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segunda-feira, 1 de junho de 2009

DEUS USA A NOSSA DOR?

Você já ficou desempregado e alguém que sempre teve seu emprego, ou que nunca precisou trabalhar veio orar por você com um tom de guerra, profetizando um emprego e te dando sermões de vitória e de fé?

Também já aconteceu com você, de alguém que já ficou desempregado por um bom tempo, que já passou muitas dificuldades, ou que ainda está passando veio orar e falar com você?

Da mesma forma, você já esteve doente e alguém veio orar por você e o deixou com um sentimento pior do que se não estivesse orado? Porque aquela oração lhe trouxe mais um sentimento de culpa, de não ter fé, de vergonha do que de consolo e fortalecimento?

Também aconteceu de alguém vir orar com você quando estava doente e simplesmente encher seu coração de vida e amor? Talvez nem tenha orado direito, talvez só o olhar de compaixão e atenção o tenha consolado e o sentimento de cuidado ter envolvido a sua alma?

Será que você viu alguma diferença entre ambos? Será que há diferença entre eles?

Pois bem, eu já estive em todas as alternativas anteriores. Já fui o arrogante com sentimento de vitória, que estava por cima da "carne seca" cuja oração funcionava mais como exortação pela falta de fé do irmão do que oração de compaixão.

Mas também eu já estive desempregado e doente e logo depois, vendo outros amigos passando pelo mesmo problema, meu coração se enterneceu e orei de coração pela reabilitação deles.

EMPATIA E A DOR

Nessas duas últimas semanas fiquei muito mal, com gripe, e não só eu mais minha esposa e meu filho. Caramba, como foram difíceis esses dias. Dor no corpo inteiro, cabeça pesada, vontade de deitar, nariz escorrendo e olhos lacrimejantes.

Tive vontade de sair de reuniões de trabalho para ir deitar um pouco. Sofri nessas reuniões. Estava desesperado por ir embora e deitar.

Em casa vi meu filho e minha esposa ruins também e meu sentimento era de guardá-los, deixá-los descansar também, porque eu sabia o que eles estavam sentindo e me colocava no lugar deles.

Minha sogra, que teve derrame há dois anos atrás, normalmente vai para cama às 21 horas. Não a levamos antes que é pra ela não acordar muito cedo, e fazer todo mundo levantar da cama por causa dela. Pois bem, mas nesses dias, ela também ficou um pouquinho ruim, e quanado era 7 da noite, ela pediu pra ir pra cama, e como ela estava com cara de sofrimento, e eu tinha passado uma semana ruim, não tive dúvida: Coloca a veinha na cama. Acabe com o sofrimento dela.

JESUS EM NOSSO LUGAR

Hebreus 4:15 - " Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado."

Hebreus 7:25 - "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles."


Jesus sabe da nossa dor e por isso pode interceder por nós. Assim como alguém que nunca ficou desempregado, nunca precisou arrumar um emprego, sempre teve de tudo, não conseguirá entender a sua dor e se orar por você faltará o ingrediente que poderia "colar" essa oração em você, que é a empatia e compaixão, da mesma forma nossa confiança para com as pessoas que passaram pelo nosso sofrimento é maior.

Jesus sabe da nossa dor e por isso pode interceder por nós.

Certa vez eu estava num culto e senti como se Jesus estivesse na minha frente. Me ajoelhei instintivamente para adorá-lo quando vi que seus pés ainda estavam sangrando. Olhei para ele e lhe perguntei porque ainda sangravam as feridas? Senti como resposta: Meu povo ainda precisa de cura.

Pra mim, a questão da intercessão é de nunca esquecer de nossas feridas, mesmo as cicatrizadas. Elas nos tornam humanos, sensíveis, nos fazem compadecer das misérias desse mundo e nos colocam no caminho do amor.

Por isso a dor é muito importante para o que Deus quer fazer em toda a terra. A dor pode nos levar mais pra perto de Deus e das pessoas sim. Muito mais do que a prosperidade e saúde poderiam fazer.

É claro que não estou fazendo apologia à dor, defendendo que todos devamos ser pobres e doentes. Claro que não. O que estou dizendo é que não podemos esquecer da dor pela qual passamos, NUNCA!

Nossas cicatrizes existem para ajudar a curar os outros.

Quanto mais a ferida estiver aberta, mais sensível à dor dos outros poderemos estar.

Por que digo poderemos? Porque somos tão maus, tão podres, que a dor que deveria nos humanizar, nosso coração transforma em pedra para com Deus e consigo mesmo. Mas não vou tratar desse assunto aqui e agora. O assunto é a parte positiva, quando a dor produz intercessão.

DEIXE DEUS USAR A SUA DOR.

Imagine que tudo aquilo que você sente como dor, ou como desconforto físico ou emocional fosse usado para gerar uma intercessão verdadeira, de coração. E IMAGINE QUE TODO MUNDO FIZESSE A MESMA COISA?

Estaríamos fazendo intercessões e recebendo orações do mundo inteiro pelos nossos problemas também.

Como você se sentiria se soubesse que centenas de pessoas, que passaram pelo seu problema, e sabem como você se sente, estão orando por você nesse instante?

Então seria assim: Toda vez que eu sentisse dor de cabeça eu poderia orar pela minha dor de cabeça e por todos amigos e pessoas no mundo que estão com dor de cabeça naquele dia.

O que aconteceria? Seriam milhares, centenas de milhares de pessoas intercedendo umas pelas outras por causa da dor de cabeça.

E se você estivesse triste pela morte de algum parente ou amigo e orasse não só por você mas também por todos aqueles que tivessem tristes pela morte de algum ente querido?

E se você estivesse com um problema no trabalho, ou com seus filhos, ou no seu casamento, ou nos seus negócios, ou no seu ministério, ou na sua escola, ou espiritualmente...?

Na verdade nós poderíamos usar TODAS as coisas que acontecem na nossa vida para intercedermos pelas outras pessoas. E, se isso acontecesse, talvez a nossa vida inteira ficasse CHEIA de intercessões porque veríamos que por tudo podemos interceder.

Talvez esse seja o significado de VIVER SEMPRE PARA INTERCEDER POR ELES!

Creio que a intercessão feita com fé, mas recheada com emoções, tem muito mais sentido e verdade para nós e para as pessoas que oramos.

A dor, como a disciplina para nós nunca é boa, mas se ela existe, e, se Deus nos deixa passar por ela, talvez tenha um significado maior, relevante até.

Ah, mas e o diabo, perguntariam alguns, e a dor que ele traz, temos que ficar passivos quanto à isso?

Eu acho que se o diabo causasse alguma dor em mim, que Deus permitiu e isso me humanizasse, fazendo interceder por outros que em todo mundo passam pelo mesmo problema, a dor que ele me impingiu me tornou mais forte. Acontecria a mesma coisa que aconteceu com Jó, as suas aflições e provações o tornaram mais consciente de Deus: Antes eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora meus olhos te vêem (Jó 42:6).

Quanto à intercessão, se Jesus escolheu essa tarefa depois de ir ao céu e ficará nela até o final dos tempos, talvez seja algo muito importante, e que pudéssemos nos envolver nesse trabalho.

Que a sua dor, suas feridas e suas cicatrizes possam ser usadas por Deus para cura de muitos. E que seu coração seja enternecido ao invés de endurecido por ela. essa é minha oração por você!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A força que vem da dor!


Sempre cri em cura divina e na confissão positiva (poder das palavras) e até hoje acredito, mas não com a mesma ênfase. Creio sim que Deus cura, mas que também ele põe de cama, de que ele salva de uma situação de perigo, tragédia ou risco de vida mas que também ele deixa morrer. E tudo isso não o diminui, nem contradiz o que a Bíblia fala dele.

Que diria o irmão que crê que quando alguém morre é o diabo que matou, quando lê o Salmos 116:15 - "Preciosa é à vista do SENHOR a morte dos seus santos"!?

Mas não é sobre isso que quero falar hoje, é sobre a nossa impotência sobre alguns fatores da vida, por exemplo, na dor, na depressão.

Quando somos despedidos da empresa, acabamos um namoro ou casamento de longos anos ou intenso, quando morre algum ente muito querido e próximo, quando ficamos doentes de cama... nosso força se vai, nossos pés perdem o chão, nem força pra orar muitas vezes temos, e a tristeza vem e a vemos, mas não temos ânimo de resistir a ela.

Depressão não é só o mal desse século, nem um demônio do inferno, é também uma doença qualquer, daquelas que se pode tirar muito ensinamento.

Quando bate a depressão, seja por qualquer motivo, nossos esforços espirituais de oração, jejum, ir à igreja trocam de lugar por choro, sentimento de angústia e vontade de dormir. O cansaço vem de dentro e cada vez que respiramos parece que o suspiro é mais profundo.

Quem pode te livrar disso? Qual atitude sua pode te livrar disso? Quais das suas ações farão de novo arrumar um serviço, vencer a dor do ente perdido, restabelecer a saúde e auto confiança perdida?

Podemos mandar currículo, procurar reconciliação, tomar remédio, ir ao médico, pedir oração, mas não é só por fazer isso que um problema se resolve, vários fatores devem acontecer juntos para a solução. Todos nós já passamos por situações assim, e quem nos livrou? O que foi decisivo para nossa recuperação? A maioria de nós não terá essa resposta, porque mesmo quando queremos tomar uma posição nesse momento de depressão, tem pouca influência na real mudança de todo o cenário em que estamos vivendo.

A maioria de nós vai concordar que simplesmente passou, nem sabemos quando, nem sabemos o que foi decisivo para isso acontecer... mas passou.

E como passou quero dizer a todos os que estão em depressão com todos os sintomas, e por todas as situações já descritas: O seu problema vai passar, mas o amor de Deus por você nunca passará! Hoje mesmo você pode contar com esse amor, porque ele não está dependendo da sua oração diária, nem da sua leitura da Bíblia, nem do seu jejum, nem das suas boas ações.

Papai se preocupa com você sim! E sabe, muito melhor que você ou qualquer outra pessoa, como cuidar de você! Acredite que o amor de Deus é maior que o amor do seu pai ou mãe que está nesse momento preocupado contigo. Acredite que o amor de Deus é muito maior que o dos seus filhos ou amigos com relação ao seu problema.

Deus te ama muito mais que eles! MUITO MAIS! E Ele pode todas as coisas, Ele é Todo Poderoso e pode acabar com o seu problema agora!

E porque não acaba? Por que muitas vezes, a dor ensina mais do que a alegria.

A dor nos ensina a nos manter vivos em situações de perigo, a nos preservar em situações de indisciplina, a nos dar o tom do crescimento que, quer de estatura quer de músculos, só vem com a dor.

Assim também o crescimento emocional, intelectual e espiritual vem com dor. Dores de todo o tipo. Pessoas maduras são pessoas de dores, que sabem o que é sofrer. Não é a toa que Jesus também foi um homem assim. Isaías o chama de homem de dores, desprezado, o mais rejeitado entre os homens e experimentado nos trabalhos.

Em Hebreus diz que ele aprendeu a obediência por aquilo que ele padeceu.

Lembrando que Ele mesmo recebeu um Nome acima de todo Nome, sabe quando? Leia lá em Filipenses, depois da sua morte, e morte de cruz.

E porque não acaba? Por que quando SEMPRE temos de tudo do bom e do melhor isso não nos faz mais amorosos, mais tolerantes, mais misericordiosos.

A vida fácil, a prosperidade constante e a falta de problemas na vida cria pessoas mais arrogantes, prepotentes, achando que tem o que tem porque Deus tem abençoado elas por causa de tê-lO agradado. E se alguém está doente ou passando por dificuldades financeiras é por causa de pecado, por não dar o dízimo ou não fazer COMO ELAS.

Crianças que nunca ficaram doentes não tem anticorpos para resistir às doenças. A dor que a febre traz é o trabalho no aumento da resistência do corpo. Crianças que sempre têm tudo o que querem se tornam mimadas, insuportáveis, mesquinhas e insubmissas às autoridades.

E porque não acaba? Por que quando as pessoas passam por problemas difíceis, elas têm maior facilidade de se solidarizar com as pessoas com os mesmos problemas. Não é à toa que os que mais ajudam os pobres são os próprios pobres. Dor gera empatia.

E imagine só, que todo esse cenário de dor, de tragédias, de pobreza consegue produzir o maior dos dons de Deus: o AMOR. Somente a compaixão produzida em pessoas que passaram por muita dor é que pode contribuir para que o AMOR exista nesse mundo.

E porque não acaba? por que coisas boas e ruins acontecem a todo mundo e a todo tempo, a crentes e não crentes, quando estamos de bem com Deus e quando estamos em pecado, a ricos e pobres, a todos de todas as religiões do mundo.

Você já percebeu algum dia em que você não estava de bem com Deus e mesmo assim algo de bom aconteceu na sua vida? Será que foi o diabo que te mandou algo de bom pra te abençoar, ou foi um pai que entende todos os seus dilemas e nem por isso separa você do amor Dele?

Você também já percebeu que, naquele período que você estava jóia com Deus, e aconteceram problemas, e com certeza você jogou nas costas do diabo? Não vou te dizer que foi Deus quem te mandou o problema, mas quero ressaltar que coisas boas e ruins acontecem com todas pessoas a qualquer tempo.

Ah, e mesmo que tenha sido o diabo, quem é ele para te separar do amor de Deus? Quem é ele para tocar em você se Deus não permitir? Quem é ele para bater no filho de outra pessoa, sendo o caso um dos filhos adotivos de Deus?

CONFIE NO AMOR DE DEUS!

1) Ele te ama mais do que qualquer pessoa nesse mundo.
2) Você não está errado ou em pecado quando algo ruim te acontece.
3) Você não está separado do amor de Deus nem mesmo quando você erra.
4) Acredite que o amor Dele por você é verdadeiro, é real, é presente, é eterno e não depende de você.
5) Espere que esse seu problema vai passar, de graça. Faça o que for preciso, mas saiba que Ele, e só Ele coloca ponto final nas nossas lutas.
6) Aprenda com tudo o que está passando.
7) Olhe para as pessoas que estão passando o mesmo que você, e, ore por elas. Sua oração é mais forte e mais eficaz porque você entende a dor da outra pessoa. Sua oração vem de dentro de você. Isso é intercessão.
8) Ore por mim, porque estou escrevendo para você, passando por isso!
9) Enquanto espera o dia mau passar, confie no amor de Deus que te dará de graça o livramento.
10) Enquanto espera, compre uma pizza e um sorvete e aproveite comer com a sua família e amigos!

Amanhã é outro dia!

Salmos 23:6 - Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR por longos dias.

terça-feira, 24 de março de 2009

EU TENHO LEPRA! por Patricia Neme


O médico abriu o envelope da eletroneuromiografia e, num misto de alívio e preocupação, disse-me: “Hanseníase neural, em estágio avançadíssimo”. Ali findavam dois anos e meio de peregrinação a consultórios das mais variadas especialidades, sem que eu obtivesse qualquer resultado (e quantas vezes outros profissionais me encaminharam a psicólogos, psiquiatras. Só ele acreditava que havia algo mais sério). Tantos exames, tantas quedas súbitas, causando uma interminável quebradeira de ossos. Dali, fui ao dermatologista e, em seguida, ao posto de saúde, onde iniciei a poliquimioterapia.

Apesar de há muito tempo não receber uma visita pastoral, ou resposta aos meus e-mails e telefonemas, com o diagnóstico na mão, procurei o pastor da minha igreja, na pretensão de que ele entendesse a razão da minha rara freqüência aos cultos, pois mal conseguia andar; tinha dores intensas nas pernas e braços, além de muita dor de cabeça. Ele me perguntou: “O que você deseja que façamos por você?” “Quero sua unção e sua bênção, tudo o mais está resolvido”, respondi.

Recebi a unção e a bênção, e nunca mais tive notícias dele. Afinal, se a arca da aliança ficou três meses na casa de Obede-Edom e lhe resolveu a vida, eu passara quase três anos indo de mal a pior... E agora, uma lepra!

Aderi à igreja virtual e Silas Malafaia tornou-se meu pastor durante o meu caminhar pelo vale do sofrimento; e só Deus sabe o quanto ele me pastoreou. Deus o abençoe!

Lepra... Mudaram o nome para hanseníase -- é mais chique. Mas é lepra, mesmo. Sempre me julguei muito culta e, na minha “elevada sabedoria”, essa doença pertencia ao Antigo Testamento. A transição daquela época a 2007 foi difícil, mas comecei a conhecer o mal silencioso que assola o país, responsável por 90% dos casos em todo o continente americano. O Brasil é o segundo país no mundo em número absoluto de portadores, só perdendo para a Índia, que tem uma população cinco vezes maior do que a nossa. O que será que realmente fizeram com a CPMF, se até a poliquimioterapia nos é doada por uma ONG holandesa?

Causada pelo bacilo “mycobacterium leprae”, a hanseníase compromete a pele e os nervos. A transmissão ocorre pelas vias respiratórias. Os sintomas são manchas ou lesões cutâneas esbranquiçadas ou avermelhadas, com sensação de queimação, ardência, coceira ou perda de sensibilidade; também são sintomas da doença o aparecimento de placas, caroços vermelhos dolorosos e inchaços no rosto, dor nas articulações, febre, inchaço nas pernas, queda de pelos, além de dor no trajeto dos nervos que passam pelos cotovelos, punhos, atrás dos joelhos e tornozelos, causando a diminuição da força e dormência nas mãos e nos pés. Quanto mais cedo diagnosticada, maiores as chances de o paciente não ficar com seqüelas.

Porém, para o diagnóstico precoce e a cura, é necessária uma experiência que poucos dermatologistas adquirem, pois a parte cosmética de sua especialização lhes permite maiores lucros; também urgem algumas condutas de suma importância, ou jamais conseguiremos erradicar a hanseníase. Não podemos acreditar nas estatísticas, em razão do pouco conhecimento da maioria dos médicos, o que os leva a diagnósticos em direções outras, e do medo da discriminação, que impede muitos portadores de se apresentarem aos postos de saúde, onde as estatísticas são elaboradas.

Assim, é preciso: a) que o Ministério da Saúde faça campanhas elucidativas, para que o próprio paciente possa reconhecer os sintomas da doença e procurar um médico; b) que nossas igrejas realizem palestras sobre o tema; c) que as faculdades de medicina dediquem um espaço maior no currículo às doenças negligenciadas (hansen, malária, tuberculose etc.), com um ensino mais voltado à identificação dos sintomas e não apenas ao tratamento da doença, principalmente porque a hanseníase pode ser confundida com várias outras enfermidades; d) que os Conselhos Regionais de Medicina promovam constantemente cursos sobre o tema, já que a situação no país é crítica e muitos médicos acreditam que a lepra está erradicada no Brasil; e) que se acabe com o infeliz “slogan” “Hanseníase tem cura”, que banaliza a doença, colocando-a quase no mesmo patamar de um resfriado. Porque muitos casos são diagnosticados tardiamente, há muita gente com seqüelas graves (o meu caso), num processo irreversível que desmorona a pessoa física e psicologicamente. Cura parcial não é cura. Ou quem insiste em tal “slogan” obtém algum benefício ao compactuar com o descaso do governo?

Outros dois aspectos não podem deixar de ser mencionados, dada a sua importância na vida dos pacientes. O primeiro refere-se ao descaso dos peritos do INSS, que desconsideram relatórios médicos dos profissionais que nos acompanham e alteram diagnósticos segundo sua inspiração momentânea (um perito “mudou” meu laudo para osteoartrose e outro, para depressão... No caso da lepra neural, a boa aparência do paciente é interpretada como saúde total, por desconhecerem que a clofazimina deixa a pessoa com ótima aparência, bronzeada).

O segundo aspecto refere-se à ignorância de muitas igrejas (principalmente evangélicas), que rejeitam tratamentos médicos porque “Jesus cura” e ousam afirmar que a lepra é um castigo de Deus a quem muito peca (ouvi isso de um pastor. De outro, ouvi que eu deveria parar com o tratamento, pois tomar a poliquimioterapia demonstrava a minha pouca fé). Oséias 4.6 alerta que padecemos por falta de conhecimento. Até quando seguiremos com essa insanidade?

Deus cura, é verdade. Mas no tempo dele e através de diferentes formas, por exemplo usando a medicina. Ou não cura (alguém se lembra do apóstolo Paulo?), por motivos que ele conhece. E, se ele conhece, isto basta!

A lepra é um processo muito sofrido, que aumenta com o desconhecimento dos médicos sobre a doença, o que não lhes permite que nos orientem da melhor forma em relação às reações colaterais do tratamento (quase morri em função da dapsona, pois sou alérgica à sulfa). Ninguém explica ao paciente sobre a necessidade de acompanhamento por outros especialistas, pois a poliquimioterapia pode causar hepatite, anemia, catarata e problemas renais, um roteiro que percorri todo. E a dor agiganta-se, quando tememos a discriminação, o julgamento absurdo daqueles que deveriam nos acompanhar espiritualmente.

Pela misericórdia de Deus, e pela facilidade de acesso aos meios de informação, tive a felicidade de encontrar o Portal da Hanseníase (www.hanseniase.passosuemg.br), um trabalho abnegado e altamente profissional, voltado a ministrar cursos on-line a profissionais da área da saúde e a esclarecer dúvidas de portadores da doença. Mas e quem não dispõe desse recurso? E as pessoas mais simples, perdidas no labirinto da impaciência do sistema público de saúde? É por elas que estou aqui.

Quero convidar o leitor a que se informe sobre esse mal; que não nos olhe com reservas ou se assuste com nossas seqüelas físicas -- pior seria se fossem morais. Que nos ajude a buscar informações e esteja ao nosso lado nessa luta por uma verdadeira cidadania.

Eu tenho lepra, você tem diabetes, há quem tenha câncer. Somos todos merecedores de respeito, tratamento digno e fraterno. Se assim for, só nos contagiaremos de amor. Daquele que eleva e constrói. E cura! Pensemos nisso, e que Deus nos abençoe.


• Patrícia Neme é tradutora, intérprete e poetisa. É autora de “Relicário” (Ed. Corifeu).
http://www.ultimato.com.br

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Deus não vive onde eu trabalho: no IML por Caio Fábio


Olá Pastor Caio Fábio!

Eu sou professor e leciono em vários colégios. Fiquei sabendo a respeito do senhor por intermédio de uma colega de profissão em uma das escolas onde leciono. Foi então que li algumas cartas respondidas no seu portal, fiz um cadastro e resolvi escrever para o senhor.

Bem, eu sou uma pessoa muitíssimo complicada. Eu fui policial de necropsia da polícia civil por aproximadamente um ano, e nesse período pude ver todo o resultado da violência humana nas salas e nos corredores do IML (Instituto Médico Legal).

Os colegas mais antigos de profissão costumavam dizer: "... se há um lugar onde Deus definitivamente não está são nos corredores do IML...".

Em um dia de trabalho me deparei com uma criança de uns três anos de idade, sexo masculino, que fora vítima, de acordo com o laudo cadavérico após exame necroscópico, de espancamento seguido de morte por hemorragias internas múltiplas.

Embora fôssemos instruídos para que nunca entrássemos na história de sofrimento da vítima, não podia deixar de passar pela minha cabeça o seguinte questionamento:

"Onde estava Deus nessa hora em que a criança estava sendo agredida e espancada até à morte?"

Devido a esse fato e muitos e muitos outros... Inclusive coisas da minha própria vida que eu vivenciei e experimentei a respeito das pessoas, fui gradativamente perdendo a minha fé. E hoje parece que não me resta mais nada a não ser a minha razão.

Será que o senhor poderia me ajudar ?

Muitas Felicidades a todos!

______________________________________

Resposta:

Meu mano amado: Graça e Paz!

O que dizer então de Deus, que deixou crianças inocentes morrerem enquanto Jesus, Seu Filho, era levado em fuga parao Egito?

Nessas horas todos viram “Deus”!Sim! Todos têm idéia a dar a Deus. É a Síndrome de Jimmy Carrey!

Ora, se é assim, pergunto:

Como “Todo-Poderoso” o que você faria?

Que “soluções” traria ao mundo?

Faria o quê? Violaria as leis da Física sempre que alguém fosse fazer mal a alguém?

Sim! A faca entortaria sempre que fosse ser enfiada quem sabe o braço do espancador caísse morto quando ele fosse atacar um inocente. Ou, quem sabe, o pênis do estuprador pudesse ter um ataque do peixe candiru e se auto-enfiar no ânus do próprio agressor.

O fato, meu irmão, é que ninguém numa hora assim pensa na criança espancada!

Sim! Pois, caso a mesma criança estivesse na esquina, quem de vocês no IML, a levaria para casa para criar?

É tão fácil dar idéias para Deus acerca das coisas que nós, mesmo podendo, não fazemos nada para resolver em vida!

Em horas como essa o nosso egoísmo é tão grande que a gente só pensa em nós mesmos, que vemos a tragédia e ficamos sem esperança, ou nos que ficam sem esperança e injustiçados diante do ocorrido perverso. Entretanto, no fundo, o que fica não é a dor pela criança, mas o choque da brutalidade, a qual, de modo inconsciente, lembra que aquele corpo poderia ser o nosso ou de gente que nós amamos.

Mas e a criança? Foi mal para ela encontrar com o Pai de amor? Foi mal para ela ter sido tirada do inferno para o Paraíso do amor? Foi mal para ela nem ter sabido que teve um corpo mutilado ante ao fato de que ganhou um corpo eterno? Foi mal para ela não mais ter que sofrer os abusos dos homens de modo indefeso?

Foi mal o amor de Deus por ela, que a tirou do poder das maldades dos homens? Foi má a alegria de Deus ao acolher mais um de Seus santinhos?

“Preciosa é aos olhos do Senhor a morte de Seus santos!”

Sabe o que falta a você?

Consciência e alegria na vida que é!

Meu irmão, se meu corpo chegar a algum IML todo lacerado e arrebentando, não sinta nada, pois, de fato, aquele corpo é de morte, e se não morre hoje, morrerá amanhã, mas certamente morrerá.

Sim! Poderá não ser lacerado por homens,mas, sem duvidas, será banquete de vermes!

Mas e daí?

Meu irmão, você escreveu para um homem que já perdeu muito, segundo os homens, que já sofreu muitas dores, segundo os homens, e que já sentiu quase todos os sentimentos desta vida, segundo os homens — e que, apesar disso, não tem perguntas filosóficas a fazer a Deus.

Há quase cinco anos meus filhos e minha mulher não quiseram que eu visse o corpo atropelado de meu filho Lukas, pois,não queriam que eu visse o estado de deformidade inicial no qual o atropelamento deixou o seu corpo de 22 anos.

Eu, no entanto, nunca gastei cinco minutos para pensar no que o atropelamento fez a ele, embora, todos os dias, eu imagine, ainda que de modo pobre [pelas minhas limitações], a Glória que hoje o veste em eternidade!

O que falta a você é uma fé que seja fé,segundo o Evangelho; pois, a fé que você tem é segundo a “igreja triunfalista e mentirosa”, a qual vive de sua propaganda enganosa, vendendo Seguro de Vida e contra Acidentes aos crentes incautos.

Alguém lembra de Jesus dizendo:

“Meu Pai! Puxa Vida! Por que Pilatos tinha que misturar o sangue dos Galileus com os sacrifícios que eles ofereciam?”

Ou ainda:

“Pô, Pai! Por que aqueles dezoito homens que visitavam a Torre de Siloé tiveram que estar lá justamente na hora em que a Torre caiu?”

Sim! Você escreveu para um homem não ter perguntas e, por isto, não tem respostas humanas, visto que, para mim, a resposta não é a longevidade na Terra, mas a segurança na eternidade.

Sou um alienado? Não! Apenas sou coerente com o que Jesus ensinou e com o modo silencioso com o qual Ele tratou de todas essas coisas.

Sim! Ele nada disse, embora, muitas vezes tenha salvado a muitos, enquanto andava entre nós.

Entretanto, quando Ele quis ilustrar o amor,a imagem escolhida foi a do absurdo e a do casuísmo de um assalto na baixada para Jericó. E mais: na “história” Ele não impediu o assalto. Sim! Não enviou anjos e nem exércitos. E qual foi a “solução” de Jesus? Ora, foi fazer um homem de amor passar, ver e agir.

A resposta de Jesus às calamidades deste mundo é o amor de todos os Samaritanos Gente Boa de Deus!

Em horas como essa não se deve fazer perguntas a Deus, mas apenas a nós mesmos; tipo: O que eu posso fazer para ajudar quem está vivo?

Sua fé, aparentemente, era o produto evangélico de crença mágica, e que, aparentemente, se tornou“cristã” sem levar em consideração que somos discípulos de uma fé que não liga para a morte [que já foi vencida e que não mata mais], não se espanta com catástrofes e não demanda de Deus que no mundo não haja aflições.

E mais: esquecemos tudo o que Jesus disse que poderia acontecer aos discípulos, tanto como perseguição dos homens, como também no que tange a todo tipo de violências que poderíamos sofrer.

Releia os Evangelhos e veja se você encontra alguma promessa de suspensão do mundo real apenas porque alguém disse que crêem Jesus.

Meu irmão, se o precursor de Jesus teve a cabeça cortada porque causa dos meneios de uma jovem e da cobiça de um rei semi-brocha, Herodes; e se o Messias foi morto de modo estuprado de violências impensáveis... — por que você alimenta as ilusões de que nesta vida o amor de Deus pode ser medido pela ausência de dor e de maldades?

Largue essa fé de crenças mágicas e entre de cabeça no sentido do Evangelho, onde aprendemos que a morte já não mata mais ninguém, especialmente crianças inocentes, cujas faces são vistas de dia e de noite pelos anjos de Deus, conforme Jesus garante no Evangelho.

O mais, mano, só mesmo você escrevendo paraDeus, ou, se quiser simplificar, apenas crendo Nele!

Receba meu abraço!

Procure um grupo do Caminho em sua cidade afim de se congregar sem falsas expectativas sobre a existência.

Ah! Um problema:

O corpo de Jesus sumiu do IML de Jerusalém!

Um beijo!

Nele, que ainda demorou mais dois dias antes dese mover na direção da casa de Lázaro, o amigo que morria,

Caio
30 de dezembro de 2008
www.caiofabio.com

domingo, 17 de fevereiro de 2008

GRAÇA 4 - O MAL EXISTE PARA O NOSSO BEM

Todos concordam que passar uma dor para se curar é totalmente viável, por exemplo: Uma cirurgia para tirar um câncer; o parto; a obturação de um dente; a retirada de uma unha encravada.

Embora tenhamos uma forte pré-disposição para fugir de toda e qualquer dor, ela é necessária e forte ajuda Dora em nossa vida. Pense que se você não sentisse nenhuma dor, quando você colocasse a mão no fogo você não a retiraria rapidamente. Você poderia tirá-la somente depois de tê-la totalmente queimado.

Lembrando também que é por causa da dor e do mal que é possível termos as maiores virtudes humanas, por exemplo: Só existe a coragem porque existe medo; solidariedade por causa de tragédias; compaixão e empatia por causa de vícios e tristeza e somente num mundo onde a fé (crer em coisas que não se vêem) é difícil, é que pode existir fé.

Você sabia que se encontra fé nos lugares de maior concentração de dor do que em lugares sem ela? Sem falar que o mal e a dor são o contexto necessário para se produzir a maior de todas as virtudes e de todos os dons: O AMOR.

"O homem que a dor não educou sempre será um menino".
Uma pessoa que nunca tenha passado nenhuma privação e nenhuma dor, provavelmente se tornará insensível com as necessidades alheias. Normalmente vemos o ex-drogado envolvido na recuperação de ex-drogados; pessoas que tiveram doenças graves ou tiveram parentes que as tiveram estão mais sensibilizadas a ajudar qualquer outra pessoa doente; e assim todos aqueles que passaram por alguma grande necessidade ou trauma na vida, quer seja fome, foi rejeitado pelos pais, é estrangeiro, foi acusado injustamente, passou por um acidente de carro, foi assaltado, etc.

Essas pessoas citadas acima estão sensibilizadas pela dor que passaram para sentir a dor dos outros.

Hebreus 4:15,16; 7:25 - "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno.
Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, porquanto vive sempre para interceder por eles".

Uma das funções do sacerdote era interceder pelo povo. Jesus, segundo o sacerdócio eterno de Melquizedeque, é nosso sumo sacerdote e intercessor. E o que o qualificou para a intercessão? Porque em tudo ele foi provado, por isso ele se compadece das nossas fraquezas e intercede por nós.

Note que, por causa do mal e a dor que existem nesse mundo você pode exercer o seu sacerdócio. E Deus nos chamou a todos para sermos parte do seu reino de sacerdotes.

Temos inúmeros exemplos de personagens bíblicos que se tornaram melhores depois que passou algum mal ou dor. Temos inúmeros exemplos tanto na Bíblia como ao longo de nossas vidas, mas temos alguns exemplos clássicos disso: Jó (Jó 42:5), Paulo (II Cor. 12:7) e Jesus.

Hebreus 5:8 - "ainda que era Filho, aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu..."

E aqui temos uma lição que é um segredo para a maioria das pessoas:

Se quiser saber onde Deus está trabalhando em você, procure onde está a sua dor.
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As linhas acima são para você pensar no que e como Deus está fazendo isso, quais são as coisas que Ele quer mudar, como isso está acontecendo, e se em tudo você está permanecendo fiel a Ele, sem resmungar, confiante e que tudo está em Suas mãos.

E, por último, é possível agradecer a Deus pelo mal ou dor que nos sobrevém?

Eu acredito que quando tudo terminar nós faremos isso. Nós diremos a Deus: Muito obrigado por esta pequena dor que não entendo agora e por aquela peque dor que não entendi na ocasião; agora vejo que foram as coisas mais preciosas da minha ida.

Mesmo que eu não me ache emocionalmente capaz de dizê-lo neste instante, ainda que eu não possa honestamente dizer a Deus em meio à dor "Deus obrigado por esta dor", mas tenha de rogar "Livra-me do mal", isso é perfeitamente correto e perfeitamente honesto. No entanto, creio que essa não é a última palavra. As últimas palavras não são "livra-nos do mal", as últimas palavras são "teu é o poder e a glória".

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

A BENÇÃO DA DOR por Caio Fábio

A grande verdade prática acerca do crescimento humano num mundo caído [sendo o próprio homem um ser caído e em busca suicida de subida para baixo], é que sem a benção da dor ninguém seria salvo para a consciência do Significado da Vida.

Nós, entretanto, tratamos a dor como maldição, sem sabermos que num mundo caído, os cardos, os abrolhos, os espinhos, o suor, o trabalho, o desejo dedicado a um só objeto de amor, e o trazer filhos ao mundo em dores de parto, são as bênçãos da Graça de Deus para o homem caído.

“Maldita é a terra por tua causa” — disse Deus.

“Pois a própria criação geme, aguardando para ser redimida do cativeiro de sua sujeição à vaidade por causa daquele que a sujeitou” — disse Paulo conforme esta minha paráfrase de suas palavras em Romanos 8. E acrescentou: “Na esperança de que também a criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus”.

Assim, a terra foi amaldiçoada por causa da criatura [o homem] para que a criatura tivesse a esperança da salvação de sua própria escravidão à vaidade de ser, e, assim, se torne as primícias da criação em glória para Deus.

A terra amaldiçoada é o único lugar possível de cura para o homem endiabrado pela vaidade do suposto conhecimento do Bem e do Mal.

Isso tudo, entretanto, não acontece sem dor. Pois só a dor cura da vaidade. Seja qual for a qualidade da dor, ela será necessária na transformação da vaidade do homem ao chamado da glória de Deus.

A boa resposta do homem à dor é a Esperança de Deus para a cura humana num mundo caído!

Portanto, a terra sob maldição é parte da Graça que cura o homem de seu mal de vaidade essencial de falta de sentido e de significado, a fim de conduzi-lo ao que realiza a glória de Deus no homem, que é torná-lo à imagem e semelhança do Filho de Deus.

Assim, saiba: a dor faz parte...

Aliás, sem tal parte tudo seria nada; e, assim, nada teria parte com a Vida. Chegar à Árvore da Vida no estado no qual a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal no deixou, seria ficar perdido no estado fixado de Queda.

Agora, entretanto, espinhos, abrolhos, cardos, suores, esforços, limitações, impotência e fraquezas fazem parte do que em nós será o que se terá por mais precioso como verdadeiro bem da Vida.

Também é por tais certezas que se tem o mais profundo mergulho desamargurado no mar da existência real.

Sim! Pois, por tal apropriação da Realidade é que se saberá que se terá que aprender a passar por espinhos para se chegar às fontes; atravessar cardos para se chegar ao mar; usar abrolhos como decoração no deserto; amar como catividade de desejo a um só; comer apenas porque se trabalha; e chorar os filhos que nasceram do prazer.

Ou do que mais é feita a presente existência?

Paulo ensina que aquele que deseja aprender a gloriar-se na esperança da glória de Deus tem que antes aprender a gloriar-se nas próprias tribulações; pois, somente a tribulação, ou a provação, ou a tentação, ou as fraquezas nos fazem produzir o Fruto da Vida que se alimenta da eternidade.

Num mundo caído a falta de limitações e de dificuldades é o diabo para a alma humana.

O homem, entretanto, chama de benção justamente aquilo que dele tira a vereda da consciência.

O estranho é que a dor não gera o egoísta, mas sim o altruísta; enquanto a ausência de dor gera auto-indulgência aos desejos e caprichos da vaidade, e, assim, apenas produzindo o egoísta.

Mais uma vez se afirma por outra via o que Jesus disse com total simplicidade: “Aquele que ama a sua vida neste mundo a perde, mas aquele que aborrece a sua vida neste mundo a preserva para a vida eterna”.

Desse modo, aquele que existe odiando a tudo o que dói, e apenas chamando de benção aquilo que não dói, será aquele que se perderá para o Sentido da Vida.

Aquele, porém, que abraça a dor que é parte da vereda natural das coisas estabelecidas por Deus, e que evita a dor que vem do mal que se faz contra a natureza das coisas, e que beija em fé a dor que é filha do absurdo [a qual nunca deve ser buscada, mas, uma vez advinda sobre nós, deve ser transformada para o nosso bem] — esse será sempre o ser mais enriquecido na jornada sobre o chão dessa terra amaldiçoada pela vaidade humana.

Os que vêem a vida desse modo são os que se tornam pessoas das quais o mundo não é digno, conforme Hebreus 11.

Ora, embora se creia que chegará a Nova Jerusalém quando toda dor cessará, ainda aqui neste mundo algumas pessoas crescem não para a cessação da dor, mas sim para a transformação de toda dor em gratidão; assim como a mulher que estando para dar a luz, sente dores, mas já as sente como quem se alegra no fato maior que um novo homem está sendo trazido ao mundo.

Sim! Há pessoas que crescem em fé e entendimento espiritual que as possibilita viverem o “apocalipse da dor como dor”, e as faz viverem na “Nova Jerusalém” existencial na qual a “dor já não existe como dor”, mas sim como meio de Graça para transformações mais profundas, conforme o ensino dos profetas, de Jesus e dos Seus apóstolos.

Assim, que sempre se lembre que no mundo se tem aflições, mas que se tenha bom animo, pois Jesus venceu o mundo.

Nele, em Quem o mundo foi relativizado em suas falsas importâncias e valores, inclusive no significado da dor,

Caio