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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Sem simplicidade não há cura e graça

AOS QUERIDOS AMIGOS QUE PASSAM PELO BLOG, QUERO DESTACAR ESTE TEXTO SOBRE A GRAÇA. ELE É SIMPLES-MENTE ESCLARECEDOR... E TERRÍVEL!!! CONFIRAM, LEIAM ATÉ O FIM E COMENTEM!!!

O desespero do homem religioso, especialmente do cristão ou do judeu praticantes, é o mais intenso e forte desespero que o coração humano já experimentou. Isto porque esses dois credos religiosos são aqueles que propõe a salvação humana como obra de justiça própria, especialmente de natureza moral.
É verdade que qualquer cristão doutrinado que leia o que acabei de falar, imediatamente dirá que isto não é verdade quanto ao Cristianismo, e, especialmente, não é verdadeiro em relação ao Protestantismo, em razão de que o arcabouço doutrinário da Reforma postula a salvação pela fé na Graça de Jesus. Todavia, todos sabemos que a doutrina é esta, mas que na pratica isto nunca foi verdade para a "igreja".

Sim, porque prega-se essa salvação pela fé apenas como argumento alentador na chegada do "novo-crente". Porém, no dia seguinte ao da "Decisão de ser Crente", o individuo já começa a ser doutrinado na salvação e na santificação moral e autônoma, realidades essas que cada indivíduo tem que conquistar, a fim de se manter no posto da salvação pela via de sua irrepreensibilidade moral. Assim, inicia-se falando o Evangelho como sedução, e, uma vez feito o prosélito, imediatamente ele é transformado num cristão fariseu.

O que segue são barganhas e mais barganhas com Deus, acrescidas de um estado perene de inquietação, nervosismo e culpa—medo de cair... Ou, então, no caso do indivíduo estar se sentindo "bom" o suficiente para a agradar a Deus pelas suas próprias obras e pela sua própria moral, surge um ser arrogante, nojento e insuportável para a normalidade do convívio humano.

Assim nascem os crentes, tanto os neuróticos pela culpa e pela barganha, quanto também o crente santarado, que é esse ser da "dita-dura"; e que trata com raiva e com inveja aqueles aos quais acusa de serem "pecadores". Sim, porque nesse caso o espírito de juízo e acusação é proporcional à inveja que se tem da liberdade ou do "pecado" do outro.Tenho muita pena de ambos os grupos, mas especialmente dos que ficam neuróticos pelo peso das acusações que vêm dos crentes fariseus.

A leitura de Mateus 23 nos mostra que, para Jesus, esses tais eram seres profundamente danosos quando estabeleciam contato com outros seres humanos, sempre com a vontade obstinada de desconstruir a individualidade do outro, fazendo deste um clone do crente-boneco-fariseu. "Ai de vós..."—foi o que Jesus repetidamente disse a eles, aos fabricantes de "crentes em série".

Minha angústia tem a ver com o estado mental adoecido que esses cristãos-fariseus multiplicam e aprofundam a cada novo "discípulo" que fazem. Toda hora atendo "discípulos" desses "cristãos-fariseus" e, quase sempre, ou os encontro surtados de culpa, medo, débito e pânico de maldição, semi-esquizofrenizados, visto que para se amoldarem à fôrma dentro da qual são postos, a fim de se plastificarem nos moldes "legitimados" pela "religião dos bonequinhos movidos à corda", tais pessoas precisam matar a si mesmas, aceitando como novo "eu" a caricatura humana proposta pela "igreja".

Não há alma humana sensível e sincera que aceite tais coisas e não adoeça seriamente. Ora, faz anos que digo isto, bem como faz muito tempo que atendo pessoas sofrendo dos males de alma produzidos pela religião. No entanto, nos últimos anos, a "porteira da alma" se abriu, e boiada dos angustiados saiu numa corrida atropelada, buscando aos pinotes de angustia um pasto de liberdade.Os vícios mentais incutidos pela religião, todavia, são os mais difíceis de serem removidos e tratados. Isto porque quando você ensina às pessoas acerca da Graça de Deus, a questão que invariavelmente chega, é a mesma: "Mas como pode ser tão simples? Não há mais nada a fazer a não ser confiar que já está pago e viver apenas nesta fé?"—é o que me perguntam.

A pedra de tropeço dos crentes é o Evangelho de Jesus. Sim, são os crentes os que mais dificuldade têm de crer que é apenas crer.

De fato, a maioria sofre da Síndrome de Naamã, o Sírio. Sendo general importante e sofrendo de lepra, foi-lhe recomendado a ir até a presença de Eliseu, o profeta de Samaria. Ao chegar lá, o profeta nem mesmo saiu de casa a fim de atender o general, mas apenas mandou que ele fosse até as águas do Jordão e se lavasse 7 vezes. Naamã não quis ir. Achou simples de-mais. Esperava que Eliseu viesse, lhe prestasse honras, dedicasse a ele um rito, movesse as mãos sobre as feridas dele, e, assim, feitos "os trabalhos", Naamão fosse declarado curado. De fato, tão contrariado ficou o general, que já estava indo embora, quando um de seus servos lhe disse: "Se o profeta tivesse recomendado algo difícil e complicado tu não o farias? Ora, por que não fazes o que ele manda apenas por que é simples?"

O que vejo prevalecer entre os cristãos é que mentalidade do "difícil", a consciência pagã de Naamã, e os mecanismos de cura pagã, sempre carregados de "correntes e campanhas", todas baseadas em barganhas com a divindade, sendo que tal pratica é desavergonhadamente chamada de "sacrifício". Para esses nunca haverá descanso, nem paz e nem a alegria que vem da segurança que se arrima na fé simples. Enquanto os crentes obedecerem a espiritualidade de Naamã, o Evangelho não produzirá nenhum bem em suas almas!

Toda hora me vêm pessoas que me dizem que não entendem como quando passaram a apenas aceitar a simplicidade do Evangelho de Jesus, e crer que está tudo feito e pago, e que a vida com Deus é simples, e que o andar com Jesus é sereno, pois, é fruto da confiança no que Ele já fez por todos nós — tudo começou inexplicavelmente a mudar para o bem em seus corações. Mas alguns estão tão viciados na barganha com Deus e nos muitos e intermináveis sacrifícios de presença a todos os cultos, células, campanhas, atividades, e muita mão de obra dedicada aos líderes da "igreja", que não conseguem nem mesmo crer que o bem que lhes está atingindo é verdadeiro; pois, para tais pessoas, "não é possível que seja só isto".

Todavia, é simples mesmo; e bem-aventurados são aqueles que não tropeçam na Pedra de Tropeço e nem na Rocha de Escândalo, que é Jesus, e nem na total simplicidade de Seu Caminho, que é o único Caminho de Paz para a vida.

Quem não crê, que faça seu próprio caminho pelos infindáveis labirintos da religião...

Eu, todavia, me agrado de todo o coração no que Jesus já fez por mim, perdoando todos os meus pecados, me justificando perante anjos, demônios e homens, dando-me a chance de andar com tranqüilidade e paz entre os homens, com o coração pacificado na confiança no amor de Deus, de cujas mãos ninguém e nem coisa alguma pode me arrebatar.

"Quem crê tem..."— disse Jesus. Sim, quem crê tem tudo. Quem não crê, todavia, pode ter tudo — igreja, moral, credo, dogma, sacrifícios, barganhas, etc...—, porém, não terá nem paz e nem descanso, visto que paz e descanso apenas habitam a fé simples, que não pergunta: "Quem subirá aos céus? (isto é: para trazer Jesus à Terra pela encarnação); e nem tampouco diz: Quem descerá ao inferno? (isto é: para dar uma ajudinha a Jesus na ressurreição dos mortos)."

Sim, a fé conforme o Evangelho sabe que a Graça não está longe; ao contrário: sabe que ela está bem perto, na boca e no coração; pois "se com a boca se confessa a Jesus como Senhor..., e, no coração se crê que Deus o ressuscitou dentre os mortos, se é salvo; pois com o coração se crê para obtenção da justiça justificadora de Deus (pela fé); e, com a boca se faz a confissão em fé acerca da salvação que já é nossa; e já foi consumada e acabada por Jesus em favor de todo aquele que crê com simplicidade e confiança.

Mas como disse, é essa simplicidade do Evangelho que acaba sendo a Pedra de Tropeço dos crentes. E, assim, deixando a Rocha da Salvação, se entregam às infindáveis barganhas patrocinadas pelos Líderes Fariseus, os quais não contentes em se fazerem filhos do inferno (conforme Jesus disse), ainda desejam corromper a alma de muitos, criando seres atormentados pelas chamas das culpas e acusações do inferno, negando a eles a chance de viverem em liberdade no amor de Deus.

Portanto, saibam todos: sem fé simples e pura, posta em Jesus, confiante no Evangelho da Graça, não há nem paz, nem alegria, nem espontaneidade diante de Deus, e, sobretudo, não há saúde de alma para viver a vida como Vida, e não como tormento sem fim.

Ora, quando é assim a religião se torna a ante-sala do inferno!

Nele, em Quem tudo é simples,

Caio
www.caiofabio.com.br

domingo, 17 de janeiro de 2016

Um Cinturião encontra Graça


Um homem bom me disse que fraudou um concurso público há mais de 20 anos; pois, tendo tentado passar para o cargo, na Marinha do Brasil [sua paixão de infância], não conseguiu; e, no desespero de fazer o que sonhara como carreira...- pagou para passar; e passou.

Ninguém sabe de nada até hoje.

Hoje em dia ele tem lido o site, ouvido a rádio, visto a Vem e Vê TV, e, agora, já não agüenta o sentimento que o vem atormentando: desejo de se entregar e sofrer as conseqüências.

Eu não o deixei fazer isto!

Primeiro, porque já faz 20 anos. Hoje ele é casado, sustenta três filhos, os pais doentes e velhos, e ainda alguns outros parentes muito pobres.

Segundo, porque ele já anda arrependido faz anos. E, agora, com o novo amor por Deus, surgiu a necessidade meio auto-justificada de fazer tais reparos que nada reparam mais.

Terceiro, porque ele ama o que faz, e é melhor funcionário da Marinha do Brasil do que muitos que passaram e não amam o que fazem.

Quarto, porque ele já foi perdoado, e, no coração dele, ele sabe disso. Portanto, não há porque se esfolar num sacrifício que Deus não está pedindo.

Afinal, diz o Senhor:

“Misericórdia quero; e não sacrifício!”

Quem disse “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”; ou: “Vai e não peques mais” — é o mesmo que enviou aquela alminha angustiada em paz para sua casa, para sua mulher amada, seus filhos, seus pais, seus amigos e sua vida.

João disse que se virmos um irmão pecar não para a morte [que são os pecados do ódio crônico], devemos orar por ele, e, assim, diz o apóstolo, “o Senhor o perdoará”.

Estamos neste mundo também para responsável e amorosamente ajudarmos os homens a crerem no perdão dos pecados, e, também, de obras mortas.


Nele, que tem prazer em perdoar e libertar,


Caio

18 de setembro de 2008
Lago Norte
Brasília
DF

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A graça de Deus opera num nível profundo na vida de uma pessoa afetuosa

Conta-se a história sobre Fiorello LaGuardia (11/12/1882 - 20/09/1947) que, quando era prefeito de Nova York durante os piores dias da Depressão e durante toda a Segunda Guerra Mundial, era carinhosamente chamado de “Little Flower” pelos seus admiradores nova-iorquinos, porque tinha apenas 1,65 m e trazia sempre um cravo na lapela.
Era um personagem pitoresco que costumava andar em caminhões do Corpo de Bombeiros, participar de batidas em bares ilegais junto com o departamento de polícia, levar orfanatos inteiros para partidas de baseball e, quando os jornais de Nova York estavam em greve, ia à rádio ler quadrinhos humorísticos para as crianças.
Numa noite terrivelmente fria de janeiro de 1935, o prefeito compareceu a um tribunal noturno que servia a região mais pobre da cidade. LaGuardia dispensou o juiz por aquela noite e assumiu a tribuna ele mesmo. Minutos depois, uma senhora esfarrapada foi trazida à presença dele, acusada de roubar um pão. Ela disse a LaGuardia que o seu genro havia ido embora, que sua filha estava doente e que seus dois netos estavam passando fome. Mas o dono da mercearia, de que o pão havia sido roubado, recusava-se a retirar a acusação.
_É uma vizinhança ruim, meretíssimo, o homem disse ao prefeito. Ela deve ser punida para ensinar às pessoas daqui uma lição.
LaGuardia suspirou, virou-se para a mulher e disse:
_Tenho que punir a senhora. A lei não abre exceções: são dez dólares ou dez dias na cadeia.
Mas, ainda enquanto falava, o prefeito já colocava a mão no bolso. Ele tirou uma nota para fora e arremessou-a no seu famoso chapéu de abas largas, dizendo:
_Aqui está a multa de dez dólares, que eu agora perdôo. Além disso, vou impor uma multa de 50 centavos para cada um presente neste tribunal, por morarem numa cidade em que uma pessoa tem de roubar pão para que seus netos tenham o que comer, Senhor Bailiff, recolha as multas e entregue-as à ré.
Assim, no dia seguinte, os jornais de Nova York anunciaram que 47,50 dólares haviam sido entregues a uma perplexa senhora que havia roubado um pão para alimentar seus netos famintos, cinqüenta centavos do quais haviam sido doados pelo ruborizado dono da mercearia, enquanto cerca de 70 pessoas, acusadas de pequenos crimes e de violações de tráfego, lado a lado com policiais da cidade de Nova York, aplaudiam o prefeito de pé.
A graça de Deus opera num nível profundo na vida de uma pessoa afetuosa.
Retirado do Livro: Evangelho Maltrapilho, autor Brennan Manning.
Fotos de Fiorello LaGuardia retirados do Wikipedia.

terça-feira, 1 de março de 2011

Igual a todos os homens

"Eu te agradeço Senhor porque não sou como os demais homens, gays, prostitutas, ladrões, pedófilos, espíritas, e de qualquer outra religião que não a minha. Porque dou dízimo de tudo qto ganho, faço minhas orações, participo de atividades religiosas e vou a reunião da igreja sempre. Amém." Fariseu, em frente à praça central da cidade.

Sempre me achei superior aos católicos, pessoas dos quais eu tinha pena porque eram idólatras, porque cultuavam a Maria e aos santos de barro. Também me achava muito melhor que os espíritas porque eles não adoravam a Deus, era ao "outro". Também me achava melhor que os das religiões orientais pelo mesmo motivo.

Também melhor que os meus amigos não evangélicos, pois eles eram do MUNDO, ÍMPIOS, CRIATURAS DE DEUS (não Filhos de Deus como eu).

Por outro lado também, a minha igreja era melhor, pois era a maior da cidade e eu sentia orgulho em dizer que eu era daquela igreja.

Não ouvia música do mundo, e nunca bebi nem fumei. Enfim... um santarrão. Os que fumavam, bebiam, e oravam menos que eu, quando chegavam perto de mim já iam se sentindo acusados pelos seus pecados...

Não por causa do Espírito Santo, mas por causa da minha imagem santa e religiosa.

Bem... enfim, eu não era "como aqueles homens..."

Hoje, depois de entender um pouco a graça de Deus, seu amor e misericórdia por mim, e me fazer passar durante uns bons tempos no deserto, me fazendo descobrir quem eu sou, vejo as coisas muito diferentes.

Sei que não sou um santo que às vezes peca, sou um pecador... e por isso peco. Sou filho da perdição como todos os outros homens.

Sempre procurei me purificar para Deus, ser santo, mas tudo isso só me levou para uma perdição maior ainda, que é o orgulho e prepotência. Me tornei acusador dos irmãos que pecavam e administrador da salvação, definindo quais as pessoas que eram realmente salvas e quem não era. Por exemplo: "Aquele cara que fuma não deve ter se convertido ainda". " Nem aquela menina que usa aqueles tipos de roupas". "Aquele cara é um bom rapaz, só falta se converter".

Colocava peso nos que não conseguiam se manter "limpos" como eu, e quando algum deles transava com a namorada, bebia, fumava, ia num baile, encontrava em mim o santarrão para lhes indicar o caminho do purgatório.

As coisas que para mim nunca foram problema, não me atraía, eu julgava os outros. Pura hipocrisia.
A hipocrisia sempre foi minha praia, eu não ouvia músicas do mundo, só música evangélica, mas assistia filmes do mundo e não só filmes evangélicos; lia livros do mundo e não só livros evangélicos; lia poemas e literatura do mundo e não só poemas e literatura evangélica.
Ora... na verdade eu tinha santificado a música, de forma que um músico não poderia tocar na igreja e no "mundo".
E é claro que os pecados morais, principalmente sexo, era pecado capital. Na verdade, nem precisava ter caído no pecado, bastava alguma irmãzinha do grupo de guerra espiritual da igreja ver uma pomba gira perto da pessoa, que a integridade da pessoa ficava em jogo.

Quando comecei a entender que sou pecador e que Deus não espera nada de bom de mim, e que Jesus já foi morto antes da fundação do mundo por minha causa, resolvi depor as armas e confiar na sua graça.
Eu não consigo viver nada do que Deus propôs para o homem justo. Nem que eu queira demais não consigo cumprir os seus mandamentos. Sou totalmente incompetente na minha luta por santidade e contra o pecado em minha vida.

Mas quando entendi que realmente era isso que Deus esperava de mim, tudo mudou.

"Porque aprouve a Deus encerrar a todos debaixo do pecado para usar de misericórdia para com todos".

Porque eu não conseguia fazer, Jesus fez por mim. Jesus é o sacrifício perfeito. Ele cumpruiu a lei por mim para que eu não precisasse viver por ela, até porque Paulo afirma que ninguém pode ser justificado pela lei.
Issso na minha vida prática me libertou de ter que fazer para ser alguém, para ser salvo, para ser santo.
Eu sei quem eu sou: Sou como todos os demais homens. Somos todos carentes da bondade de Deus. E em nós mesmos somos deploráveis, nojentos, estrumes. O que nos diferencia um dos outros é o mesmo da diferença da bosta da vaca e do bode, sendo que os dois comem o mesmo capim verde, só que uma é enorme e a outra sai como granulados de ração animal. Uma irmã já desvendou a diferença para mim, ela disse: Eu sei a diferença que há entre as pessoas. Embora todos são bostas, alguns são por kilo e outros são por peça.

É só essa dúvida que eu tenho sobre mim mesmo, o resto é tudo certeza.

Por isso, não há nada neste mundo que possa me separar do amor de Deus.

Nada que eu possa fazer ou não fazer. Nunca me tornarei melhor ou pior para Deus. Sou um pecador necessitado de Jesus.

Jesus me libertou e me fez entender a bondade Dele, isto é a Graça, essa disposição de amar o deplorável e se entregar por ele.

Estou verdadeiramente livre... pois sou igual a todos os homens do mundo... amados por Jesus!!!

03/11/2007

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Culpa e Graça (Rm 4:7,8) por Tomaz de Aquino


Paulo define sua tarefa como sendo a de chamar dentre todas as nações um povo para obediência pela fé (v,5).

Ele afirma que o que dispunha para isso era o evangelho que é o poder de Deus tanto para judeus como para grego (v,16) – não tem povo especial.

A ira de Deus é revelada dos céus contrata toda impiedade e injustiça dos homes que suprimem a verdade pela injustiça (v,18) – quer judeus ou gregos.

Ele afirma que os homens são indesculpáveis (v,20).Ele começa a falar dos erros dos romanos que tem a ver com todos os erros morais que conhecemos e combatemos. Mas também apresenta outras práticas erradas e dentre elas algumas não tão morais (1:29-31).

Se a carta acabasse aqui poderia surgir a possibilidade de que estes seriam os erros que Deus condena e que seria encontrados entre gentios, não judeus, não evangélicos.

OUÇA AQUI ESTA MENSAGEM

Então Paulo passa a falar dos crentes judeus.
Você que julga os outros é indesculpável (2:1); ou seja, nos judeus aconteciam as mesmas coisas.
Paulo estabelece igualdade entre judeus e gregos, entre todas as pessoas. Deus retribuirá a todos conforme seu procedimento (2:6). Quem pratica o mal quer seja judeu ou grego sofrerá.

Tanto a punição quanto a benção é para Judeu como para grego, porque Deus não é parcial.

O judeu achava ser melhor então Paulo afirma que não há vantagem nenhuma em ser judeu (3:9).

Na carta aos romanos quando Paulo mostra que tanto judeus quanto romanos, ainda que com pecados diferentes, são pecadores do mesmo jeito.

Paulo conclui que todos somos iguais, não há justos, todos se desviaram (3:10).
Porque todos somos iguais, judeu e grego, evangélico e não evangélico, chegou a justiça que vem de Deus, ou seja, todos os que crêem são declarados igualmente justos e perdoados. Todos igualmente justificados pela graça que há em Jesus (3:21-24).

Não há motivo de vangloria por ser judeu, grego, evangélico ou não evangélico. Deus é Deus dos judeus e dos gentios (3:27,29).

Tendo apresentado a graça que vem pela fé que perdoa todos os nossos pecados, Paulo cita Davi no Salmo 32: “feliz os que têm suas transgressões perdoadas, seus pecados apagados. Feliz a quem o Senhor não atribui culpa”.Parafraseando é o mesmo que dizer: Felizes os que conheceram a graça e por ela ter se instalado em sua vida a culpa reconhecida foi removida.

A graça instalada nos livra de qualquer acusação, nos torna inimputável, ao mesmo tempo que não nos dá carta de alforria para viver como os romanos.

Alguns crentes acham que estão livres da lei para soltar a franga com os romanos. Outros acham que não praticam os mesmos pecados dos romanos e então são melhores.

A verdade é que:

1. Nós temos pecados e tais pecados agregam culpa real.

2. Deus trata da culpa e dos pecados através da sua Graça.

Até que reconheçamos culpa não haverá graça instalada na vida.A graça é algo que está feito e é. Não necessariamente porque está feito e é, se torna pra você. É somente quando abraço a graça, admito os meus pecados como pecado mesmo, é que a graça se torna pra mim.

A graça e a culpa real podem andar de mãos dadas.

A culpa real nos faz mais consciente de Deus, mais consciente da necessidade da sua graça.

A culpa real antecede a graça na vida. Ela é o sinal do Espírito de que algo está errado em nós. Quando admitimos tal culpa a Deus estamos abraçamos a graça já feita pra nós.

A culpa real é uma bênção.

Culpa real que não se faz acompanhada de sentimento de culpa é desgraça e morte.

Tem gente que está tão bem que já não sente mais culpa de nada.

É uma bênção não ficar sem culpa quando tratar alguém mal, quando for grosseiro com a esposa, quando mente, quando defrauda, quando fala mal.

Bem aventurado quem experimenta a culpa quando há razão para a culpa.

Sentir culpa sem culpa real é doença.

Graça de Deus sem consciência de Deus só produz psicopatas, religiosidade, hipocrisia.

Paulo evoca Davi para dizer que felizes são os que reconheceram sua culpa e assim experimentaram a graça do Pai.

A culpa aparece somente para ser removida pela graça.

Enquanto eu calo meus pecados pode tudo está feito, mas nada se torna pra mim.

Calar seus pecados o leva a desgraça. Falar seus pecados o leva a graça do Pai.

Quem guarda seus pecados perde a alegria do reino, o prazer da presença de Deus.

A consciência deve viver a bênção da culpa real a fim de que a graça se instale. Chega de recitar versículos enquanto você se alimenta de gemidos todos os dias.

O caminho para abraçar a graça é reconhecer sua culpa real, confessá-la, e assim experimentar o perdão gracioso do Pai. Então o que está feito se torna em mim.

A graça que me acolhe é a graça que me transforma.

Tudo isso pela fé em Jesus, pois o justo vive como justo não pelo que faz ou não faz, mas pela fé em quem o justificou.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O DIA QUE FIZEMOS TUDO ERRADO! por Marcelo Quintela

Se ainda não conhece o Dossiê Nigéria e o trabalho que o Caminho Nações tem realizado, clique no banner ao lado direito e conheça-o antes de ler o texto.


Todo dia eu volto à África.
Hoje meus pensamentos voaram até a cidade de Okon-Eket, cheia de vilarejos paupérrimos e pouco acessíveis. Foi lá que “fizemos tudo errado”, ou ao menos, tudo diferente do que já estávamos pré-determinados a executar naquela que era a fase final da expedição. Fase na qual o grupo visitava o “bicho” sem ser convidado, dentro da casa dele, em vilas, igrejas e lares.

Nessa altura, nós não dávamos mais conta do sol, do suor, do sono e nem de quem somos. Aculturamo-nos. Infiltrados, andávamos com a nossa lucidez misturada à “maluquês” devido ao ritmo alucinante com que as coisas aconteciam.

Hoje percebo que nos esquecemos do tempo e o tempo se esqueceu de passar.

Sempre que o Absurdo determina a ordem do dia, a sensação é de estar numa viagem para fora da própria existência, como num sonho, vivendo um processo atemporal, um parêntese cronológico tomado de um conteúdo todo surreal, ilógico, irracional e inconcebível.

Contudo, nada nos demovia da certeza em Deus de que tudo, o tempo todo, ia dar certo!

Agora que eu analiso essa fase, suponho que a coleção de batalhas vencidas nas primeiras semanas talvez estivesse, finalmente, nos automatizando. Já não havia tanto mistério no fenômeno todo. As personagens eram as mesmas: pastores-bruxos, crianças-bruxas, “jesus” pró-bruxaria, Jesus anti-bruxaria; e finalmente o mesmo desfecho: a vedação de uma rachadura na parede espiritual de algum vilarejo ou família visitada. Era isso. Era assim. Graças a Deus!

Chega, então, mais um dia. Não lembro qual.

Mas lembro que o Clayton, o Cesar e o William se revezavam entre as casas de um bairro e a Tenda do Caminho montada numa praça de alta circulação. Jojo tomou a câmera de vídeo e o Leonardo Lepsch, sua super-máquina fotográfica para nos seguir a uma incursão. Lá fomos eu e o Leo para o dia que o “script” foi diferente dos “roteiros programados”.

Eis a Missão: Buscar uma criança de nove aninhos que estava em pleno processo de “tratamento espiritual”: trancafiado numa igreja há quase três meses, passando por sessões e mais sessões de “libertação” com direito a rituais macabros, o menino fora estigmatizado pelos próprios parentes, que se mantinham submetidos ao pagamento mensal da “internação” do pequenino até que o mesmo tivesse “alta” e pudesse voltar a sua vidinha em casa.

Essa era a “ficha”!

Até onde o carro conseguiu chegar, fui orando, sob o vento quente de sempre, para que uma verdadeira operação de resgate fosse instituída, por força do Espírito! Pedi que a ação estilo “pombo-serpente” dos dias anteriores prevalecesse em cada um de nós também nessa manhã. Daí, fechei meus olhos. Concebi na minha mente que em poucas horas eu teria a criança em meu colo, dentro daquele mesmo carro. Eu não a conhecia, mas já a amava. Eu nem a tinha visto, mas ela já era minha! Minha.

Entretanto, voltei para a cidade com os olhos cheios de vazio, envidraçados... Voltei fitando o nada, até ser finalmente distraído por um verme, uma espécie de larva, um sei lá o quê era aquilo que estava andando na minha calça fabricada em Gana. Voltei sem criança nenhuma. E aquela “minhoca” só podia estar tirando sarro de mim, “sentada” na perna que guardei para trazer salvo o menino! Desgraçada...

***

Eh! Tem dia que a gente se sente um verme mesmo! Mas vocês fariam diferente? Fariam como, então?

Vejam: O carro ficou onde a estrada acabou. Estão construindo um novo caminho. Fomos atolando os pés, até a igreja-prá-lá-do-fim-do-mundo!

Apareceu um barraco todo torto feito de madeira e concreto e enfiado em meio às árvores de copas altas. Era a igreja do sequestrador. O lugar não tinha nome, nem placa, nem chão, nem teto, só umas telhas cobrindo quase metade do “salão”. Uma porta que não fechava direito escondia o interior da “construção”, que fácil se fazia aparecer por suas brechas. Vi que estava cheia de cadeiras, um altar à frente e uma mesa aos pés da qual algumas mulheres mantinham-se agarradas. Era uma igreja sim. Era ali.

Uma jovem senhora veio nos receber vinda da casa ao fundo do “templo”. Acanhada pela surpresa da “visita-branca”, ela parecia meio tensa. Avisamos que viemos em paz para conversar sobre uma criança que a Stepping Stones Nigeria denunciara que estava “internada” nesse endereço. A moça era a esposa do pastor. Pedimos para falar com ele, e ela, prontamente foi procurá-lo.

Enquanto esperávamos, vimos a Diana, da ONG inglesa, agarrada a um pequenino. Ela reconheceu o FAVOR! Sim, esse era o nome dele! Nome inglês, que se pronuncia feivor.

Favor, o “menino-bruxo”, estava vestido sem as roupas em farrapos da maioria das crianças. No rosto, também não tinha as expressões sem expressão dos pequenos que, aos montões, viviam feitas zumbis do estigma, sindrômicos. Ao contrário, esse mocinho tinha o olhar até cheio de contentamento. Apresentamo-nos, e ele se curvava com elegância, sendo seguido por alguns bebês, crianças peladinhas e barrigudas que, assustadas conosco, mantinham-se agarradas à mão do jovenzinho cuidadoso.

O pastor estava no campo, mexendo na terra. Chegou pingando de suor. Esbaforido e introvertido, nos cumprimentou: Sou Samuel! Sua mulher lhe trouxe rápido uma camisa de botão e fomos convidados a conversar. Entramos no “templo” e propus sentarmos em círculo para dar lugar ao Mfon, nosso motorista.

A cada visita percebíamos sua crescente atenção as nossas palavras. O Mfon é um negro enorme que chorou quando o Clayton lhe presenteou com a camisa do Santos que o Robinho vestiu. (Mas, não se enganem com o Mfon... Ele tentou arrancar a orelha de cada oponente que encontrávamos!). Quase sem perceber ele já transitara da assistência neutra e profissional para aquele estado onde as coisas não são mais feitas por dinheiro, mas pelo gosto, pela amizade e agora, pela Causa, que se tornaria a sua própria! O Mfon já estava na roda. Naquela roda e na roda viva da Vida com Cristo!

O Leo apresentou o “Way to the Nation” ao pastor Samuel e falou da Missão “Pequeninos na Nigéria”. Enquanto isso, fiquei olhando os quadros de Jesus olhando prá nós. Tinha Jesus católico, Jesus ocidental, Jesus inglês... As mulheres ao chão estavam deitadas junto ao altar, e suas crianças, os bebês que o Favor trazia, as rodeavam. O pastor disse que elas estavam ali jejuando por causa de seus muitos sofrimentos e carências.

Olhamos, deu muita pena, mas queríamos a história que fomos buscar.

Favor, nove anos.

Seus pais morreram. A vila acusou o menininho e o expulsou. Seu tio o recolheu, mas não queria cuidar dele, não queria o “estorvo”. Então, o levou ao pastor. O casal de pastores praticamente adotou a criança. Nos olhos da mulher vi muito amor e nenhum medo ou culpa, muito diferente dos rostos que mal levantavam a cabeça para nos encarar. Eu disse a ela: “Será que com um olhar tão bom, vocês podem estar fazendo mal a esse pequenino de Jesus?” Ela só meneou a cabeça, negativando a questão. Pedi para que o Mfon nos desse uma noção em dólares do valor mensal que o tio deixava lá. Era uma esmola. Pensão de quem não ama mais. Quantia irrisória. Triste. Por outro lado, o pastor se dizia feliz porque, apesar de tudo, naquela semana ele tinha conseguido uma difícil vitória: colocar o menino numa escola!

Rimos todos juntos de gratidão.

Que cena estranha: Nós, o pastor-bruxo, sua meiga esposa, a criança estigmatizada e FAVORecida naquele cenário coberto de símbolos cristãos, mas repleto de prática pagã. E nós ali, irmanados todos.

De repente, lembrei-me de que eu era um “soldado” e cortei a diplomacia. Em português, combinei com o Leonardo que não teríamos pena do moço e confrontaríamos suas práticas. E passo a passo, repreendendo-o com brandura, fomos instruindo-o nas Escrituras sobre tudo que se mostrava equivocado na crença dele.

“Está vendo esse Jesus aí na parede? Então, pastor, vamos mostrar na sua própria Bíblia o que Ele pensa sobre crianças.” E passamos a recitar em alta voz os versos onde Jesus abençoa crianças. Ele não abençoou somente crianças especiais feito Sansão ou João, anunciados por anjos; e nem somente crianças muito amadas e consagradas na infância, como Samuel ou José do Egito. Não. Jesus abençoou todas as crianças a ele apresentadas. Assim como a Cruz é sobre toda a humanidade; as mãos de Jesus continuam impostas sobre os pequeninos, apesar de seus discípulos continuarem a obstruir o Caminho dos meninos!

Acrescentamos que Cristo se mostrara indignado quando o assunto era criança e o abuso, constrangimento ou embaraço delas: Repreendeu os discípulos-trapalhãos; porteiros do Reino. Exortou os que, intencionalmente, faziam tropeçar e cair algum inocente pequenino, na fé ou na idade. Sugeriu-lhes que se atirassem ao mar sob o peso de pedra de suas culpas antes de sufocar uma criança, bem como garantiu recompensa a quem recebesse qualquer um deles, matando a sede dos que os representam na Terra. Avisou-lhes, ainda, que o REINO era das crianças e de quem se apresentasse como uma delas! Revidou, de igual modo, a provocação dos fariseus no Templo, quando questionaram a bagunça musical ao redor dele (“Bendito o que vem em nome do Senhor!”), assegurando que o perfeito louvor só pode sair da boca de pequeninos de colo e mesmo dos que ainda mamam! Jesus foi ainda mais longe. A gente O percebe se “orgulhando” de que o Pai tenha escondido seus mistérios dos sábios anciãos, e revelado aos pequeninos de coração, as crianças de alma!

O pastor só ouvia e concordava com a cabeça. Devolvi a Bíblia e lhe perguntei:

- “Como essa criança que tem um anjo constantemente diante da face do Pai que está nos céus pode ter nela incorporado um espírito de feitiçaria?”

Ele só calava. “Hein, pastor? Tell us, please...”. Nada.

O Leonardo queria explicações sobre o ritual de libertação. O pastor balbuciou uma resposta envergonhada, mas o Leo entendeu que ele orava e... “pingava”... “pingava”... Não disse o quê e nem onde...



Então, olhando ainda para o Samuel, pedi ao menino Favor que viesse a mim. Eu o sondei e revirei de todo lado, procurando nele alguma marca, mancha, qualquer coisa... O pastor também havia dito que durante o tratamento a criança tinha que dormir de modo a não se mexer, pois quando o seu espírito saia por aí para aprontar bruxarias precisava ter o corpinho do menino na mesma posição para sua “re-entrada”. Pensei na hora: Esse menino dorme amarrado! Examinei seus braços, mãos, punhos, pés... Uma perícia. Não encontrei nada.

-“Feivor, você é feliz aqui?” – Eu perguntei, tendo-o de pé junto a mim.

- “Sim!”

- “Você quer voltar para casa?”

- “Não!”

-“Por que não?”

-“Porque eu gosto deles”, ele afirmou olhando para o casal com ternura. “Essa é minha família”.

-“Você está feliz na escola? Gosta de ir para lá?”

-“Sim, muito!”

-“Você é um bruxo? Você sente que é um bruxo?”

-“Não”

-“Você promete que não vai deixar ninguém fazer você acreditar que é um bruxo?”

-“Sim”

-“Você sabe que Jesus te ama como filhinho dele?”

-“Sim”

- “Você tem medo de Jesus?”

-“Não”.

-“Pastor Samuel, olhe para mim!”

(Bom, confesso que a entrevista com o menino-todo-cheio-de-graça me amoleceu)

Com a mão no ombro pastoral completei: “Irmão, Jesus nunca praticou nenhum ritual de libertação. Ele impunha as mãos, abençoava e pronto! Então, hoje acabaram seus rituais aqui, pastor. Não precisa mais. Você já fez o que pôde. De hoje em diante, você vai fazer assim...”

Então, coloquei minhas mãos sobre a cabeça do menino e orei: ‘Favor, você está livre de todo o mal. O diabo não pode usar você! Você é um favor imerecido a esse mundo e já foi abençoado por Jesus! Amém!’

Pedi ao Leonardo que, impondo as mãos, orasse pelo Samuel e sua esposa, por aquele lugar de sofrimento, dor e cinzas! O Leo orava e com a mão no peito dele, eu senti quando o pastor fibrilou, gemeu por dentro, deixou escapar um tranco de dor. Abri meus olhos e o vi chorando.

Chorou... Acho que ninguém nunca o tinha abençoado, tocado, exortado... Outra criança abandonada.

***

Estávamos indo embora e observei o Mfon sentado num canto, com cara de pranto.

“What´s matter, Mfon?”

“Eu ia pedir para falar, Marcelo, mas preferi calar” – ele dizia, agoniado.

“Então me fala, meu irmão...”

“É que eu penso que, pelo que vocês têm lido na Bíblia sobre Jesus, bastava que eles só fizessem como ela manda fazer e mais nada? Por que ele tem a Bíblia se não usa?”

Só lamentei. Não respondi. Era a hora e o tempo dele. Era seu encontro. O Mfon não estava percebendo, mas já fazia alguns dias que ele não era mais só nosso motorista, pois seu coração estava sendo dirigido pelo Evangelho! Sem heranças religiosas, tudo aquilo era muito confuso para quem estava percebendo que Deus é Amor!

Fomos embora, passando em meio a uns matos altos... O pastor nos acompanhou e ao chegar ao carro, eu não sabia se o abraçava ou se o ameaçava!

O Leonardo fez as duas coisas, e no ouvido dele disse com gravidade: “Eu sei que foi sangue o que você pingou nos olhos dele, sei que você pingou seu próprio sangue nos ouvidos dele; e se você tornar a fazer isso, eu também vou saber! Você está proibido de fazer isso em nome de Jesus! Amém, meu irmão?”

“Amém! Sim, Senhor!”

***

Entramos no carro e nos distanciamos daquele lugar onde o "caminho" ainda estava sendo construído... Quando lancei pela janela o vermezinho, aquela larva que estava em minha perna, pensei o que eu estava fazendo ali se não tinha estrutura alguma para levar um pequenino desses conosco. Elaborei, em seguida: “E como levar uma criança que simplesmente está bem em sua síndrome de Estocolmo?”

E quem me dá o direito de fazer isso? Só por que acho que é tudo grana, poder, maquinação e paganismo cristão, eu posso, então, mexer nas estranhas do coração alheio? E se for por amor...? E se o internato espiritual virou adoção afetiva? E se a libertação virou afeição? Quem conhece os caminhos do amor?

Sim, e se for expressão esdrúxula de nossa humanidade caótica, cheia de paradoxos? Pode ser que tudo seja um conjunto indecifrável de ignorância, óbvio analfabetismo, cultura pagã, cuidados pastorais, preocupações de maternagem, espírito colonizado, falta de informação e vontade de fazer as coisas certas, sem, contudo, sabê-lo!

E se invés de ser um seqüestro para enriquecer bolsos sacerdotais, aquilo tudo seja só o poder da miséria matando-os? E se ao contrário de astúcia, seja ingênuo messianismo, ânsia por libertar, arrancar a chaga, vencer o mal? E se não for paganismo, mas só falta de instrução no Evangelho?

E como ensiná-lo no Caminho sem colonizar sua própria jornada de fé, se seu espírito é tão brando e domável?

Creio, então, que cruzamos com um irmão confuso lutando com as armas do Império das Trevas nas trincheiras alheias.

Sim, por essa eu não esperava: Encontramos um filho da Paz do outro lado do campo de batalha.

Fomos ‘sequestrar’ uma criança, fomos sequestrados e sequestramos seu sequestrador!

O Samuel foi transferido para o Reino do Filho do Amor!

“O Amor tem feito coisas...”

Marcelo Quintela
Santos/SP
É Carnaval no Brasil/2010

sexta-feira, 10 de julho de 2009

CUIDADO COM A MAGIA NEGRA DA INGRATIDÃO!

LIVRAMENTOS INVISÍVEIS

Se sou tão ignorante como sei que sou, então, minha gratidão consciente diante de Deus sempre representa uma fração mínima do que seja o cuidado de Deus para comigo.
Na realidade todas as vezes que agradeço livramentos de Deus para comigo, na mesma gratidão consciente incluo todos os milhares de livramentos reais que nunca percebi.

Para cada livramento que vejo há milhares de livramentos que não vejo e que provavelmente apenas conhecerei na eternidade.

Muitas vezes me sinto como um retardado que agradece ao Pai por cuidados pequenos e interessantes a mim, enquanto tudo o mais é cuidado do Pai, embora eu somente veja os presentinhos ou os livramentos das barras pesadas.

Entretanto, o homem deve ser grato pelo menos pelo que veja...

Assim como somos responsáveis pelo irmão carente que vemos e podemos ajudar... [conforme I João], também somos responsáveis pela alegria em razão dos livramentos que se veja e se reconheça [...], embora a maturidade nos leve depois de um tempo a sermos também gratos pelo que não vemos; visto que aí estão os livramentos em quantidade muito maior.

Por isto todo dia agradeço ao Pai pelo que vejo e também pelo que não enxergo, pois sei que a multidão dos livramentos que recebo são maiores que minha própria ignorância, que é imensa.

Maiores são os livramentos divinos que não vejo do que os que eu percebo.

Quando alguém aprende o tamanho de sua própria ignorância acerca do que esteja acontecendo na vida — de mundos micro-bióticos invasivos e letais, até acidentes fatais que não vemos em razão de termos sido poupados até de enxergá-los —, então, daí em diante, o que não lhe faltará jamais será gratidão no coração, posto que tal consciência saiba que para cada razão consciente de gratidão, há milhares de livramentos invisíveis, que desconhecemos, mas que podemos ter certeza de terem acontecido; pois o mundo que não vejo, para o bem e para o mal, é infinitamente maior do que o mundo que vejo e percebo como real.

PECADO OCULTO

É a mesma coisa com o pecado oculto e que coabita com minha ignorância.

Sim, para cada pecado consciente que cometo ou me dou conta de ter cometido, há os milhares de pecados que nem vejo, nem percebo ou nem mesmo discirno... — tamanha é minha ignorância até mesmo acerca do meu pecado e da extensão dele.

Do mesmo modo e talvez em extensão bem maior, é o que acontece em relação ao livramento de Deus, que não somente é maior do que o meu pecado, mas, sobretudo, é infinitamente maior do que a minha percepção da própria Graça que eu recebo sempre.

Portanto, a expressão “andar de joelhos” não é um exagero, pois, se meus olhos se abrissem, e eu visse a grandeza do que me salva e me poupa todos os dias, seria assim que minha alma me impeliria a andar sobre o chão da terra: de joelhos...

Todavia, como eu sei que nada sei, e como sei que mesmo sem saber de nada sou salvo de tudo o que ignoro, então, sabendo factualmente ou não de qualquer coisa em meu favor, por meramente saber de minha própria ignorância..., ando de joelhos sobre o chão da consciência da minha ignorância e sobre o chão da Graça de Deus que é maior do que eu consiga discernir.

Por isto quem reclama e murmura peca de modo abominável!...

Sim, pois não vê tudo o de que já foi livre e está sendo livre; e, muitas vezes, ignora coisas das quais se está sendo livre até mesmo por meio daquilo que na hora se veja como algo não grato e não agradável.

É por causa de tantos livramentos invisíveis e de tantos livramentos visíveis... que todo aquele que se torna ingrato e murmurador pratica algo mais abominável do que feitiçaria e bruxaria.

Portanto, pare de reclamar... Pare de se auto-vitimar... Pare de murmurar... Pare de apenas achar que a bondade de Deus é o que nos seja visível e gostoso...

Sim, pois toda ingratidão murmuradora se torna como uma grande magia negra para a alma daquele que a pratica.

Sem gratidão pelo que se vê e pelo que se não vê... não existe a menor chance de que alguém prove a alegria do amor de Deus em todas as coisas.

Ora, tudo o que digo aqui é verdade absoluta!

Sim, não está aberto a discussões...

A menos que alguém deseje jogar-se contra a Rocha dos Séculos a fim de ficar todo esbagaçado pela realidade da existência.

É assim que é, e ninguém o fará ser diferente!

Nele, de Quem me vem tal certeza,

Caio

terça-feira, 7 de julho de 2009

Michael Jackson precisava de uma segunda chance?

Resposta de Mário Persona a um artigo sobre a morte de Michael Jackson.


Seu artigo com o título "Michael Jackson, não há segunda chance" parece trazer no bojo uma mensagem de salvação por obras ou boa conduta, e não uma mensagem de graça e perdão para o pecador perdido em seus pecados. Sutilmente você dá a entender que não há segunda chance para Michael Jackson por ele não ter aproveitado a primeira.

Você escreveu:

"Não basta ser o ‘Rei do Pop’. Reis, para chegarem bem ao fim da vida, precisam prestar atenção ao destaque bíblico na biografia de todos eles: devem fazer aquilo que é reto aos olhos do Senhor".

Será que você quis dizer que se Michael Jackson fizesse aquilo que é reto aos olhos do Senhor como os reis bíblicos ele teria sua salvação garantida? O problema é que o maior rei de Israel, Davi, não é de modo algum um exemplo de boa conduta. Dentre outras coisas, Davi condenou um de seus melhores amigos à morte só para ficar com a mulher dele.

Todavia sabemos que Davi se arrependeu de seus pecados, apesar de boa parte de sua vida ter sido perdida. Ele foi salvo por ter reconhecido sua incapacidade e rogado pelo perdão e graça de Deus, e não por alguma boa obra que tivesse feito. Aliás, que boa obra ou conduta exemplar poderia apagar um homicídio para encobrir um adultério? Ao que me consta, não existe no prontuário de Michael Jackson algum homicídio do gênero. Não sabemos ainda se Michael Jackson creu no Salvador Jesus, mas o céu certamente será um lugar cheio de surpresas, não acha?

Continuando, seu texto diz:

"E por que devem fazer o que é reto? Porque não há segunda chance. Nossa vida é o nosso tempo. Michael teve 50 anos à sua disposição. Até o momento, Deus concedeu-me 45. Após o último e definitivo suspiro, findam-se as chances. Neste momento nossa sentença eterna já está determinada nas mãos do Pai".

Será que com isso você está querendo dizer que em seus 45 anos você tem aproveitado bem a chance que Deus lhe deu, mas que Michael Jackson não fez isso? Seu texto parece indicar que se aproveitarmos o tempo que temos para "fazer aquilo que é reto aos olhos do Senhor" estaremos salvos, mas o problema é que ninguém consegue fazer o que é reto aos olhos do Senhor. Daí precisarmos de um Salvador que tenha morrido para levar nossos pecados sobre si e da graça de Deus.

Minha pergunta é: Será que Michael Jackson precisava de uma segunda chance? Como você pode ter certeza de que ele não aproveitou a primeira chance? Como você sabe o que aconteceu nos segundos antes de seu desmaio, ou mesmo nos segundos de silêncio de seu coma, antes que o espírito deixasse definitivamente o corpo? Seria um segundo tempo insuficiente para clamar a Deus por salvação? Vamos ver o que Deus pensa da morte do ímpio:

"Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?" Ez 18:23

Este é o sentimento verdadeiro de Deus por qualquer pecador. Você acha que Deus descansa antes que o espírito se separe definitivamente do corpo? De modo nenhum, pois Ele não tem prazer na morte do ímpio. Do modo como você escreve seu artigo eu não diria ser este o sentimento que você transmite, muito pelo contrário.

Como costuma acontecer com a morte de celebridades, parece existir um certo prazer nisso em pessoas religiosas, como se dissessem... "Viu? Bem feito! Quem mandou não fazer aquilo que é reto aos olhos do Senhor". Não me surpreenderia se Michael Jackson fosse o tema principal de muitos púlpitos neste momento, com os pregadores tentando fazer dele um exemplo de como uma vida de exageros e pecados pode levar à morte e ao inferno.

O problema é que nos evangelhos encontro tantos "Michael Jacksons" com suas vidas totalmente desestruturadas que tudo leva a crer que é mais fácil um Michael Jackson ser salvo do que o religioso que pode ser encontrado neste momento em algum púlpito qualquer falando dele como um perdido. O próprio Senhor disse aos fariseus (os que ocupavam os púlpitos daqueles dias) que publicanos e prostitutas os precederiam no Reino de Deus. É curioso isso, não é?

Se ler com atenção os evangelhos verá que em momento algum o Senhor Jesus usou de chicote ou ameaçou com fogo e enxofre os publicanos, prostitutas ou qualquer Michael Jackson da vida. Essas ameaças Ele reservava a uma classe de pessoas: os religiosos fariseus, que batiam no peito, se consideravam justos e se gabavam de serem fiéis no dízimo e no jejum, e não serem como "esse publicano".

Não posso deixar de lembrar de um homem que viveu torto a vida inteira e nem sequer podia dizer que contribuiu de alguma forma com a sociedade, seja por seus dotes artísticos ou por ter dado emprego a milhares de pessoas como fez o cantor. Aliás, esse homem não proporcionava o sustento de outros, mas roubava o sustento dos trabalhadores. Porém a ele bastou balbuciar "Senhor, lembra-te de mim" em meio ao sofrimento de seu martírio para ter do próprio Senhor a palavra de certeza de sua salvação eterna.

Se eu fizer vista grossa à sua mensagem de salvação por meio de uma boa conduta que seu texto parece anunciar, e usar de boa vontade para achar que sua intenção foi alertar o pecador para que se arrependa antes que seja tarde, mesmo assim eu diria que o exemplo foi infeliz. O próprio Senhor teria usado, não um cantor pop de vida irregular, mas algum dignitário religioso de boa reputação e grande destaque na sociedade, como ele usou o fariseu em "O fariseu e o publicano" ou na "Parábola do filho pródigo".

Faça uma releitura da parábola do filho pródigo e verá que Jesus não a contou para pessoas devassas como o filho pródigo, portanto não é aquele filho devasso o exemplo que quer mostrar com sua parábola. Ele dirigiu sua parábola aos religiosos fariseus, exatamente aqueles que não tinham nada de um Michael Jackson, mas eram como o filho mais velho, que ficou na casa do pai fazendo tudo de acordo com o figurino mas que, em momento nenhum, demonstrou estar arrependido justamente disso: de ser um religioso.

Nunca se esqueça disto: "Cristo Jesus veio ao mundo para salvar PECADORES". Apenas para os que não se consideram como tais é impossível a salvação. Aliás, para estes não há chance alguma.

Retirado do site: O QUE RESPONDI.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Completamente perdoado - O que pode me impedir de pecar? - 3 por Roberto Lima


Meu pai nunca foi um pai realmente presente na minha infância, mas foi um bom pai. Na minha adolescência, como a maioria, tive muitos problemas com meus pais. Em todo esse tempo eu ia à igreja e buscava a Deus, mas havia um profundo abismo entre nós.

Foi na juventude, depois de casar logo aos 21 anos, hoje tenho 41, que Deus foi curando o meu relacionamento com meus pais, principalmente com o meu pai.

No começo do meu casamento foi difícil, antes de Collor de Melo entrar na presidência, os juros chegavam a 30% ao dia, um absurdo. Logo depois ele confisca todo o dinheiro nos bancos. Sem dinheiro muitas empresas quebraram, muito empresário faliu e até suicidou-se.

Nesse contexto Deus foi resgatando a sua paternidade em minha vida. Curando o meu relacionamento com meu pai, Ele ajustava o meu coração para Ele.

Desde esse tempo meu pai me ajudou muito. Principalmente com dinheiro. Mas não pelo dinheiro, era a forma como ele dava o dinheiro que era o importante, demonstrava cuidado.

Hoje, depois de quase 20 anos casado, 16 de dezembro completam-se os 20 anos, tenho no meu coração um forte desejo de melhorar de vida, de ganhar dinheiro, para poder retribuir ao meu pai, com gratidão, tudo o que ele me fez.

Faço questão de fazer isso não por barganha, não porque ele pode fazer mais por mim, mas por causa do que ele já fez.

Mesmo que ele não faça nada mais por mim, meu coração é cheio de gratidão e amor por reconhecer tudo o que ele já fez.

ABA PAI

O que me impede de pecar sendo eu livre, e sabendo que todos os meus pecados já foram perdoados, mesmo os quais eu ainda cometerei?

QUERO AGRADÁ-LO, por tudo o que já fez na minha vida.

Senti tanto o seu amor durante todo esse tempo da minha vida... Senti tanto o seu cuidado através de pessoas, de acontecimentos, de orações respondidas, de experiências espirituais... Senti tanto a minha pequenez e a sua grandeza... Fui tão amado... que me sinto grato por tudo o que já vivi e por tudo o que Ele já fez.

Ele não precisava se importar comigo...

Mas se importou... talvez seja por causa dos meus olhos castanhos esverdeados que Ele mesmo me deu... não sei porque Ele se importou comigo... e não consigo entender o seu amor... e muitas vezes não consigo nem receber esse amor...

Ele não precisava me amar tanto asssim...

Eu sei quem eu sou... e como sou... e poderia gastar páginas e páginas falando da minha indignidade. Mas Ele me amou e eu senti esse amor.

Não vou deixar a maldade, não vou ficar no prejuízo pelos outros, não vou me humilhar, não vou lutar pela justiça social, não vou buscar o alívio dos necessitados para pagar a minha salvação, para receber em troca algo que Ele pode me dar...

O amor que eu recebi sabendo quem eu sou, me empurra, me joga, me atrai, me puxa, me capturou e agora sinto a necessidade de agradecê-lo com toda a minha vida. Tudo o que eu puder fazer para agradá-lo por tudo o que Ele já me fez.

Com você também é assim e com todo mundo, mas alguns ainda não caíram em si, como o filho pródigo que saiu de casa.

O amor de Deus, esse grande e infinito amor, esse grande e acessível amor, é capaz de nos libertar do pecado e nos levar de volta para Ele.

Podemos ficar nas nossas igrejas pregando, ensinando, nos centros de recuperação falando, tratando, mas se o coração das pessoas não for tocado pelo amor de Deus nada disso valerá. O interessante é que Deus pode nos usar nisso, compartilhar o amor que recebemos, em forma de cuidado, de ajuda, de não julgamento.

Paulo orou várias vezes para que o amor de Deus operasse nos corações. Podemos começar assim, e depois colocar nossas mãos para servir.

Essa é minha oração por você: Que o amor de Deus destrua as suas fortalezas de auto-estima, de convicções religiosas, de medo, de orgulho e te dê percepção de si mesmo em relação a Deus. E nessa percepção você se veja como Deus te vê. E que tua indignidade seja vista por teus olhos e que o amor de Deus encha o teu coração.

O pecado não tem mais domínio sobre aqueles que foram dominados em gratidão pelo amor de Deus.

Completamente perdoado - O que pode me impedir de pecar? - 2 por Roberto Lima



Se todos os meus pecados passados, presentes e futuros já foram perdoados...

Se Deus sabe como é a minha natureza pecaminosa e a qualquer hora, mesmo decidindo fazer o que é bom posso estar fazendo o mal, pois até nisso não sei exatamente o que é certo ou errado...

Se Deus destruiu através de Jesus o poder do pecado sobre a minha vida...

Se eu pecar ou não isso não mudará o tamanho ou intensidade do amor Dele por mim...

Então... o que me impede de pecar? O que me impede de estar vivendo a minha vida direcionada somente pra mim?

No último ano eu passei por esta crise. Crise de liberdade.

Antes eu tinha os mandamentos de Deus para cumprir. Tinha os irmãos da igreja como meus fiscais e ajudadores para cumprir os mandamentos. Tinha o pessoal do "mundo" para mostrar como são abençoados e justos aqueles que cumprem os mandamentos, e tinha Deus como meu Papai Noel que recompensava minhas boas atitudes.

Mas quando entendi que tudo o que eu fiz era lixo, um trapo sujo com o qual eu tentava me limpar e que Jesus já tinha feito tudo o que era necessário pra me reconciliar com Deus e agora era só eu aceitar isso... Isso me quebrou, tirou o meu chão.

Foi como se eu estivesse no meio de um tornado e soltei as pilastras, que eu agarrava para não ser levado pelo vento.

Hoje fui levado pelo vento.

Qual é aminha segurança? No que posso me segurar? Como posso pecar e ser amado ao mesmo tempo? Como continuar pecando e ser amado na mesma intensidade?

Relâmpagos e maldições não mais recaem sobre minha cabeça quando eu peco, mesmo quando é consciente e proposital.

E o pior... não mudou nada no meu relacionamento com Deus... Ele continua a me amar do emsmo jeito.

O que me impede de pecar então? Porque deveria seguir a bondade e a misericórdia se com os meus atos não estou comprando a minha salvação?

1) Por mim mesmo - Sinto que a pornografia, a mentira, a falsidade, o ódio, a amargura, e todas as coisas de ruim que eu posso fazer me fazem mal antes de chegar a qualquer pessoa. E me fazem mal mesmo depois de desfrutar algum prazer nesse pecado.

Outra coisa é que quando peco me torno pior como pessoa, me torno pior como pai, me torno pior como marido, me torno pior como filho, me torno pior como profissional, me torno uma pessoa como cidadão...

Posso até fazer... mas como me faz mal e me torna pior, decido não fazer.

2) Pelo meu próximo - E como meu próximo estão minha família, meus amigos, meus irmãos. Eles se ressentem com a minha maldade. Me torno mais rude, dissimulado, insensível, orgulhoso, prepotente, e isso machuca as pessoas com quem convivo e amo.

Sinto o amor deles e os quero também amar e cuidar, por isso, quando decido viver uma vida com amor e misericórdia eles também sentem. E como é gostoso ver que as pessoas ficam felizes de estarem ao nosso lado porque isso também faz bem a elas!

3) Pelo mundo - Tenho a consciência que a sociedade sofre com pessoas corruptas, imorais, injustas, indiferentes aos dramas sociais que vivemos. Mas também vejo como parece uma luz no fim do túnel, uma flor no deserto, um pingo de cor numa folha branca, água para o sedento quando pessoas se levantam para ajudar a melhorar a vida do próximo, a cidade, o governo, o planeta.

A própria criação geme esperando que os filhos de Deus assumam uma postura de protagonismo, de direção (luz) e proteção (sal) para o mundo.

4) Por causa DELE - Falo disso amanhã... Ele merece tópico especial...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Completamente perdoado - O que pode me impedir de pecar? - 1 por Roberto Lima


Na festa de aniversário do Cláu, meu amigo e irmão, encontrei o irmão dele, o Dani.

Conheço o Dani há uns 15 anos mais ou menos. Conversamos e ele contou sua história.

Saiu de casa aos 13 anos de idade, do interior do estado e foi morar em São Paulo capital. Morava com duas tias e mais uma amiga. Todo o custo da casa era dividido em 4 partes, sendo que a parte dele ficava em 150,00. Ele arranjou um bico que lhe dava 135,00 por mês e o seu irmão, o Cláu, inteirava o resto.

Na volta de uma festa na casa de outros amigos, um amigo do Dani disse: Vamos embora de carro.

Você está louco? Não tenho dinheiro pra nada, quanto mais para pegar um taxi, disse o Dani.

Não... eu dou um jeito. E foi tirando uma lixa da meia, abriu a porta de um carro e entrou nele.

O Danilo ficou horrorizado, mas foi junto com ele. Chegando próximo de casa, o amigo dele vendeu o carro por 500,00 e deu-lhe metade do dinheiro.

Numa "puxada de carro" deu o dobro do que ganhava num mês... Foi onde começou a roubar carros e se drogar. Foram mais 13 anos de roubo, drogas e passagens na polícia.

Quando ele estava sendo retirado pelo irmão pela primeira vez da cadeia, ele correu e deu um soco na cara do Cláu.

O irmão sempre o socorreu, a mãe nunca o mandou embora, e ele sempre foi o herói da irmãzinha, que não o tinha como bandido.

Há mais ou menos 5 anos atrás ele ficou sabendo que a sua parceira estava grávida e que deveria o filho ser dele. Resolveu parar com tudo,roubo, drogas, cigarro, pois pensava: Como poderei dizer ao meu filho que não pode fazer se eu mesmo faço?

No oitavo mês de gravidez ficou sabendo que não era o pai. Todo mundo ficou com medo que o Dani voltasse para as drogas, mas ele decidiu continuar limpo, arrumou um emprego e assumiu a paternidade da criança.

Hoje, 5 anos depois ele ainda está limpo, trabalhando e é pai de duas crianças.

O que mais me chamou a atenção foram os motivos pelos quais ele não quer voltar mais para as drogas.

1) Ele voltou a jogar futebol e não tem mais problema de correr. Ele se sente bem, com saúde para fazer algo que gosta muito.

2) O amor da mãe, do irmão e da irmã. Ele disse que deu tanta dor de cabeça e recebeu tanto amor, que não gostaria mais entristecer as pessoas que o ama.

3) Todos os três deixaram de ficar em cima dele. Deixaram de se sobrecarregar com os problemas que o Dani trazia e foram buscar viver as suas vidas. Ele se sentiu sozinho e entendeu que não podia ficar sem o amor deles.

Ele disse que todo aquele tempo foi uma lição pra ele que o fez mudar, mas ressaltei que achei que não era isso. Tudo o que ele viveu, e tudo o que falaram pra ele, e tudo o que ele sabia de certo e errado, nada mudou sua vida. Ele poderia ainda ter passsado vários anos no fundo do poço. Certamente não existe aprendizado que tire alguém das drogas.

Acompanho o trabalho realizado no Desafio Jovem de Botucatu onde presto serviço voluntário de consultoria, e o Rivaldo, gerente executivo da entidade me falou da sua grande frustração no tratamento de homens viciados.

A taxa de recuperação dos drogadictos é abaixo de 20% nesta entidade.

Ele disse sobre os internados que depois de 9 meses saem conscientizados e informados de tudo na vida, e voltam às drogas em menos de um mês.

Voltando ao Dani, disse pra ele: Dani, acho que você não aprendeu, acho que o que te aconteceu foi uma nuvem de graça que envolveu a sua vida e você mudou. Ninguém muda porque aprendeu algo, porque sabe, porque alguém lhe ensinou. Precisa haver algo mais!

Com o Dani foi assim, o amor mudou a sua vida, mesmo que tenha demorado 13 anos para que isso acontecesse.

Hoje ele pode voltar para aquela velha vida, talvez até lhe dê vontade muitas vezes de voltar, e se ele quiser fazê-lo, ele é de maior e a responsabilidade é somente dele, de mais ninguém. Mas agora ele não quer, ele foi tocado pelo amor.

Talvez um dia ele volte, não sei, tomara que não, mas eu acredito que nada invalida o que lhe aconteceu, e duvido que menos num retorcesso tenha sido apagada a lembrança e ele tenha renegado o amor dos irmãos.

Pode acontecer, pode sim, mas porque ele (nós) é mau, doente e toma decisões equivocadas e tem que assumir as responsabilidades de seus atos. E ele ficará muito culpado, se isso acontecer, pois pensará na tristeza que aqueles que o amam terão. Mas, repito, isso não invalida o que aconteceu em sua vida e não joga fora esses cinco anos de "limpeza", como podemos julgar.

Aliás, se isso acontece em nossa família, ou em qualquer igreja, esse cara é mais do que massacrado. Todos vão dizer que, se ele se batizou ou aceitou Jesus, ou estava indo na igreja, ou tenhsa tido alguma experiência espiritual foi tudo uma mentira.

Mentira é dizer que nós (eu) não estamos em constante mudança fazendo escolhas certas e erradas que mudam a nossa vida e mudam as nossas crenças. O que hoje é, amanhã não é mais porque amadureci, porque vivenciei outra coisa, ou por qualquer outra coisa.

Mentira é dizer que o instante presente não tem valor, que só terá se depois de um bom tempo passado continuarmos bons, senão não terá valido nada.

Os AAAs, NAs, Desafios Jovens têm muito a nos ensinar e um deles é que, por hoje eu estou limpo! Ou seja, aquilo que vivo hoje vou dar valor, porque se mudar para o errado amanhã, hoje foi bom, mesmo que amanhã não seja. E isso não só comigo mesmo, mas com todas as pessoas.

Por isso, NÃO JULGUEIS, é mais do que um mandamento restritivo, é um ato de amor, que não invalida o que cada um acha verdade de si mesmo.

Porque o verdadeiro amor lança fora todo o medo!
Porque o verdadeiro amor nos tira do reino das trevas e nos leva para o seu reino!
Porque o verdadeiro amor liberta o seu amado mesmo que o deixe livre para escolher outro!
Porque o verdadeiro amor lança fora todo medo, ele mesmo é desprovido de medo!

terça-feira, 16 de junho de 2009

A loucura da Cruz e o escândalo da Graça — para os cristãos


Meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós; pudera eu estar presente convosco e falar em outro tom de voz; porque me vejo perplexo a vosso respeito!

Paulo, aos cristãos na Galácia 4:19-20

A Graça é hoje a mais escandalosa de todas as mensagens cristãs! No entanto, também é a única que existe! É a loucura da Cruz! E o mais “louco” disso é que nada disso deveria ser louco para nós e nem fonte de escândalo, posto que essa mensagem seja o próprio Ensino e Vida de Jesus. É o espírito do Evangelho! Mas, incrivelmente, estranhamos a Graça de Jesus, nos assustamos com ela e aceitamos um enredo de perversões da Mensagem que é muito mais assustador que qualquer Loucura!

Sinceramente, quem não percebe que atualmente nosso Cristianismo é, quase sempre, a repetição dos mesmos conteúdos contra os quais Jesus, os profetas do Antigo Testamento, Paulo, os apóstolos e a Palavra se levantam nas Escrituras?

Hoje as pessoas se convertem à “igreja”, não a Cristo! É por essa razão que os conteúdos do Evangelho de Jesus estão tão adulterados entre nós. E pior, parecemos estar com os sentidos embotados para esta percepção, de modo que o que hoje se vê é uma caricaturização de Jesus. O Jesus que nos foi apresentado é um composer do Jesus da "igreja", o qual é moldado para ficar "parecido" com o grupo religioso ao qual a pessoa pertence. Portanto, o Jesus da “igreja”, na maioria das vezes, é uma fabricação feita para validar as teses do grupo. E tal “Jesus” não faz nada de bom ou de mal que qualquer outro condicionamento mental, psicológico e cultural também não realize. A leitura que fazemos do Evangelho é uma adaptação. E é também num “Jesus de terceira ou quarta mão” que a maioria das pessoas crê!

Posso asseverar, com convicção e tristeza, que na igreja evangélica atual, primeiro a pessoa tem que ser salva do Jesus inventado. Primeiro precisa ser salva do Jesus dos “evangélicos” a fim de conhecer o Jesus do Evangelho.

É exagero tal dedução? Então, permita-se uma reflexão honesta. E se Paulo estivesse presente num ano eleitoral no Brasil? Se visse e soubesse de todas as negociações de almas-votos que são feitas em Nome de Jesus? E se assistisse pela televisão à venda de todos os significados cristãos em objetos de energia espiritual pagã? E se visitasse uma “igreja” e assistisse às filas de pessoas para andarem sobre sal grosso ou para mergulharem em águas tonificadas do Jordão e a passarem pela Cruz de Jesus a fim de ganharem um carro zero, como pagamento pela sua crença? E se ele soubesse agora que a fé é um sacrifício que se expressa como dízimos, como troca de bênçãos por dinheiro, “sacrificados” no altar-bolso dos pastores, em longas novenas e correntes as mais mirabolantes?

O que enojaria Paulo seria ver pastores oferecendo o “sangue do Cordeiro” a fim de ungir a casa de trás para frente e da frente para trás. O “Sangue do Cordeiro” não é mais o que Jesus fez na Cruz, mas passou a ser um fetiche, uma mágica de bruxos, uma blasfêmia, um estelionato satânico dos símbolos de uma Verdade com a qual não se brinca impunemente.

A carta aos Hebreus foi escrita por muito menos! O escritor dela diria que estão brincando com fogo ardente e consumidor, e crucificando o Filho de Deus não apenas uma segunda vez, mas todos os dias — fazendo de Jesus um produto de troca. Sim! Aquilo que custou o alto preço de Seu sangue, para que nos fosse gratuito, agora é mercadoria a ser vendida pelos camelôs do engano, em repetidos sacrifícios e indulgências!

Admira-me que estejais passando tão depressa Daquele que vos chamou na Graça de Cristo para outro evangelho...

Paulo aos Gálatas 1:6

Meu Deus, e se Paulo visse?!... Sim, se Paulo nos visitasse? Que epístola nos escreveria?

Veria aturdido o regresso da fé evangélica aos tempos dos cultos feitos a Baal e às imagens de escultura. Àquele tempo onde nem sombra ainda havia das sombras das coisas que haviam de vir — coisas que, inclusive, perderam a simbolização em razão de Jesus haver sido o cumprimento de todas elas.

Ser evangélico, para o Apóstolo, significava ter compromisso de fé e vida com o Evangelho de Jesus. Hoje, ser “evangélico” é pertencer a uma instituição religiosa que roubou o direito autoral do termo e se utiliza dele praticando um terrível “estelionato” de símbolos, histórias, mensagens e ilustrações.

Hoje, de maneira geral, quando um evangélico “evangeliza”, ele o faz a fim de que a “igreja” cresça como poder visível. Ou seja, “evangelização” significa crescimento numérico sob o pretexto de salvar as almas do inferno.

Quando Paulo evangelizava, isso significava levar as pessoas à consciência da Graça salvadora de Jesus e da possibilidade da experiência da liberdade-salvadora, tanto na vida pessoal como também na comunitária. O resultado, portanto, não é o surgimento de um número a mais para as estatísticas celestiais, mas uma nova criatura que o Espírito da Graça, em Cristo, faz nascer no Novo Homem!

Desse modo, se Paulo estivesse vivo hoje, provavelmente, ele nos diria que nós ainda não somos convertidos, pois voltamos atrás e aderimos aos conteúdos que negam a Cruz de Cristo!

A doutrina do Purgatório é uma verdade existencial para todos os cristãos — incluindo os protestantes e evangélicos! E por quê? Ora, dizemo-nos “salvos” pela Graça na chegada. Daí em diante somos “santificados” pela Lei (ou por nossas Listas, o que é a mesma coisa na intenção). Porém, tal “santificação” anula a Graça, pois, se a justiça vem pela Lei, Cristo morreu inutilmente. “Se é pela GRAÇA, já não é mais pelas obras; se fosse, a GRAÇA já não seria GRAÇA”, então ficamos num purgatório existencial sobre a Terra, pois nem nos tornamos verdadeiros filhos da Graça e nem nos entregamos aos rigores da Lei com honestidade. Ao contrário, fazemos o malabarismo de tentar conter o Vinho da Nova Aliança nos odres da Antiga, que se tornaram extintos e obsoletos.

Assim, não usufruímos nem a saúde nem a paz que vem da Graça e, tampouco, conseguimos viver pela Lei. Ou seja, vivemos em permanente estado de transgressão e culpa.

E quanto mais nós existimos nesse “purgatório”, mais orgulhosos, raivosos, arrogantes e mal-humorados nos tornamos, pois, no coração temos consciência de que não somos nem uma coisa nem outra: nem Gente da Graça e nem tampouco o Povo da Lei.

Jesus, porém, não veio ao mundo para criar um Circo, em alguns casos; uma Penitenciária, conforme outros; um Hospício, como acontece cada vez mais, ou um Estado Soberano como o Vaticano Católico e os “vaticaninhos” dos outros grupos cristãos.

Em Cristo, não temos que ser pré-condicionados por nada que não seja o fundamento dos Apóstolos e Profetas, cuja Pedra Angular responde pelo nome histórico de Jesus de Nazaré.

Quanto à igreja cristã, sabemos que ela não deixará de crescer em número e em poder terreno. Não. Seus templos estarão cheios e seu fervor religioso pode até aumentar. Mas saiba que esse nosso Cristianismo não terá qualquer mensagem do Evangelho a pregar para as próximas gerações (com suas complexidades psicológicas e espirituais), a menos que se converta radicalmente à Graça, não como uma doutrina-teológico-moral, mas como a essência de nossa relação com Deus, com o próximo e com o nosso próprio ser!

Nossa esperança é a possibilidade de que Ele ainda venha a gerar consciências libertas do medo de ser e podendo experimentar a Graça de viver em Cristo, sem os temores que hoje são tão bem administrados pela “igreja”, na sua obsessão de ser a “conquistadora” do mundo e de seus poderes — incluindo almas humanas —, embora não ajude as pessoas a terem uma alma para gozar a vida em Deus e Deus na vida, ainda na Terra, pois o “Jesus” da “igreja” veio para que tenhamos medo, e medo em abundância!

Caio Fábio

*Extraído do livro “Um só Caminho” (2ª edição do booklet “O Caminho da Graça para Todos”, que foi revisto e ampliado em seu conteúdo). O livro foi lançado no Encontro das Estações no Rio e pode ser adquirido através do email atendimento@caiofabio.com.

sábado, 6 de junho de 2009

Que tipo de fé agrada a Deus?


Sem fé é impossível agradar a Deus.

Mas que tipo de fé agrada a Deus? A do tipo que anda 100 km em romaria pra cumprir uma promessa? A do tipo que dá o dízimo e a oferta em troca de algo? Daquele que jejua e ora crendo que assim vai obrigar a Deus a fazer o que ele quer? Daquele que canta em verso e prosa que Deus é Todo Poderoso?

Sei lá, acho que estes tipos de fé não agradariam nem meu rei, se aqui no Brasil fosse uma monarquia. Eu penso que o filtro de Malaquias é adequado aqui: Dê ao seu rei o que você está dando para Deus e veja se ele receberá com alegria sua oferta. Ora, se nem ele ficaria satisfeito, porque encontraria animais cegos e doentes, assim Deus não aceita também.

A fé que agrada a Deus, na minha opinião, tem o poder de mudar montanhas de lugar.

Então temos que ter fé no poder de Deus? Não e sim. SIM porque você deve crer que Ele tem poder para fazer o que você lhe pede, e NÃO porque tem outras coisas mais importantes do que esse tipo de fé.

Creio que, assim como o amor é o maior dos dons, também existe uma fé que é mais importante que todas, e que é a que agrada a Deus.

FÉ NO SEU AMOR

Crer que Ele te ama é a fé que muda o mundo, que transporta montes, que ressuscita mortos.

Alguns de nós acreditam que Deus é Todo Poderoso e consegue fazer qualquer coisa; que ele é perfeitamente Sábio e pode fazer o que a melhor escolha pode exigir; mas que ele é todo Amor e que fará qualquer coisa que eu lhe pedir, isso já é demais!

Mas Deus é mais Todo Poderoso, do que é Sábio? Ou ele é mais Sábio e Todo Poderoso do que é Amor? Claro que não.

Por que podemos crer no poder de Deus, e na sua sabedoria e não cremos no seu amor? Por que é que temos que barganhar com Deus, dando alguma coisa pra ele dar em troca outra que queremos? Por que devemos colocar o seu desejo também de nos agradar de lado?

Crer que Deus te ama e por isso pode acontecer tudo o que você pedir É DAR MOTIVO PARA ORARMOS.

Seria assim... como pai eu dou tudo o que é necessário para os meus filhos: alimento, roupas, material de higiene, carona para escola, material escolar, essas coisas eles nem precisam pedir, eu já sei que eles vão precisar e lhes dou sem que peçam ou entendam que vão precisar disso. Mas se eles querem algo diferente ele têm que pedir. É um chocolate, um sorvete, um tênis específico, uma bolsa diferente, uma camisa ou uma calça de marca, etc.

Por que pedir para Deus? Porque ele é meu Pai e porque ele me ama e quer me dar.

OBSTÁCULOS À NOSSA FÉ

Um deles, eu acho, e um dos mais importantes é a falta de amor por nós mesmos.

Não nos amamos, ao contrário, nos suportamos. Não aceitamos o nosso cabelo, nosso nariz, nossos dentes, nossa cor, nossa altura, nosso peso, nossa condição financeira, nossa família, nossa memória (ou falta dela), nossa inteligência, nosso gênio, nosso comportamento, nosso passado, etc.

Tudo isso, na hora que vamos pedir algo a Deus, interfere dizendo de coração para Deus: NÃO ME DÊ QUE EU NÃO MEREÇO!

Também dizemos: TEMOS RAIVA DO SENHOR PORQUE O SENHOR ME AMA. PORQUE EU NÃO ME AMO, NÃO ACEITO E NÃO ACREDITO NO AMOR DE DEUS POR MIM. Porque se eu não mereço ser amado porque eu não sou uma pessoa boa, então o seu amor por mim deve ser falso. Ninguém pode me amar como realmente eu sou.

Não acreditar que Deus te ama como você realmente é, creio ser o maior dos nossos conflitos.

CONFLITO 1: NÃO ME AMO - VOU MELHORAR.

Essa questão de justiça própria é próprio daqueles que querem melhorar para serem agradáveis a Deus. Fazer, fazer, fazer e fazer melhor que os outros para ser aceito, para ser amado, para ser reconhecido.

Isso, de certa forma, diminui o conflito em ter fé amor de Deus, porque você começa a crer que ele te ama porque você tem sido um bom menino, e por isso pode ganhar um presente.

Mas cria um problema muito maior, porque Deus não aceita essa fé baseada na própria justiça. Isso é abominação para Deus.

O desejo de melhorar para aceitar o amor de Deus é que criou as religiões, onde o homem faz as coisas para se religar a Deus. É desse desejo que nascem todas as disciplinas de santidade pessoal: promessas, romarias, jejuns, vigílias, não assistir tv, não entrar na internet, se tornar um monge ou eremita, etc. Tudo isso na motivação de ser ceito, ser reconhecido é abominável para Deus.

Por quê?

1) Porque você é pecador e nada pode mudar isso.
2) Porque Jesus morreu por você para que, como pecador que é, sendo assim mesmo, reconhecendo o seu estado, você pudesse ser aceito diante de Deus.
3) Porque ele já fez tudo o que era necessário para a reconciliação entre você e o Pai, e não restou NADA pra você fazer. Agora é só acreditar nisso/Nele.

CONFLITO 2: NÃO ME AMO, NINGUÉM ME AMA.

Ninguém poderá amar alguém como eu, se eu não me tornar melhor.

Por crer assim é que são criadas as máscaras, os papéis representados, o não saber dizer NÃO, o engolir sapos, o querer agradar todo mundo, as crises dentro de casa, a hipocrisia...

Como mudar isso? USE SUA FÉ DO TAMANHO DE UM GRÃO DE MOSTARDA.

Se você identificou com os tópicos anteriores então assuma que sua fé no amor de Deus é muito pequena. Esse entendimento não afasta você de Deus, porque Deus determinou que a fé pequenininha, do tamanho de um grão de mostarda é suficiente para Ele mudar a nossa vida.

Se você, de verdade, pelo menos tem uma pequenina fé no amor de Deus, e isso por causa de tudo o que falamos anteriormente, então ouça uma palavra, que creio, de Jesus para você:

"PROCURE USAR AO MÁXIMO A CONFIANÇA QUE TIVER EM MIM, MESMO QUE ELA SEJA PEQUENA."

COMO USAR?

1) ACEITE-SE COMO VOCÊ É.

Você tem que melhorar? Claro que sim, mas não para ser amado e reconhecido, por que você já o é assim mesmo, mas para ter uma vida melhor, e tornar a vida daqueles que vivem ao seu redor melhor também.

Ore ao Senhor dizendo as suas verdades (as que estão no seu coração), falando de como você se vê, e como você O vê, quais são as suas inseguranças quanto ao seu relacionamento com Ele.

A verdade nesse relacionamnto revolucionará todos os outros.

2) DUVIDE DA SUA DÚVIDA.

Se Deus é Todo Poderoso, Sábio e me Ama então posso acreditar que as coisas sempre serão boas para mim, mesmo quando forem ruins.

Posso acreditar qua nas coisas ruins que eu preciso passar, Deus que sabe que é importante essa fase pra mim, e que está permitindo que eu sofra, VAI SOFRER JUNTO COMIGO.

Posso acreditar que NUNCA estou sozinho.

Então, se as dúvidas acerca do amor de Deus vierem, e virão, duvide delas. Se as dúvidas são pensamentos, pense no amor de Deus, na sua sabedoria e no seu poder e considere o seu problema e a sua aflição com base nisso. E claro, coloque o máximo da sua confiança em Deus, mesmo que ela seja pequena.

Acho que você chegará num estágio de oração mais ou menos assim:

"Ah Pai, como dói essa situação que estou passando (e talvez chore um pouco), mas eu sei que o Senhor está passando comigo. Peço que me ajude a passar por esse tempo. Tanto eu como minha família (talvez chore mais um pouco)..."

Deixe o poder do amor de Deus, que vem pelo Espírito Santo, te console e te fortaleça, pois se você está chorando, lembre-se: Papai também está chorando!

Tem outros links sobre estes temas que poderão acrescentar mais entendimento a você:

- O JOGO ACABOU.
- A BÊNÇÃO DA DOR.
- VOCÊ CONFIA NO AMOR DE DEUS?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Jesus e os ladrões na cruz por Roberto Lima


Lucas 23:32-43

Qual a diferença dos ladrões na cruz? Aos olhos da religião moral e da lei eles são idênticos. Mesma condenação, mesma morte, mas para Deus eles são diferentes.

As duas respostas

1- Se tu és o Cristo... faz alguma coisa... e a nós.

Esse bandido, espertalhão que quer manipular Jesus para quebrar a lei pela última vez que revela o que ele pensa de Deus.

Deus, para ele, é alguém que pode me fazer ileso de alguma situação difícil pra mim. Não importa o quão errado tenha feito, Deus tem que me proteger. Pra ele é Deus quem tem que estar a serviço do homem. E para isso esse Deus tem que ser manipulável e tem que dar demonstrações que incluem me ajudar, me proteger, sem que eu seja responsabilizado ou pague pelos meus erros.

2- O segundo mal feitor confessa seus pecados e demonstra o temor de Deus que ele tem no seu coração.

Quando ele ouve o amigo, ele o repreende e demonstra o temor a Deus. Ninguém nunca pensaria que um mal feitor estivesse cheio de temor de Deus. A gente sempre espera encontrar temor de Deus nos templos e nos sacerdotes, mas nunca num bar, numa lanchonete, numa cadeia...

Além disso, ele consegue discernir a graça, coisa que a gente luta pra receber... é por isso que ladrões, prostitutas e publicanos entram rpimeiro que nós no reino de Deus.

Isso mostra que não há método ou ferramenta que possa ser usada para trazer revelação sobre as pessoas. Se o Espírito não revelar nada poderá ser feito.

Um criminoso olha pro lado e vê um colega de sentença: Jesus. O outro também olha pro lado e vê Deus sofrendo injustamente por nós.

O que importa não é o local onde estavam, mas o olhar. Ele olha e vê, não importando se era na cruz que eles estavam, ou no bar, ou na zona, ou na cadeia. Este criminoso reconhece que merecia a condenação e não pede que o livre da cruz.

Nós na verdade com justiça -Ele assume que está pagando o que os seus atos merecem. Mas o extraordinário é que ao mesmo tempo que ele aceita o seu destino imediato, ele não pensa que a setença dos homens é final, ele crê que existe um juiz acima dos homens.

Ele crê que é possível você estar pagando uma pena diante dos homens, mas ao mesmo tempo estar absolvido diante de Deus. Ele olha Jesus e diz: Este nenhum mal fez, e se arremessa na graça pela fé. O resultado é que há mais um ladrão no céu, mais um pecador no paraíso, mais um perdido que foi achado para preceder os judeus, católicos, muçulmanos e evangélicos no reino dos céus.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

2- De mal a pior por Mario Persona



Leitura: Evangelho de Mateus 2:1-22

Quando Jesus nasceu, alguns homens sábios do Oriente chegaram em Jerusalém perguntando pelo Rei de Israel que tinha nascido.

Quando o rei Herodes e os moradores de Jerusalém souberam disso ficaram preocupados. Você também ficaria se corresse o risco de passar o governo a outro.

E o governo de sua vida, você passaria a Jesus? Ou faria qualquer coisa para evitar isso? Herodes decidiu que precisava eliminar Jesus.

Aqueles sábios chegaram a Belém com presentes para o menino: ouro, incenso e mirra, uma erva amarga tirada de uma árvore cheia de espinhos.

Apesar de Sua perfeição áurea e fragrância divina, Jesus estava destinado a amargar uma morte infame. Pregado num madeiro como um criminoso qualquer.

Depois de encontrarem Jesus, os sábios voltaram por outro caminho. Ninguém volta pelo mesmo caminho depois de um encontro assim. E ninguém tem um encontro assim se não escutar a voz dAquele que disse: "Eu sou o caminho".

Ao saber que Herodes pretendia matar o menino, José fugiu para o Egito levando Jesus e Maria, e só voltou depois da morte de Herodes, indo morar em Nazaré.

Jesus acabou ficando conhecido como nazareno, numa época quando as pessoas costumavam dizer que de Nazaré não vinha coisa alguma que prestasse.

Dá para entender isso? Deus vem ao mundo em um curral, passa suas primeiras noites em um cocho de alimentar gado, vai viver como refugiado no exílio e acaba indo morar numa cidadezinha desprezível de pessoas de quinta categoria.

Sabe o que é? Só quem passou por tudo isso pode entender quem está passando por tudo isso. Tristeza, desprezo, perseguição, você conhece essas coisas, não? Pode ter certeza de que Jesus não veio aqui a passeio. Ele começou mal e terminou pior.

Agora, tente adivinhar a troco de quê ou por quem Ele fez tudo isso. Você sabe a resposta.

domingo, 21 de dezembro de 2008

1- SÓ PODE SER VERDADE.



Leitura: Evangelho de Mateus 1:1-25; Lucas 2:1-7; 3:23-38

Qual judeu, de sã consciência, incluiria na genealogia de Jesus duas prostitutas? Mateus fez isso no primeiro capítulo de seu evangelho. Tamar e Raabe eram prostitutas.

E tem mais, tem Jeconias, um rei amaldiçoado pelo profeta Jeremias; tem Rute, uma moabita, povo inimigo de Israel; tem o rei Salomão, que teve mil mulheres, grande parte delas de povos inimigos, e mergulhou na mesma idolatria desses povos. Quem foi Salomão. Era filho de Bate-Seba, a mulher com quem Davi cometeu adultério e cujo marido mandou para a morte.

E se você analisar a vida de cada um da lista de ancestrais de Jesus vai chegar à conclusão de que não salva um. Ou então vai perceber que Deus queria mandar um recado; queria dizer que eram justamente pecadores assim que Ele ia salvar.

A chave para entender isso está no que o anjo disse a José em um sonho, depois que ele descobriu que sua noiva, Maria, estava grávida e o filho não era dele.

O anjo disse: Ela dará à luz um filho e você o chamará de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.

Aquele Ser que a virgem trazia no ventre tinha sido gerado pelo Espírito Santo e seria chamado de "Deus conosco". Deus estava a ponto de experimentar o que era nascer, viver e morrer como homem. Deus estava a ponto de sentir na própria pele o que eu e você sentimos. Quer maior empatia do que isso?

Ah, eu quase me esqueci. Mateus, o autor do evangelho, era um judeu traidor da pátria. Ele coletava impostos para César, o invasor romano. Seria algo como um judeu trabalhando para Hitler durante a segunda guerra.

Sabe de uma coisa. Essa história é tão incrível que só pode ser verdade. Eu creio nela e eu creio nEle, em Jesus, o Salvador. Eu preciso crer, eu sou tão pecador quanto Mateus e essa gente toda. E você?

Retirado do blog: O Evangelho em 3 minutos.