Mostrando postagens com marcador questões importantes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador questões importantes. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

SANTIDADE SEGUNDO JESUS por Caio Fábio


“Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.” Jesus
(João 17: 17).
Vejamos o que Jesus estava nos ensinando quando relacionou o tema da santidade à Palavra e aquilo que Deus faz a nosso favor.

Para Jesus, a Palavra de Deus era o que poderia nos santificar

E o que é a Palavra de Deus?
Inicialmente devemos dizer que Jesus olhava para as Escrituras como Palavra de Deus (Jo. 5:39). Para Ele a questão nunca esteve entre o que era ou não Palavra de Deus no Velho Testamento, mas, apenas, em como entender, interpretar e aplicar essa Palavra ao contexto da vida humana. Ora, neste sentido Mateus 22: 23-46 é o melhor exemplo disso. Nos três episódios narrados naquele texto, a grande questão não é o que é Palavra de Deus, mas como entendê-la e aplicá-la (Mt. 23:2,3).
Sua mensagem não era nova, mas o aprofundamento da revelação já existente (Mt. 22:34¬40; Lc. 10.25-28).

Isto posto, devemos agora relacionar a Palavra com o fato de Jesus ter dito que deveríamos ser santificados por ela. Ora, nesse caso nossa visão do escopo e da profundidade da santificação muda radicalmente.

Ser santo é buscar ser essencialmente humano, ser parte da história, porém vivendo a presença de Deus no mundo (Lc. 7.39).
Ser santo tem relação com a busca de uma sociedade sem desigualdades e onde os mais fracos jamais sejam despojados (Mt. 23.14).
Ser santo é ser separado, não dos pagãos; como Israel equivocadamente tentou, mas é viver a diferença radical dos valores do Reino em meio às sociedades pagãs (Mt. 5.43-48).
Ser santo é mesmo em dia de sábado, trabalhar a favor da santidade de vida (Lc. 14. 1-6). Ser santo é colocar o valor da vida acima do valor das coisas, mesmo aquelas mais "sagradas" (Mt. 23.23).
Ser santo é entender que o altar diante do qual Deus nos quer ver prostrados não é apenas o altar do templo, mas também os altares ensangüentados dos corpos dos nossos irmãos de história e que estão caídos nas esquinas da vida (Lc. 10.25-37). Ser santo é viver a misericórdia no agitado ambiente secular, ao invés de viver a quietude alienada do ambiente religioso que não tem janelas para a história da dor humana (Mt. 9.9-13). Ser santo é acreditar que a santidade não se polui quando toca com amor, aquilo que é sujo (Mt. 8.1-4; Mc. 7.1-23). Ser santo é não temer ser mal interpretado pela mente daqueles que estão sujos de pretensa santidade. (Mc.7.5;Lc.7.39).
Para Jesus ser santo é ser verdadeiro para com a nossa condição humana: é ter a coragem de chorar em público (Jo. 11.35), de admitir perdas e saudade (Jo. 11.36), de gritar de dor (Mt. 27.50), de confessar depressão (Mt. 26.38), de pedir ajuda emocional (Mc. 27.50), de se confessar cansado (Jo. 4.6), de dizer tenho sede (Jo. 19.28), de confessar dificuldades familiares (Mc. 3.21;Jo. 7.1-9), de admitir que a privacidade é um direito e uma necessidade de sobrevivência (Mc. 6.30-32,45,46).
Ser santo é continuar sendo de Deus mesmo em meio ao mais profundo e inexplicável silêncio divino (Mt. 27.46).
A segunda idéia à qual o tema do Pai Santo e da santidade está relacionada em João 17 é a obra salvífica de Jesus. Isso porque a santificação que o Pai santo pede dos Seus filhos só pode ser vivida em Cristo. É por isso que Jesus, conquanto nos desafie concretamente à vivência da santidade, nos faz provisão espiritual para que tal santificação seja uma possibilidade.

Sem tal provisão espiritual a vida cristã é simplesmente impossível.

Assim a diferença entre legalismo e santidade é que o primeiro é esforço humano e o segundo é obra do Espírito.
Jesus Cristo é a única provisão de Deus para a salvação humana. E salvação e santificação andam extremamente ligadas.
Deus está redimindo hoje o espírito humano de modo forense e judicial, por causa da obra de Jesus na cruz. No entanto, tal salvação também traz consigo o anúncio das boas-novas de um processo redentivo, multidimensional, que Deus continua a realizar, atingindo variados segmentos da nossa própria vida. (Fp. 2.13).

O fato de a salvação precisar ser desenvolvida, não significa que ela tem de ser conquistada. Nós só desenvolvemos aquilo que temos, e nós temos a salvação, definitivamente, pela fé na Graça de Cristo. Tal salvação, precisa apenas expandir-se, corporificar-se e multidimensionar-se na existência humana.

A salvação judicial e forense, por meio da fé em Jesus, deve desembocar num processo de humanização, tendo Jesus como protótipo, conforme diz Romanos 8.29 "Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes a imagem de seu filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos".

Assim é que, metafisicamente, aos olhos de Deus, nós somos uma obra acabada. Sua graça nos fez totais aos Seus olhos, de modo que judicial e forensemente estamos justificados. Mas historicamente falando, porém, veja o que Paulo diz em Filipenses 3.12,13: "Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus". No versículo 16 diz ainda: “Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos”. O versículo 15 ele já havia dito: “Todos, pois que somos perfeitos, tenhamos este sentimento”. Os dois elementos (salvação-forense-judicial versus salvação-histórico-processual) estão presentes nestas citações.

Portanto, tal salvação-santificação tem que se desenvolver aqui, na História.Na maioria das vezes, a santificação tem sido entendida como sendo o “lado humano” da salvação. Ou seja: “Cristo nos salvou e cabe a nós tornarmos-nos dignos da salvação através da santificação”. No entanto, não há santificação possível que prescinda também da graça santificadora de Deus.
De fato, o grande segredo da santificação, como já dissemos, é estar em Cristo e tendo sempre a coragem de verificar se estamos mesmo Nele (II Co. 13.5) Este é o princípio essencial à santificação e às demais virtudes da fé cristã.

Só não concorda com isso as pessoas que não gostam da graça justamente porque a graça não lhes dá controle sobre a situação.

(Do livro - ORAÇÃO PARA VIVER E MORRER, publicado em 1994; e escrito em 92; por Caio Fabio)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Sem simplicidade não há cura e graça

AOS QUERIDOS AMIGOS QUE PASSAM PELO BLOG, QUERO DESTACAR ESTE TEXTO SOBRE A GRAÇA. ELE É SIMPLES-MENTE ESCLARECEDOR... E TERRÍVEL!!! CONFIRAM, LEIAM ATÉ O FIM E COMENTEM!!!

O desespero do homem religioso, especialmente do cristão ou do judeu praticantes, é o mais intenso e forte desespero que o coração humano já experimentou. Isto porque esses dois credos religiosos são aqueles que propõe a salvação humana como obra de justiça própria, especialmente de natureza moral.
É verdade que qualquer cristão doutrinado que leia o que acabei de falar, imediatamente dirá que isto não é verdade quanto ao Cristianismo, e, especialmente, não é verdadeiro em relação ao Protestantismo, em razão de que o arcabouço doutrinário da Reforma postula a salvação pela fé na Graça de Jesus. Todavia, todos sabemos que a doutrina é esta, mas que na pratica isto nunca foi verdade para a "igreja".

Sim, porque prega-se essa salvação pela fé apenas como argumento alentador na chegada do "novo-crente". Porém, no dia seguinte ao da "Decisão de ser Crente", o individuo já começa a ser doutrinado na salvação e na santificação moral e autônoma, realidades essas que cada indivíduo tem que conquistar, a fim de se manter no posto da salvação pela via de sua irrepreensibilidade moral. Assim, inicia-se falando o Evangelho como sedução, e, uma vez feito o prosélito, imediatamente ele é transformado num cristão fariseu.

O que segue são barganhas e mais barganhas com Deus, acrescidas de um estado perene de inquietação, nervosismo e culpa—medo de cair... Ou, então, no caso do indivíduo estar se sentindo "bom" o suficiente para a agradar a Deus pelas suas próprias obras e pela sua própria moral, surge um ser arrogante, nojento e insuportável para a normalidade do convívio humano.

Assim nascem os crentes, tanto os neuróticos pela culpa e pela barganha, quanto também o crente santarado, que é esse ser da "dita-dura"; e que trata com raiva e com inveja aqueles aos quais acusa de serem "pecadores". Sim, porque nesse caso o espírito de juízo e acusação é proporcional à inveja que se tem da liberdade ou do "pecado" do outro.Tenho muita pena de ambos os grupos, mas especialmente dos que ficam neuróticos pelo peso das acusações que vêm dos crentes fariseus.

A leitura de Mateus 23 nos mostra que, para Jesus, esses tais eram seres profundamente danosos quando estabeleciam contato com outros seres humanos, sempre com a vontade obstinada de desconstruir a individualidade do outro, fazendo deste um clone do crente-boneco-fariseu. "Ai de vós..."—foi o que Jesus repetidamente disse a eles, aos fabricantes de "crentes em série".

Minha angústia tem a ver com o estado mental adoecido que esses cristãos-fariseus multiplicam e aprofundam a cada novo "discípulo" que fazem. Toda hora atendo "discípulos" desses "cristãos-fariseus" e, quase sempre, ou os encontro surtados de culpa, medo, débito e pânico de maldição, semi-esquizofrenizados, visto que para se amoldarem à fôrma dentro da qual são postos, a fim de se plastificarem nos moldes "legitimados" pela "religião dos bonequinhos movidos à corda", tais pessoas precisam matar a si mesmas, aceitando como novo "eu" a caricatura humana proposta pela "igreja".

Não há alma humana sensível e sincera que aceite tais coisas e não adoeça seriamente. Ora, faz anos que digo isto, bem como faz muito tempo que atendo pessoas sofrendo dos males de alma produzidos pela religião. No entanto, nos últimos anos, a "porteira da alma" se abriu, e boiada dos angustiados saiu numa corrida atropelada, buscando aos pinotes de angustia um pasto de liberdade.Os vícios mentais incutidos pela religião, todavia, são os mais difíceis de serem removidos e tratados. Isto porque quando você ensina às pessoas acerca da Graça de Deus, a questão que invariavelmente chega, é a mesma: "Mas como pode ser tão simples? Não há mais nada a fazer a não ser confiar que já está pago e viver apenas nesta fé?"—é o que me perguntam.

A pedra de tropeço dos crentes é o Evangelho de Jesus. Sim, são os crentes os que mais dificuldade têm de crer que é apenas crer.

De fato, a maioria sofre da Síndrome de Naamã, o Sírio. Sendo general importante e sofrendo de lepra, foi-lhe recomendado a ir até a presença de Eliseu, o profeta de Samaria. Ao chegar lá, o profeta nem mesmo saiu de casa a fim de atender o general, mas apenas mandou que ele fosse até as águas do Jordão e se lavasse 7 vezes. Naamã não quis ir. Achou simples de-mais. Esperava que Eliseu viesse, lhe prestasse honras, dedicasse a ele um rito, movesse as mãos sobre as feridas dele, e, assim, feitos "os trabalhos", Naamão fosse declarado curado. De fato, tão contrariado ficou o general, que já estava indo embora, quando um de seus servos lhe disse: "Se o profeta tivesse recomendado algo difícil e complicado tu não o farias? Ora, por que não fazes o que ele manda apenas por que é simples?"

O que vejo prevalecer entre os cristãos é que mentalidade do "difícil", a consciência pagã de Naamã, e os mecanismos de cura pagã, sempre carregados de "correntes e campanhas", todas baseadas em barganhas com a divindade, sendo que tal pratica é desavergonhadamente chamada de "sacrifício". Para esses nunca haverá descanso, nem paz e nem a alegria que vem da segurança que se arrima na fé simples. Enquanto os crentes obedecerem a espiritualidade de Naamã, o Evangelho não produzirá nenhum bem em suas almas!

Toda hora me vêm pessoas que me dizem que não entendem como quando passaram a apenas aceitar a simplicidade do Evangelho de Jesus, e crer que está tudo feito e pago, e que a vida com Deus é simples, e que o andar com Jesus é sereno, pois, é fruto da confiança no que Ele já fez por todos nós — tudo começou inexplicavelmente a mudar para o bem em seus corações. Mas alguns estão tão viciados na barganha com Deus e nos muitos e intermináveis sacrifícios de presença a todos os cultos, células, campanhas, atividades, e muita mão de obra dedicada aos líderes da "igreja", que não conseguem nem mesmo crer que o bem que lhes está atingindo é verdadeiro; pois, para tais pessoas, "não é possível que seja só isto".

Todavia, é simples mesmo; e bem-aventurados são aqueles que não tropeçam na Pedra de Tropeço e nem na Rocha de Escândalo, que é Jesus, e nem na total simplicidade de Seu Caminho, que é o único Caminho de Paz para a vida.

Quem não crê, que faça seu próprio caminho pelos infindáveis labirintos da religião...

Eu, todavia, me agrado de todo o coração no que Jesus já fez por mim, perdoando todos os meus pecados, me justificando perante anjos, demônios e homens, dando-me a chance de andar com tranqüilidade e paz entre os homens, com o coração pacificado na confiança no amor de Deus, de cujas mãos ninguém e nem coisa alguma pode me arrebatar.

"Quem crê tem..."— disse Jesus. Sim, quem crê tem tudo. Quem não crê, todavia, pode ter tudo — igreja, moral, credo, dogma, sacrifícios, barganhas, etc...—, porém, não terá nem paz e nem descanso, visto que paz e descanso apenas habitam a fé simples, que não pergunta: "Quem subirá aos céus? (isto é: para trazer Jesus à Terra pela encarnação); e nem tampouco diz: Quem descerá ao inferno? (isto é: para dar uma ajudinha a Jesus na ressurreição dos mortos)."

Sim, a fé conforme o Evangelho sabe que a Graça não está longe; ao contrário: sabe que ela está bem perto, na boca e no coração; pois "se com a boca se confessa a Jesus como Senhor..., e, no coração se crê que Deus o ressuscitou dentre os mortos, se é salvo; pois com o coração se crê para obtenção da justiça justificadora de Deus (pela fé); e, com a boca se faz a confissão em fé acerca da salvação que já é nossa; e já foi consumada e acabada por Jesus em favor de todo aquele que crê com simplicidade e confiança.

Mas como disse, é essa simplicidade do Evangelho que acaba sendo a Pedra de Tropeço dos crentes. E, assim, deixando a Rocha da Salvação, se entregam às infindáveis barganhas patrocinadas pelos Líderes Fariseus, os quais não contentes em se fazerem filhos do inferno (conforme Jesus disse), ainda desejam corromper a alma de muitos, criando seres atormentados pelas chamas das culpas e acusações do inferno, negando a eles a chance de viverem em liberdade no amor de Deus.

Portanto, saibam todos: sem fé simples e pura, posta em Jesus, confiante no Evangelho da Graça, não há nem paz, nem alegria, nem espontaneidade diante de Deus, e, sobretudo, não há saúde de alma para viver a vida como Vida, e não como tormento sem fim.

Ora, quando é assim a religião se torna a ante-sala do inferno!

Nele, em Quem tudo é simples,

Caio
www.caiofabio.com.br

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Resposta Errada - Stephen Swihart

Há muito tempo, em minha primeira tentativa como escritor, produzi doze livretos sobre a fé cristã, que foram publicados seqüencialmente, um por mês.

Certa vez, levei uma pilha desses livretos a um médico cristão, na esperança de que se interessasse em comprar uma dúzia deles para deixá-los no balcão da recepção. Antes de falar com ele, tive que aguardar por algum tempo na sala de espera. Foi uma boa oportunidade para praticar minha apresentação comercial. Ensaiei minha fala até sentir que ele compraria alguns livros.

Finalmente, aquele médico apareceu e sentou-se à minha frente. “Estou pronto”, disse minha consciência confiante e iludida. O médico ouviu minha veemente apresentação.

“Tenho apenas uma pergunta para fazer-lhe”, disse ele. “Por que escreveu este material?”
Essa era fácil, pensei. Se essa fosse sua única preocupação, não haveria problema. Continuei contando-lhe a respeito do meu premente desejo de ver cristãos tornando-se maduros.

Expliquei-lhe como meu material havia sido cuidadosamente planejado para ajudar os crentes a crescerem espiritualmente.

“Essa é a resposta errada”, disse ele sem rodeios ao final de minha defesa. “Não desejo nenhum de seus livretos!”

Fiquei chocado! Ao dizer que eu havia dado a resposta errada, senti como se uma corrente elétrica tivesse percorrido todo meu corpo. “Como poderia minha resposta não estar correta?”, pensei. Com ousada incredulidade, perguntei àquele médico o que ele queria dizer com aquilo e qual resposta deveria ter-lhe dado.

O que ele respondeu, cerca de trinta anos atrás, marcou-me como uma cicatriz adquirida em uma batalha.

“A única coisa que desejava ouvir de você era que Deus lhe estava conduzindo a escrever essa literatura”, disse o médico. “O que você deseja fazer, mesmo que para cristãos, não me interessa. Se, porém, você tivesse respondido que foi Deus quem plantou esse projeto em seu coração, eu teria comprado todos os seus livros.”

Imediatamente, comecei a explicar que essa era uma questão tão básica que sequer precisava ser mencionada. Já estava subentendida.

“Se Deus manda fazer alguma coisa”, continuou ele, interrompendo-me naquele ponto, “isso não deve ser deixado como subentendido, mas deve ser a primeira coisa a ser dita.”

Com essas palavras, aquele médico levantou-se e despediu-me. Voltei para casa como um cachorrinho com o rabo entre as pernas.

Aprendi uma profunda lição com esse médico cristão. Meu serviço a Deus não deve ser motivado pelas necessidades que percebo em outros, nem mesmo pelos desejos de meu próprio coração. Ao contrário, meu servir deve ser em resposta clara à direção do Espírito Santo. Serviço do nosso próprio jeito, ainda que para o Senhor, não é aceitável. Aquilo que faço para ele deve ser, antes de tudo, a resposta ao seu próprio mover em meu coração.

Deus não está à procura de voluntários que trabalhem para ele, ainda que isso lhes satisfaça o coração. Ao contrário, ele busca pessoas submissas para servir-lhe de maneira a satisfazer o seu coração!

Extraído de “Histórias que Abrem a Janela Mais Ampla de Deus”, DeVern Fromke, Edições Tesouro Aberto.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

John Wesley e a Questão de Títulos

John Wesley era conhecido por seu temperamento equilibrado e disposição calma. Havia, porém, algumas coisas que conseguiam “tirá-lo do sério”.

Uma das ocasiões em que Wesley perdeu a calma foi quando surgiu um incidente envolvendo os dois homens de confiança que estavam à frente do trabalho missionário na recém-nascida república dos Estados Unidos da América, Francis Asbury e Thomas Coke.

Em 1784, Wesley havia autorizado a organização das sociedades metodistas na América como uma igreja independente da Igreja Anglicana (embora esse nunca fosse o seu desejo) e a ordenação de Asbury e Coke como superintendentes para servir às igrejas naquele continente. Ao invés de usar o termo indicado por Wesley, eles passaram a adotar o título de bispo.

Em 1788, Wesley escreveu uma carta indignada para Francis Asbury, que seria a última comunicação entre os dois:
... Mas em um ponto, meu querido irmão, estou um pouco receoso de que tanto o Doutor [Thomas Coke] quanto você difiram de mim. Eu me esforço para ser pequeno – vocês para serem grandes. Eu me arrasto no chão – vocês se empertigam. Eu fundo uma escola – vocês uma faculdade! Sim, e ainda colocam nela seus próprios nomes [Cokesbury College, derivado de Coke e Asbury]. Oh, tomem cuidado! Não procurem se tornar grandes! Que eu seja nada e Cristo seja tudo em todos!

Um exemplo disso, dessa sua grandeza, tem-me causado grande preocupação. Como você pode, como você ousa permitir que seja chamado Bispo? Eu estremeço, tenho arrepios só de pensar em tal coisa! Que os homens me chamem de patife, de tolo, de canalha, e ficarei contente; mas jamais, por meu consentimento, me chamarão de Bispo! Por amor a mim, por amor a Deus, por amor a Cristo, coloque um fim nessa história. [...]

Dessa forma, meu querido Franky, tenho dito tudo que está no meu coração. E que estas palavras, quando eu não mais estiver aqui, possam dar testemunho da sinceridade com que sou...

Seu afetuoso amigo e irmão,

John Wesley

A carta não mudou o ponto de vista dos líderes metodistas na América nem a prática usada até hoje na igreja fundada por John Wesley.

A coleção de cartas de John Wesley pode ser acessada em inglês no site: http://wesley.nnu.edu/john_wesley/letters/1788b.htm

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

O Sacerdócio Dos Crentes Na História por Christopher Walker

A questão dos limites que se deve colocar à obediência aos superiores dentro da igreja não é uma dificuldade apenas dos nossos tempos atuais. Tampouco é um problema enfrentado apenas por líderes ou teólogos evangélicos. Veja a seguir uma pequena amostragem dos desafios no passado:

São Tomás de Aquino, (1225–1274), teólogo católico:

A Igreja ensina que a obediência faz parte da justiça, uma das quatro virtudes cardinais, as quais, por sua vez, estão subordinadas às virtudes teológicas de fé, esperança e amor. Fé é superior à obediência! Portanto, se a obediência prejudicar a fé, o cristão tem o dever de não obedecer ao seu superior.

Algumas vezes, as coisas que são ordenadas por um superior são contrárias a Deus; daí que os superiores não devem ser obedecidos em todas as coisas. (Summa Teológica II – IIQ.104).

“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos anunciamos, seja anátema” (Gl 1.8).

Muitos cristãos acham que obediência é absoluta, e que só possui um oposto, a desobediência. Estão enganados. A verdadeira obediência tem dois opostos: erro por deficiência, que é desobediência; e erro por excesso, que é obediência falsa ou obediência cega.

Martinho Lutero (1483-1546) reformador protestante

Um dos pilares da reforma de Lutero é a doutrina conhecida como “sacerdócio de todos os crentes”. Baseando-se em 1 Pedro 2.9, e contrapondo-se ao sistema clerical e hierárquico da Igreja Católica, Lutero defendia a liberdade de todos os cristãos exercerem o sacerdócio, ou seja, de estarem diante do trono de Deus, pelo sangue de Jesus, sem necessidade de mediadores.

Pelo batismo, ele ensinou, os cristãos se tornam povo de Deus, irmãos de Cristo, consagrados junto com ele como sacerdotes. Usando João 10, mostrava que as ovelhas conhecem a voz do Bom Pastor e não seguem o estranho. Dessa forma, os membros leigos da igreja tinham o direito de julgar doutrina, pois “as ovelhas terão de discernir se estão ouvindo a voz de Cristo ou uma voz estranha”. Isso não era apenas um privilégio da congregação, mas um dever solene.

Lutero chegou a afirmar que os cristãos não só eram todos sacerdotes, mas ministros da Palavra, com o sagrado dever de ensiná-la. Abolindo, assim, praticamente toda distinção entre clérigo e leigo na igreja, ele realmente tentou implantar essa doutrina na prática.

Existe, porém, uma grande distância entre revelação e prática. Uma sucessão de crises mostrou que o modelo de pura igualdade de todos os crentes diante de Deus, como sacerdotes que ouviam plenamente a voz do Mestre, não funcionava. Houve revolta dos camponeses, anarquia, o surgimento dos chamados entusiastas ou fanáticos e a falta de sustento para aqueles que se dedicavam ao ministério pastoral.

Como freqüentemente acontece, foi preciso adaptar a doutrina à prática. Ao analisar as mensagens e escritos de Lutero, percebe-se que, com o passar dos anos, ele foi mudando seus conceitos e aumentando a distinção entre sacerdócio e ministério. Em 1523, ele havia afirmado que todos os cristãos eram tanto sacerdotes como ministros. Já em 1535, pregou que “embora todos sejamos sacerdotes, nem todos podem ensinar, pregar ou governar na igreja”.

A forma de tornar-se ministro também foi mudando. No início, o chamado ao ministério só precisava ser reconhecido pela própria congregação. A importância do chamado de Deus nunca diminuiu para ele, pois era nisso que via a diferença entre um pastor e um leigo. Porém, o reconhecimento do chamado era visto como sendo “por meio de homens, mas não de homens”. Precisava realmente ser um chamado de Deus, mas o instrumento humano para confirmar ou manifestar o chamado poderia incluir autoridades eclesiásticas e até civis.

Assim, pouco a pouco, o sacerdócio de todos os crentes foi sendo transformado na prática em mais uma estrutura com aquela enorme lacuna entre ministério e povo. Lutero, porém, não se sentiu satisfeito com esta situação até o final de sua vida. A Reforma havia mostrado o sacerdócio universal dos crentes, mas não conseguira colocá-la em prática.

Nossa situação hoje não é muito diferente. Vemos o ideal, o propósito de Deus, aquilo que foi conquistado e disponibilizado pela Nova Aliança (veja Hebreus 8-10). Procuramos colocá-lo em prática com diferentes modelos e ênfases, mas ainda não temos a solução final. E, muitas vezes, acabamos adaptando a doutrina à nossa prática limitada e incompleta.

Não devemos nos acomodar, contudo, nem nos desanimar. “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Os 6.3), até que “todos conheçam o Senhor, desde o menor até o maior” (Jr 31.34).

Retirado do site da Revista Impacto: http://www.revistaimpacto.com.br/

terça-feira, 1 de março de 2011

Igual a todos os homens

"Eu te agradeço Senhor porque não sou como os demais homens, gays, prostitutas, ladrões, pedófilos, espíritas, e de qualquer outra religião que não a minha. Porque dou dízimo de tudo qto ganho, faço minhas orações, participo de atividades religiosas e vou a reunião da igreja sempre. Amém." Fariseu, em frente à praça central da cidade.

Sempre me achei superior aos católicos, pessoas dos quais eu tinha pena porque eram idólatras, porque cultuavam a Maria e aos santos de barro. Também me achava muito melhor que os espíritas porque eles não adoravam a Deus, era ao "outro". Também me achava melhor que os das religiões orientais pelo mesmo motivo.

Também melhor que os meus amigos não evangélicos, pois eles eram do MUNDO, ÍMPIOS, CRIATURAS DE DEUS (não Filhos de Deus como eu).

Por outro lado também, a minha igreja era melhor, pois era a maior da cidade e eu sentia orgulho em dizer que eu era daquela igreja.

Não ouvia música do mundo, e nunca bebi nem fumei. Enfim... um santarrão. Os que fumavam, bebiam, e oravam menos que eu, quando chegavam perto de mim já iam se sentindo acusados pelos seus pecados...

Não por causa do Espírito Santo, mas por causa da minha imagem santa e religiosa.

Bem... enfim, eu não era "como aqueles homens..."

Hoje, depois de entender um pouco a graça de Deus, seu amor e misericórdia por mim, e me fazer passar durante uns bons tempos no deserto, me fazendo descobrir quem eu sou, vejo as coisas muito diferentes.

Sei que não sou um santo que às vezes peca, sou um pecador... e por isso peco. Sou filho da perdição como todos os outros homens.

Sempre procurei me purificar para Deus, ser santo, mas tudo isso só me levou para uma perdição maior ainda, que é o orgulho e prepotência. Me tornei acusador dos irmãos que pecavam e administrador da salvação, definindo quais as pessoas que eram realmente salvas e quem não era. Por exemplo: "Aquele cara que fuma não deve ter se convertido ainda". " Nem aquela menina que usa aqueles tipos de roupas". "Aquele cara é um bom rapaz, só falta se converter".

Colocava peso nos que não conseguiam se manter "limpos" como eu, e quando algum deles transava com a namorada, bebia, fumava, ia num baile, encontrava em mim o santarrão para lhes indicar o caminho do purgatório.

As coisas que para mim nunca foram problema, não me atraía, eu julgava os outros. Pura hipocrisia.
A hipocrisia sempre foi minha praia, eu não ouvia músicas do mundo, só música evangélica, mas assistia filmes do mundo e não só filmes evangélicos; lia livros do mundo e não só livros evangélicos; lia poemas e literatura do mundo e não só poemas e literatura evangélica.
Ora... na verdade eu tinha santificado a música, de forma que um músico não poderia tocar na igreja e no "mundo".
E é claro que os pecados morais, principalmente sexo, era pecado capital. Na verdade, nem precisava ter caído no pecado, bastava alguma irmãzinha do grupo de guerra espiritual da igreja ver uma pomba gira perto da pessoa, que a integridade da pessoa ficava em jogo.

Quando comecei a entender que sou pecador e que Deus não espera nada de bom de mim, e que Jesus já foi morto antes da fundação do mundo por minha causa, resolvi depor as armas e confiar na sua graça.
Eu não consigo viver nada do que Deus propôs para o homem justo. Nem que eu queira demais não consigo cumprir os seus mandamentos. Sou totalmente incompetente na minha luta por santidade e contra o pecado em minha vida.

Mas quando entendi que realmente era isso que Deus esperava de mim, tudo mudou.

"Porque aprouve a Deus encerrar a todos debaixo do pecado para usar de misericórdia para com todos".

Porque eu não conseguia fazer, Jesus fez por mim. Jesus é o sacrifício perfeito. Ele cumpruiu a lei por mim para que eu não precisasse viver por ela, até porque Paulo afirma que ninguém pode ser justificado pela lei.
Issso na minha vida prática me libertou de ter que fazer para ser alguém, para ser salvo, para ser santo.
Eu sei quem eu sou: Sou como todos os demais homens. Somos todos carentes da bondade de Deus. E em nós mesmos somos deploráveis, nojentos, estrumes. O que nos diferencia um dos outros é o mesmo da diferença da bosta da vaca e do bode, sendo que os dois comem o mesmo capim verde, só que uma é enorme e a outra sai como granulados de ração animal. Uma irmã já desvendou a diferença para mim, ela disse: Eu sei a diferença que há entre as pessoas. Embora todos são bostas, alguns são por kilo e outros são por peça.

É só essa dúvida que eu tenho sobre mim mesmo, o resto é tudo certeza.

Por isso, não há nada neste mundo que possa me separar do amor de Deus.

Nada que eu possa fazer ou não fazer. Nunca me tornarei melhor ou pior para Deus. Sou um pecador necessitado de Jesus.

Jesus me libertou e me fez entender a bondade Dele, isto é a Graça, essa disposição de amar o deplorável e se entregar por ele.

Estou verdadeiramente livre... pois sou igual a todos os homens do mundo... amados por Jesus!!!

03/11/2007

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Nunca Aceite Qualquer Glória - A. W. Tozer

Deus é zeloso de sua glória e não a dará a ninguém. Ele não irá nem mesmo compartilhar sua glória com quem quer que seja. É muito natural, diria eu, que as pessoas esperem que seu serviço cristão talvez lhes dê uma oportunidade de demonstrar seus talentos. Verdadeiramente querem servir ao Senhor, mas também querem que os demais saibam o quanto e a que custo estão servindo ao Senhor. Elas querem ter reputação entre os santos.
Este é um terreno muito perigoso: buscar reputação entre os santos. Já é ruim o bastante procurar reputação no mundo, mas é pior procurar reputação entre o povo de Deus. Nosso Senhor desistiu de sua reputação, e nós devemos fazer o mesmo.

Meister Eckhart, certa ocasião, pregou um sermão sobre a purificação que Cristo fez no templo. Disse ele: “Ora, nada havia de errado com aqueles homens que vendiam e compravam ali. Nada havia de errado em trocar dinheiro ali; aquilo tinha de ser feito. O pecado deles se resumia no fato de fazerem isso para ter lucro. Eles ganhavam certa porcentagem ao servirem ao Senhor”. E então Eckhart fez a aplicação: “Quem quer que sirva por uma comissão, por um pouquinho de glória que possa tirar desse serviço, é um comerciante e deve ser expulso do templo”.

Concordo plenamente com isso. Se você está servindo ao Senhor e, quase sem perceber – talvez inconscientemente mesmo –, espera obter uma pequena comissão de cinco por cento, cuidado! Isso irá espantar o poder de Deus de seu espírito. Você precisa determinar que nunca irá aceitar qualquer glória, mas cuidar para que seja entregue integralmente a Deus.

Do livro "Cinco Votos para Obter Poder Espiritual", de A. W. Tozer, publicado pela Editora dos Clássicos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Adolescentes traduzindo a Bíblia para o mundo

David Botelho, o líder da Horizontes, instituição conhecida por ações ousadas e radicais em favor da evangelização mundial (a revista e site Impacto e o site do Jornal Hoje publicarão em breve o perfil e testemunho da missão), conta que em suas viagens percebia a necessidade de traduções das Escrituras, mas não achava ajudador idôneo para esta obra. Até que seus olhos pousaram sobre os adolescentes, especialmente os brasileiros.
"Fiz pesquisa e estudos – publicados no livro Revolution Teen - Adolescentes com propósitos, da Editora Horizontes – e descobri, por exemplo, que até os 25 anos de idade, a pessoa absorve 30% a mais no aprendizado de uma língua", informa. "Outra coisa que descobri – também provada cientificamente - é que quanto mais cedo se aprende uma língua, mais a massa cinzenta do cérebro cresce".
David concluiu que os adolescentes e jovens brasileiros possuem as melhores condições para servir a Deus neste quesito. Ele está convicto de que Deus está levantando, a partir do Brasil, uma nova geração de missionários. "Uma geração mais bem preparada para aprendizado de línguas e com um desejo de ver a Palavra de Deus acessível a povos que, por séculos, foram esquecidos, até mesmo negligenciados, pela igreja".
"Estamos vendo um avivamento teen no Brasil", afirma David Botelho. "É um avivamento silencioso (e justo em garotos barulhentos, tachados de aborrecentes por muitos adultos insensíveis). E estes meninos e meninas estão causando um impacto em pais, pastores e professores. Estes jovens estão com uma sede tão grande de Deus que querem algo mais, e por isso não têm medo de encarar desafios". O senso de responsabilidade destes teens tem surpreendido a muitos.
O papel da geração ‘antiga’, por assim dizer, nesta visão, será também importante, lembra David. "A geração dos pais enviará famílias missionárias para todo o mundo, anunciará a salvação já conquistada por Cristo e ainda ajudará a preservar a cultura em muitos lugares do mundo".
"Muitos antropólogos ateus dizem que os missionários estão acabando com a cultura, mas a realidade é que quando você coloca a língua escrita em uma cultura ágrafa, você está é preservando a cultura daquele povo".
De 9 a 11 de dezembro de 2005, em uma reunião em Orlando, nos EUA, os líderes cristãos participantes chegaram à conclusão de que o maior potencial para evangelização mundial está entre os adolescentes. "E fico admirado que Deus esteja fazendo isto a partir do Brasil. E já temos visto e recebido adolescentes da Bolívia, e devem chegar da Colômbia, Alemanha e alguns países da África interessados nesta visão".

Luiz Montanini faz parte do Conselho Editorial da revista Impacto. É jornalista, editor do site www.jornalhoje.com.br e reside em Valinhos, SP.
Interessados em saber mais sobre o projeto, visitem o site www.horizontes.org.br , e-mail: teen@mhorizontes.org.br ou ligue fone 35 3438 1546

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Cargo ou Função? por Pedro Arruda

Qual é mais adequado à Igreja?

Através de um organograma, pode-se observar a distribuição dos órgãos de uma organização, verificando-se inclusive a hierarquia entre eles. Semelhantemente, também é possível observar os principais cargos que ela contém. O cargo é um posto inerente à organização, impessoal, e pode existir por tempo indefinido, mesmo sem ser ocupado por um profissional. O cargo poderá ser atribuído até mesmo a profissionais que já se desligaram da organização, a título honorífico, sem jamais comprometer a produção dela, como ocorre com muitos aposentados ou jubilados, que conservam suas patentes e títulos.
Parte do conteúdo de um cargo são as funções previstas a serem executadas pelo profissional que o ocupe. Estas dizem respeito à pessoa, uma vez que seu serviço é indispensável ao funcionamento, bem como à eficiência e à qualidade. A função não pode ficar vaga, pois se não houver quem a execute, não haverá produção; a qualificação do profissional determinará a qualidade do produto, e da sua eficiência dependerá a quantidade da produção.

Cargos na Igreja

A importância dos cargos na igreja é proporcional à sua organização, sendo que com as funções ocorre o inverso. Os cargos ganharam tal relevância que em muitos casos ultrapassaram a própria esfera eclesiástica e atingiram um status social, equiparado aos cargos de outros meios. É conhecida a clássica saudação dos discursos referindo-se às “autoridades, civis, militares e eclesiásticas” e a lista de pronomes de tratamento, próprios para a distinção dessas autoridades eclesiásticas e para a hierarquia que ocupam na igreja organizada.
A evidência da extrapolação em busca de um status social mais amplo se percebe quando as pessoas investidas desses cargos buscam uma projeção na área político-partidária, percorrendo caminhos semelhantes a outros dirigentes classistas que fizeram do meio de origem um trampolim para a pretendida projeção. Como em toda organização, a igreja é detentora dos cargos, os quais, sempre é bom lembrar, não são indispensáveis.
Outra consideração que não podemos omitir é a discutível competência organizacional da igreja, pois não obstante estar provida de uma série de cargos, ela tem-se caracterizado por sobrecarregar alguns enquanto forma um exército de desocupados em relação às tarefas que lhe são inerentes.

Funções na Igreja

O contraponto de Organização é o Organismo, que não diz respeito a cargos, mas a funções, que estão perfeitamente adequadas a termos como corpo, vida e funcionamento, aplicados perfeitamente à igreja, na sua essência. Os membros de um corpo não têm cargos, mas sim funções. Função diz respeito ao funcionamento, e ai de nós quando um dos membros ou órgãos deixa de funcionar. Cada um deles executa diferentes funções, todas necessárias, mas alguns desempenham funções vitais, sem as quais é impossível a vida. O funcionamento de cada um se traduz no serviço por ele prestado ao corpo. Quando algum deles deixa de prestar seu serviço ou o faz com qualidade precária, todo o corpo ressente-se dessa falta.
Seguindo esse mesmo raciocínio, assim também deve ser a igreja, na qual ninguém deveria se preocupar com cargos, e sim com a função, que se traduz em servir, como disse Jesus: “Quem quiser ser o maior, seja o que sirva” (Lc 22.25-26). Em outras palavras, Jesus disse que são os governos do mundo, em todas as esferas, sejam estatais, empresariais, sindicais ou militares, que se preocupam com cargos e hierarquia. Ao contrário do cargo, o simples exercício de uma função não proporciona projeção além da sua esfera de atuação.
Num corpo sadio, a subordinação de todos os membros é absoluta ao comando da cabeça, e, ao mesmo tempo, a importância de cada um é totalmente relativa às situações com que se depara. Se o momento é de saciar a fome, os movimentos executados pelos membros são para servir a boca. Se uma determinada ocorrência exige uma atenção absoluta, todos os demais membros se aquietam, canalizando a concentração aos olhos e ouvidos. Se for necessária uma fuga imediata, todas as energias serão destinadas aos membros inferiores para liderar a ação. De acordo com a situação, os demais membros se sujeitam à liderança daquele que for especialista na questão. Essa flexibilidade é impraticável à organização, por prever uma rigidez de comando através dos diferentes níveis hierárquicos representados pelos respectivos cargos.

Podemos concluir, então, que a igreja é um organismo vivo e ativo à medida que seus membros valorizam o desempenho de funções e desprezam a obstinação por cargos.


Retirado do site www.revistaimpacto.com.br

Fragmentos


Os dogmas assustam como trovões e que medo de errar a seqüência dos ritos!

Em compensação, Deus é mais simples do que as religiões.

[Mário Quintana]

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

A Parábola da Mente Estreita por Autor Desconhecido

Certo dia, ao atravessar um bosque, vi um homem com uma corda no pescoço para se enforcar. Corri, então, em sua direção, e disse-lhe: “Pare! Não faça isso!”
“E por que eu não deveria?”, perguntou ele.
Eu disse: “Bem, há tanto pelo que se viver!”.
Ele disse: “Como o quê?”
Eu disse: “Bem, você é religioso ou ateu?”
Ele disse: “Religioso”.
Eu disse: “Eu também. Você é católico ou protestante?”
Ele disse: “Protestante”.
Eu disse: “Eu também! Você é episcopal ou batista?”
Ele disse: “Batista”.
Eu disse: “Puxa! Eu também! Você é da Igreja Batista de Deus ou da Igreja Batista do Senhor?”
Ele disse: “Igreja Batista de Deus”.
Eu disse: “Eu também! Você é da Igreja Batista de Deus Original ou da Igreja Batista de Deus Reformada?”
Ele disse: “Igreja Batista de Deus Reformada”.
Eu disse: “Eu também! Você é da Igreja Batista de Deus Reformada em 1879 ou da Igreja Batista de Deus Reformada em 1915?”
Ele disse: “Igreja Batista de Deus Reformada em 1915!”
Eu disse: “Então morra, seu herege!”, e, com imenso desgosto, puxei a corda.

Texto extraído de “Histórias que Abrem a Janela Mais Ampla de Deus”, DeVern Fromke, Edições Tesouro Aberto

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Igreja Lions Clube x Igreja Alcoólicos Anônimos

Programa dos 12 passos do Alcoólicos Anônimos

01. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
02. Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.
03. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.
04. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
05. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
06. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
07. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.
08. Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
09. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.
10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.
12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a esses Passos, procuramos transmitir essa mensagem aos alcoólicos e praticar esses princípios em todas as nossas atividades.


Fonte: http://www.alcoolicosanonimos.org.br/

Código de ética do Lions Clube

01. DEMONSTRAR fé nos méritos da minha profissão esforçando-me para conseguir honrosa reputação mercê da excelência dos meus serviços.
02. LUTAR pelo êxito e pleitear toda remuneração ou lucro que, eqüitativa e justamente mereça, recusando, porém, aqueles que possam acarretar diminuição de minha dignidade, devido à vantagem injusta ou ação duvidosa.
03. LEMBRAR que, para ser bem sucedido nos negócios ou empreendimentos, não é necessário destruir os dos outros. Ser leal com os clientes e sincero consigo mesmo.
04. DECIDIR contra mim mesmo no caso de dúvida quanto ao direito e a ética de meus atos perante meu próximo.
05. PRATICAR a amizade como um fim e não como um meio. Sustentar que a verdadeira amizade não é o resultado de favores mutuamente prestados, dado que não requer retribuição, pois recebe benefícios com o mesmo espírito desinteressado com que os dá.
06. TER sempre presente meus deveres de cidadão para com a minha localidade, meu Estado e meu País, sendo-lhes constantemente leal em pensamento, palavras e obras, dedicando-lhes, desinteressadamente, meu tempo, meu trabalho e meus recursos.
07. AJUDAR ao próximo, consolando o aflito, fortalecendo o débil e socorrendo o necessitado.
08. SER comedido na crítica e generoso no elogio, construir e não destruir.

Fonte: http://www.lions.org.br/nacional/eticas.html

Com que objetivo postei os dois textos acima? Pelo seguinte: com qual a igreja que congregamos mais se parece?

Se for com a Igreja "Alcoólicos anônimos":
1- Todos estão bem conscientes de estão ali por que não são boas pessoas;
2- Estão ali para conseguir ajuda;
3- Todos estão conscientes de podem falhar, e ninguém critica quando isto acontece; antes os ajudam e ficam muito felizes quando o "caído" volta;
4- Não importa a classe social; todos estão ali pelo mesmo motivo;
5- Praticam a humildade, o perdão e o arrependimento - diariamente.
6- Recebem muito bem a todos os que chegam, pois são tão iguais em fraquezas quanto os que já estão lá.

Se for com a Igreja "Lions Clube":
1- Todos ali devem ser bons o suficiente, tão bons que podem ajudar os outros;
2- Devem mostrar a todos o quão bons eles são;
3- Seguir a risca as regras, e fazer boas obras, mesmo que elas sejam feitas por exibicionismo e para criar uma imagem respeitável perante à sociedade;
4- Fazer parte de um grupo restrito, que não aceita ninguém que não seja de boa índole e que não possa vir a acrescentar ao grupo;
5- Os outros é que são fracos e necessitados;
6- Se não seguir as normas, é separado do grupo.

Em qual destas igrejas o evangelho tem dado resultado na vida das pessoas? Qual destas igrejas entendeu o propósito das boas-novas?

Soli Deo Gloria

Leandro Teixeira.
Retirado do blog Liberdade de Pensar.

domingo, 21 de outubro de 2007

Cristão Bonzinho – Nunca Mais! por Camerin Courtney

Paul Coughlin, autor, âncora cristão de um programa de rádio de entrevistas, casado e pai de três filhos, descreve a si mesmo como um “ex-cristão bonzinho”. Criado num lar abusivo, que lhe deu uma imagem deturpada de um Jesus fraco e sem fibra, Paul, 39, fez uma avaliação de sua vida há seis anos e percebeu que era um homem frustrado. “Quando eu trouxe a passividade gerada pelo medo na minha juventude para o meu casamento, junto com o falso ideal do Meigo Jesus, deu curto-circuito”, explica Paul. “Sustentar a minha família era difícil porque eu não era páreo para os companheiros de trabalho e os chefes que sabiam que podiam facilmente me dominar. Meu temor era transmitir esse vazio emocional para os meus filhos.”

Depois de constatar que esse fator de passividade estava emperrando inúmeras outras famílias, Paul iniciou uma ação que chama de “Revolução do Sr.Bonzinho Nunca Mais”, que é uma guerra contra a vida apática, usando ferramentas no seu website
www.ChristianNiceGuy.com e o livro que escreveu No More Christian Nice Guy (Cristão Bonzinho Nunca Mais).

A seguir, uma entrevista com Paul Coughlin:


Então, o que há de errado em ser um sujeito bonzinho?

Se bonzinho significa ser gentil e paciente, então não há nada de errado. Esses atributos são frutos do Espírito. Mas, geralmente, quando alguém é descrito como um “sujeito bonzinho”, ele não é bem o que parece. Homens bonzinhos normalmente são passivos; escondem-se por trás de sua “bondade”. Pensam assim: Se eu me encolher bastante, minhas dificuldades serão menores. São do tipo “Maria-vai-com-as-outras” – não porque sempre concordem, mas porque temem os conflitos.

Mas como seguidores de Cristo devemos ser sinceros uns com os outros. Devemos ser sal e luz para aqueles que não conhecem Jesus (Mt 5.13-16). É difícil ser sal e luz quando achamos que precisamos ser agradáveis o tempo todo.

Se ser bonzinho é ruim, qual a alternativa melhor?

Ser um sujeito autêntico. Um sujeito autêntico é alguém disposto a enfrentar conflito a fim de ser uma força redentora para o bem. Ele tem força de vontade. Às vezes, arrisca. Ele protege aqueles que estão sob seu cuidado. Ele toma posição clara a fim de confrontar a injustiça. Enquanto o sujeito bonzinho é desprovido de emoção, o sujeito autêntico é um apaixonado pela vida. O seu modo de vida se parece muito mais com a “vida abundante” de que Jesus fala em João 10.10.

De onde veio esse fenômeno do Cristão Bonzinho?

Em grande parte da imagem distorcida que temos de Jesus. Ao contrário da ficção comum que muitas igrejas promovem do “Jesus gentil, manso e suave”, nosso Senhor tinha qualidades impressionantes tanto de compaixão como de determinação. Para pegar alguns exemplos só do evangelho de Marcos, podemos ver Jesus confrontando pessoas, curando pessoas, gritando e falando duro com elas. Temos a noção de que Jesus era infinitamente paciente, contudo ele se voltou para os seus discípulos, claramente exasperado, e disse: “Ó geração incrédula e perversa... até quando vos sofrerei?” (Mt 17.17).

Ver como Jesus se comportava – perceber que era mais apaixonado, mais determinado, com mais força de vontade do que aqueles que estavam ao seu redor – deve encorajar os seus seguidores a se despertarem de sua passividade.

Quando você percebeu que era por demais passivo?

Não foi uma experiência única e, sim, uma série de acontecimentos que me deram a pista. Um foi quando estudava o Evangelho de Marcos e percebi que a par dos seus maravilhosos atos de amor, Jesus também tomava umas atitudes realmente confrontadoras. Compreendi que se eu queria ser como Jesus, precisava me conformar ao verdadeiro Jesus.

Também observei os meus amigos homens que pareciam ser mais honestos com as suas emoções. Eram capazes de chorar, enquanto eu simplesmente não conseguia. Não demonstrei emoção nem quando nasceram os meus filhos. Um dos versículos mais curtos da Bíblia é também um dos mais profundos: “Jesus chorou” (Jo 11.35). Como seguidores de Cristo, deveríamos ser as pessoas mais vivas (sensíveis e vibrantes) do mundo. Mas eu não era, e sabia muito bem disso. Pior ainda, receava estar instilando nas minhas crianças essa mesma falta de emoção.

Procurei uma conselheira para me ajudar a lidar com o abuso físico e emocional que sofri da minha mãe, e que me afetou profundamente no meu desejo de viver encolhido, sem ser notado. É comum para o Sujeito Bonzinho ter algum tipo de disfunção que vem da criação e que estimula a passividade. Minha conselheira me ajudou a ver o que o medo e a passividade estavam fazendo com a minha vida emocional, e a enfrentar a minha ansiedade.

De que forma a sua passividade afetou o seu casamento?

Minha esposa, Sandy, expressava profunda afeição por mim, e eu pensava: Ó, isso é ótimo; ao mesmo tempo, as emoções profundas me assustavam. Às vezes, eu tentava mostrar timidamente meu afeto ou meus desejos, mas o fato de ela não perceber as minhas deixas me deixava zangado ou amuado. Eu não sentia segurança para ser honesto com os meus desejos e desapontamentos. Como resultado, minha esposa vivia pisando em ovos.

Deliberadamente, eu evitava contato social porque um contexto de grupo me dava desconforto. Com o tempo, isso frustrava a minha esposa. Sujeitos bonzinhos geralmente se casam com mulheres comunicativas, vivazes. Minha esposa, Sandy, tinha plenas condições de dar um curso em afirmação e determinação. Embora inicialmente ela tivesse gostado do meu jeito engraçado e tranqüilo, depois de três meses de casamento, as nossas qualidades opostas criaram grandes problemas. Isso acontece muito com os Sujeitos Bonzinhos.

De que maneira a sua passividade afetou a sua vida espiritual?

Eu pensava que Deus estava sempre prestes a me castigar. Como muitos Cristãos Bonzinhos, eu pensava que podia conquistá-lo com “bom” comportamento. Eu sabia a respeito do amor e da graça de Deus, mas o temor não me permitia experimentá-los plenamente.

A passividade também me levou a alguns pecados específicos, tais como meias-verdades, manipulação, ressentimento e amargura. Cristãos Bonzinhos enfrentam mais problemas com amargura e ressentimento porque costumam deixar que os outros pisem neles.

Como deve agir uma mulher que é casada com um Sujeito Bonzinho?

Deve dizer para ele como se sente quando a passividade dele a afeta. Por exemplo, quando um profissional cobra um preço excessivo para fazer um serviço em sua casa e o seu marido não quer pegar o telefone e confrontá-lo, você provavelmente não se sente protegida e segura. Seja honesta a respeito disso. Mas durante o processo, evite envergonhar o seu marido ou diminuí-lo. Isso o afundará mais ainda.

Tente ajudá-lo a ver o que o medo está fazendo na vida dele, e encoraje-o a buscar ajuda de um conselheiro, se necessário. Uma vez que o medo esteja fora do controle de sua vida, o seu marido se tornará uma nova pessoa. A sua personalidade verdadeira finalmente virá à tona.

Quem sabe, pode sugerir que estudem juntos o Evangelho de Marcos ou a vida de Jesus, tomando o cuidado especial de observar todos os atributos de Jesus. Isto vai ajudar vocês dois a se tornarem mais semelhantes a ele.

O que mudou na sua vida agora que se tornou um Sujeito Autêntico?

Eu sou mais proativo, tenho mais iniciativa própria. Não estou mais tão propenso a ser engolido pela agenda de outras pessoas como antes. Agora eu sigo a direção de Deus para a minha vida ao invés de me preocupar em agradar aos outros.

Sou mais protetor, também. Recentemente um garoto ficou amolando minha filha enquanto voltava da escola para casa. Então fui ao encontro deles no dia seguinte, pus o meu braço nos ombros dele, e disse-lhe: “Oi, sou o pai da Abby. Prazer em conhecê-lo. Agora preste atenção. Minha filha diz que você andou perturbando-a. Quando você perturba a Abby, está perturbando a mim. Por isso eu quero que você pare com isso. A partir de agora”. Ele deixou minha filha em paz depois daquele dia. Eu jamais teria sonhado em fazer uma coisa dessas anteriormente. Agora meus filhos estão mais seguros.

Minha esposa sabe que agora está convivendo com um líder imperfeito, mas que não precisa mais me tratar com luvas de pelica todo o tempo. Ela sabe que não vou mais ser tão frágil como antes. Ela está mais feliz e à vontade.

Jesus demonstrou amor quando convidou as crianças para estarem com ele – mas também quando expulsou os cambistas do templo. Já que Jesus deu o modelo para os dois tipos de amor – terno e duro – isso me dá, como homem e como seguidor de Cristo, a liberdade de fazer o mesmo.

Como podem os pais evitar que seus filhos se tornem Sujeitos Bonzinhos?

Meninos passivos temem tomar suas próprias posições ou discordar dos seus pares. Por isso, uma das melhores coisas que um pai ou uma mãe pode fazer é permitir que o seu filho tenha opinião – mesmo que seja errada a princípio. Não estou dizendo para deixar sem correção as idéias más ou pecaminosas. Mas faça isso de tal maneira que o seu filho saiba que ter uma opinião não é mau. Se não lhe for permitido expressar as suas opiniões quando é jovem, suas chances de afirmá-las quando for mais velho serão menores ainda.

Sem envergonhar ou diminuir o seu filho, mostre-lhe como as suas atitudes e seus comportamentos passivos estão afetando a vida dele. Ajude-o a se entender com os seus temores, o motivador que causa a passividade. Trate com um medo específico e, então, duas semanas mais tarde, fale sobre o fato de que esse medo não chegou a se concretizar. Mostre também que se aquilo que temia viesse a acontecer, não seria o fim do mundo. Fale a respeito de como pode lidar com a situação.

Existe uma mulher cristã passiva?

Sim. Infelizmente o medo e a passividade são agentes destruidores que operam de modo igual em ambos os sexos. É um pouco mais evidente nos homens já que se espera que sejam mais competitivos e durões. Mas esse comportamento pode ser igualmente frustrante para os maridos de mulheres cristãs passivas. O lado bom é que as mulheres, tipicamente, são mais inclinadas a procurar ajuda e mais capazes de falar a respeito das suas emoções e problemas.

Independente de gênero, é impressionante o que acontece quando colocamos esse medo enganoso e debilitante na luz: ele perde o seu poder sobre nós. E, com a ajuda de Deus, passamos a ser capacitados para uma vida melhor, mais livre, mais abundante nele.

Publicado na revista “Today’s Christian Woman” – Março/Abril 2006 (do grupo “Christianity Today”, www.christianitytoday.com).

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Sites de suicídios assustam Japão

PLANTÃO INFO / 10/2007 / internet
Quinta-feira, 11 de outubro de 2007 - 10h44

TÓQUIO - O Japão esta às voltas com sites que facilitam o suicídio, o que tem preocupado as autoridades locais.
A polícia japonesa prendeu um homem que mantinha um site suicida por suspeita de assassinar uma mulher que havia pedido para que ele a matasse, declarou um oficial da polícia nesta quinta-feira.
Um número crescente de sites suicidas surgiu no Japão nos últimos anos, onde a taxa de suicídio é uma das mais altas entre os países industrializados.
Especialistas afirmam que esses sites atraem pessoas com medo de morrerem sozinhas.
A polícia do município de Kanagawa, a oeste de Tóquio, prendeu Kazunari Saito, eletricista de 33 anos, por dar soníferos a Sayaka Nishizawa, 21, e depois sufocá-la até a morte, afirmou um oficial da polícia.
Reportagens disseram que Nishizawa contatou Saito através de seu site e pagou 200 mil ienes (1.700 dólares) para que ele lhe tirasse a vida.
Além de dar dicas de como cometer suicídio, Saito, que tem dívidas em torno de 2 milhões de ienes, também se oferecia para realizar "vinganças" e vendia drogas ilícitas por seu site, segundo a mídia.
Um bilhete com dicas de suicídio foi descoberto no apartamento de Nishizawa, onde o corpo foi encontrado, mas o motivo da morte não foi esclarecido, de acordo com as reportagens.
Não existe proibição religiosa contra suicídio no Japão, onde a prática já foi uma forma de fuga ou de salvar entes queridos de vergonha ou perdas financeiras.
Mais de 30 mil pessoas se mataram em 2006 no Japão, segundo números da polícia.
Reuters

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

A BENÇÃO DA DOR por Caio Fábio

A grande verdade prática acerca do crescimento humano num mundo caído [sendo o próprio homem um ser caído e em busca suicida de subida para baixo], é que sem a benção da dor ninguém seria salvo para a consciência do Significado da Vida.

Nós, entretanto, tratamos a dor como maldição, sem sabermos que num mundo caído, os cardos, os abrolhos, os espinhos, o suor, o trabalho, o desejo dedicado a um só objeto de amor, e o trazer filhos ao mundo em dores de parto, são as bênçãos da Graça de Deus para o homem caído.

“Maldita é a terra por tua causa” — disse Deus.

“Pois a própria criação geme, aguardando para ser redimida do cativeiro de sua sujeição à vaidade por causa daquele que a sujeitou” — disse Paulo conforme esta minha paráfrase de suas palavras em Romanos 8. E acrescentou: “Na esperança de que também a criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus”.

Assim, a terra foi amaldiçoada por causa da criatura [o homem] para que a criatura tivesse a esperança da salvação de sua própria escravidão à vaidade de ser, e, assim, se torne as primícias da criação em glória para Deus.

A terra amaldiçoada é o único lugar possível de cura para o homem endiabrado pela vaidade do suposto conhecimento do Bem e do Mal.

Isso tudo, entretanto, não acontece sem dor. Pois só a dor cura da vaidade. Seja qual for a qualidade da dor, ela será necessária na transformação da vaidade do homem ao chamado da glória de Deus.

A boa resposta do homem à dor é a Esperança de Deus para a cura humana num mundo caído!

Portanto, a terra sob maldição é parte da Graça que cura o homem de seu mal de vaidade essencial de falta de sentido e de significado, a fim de conduzi-lo ao que realiza a glória de Deus no homem, que é torná-lo à imagem e semelhança do Filho de Deus.

Assim, saiba: a dor faz parte...

Aliás, sem tal parte tudo seria nada; e, assim, nada teria parte com a Vida. Chegar à Árvore da Vida no estado no qual a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal no deixou, seria ficar perdido no estado fixado de Queda.

Agora, entretanto, espinhos, abrolhos, cardos, suores, esforços, limitações, impotência e fraquezas fazem parte do que em nós será o que se terá por mais precioso como verdadeiro bem da Vida.

Também é por tais certezas que se tem o mais profundo mergulho desamargurado no mar da existência real.

Sim! Pois, por tal apropriação da Realidade é que se saberá que se terá que aprender a passar por espinhos para se chegar às fontes; atravessar cardos para se chegar ao mar; usar abrolhos como decoração no deserto; amar como catividade de desejo a um só; comer apenas porque se trabalha; e chorar os filhos que nasceram do prazer.

Ou do que mais é feita a presente existência?

Paulo ensina que aquele que deseja aprender a gloriar-se na esperança da glória de Deus tem que antes aprender a gloriar-se nas próprias tribulações; pois, somente a tribulação, ou a provação, ou a tentação, ou as fraquezas nos fazem produzir o Fruto da Vida que se alimenta da eternidade.

Num mundo caído a falta de limitações e de dificuldades é o diabo para a alma humana.

O homem, entretanto, chama de benção justamente aquilo que dele tira a vereda da consciência.

O estranho é que a dor não gera o egoísta, mas sim o altruísta; enquanto a ausência de dor gera auto-indulgência aos desejos e caprichos da vaidade, e, assim, apenas produzindo o egoísta.

Mais uma vez se afirma por outra via o que Jesus disse com total simplicidade: “Aquele que ama a sua vida neste mundo a perde, mas aquele que aborrece a sua vida neste mundo a preserva para a vida eterna”.

Desse modo, aquele que existe odiando a tudo o que dói, e apenas chamando de benção aquilo que não dói, será aquele que se perderá para o Sentido da Vida.

Aquele, porém, que abraça a dor que é parte da vereda natural das coisas estabelecidas por Deus, e que evita a dor que vem do mal que se faz contra a natureza das coisas, e que beija em fé a dor que é filha do absurdo [a qual nunca deve ser buscada, mas, uma vez advinda sobre nós, deve ser transformada para o nosso bem] — esse será sempre o ser mais enriquecido na jornada sobre o chão dessa terra amaldiçoada pela vaidade humana.

Os que vêem a vida desse modo são os que se tornam pessoas das quais o mundo não é digno, conforme Hebreus 11.

Ora, embora se creia que chegará a Nova Jerusalém quando toda dor cessará, ainda aqui neste mundo algumas pessoas crescem não para a cessação da dor, mas sim para a transformação de toda dor em gratidão; assim como a mulher que estando para dar a luz, sente dores, mas já as sente como quem se alegra no fato maior que um novo homem está sendo trazido ao mundo.

Sim! Há pessoas que crescem em fé e entendimento espiritual que as possibilita viverem o “apocalipse da dor como dor”, e as faz viverem na “Nova Jerusalém” existencial na qual a “dor já não existe como dor”, mas sim como meio de Graça para transformações mais profundas, conforme o ensino dos profetas, de Jesus e dos Seus apóstolos.

Assim, que sempre se lembre que no mundo se tem aflições, mas que se tenha bom animo, pois Jesus venceu o mundo.

Nele, em Quem o mundo foi relativizado em suas falsas importâncias e valores, inclusive no significado da dor,

Caio

IDOLATRIA: Esse assunto é com você!!!!

Ídolo - do Gr. eídolon, s. m., figura, estátua ou imagem que representa uma divindade e que é objecto de adoração; pessoa a quem se tributa muito respeito e veneração; aquilo que é objecto de adoração, de paixão cega.

Nós, como pessoas que têm tendência para a idolatria fazemos a seguite equação:

1) Bom pregador = Santo Homem de Deus.
2) Famoso Autor de livros espirituais = Santo Homem de Deus.
3) Compositor e cantor de lindas músicas gospel = Santo Homem de Deus.
4) Homem de grande conhecimento bíblico = Santo Homem de Deus.
5) Pastor de uma grande igreja = Santo Homem de Deus.
6) Pessoa que tem algum dom espiritual = Santo Homem de Deus.

A idolatria nos cega. Sem a idolatria as pessoas SÃO O QUE SÃO.

1) Bom pregador =
Homem que fala bem.
2) Famoso Autor de livros espirituais = Bom escritor.
3) Compositor e cantor de lindas músicas gospel = Músico.
4) Homem de grande conhecimento bíblico = Homem de grande conhecimento bíblico.
5) Pastor de uma grande igreja =
Pastor de uma grande igreja.
6) Pessoa que tem algum dom espiritual = Pessoa que tem algum dom espiritual.

SÓ ISSO!!!! MAIS NADA!!!

Não se pode acrescentar nem uma gota de virtude, nem um traço de caráter de valor, se você não convive com essas pessoas. Só a convivência pode mostrar quem realmente elas são.

"Quanto mais uma pessoa se esconde atrás de uma máscara, mais será apreciada. É o que acontece na vida das igrejas. Quanto mais um líder é intocável, mais as pessoas os apreciam e querem aproximar-se dele. Quanto mais acessível e transparente, menos interesse suscita. Mas quando vivemos em família, as máscaras caem. A falsa espiritualidade não se sustenta. Mesmo líderes erram, são pecadores dependentes da graça de Deus e têm que pedir perdão."
Pastor Paulo Capeletti da Missão Cena, SP.
Mas o problema não acaba aí. Quando nós obrigamos os líderes a serem quem eles não são, jogando sobre eles a nossa expectativa de santidade, de busca a Deus, fazemos com que usem máscaras para continuarem a ser reconhecidos por nós como santos e modelos. Essa busca por reconhecimento dos outros corrói a alma dos líderes fortalecendo o narcisismo.
O que você pode fazer para não contribuir com esse sistema mundano dentro da igreja? Aceite seus líderes como seres humanos falhos como eles são. Ouçam suas palavras, os apoiem em suas fraquezas, conversem com eles sobre suas faltas, e ... AMEM....
Outra coisa importante seria você não usar máscaras na igreja. Que as pessoas pudessem te conhecer verdadeiramente através da sua confissão de pecados. É claro, que se você realmente fizer assim... provavelmente nunca ocupará um cargo na igreja... por todos os motivos acima... mas... esse assunto é com você!!!!
Obs: Uma dica é você ler o livreto: Abaixo da Linha de Fundo. Ele está disponível na área Destaques do Blog e pode ser baixado gratuitamente.

domingo, 14 de outubro de 2007

A Prática da Vida Simples - John Walker

John Walker, 83 anos, veio para o Brasil em 1964 em obediência a uma direção de Deus de tirar sua família de uma sociedade materialista e tecnológica (EUA) e criar seus seis filhos num ambiente natural e simples, em que seriam desafiados a servir a necessitados e não a buscar um futuro seguro e próspero para si mesmos. A seguir, uma entrevista com ele sobre a importância da vida simples em sua experiência e jornada espiritual.

Onde o senhor aprendeu sobre a vida simples? Foi na sua própria criação?
Não aprendi sobre o estilo de vida simples na minha criação. Fui criado num ambiente em que, embora não houvesse ostentação, havia bastante afluência. Aprendi sobre simplicidade através de um amigo chamado John Manchester e da experiência que tive trabalhando num ministério de literatura, The Herald of His Coming (O Arauto da Sua Vinda).
Com John, aprendi sobre alimentação saudável, sobre como fazer pão integral e, também, sobre a esposa ter os partos em casa e não no hospital.
No Arauto da Sua Vinda, aprendi muitas coisas que marcaram minha vida. Por exemplo, na parede havia uma placa que dizia: "Economizar para Evangelizar". Os obreiros recebiam apenas o estritamente necessário para viver. Alguns davam seu trabalho voluntariamente porque eram aposentados. Usavam roupas (em alguns casos) que eram enviadas como donativo para o ministério. A atitude de todos era economizar o máximo a fim de dar o máximo à obra do Senhor. O próprio jornal publicado ali tinha uma tiragem de várias centenas de milhares de cópias, enviadas gratuitamente aos leitores, num ministério totalmente sustentado pela fé.
Há algum testemunho contemporâneo ou passado que influenciou suas convicções nesta área?
C. T. Studd sempre foi uma inspiração para mim. Ele herdou uma fortuna e doou tudo a obras de Deus antes de atender ao chamado para ir a terras estrangeiras para pregar o evangelho. Ele foi primeiro à China, depois à África, ficando, às vezes, meses ou até anos longe de sua esposa. Posso citar também Francisco de Assis e Madre Teresa.


Como o senhor definiria a vida simples para o cristão? Existe um padrão ou regra que todos os cristãos deveriam seguir?
Aprendi primeiro sobre a atitude de 100% de John Manchester. Na época em que conversávamos sobre isso, nenhum dos dois ainda era convertido! Porém, essa idéia encontrou ressonância imediata no meu coração. Se Deus é Deus, então não pode haver meias medidas. O primeiro mandamento é amar a Deus com todo seu coração. O segundo é semelhante a este: amar ao seu próximo como a si mesmo.
Não existe uma regra para todos os cristãos – senão seria uma obrigação. Ou, se houvesse, seria esta: Tudo para Jesus.
O apóstolo Paulo nos exorta a nos contentarmos com o que comer e o que vestir (1 Tm 6.6-8). Jesus disse que devemos buscar em primeiro lugar o reino de Deus e todas as outras coisas nos serão acrescentadas (Mt 6.33). Quando o Espírito foi derramado no Pentecostes, as pessoas dividiam suas posses umas com as outras, de forma que ninguém sentia falta de coisa alguma (At 2.44-45; 4.34).

Qual tem sido a sua experiência nesta área? Conte um pouco sobre como aplicou isso na sua vida e família.
Este estilo de vida simples tornou-se uma paixão em minha vida. Sentia que era um grande pecado (ou crime) desperdiçar dinheiro em luxos ou coisas desnecessárias. Nunca comprávamos móveis novos, roupas caras, sapatos extras ou coisas assim. Se eu tinha algum dinheiro a mais, logo achava um jeito de doar para algum necessitado.
Meu alvo era: tudo para Jesus. Ensinei isso à minha família. Não fazíamos festas dispendiosas, não comprávamos presentes desnecessários. Como eu sofria quando ia visitar meus parentes na época do Natal e via tanto desperdício!
Tudo de que precisávamos, se fosse possível, era comprado usado, inclusive o carro da família. Meu pensamento era: Como podemos desperdiçar um centavo quando há tanto sofrimento e falta no mundo ao nosso redor? Desperdício de comida se incluía nisso também.
Praticávamos uma alimentação saudável. Não gastávamos dinheiro com médicos ou remédios. Enviávamos dinheiro a missionários, e nossas ofertas quase sempre somavam mais do que o dízimo. Tudo para Jesus!

Olhando em retrospecto para essas experiências, quais foram os resultados de levar uma vida simples?
O resultado de levar uma vida simples é que não somos obrigados a entrar na corrida desenfreada, tornando-nos escravos do sistema deste mundo. Podemos ser livres para viver em favor de Jesus e do reino de Deus. Podemos ter capacidade de ajudar a outros que estão em necessidade. Teremos uma consciência livre de que estamos colocando o reino em primeiro lugar e não a nossa própria satisfação e ambições.

O que o senhor gostaria de dizer aos cristãos nesta presente geração a respeito do desafio de viver uma vida simples e do propósito de se viver assim?
Temos que decidir se vamos servir a Deus ou a Mamom (o dinheiro). Não podemos ter os dois (Mt 6.24). Se a igreja quiser estar pronta para a segunda vinda de Jesus, ela não pode estar no sistema capitalista de buscar riquezas, prazer e um estilo de vida egoísta. Precisamos dedicar tudo possível para aliviar o sofrimento dos outros e para alcançá-los com as boas novas em palavras e em ações.
Precisamos desenvolver um estilo de vida alternativo, uma comunidade dirigida pelo Espírito Santo. Por exemplo, casamentos não precisam ser uma cópia dos casamentos na sociedade do mundo. Podem ser simples, simples, com o Senhor em primeiro lugar. Nada de dinheiro desperdiçado em vaidade e status.
Tudo isso é apenas uma paixão que tenho recebido do Senhor; nada para crédito pessoal. Afinal, a vida com Jesus é um romance que termina em casamento!

Para saber mais sobre estes assuntos, peça os livros "Minha Jornada Espiritual" e "Sete Princípios Para a Formação da Família Cristã", ambos de John Walker (19 3462 9893 ou por e-mail: revistaimpacto@revistaimpacto.com) .

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Igreja de Cristo - Conhecida pelos seus frutos, revelada por Deus

INTERNACIONAL - Mesmo a Portas Abertas sendo uma missão evangélica, é freqüente no seu site a publicação de notícias que envolvam católicos – romanos, ortodoxos ou coptas – em países como Índia, Iraque, Egito, ex-Repúblicas Soviéticas, entre outros. As notícias geralmente relatam um padre que foi preso, um bispo que se manifesta contra discriminação, ou outro fato desta natureza.

Algumas pessoas que vêem essas notícias questionam se a Portas Abertas é ecumênica.

Segundo o dicionário Houaiss, ecumenismo é o substantivo que designa tanto o apelo à unidade de todos os povos contidos na mensagem do Evangelho quanto o movimento favorável à união de todas as igrejas cristãs. Portanto, a resposta é não, a Portas Abertas não é ecumênica.

A Portas Abertas é uma missão de confissão apostólica e arraigada na tradição da reforma de Lutero do século XVI. Mas, ao mesmo tempo em que não é ecumênica, a Portas Abertas não se arroga a capacidade de distinguir quem é e quem não é cristão. Nós cremos que essa é uma capacidade que Jesus guardou pra si mesmo, conforme a parábola do joio e do trigo (Mt 13.24-30, ênfase no versículo 30).

Assim, quando pessoas que alegam ser cristãs são por causa disso hostilizadas, a Portas Abertas noticia o caso, se solidariza com elas e convida os que crêem na intercessão a se unirem por essas vítimas da intolerância religiosa.

Por isso também, a Portas Abertas respeitosamente rejeita a recente colocação do cardeal Joseph Ratzinger, conhecido como Papa Bento XVI, de que apenas a Igreja Católica é a Igreja de Cristo.

Sem questionar a erudição pessoal e a condição de líder de um grande movimento – traços indissociáveis da figura do Papa –, a Portas Abertas não reconhece em homem nenhum a condição de emitir tal veredicto. O máximo que o Senhor Jesus Cristo nos permitiu fazer é buscar os verdadeiros cristãos pelos seus frutos (Mt 12.32).

Fica aqui o convite a todos os que pleiteiam ser parte do verdadeiro Corpo de Cristo, descrito por Paulo em 1 Coríntios 12.12-31, que busquem produzir frutos. No mais, resta a todos nós, outro conselho de Paulo: “Quem julga estar de pé cuide para que não caia” (1 Co 10.12).

Douglas Monaco
Secretário Geral - Portas Abertas Brasil

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

QUEM NÃO SABE QUE O DINHEIRO DA RECORD VEM DA “ARCA DA ALIANÇA?”

Domingo de manhã.

Fui comprar pão.

Em frente à padaria tem uma porta cristã aberta logo cedo.

A voz rouca ao microfone me chamou atenção.

Entrei e me acomodei.

Dentro daquele ambiente, vieram-me lembranças da semana que passou...

*******************************************

Quinta-feira, dia 27 de setembro.Inauguração da Record News – novo canal de TV do empresário-bispo Edir Macedo.Apesar dessa inauguração representar mais notícias dentro de nossas casas, mentalidades cristãs mais escrupulosas diriam que isso tudo assusta e ultrapassa a margem da legalidade.

“Uma TV da Igreja? (Na verdade, são duas TVs!). Ou a Igreja que é da TV?A TV existe com o dinheiro da Igreja? Ou o dinheiro da TV é para a Igreja?Mas como uma igreja tem duas TV para fins lucrativos, se a igreja é uma entidade beneficente e sem tributação de impostos???”

Calma, cristãos éticos e cidadãos de bem, eu explico:Não há nada ilegal. A Igreja não tem nada. A igreja não tem fins lucrativos. A igreja tem seu patrimônio e seus mais de 1.500 templos e só. A TV, todavia, não é da igreja. A TV é do Senhor Edir Macedo, mega-empresário do setor de comunicações.Ele é empresário, e também é bispo da Igreja. Ilegal?Nada ilegal. Eu também sou profissional liberal e ministro do Evangelho. A clínica é minha. A igreja, não.

Como ele comprou as estações de TV, então?Ora, comprou com o dinheiro dele! Com o “salário” dele de bispo! - suponho.A maioria dos religiosos não vivem do sacerdócio? Sim! Então qual é o problema?Nada ilegal. É o chamado pró-labore! Ganha quanto a “instituição” decide que se vai ganhar!E a relação TV – Igreja? Parece tudo a mesma coisa!!!Parece, mas não é! Nada ilegal tampouco.Veja o que a Central Record de Comunicação respondeu, por e-mail, ao site Terra:- A Record lucra com a comercialização de espaços publicitários em sua programação. O horário da madrugada está negociado com o cliente Igreja Universal, que possui diretrizes independentes e distintas em relação à Record.Viu? Tudo legal. Tudo explicado.A Universal compra os horários da Record. A Record vende os horários para a Universal.Vende caro. Muito caro. Super-faturado! Vende por quatro vezes mais do que a Globo vende seus horários da madrugada,mesmo tendo quatro vezes mais ibope nessa mesma faixa que a Record!Mas e daí? A cliente paga, oras. Ela aceita o preço!

Nada ilegal.Mas toda a direção da Record não é constituída de bispos e obreiros da Igreja?Sim. Mas procura aí onde isso é ilegal?A Record contrata seus funcionários como quiser e de onde desejar. A Record não é um orgão público que contrata via concurso.Se eu quiser colocar meu pai, minha mãe, meu amigo, meu irmão para trabalhar na minha Clínica Privada o que você tem a ver com isso? A empresa é minha, eu contrato quem eu quiser, mesmo que tal pessoa nem tenha ainda a devida formação para o cargo. Isso é problema meu! A clínica não é estatal, é particular!

Meu Deus, mas de onde vem, então, tanto dinheiro para comprar tanto horário por tão alto valor, visando a nobre causa de evangelizar o país???Ora, vem das contribuições espontâneas que se fazem de domingo a domingo, três a quatro vezes por dia, em mais de 1500 templos simultaneamente.Nada ilegal.

Como não? É dinheiro do povo!!! Dinheiro que se recebe e sobre o qual não incide impostos?Ora, é não é assim com toda associação filantrópica? Ou alguém dá dinheiro forçado? Levanta a mão quem paga na marra? Alguém é obrigado a ofertar? Algum obreiro vai lá e mete a mão no bolso do devoto?Lógico que não! Daí não haver extorsão e nem subtração. Dá quem quiser!Portanto, até onde se enxerga, fica assim entendido: Tudo dentro da Lei. Tudo legal!

Ah!Domingo de manhã.Estou naquele culto evangélico do começo do texto.Voltei de meus pensamentos. Olho para frente. Tem uma arca da aliança girando iluminada sob um altar atrás do púlpito.O moço na tribuna falava sobre Dagom, o deus filisteu que se ferrou depois que recebeu em seu templo a Arca da Aliança Mosaica roubada da nação vizinha. Na história bíblica, os judeus nem precisaram se mexer em busca da Arca Perdida. O povo inimigo se consumiu em pestes e tumores, até devolverem o objeto sacro!

Conheço a história desde menino!Só não conhecia o aplicativo feito então:

“Você quer vencer Dagom? Quer?Então... Não se mexa para nada!Sabe aquele dinheiro que você ia pagar para o advogado tentar tirar seu filho da cadeia?Sabe aquele dinheiro que você ia usar para comprar o remédio que o médico receitou para a doença crônica?Você vai trazer aqui na frente, diante da Arca Giratória!!" ("giratória" é expressão minha. Impressionou-me a alegoria. Mas o resto ouvi como agora se lê)Não pague o advogado, não compre a medicação! Pratique a fé!Quanto você não daria para tirar seu filho da prisão? R$ 3.000,00? R$ 2.000,00? Ou não daria até muito mais?Você não faria todo sacrifício que fosse necessário? Sim ou não?Então vem trazer esse dinheiro aqui no Balcão de Negócios Divinos (bom, confesso: “balcão de negócios divinos" ele não falou não... Eu que inventei... Mas juro que só inventei mais esse!)Quando você pagaria para ficar curado? Para ter saúde? Não daria até tudo que tem?Então para que você vai dar esse dinheiro para o remédio se você pode dar para Deus?Quem já tem a arca em casa (uma arca pequenina “dada” aos que exercitam a fé!) vem aqui na frente para nós oramos por você!Fiquei com mais alguns poucos.Agora vem quem não tem a arca ainda.Todo mundo se levanta e caminha para o altar matadouro. Já sabem que Deus só vai abençoá-las se permitirem que lhes arranque o couro, a lã... Mas, tudo na vida tem seu preço, não é?Daí vejo a fila.A fila.Mães desesperadas. Doentes aflitos.Você pode ter a Arca da Aliança por R$ 90,00 – não menos que isso!(Dessa vez não inventei nada, o limite para levar o objetinho ordinário era esse mesmo)Só eu fiquei.Fiquei só.Eu, dois obreiros e meu dinheirinho do pão.

Saí.Saí sem arca. Saí inteiro...Mas arrancaram minha alma logo cedo.Sob minhas costas o peso triste de ter visitado o templo de Dagom. O templo da Arca sequestrada que gira em exposição!Fui ao templo de Dagon, onde a dádiva é comprada sob signos judaico-cristãos.Sim, só tem um deus que vende resposta de oração: Lá o chamam de Jesus, mas seu nome é Diabo!*

*O estelionato é espiritual, mas essa categoria de crime não consta na nossa legislação!

Isso não passa na Record.Na Record é tudo legal.Tem até novela com qualidade global.

DESABAFO: Então a gente nunca vai pegar esses caras, entendeu???!!! O dinheiro da Record está dentro da Arca!Entretanto, há algo com que eles simplesmente não contam: Deus existe!- Sim, o dono da Arca existe!E Ele não obedece a Constituição. Ele ultrapassa a margem da legalidade. Ele é marginal.E daqui a pouquinho essa Novela termina!Os últimos capítulos já foram escritos e revelados: Como no registro bíblico, Dagom vai perder a cabeça de novo e a brincadeira de apetrechos bíblicos comercializáveis tem prazo de validade e logo logo vai acabar!Ah! Vai!

Marcelo Quintela
é mentor da Estação do Caminho em Santos