a mais, logo achava um jeito de doar para algum necessitado.
Meu alvo era: tudo para Jesus. Ensinei isso à minha família. Não fazíamos festas dispendiosas, não comprávamos presentes desnecessários. Como eu sofria quando ia visitar meus parentes na época do Natal e via tanto desperdício!
Tudo de que precisávamos, se fosse possível, era comprado usado, inclusive o carro da família. Meu pensamento era: Como podemos desperdiçar um centavo quando há tanto sofrimento e falta no mundo ao nosso redor? Desperdício de comida se incluía nisso também.
Praticávamos uma alimentação saudável. Não gastávamos dinheiro com médicos ou remédios. Enviávamos dinheiro a missionários, e nossas ofertas quase sempre somavam mais do que o dízimo. Tudo para Jesus!

Olhando em retrospecto para essas experiências, quais foram os resultados de levar uma vida simples?
O resultado de levar uma vida simples é que não somos obrigados a entrar na corrida desenfreada, tornando-nos escravos do sistema deste mundo. Podemos ser livres para viver em favor de Jesus e do reino de Deus. Podemos ter capacidade de ajudar a outros que estão em necessidade. Teremos uma consciência livre de que estamos colocando o reino em primeiro lugar e não a nossa própria satisfação e ambições.

O que o senhor gostaria de dizer aos cristãos nesta presente geração a respeito do desafio de viver uma vida simples e do propósito de se viver assim?
Temos que decidir se vamos servir a Deus ou a Mamom (o dinheiro). Não podemos ter os dois (Mt 6.24). Se a igreja quiser estar pronta para a segunda vinda de Jesus, ela não pode estar no sistema capitalista de buscar riquezas, prazer e um estilo de vida egoísta. Precisamos dedicar tudo possível para aliviar o sofrimento dos outros e para alcançá-los com as boas novas em palavras e em ações.
Precisamos desenvolver um estilo de vida alternativo, uma comunidade dirigida pelo Espírito Santo. Por exemplo, casamentos não precisam ser uma cópia dos casamentos na sociedade do mundo. Podem ser simples, simples, com o Senhor em primeiro lugar. Nada de dinheiro desperdiçado em vaidade e status.
Tudo isso é apenas uma paixão que tenho recebido do Senhor; nada para crédito pessoal. Afinal, a vida com Jesus é um romance que termina em casamento!

Para saber mais sobre estes assuntos, peça os livros "Minha Jornada Espiritual" e "Sete Princípios Para a Formação da Família Cristã", ambos de John Walker (19 3462 9893 ou por e-mail: revistaimpacto@revistaimpacto.com) .

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Igreja de Cristo - Conhecida pelos seus frutos, revelada por Deus

INTERNACIONAL - Mesmo a Portas Abertas sendo uma missão evangélica, é freqüente no seu site a publicação de notícias que envolvam católicos – romanos, ortodoxos ou coptas – em países como Índia, Iraque, Egito, ex-Repúblicas Soviéticas, entre outros. As notícias geralmente relatam um padre que foi preso, um bispo que se manifesta contra discriminação, ou outro fato desta natureza.

Algumas pessoas que vêem essas notícias questionam se a Portas Abertas é ecumênica.

Segundo o dicionário Houaiss, ecumenismo é o substantivo que designa tanto o apelo à unidade de todos os povos contidos na mensagem do Evangelho quanto o movimento favorável à união de todas as igrejas cristãs. Portanto, a resposta é não, a Portas Abertas não é ecumênica.

A Portas Abertas é uma missão de confissão apostólica e arraigada na tradição da reforma de Lutero do século XVI. Mas, ao mesmo tempo em que não é ecumênica, a Portas Abertas não se arroga a capacidade de distinguir quem é e quem não é cristão. Nós cremos que essa é uma capacidade que Jesus guardou pra si mesmo, conforme a parábola do joio e do trigo (Mt 13.24-30, ênfase no versículo 30).

Assim, quando pessoas que alegam ser cristãs são por causa disso hostilizadas, a Portas Abertas noticia o caso, se solidariza com elas e convida os que crêem na intercessão a se unirem por essas vítimas da intolerância religiosa.

Por isso também, a Portas Abertas respeitosamente rejeita a recente colocação do cardeal Joseph Ratzinger, conhecido como Papa Bento XVI, de que apenas a Igreja Católica é a Igreja de Cristo.

Sem questionar a erudição pessoal e a condição de líder de um grande movimento – traços indissociáveis da figura do Papa –, a Portas Abertas não reconhece em homem nenhum a condição de emitir tal veredicto. O máximo que o Senhor Jesus Cristo nos permitiu fazer é buscar os verdadeiros cristãos pelos seus frutos (Mt 12.32).

Fica aqui o convite a todos os que pleiteiam ser parte do verdadeiro Corpo de Cristo, descrito por Paulo em 1 Coríntios 12.12-31, que busquem produzir frutos. No mais, resta a todos nós, outro conselho de Paulo: “Quem julga estar de pé cuide para que não caia” (1 Co 10.12).

Douglas Monaco
Secretário Geral - Portas Abertas Brasil

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

QUEM NÃO SABE QUE O DINHEIRO DA RECORD VEM DA “ARCA DA ALIANÇA?”

Domingo de manhã.

Fui comprar pão.

Em frente à padaria tem uma porta cristã aberta logo cedo.

A voz rouca ao microfone me chamou atenção.

Entrei e me acomodei.

Dentro daquele ambiente, vieram-me lembranças da semana que passou...

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Quinta-feira, dia 27 de setembro.Inauguração da Record News – novo canal de TV do empresário-bispo Edir Macedo.Apesar dessa inauguração representar mais notícias dentro de nossas casas, mentalidades cristãs mais escrupulosas diriam que isso tudo assusta e ultrapassa a margem da legalidade.

“Uma TV da Igreja? (Na verdade, são duas TVs!). Ou a Igreja que é da TV?A TV existe com o dinheiro da Igreja? Ou o dinheiro da TV é para a Igreja?Mas como uma igreja tem duas TV para fins lucrativos, se a igreja é uma entidade beneficente e sem tributação de impostos???”

Calma, cristãos éticos e cidadãos de bem, eu explico:Não há nada ilegal. A Igreja não tem nada. A igreja não tem fins lucrativos. A igreja tem seu patrimônio e seus mais de 1.500 templos e só. A TV, todavia, não é da igreja. A TV é do Senhor Edir Macedo, mega-empresário do setor de comunicações.Ele é empresário, e também é bispo da Igreja. Ilegal?Nada ilegal. Eu também sou profissional liberal e ministro do Evangelho. A clínica é minha. A igreja, não.

Como ele comprou as estações de TV, então?Ora, comprou com o dinheiro dele! Com o “salário” dele de bispo! - suponho.A maioria dos religiosos não vivem do sacerdócio? Sim! Então qual é o problema?Nada ilegal. É o chamado pró-labore! Ganha quanto a “instituição” decide que se vai ganhar!E a relação TV – Igreja? Parece tudo a mesma coisa!!!Parece, mas não é! Nada ilegal tampouco.Veja o que a Central Record de Comunicação respondeu, por e-mail, ao site Terra:- A Record lucra com a comercialização de espaços publicitários em sua programação. O horário da madrugada está negociado com o cliente Igreja Universal, que possui diretrizes independentes e distintas em relação à Record.Viu? Tudo legal. Tudo explicado.A Universal compra os horários da Record. A Record vende os horários para a Universal.Vende caro. Muito caro. Super-faturado! Vende por quatro vezes mais do que a Globo vende seus horários da madrugada,mesmo tendo quatro vezes mais ibope nessa mesma faixa que a Record!Mas e daí? A cliente paga, oras. Ela aceita o preço!

Nada ilegal.Mas toda a direção da Record não é constituída de bispos e obreiros da Igreja?Sim. Mas procura aí onde isso é ilegal?A Record contrata seus funcionários como quiser e de onde desejar. A Record não é um orgão público que contrata via concurso.Se eu quiser colocar meu pai, minha mãe, meu amigo, meu irmão para trabalhar na minha Clínica Privada o que você tem a ver com isso? A empresa é minha, eu contrato quem eu quiser, mesmo que tal pessoa nem tenha ainda a devida formação para o cargo. Isso é problema meu! A clínica não é estatal, é particular!

Meu Deus, mas de onde vem, então, tanto dinheiro para comprar tanto horário por tão alto valor, visando a nobre causa de evangelizar o país???Ora, vem das contribuições espontâneas que se fazem de domingo a domingo, três a quatro vezes por dia, em mais de 1500 templos simultaneamente.Nada ilegal.

Como não? É dinheiro do povo!!! Dinheiro que se recebe e sobre o qual não incide impostos?Ora, é não é assim com toda associação filantrópica? Ou alguém dá dinheiro forçado? Levanta a mão quem paga na marra? Alguém é obrigado a ofertar? Algum obreiro vai lá e mete a mão no bolso do devoto?Lógico que não! Daí não haver extorsão e nem subtração. Dá quem quiser!Portanto, até onde se enxerga, fica assim entendido: Tudo dentro da Lei. Tudo legal!

Ah!Domingo de manhã.Estou naquele culto evangélico do começo do texto.Voltei de meus pensamentos. Olho para frente. Tem uma arca da aliança girando iluminada sob um altar atrás do púlpito.O moço na tribuna falava sobre Dagom, o deus filisteu que se ferrou depois que recebeu em seu templo a Arca da Aliança Mosaica roubada da nação vizinha. Na história bíblica, os judeus nem precisaram se mexer em busca da Arca Perdida. O povo inimigo se consumiu em pestes e tumores, até devolverem o objeto sacro!

Conheço a história desde menino!Só não conhecia o aplicativo feito então:

“Você quer vencer Dagom? Quer?Então... Não se mexa para nada!Sabe aquele dinheiro que você ia pagar para o advogado tentar tirar seu filho da cadeia?Sabe aquele dinheiro que você ia usar para comprar o remédio que o médico receitou para a doença crônica?Você vai trazer aqui na frente, diante da Arca Giratória!!" ("giratória" é expressão minha. Impressionou-me a alegoria. Mas o resto ouvi como agora se lê)Não pague o advogado, não compre a medicação! Pratique a fé!Quanto você não daria para tirar seu filho da prisão? R$ 3.000,00? R$ 2.000,00? Ou não daria até muito mais?Você não faria todo sacrifício que fosse necessário? Sim ou não?Então vem trazer esse dinheiro aqui no Balcão de Negócios Divinos (bom, confesso: “balcão de negócios divinos" ele não falou não... Eu que inventei... Mas juro que só inventei mais esse!)Quando você pagaria para ficar curado? Para ter saúde? Não daria até tudo que tem?Então para que você vai dar esse dinheiro para o remédio se você pode dar para Deus?Quem já tem a arca em casa (uma arca pequenina “dada” aos que exercitam a fé!) vem aqui na frente para nós oramos por você!Fiquei com mais alguns poucos.Agora vem quem não tem a arca ainda.Todo mundo se levanta e caminha para o altar matadouro. Já sabem que Deus só vai abençoá-las se permitirem que lhes arranque o couro, a lã... Mas, tudo na vida tem seu preço, não é?Daí vejo a fila.A fila.Mães desesperadas. Doentes aflitos.Você pode ter a Arca da Aliança por R$ 90,00 – não menos que isso!(Dessa vez não inventei nada, o limite para levar o objetinho ordinário era esse mesmo)Só eu fiquei.Fiquei só.Eu, dois obreiros e meu dinheirinho do pão.

Saí.Saí sem arca. Saí inteiro...Mas arrancaram minha alma logo cedo.Sob minhas costas o peso triste de ter visitado o templo de Dagom. O templo da Arca sequestrada que gira em exposição!Fui ao templo de Dagon, onde a dádiva é comprada sob signos judaico-cristãos.Sim, só tem um deus que vende resposta de oração: Lá o chamam de Jesus, mas seu nome é Diabo!*

*O estelionato é espiritual, mas essa categoria de crime não consta na nossa legislação!

Isso não passa na Record.Na Record é tudo legal.Tem até novela com qualidade global.

DESABAFO: Então a gente nunca vai pegar esses caras, entendeu???!!! O dinheiro da Record está dentro da Arca!Entretanto, há algo com que eles simplesmente não contam: Deus existe!- Sim, o dono da Arca existe!E Ele não obedece a Constituição. Ele ultrapassa a margem da legalidade. Ele é marginal.E daqui a pouquinho essa Novela termina!Os últimos capítulos já foram escritos e revelados: Como no registro bíblico, Dagom vai perder a cabeça de novo e a brincadeira de apetrechos bíblicos comercializáveis tem prazo de validade e logo logo vai acabar!Ah! Vai!

Marcelo Quintela
é mentor da Estação do Caminho em Santos

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Louvar a Homens - John Nelson Darby

(Carta escrita em 1847 ao editor de um dos seus livros)

Meu caro amigo e irmão em Jesus Cristo, Deu-me muita satisfação ver sua tradução do meu livro. Tive o grato prazer em lê-la, ou melhor dizendo, em ter alguém que a lesse para mim naqueles momentos nos quais o Senhor nos diz, como disse aos apóstolos: “Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto" (Mc 6.31). Mas não posso deixar de dizer-lhe, meu caro amigo, que o prazer que a aparência do seu trabalho me trouxe foi, em certa medida, abatido pela opinião demasiado favorável que você expressou a meu respeito no prefácio. Antes que tivesse lido uma palavra sequer de sua tradução, presenteei um mui querido e sincero amigo com um exemplar, e ele mencionou o que você escreveu em seu prefácio louvando minha piedade. O texto produziu em meu amigo o mesmo efeito que viria a produzir em mim, mais tarde, quando o pude ler. Espero, entretanto, que você não leve a mal o que vou dizer a respeito do assunto, o que é fruto de uma experiência razoavelmente longa. O orgulho é o maior de todos os males que nos afligem e, de todos os nossos inimigos, não apenas é o mais difícil de morrer, como também o que tem a morte mais lenta; mesmo os filhos deste mundo são capazes de discernir isto. Madame De Stael disse, em seu leito de morte: “Sabe qual é a última coisa que morre em uma pessoa? É o seu amor-próprio". Deus abomina o orgulho mais do que qualquer coisa, pois o orgulho dá ao homem o lugar que pertence a Deus que está acima de tudo. O orgulho interrompe a comunhão com Deus e atrai sua repreensão, pois "Deus resiste aos soberbos" (1 Pe 5.5). Ele irá destruir o nome do soberbo, pois nos é dito que "a altivez do homem será humilhada, e a altivez dos varões se abaterá, e só o Senhor será exaltado naquele dia" (Is 2.17).

Como você mesmo irá sentir, meu caro amigo, estou certo de que não há maior mal que uma pessoa possa fazer a outra do que louvá-la e alimentar seu orgulho. "O homem que lisonjeia a seu próximo arma uma rede aos seus passos" (Pv 29.5) e "a boca lisonjeira é causa de ruína" (Pv 26.28).

Você pode estar certo, além do mais, que nossa vista é muito curta para sermos capazes de julgar o grau de piedade de nosso irmão; não somos capazes de julgar corretamente sem a balança do santuário, e ela está nas mãos daquele que sonda o coração. Não julgue nada antes do tempo, até que o Senhor venha e torne manifestos os conselhos do coração e renda a cada um o devido louvor (1 Co 4.5). Até então, não julguemos nossos irmãos, seja para bem seja para mal, senão com a moderação que convém, e lembremo-nos de que o melhor e mais certo juízo é aquele que temos de nós mesmos quando consideramos aos outros melhores do que nós. Se eu fosse lhe perguntar como sabe que sou "um dos mais avançados na carreira cristã e um eminente servo de Deus", sem dúvida você iria ficar sem saber o que responder. Talvez você viesse a mencionar minhas obras publicadas; mas será que você não sabe, querido amigo e irmão – você que pode pregar um sermão edificante tanto quanto eu –, que os olhos vêem mais do que os pés alcançam? E que, infelizmente, nem sempre somos o que são os nossos sermões? "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós" (2 Co 4.7).

Não lhe direi a opinião que tenho de mim mesmo, pois se o fizer, é provável que, enquanto o faça, procure minha própria glória e, enquanto estiver buscando minha própria glória, possa parecer humilde, o que não sou. Prefiro dizer-lhe o que o nosso Mestre pensa de mim – ele que sonda o coração e fala a verdade, que é "o Amém e a fiel Testemunha", e que tem falado freqüentemente no mais íntimo do meu ser, pelo que lhe agradeço.

Creia-me, ele nunca me disse que sou um "eminente cristão e avançado nos caminhos da piedade". Ao contrário, ele me diz bem claramente que se eu procurasse o meu próprio lugar, iria encontrá-lo como sendo o do maior dos pecadores, pelo menos dentre os que são santificados. E devo dar mais crédito ao julgamento que ele faz de mim, meu caro amigo, do que àquilo que você pensa a meu respeito. O mais eminente cristão é um daqueles de quem nunca se ouviu falar, algum pobre trabalhador ou servo, para quem Cristo é tudo, e que faz tudo para ser visto por ele, e somente por ele. O primeiro deve ser o último.

Fiquemos convencidos, meu caro amigo, de louvar somente o Senhor. Só ele é digno de ser louvado, reverenciado e adorado. A sua bondade nunca é demasiadamente celebrada. O cântico dos abençoados (Apocalipse 5) não louva a ninguém senão “Aquele que os redimiu com o seu sangue”. Não há no cântico uma única palavra de louvor a qualquer dos redimidos – nenhuma palavra que diga que são eminentes, ou que não são eminentes –; todas as distinções estão perdidas no título comum, "os redimidos", que expressa a alegria e glória de todo o Corpo. Empenhemo-nos em trazer nossos corações em uníssono com aquele cântico, ao qual todos esperamos que nossas débeis vozes venham se unir. Esta será a razão da nossa alegria, mesmo enquanto estivermos aqui, e contribuirá para a glória de Deus, a qual é lesada pelo louvor que os cristãos freqüentemente prestam uns aos outros. Não podemos ter duas bocas – uma para louvar a Deus e outra para louvar o homem.

Possamos, então, conhecer o que os serafins fazem (Is 6.2,3), quando com duas asas cobrem suas faces, como um sinal de sua confusão diante da sagrada presença do Senhor; com outras duas asas cobrem seus pés, como se tentassem esconder de si mesmos os seus próprios passos; e com as duas asas restantes voam para executar a vontade do Senhor, enquanto proclamam: "Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos: toda a terra está cheia da sua glória". Perdoe-me por estas poucas linhas de exortação cristã, as quais, tenho certeza, irão, cedo ou tarde, tornar-se úteis para você, passando a fazer parte da sua própria experiência. Lembre-se de mim em suas orações, enquanto rogo para que a bênção do Senhor possa pousar sobre você e seu trabalho. Se você porventura vier a imprimir uma outra edição – como espero que aconteça – por gentileza, exclua as duas frases para as quais chamei sua atenção; e me chame simplesmente "um irmão e ministro no Senhor". Isto já é honra bastante, e não é preciso mais.

John Nelson Darby, 1800-1882, foi uma das principais figuras do movimento na Inglaterra conhecido como “Plymouth Brethren” (ou “Irmãos Livres”; ou “Casas de Oração”, no Brasil) e é considerado pai da linha teológica chamada “dispensacionalismo”.

Cristianismo Criativo por Steve Turner

Imagine um mundo repleto de artistas. De seres humanos especialmente criativos e devotados à música, literatura, teatro, pintura. Imagine um mundo de concertos e óperas, em teatros ou praças públicas. Idealize quadros e esculturas; estilistas, coreógrafos, cenógrafos. Abra um livro imaginário e passeie pelo conteúdo. Adapte para as telas do cinema, da TV e pare.

Pense e imagine tudo isso sendo elaborado por cristãos. Que impacto teria na sociedade? A igreja ignoraria Shakespeare por escrever Romeu e Julieta, Hamlet ou Macbeth? Ou se orgulharia do dramaturgo da mesma forma que enche a boca para dizer ao mundo que C.S.Lewis, o escritor de Crônicas de Nárnia, era cristão?

Steve Turner é autor do livro Cristianismo Criativo? (W4 Editora) e defende a idéia de que o artista não precisa sacralizar sua arte para ser aceito pela comunidade cristã quando se converte ao Evangelho. Para ele, a arte cristã deve ser estendida e propagada para além dos templos. E, ao lançar este desafio aos artistas – o de continuarem produzindo arte secular, leva em consideração apenas a importância do testemunho e da ética cristã. Ele quer ver os cristãos revolucionando a arte contemporânea, embora não espere que esta mesma arte, por si só, converta pessoas, mas espera que ela seja boa o suficiente para despertar no apreciador da obra de arte o interesse pela vida e pelo testemunho de seu autor. “Esta é uma das chances de ser luz nas trevas. Se não estamos presentes nas artes, negamos às pessoas a oportunidade de se depararem com a nossa perspectiva”, diz ele.

domingo, 7 de outubro de 2007

Vinho Novo em Odres Novos por Caio Fábio

Amados, “nossa tentativa é de experimentar, provar e viver o eterno Vinho Novo em Odres Novos! Isso porque existem muitos Odres Antigos, que são só odres, são só ‘containers’, eles não fazem parte do conteúdo do Evangelho.

O Evangelho é o Vinho, o resto é apenas, generacional, tem a ver com o tempo, com a hora, com a ocasião. Só que nós, cristãos, acabamos institucionalizando o Odre, e o Odre ganhou uma importância tão grande, que a gente briga, mata e morre pelo Odre, mas não tem ninguém interessado com a qualidade do Vinho! E se é assim, nós não estamos aqui para repetir os modelos de Odres que existem, mas estamos pedindo a Deus que não nos falte o conteúdo do Vinho Novo do Evangelho para pacificar o coração de cada um, em nome de Jesus.”
Agora é com todo aquele que crê!

Não adianta brigar contra a Potestade da Religião. Ela se alimenta da briga contra ela. Sim! O ódio a alimenta e a rejeição a fortalece em seus ódios. Assim, é deixá-la! Pois, a única coisa que pode ajudá-la é justamente o ser deixada só.

Quem ama o Senhor, que ame os irmãos; e que não fique reclamando da “igreja”, nem perdendo tempo com ela e sua brigas sem fim, mas, dedique-se a pastorear as ovelhas e cordeiros de Jesus, conforme Ele disse a Pedro que fizesse.

Sim! Quem ama o Senhor e Sua Palavra, reúna os parentes e amigos e comece a adorar a Deus com eles, estudando e crendo na Palavra, orando uns pelos outros, não se intrometendo nas vidas uns dos outros, mas também não permitindo abusos de uns para com os outros, posto que o Caminho é de Graça, Amor e Perdão; e não a espinhenta vereda da disputa, da supremacia e do abuso; posto que a Graça jamais será a Graxa dos descomprometidos.

Se alguém ouvir e crer; e levantar-se para a Vida em nome de Jesus, esse é membro da Doce Revolução.

Ora, só não vê quem não quer. Pois a Figueira está dando todos os sinais de que o Verão está às portas.

Nele, que nos chama a nada que não transforme segundo o Evangelho.

sábado, 6 de outubro de 2007

5 e-books de Watchman Nee

Este arquivo nos foi enviado por um visitante do blog e contêm 5 e-books de Watchman Nee.

  1. A salvação da alma.

  2. Cristo a soma de todas as coisas.

  3. O corpo de Cristo.

  4. O evangelho de Deus.

  5. Quem somos nós.
DOWNLOAD

As opiniões com relação ao autor de divergem. Click aqui para ver comentário da Revista Defesa da Fé. Para quem conhece Watchman Nee, este é um banquete.

Bono fala sobre AIDS, Igreja e Racismo

Mal-entendidos do orgulho - CS Lewis

Precisamos nos precaver contra alguns mal-entendidos sobre o assunto ORGULHO.

(1) O prazer de ser louvado não é orgulho. A criança que recebe sinais de afeto por ter feito bem a lição; a mulher cuja beleza é louvada por aquele que a ama; a alma que se salvou e à qual Cristo diz: “Muito bem, servo bom e fiel”; todos esses são, e devem ser, agraciados. Pois aqui o prazer reside não no que somos, mas em agradar a quem desejamos (corretamente) agradar. O mal começa quando, depois de pensarmos: “Eu o agradei, que bom”, passarmos a pensar: “Como devo ser bom, por ter conseguido agradá-lo assim!”

(2) Dizemos muitas vezes que fulano tem “orgulho” de seu filho, ou de seu pai, ou da sua escola ou do seu regimento; a pergunta que surge agora é: “orgulho”, nesse sentido, é pecado? A resposta vai depender do que queremos dizer com a palavra “orgulho”. Muitas vezes, empregamos esta palavra para dizer que “temos uma sincera admiração”. Tal sentimento está muito longe de ser pecado. Mas pode acontecer que a pessoa em questão se ache muito importante por ter um pai ilustre ou por estar num famoso regimento. Isso já seria, claramente, um erro; mesmo assim, é melhor do que simplesmente ter orgulho de si mesmo. Amar e admirar algo que não seja a si mesmo é recuar um passo da total ruína espiritual; todavia não estamos bem enquanto amamos e admiramos alguma coisa mais do que amamos e admiramos a Deus.

(3) Não se deve pensar que Deus proíbe o orgulho porque o ofende, ou que exige a humildade como elemento necessário para sua própria dignidade, como se o próprio Deus fosse orgulhoso. Ele não está, nem por um instante, preocupado com a sua própria dignidade. A questão é que Deus quer que o conheçamos, quer se dar a nós. E a relação entre nós e Deus é de uma natureza tal que, se tivermos qualquer espécie de contato real com Deus, nós nos tornaremos, de fato, humildes – prazerosamente humildes, sentindo o infinito alívio de termos nos livrado de uma vez por todas da absurda bobagem de nossa própria dignidade, que nos fez ansiosos e infelizes por toda a vida. Deus procura fazer-nos humildes a fim de tornar possível este momento: ele quer nos ajudar a tirar todas essas tolas e absurdas fantasias com que nos enfeitamos, andando por aí todo empertigados como os pequenos idiotas que somos. Eu mesmo gostaria de ter caminhado mais nessa área de humildade; se tivesse, com certeza conseguiria expressar-me melhor sobre o alívio e o prazer de tirar a fantasia, de livrar-me do falso eu com todos os seus “Olhem para mim” e “Não acham que sou uma boa pessoa?” e com todo o seu artificialismo e jactância. Conseguir chegar perto disso, nem que seja por um momento, é como um copo de água fresca no deserto.

(4) Não pense que, se você conhecer um homem verdadeiramente humilde, ele será o que as pessoas chamam de “humilde” hoje em dia: aquele tipo escorregadio e bajulador que repete constantemente que não é ninguém. Provavelmente, a impressão que uma pessoa humilde deixará é de alguém muito alegre e inteligente, que demonstrou sincero interesse pelo que você lhe contou. Se você não gostou dele, é porque sentiu um pouco de inveja de alguém que parece ter prazer na vida com tanta facilidade. Ele não é do tipo que pensa em humildade; aliás, não chega nem mesmo a pensar em si próprio.

A quem queira adquirir a humildade, acho que posso ensinar-lhe o primeiro passo. É compreender que é orgulhoso. E este não é um passo insignificante. Pelo menos nada, nada mesmo, pode ser feito até que se chegue nesse lugar. Se você acha que não é orgulhoso, é sinal de que, na realidade, é extremamente orgulhoso.

Extraído de “Cristianismo Puro e Simples”, de C. S. Lewis, Editora Martins Fontes, Livro III, capítulo 8. C. S. Lewis (1898-1963) é considerado o maior escritor cristão do século XX.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Vencendo Outros Pecados Pelo Orgulho - CS Lewis

É terrível que o pior dos pecados possa penetrar em nosso ser, tal qual um produto contrabandeado, até atingir o próprio centro da nossa vida espiritual! Mas não é difícil entender como isso acontece. Os outros pecados, menos nocivos, provêm da atuação do diabo em nossa natureza animal. Já o orgulho não penetra em nós através de nossa natureza animal, absolutamente. Vem diretamente do inferno! É puramente espiritual e, conseqüentemente, muito mais sutil e mortal.

É por esse mesmo motivo que o orgulho pode ser usado, muitas vezes, para subjugar os pecados mais simples. Os professores, de fato, apelam muitas vezes ao orgulho (ou, como dizem, ao “amor próprio”) dos seus alunos para motivá-los a se comportarem de forma apropriada; muita gente tem vencido assim a covardia, a luxúria e o mau gênio, aprendendo a pensar que essas coisas não condizem com a sua dignidade. Em outras palavras, superaram por meio do orgulho!

O demônio ri. Ele não tem problema algum em ver alguém se tornar moralmente puro, corajoso e disciplinado, contanto que consiga estabelecer nele a ditadura do orgulho – assim como não faz questão alguma de impedir que alguém seja curado de um resfriado, se lhe fosse permitido, em contrapartida, colocar nele um câncer. Pois o orgulho é um câncer espiritual: corrói a própria possibilidade do amor, do contentamento e até do bom senso.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

E o Orgulho no Cristão? por CS Lewis

Os cristãos têm razão: o orgulho tem sido a principal causa da miséria em todas as nações e em todas as famílias desde que o mundo é mundo. Outros pecados, às vezes, podem unir as pessoas: pode-se encontrar companheirismo, brincadeiras e afabilidade entre os que se dão à embriaguez ou são devassos. Mas o orgulho sempre significa inimizade: é inimizade. E não apenas inimizade entre um homem e outro, mas inimizade contra Deus.

Em Deus, encontramos alguém que nos é infinitamente superior em todos os aspectos. A menos que reconheçamos a Deus como tal – e, conseqüentemente, a nós mesmos como um nada em comparação a ele –, não conhecemos a Deus, absolutamente. Enquanto você for orgulhoso, não poderá conhecer a Deus. Um orgulhoso está sempre olhando de cima para pessoas e coisas; e, é claro, quem está olhando para baixo não pode ver o que está acima de si mesmo.

Surge então um terrível problema. Como é possível haver pessoas evidentemente corroídas pelo orgulho, que dizem crerem em Deus e que se têm na conta de muito religiosas? Receio que isso signifique que estão adorando a um Deus imaginário. Teoricamente admitem que nada são em relação a esse Deus fantasma, mas estão sempre a imaginar que em tudo são por ele aprovadas e que por ele são consideradas muito melhores do que as pessoas comuns. Ou seja, tributam um mínimo de humildade imaginária a esse Deus e tiram disso um máximo de orgulho em relação a seus semelhantes.

Creio que era nessa gente que Cristo pensava ao dizer que alguns pregariam em seu nome e em seu nome expulsariam demônios, apenas para que lhes seja dito no fim do mundo que ele nunca os conheceu. E qualquer um de nós pode cair nessa armadilha mortal a qualquer momento.
Felizmente, temos um teste à nossa disposição. Sempre que a nossa vida espiritual nos faz pensar que somos bons ou, sobretudo, que somos melhores do que os outros, podemos ter certeza de que não é Deus que está atuando em nossas vidas, mas sim o demônio. A verdadeira prova de estar na presença de Deus é quando nos esquecemos completamente de nós mesmos ou quando nos consideramos um pequeno e vil objeto. É preferível esquecermo-nos completamente.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

O Grande Pecado por C. S. Lewis

Em se tratando de moral cristã, há uma parte que difere mais nitidamente de todas as demais religiões. É aquela que trata do pecado do qual ninguém neste mundo escapa; um pecado que todos detestam nos outros e do qual quase ninguém, exceto os cristãos, tem a consciência de cometer. Sei de pessoas que admitem ter mau gênio, que sabem que perdem a cabeça em se tratando de mulher ou de bebida e que reconhecem até mesmo que são covardes. Entretanto, acho que nunca ouvi uma pessoa que não fosse cristã se acusar deste pecado.

Ao mesmo tempo, como é difícil encontrar pessoas (não cristãs) que demonstrem um mínimo de benevolência para com os que o cometem! Não há falta que torne a pessoa mais impopular, nem falta de que tenhamos menos consciência em nós mesmos. E quanto mais forte essa falta for em nós mesmos, tanto mais ela nos desagradará nos outros.

O pecado a que me refiro é o orgulho ou presunção; a virtude que lhe é oposta, na moral cristã, chama-se humildade. Ter moralidade sexual, embora importante, não é o centro da moral cristã.


De acordo com os mestres do Cristianismo, o pecado principal, o supremo mal, é o orgulho. A falta de pureza, a ira, a ganância, a embriaguez e tudo o mais, em comparação com ele, são ninharias. Foi pelo orgulho que o demônio tornou-se o demônio. O orgulho conduz a todos os outros pecados: é o mais completo estado de alma anti-Deus.

Por Que o Orgulho é Pior?

Você acha que estou exagerando? Se acha, pense bem no caso. Observei há pouco que quanto mais orgulho se tem, mais este pecado nos desagrada nos outros. De fato, se quisermos descobrir o quanto somos orgulhosos, o método mais fácil é perguntar a nós mesmos: “Quanto me desagrada ver os outros me desprezarem, recusarem-se a me dar qualquer atenção, intrometerem-se em minha vida, tratarem-me com ares paternais ou se exibirem com ostentação?” O problema é que o orgulho de cada um compete com o orgulho de todos os demais. É porque eu queria ser o “destaque” da festa que me aborreço tanto quando um outro é que ficou em proeminência. Dois bicudos não se beijam.

O ponto aqui é que o orgulho é essencialmente competidor; é competidor por sua própria natureza, enquanto que os outros pecados são, por assim dizer, competidores apenas por acaso.

O orgulho não sente prazer em possuir algo, mas apenas em possuir mais do que o próximo.

Dizemos que alguém tem o orgulho de ser rico, ou de ser inteligente ou de ter boa aparência, mas não é assim. A pessoa tem o orgulho de ser mais rica, mais inteligente ou de melhor aparência do que os outros. Se todo o mundo se tornasse igualmente rico, inteligente ou de boa aparência, não haveria nada do que se orgulhar. É a comparação que nos torna orgulhosos: o prazer de estar por cima dos outros. Não havendo o fator competição, o orgulho desaparece.

Esta é a razão pela qual eu disse que o orgulho é essencialmente competidor de uma maneira em que os outros pecados não o são.

O instinto sexual poderá levar dois homens à competição, se ambos desejarem namorar a mesma garota. Mas isso é apenas acidental; poderiam da mesma forma ter desejado duas garotas diferentes. Contudo, o homem orgulhoso procurará tirar a garota do outro, não porque a queira, mas para provar a si mesmo que é melhor do que o outro. A ganância poderá levar à competição se não houver o bastante para todos; mas o orgulhoso, mesmo depois de ter mais do que desejava, tentará conseguir ainda mais simplesmente para afirmar o seu poder. Quase todos os males do mundo atribuídos à ganância ou ao egoísmo são, na verdade, muito mais o resultado do orgulho.

Exemplifiquemos com o caso do dinheiro. A ganância certamente fará com que se deseje dinheiro para ter uma casa melhor, melhores férias, melhores alimentos e bebidas. Mas isso só vai até um certo ponto. O que é que faz um executivo, que já ganha um salário elevado, ficar ansioso por ganhar ainda o dobro? Certamente não é a ganância de maiores prazeres. O que ele ganha dá para comprar todos os bens ou prazeres de que alguém possa usufruir. É o orgulho, o desejo de ser mais rico do que alguém que também é rico, e (mais ainda) o desejo de ter poder. Porque é no poder que o orgulho mais se deleita. Não há nada mais que faça alguém se sentir superior em relação aos demais do que o ser capaz de movê-los como soldadinhos de chumbo.

O que é que faz com que uma bela mulher espalhe tristeza por onde passa, pelo simples fato de despertar admiradores? Não é, certamente, o seu instinto sexual, porque essa espécie de mulher é muitas vezes frígida sexualmente. É o orgulho. O que é que faz um líder político, ou toda uma nação, prosseguir indefinidamente querendo cada vez mais? Outra vez, o orgulho. O orgulho é competidor por natureza; por isso ele não pára nunca. Se eu for orgulhoso, enquanto existir no mundo alguém mais poderoso, ou mais rico, ou mais inteligente do que eu, esse será meu rival e inimigo.