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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A graça de Deus opera num nível profundo na vida de uma pessoa afetuosa

Conta-se a história sobre Fiorello LaGuardia (11/12/1882 - 20/09/1947) que, quando era prefeito de Nova York durante os piores dias da Depressão e durante toda a Segunda Guerra Mundial, era carinhosamente chamado de “Little Flower” pelos seus admiradores nova-iorquinos, porque tinha apenas 1,65 m e trazia sempre um cravo na lapela.
Era um personagem pitoresco que costumava andar em caminhões do Corpo de Bombeiros, participar de batidas em bares ilegais junto com o departamento de polícia, levar orfanatos inteiros para partidas de baseball e, quando os jornais de Nova York estavam em greve, ia à rádio ler quadrinhos humorísticos para as crianças.
Numa noite terrivelmente fria de janeiro de 1935, o prefeito compareceu a um tribunal noturno que servia a região mais pobre da cidade. LaGuardia dispensou o juiz por aquela noite e assumiu a tribuna ele mesmo. Minutos depois, uma senhora esfarrapada foi trazida à presença dele, acusada de roubar um pão. Ela disse a LaGuardia que o seu genro havia ido embora, que sua filha estava doente e que seus dois netos estavam passando fome. Mas o dono da mercearia, de que o pão havia sido roubado, recusava-se a retirar a acusação.
_É uma vizinhança ruim, meretíssimo, o homem disse ao prefeito. Ela deve ser punida para ensinar às pessoas daqui uma lição.
LaGuardia suspirou, virou-se para a mulher e disse:
_Tenho que punir a senhora. A lei não abre exceções: são dez dólares ou dez dias na cadeia.
Mas, ainda enquanto falava, o prefeito já colocava a mão no bolso. Ele tirou uma nota para fora e arremessou-a no seu famoso chapéu de abas largas, dizendo:
_Aqui está a multa de dez dólares, que eu agora perdôo. Além disso, vou impor uma multa de 50 centavos para cada um presente neste tribunal, por morarem numa cidade em que uma pessoa tem de roubar pão para que seus netos tenham o que comer, Senhor Bailiff, recolha as multas e entregue-as à ré.
Assim, no dia seguinte, os jornais de Nova York anunciaram que 47,50 dólares haviam sido entregues a uma perplexa senhora que havia roubado um pão para alimentar seus netos famintos, cinqüenta centavos do quais haviam sido doados pelo ruborizado dono da mercearia, enquanto cerca de 70 pessoas, acusadas de pequenos crimes e de violações de tráfego, lado a lado com policiais da cidade de Nova York, aplaudiam o prefeito de pé.
A graça de Deus opera num nível profundo na vida de uma pessoa afetuosa.
Retirado do Livro: Evangelho Maltrapilho, autor Brennan Manning.
Fotos de Fiorello LaGuardia retirados do Wikipedia.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

ESCÂNDALO DA COMUNHÃO por Brennan Manning


Em lugar algum do Novo Testamento a posição privilegiada dos fracassados, dos zes-ninguém e dos desclassificados à margem da sociedade é revelada de forma mais dramática do que no ministério de Jesus de compartilhar refeições com eles.

Hoje em dia é praticamente impossível avaliarmos o escândalo representado pela comunhão de Jesus à mesa com pecadores.

“No ano de 1925, se um abastado fazendeiro de Atlanta, Estados Unidos, estendesse um convite formal para que algum escravo negro colhedor de algodão comparecesse à sua mansão para um jantar de domingo, precedido por coquetéis e seguido por longas horas de conversa regada à conhaque, a aristocracia do estado da Geórgia ficaria profundamente chocada, o estado vizinho de Alabama ficaria furioso e a Ku Klux Klan exasperada. Há 60 ou 70 anos atrás no sul dos Estados Unidos, o sistema de castas era inviolável, a discriminação social e racial inflexível e a indiscrição tornava a perda de reputação inevitável”.

No judaísmo da Palestina do primeiro século o sistema de classes era colocado em vigor à risca. Era legalmente proibido misturar-se com pecadores à margem da lei: sentar-se à mesa com mendigos, cobradores de impostos (traidores da causa nacional, porque coletavam impostos do seu próprio povo para Roma, a fim de ganharem uma comissão) e prostitutas era tabu religioso, social e cultural.

Para o judeu, compartilhar a refeição equivalia a dizer: Venha para o meu mikdash me-at, o santuário em miniatura da mesa da minha sala de jantar, onde celebraremos a mais sagrada e bela experiência que a vida proporciona – a amizade. Foi isso que Zaqueu ouviu quando Jesus chamou-o a descer do sicômoro, e é por isso que as companhias com que Jesus compartilhava as suas refeições provocaram comentários hostis desde o primeiro momento do seu ministério.

Não escapou à atenção dos fariseus a intenção de Jesus de manter a amizade com a ralé. Ele não estava apenas violando a lei, estava destruindo a própria estrutura da sociedade judaica.

“Seria impossível subestimar o impacto que essas refeições devem ter tido sobre os pobres e os pecadores. Aceitando-os como amigos e como iguais Jesus havia removido a vergonha, a humilhação e a culpa deles. Ao demonstrar que eles importavam para ele como pessoas, ele concedeu a eles um senso de dignidade e libertou-os do seu antigo cativeiro. O contato físico que ele deve ter tido com eles à mesa (Jô 13:25) e que ele obviamente nunca sonharia em condenar (Lc 7:38,39) deve tê-los feito sentirem-se limpos e respeitáveis. Além disso, porque Jesus era visto como um homem de Deus e como profeta, eles teriam interpretado o seu gesto de amizade como a aprovação de Deus sobre eles. Agora, eram aceitáveis diante de Deus. Sua pecaminosidade, ignorância e impureza haviam sido deixadas de lado e não eram mais levadas em conta contra eles”.

Para Jesus, essa comunhão à mesa com aqueles que os devotos haviam descartado não era meramente expressão de uma tolerância liberal e de um sentimento humanitário. Era a expressão de sua missão e de sua mensagem: paz e reconciliação para todos, sem exceção, até mesmo para os fracassados morais.

Seja bem-vindo Senhor Jesus à nossa mesa! Nós, pecadores que somos, agradecemos pelo teu amor por nós.

Texto retirado do livro: O Evangelho Maltrapilho – págs. 58-62

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Curador Ferido Henri Nouwen


Henri Nouwen explorou este tema com profundidade e sensibilidade em sua obra clássica O curador ferido. Ele conta a história de um rabino que perguntou ao profeta Elias quando o Messias viria. Elias respondeu que o rabino deveria perguntar diretamente ao Messias, e que o encontraria sentado nos portões da cidade. — Como saberei que é ele? — perguntou o rabino. Elias respondeu: — Ele está sentado entre os pobres, coberto de feridas. Os outros desatam todas as suas feridas ao mesmo tempo e, então, as atam novamente. Mas, o Messias desata uma por vez e as reata novamente, dizendo para si mesmo: "Talvez eu seja necessário. Se assim for, devo sempre estar pronto de forma a não me demorar nem por um momento".

O Servo sofredor de Isaías reconhece suas feridas, mostra-as e disponibiliza-as para a comunidade como um meio de cura.

O curador ferido conclui que a graça e a cura são transmitidas por meio da vulnerabilidade de homens e mulheres que foram atropelados pela vida e tiveram o coração rasgado.

A serviço do Amor, apenas os soldados feridos podem se alistar.


Os Alcoólicos Anônimos são uma comunidade de curadores feridos. O psiquiatra James Knight escreveu:

Estas pessoas tiveram a vida exposta e pressionada até a beira da destruição pelo alcoolismo e pelos problemas que o acompanham. Quando essas pessoas ressurgem das cinzas do fogo do inferno, que é a escravidão do vício, têm uma compreensão, uma sensibilidade e uma disposição para entrar e se manter em encontros curadores com seus companheiros alcoólatras. Nesse encontro não podem, nem se permitirão, esquecer sua transgressão e vulnerabilidade. Suas feridas são reconhecidas, aceitas e mantidas à vista. Além disso, elas são usadas para iluminar e estabilizar suas vidas enquanto trabalham para trazer a cura da sobriedade a seus irmãos e irmãs alcoólatras e, às vezes, a filhos e filhas. A eficácia dos membros do AA no cuidado e tratamento de seus companheiros alcoólatras é uma das histórias de maior sucesso de nosso tempo e ilustra, vividamente, o poder das feridas quando usadas, produtivamente, para aliviar o fardo de dor e sofrimento.

Retirado do livro:
O Impostor que habita em mim
Brennam Manning

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O anjo em Betesda


Deus não apenas perdoa e esquece nossos atos vergonhosos, mas transforma até mesmo a escuridão em luz. Todas as coisas cooperam, juntamente, para o bem daqueles que amam a Deus, "até mesmo", acrescentou Santo Agostinho, "nossos pecados".

A peça, de um único ato, baseada em João 5:1-4, The angel that troubled the waters, de Thornton Wilder, dramatiza o poder de cura do tanque de Betesda sempre que um anjo agitava-lhe as águas. Um médico vem periodicamente ao tanque, esperando ser o primeiro da fila e ansiando ser curado de sua melancolia. O anjo finalmente aparece, mas impede o médico quando está prestes a entrar na água. O anjo manda o médico se afastar, pois esse momento não é para ele. O médico implora por ajuda numa voz entrecortada, mas o anjo insiste que a cura não está destinada a ele.

O diálogo continua, e então chega a palavra profética do anjo: "Sem suas feridas, onde estaria seu poder? E sua melancolia que faz sua voz baixa estremecer dentro do coração de homens e mulheres. Nem mesmo os próprios anjos conseguem convencer os filhos miseráveis e desajeitados na terra como consegue um ser humano quebrado pelas rodas do viver. A serviço do Amor, apenas soldados feridos podem se alistar. Médico, afaste-se".

Depois disso, o primeiro homem que entra no tanque é curado, regozija-se com sua boa sorte e, virando-se para o médico, diz: "Por favor, venha comigo. Estamos apenas a uma hora de casa. Meu filho está perdido em pensamentos obscuros. Eu não o entendo, e só você conseguiu melhorar-lhe o humor. Somente uma hora... Há também minha filha: desde que o filho dela morreu, fica sentada na sombra. Não nos ouvirá, mas ouvirá você".


Os cristãos que permanecem no esconderijo continuam vivendo a mentira. Negamos a realidade de nosso pecado. Numa tentativa fútil de apagar o passado, privamos a comunidade do dom de curar que temos. Se encobrirmos as feridas por conta do medo e da vergonha, nossas trevas interiores não poderão ser iluminadas nem se tornar luz para os outros. Apegamo-nos aos sentimentos ruins e remexemos no próprio passado, quando o que devíamos fazer é deixá-lo desaparecer.

Retirado do livro:
O Impostor que vive em mim.
Brennam Manning

sábado, 4 de abril de 2009

Igrejas crescendo com a mensagem errada.


Única verdade real: Somos amados por Deus - parte 3

Se você está acompanhando os textos entenderá mais facilmente o porquê do título desse post.

As igrejas que mais crescem tem uma mensagem positiva por detrás, seja ela de prosperidade, de resolução de problemas, de cura, de quebra de maldições, mas todas elas giram em torno de um só desafio: SUA VIDA NUNCA MAIS SERÁ A MESMA!

Porque essa mensagem tem atraído milhões de pessoas ao redor do mundo? Por causa do desejo intenso de agradar ao deus-parecido-com-você, o deus interior. A busca de ser melhor para ser agradável a Deus, de se aperfeiçoar para ser instrumento de Deus é uma caminhada sem fim mas com destino certo, a perdição.

E digo isto porque ninguém consegue chegar até Deus, senão por Jesus. E Jesus, como o nosso caminho já fez tudo o que poderia nos tornar agradáveis a Deus. E como não há mais nada que nós tenhamos que fazer, o que fazemos não é para Deus, é para nós mesmos.

Se, simplesmente entendêssemos isso, teríamos a libertação necessária para vivermos em paz com Deus.

A busca de sermos melhores não é errada, mas buscamos sermos melhores para sermos aceitos, e isso cria toda sorte de hipocrisia. Uma coisa é eu me conter para não ser rude sabendo que eu sou rude mesmo. Outra coisa é eu me conter porque eu sou crente, ou sou da religião tal.

É uma fina linha que nos põe no céu ou no inferno.

Por que digo que a mensagem das igrejas que crescem está errada? Porque elas não podem conceder o que prometem, porque prometem algo impossível.

Ninguém pode mudar ninguém, e Deus aceita as pessoas sem mudarem, mas as igrejas esperam que seus membros mudem e quando não mudam (de status, de condição física, de temperamento) eles devem mudar pra outra igreja, pois senão ficarão taxados como alguém que fracassou lá também.

Quantos foram bem recebidos na igreja, mesmo bebendo e com vícios, mas depois de alguns anos com várias recaídas, esses membros são desprezados e excluídos (mesmo que não formalmente) do grupo?

Ninguém fica com pessoas fracassadas, só JESUS! Heheheh...

Hoje, os membros mais desejados das igrejas não são os necessitados, os encarcerados, os pobres, mas sim os empresários, os atores, os jogadores de futebol, os políticos, alguém que traga exposição e evidência para aquela igreja.

Mas quem corre atrás desses pequeninos, recebe o DESEJADO DE TODAS AS NAÇÕES!

Quando tratamos das pessoas com seus percalços com compaixão tornamos nossas igrejas
como Hospitais - Casas de Misericórdias, mas o modelo que vemos hoje está mais para igrejas-empresas, que buscam o lucro, o crescimento de suas marcas, o aumento de seus membros, o aumento de seus bens, mas não atende as pessoas que vão caindo pelo caminho.

Até tem trabalhos sociais, mas não tratam os seus membros com compaixão e misericórdia. Até doam cestas-básicas para famílias carentes, mas aumentam a fome e sede de justiça-própria dos seus membros. Até ajudam as pessoas a mudarem sua forma de falar, sua forma de vestir, mas as condenam a uma máscara de ferro.

Sei que sou injusto ao generalizar, mas meu objetivo é despertar a mente e o coração das pessoas, fazê-las pensarem, refletirem, analisarem.

Que Deus nos ajude até nesse pensar, para que o nosso coração, olhando para todo esse emaranhado de igrejas comércio, não coloquemos nelas o nosso motivo de fracasso.

Somos fracassados por natureza! Isso não vem de Deus, nem do governo, nem das igrejas, nem dos sacerdotes, nem de ninguém, isso é meu! VEM DE DENTRO DE MIM! EU SOU ASSIM!

ACEITO QUE SOU COMO TODOS OS HOMENS: PECADORES E AMADOS POR DEUS!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Amarás a Deus e ao próximo COMO A TI MESMO!


Única verdade real: Somos amados por Deus - parte 2

Incrível como este mandamento é impossível! Primeiro porque amar a Deus é amar ao próximo, mas amar ao próximo exige um amor a mim mesmo. Mas, e se eu não me amo? Posso amar ao próximo com o baixo apreço que tenho por mim mesmo? Devo transferir ao meu próximo o desprezo que eu tenho por mim?

Explico o porquê.

Na história anterior do peru temos uma verdade que nos expõe: a nossa baixa estima. E por causa dela nós buscamos a todo custo a aceitação de todos os que nos rodeiam. Para que isso aconteça nós colocamos perfume, uma roupa nova, falamos diferente e até comemos diferente.

É por isso que as brigas acontecem depois que um namoro começa. A máscara se desfaz e começamos a nos relacionar com o verdadeiro eu.

A verdade é que, se formos e fizermos tudo aquilo que somos certamente não seremos aceitos e por isso fingimos, fugimos, mascaramos, mentimos.

Isso começa desde criança na ânsia de sermos aceitos pelos nossos pais e parentes, depois pelos amiguinhos e sociedade. Os comentários de sempre o que fazemos é errado, ou tudo o que colocamos a mão se quebra, ou que somos desajeitados, ou que nunca seremos bons nos leva a este caminho de auto-flagelo.

E como disse Blaise Pascal que Deus fez o homem à sua semelhança e nós, em retribuição o fizemos à nossa semelhança, isso destitui de Deus, aos nossos olhos o amor incondicional.

Formamos Deus como nós, e como nós não gostamos de nós mesmos, de como somos, de como falamos, do nosso nariz, do nosso passado, da nossa barriga, da nossa estatura, do nosso jeito de ser, o nosso deus também não gosta. E mais, temos que nos esforçar para agradá-lo.

Está aí a base de todas as religiões, o forte apelo para o esforço em busca de agradar a Deus.

Nos ísmos das religiões encontramos o homem sendo um deus, chamam o deus que há dentro de você. Esse deus é rancoroso, se lembra dos seus erros passados, é disciplinador exigindo que você não erre na próxima vez, é exigente esperando que você se supere sempre.

Esse não é o deus que você encontra em Jesus, mas mesmo buscando a Deus você o encontra quando erra, quando faz alguma besteira, quando se decepciona ou decepciona alguém. Este é o deus que aparece para você quando você se masturba, quando você é despedido, quando você bate o carro, quando você fica doente, quando você é processado, quando você cai em alguma tentação.

Esse é o deus que se apresenta como seu atormentador, seu algoz. Tudo por que quando você erra o seu parâmetro não é o amor de Deus, mas o seu conceito. Isto por que você não acredita realmente que Deus em Jesus é tão amável e perdoador como ele se mostrou em vida neste mundo.

DEUS NÃO PODE ME AMAR COMO EU SOU! ELE SÓ ME AMA QUANDO EU ESTOU FAZENDO A SUA VONTADE!

E é assim que vivemos... quando estamos de bem com Deus, servimos a Jesus... quando pecamos, erramos, nos deixamos punir pelo nosso deus interior.

Realmente assim não dá para amar a ninguém, nem a Deus nem ao próximo.

E como resolver esta situação?

1) Aceite que Deus te ama como você é.
2) Aceite que Deus te ama mesmo quando você peca.
3) Aceite que Ele JÁ PERDOOU TODOS OS SEUS PECADOS: PASSADOS, PRESENTES E FUTUROS.
4) Aceite que você é assim e não precisa ser melhor para Deus te querer, isso é graça.
5) Aceite que é amado por Deus PARA SEMPRE.
6) Não aceite o jugo de punição pelo deus-parecido-com-você, somente reconheça sua condição ou falta dela.
7) Caia na real... DEUS AMA VOCÊ!
8) Viva a partir de agora em resposta a esse amor de Deus.
9) Pelo amor de Deus... ... será que você entendeu!??!! Deponha as armas cara!
10) Sei lá... que Deus te ajude a entender e aceitar. Esta é minha oração por você!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O Conto do Peru por Flannery O´Connor.


Única verdade real: Somos amados por Deus - parte 1

No conto de Flannery O'Connor, The turkey, o anti-herói e protagonista é um garotinho chamado Ruller. Sua auto-imagem é ruim porque nada cm que põe a mão parece dar certo. À noite, em sua cama, ele ouve os pais o analisarem:

— O Ruller não é normal — diz seu pai. — Por que ele sempre brinca sozinho? — E sua mãe responde: — Como eu vou saber?

Um dia, Ruller percebe, na mata, um peru selvagem ferido e inicia uma intensa perseguição. "Ah, se eu conseguir pegá-lo!", ele grita. Vai pegá-lo ainda que tenha de correr até desmaiar. Ele se vê marchando triunfantemente pela porta da frente de sua casa, com o peru pendurado no ombro e toda a família gritando:

— Vejam o Ruller com um peru selvagem! Ruller, onde você conseguiu esse peru?

— Ah, eu o capturei na mata. Talvez algum dia vocês possam pegar um desse, como eu.

Mas, então, um pensamento lhe cruza a mente: "provavelmente, Deus vai me fazer perseguir este maldito peru a tarde inteira por nada". Ele sabe que não deveria pensar assim a respeito de Deus —, mas é assim que se sente. Seria possível evitar esse sentimento? Fica curioso por saber se é anormal.

Finalmente, Ruller captura o peru quando este cai morto por causa da ferida de um tiro que, anteriormente, o havia atingido. Ele o coloca nos ombros e inicia sua marcha messiânica de volta ao centro da cidade. Lembra-se de coisas que pensara antes de conseguir a ave. Eram pensamentos consideravelmente ruins, ele supõe. Imagina que Deus o tinha interrompido antes que fosse tarde demais. Deveria estar muito agradecido. — Obrigado, Deus! — ele diz. — Sou muito grato a ti. Este peru deve pesar uns quatro quilos. Foste tremendamente generoso.
Talvez, conseguir o peru seja um sinal, ele pensa. Talvez, Deus queira que seja um pregador. Pensa em Bing Crosby e Spencer Tracy enquanto adentra a cidade com o peru dependurado no ombro. Quer fazer algo para Deus, mas não sabe o quê. Se tivesse alguém tocando acordeão, na rua, hoje, ele daria seus dez centavos. São os únicos centavos que possui, mas ele os daria.

Dois homens se aproximam e assobiam. Chamam os outros homens que estavam na esquina para ver o peru.

Quanto você acha que ele pesa? — perguntaram eles.

Pelo menos uns quatro quilos — Ruller respondeu.

Por quanto tempo você o perseguiu?

Por quase uma hora — disse Ruller.

Isso é mesmo impressionante. Você deve estar bem cansado.

Não, mas tenho de ir — Ruller replica. — Estou com pressa. Ruller não via a hora de chegar em casa.

Ele deseja encontrar alguém mendigando. De repente, ele ora: "Senhor, mande um mendigo. Mande-o antes de eu chegar em casa". Deus pôs o peru naquele momento. Certamente, enviará um mendigo. Ele tem certeza de que Deus enviará alguém. Por ser uma criança singular, ela interessa a Deus. "Por favor, um mendigo agora mesmo!" — e nesse instante uma velha mendiga surge bem a sua frente. Seu coração bate com força. Ele dispara em direção à mulher, gritando: — Aqui, aqui —, aperta os dez centavos na mão e sai correndo sem olhar para trás.

Lentamente seu coração se acalma, e ele começa a ter um novo sentimento — algo como estar alegre e confuso ao mesmo tempo. Possivelmente, ele pensa, dará todo seu dinheiro a ela. Sente como se o chão não precisasse mais estar debaixo dele.

Ruller percebe um grupo de garotos da roça arrastando-se atrás dele. Ele se volta e pergunta, generosamente:

— Querem ver o peru ?

Os garotos o olham fixamente:

Onde você conseguiu esse peru?

Eu o achei na mata. Eu o cacei até a morte. Vejam, tomou um tiro na asa.

Deix'eu ver — diz um garoto.

Ruller lhe dá o peru. A cabeça do animal voa na direção de seu rosto enquanto o garoto o gira no ar sobre o próprio ombro, e dá meia volta e leva embora o peru. Os outros garotos também se viram e vão embora, andando despreocupadamente.

Eles estão a quatrocentos metros de distância quando Ruller se mexe. Finalmente, estão tão longe que nem consegue enxergá-los. Em seguida, ele se arrasta para casa. Anda um pouco e então, ao perceber que está escuro, subitamente começa a correr.

A requintada fábula de Flannery O'Connor termina com as palavras: "Ele correu cada vez mais rápido, e à medida que subia pela estrada de sua casa, sentia o coração tão acelerado quanto as pernas. Estava certo de que Algo apavorante rasgava atrás dele, com os braços rijos e os dedos prontos para agarrar".

Diante de Ruller, muitos de nós, cristãos, encontramo-nos revelados, despidos, expostos. Nosso Deus aparentemente é o Único que dá perus com benevolência e caprichosamente os tira.

Quando os dá, sinaliza o interesse e o prazer que tem em nós. Sentimo-nos próximos de Deus e somos incitados à generosidade. Quando os tira, sinaliza o desprazer e a rejeição. Sentimo-nos repudiados por Deus.

Ele é volúvel, imprevisível, excêntrico. Firma-nos apenas para nos decepcionar. Lembra-se de nossos pecados do passado e retalia arrancando os perus de saúde, riqueza, paz interior, progenitura, império, sucesso e alegria.

Assim, inadvertidamente, projetamos em Deus as atitudes e os sentimentos que nutrimos por nós mesmos. Como Blaise Pascal escreveu: "Deus fez o homem a sua imagem e semelhança, e o homem retribuiu a gentileza".

Portanto, se nos detestamos, tomamos por certo que Deus sente o mesmo por nós.

Mas, não podemos pressupor que ele sinta por nós o mesmo que sentimos por nós mesmos — a menos que nos amemos compassiva, intensa e livremente.

Na forma humana, Jesus nos revelou como Deus é. Ele expôs nossas projeções como idolatria e nos ofereceu um caminho para nos libertarmos delas.

É necessária uma profunda conversão para aceitar que Deus é inflexivelmente terno e compassivo conosco da maneira como somos — não a despeito de nossos pecados e culpas (isso não seria aceitação total), mas com elas.

Apesar de Deus não tolerar, ou sancionar o mal, ele não retém seu amor por nós devido à nossa maldade.

Se jogue nesse amor!!!!

Retirado do livro:
O impostor que habita em mim - Brennan Manning.

domingo, 29 de março de 2009

Entrevista especial com Brennan Manning

Brennan Manning é o autor de O evangelho maltrapilho, A sabedoria da ternura e outras obras já publicadas no Brasil.

Muitos cristãos ainda temem deixar que Deus os ame como realmente são, afirma o ex-padre, alcoólico sóbrio e escritor.

O que é um maltrapilho?

Bem, o Antigo Testamento apresenta uma bela cena sobre os Anawims. No século 18, eles são os pobres, desabrigados e sem-terras; Deus um dia restaurará a prosperidade deles. No século 6, porém, os Anawims adquiriram um sentido de imensa profundidade espiritual. Eram os pobres de espírito, que tinham confiança inabalável em Deus e se comprometeram por completo a fazer a vontade dele.

Agora, quando o tema chega ao Novo Testamento, os Anawims são os que se reúnem para conhecer Jesus em seu nascimento. São os pobres, desconhecidos, as pessoas à margem da respeitabilidade. São os pastores. Lá está Ana, uma senhora de 84 anos, e Simeão, um idoso. E todos os animais. E lá está, claro, a Virgem Maria, que fora considerada a última e a inferior em uma longa linhagem. Esses são os verdadeiros pobres de espírito. Eles reconhecem que dependem completamente de Deus, até mesmo para respirar, lançaram sua esperança sobre Jesus e se renderam à vontade do Pai. Isso, basicamente, é a definição de um maltrapilho.

Fale-nos de sua premissa sobre a confiança do crente em Deus.

A idéia básica se resume em uma sentença: O esplendor do coração humano que confia e é amado incondicionalmente dá a Deus mais prazer do que a Catedral de Westminster, a Capela Sistina, a Nona Sinfonia de Beethoven, os Girassóis de Van Gogh, a visão de dez mil borboletas em revoada ou o perfume de um milhão de orquídeas em flor. Confiança é o presente de retribuição que damos a Deus, que gosta tanto do presente que levou Jesus a morrer por amor a ele.

Foi isso que Jesus disse que precisamos trazer para o relacionamento?

Sim. Confiança e entrega como de uma criança, creio eu, é a definição do discipulado autêntico. Com freqüência, a necessidade suprema em nossa vida é a mais ignorada: confiança inabalável no amor de Deus, qualquer que seja a situação. Penso que foi esse o ensinamento de Paulo ao escrever em Filipenses 4.13: “Tudo posso naquele que me fortalece”.

Mas, como podemos saber se estamos confiando mesmo? A maioria das pessoas afirma que confia em Deus.

A característica dominante de uma vida espiritual autêntica é a gratidão que brota da confiança – não apenas por todos os dons que recebo de Deus, mas gratidão também por todo o sofrimento. Por ser uma experiência purificadora, o sofrimento é, freqüentemente, o caminho mais curto para a intimidade com Deus.
Acrescentaria, também, que a confiança bíblica cresce a partir do amor. Minha confiança em Deus deriva da experiência do amor dele por mim, dia e noite, haja tempestade ou calmaria, doença ou saúde, esteja eu em boa ou má situação. Ele se aproxima de mim onde eu vivo e me ama como sou.

Em João 17.26, Jesus disse: “Eu os fiz conhecer o teu nome, e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim esteja neles, e eu neles esteja”. Abba tem por nós exatamente o mesmo amor que tem por Jesus, quando habita em nosso coração. O problema é que a maioria das pessoas não sabe disso.

Quer dizer que parte do problema é falta de atenção?

Acredito que a verdadeira diferença na igreja americana não é entre conservadores e liberais, fundamentalistas e carismáticos, nem republicanos e democratas. A diferença está entre os que percebem e os que não percebem.

Quando uma pessoa percebe esse amor, o mesmo que o Pai tem por Jesus, ela se enche de gratidão espontânea. O clamor de gratidão se torna a característica dominante de sua vida interior, e o subproduto da gratidão é alegria. Não ficamos alegres e depois gratos, é a gratidão que nos enche de alegria.

Mas existe o sofrimento, também. Em seu livro, em meio à gratidão e à contemplação de Deus, você fala de forma bem pessoal sobre como, se quisermos realmente aprender a confiar em Deus, não é possível evitar o sofrimento pessoal.

Quando eu vivia em Nova Orleans, sem freqüentar nenhum centro de reabilitação para alcoólatras e dependentes de drogas, eu me agarrava a um gole de vodka e o que menos queria era o tratamento de 28 dias que poderia salvar minha vida.

Continuei a beber – uma criança bêbada clamando: “Jesus, onde você está?”. Como vivenciamos a confiança no meio de dor, sofrimento, mágoa e puro desespero? Quer dizer, será possível suportar e por fim vencer o cenário sombrio e melancólico do mal e da destruição e voltar a sentir que o amor de Deus é incondicional? Essa é a pergunta que faço aos cristãos. Vocês confiam no amor de Deus? Todos respondem que sim, que sabem disso há muito tempo. Aí, observe como vivem. Há tanto medo, tanta ansiedade, tanta raiva de si mesmos. A melhor definição de fé que já ouvi foi feita por Paul Tillich: “Fé é a coragem de aceitar a aceitação”.

O que significa isso?

Fé é um código para aceitar que Jesus conhece toda a história de minha vida, cada segredo, cada momento de pecado, vergonha, desonestidade e degradação em meu passado. Agora mesmo Ele conhece minha fé superficial, minha vida de oração frágil, meu discipulado inconstante, aproxima-se de mim e fala: “Desafio você a confiar. Confiar que eu o amo exatamente como você é e não como deveria ser, porque você nunca será como deveria ser”.

Por que temos medo de Deus não nos amar como somos?

Minha percepção é que pensamos que, se deixarmos Deus livre em nossa vida, ele irá pedir demais de nós. Será que ele vai me mandar ficar 10 anos em Calcutá, com as missionárias de Madre Teresa? Será que vai me fazer ter câncer? Ele pode me mandar deixar minha esposa e ir viver sozinho numa caverna, pensando só nele. Esses temores malucos não têm nada a ver com o Deus verdadeiro, que se delicia com seu povo.

Para mim, é mais importante amar do que ser amado. Quando a pessoa ainda não teve a experiência de ser amada por Deus, do jeito que é e não como deveria ser, então amar os outros se torna um dever, uma responsabilidade, uma tarefa. Mas, quando aceito ser amado como sou, com o amor de Deus derramado em meu coração pelo Espírito Santo, então posso alcançar os outros com menos esforço.

E a confiança que nasce desse amor, como você falou, é implacável.

Isso soa engraçado: confiança implacável. O dicionário define implacável como “sem piedade”. No contexto que estou usando, é sem autopiedade, que é a primeira reação normal inevitável. Creio ser perda de tempo tentar acabar com ela. Entretanto, chega o momento em que ela ameaça se tornar maligna. Pode nos atrair para a autodestruição e comportamentos como afastamento, isolamento, bebida, drogas e assim por diante. E depois apenas imploramos a graça de Deus para colocar um limite temporal em nossa autopiedade.

O poeta disse que a última ilusão de que devemos abrir mão é o desejo de nos sentirmos amados. Há um monge que viveu durante 30 anos na abadia Genesee. Um visitante lhe perguntou se ele se sentia mais próximo de Deus do que há 30 anos. A resposta gloriosa do monge foi: “Não, mas isso não tem mais importância”. Ele estava tão livre da necessidade de se sentir amado que podia aceitar, indiscriminadamente, consolo ou desolação, presença ou ausência de Deus, como sendo a mesma coisa. Graças a Deus que, com a instabilidade de meus sentimentos frágeis, a presença dele em mim não depende do que eu sinto. Se dependesse eu estaria com sérios problemas.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O JOGO ACABOU

Confiança em Deus é acreditar que aquilo que Ele fez na cruz já bastou para a sua salvação, e que você não precisa fazer mais nada para ser amado e aceito por Deus. Mais nada!! E fazer mais nada quer dizer mais nada mesmo: Nem ir para a igeja, nem orar, nem ler a Bíblia, nem evangelizar, nem... nem... nem...

Você não precisa fazer mais nada para ser amado e aceito por Deus, porque Jesus já fez tudo no seu lugar e confiança é aceitar isso!

Todas as outras coisas que eu disse anteriormente são boas, mas não vão comprar o amor de Deus nem a sua salvação. Ao contrário, se você assim o fizer isto tirará a paz e o amor de Deus do seu coração, porque haverá muita culpa e medo envolvido na sua busca de agradar a Deus pelos seus próprios esforços. E você verá que não é capaz de manter esse alto padrão por muito tempo.

Orar, ler a Bíblia, evangelizar, fazer boas obras é coisa natural dos que confiam no Senhor, dos que foram salvos pela graça mediante a fé. Fazer todas essas coisas é fruto de uma que confia em Jesus. Mas em nenhum momento essas coisas me tornarão melhor ou pior.

As obras da fé vem depois dessa experiência com a graça de Deus. Se você busca ser agradável a Deus pelo que você faz você entrará no barco da religião. A religião é que traz o medo, o pavor, a culpa como sentimento maior de culto a Deus. Ela começa com as obras pra chegar na salvação
Ela diz que a salvação é pela graça mas na prática são as obras que contam.

A religião cobra um estilo de vida altíssimo, mas que no fundo é hipócrita, pois ninguém pode chegar no nível que ela cobra.

Na graça, você chega no nível que Deus quer por causa do que Jesus fez. E qual é a sua parte? Aceitar e confessar diante de Deus e dos homens que você é pecador e que necessita Dele. Que você é IGUAL a todos os homens, e por isso pode se compadecer de qualquer um, sem se sentir superior.

Na primeira carta de João ele diz que "se dissermos que não temos pecado a verdade não está em nós". A coisa com Deus é mais simples, é só aceitarmos que somos doentes, necessitados, incapazes, pecadores para Ele ser o Doutor, Curador, Salvador, Advogado de nossas vidas. Essa é a verdade. Ele só quer a verdade sobre nós. Ele não quer máscara, performance, desempenho, Ele quer a verdade, pois se formos verdadeiros Ele pode nos curar.

Lembrando que não são os sãos que precisam de médico. Enquanto estivermos envoltos nas nossas religiões estaremos achando que os das outras religiões estão errados, que os nossos amigos que não vem pra igreja vão pro inferno, que somos melhores que os outros, fazemos distinção das coisas de Deus e as do MUNDO...

A religião é o demônio da hipocrisia que vive baseado nas obras de cada um!

Donald McCullough mostra como é a confiança que a graça produz:
A graça quer dizer que no meio do jogo o juiz apita anunciando o término da partida. Somos declarados vencedores e mandados para o chuveiro. Encerrados estão todos os esforços para
obter-se o favor de Deus; cancelado está todo o suado empenho para garantir valor próprio; chegou ao fim toda a pressa competitiva de chegar na frente dos outros. A graça quer dizer que Deus está do nosso lado e que somos, portanto, vitoriosos, independentemente do nosso desempenho no jogo. Podemos partir tranquilamente para o chuveiro e para a comemoração da vitória.

Auréolas Tortas por Brennan Manning

Um homem entrou no consultório médico e disse:
_ Doutor, tenho um aterrível dor de cabeça que nunca vai embora. O senhor poderia me receitar alguma coisa para ela?
_ Sim, disse o médico, mas quero checar algumas coisas antes. Diga, você bebe muito bebida alcoólica?
_Álcool? disse o homem indignado. Nunca chego perto dessa porcaria.
_Fuma?
_Acho cigarro nojento. Nunca na minha vida provei um.
_E com relação a sair a noite, baladas...?
_Claro que não! Quem o senhor acha que eu sou? Estou na cama todo dia antes das dez.
_Diga-me uma coisa, pediu o médico. Essa sua dor de cabeça é um tipo agudo e penetrante?
_É assim mesmo, uma dor aguda e penetrante doutor.
_Então é simples, meu caro. Seu problema é que a sua auréola está apertada demais. Só precisamos soltá-la um pouquinho!

Retirado do livro: Evangelho Maltrapilho, pág. 73