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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Fator Melquisedeque - 5 - Povo Karen


Em 1795, um diplomata inglês na Birmânia foi recebido de uma maneira estranhamente amistosa pelo povo Karen.

Através de um intérprete, eles perguntaram se ele era o "irmão branco" que eles estavam esperando há incontáveis gerações. Se ele fosse, teria consigo um livro que os antepassados deles haviam perdido.

Esse livro foi escrito por Y'wa, o Deus Supremo, e os libertaria de seus opressores.

O diplomata balançou a cabeça.

A Birmânia era então o lar de aproximadamente 800.000 integrantes do povo karen. Vivendo em talvez mil de suas vilas havia pessoas que eles consideravam profetas do Deus que eles chamavam Y'wa.

Esses instrutores especiais lembravam-nos constantemente de que os caminhos dos espíritos malignos, que a maioria deles seguia, não eram os caminhos de Y'wa e que um dia eles deveriam retornar totalmente aos caminhos de Y'wa.

Eles eram rigorosamente contrários à idolatria. Os karens se recusaram a sucumbir a séculos de forte influência budista.

Aqui está um dos seus hinos:

O onipotente é Y'wa, nele, no passado, nós não cremos.
Y'wa criou os homens em tempos antigos;
Ele tem perfeito conhecimento de todas as coisas.
Y'wa criou os homens no prinípio;
Ele sabe de todas as coisas até a época presente.
Oh, meus filhos e netos!
A terra é o local onde repousam os pés de Y'wa,
E o céu é o local onde ele se assenta.
Ele vê todas as coisas e nós somos manifestos a ele.

E um outro:

Y'wa formou o mundo originalmente.
Ele designou comida e bebida.
Ele designou o "fruto do juízo".
Ele deu ordens detalhadas.
Mu-kaw-lee enganou duas pessoas.
Ele fez com que elas comessem do fruto da árvore do juízo.
Elas não obedeceram, elas não creram em Y'wa...
Quando elas comeram o "fruto do juízo",
Elas se tornaram sujeitas a doenças, envelhecimento e morte...

Em 1816, um muculmano fez contato com alguns dos karens. Ele não tinha a pele muito clara, mas, após terem-no questionado, descobriram que ele tinha um livro que ele dizia ser de Deus.

As pessoas ficaram tão interessadas que ele lhes deu o livro como um presente de despedida. Por doze anos eles veneraram aquele livro e mantiveram constante vigília pelo instrutor que um dia daria a eles entendimento do conteúdo do livro.

Finalmente o homem branco que eles esperavam chegou, abriu o livro e descobriu que não era um livro muçulmano, mas um livro cristão – o Livro de Oração Comum e os Salmos.

O missionário afirmou que era de fato um bom livro de Deus, o único a quem deveriam adorar. Suas faces se acenderam, mas ensombreceram novamente quando ele explicou que eles não deveriam ter adorado o livro.

O homem da tribo que havia obtido a honra de se tornar o guardião do livro renunciou ao seu status e se tornou um seguidor humilde de Jesus, juntamente com dezenas de milhares do seu povo.


Fonte: livro de Don Richardson: Eternity in their Hearts Revised Edition CA, Regal, 1981, 1984. (Título: A eternidade em seus corações. Em português, o livro foi publicado pela Editora Vida Nova com o título "O Fator Melquisedeque")

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Fator Melquisedeque - 4 - Povo Wa - Birmânia


Um cavalo maravilhoso

Por inúmeras gerações, o povo Wa na Birmânia (ou Mianmar) passou adiante sua tradição antiga de que um dia um "irmão branco" lhes traria uma cópia do livro sobre Deus que eles haviam perdido.

Na década de 1880, Pu Chan, um dos homens da tribo wa, persuadiu muitos milhares do seu povo a não serem mais caçadores de cabeças e a abandonarem o apaziguamento dos espíritos.

Ele disse que o Deus verdadeiro estava prestes a enviar o muito aguardado "irmão branco com uma cópia do livro perdido" que havia sido parte da sua tradição popular desde tempos imemoriais.

Se o irmão ouvisse que o povo wa estava fazendo coisas más, ele poderia julgá-los indignos do livro do Deus verdadeiro.

Uma manhã, Pu Chan preparou um cavalo wa e disse para alguns dos seus discípulos seguirem o animal. Pu Chan disse que, na noite anterior, o Deus verdadeiro havia lhe dito que o irmão branco finalmente estava próximo. Deus faria com que o cavalo os levasse até ele. O cavalo começou a andar. Certamente ele pararia no riacho mais próximo. Para o espanto dos discípulos, ele continuou andando. Andando e andando ele atravessou mais de 300 quilômetros por trilhas montanhosas e desceu à cidade de Kengtung, então deu a volta e entrou pelo portão do terreno de uma missão e se dirigiu diretamente a um poço.

Os discípulos olharam por todos os lados em volta. Nenhum homem branco. Nenhum livro. Ouvindo sons vindos de dentro do poço, eles se aproximaram e olharam. De dentro daquele poço seco, um rosto branco os saudou.

Ele tinha um livro de Deus? Sim!

Não demorou muito e cerca de 10.000 was haviam entregado sua vida a Jesus.

Retirado do livro: O Fator Melquisedeque - Don Richardson - Págs 87,102-104.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Fator Melquisedeque - 3 - Povo Gedeo


Exemplos impressionantes, de todas as partes do mundo, de Deus trabalhando na vida de povos não-alcançados pelo evangelho e os preparando, geralmente com séculos de antecedência, para a chegada do cristianismo.

Profetas africanos

O povo Gedeo era uma forte tribo etíope de cerca de meio milhão de pessoas que acreditava em Magano, o benevolente e onipotente Criador de todas as coisas.

Mas, ainda assim, poucos oravam a Magano.

Eles estavam muito mais preocupados em tentar apaziguar Sheit’an, um espírito maligno.

Eles sentiam que não conheciam Magano suficientemente bem para se verem livres desse espírito maligno.

Um dia, porém, um homem gedeo chamado Warrasa orou para que Magano revelasse a si próprio ao povo gedeo.

Então se seguiu uma visão em que ele via dois forasteiros de pele branca construírem abrigos provisórios sob uma certa árvore, um sicômoro perto da cidade natal do Warrasa, chamada Dilla. Depois eles construíam estruturas mais permanentes com telhados brilhantes.

Warrasa nunca havia visto nenhum daqueles tipos de habitação antes. Uma voz disse a ele que esses homens trariam uma mensagem de Magano.

Durante os oito anos seguintes, outros adivinhos gedeos profetizaram que forasteiros logo chegariam com uma mensagem de Magano.

No fim de 1948, os missionários Brunt e Cain planejaram estabelecer a sua base longe de Dilla, mas uma situação política os forçou a decidir por Dilla. Então dois homens brancos ergueram tendas sob aquele exato sicômoro que o Warrasa havia visto em sua visão. Os eventos continuaram a se desdobrar conforme a visão.

Hoje existem dezenas de milhares de cristãos gedeos. (54-56)

(Obviamente não existe nada de especial em ser branco. É apenas um fato histórico que foram os brancos os que primeiro levaram o Evangelho para alguns povos.)

"O que aconteceu entre o povo gedeo não é de forma alguma um incidente isolado’, escreve Don Richardson. ‘Por mais incrível que pareça, literalmente milhares de missionários cristãos através da História têm se espantado com a recepção exuberante que receberam mesmo entre alguns dos povos mais remotos da terra! Tradições populares... anunciaram a vinda dos portadores da mensagem do Deus verdadeiro com quase tanta clareza como se eles tivessem lido sobre eles no jornal da manhã!" (56)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fator Melquisedeque - 2 - Pachacuti e Viracocha


Quase todos que têm algum conhecimento sobre os incas sabem que adoravam Inti - o sol.

(...)

As tradições descobertas com eles declaram incisivamente que Pachacuti - o rei tão dedicado à adoração do sol, que reconstruiu o templo de Inti em Cuzco - começou, mais tarde, a questionar as credenciais de seu deus! Philip Ainsworth Means, comentando sobre o descontentamento de Pachacuti com Inti, escreveu: "Ele ressaltou que esse corpo luminoso segue sempre um caminho determinado, realiza tarefas definidas e mantém horas certas como as de um trabalhador". Em outras palavras, se Inti é Deus, por que ele nunca faz algo original? O rei refletiu novamente. Ele notou que "a radiação solar pode ser diminuída por qualquer nuvem que passe". Ou seja, se Inti fosse realmente Deus, nenhuma simples coisa criada teria poder para reduzir a sua luz!"

Pachacuti tropeçou inesperadamente na verdade de que estivera adorando um simples objeto como Criador! Corajosamente, ele avançou para a pergunta inevitável: Se Inti não é o Deus verdadeiro, quem é Ele então?

Onde um inca pagão, afastado dos conhecimentos judaico-cristãos, poderia encontrar a resposta a essa pergunta?

Ela é bastante simples - mediante as antigas tradições latentes em sua própria cultura! A possibilidade desse evento foi prevista pelo apóstolo Paulo, quando escreveu que Theos, no passado, "permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho" (At 14.16-17, grifo acrescentado).

Pachacuti tomou o testemunho que extraíra diretamente da criação e o colocou ao lado da quase extinta memória de sua cultura: Viracocha - o Senhor, o Criador onipotente de todas as coisas.

(...)

O conceito de Viracocha era, portanto, antigüíssimo com toda probabilidade. A adoração de Inti e outros deuses, sob esta perspectiva, não passava de desvios recentes de um sistema de crença original mais puro. Metraux insinua isso quando observa que Viracocha teve representantes proeminentes nas culturas indígenas "desde o Alasca à Terra do Fogo", enquanto a adoração do sol aparece em realtivamente poucas culturas.

(...)

Um Deus que criara todas as coisas, concluiu Pachacuti, merece ser adorado! Ao mesmo tempo, seria incoerente adorar parte de sua criação como se fosse o próprio Deus! Pachacuti chegou a uma firme decisão - essa tolice de adorar Inti como Deus já fora longe demais, pelo menos quanto a ele e seus súditos da classe alta.

Pachacuti entrou em ação. Ele convocou uma reunião dos sacerdotes do sol - um equivalente pagão do Concílio de Nicéia - na bela Coricancha. De fato, um erudito chama esse congresso de Concílio de Coricancha, colocando-o então entre os grandes concílios teológicos da história. Nesse concílio, Pachacuti apresentou suas dúvidas sobre Inti em "três sentenças":

1. Inti não pode ser universal se, ao dar luz a alguns, ele a nega a outros.
2. Ele não pode ser perfeito se jamais consegue ficar à vontade, descansando.
3. Ele não pode ser também todo-poderoso se a menor nuvem consegue encobri-lo.

A seguir, Pachacuti reavivou a memória de seus súditos da classe superior quanto ao onipotente Viracocha, citando seus estupendos atributos. O dr. B. C. Brundage, da Universidade de Oklahoma, nos EUA, resume a descrição de Viracocha, feita por Pachacuti, como segue: "Ele é antigo, remoto, supremo e não-criado. Também não necessita da satisfação vulgar de uma consorte. Ele se manifesta como uma trindade quando assim o deseja,... caso contrário, apenas guerreiros e arcanjos celestiais rodeiam a sua solidão. Ele criou todos os povos pela sua "palavra" (sombras de Heráclito, Platão, Filo e do apóstolo João!), assim como todos os huacas (espíritos). Ele é o Destino do homem, ordenando seus dias e sustentando-o. É, na verdade, o princípio da vida, pois aquece os seres humanos através de seu filho criado, Punchao (o disco do sol, que de alguma forma se distinguia de Inti). É ele quem traz a paz e a ordem. É abençoado em seu próprio ser e tem piedade da miséria humana. Só ele julga e absolve os homens, capacitando-os a combater suas tendências perversas".

Pachacuti ordenou, a seguir, que Inti fosse daí por diante respeitado como apenas um "parente" - uma entidade amiga criada. As orações deveriam ser dirigidas a Viracocha com a mais profunda reverência e humildade.

Como resultado do concílio, Pachacuti compôs hinos reverentes a Viracocha, os quais, por fim, passaram a fazer parte da coleção de Molina (NOTA: sacerdote espanhol Cristobel de Molina, 1575).

Alguns sacerdotes do sol reagiram com "amarga hostilidade". As declarações de Pachacuti golpearam seus interesses como uma granada. Outros consideraram a lógica de Pachacuti irresistível e concordaram em servir Viracocha! Dentre estes, porém, vários se preocupavam com um problema prático: Como reagiriam as massas quando os sacerdotes do sol anunciassem: "Tudo que ensinamos durante os séculos que se passavam estava errado! Inti não é absolutamente Deus! Esses templos imensos que contruíram para eles com tanto esforço - e por sua ordem - são inúteis. Todos os rituais e orações ligados a Inti de nada valem. Precisamos começar, agora, da estaca zero com o Deus verdadeiro - Viracocha!"

Tal notícia não produziria cinismo, incredulidade? Ou até mesmo daria lugar a um levante social?

Pachacuti cedeu à diplomacia política: "Ele ordenou [...] que a adoração de Viracocha ficasse confinada à nobreza, (pois era) [...] sutil e sublime demais para o povo comum (sic!)". (NOTA: sic)

Para sermos justos, precisamos admitir que Pachacuti pode ter esperado que a adoração a Viracocha - tendo o devido tempo para infiltrar-se como fermento - viesse por fim a ser adotada pelas classes mais baixas. Tempo, entretanto, era algo que sua reforma, ainda embrionária, não tinha em grande quantidade. Pachacuti sequer sonhava que a sua decisão de favorecimento de classes seria fatal. Historicamente, as classes são um fenômeno social de curta duração notória; o povo comum é que permanece. Isso aconteceu também com a nobreza inca. Depois de um século da morte de Pachacuti, conquistadores espanhóis cruéis eliminaram a família real e a classe alta. Como as classes baixas haviam sido relegadas à escuridão espiritual, com suas idéias erradas sobre Inti e outros deuses falsos, não puderam dar continuidade à reforma de Pachacuti. Ela morreu ainda incipiente; foi, na verdade, uma mini-reforma.

(RICHARDSON, Don. O fator melquisedeque: o testemunho de Deus nas culturas por todo o mundo. Tradução de Neide Siqueira. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2008, pp. 39-44).

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Fator Melquisedeque - 1 - Ao deus desconhecido - parte2

Murmúrios de aprovação misturaram-se com o balido das ovelhas famintas. Os anciãos de Atenas jamais tinham ouvido essa linha de raciocínio antes. Mas, por que, perguntavam eles, as ovelhas deviam ser de cores diferentes?

"Agora'" gritou Epimênides, "preparem-se para soltar as ovelhas na ladeira sagrada! Uma vez soltas, deixem que cada animal paste onde quiser, mas façam com que seja seguido por um homem que o observe cuidadosamente." A seguir, levantando os olhos para o céu, Epimênides orou com voz profunda e cheia de confiança: "ó, tu, deus desconhecido! Contempla a praga que aflige esta cidade! E se de fato tens compaixão para perdoar-nos e ajudar-nos, observa este rebanho de ovelhas! Revela tua disposição para responder, eu peço, fazendo com que qualquer ovelha que te agrade deite na relva em vez de pastar. Escolha as brancas se elas te agradarem; as pretas se te causarem prazer. As que escolheres serão sacrificadas a ti - reconhecendo nossa lamentável ignorância do teu nome!"

Epimênides sentou-se na grama, inclinou a cabeça e fez sinal aos pastores que guardavam o rebanho. Estes vagarosamente se afastaram. Com rapidez e voracidade, as ovelhas se espalharam pela colina, começando a pastar. Epimênides ficou ali sentado como uma estátua, com os olhos baixos.

"É inútil", murmurou baixinho um conselheiro. "Mal amanheceu e raras vezes vi um rebanho tão faminto. Nenhum animal vai deitar-se antes de encher o estômago e quem acreditará então que foi um deus que o levou a isso?"

Epimênides deve ter escolhido esta hora do dia deliberadamente!" respondeu Nícias. "Só assim poderemos saber que a ovelha que se deitar o fará em obediência à vontade desse deus desconhecido, e não por sua própria inclinação!"

Mal Nícias terminara de falar quando um pastor gritou: "Olhem!"

Todos os olhos se voltaram para ver um carneiro dobrar os joelhos e deitar-se na relva.

"Eis aqui outro!" bradou um conselheiro surpreso, fora de si por causa do espanto. Em poucos minutos algumas das ovelhas se achavam acomodadas sobre a relva suculenta demais para que qualquer herbívoro faminto pudesse resistir - em circunstâncias normais!

"Se apenas uma deitasse, teríamos dito que estava doente!" exclamou o presidente do conselho. "Mas isto! Isto só pode ser uma resposta'"

Com os olhos cheios de reverência, ele se voltou, dizendo a Epimênides: "O que faremos agora?"

"Separem as ovelhas que estão descansando", replicou o cretense, levantando a cabeça pela primeira vez desde que invocara o deus desconhecido, "e marquem o lugar onde cada uma se acha. Fa­çam depois com que os pedreiros levantem altares - um altar em cada ponto onde as ovelhas descansaram!"

Pedreiros entusiastas começaram a fazer argamassa e no final da tarde ela já havia endurecido o suficiente. Todos os altares se achavam preparados para uso.

"Qual o nome do deus que gravaremos sobre esses altares?" perguntou um dos conselheiros do grupo mais jovem, excessivamente ansioso. Todos se voltaram para ouvir a resposta do cretense.

"Nome?" repetiu Epimênides, como se refletindo. "A divindade, cuja ajuda buscamos, agradou-se em responder à nossa admissão de ignorância. Se agora pretendermos mostrar conhecimento, gravando um nome quando na verdade não temos a menor idéia a respeito dele, temo que vamos apenas ofendê-la!".

"Não podemos correr esse risco", concordou o presidente do conselho. "Mas com certeza deve haver um meio apropriado de - de dedicar cada altar antes de usá-lo."

"Tem razão, sábio conselheiro", declarou Epimênides com um sorriso raro. "Existe um meio. Inscrevam simplesmente as palavras agnosto theo - a um deus desconhecido - no lado de cada altar. Nada mais é necessário."

Os atenienses gravaram as palavras recomendadas pelo conselheiro cretense. A seguir, sacrificaram cada ovelha "dedicada" sobre o altar marcando o ponto em que a mesma havia deitado. A noite caiu. Na madrugada do dia seguinte os dedos mortais da praga sobre a cidade já se haviam afrouxado. No decorrer de uma semana, os doentes sararam. Atenas encheu-se de louvor ao "Deus desconhecido" de Epimênides e também a este, por ter prestado socorro tão surpreendente de um modo verdadeiramente engenhoso. Cidadãos agradecidos colocaram festões de flores ao redor do grupo despretensioso de altares na encosta da Colina de Marte. Mais tarde, eles esculpiram uma estátua de Epimênides sentado é a colocaram diante de um de seus templos.

Com o correr do tempo, porém, o povo de Atenas começou a esquecer-se da misericórdia que o "deus desconhecido" de Epimênides lhes concedera. Seus altares na colina foram negligenciados e eles voltaram a adorar centenas de deuses que se mostraram incapazes de remover a maldição da cidade. Vândalos demoliram parte dos altares e removeram pedras de outros. O mato e o musgo começaram a crescer sobre as ruínas até que ...

Certo dia, dois anciãos que se lembravam da importância dos altares pararam diante deles a caminho do conselho. Apoiados em seus bordões eles contemplaram pensativos as relíquias ocultas por trepadeiras. Um dos anciãos retirou um pouco do musgo e leu a antiga inscrição encoberta por ele: " 'Agnosto theo'. Demas - você se lembra?"

"Como poderia esquecer?" respondeu Demas. "Eu era o membro jovem do conselho que ficou acordado a noite inteira para certificar-me de que o rebanho, as pedras, a argamassa e os pedreiros estariam prontos ao nascer do sol!"

"E eu", replicou o outro ancião, "era aquele outro membro jovem e ansioso que sugeriu que fosse gravado em cada altar o nome de algum deus! Que tolice".

Ele fez uma pausa, mergulhado em seus pensamentos, acrescentando a seguir: "Demas, você talvez me considere sacrílego, mas não posso deixar de sentir que se o "Deus desconhecido" de Epimênides se revelasse abertamente a nós, logo deixaríamos de lado todos os outros!" O ancião barbudo balançou o bordão com certo desprezo na direção dos ídolos surdos e mudos que, em fileira após fileira, cobriam a crista da acrópole, em número maior do que nunca antes.

"Se Ele jamais vier a revelar-se", disse Demas pensativamente, "como nosso povo saberá que não é um estranho, mas um Deus que já participou dos problemas de nossa cidade?"

"Acho que só existe um meio", replicou o primeiro ancião. "Devemos preservar pelo menos um desses altares como evidência para a posteridade. E a história de Epimênides deve, de alguma forma, ser mantida viva entre as nossas tradições."

"Uma grande idéia a sua!" entusiasmou-se Demas. "Olhe! Este ainda está em boas condições. Vamos empregar pedreiros para pô-lo e amanhã lembraremos todo o conselho dessa antiga vitória sobre a praga. Faremos passar uma moção para incluir a manutenção de pelo menos este altar entre as despesas perpétuas de nossa cidade!"

Os dois anciãos apertaram-se as mãos para fechar o acordo e, de braços dados, seguiram caminho abaixo, batendo alegremente os bordões contra as pedras da Colina de Marte.

... Seis séculos mais tarde...

Paulo disse: "Senhores atenienses! Em tudo vos vejo acentuadamente religiosos; porque passando e observando os objetos de vosso culto, encontrei também um altar no qual está escrito: AO DEUS DESCONHECIDO".

O apóstolo fez a seguir uma declaração que aguardara seis séculos para ser pronunciada: "Pois esse que adorais sem conhecer, é precisamente aquele que vos anuncio".

O Deus proclamado por Paulo era um um deus desconhecido dos atenienses? De maneira alguma! Tratava-se de um Deus que já intervira na história de Atenas, tendo certamente o direito de ver seu nome proclamado ali!

Retirado do livro: O Fator Melquisedeque - Don Richardson

domingo, 6 de dezembro de 2009

Fator Melquisedeque - 1 - Ao deus desconhecido - parte1


Em alguma época, durante o sexto século antes de Cristo, numa reunião do conselho na Colina de Marte, em Atenas...

“Diga-nos, Nícias, que aviso o oráculo de Pítias lhe deu? Por que esta praga caiu sobre nós? E por que os inúmeros sacrifícios realizados de nada adiantaram?”

O impassível Nícias olhou de frente o presidente do conselho e afirmou:

“A sacerdotisa declara que nossa cidade se encontra sob uma terrível maldição. Um certo deus a colocou sobre nós por causa do medonho crime de traição do rei Megacles contra os seguidores de Cylon.”

“É verdade! Lembro-me agora”, disse sombriamente outro membro do conselho. “Megacles obteve a rendição dos seguidores de Cylon com uma promessa de anistia, depois violou prontamente sua própria palavra e os matou! Mas qual é o deus que ainda nos condena por esse crime? Já oferecemos sacrifícios de expiação a todos os deuses!”

“Não é bem assim”, replicou Nícias. “A sacerdotisa afirma que resta ainda um deus a ser apaziguado.”

“Quem poderia ser?” perguntaram os anciãos, olhando incrédulos para Nícias.

“Não posso contar-lhes”, respondeu ele. “O próprio oráculo parece não saber o seu nome. Ela disse apenas que...”

Nícias fez uma pausa, observando as faces ansiosas de seus colegas. Enquanto isso, da cidade enlutada à volta deles, ouvia-se o eco de milhares de cânticos fúnebres.

Nícias continuou: “... precisamos enviar um navio imediatamente a Cnossos, na Ilha de Creta, e trazer de lá para Atenas um homem chamado Epimênides. A sacerdotisa assegurou-me que ele saberá como apaziguar esse deus ofendido, livrando assim a nossa cidade.”

“Não existe alguém suficientemente sábio aqui em Atenas?” esbravejou um ancião indignado. “Temos de apelar para um... um estrangeiro?”

“Se conhece algum grande sábio em Atenas, pode chamá-lo”, disse Nícias. “Caso contrário, cumpramos simplesmente as ordens do oráculo.”

Um vento frio, frio como se tocado pelos dedos gélidos do terror que varria Atenas, fez-se presente na câmara de mármore branco do conselho na Colina de Marte. Aconchegando-se mais em seu manto de magistrado, cada ancião refletiu sobre as palavras de Nícias.

“Vá em nosso nome, meu amigo”, disse o presidente do conselho. “Traga esse Epimênides! Se ele atender ao seu pedido e livrar nossa cidade, nós o recompensaremos.”

Os demais membros do conselho concordaram. O calmo Nícias, de voz suave, levantou-se, inclinando-se diante da assembléia, deixando a câmara. Ao descer a Colina de Marte, ele se encaminhou para o porto de Pireu, que ficava a 13 km de distância, na Baía de Falerom. Um navio achava-se ali ancorado.

Epimênides desceu agilmente para a terra, em Pireu, seguido de Nícias. Os dois homens encaminharam-se de imediato para Atenas, recobrando aos poucos a força das pernas depois da longa viagem por mar, desde Creta. Ao entrarem na já mundialmente famosa “cidade dos filósofos”, os sinais da praga eram vistos por toda a parte. Mas Epimênides observou outra coisa:

“Nunca vi tantos deuses!” exclamou o cretense para o seu guia, piscando surpreso.

Falanges ladeavam os dois lados da estrada que saía do Pireu. Outros deuses, centenas deles, adornavam um terreno íngreme e rochoso, chamado acrópole. Tempos depois, nesse mesmo lugar, os atenienses construíram o Partenon.

“Quantos são os deuses de Atenas?” inquiriu Epimênides.

“Várias centenas pelo menos!” replicou Nícias.

“Várias centenas!”, foi a exclamação espantada de Epimênides.

“Aqui é mais fácil encontrar deuses do que homens!”

“Tem razão!”, riu o conselheiro Nícias. “Não sei quantos provérbios já foram feitos sobre ‘Atenas, a cidade saturada de deuses’. Com a mesma facilidade que se tira uma pedra da pedreira, outro deus é trazido para a cidade!”1

Nícias parou repentinamente, refletindo sobre o que acabara de dizer. “Todavia”, começou pensativo, “o oráculo de Pítias declara que os atenienses precisam apaziguar ainda um outro deus. E você, Epimênides, deve promover a intercessão necessária. Ao que parece, apesar do que eu disse, nós, atenienses, ainda precisamos de mais um deus!”

Jogando a cabeça para trás e rindo, Nícias exclamou: “Realmente, Epimênides, não consigo adivinhar quem poderia ser esse outro deus. Os atenienses são os maiores colecionadores de deuses no mundo! Já saqueamos as teologias de muitos povos das vizinhanças, apoderando-nos de toda divindade que possamos transportar para a nossa cidade, por terra ou por mar.”

“Talvez seja esse o seu problema”, disse Epimênides com um ar misterioso.

Nícias piscou os olhos para o amigo, sem compreender, como quem deseja um esclarecimento desse último comentário. Mas alguma coisa na atitude de Epimênides o silenciou. Momentos depois, chegaram a um pórtico com piso de mármore, junto à câmara do conselho na Colina de Marte. Os anciãos de Atenas já haviam sido avisados e o conselho os esperava.

"Epimênides, agradecemos sua ... " começou o presidente da assembléia.

"Sábios anciãos de Atenas, não há necessidade de agradecimentos." Epimênides interrompeu. "Amanhã, ao nascer do sol, tragam um rebanho de ovelhas, um grupo de pedreiros e uma grande quantidade de pedras e argamassa até a ladeira coberta de relva, ao pé desta rocha sagrada. As ovelhas devem ser todas sadias e de cores diferentes - algumas brancas, outras pretas. Vocês não devem deixá-las comer depois do descanso noturno. É preciso que sejam ovelhas famintas! Vou agora descansar da viagem. Acordem-me ao amanhecer."

Os membros do conselho trocaram olhares curiosos, enquanto Epimênides cruzava o pórtico em direção a um quarto sossegado, enrolando-se em seu manto como num cobertor e sentando-se para meditar.

O presidente voltou-se para um dos membros jovens do conselho'. "Veja que tudo seja feito como ele ordenou", disse ele.

"As ovelhas estão aqui", falou o membro jovem, humildemente.

Epimênides, despenteado e ainda meio dormindo, saiu de seu descanso e seguiu o mensageiro até a ladeira que ficava na base da Colina de Marte. Dois rebanhos - um de ovelhas pretas e brancas e outro de conselheiros, pastores e pedreiros - achavam-se à espera, debaixo do sol que nascia. Centenas de cidadãos, desfigurados por outra noite de vigília cuidando dos doentes atingidos pela praga e chorando pelos mortos, galgaram os pequenos outeiros e ficaram observando ansiosos.

"Sábios anciãos", começou Epimênides, "vocês já se esforçaram muito ofertando sacrifícios aos seus numerosos deuses; entretanto, tudo se mostrou inútil. Vou agora oferecer sacrifícios baseado em três suposições bem diferentes das suas. Minha primeira suposição ...”

Todos os olhos estavam fixos no cretense de elevada estatura; todos os ouvidos atentos para captar suas próximas palavras.

" ... é que existe ainda outro deus interessado na questão desta praga - um deus cujo nome não conhecemos e que não está, portanto, sendo representado por qualquer ídolo em sua cidade. Segundo, vou supor também que este deus é bastante poderoso - e suficientemente bondoso para fazer alguma coisa a respeito da praga, se apenas pedirmos a sua ajuda."

"Invocar um deus cujo nome é desconhecido?" exclamou um dos anciãos. "Isso é possível?"

"A terceira suposição é a minha resposta à sua pergunta", replicou Epimênides. "Essa hipótese é muito simples. Qualquer deus suficientemente grande e bondoso para fazer algo a respeito da praga é também poderoso e misericordioso para nos favorecer em nossa ignorância - se reconhecermos a mesma e o invocarmos!"

Continua...

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

A Ordem de Melquizedeque por Caio Fábio

(Durma com essa coisa mexendo com seus neurônios evangélicos... hehehe. Comigo ainda mexe muito.) Roberto Lima.

Melquizedeque aparece do nada, sem antecedentes e sem explicações. Abraão encontra com ele e se verga diante dele, e lhe paga o dízimo de tudo quanto tinha consigo. Melquizedeque abençoa a Abraão. Então, assim como veio, ele vai, sem deixar vestígios. Mais tarde, séculos depois disto, Melquizedeque aparece nos Salmos, quando, também do nada, se diz que o Senhor jurou que Seu Enviado seria feito Sumo Sacerdote, segundo a Ordem de Melquizedeque. Somente isto e nada mais. Até a Carta aos Hebreus.