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domingo, 14 de dezembro de 2008

O Segredo: de Deus ou do Diabo? por Harold Walker


Nas últimas décadas, houve uma explosão de crescimento dos evangélicos no Brasil. Apesar de nos alegrarmos com os milhares de testemunhos de vidas transformadas, junto com esse crescimento exponencial há evidências cada vez maiores de que há “morte na panela” (2 Rs 4.40).

Enquanto o livro de auto-ajuda O Segredo está na lista da Veja dos mais vendidos no Brasil há 71 semanas (setembro de 2008) – até agora foram vendidos mais de 2 milhões de cópias em DVD e 13 milhões de livros no mundo todo –, ouve-se o mesmo tipo de ensinamento de um número cada vez maior de púlpitos evangélicos.

Um artigo da revista Veja (26 de setembro de 2003) ressalta esses dois assuntos (crescimento evangélico e ênfase em auto-ajuda) em um só parágrafo curto: “Enquanto a Igreja Católica não conseguia ordenar mais do que 900 padres por ano, só um único instituto evangélico de São Paulo formava, no mesmo período, 200 pastores. São pastores de uma nova geração, mais centrados na auto-ajuda e menos no sobrenatural do que seus predecessores – nada da ira e dos exorcismos de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, ou de R. R. Soares, o onipresente telepastor da Internacional da Graça de Deus”.

Mas, afinal, o que há de errado na filosofia de vida defendida por Rhonda Byrne (autora do livro O Segredo) e por tantos outros autores e pregadores de auto-ajuda? Deus não quer tirar-nos do fatalismo passivo, da incredulidade paralisante e da miséria financeira que predominam há séculos neste país? Jesus não disse: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Lc 11.9)? Ele não afirmou em outra ocasião: “Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu” e “Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito” (Mt 18.18,19, ênfase acrescentada)?

Não foi por meio de uma revelação pessoal da passagem de Marcos 11.22-24 (“Qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, assim lhe será feito... Tudo o que pedirdes em oração, crede que o recebestes, e tê-lo-eis”) que Kenneth Hagin foi curado miraculosamente de uma doença terminal em 1934, abrindo o caminho a centenas de outras grandes curas milagrosas testemunhadas por ele durante mais de 50 anos a partir de então? Não foi por seu método de sonhar, de “engravidar” daquilo que se almeja, visualizar e imaginar, em todos os detalhes, o objetivo desejado que David Yonggi Cho levantou a maior igreja do mundo na Coréia do Sul?

Diferenças Fundamentais

É óbvio que, em um artigo curto como este, não é possível dar respostas detalhadas a essas perguntas. Porém, tentaremos ressaltar alguns pontos essenciais que podem ajudar-nos a localizar “a morte na panela” e separar “o joio do trigo”.

1. De onde procede a resposta ao anseio do homem?


A essência da filosofia de auto-ajuda defendida por Rhonda Byrne é: “Pense, acredite, receba”. É a Lei da Atração. “No momento em que você pede alguma coisa, e acredita, e sabe que já a tem no invisível, o Universo inteiro se move para deixá-la visível” (Rhonda Byrne: O Segredo, pág.49. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006).

Há uma diferença vital entre os ensinamentos de Jesus e os dos gurus: Jesus afirma que é do Pai que vem a resposta, enquanto os mestres de auto-ajuda sempre se referem a duas fontes distintas: o universo e o próprio homem. No fim, acabam considerando os dois como um só, porque o homem faz parte do universo. Para eles, a grande dicotomia de Criador e criatura, revelada na primeira frase da Bíblia (“No princípio, criou Deus os céus e a terra” – Gn 1.1), não existe. A criatura é o criador. Deus está em nós e em todo o universo. O universo é Deus. Portanto, baseados nessa falsa premissa fundamental, afirmam que nós somos Deus e podemos mudar nosso destino. Basta querer!

2. Qual é o propósito da vida?


Veja as seguintes citações do livro O Segredo:

Portanto, seu objetivo é o que você determinar. Sua missão é a que você se atribui (Neale Donald Walsch).

Levei muitos anos para chegar a este ponto, porque fui criado com a noção de que havia algo que eu deveria fazer, e, se eu não fizesse, Deus não ficaria satisfeito comigo. Quando entendi concretamente que minha meta principal era sentir e vivenciar alegria, comecei a fazer só o que me alegrasse. Meu lema é: “Se não é divertido, não faça!” (Jack Canfield).

Faça as coisas que lhe trazem prazer e alegria. Se você não sabe do que gosta, pergunte: “Qual é o meu prazer?” E quando você encontrá-lo e se dedicar a ele, ao prazer, a lei da atração irá derramar em sua vida uma avalanche de coisas, pessoas, situações, acontecimentos e oportunidades alegres, só porque você está irradiando alegria (Jack Canfield).

Como se pode ver, as filosofias de auto-ajuda ensinam que vivemos para o próprio prazer. Somos nós que determinamos o que é bom para nós.

A Bíblia, porém, do princípio ao fim, enfatiza que o homem existe para amar e agradar a Deus. Conseqüentemente, Deus não é apenas aquele que responde nossas orações e anseios, mas também é aquele a quem prestaremos contas pela maneira como conduzimos nossa vida na Terra. Em suma, não estamos na Terra para sermos felizes, mas para fazer Deus feliz. Por outro lado, se isso é verdade, fomos feitos de tal forma que só podemos ser felizes quando ele é feliz. Essa é a essência do amor. O amor se interessa tanto pela felicidade alheia que não consegue ser feliz sem que o outro o seja.

domingo, 14 de outubro de 2007

A Prática da Vida Simples - John Walker

John Walker, 83 anos, veio para o Brasil em 1964 em obediência a uma direção de Deus de tirar sua família de uma sociedade materialista e tecnológica (EUA) e criar seus seis filhos num ambiente natural e simples, em que seriam desafiados a servir a necessitados e não a buscar um futuro seguro e próspero para si mesmos. A seguir, uma entrevista com ele sobre a importância da vida simples em sua experiência e jornada espiritual.

Onde o senhor aprendeu sobre a vida simples? Foi na sua própria criação?
Não aprendi sobre o estilo de vida simples na minha criação. Fui criado num ambiente em que, embora não houvesse ostentação, havia bastante afluência. Aprendi sobre simplicidade através de um amigo chamado John Manchester e da experiência que tive trabalhando num ministério de literatura, The Herald of His Coming (O Arauto da Sua Vinda).
Com John, aprendi sobre alimentação saudável, sobre como fazer pão integral e, também, sobre a esposa ter os partos em casa e não no hospital.
No Arauto da Sua Vinda, aprendi muitas coisas que marcaram minha vida. Por exemplo, na parede havia uma placa que dizia: "Economizar para Evangelizar". Os obreiros recebiam apenas o estritamente necessário para viver. Alguns davam seu trabalho voluntariamente porque eram aposentados. Usavam roupas (em alguns casos) que eram enviadas como donativo para o ministério. A atitude de todos era economizar o máximo a fim de dar o máximo à obra do Senhor. O próprio jornal publicado ali tinha uma tiragem de várias centenas de milhares de cópias, enviadas gratuitamente aos leitores, num ministério totalmente sustentado pela fé.
Há algum testemunho contemporâneo ou passado que influenciou suas convicções nesta área?
C. T. Studd sempre foi uma inspiração para mim. Ele herdou uma fortuna e doou tudo a obras de Deus antes de atender ao chamado para ir a terras estrangeiras para pregar o evangelho. Ele foi primeiro à China, depois à África, ficando, às vezes, meses ou até anos longe de sua esposa. Posso citar também Francisco de Assis e Madre Teresa.


Como o senhor definiria a vida simples para o cristão? Existe um padrão ou regra que todos os cristãos deveriam seguir?
Aprendi primeiro sobre a atitude de 100% de John Manchester. Na época em que conversávamos sobre isso, nenhum dos dois ainda era convertido! Porém, essa idéia encontrou ressonância imediata no meu coração. Se Deus é Deus, então não pode haver meias medidas. O primeiro mandamento é amar a Deus com todo seu coração. O segundo é semelhante a este: amar ao seu próximo como a si mesmo.
Não existe uma regra para todos os cristãos – senão seria uma obrigação. Ou, se houvesse, seria esta: Tudo para Jesus.
O apóstolo Paulo nos exorta a nos contentarmos com o que comer e o que vestir (1 Tm 6.6-8). Jesus disse que devemos buscar em primeiro lugar o reino de Deus e todas as outras coisas nos serão acrescentadas (Mt 6.33). Quando o Espírito foi derramado no Pentecostes, as pessoas dividiam suas posses umas com as outras, de forma que ninguém sentia falta de coisa alguma (At 2.44-45; 4.34).

Qual tem sido a sua experiência nesta área? Conte um pouco sobre como aplicou isso na sua vida e família.
Este estilo de vida simples tornou-se uma paixão em minha vida. Sentia que era um grande pecado (ou crime) desperdiçar dinheiro em luxos ou coisas desnecessárias. Nunca comprávamos móveis novos, roupas caras, sapatos extras ou coisas assim. Se eu tinha algum dinheiro a mais, logo achava um jeito de doar para algum necessitado.
Meu alvo era: tudo para Jesus. Ensinei isso à minha família. Não fazíamos festas dispendiosas, não comprávamos presentes desnecessários. Como eu sofria quando ia visitar meus parentes na época do Natal e via tanto desperdício!
Tudo de que precisávamos, se fosse possível, era comprado usado, inclusive o carro da família. Meu pensamento era: Como podemos desperdiçar um centavo quando há tanto sofrimento e falta no mundo ao nosso redor? Desperdício de comida se incluía nisso também.
Praticávamos uma alimentação saudável. Não gastávamos dinheiro com médicos ou remédios. Enviávamos dinheiro a missionários, e nossas ofertas quase sempre somavam mais do que o dízimo. Tudo para Jesus!

Olhando em retrospecto para essas experiências, quais foram os resultados de levar uma vida simples?
O resultado de levar uma vida simples é que não somos obrigados a entrar na corrida desenfreada, tornando-nos escravos do sistema deste mundo. Podemos ser livres para viver em favor de Jesus e do reino de Deus. Podemos ter capacidade de ajudar a outros que estão em necessidade. Teremos uma consciência livre de que estamos colocando o reino em primeiro lugar e não a nossa própria satisfação e ambições.

O que o senhor gostaria de dizer aos cristãos nesta presente geração a respeito do desafio de viver uma vida simples e do propósito de se viver assim?
Temos que decidir se vamos servir a Deus ou a Mamom (o dinheiro). Não podemos ter os dois (Mt 6.24). Se a igreja quiser estar pronta para a segunda vinda de Jesus, ela não pode estar no sistema capitalista de buscar riquezas, prazer e um estilo de vida egoísta. Precisamos dedicar tudo possível para aliviar o sofrimento dos outros e para alcançá-los com as boas novas em palavras e em ações.
Precisamos desenvolver um estilo de vida alternativo, uma comunidade dirigida pelo Espírito Santo. Por exemplo, casamentos não precisam ser uma cópia dos casamentos na sociedade do mundo. Podem ser simples, simples, com o Senhor em primeiro lugar. Nada de dinheiro desperdiçado em vaidade e status.
Tudo isso é apenas uma paixão que tenho recebido do Senhor; nada para crédito pessoal. Afinal, a vida com Jesus é um romance que termina em casamento!

Para saber mais sobre estes assuntos, peça os livros "Minha Jornada Espiritual" e "Sete Princípios Para a Formação da Família Cristã", ambos de John Walker (19 3462 9893 ou por e-mail: revistaimpacto@revistaimpacto.com) .