Mostrando postagens com marcador orgulho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador orgulho. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Resposta Errada - Stephen Swihart

Há muito tempo, em minha primeira tentativa como escritor, produzi doze livretos sobre a fé cristã, que foram publicados seqüencialmente, um por mês.

Certa vez, levei uma pilha desses livretos a um médico cristão, na esperança de que se interessasse em comprar uma dúzia deles para deixá-los no balcão da recepção. Antes de falar com ele, tive que aguardar por algum tempo na sala de espera. Foi uma boa oportunidade para praticar minha apresentação comercial. Ensaiei minha fala até sentir que ele compraria alguns livros.

Finalmente, aquele médico apareceu e sentou-se à minha frente. “Estou pronto”, disse minha consciência confiante e iludida. O médico ouviu minha veemente apresentação.

“Tenho apenas uma pergunta para fazer-lhe”, disse ele. “Por que escreveu este material?”
Essa era fácil, pensei. Se essa fosse sua única preocupação, não haveria problema. Continuei contando-lhe a respeito do meu premente desejo de ver cristãos tornando-se maduros.

Expliquei-lhe como meu material havia sido cuidadosamente planejado para ajudar os crentes a crescerem espiritualmente.

“Essa é a resposta errada”, disse ele sem rodeios ao final de minha defesa. “Não desejo nenhum de seus livretos!”

Fiquei chocado! Ao dizer que eu havia dado a resposta errada, senti como se uma corrente elétrica tivesse percorrido todo meu corpo. “Como poderia minha resposta não estar correta?”, pensei. Com ousada incredulidade, perguntei àquele médico o que ele queria dizer com aquilo e qual resposta deveria ter-lhe dado.

O que ele respondeu, cerca de trinta anos atrás, marcou-me como uma cicatriz adquirida em uma batalha.

“A única coisa que desejava ouvir de você era que Deus lhe estava conduzindo a escrever essa literatura”, disse o médico. “O que você deseja fazer, mesmo que para cristãos, não me interessa. Se, porém, você tivesse respondido que foi Deus quem plantou esse projeto em seu coração, eu teria comprado todos os seus livros.”

Imediatamente, comecei a explicar que essa era uma questão tão básica que sequer precisava ser mencionada. Já estava subentendida.

“Se Deus manda fazer alguma coisa”, continuou ele, interrompendo-me naquele ponto, “isso não deve ser deixado como subentendido, mas deve ser a primeira coisa a ser dita.”

Com essas palavras, aquele médico levantou-se e despediu-me. Voltei para casa como um cachorrinho com o rabo entre as pernas.

Aprendi uma profunda lição com esse médico cristão. Meu serviço a Deus não deve ser motivado pelas necessidades que percebo em outros, nem mesmo pelos desejos de meu próprio coração. Ao contrário, meu servir deve ser em resposta clara à direção do Espírito Santo. Serviço do nosso próprio jeito, ainda que para o Senhor, não é aceitável. Aquilo que faço para ele deve ser, antes de tudo, a resposta ao seu próprio mover em meu coração.

Deus não está à procura de voluntários que trabalhem para ele, ainda que isso lhes satisfaça o coração. Ao contrário, ele busca pessoas submissas para servir-lhe de maneira a satisfazer o seu coração!

Extraído de “Histórias que Abrem a Janela Mais Ampla de Deus”, DeVern Fromke, Edições Tesouro Aberto.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

IDOLATRIA: Esse assunto é com você!!!!

Ídolo - do Gr. eídolon, s. m., figura, estátua ou imagem que representa uma divindade e que é objecto de adoração; pessoa a quem se tributa muito respeito e veneração; aquilo que é objecto de adoração, de paixão cega.

Nós, como pessoas que têm tendência para a idolatria fazemos a seguite equação:

1) Bom pregador = Santo Homem de Deus.
2) Famoso Autor de livros espirituais = Santo Homem de Deus.
3) Compositor e cantor de lindas músicas gospel = Santo Homem de Deus.
4) Homem de grande conhecimento bíblico = Santo Homem de Deus.
5) Pastor de uma grande igreja = Santo Homem de Deus.
6) Pessoa que tem algum dom espiritual = Santo Homem de Deus.

A idolatria nos cega. Sem a idolatria as pessoas SÃO O QUE SÃO.

1) Bom pregador =
Homem que fala bem.
2) Famoso Autor de livros espirituais = Bom escritor.
3) Compositor e cantor de lindas músicas gospel = Músico.
4) Homem de grande conhecimento bíblico = Homem de grande conhecimento bíblico.
5) Pastor de uma grande igreja =
Pastor de uma grande igreja.
6) Pessoa que tem algum dom espiritual = Pessoa que tem algum dom espiritual.

SÓ ISSO!!!! MAIS NADA!!!

Não se pode acrescentar nem uma gota de virtude, nem um traço de caráter de valor, se você não convive com essas pessoas. Só a convivência pode mostrar quem realmente elas são.

"Quanto mais uma pessoa se esconde atrás de uma máscara, mais será apreciada. É o que acontece na vida das igrejas. Quanto mais um líder é intocável, mais as pessoas os apreciam e querem aproximar-se dele. Quanto mais acessível e transparente, menos interesse suscita. Mas quando vivemos em família, as máscaras caem. A falsa espiritualidade não se sustenta. Mesmo líderes erram, são pecadores dependentes da graça de Deus e têm que pedir perdão."
Pastor Paulo Capeletti da Missão Cena, SP.
Mas o problema não acaba aí. Quando nós obrigamos os líderes a serem quem eles não são, jogando sobre eles a nossa expectativa de santidade, de busca a Deus, fazemos com que usem máscaras para continuarem a ser reconhecidos por nós como santos e modelos. Essa busca por reconhecimento dos outros corrói a alma dos líderes fortalecendo o narcisismo.
O que você pode fazer para não contribuir com esse sistema mundano dentro da igreja? Aceite seus líderes como seres humanos falhos como eles são. Ouçam suas palavras, os apoiem em suas fraquezas, conversem com eles sobre suas faltas, e ... AMEM....
Outra coisa importante seria você não usar máscaras na igreja. Que as pessoas pudessem te conhecer verdadeiramente através da sua confissão de pecados. É claro, que se você realmente fizer assim... provavelmente nunca ocupará um cargo na igreja... por todos os motivos acima... mas... esse assunto é com você!!!!
Obs: Uma dica é você ler o livreto: Abaixo da Linha de Fundo. Ele está disponível na área Destaques do Blog e pode ser baixado gratuitamente.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Louvar a Homens - John Nelson Darby

(Carta escrita em 1847 ao editor de um dos seus livros)

Meu caro amigo e irmão em Jesus Cristo, Deu-me muita satisfação ver sua tradução do meu livro. Tive o grato prazer em lê-la, ou melhor dizendo, em ter alguém que a lesse para mim naqueles momentos nos quais o Senhor nos diz, como disse aos apóstolos: “Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto" (Mc 6.31). Mas não posso deixar de dizer-lhe, meu caro amigo, que o prazer que a aparência do seu trabalho me trouxe foi, em certa medida, abatido pela opinião demasiado favorável que você expressou a meu respeito no prefácio. Antes que tivesse lido uma palavra sequer de sua tradução, presenteei um mui querido e sincero amigo com um exemplar, e ele mencionou o que você escreveu em seu prefácio louvando minha piedade. O texto produziu em meu amigo o mesmo efeito que viria a produzir em mim, mais tarde, quando o pude ler. Espero, entretanto, que você não leve a mal o que vou dizer a respeito do assunto, o que é fruto de uma experiência razoavelmente longa. O orgulho é o maior de todos os males que nos afligem e, de todos os nossos inimigos, não apenas é o mais difícil de morrer, como também o que tem a morte mais lenta; mesmo os filhos deste mundo são capazes de discernir isto. Madame De Stael disse, em seu leito de morte: “Sabe qual é a última coisa que morre em uma pessoa? É o seu amor-próprio". Deus abomina o orgulho mais do que qualquer coisa, pois o orgulho dá ao homem o lugar que pertence a Deus que está acima de tudo. O orgulho interrompe a comunhão com Deus e atrai sua repreensão, pois "Deus resiste aos soberbos" (1 Pe 5.5). Ele irá destruir o nome do soberbo, pois nos é dito que "a altivez do homem será humilhada, e a altivez dos varões se abaterá, e só o Senhor será exaltado naquele dia" (Is 2.17).

Como você mesmo irá sentir, meu caro amigo, estou certo de que não há maior mal que uma pessoa possa fazer a outra do que louvá-la e alimentar seu orgulho. "O homem que lisonjeia a seu próximo arma uma rede aos seus passos" (Pv 29.5) e "a boca lisonjeira é causa de ruína" (Pv 26.28).

Você pode estar certo, além do mais, que nossa vista é muito curta para sermos capazes de julgar o grau de piedade de nosso irmão; não somos capazes de julgar corretamente sem a balança do santuário, e ela está nas mãos daquele que sonda o coração. Não julgue nada antes do tempo, até que o Senhor venha e torne manifestos os conselhos do coração e renda a cada um o devido louvor (1 Co 4.5). Até então, não julguemos nossos irmãos, seja para bem seja para mal, senão com a moderação que convém, e lembremo-nos de que o melhor e mais certo juízo é aquele que temos de nós mesmos quando consideramos aos outros melhores do que nós. Se eu fosse lhe perguntar como sabe que sou "um dos mais avançados na carreira cristã e um eminente servo de Deus", sem dúvida você iria ficar sem saber o que responder. Talvez você viesse a mencionar minhas obras publicadas; mas será que você não sabe, querido amigo e irmão – você que pode pregar um sermão edificante tanto quanto eu –, que os olhos vêem mais do que os pés alcançam? E que, infelizmente, nem sempre somos o que são os nossos sermões? "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós" (2 Co 4.7).

Não lhe direi a opinião que tenho de mim mesmo, pois se o fizer, é provável que, enquanto o faça, procure minha própria glória e, enquanto estiver buscando minha própria glória, possa parecer humilde, o que não sou. Prefiro dizer-lhe o que o nosso Mestre pensa de mim – ele que sonda o coração e fala a verdade, que é "o Amém e a fiel Testemunha", e que tem falado freqüentemente no mais íntimo do meu ser, pelo que lhe agradeço.

Creia-me, ele nunca me disse que sou um "eminente cristão e avançado nos caminhos da piedade". Ao contrário, ele me diz bem claramente que se eu procurasse o meu próprio lugar, iria encontrá-lo como sendo o do maior dos pecadores, pelo menos dentre os que são santificados. E devo dar mais crédito ao julgamento que ele faz de mim, meu caro amigo, do que àquilo que você pensa a meu respeito. O mais eminente cristão é um daqueles de quem nunca se ouviu falar, algum pobre trabalhador ou servo, para quem Cristo é tudo, e que faz tudo para ser visto por ele, e somente por ele. O primeiro deve ser o último.

Fiquemos convencidos, meu caro amigo, de louvar somente o Senhor. Só ele é digno de ser louvado, reverenciado e adorado. A sua bondade nunca é demasiadamente celebrada. O cântico dos abençoados (Apocalipse 5) não louva a ninguém senão “Aquele que os redimiu com o seu sangue”. Não há no cântico uma única palavra de louvor a qualquer dos redimidos – nenhuma palavra que diga que são eminentes, ou que não são eminentes –; todas as distinções estão perdidas no título comum, "os redimidos", que expressa a alegria e glória de todo o Corpo. Empenhemo-nos em trazer nossos corações em uníssono com aquele cântico, ao qual todos esperamos que nossas débeis vozes venham se unir. Esta será a razão da nossa alegria, mesmo enquanto estivermos aqui, e contribuirá para a glória de Deus, a qual é lesada pelo louvor que os cristãos freqüentemente prestam uns aos outros. Não podemos ter duas bocas – uma para louvar a Deus e outra para louvar o homem.

Possamos, então, conhecer o que os serafins fazem (Is 6.2,3), quando com duas asas cobrem suas faces, como um sinal de sua confusão diante da sagrada presença do Senhor; com outras duas asas cobrem seus pés, como se tentassem esconder de si mesmos os seus próprios passos; e com as duas asas restantes voam para executar a vontade do Senhor, enquanto proclamam: "Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos: toda a terra está cheia da sua glória". Perdoe-me por estas poucas linhas de exortação cristã, as quais, tenho certeza, irão, cedo ou tarde, tornar-se úteis para você, passando a fazer parte da sua própria experiência. Lembre-se de mim em suas orações, enquanto rogo para que a bênção do Senhor possa pousar sobre você e seu trabalho. Se você porventura vier a imprimir uma outra edição – como espero que aconteça – por gentileza, exclua as duas frases para as quais chamei sua atenção; e me chame simplesmente "um irmão e ministro no Senhor". Isto já é honra bastante, e não é preciso mais.

John Nelson Darby, 1800-1882, foi uma das principais figuras do movimento na Inglaterra conhecido como “Plymouth Brethren” (ou “Irmãos Livres”; ou “Casas de Oração”, no Brasil) e é considerado pai da linha teológica chamada “dispensacionalismo”.

sábado, 6 de outubro de 2007

Mal-entendidos do orgulho - CS Lewis

Precisamos nos precaver contra alguns mal-entendidos sobre o assunto ORGULHO.

(1) O prazer de ser louvado não é orgulho. A criança que recebe sinais de afeto por ter feito bem a lição; a mulher cuja beleza é louvada por aquele que a ama; a alma que se salvou e à qual Cristo diz: “Muito bem, servo bom e fiel”; todos esses são, e devem ser, agraciados. Pois aqui o prazer reside não no que somos, mas em agradar a quem desejamos (corretamente) agradar. O mal começa quando, depois de pensarmos: “Eu o agradei, que bom”, passarmos a pensar: “Como devo ser bom, por ter conseguido agradá-lo assim!”

(2) Dizemos muitas vezes que fulano tem “orgulho” de seu filho, ou de seu pai, ou da sua escola ou do seu regimento; a pergunta que surge agora é: “orgulho”, nesse sentido, é pecado? A resposta vai depender do que queremos dizer com a palavra “orgulho”. Muitas vezes, empregamos esta palavra para dizer que “temos uma sincera admiração”. Tal sentimento está muito longe de ser pecado. Mas pode acontecer que a pessoa em questão se ache muito importante por ter um pai ilustre ou por estar num famoso regimento. Isso já seria, claramente, um erro; mesmo assim, é melhor do que simplesmente ter orgulho de si mesmo. Amar e admirar algo que não seja a si mesmo é recuar um passo da total ruína espiritual; todavia não estamos bem enquanto amamos e admiramos alguma coisa mais do que amamos e admiramos a Deus.

(3) Não se deve pensar que Deus proíbe o orgulho porque o ofende, ou que exige a humildade como elemento necessário para sua própria dignidade, como se o próprio Deus fosse orgulhoso. Ele não está, nem por um instante, preocupado com a sua própria dignidade. A questão é que Deus quer que o conheçamos, quer se dar a nós. E a relação entre nós e Deus é de uma natureza tal que, se tivermos qualquer espécie de contato real com Deus, nós nos tornaremos, de fato, humildes – prazerosamente humildes, sentindo o infinito alívio de termos nos livrado de uma vez por todas da absurda bobagem de nossa própria dignidade, que nos fez ansiosos e infelizes por toda a vida. Deus procura fazer-nos humildes a fim de tornar possível este momento: ele quer nos ajudar a tirar todas essas tolas e absurdas fantasias com que nos enfeitamos, andando por aí todo empertigados como os pequenos idiotas que somos. Eu mesmo gostaria de ter caminhado mais nessa área de humildade; se tivesse, com certeza conseguiria expressar-me melhor sobre o alívio e o prazer de tirar a fantasia, de livrar-me do falso eu com todos os seus “Olhem para mim” e “Não acham que sou uma boa pessoa?” e com todo o seu artificialismo e jactância. Conseguir chegar perto disso, nem que seja por um momento, é como um copo de água fresca no deserto.

(4) Não pense que, se você conhecer um homem verdadeiramente humilde, ele será o que as pessoas chamam de “humilde” hoje em dia: aquele tipo escorregadio e bajulador que repete constantemente que não é ninguém. Provavelmente, a impressão que uma pessoa humilde deixará é de alguém muito alegre e inteligente, que demonstrou sincero interesse pelo que você lhe contou. Se você não gostou dele, é porque sentiu um pouco de inveja de alguém que parece ter prazer na vida com tanta facilidade. Ele não é do tipo que pensa em humildade; aliás, não chega nem mesmo a pensar em si próprio.

A quem queira adquirir a humildade, acho que posso ensinar-lhe o primeiro passo. É compreender que é orgulhoso. E este não é um passo insignificante. Pelo menos nada, nada mesmo, pode ser feito até que se chegue nesse lugar. Se você acha que não é orgulhoso, é sinal de que, na realidade, é extremamente orgulhoso.

Extraído de “Cristianismo Puro e Simples”, de C. S. Lewis, Editora Martins Fontes, Livro III, capítulo 8. C. S. Lewis (1898-1963) é considerado o maior escritor cristão do século XX.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Vencendo Outros Pecados Pelo Orgulho - CS Lewis

É terrível que o pior dos pecados possa penetrar em nosso ser, tal qual um produto contrabandeado, até atingir o próprio centro da nossa vida espiritual! Mas não é difícil entender como isso acontece. Os outros pecados, menos nocivos, provêm da atuação do diabo em nossa natureza animal. Já o orgulho não penetra em nós através de nossa natureza animal, absolutamente. Vem diretamente do inferno! É puramente espiritual e, conseqüentemente, muito mais sutil e mortal.

É por esse mesmo motivo que o orgulho pode ser usado, muitas vezes, para subjugar os pecados mais simples. Os professores, de fato, apelam muitas vezes ao orgulho (ou, como dizem, ao “amor próprio”) dos seus alunos para motivá-los a se comportarem de forma apropriada; muita gente tem vencido assim a covardia, a luxúria e o mau gênio, aprendendo a pensar que essas coisas não condizem com a sua dignidade. Em outras palavras, superaram por meio do orgulho!

O demônio ri. Ele não tem problema algum em ver alguém se tornar moralmente puro, corajoso e disciplinado, contanto que consiga estabelecer nele a ditadura do orgulho – assim como não faz questão alguma de impedir que alguém seja curado de um resfriado, se lhe fosse permitido, em contrapartida, colocar nele um câncer. Pois o orgulho é um câncer espiritual: corrói a própria possibilidade do amor, do contentamento e até do bom senso.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

E o Orgulho no Cristão? por CS Lewis

Os cristãos têm razão: o orgulho tem sido a principal causa da miséria em todas as nações e em todas as famílias desde que o mundo é mundo. Outros pecados, às vezes, podem unir as pessoas: pode-se encontrar companheirismo, brincadeiras e afabilidade entre os que se dão à embriaguez ou são devassos. Mas o orgulho sempre significa inimizade: é inimizade. E não apenas inimizade entre um homem e outro, mas inimizade contra Deus.

Em Deus, encontramos alguém que nos é infinitamente superior em todos os aspectos. A menos que reconheçamos a Deus como tal – e, conseqüentemente, a nós mesmos como um nada em comparação a ele –, não conhecemos a Deus, absolutamente. Enquanto você for orgulhoso, não poderá conhecer a Deus. Um orgulhoso está sempre olhando de cima para pessoas e coisas; e, é claro, quem está olhando para baixo não pode ver o que está acima de si mesmo.

Surge então um terrível problema. Como é possível haver pessoas evidentemente corroídas pelo orgulho, que dizem crerem em Deus e que se têm na conta de muito religiosas? Receio que isso signifique que estão adorando a um Deus imaginário. Teoricamente admitem que nada são em relação a esse Deus fantasma, mas estão sempre a imaginar que em tudo são por ele aprovadas e que por ele são consideradas muito melhores do que as pessoas comuns. Ou seja, tributam um mínimo de humildade imaginária a esse Deus e tiram disso um máximo de orgulho em relação a seus semelhantes.

Creio que era nessa gente que Cristo pensava ao dizer que alguns pregariam em seu nome e em seu nome expulsariam demônios, apenas para que lhes seja dito no fim do mundo que ele nunca os conheceu. E qualquer um de nós pode cair nessa armadilha mortal a qualquer momento.
Felizmente, temos um teste à nossa disposição. Sempre que a nossa vida espiritual nos faz pensar que somos bons ou, sobretudo, que somos melhores do que os outros, podemos ter certeza de que não é Deus que está atuando em nossas vidas, mas sim o demônio. A verdadeira prova de estar na presença de Deus é quando nos esquecemos completamente de nós mesmos ou quando nos consideramos um pequeno e vil objeto. É preferível esquecermo-nos completamente.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

O Grande Pecado por C. S. Lewis

Em se tratando de moral cristã, há uma parte que difere mais nitidamente de todas as demais religiões. É aquela que trata do pecado do qual ninguém neste mundo escapa; um pecado que todos detestam nos outros e do qual quase ninguém, exceto os cristãos, tem a consciência de cometer. Sei de pessoas que admitem ter mau gênio, que sabem que perdem a cabeça em se tratando de mulher ou de bebida e que reconhecem até mesmo que são covardes. Entretanto, acho que nunca ouvi uma pessoa que não fosse cristã se acusar deste pecado.

Ao mesmo tempo, como é difícil encontrar pessoas (não cristãs) que demonstrem um mínimo de benevolência para com os que o cometem! Não há falta que torne a pessoa mais impopular, nem falta de que tenhamos menos consciência em nós mesmos. E quanto mais forte essa falta for em nós mesmos, tanto mais ela nos desagradará nos outros.

O pecado a que me refiro é o orgulho ou presunção; a virtude que lhe é oposta, na moral cristã, chama-se humildade. Ter moralidade sexual, embora importante, não é o centro da moral cristã.


De acordo com os mestres do Cristianismo, o pecado principal, o supremo mal, é o orgulho. A falta de pureza, a ira, a ganância, a embriaguez e tudo o mais, em comparação com ele, são ninharias. Foi pelo orgulho que o demônio tornou-se o demônio. O orgulho conduz a todos os outros pecados: é o mais completo estado de alma anti-Deus.

Por Que o Orgulho é Pior?

Você acha que estou exagerando? Se acha, pense bem no caso. Observei há pouco que quanto mais orgulho se tem, mais este pecado nos desagrada nos outros. De fato, se quisermos descobrir o quanto somos orgulhosos, o método mais fácil é perguntar a nós mesmos: “Quanto me desagrada ver os outros me desprezarem, recusarem-se a me dar qualquer atenção, intrometerem-se em minha vida, tratarem-me com ares paternais ou se exibirem com ostentação?” O problema é que o orgulho de cada um compete com o orgulho de todos os demais. É porque eu queria ser o “destaque” da festa que me aborreço tanto quando um outro é que ficou em proeminência. Dois bicudos não se beijam.

O ponto aqui é que o orgulho é essencialmente competidor; é competidor por sua própria natureza, enquanto que os outros pecados são, por assim dizer, competidores apenas por acaso.

O orgulho não sente prazer em possuir algo, mas apenas em possuir mais do que o próximo.

Dizemos que alguém tem o orgulho de ser rico, ou de ser inteligente ou de ter boa aparência, mas não é assim. A pessoa tem o orgulho de ser mais rica, mais inteligente ou de melhor aparência do que os outros. Se todo o mundo se tornasse igualmente rico, inteligente ou de boa aparência, não haveria nada do que se orgulhar. É a comparação que nos torna orgulhosos: o prazer de estar por cima dos outros. Não havendo o fator competição, o orgulho desaparece.

Esta é a razão pela qual eu disse que o orgulho é essencialmente competidor de uma maneira em que os outros pecados não o são.

O instinto sexual poderá levar dois homens à competição, se ambos desejarem namorar a mesma garota. Mas isso é apenas acidental; poderiam da mesma forma ter desejado duas garotas diferentes. Contudo, o homem orgulhoso procurará tirar a garota do outro, não porque a queira, mas para provar a si mesmo que é melhor do que o outro. A ganância poderá levar à competição se não houver o bastante para todos; mas o orgulhoso, mesmo depois de ter mais do que desejava, tentará conseguir ainda mais simplesmente para afirmar o seu poder. Quase todos os males do mundo atribuídos à ganância ou ao egoísmo são, na verdade, muito mais o resultado do orgulho.

Exemplifiquemos com o caso do dinheiro. A ganância certamente fará com que se deseje dinheiro para ter uma casa melhor, melhores férias, melhores alimentos e bebidas. Mas isso só vai até um certo ponto. O que é que faz um executivo, que já ganha um salário elevado, ficar ansioso por ganhar ainda o dobro? Certamente não é a ganância de maiores prazeres. O que ele ganha dá para comprar todos os bens ou prazeres de que alguém possa usufruir. É o orgulho, o desejo de ser mais rico do que alguém que também é rico, e (mais ainda) o desejo de ter poder. Porque é no poder que o orgulho mais se deleita. Não há nada mais que faça alguém se sentir superior em relação aos demais do que o ser capaz de movê-los como soldadinhos de chumbo.

O que é que faz com que uma bela mulher espalhe tristeza por onde passa, pelo simples fato de despertar admiradores? Não é, certamente, o seu instinto sexual, porque essa espécie de mulher é muitas vezes frígida sexualmente. É o orgulho. O que é que faz um líder político, ou toda uma nação, prosseguir indefinidamente querendo cada vez mais? Outra vez, o orgulho. O orgulho é competidor por natureza; por isso ele não pára nunca. Se eu for orgulhoso, enquanto existir no mundo alguém mais poderoso, ou mais rico, ou mais inteligente do que eu, esse será meu rival e inimigo.