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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Sagrado – Uma Resposta Rabínica a “O Segredo” por Nilton Bonder


O livro O Segredo já provocou a publicação de várias respostas – dentre as quais Muito Além do Segredo, de Ed Gungor (Thomas Nelson Brasil), e O Segredo de Deus, do dr. Henry Cloud (Editora Planeta do Brasil).

Uma resposta certamente bem menos divulgada no meio cristão é O Sagrado (Editora Rocco), escrita por Nilton Bonder, doutor em literatura hebraica pelo Jewish Theological Seminary de Nova York, autor de vários livros e rabino da Congregação Judaica do Brasil.

A seguir, alguns dos pensamentos expostos por Bonder em seu livro.

1. Sintoma de nossa época

Embora seja extremamente difícil definir os mitos e fantasias da própria época, nenhuma parece tão própria do tempo atual como a tentativa de construir um cosmos que consome, um universo que toma características de um enorme supermercado desenhado para suprir as pessoas não só de bens, mas de liberdade e independência. A produção espiritual mais importante do nosso tempo tem sido as religiões do indivíduo, religiões estas que procuram direcionar a pessoa a estabelecer uma relação isolada com Deus ao invés de integrá-la num contexto coletivo com raízes bem mais amplas de significado e propósito. O pior é que esse individualismo fortalece a liberdade à custa do anonimato, pois, como a pessoa tende a não assumir a identidade do país, da tribo, da família ou do grupo, ela perde o senso de significado e não sabe por que existe.

2. O perigoso vírus do interesse pessoal

Desde tempos imemoriais, o ser humano acredita na existência de algum segredo ou lei espiritual que lhe permita desfrutar de riquezas, poderes, sabedoria e sucesso e explique quais são as trajetórias vencedoras e quais as perdedoras. O grande problema de qualquer sistema de pensamento ou consciência são as lógicas dissimuladas de interesses subliminares que se fazem passar por interesses do próprio indivíduo.

É como o vírus que age no organismo. Usando um material genético semelhante, mas com interesses particulares, ele se faz passar pelo próprio corpo do indivíduo infectado, driblando todas as proteções celulares. Invadindo o sistema mais privado do organismo, o vírus passa a ter acesso ao código que defende a identidade e a integridade do mesmo e começa a controlá-lo com objetivo pernicioso, seguindo a vontade de outro interventor que se impõe. Assim também funcionam os vírus de computador.

Para a consciência humana, nada é mais perigoso do que a mensagem subliminar que encontra brechas em nossos pensamentos e mescla-se com nosso discernimento, mascarando a realidade e cegando o juízo. É o que tem acontecido com o segredo (e tantas outras teorias semelhantes): camuflando-se em uma das mais amplas leis do universo e um dos mais profundos discernimentos da realidade, na verdade traz uma sutil distorção, escondendo ainda mais o verdadeiro segredo, “o segredo do segredo”1.

3. Balaão: a distorção do desejo


É uma história muito conhecida (Nm 22-24): Balaque, rei dos moabitas, percebe que não tem condições de resistir à nação de Israel e quer usar uma forma antiga de segredo, ou mágica, para obter seu desejo de amaldiçoar o inimigo. Balaão, o mago ou profeta, é um homem que realmente conhece o mundo espiritual. Porém, é infectado pelo mesmo vírus do desejo ou interesse próprio. Enquanto Balaque deseja poder, Balaão está atrás de riquezas e honra.

Embora os dois se esforcem ao máximo, insistindo no objetivo com foco e intensidade, eles esbarram numa lei superior que os impede de obter o desejo. Balaão é acostumado a valer-se da mágica para conseguir o que quer, usando leis espirituais (Nm 22.6). Nada sabemos a respeito de suas outras experiências; apenas que já tinha uma reputação de sucesso e que conversava com Deus.

O objetivo do texto bíblico, claramente, é mostrar não só a soberania de Deus em não permitir que seu povo seja amaldiçoado, mas também os efeitos que um desejo dominante pode causar sobre uma pessoa mesmo que ela tenha faculdades espirituais bem desenvolvidas. Apesar das afirmações piedosas de fazer e falar somente o que o Senhor ordenar, Balaão insiste com Deus até conseguir sua “permissão” para aceitar a missão e avança mesmo depois de ter seu caminho bloqueado por um anjo, de perceber que o Senhor estava irado e de ouvir sua jumenta falar.

Como fica, então, “a lei universal de atração”? De acordo com esse relato, não funcionou nem com Balaque nem com Balaão. Na verdade, vemos outra lei de atração que não garante a obtenção de todos os nossos desejos, mas que tende a corromper tudo o que passa perto da nossa vontade, distorcendo a percepção, a compreensão e a reação de acordo com a força do nosso querer. O homem que “tem os olhos abertos” (Nm 24.3) não consegue enxergar o que sua jumenta vê; sua capacidade de ouvir Deus é prejudicada; seus poderes de sensibilidade não funcionam como antes. Ele só escuta o que quer escutar. E, no fim, o desejo insaciável de Balaão leva-o à morte (Nm 31.8,16).

Por aí se pode ver a perspectiva bíblica da lei universal de o segredo, mostrando claramente que nem tudo o que se deseja pode ser obtido.

4. A diferença entre o “segredo” e o princípio da “bênção”

Existe uma grande diferença entre a aquisição daquilo que se deseja e a bênção bíblica. O desejo é basicamente individual, egoísta e excludente por natureza. Mesmo que, em tese, o “universo” tivesse recursos suficientes para satisfazer os desejos mais exagerados de todas as pessoas que existem, um pouco de reflexão basta para deduzir que muitos desejos dependem da exclusão de outros para serem satisfeitos. Como posso satisfazer meu desejo de ser o melhor atleta, de ocupar a mais alta posição na empresa ou de ganhar uma eleição sem, necessariamente, tirar a satisfação de outra pessoa que deseja a mesma coisa? Ainda que se tente divulgar o segredo a um grande número de pessoas, a idéia é sempre que algumas pessoas vencem porque descobriram a chave, deixando outras pessoas para trás na derrota. E, como o universo não gera as possessões materiais no vácuo, qualquer desejo satisfeito significa que outras pessoas suaram e sofreram, provavelmente com pouca compensação, para prover a casa, o carro novo ou o brinquedo eletrônico desejado.

Outro problema intrínseco ao desejo é que a satisfação não vem com a obtenção do objeto, posição ou alvo pretendido. O desejo está sempre mais preocupado com a preservação de sua potência do que com a própria experiência de usufruir da realização. Este é o custo satânico do desejo: obstruir a bênção da satisfação e da plenitude. O governo do desejo é marcado pela maldição da carência e pela dependência total do querer.

É por isso que a história de Balaão é exemplar. Para Balaão conseguir o que quer, ele precisa satisfazer o desejo de Balaque. E o desejo de Balaque é amaldiçoar Israel, porque Israel tem algo que ameaça a posição e o poder de Balaque. Para ele, a bênção de um depende da maldição do outro. Mas a lei da bênção divina funciona em outra base. A bênção origina-se de algo exterior ao homem e se consuma numa interação absoluta entre o homem e Deus. Não há intervenção possível na bênção porque ela não é relativa a um terceiro. Não há olhar ou força maligna que seja capaz de modificá-la.

Ao tentar lançar maldição sobre o povo abençoado, Balaão foi dominado pela verdadeira e superior lei de atração do universo (a lei da bênção) e teve de abençoar o abençoado.

Quando percebo que posso conseguir algo do universo utilizando apenas meu querer, elimino o potencial de um desejo originado de um estímulo externo, produzido fora de mim. Com isso, abro mão de outra fonte de quereres, essa sim, inesgotável, cuja dádiva maior não está na experiência de ter os desejos saciados, mas na qualidade de surpreendente, transcendente, imerecido.

Os presentes mais especiais da vida não são os que conquistamos, mas os que ganhamos como gentilezas, os brindes que ganhamos antes do querer, os desejos produzidos posteriormente ao ganho. São as surpresas que driblam a vontade e apresentam-se antes da aspiração e do anseio, o manjar antes do apetite.

Balaão, mesmo sem o aplicar à própria vida, definiu a verdadeira natureza da bênção quando proclamou sobre Israel: “sua prosperidade será como a semente junto às águas” (Nm 24.7). A semente tem um potencial de fazer nascer. Contudo, nada conseguirá sem a água. Conjugar potenciais internos e externos é o que constitui a bênção. Diferente do desejo que age sozinho, e cuja essência está em impor e exigir, a bênção está no casamento de vários potenciais. Esses potenciais não são desejos embora se assemelham a eles. A diferença sutil está na origem – o desejo nasce da semente que quer germinar sozinha; a bênção nasce da dádiva da água que encontra o potencial da semente e o desperta. No primeiro, o desejo pertence ao indivíduo, a um elemento independente; no segundo, é o encontro entre potenciais.

A atração não é um poder que faz acontecer o que eu quero. A atração se dá entre potenciais que se completam – tal como o masculino encontra sua função no feminino, como a carga negativa encontra atração na positiva. Atrações e repulsões nunca nascem de um único item que as impõe; pelo contrário, elas são interações que só podem ocorrer no espaço “entre” e nunca “em”.

A bênção não é excludente. O outro não diminuirá a minha bênção; ao contrário, a ampliará. A bênção não diminui quando repartida, mas surpreendentemente se reforça e se propaga. A bênção contagia e não se fragmenta. Aliás, essa é sua característica maior. Para saber se algo é um desejo atendido ou uma bênção, basta fazer o seguinte teste: se, ao ser compartilhado, ele perder valor ou intensidade, terá sido apenas fruto do desejo; se, ao contrário, ele se expandir e desenvolver-se, terá sido uma bênção.

Reirado do site: www.revistaimpacto.com.br

domingo, 14 de dezembro de 2008

O Segredo: de Deus ou do Diabo? por Harold Walker - parte2


Semelhança Importante

Refletindo sobre esses dois pontos de divergência, devemos concluir o seguinte: a auto-ajuda está errada no que se refere a imputar tanto a origem quanto o destino ao próprio homem – um verdadeiro buraco negro! Já no cristianismo bíblico, entendemos que nossa origem e destino estão em Deus – alguém fora de nós, maior que o universo e distinto dele, Criador de tudo.

Dito isso, porém, devemos também concluir que muitos aspectos do processo de trazer coisas do invisível para o visível, tanto no cristianismo quanto na auto-ajuda, são semelhantes. Se nosso destino (o alvo de nossas orações, petições e anseios) é Deus, e nossa origem (o propósito de nossa vida, nossa missão na Terra, o criador de nossos sonhos e anseios) também é Deus, podemos pedir, visualizar detalhes, sonhar, “engravidar”, acreditar firmemente (sem duvidar ou vacilar), repetir, confessar, sentir a emoção antecipada como se já o possuíssemos – e o receberemos!

Você consegue ver a diferença? Não é simplesmente querer um diamante, uma casa nova, um iate luxuoso ou chegar à presidência da empresa ou do país. Se a origem é Deus, é ele quem tem de colocar dentro de mim esse forte desejo e convicção, inclusive mostrando como tal desejo contribuirá para o seu prazer e o cumprimento da missão que ele me deu. Nas palavras de Davi: “Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração” (Sl 37.4), e de Agostinho: “Ama a Deus e faze o que quiseres”. Qualquer coisa é possível para aquele que se une a Deus em amor de tal modo que só deseja aquilo que ele deseja!

Os Extremos

Nesse caso, assim como em tantos outros, precisamos tomar muito cuidado para não ir nem para um extremo nem para outro. Não devemos “jogar fora o bebê junto com a água suja”! Por um lado, temos o fatalismo religioso que mascara a ausência de fé com argumentos “piedosos”: “Deus é soberano e você tem de aceitar tudo o que acontece como a vontade dele”, “Se você está doente, deve ser porque ele quer santificá-lo!”, “O importante não é ter riquezas ou conforto material; Deus olha para o espírito” e “Pessoas que têm alegria e curtem a vida são menos espirituais do que as que vivem sofrendo!” O Movimento da Fé e irmãos como Kenneth Hagin e David Cho têm combatido, com propriedade, essa defesa doentia de miséria e desgraça como se fossem inevitáveis ou resultados da vontade irrevogável de Deus.

A Bíblia, de modo geral, e Jesus, de forma especial, enfatizam que Deus opera dentro e por intermédio do homem, e que este tem autoridade para reverter situações aparentemente impossíveis. Veja os seguintes exemplos:

Josué não perguntou para Deus se podia parar o Sol e a Lua! Ele simplesmente ordenou (Js 10.12,13), e assim aconteceu!

Quando o profeta Isaías desafiou o rei Acaz a pedir qualquer sinal que quisesse nos céus ou na terra, e este bancou o piedoso conformado, dizendo: “Não pedirei; não porei o Senhor à prova”, Isaías o repreendeu, dizendo: “Não basta abusarem da paciência dos homens? Também vão abusar da paciência do meu Deus?” (Is 7.10-13, NVI).

Quando os fariseus, que se orgulhavam de sua teologia aparentemente impecável, comentaram: “Quem é este que profere blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão só Deus?”, Jesus respondeu enfaticamente: “Para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa” (Lc 5.20-25, ênfase acrescentada).

Deus não quer que o homem permaneça passivo, aceitando tudo o que acontece de forma fatalista como sendo a vontade dele, “terceirizando” sua responsabilidade diante das circunstâncias da vida.

No extremo oposto, temos os que ficam tão entusiasmados com o poder da fé que se esquecem de que é Deus quem tem a palavra final em tudo. Ele é soberano, somente a sua vontade deve ser feita, e nós existimos para sua glória e seus propósitos. “Todas as coisas cooperam para o bem [de quem?] daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28, ênfase acrescentada). “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 Jo 5.14, ênfase acrescentada). Portanto, não temos licença para usar a fé em prol das nossas ambições egoístas e carnais. “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tg 4.3).

A própria história do mundo nos últimos séculos revela os frutos desses dois extremos. As filosofias e religiões orientais (principalmente hinduísmo e budismo), com seu fatalismo e teorias de carma e reencarnação, não permitiram o desabrochar do potencial do homem para interagir produtivamente com o ambiente. De certa forma, o próprio catolicismo, que também defendia a passividade diante da soberania de Deus, resultou no mesmo tipo de estagnação na parte do mundo que se manteve sob seu domínio na Idade Média.

Foi o protestantismo, com a fé irreprimível na possibilidade de cada homem ter contato direto com Deus e usar a imaginação e criatividade para melhorar o mundo visível, que trouxe a explosão de ciência e tecnologia que hoje predomina sobre toda a face da Terra. Ao mesmo tempo, porém, que esse tremendo poder criativo que permaneceu preso dentro do homem por tantos séculos foi liberado, o senso de assombro e reverência diante da soberania e grandeza de Deus foi praticamente anulado, gerando assim a cultura capitalista, consumista, hedonista e anti-Deus que acompanha os avanços tecnológicos no atual processo inexorável de globalização.

Ao meditar sobre essas coisas, fico emocionado. Sinto o Senhor olhando para seu povo com muito amor e zelo paternal e dizendo:

Oh, minha igreja! Os últimos dias já chegaram! Não olhem nem para a direita nem para a esquerda! Olhem firmemente para o Autor e Consumador de sua fé! Creiam no tremendo potencial que há dentro de vocês para mudar circunstâncias, chamar à existência aquilo que não é e tornar visível o invisível. Porém não se esqueçam de que tudo o que existe fui eu que fiz para minha glória! Prostrem-se diante de mim! Desistam de seus próprios sonhos terrenos! Abram o coração para meus sonhos que são muito maiores! Haverá novos céus e nova terra nos quais habita a justiça! E o poder desse mundo vindouro já está dentro de vocês! É o Espírito Santo, o penhor da sua herança! Vocês serão o instrumento por meio do qual meu poder agirá para trazer meu reino para a Terra! Não fiquem olhando para este ou aquele lado, perguntando de onde virá o socorro! A palavra está dentro de vocês, na sua boca, no seu coração! O meu sonho é um povo totalmente submisso e rendido a mim, sem um pingo de autopromoção ou egoísmo, que só deseje a minha glória e o meu prazer, mas que, ao mesmo tempo, seja ousado, corajoso, intrépido para desafiar meus inimigos, fazer proezas em meu nome e exercer minha autoridade sobre a Terra! Esse sonho há de se realizar!

Retirado do site: www.revistaimpacto.com.br

O Segredo: de Deus ou do Diabo? por Harold Walker


Nas últimas décadas, houve uma explosão de crescimento dos evangélicos no Brasil. Apesar de nos alegrarmos com os milhares de testemunhos de vidas transformadas, junto com esse crescimento exponencial há evidências cada vez maiores de que há “morte na panela” (2 Rs 4.40).

Enquanto o livro de auto-ajuda O Segredo está na lista da Veja dos mais vendidos no Brasil há 71 semanas (setembro de 2008) – até agora foram vendidos mais de 2 milhões de cópias em DVD e 13 milhões de livros no mundo todo –, ouve-se o mesmo tipo de ensinamento de um número cada vez maior de púlpitos evangélicos.

Um artigo da revista Veja (26 de setembro de 2003) ressalta esses dois assuntos (crescimento evangélico e ênfase em auto-ajuda) em um só parágrafo curto: “Enquanto a Igreja Católica não conseguia ordenar mais do que 900 padres por ano, só um único instituto evangélico de São Paulo formava, no mesmo período, 200 pastores. São pastores de uma nova geração, mais centrados na auto-ajuda e menos no sobrenatural do que seus predecessores – nada da ira e dos exorcismos de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, ou de R. R. Soares, o onipresente telepastor da Internacional da Graça de Deus”.

Mas, afinal, o que há de errado na filosofia de vida defendida por Rhonda Byrne (autora do livro O Segredo) e por tantos outros autores e pregadores de auto-ajuda? Deus não quer tirar-nos do fatalismo passivo, da incredulidade paralisante e da miséria financeira que predominam há séculos neste país? Jesus não disse: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Lc 11.9)? Ele não afirmou em outra ocasião: “Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu” e “Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito” (Mt 18.18,19, ênfase acrescentada)?

Não foi por meio de uma revelação pessoal da passagem de Marcos 11.22-24 (“Qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, assim lhe será feito... Tudo o que pedirdes em oração, crede que o recebestes, e tê-lo-eis”) que Kenneth Hagin foi curado miraculosamente de uma doença terminal em 1934, abrindo o caminho a centenas de outras grandes curas milagrosas testemunhadas por ele durante mais de 50 anos a partir de então? Não foi por seu método de sonhar, de “engravidar” daquilo que se almeja, visualizar e imaginar, em todos os detalhes, o objetivo desejado que David Yonggi Cho levantou a maior igreja do mundo na Coréia do Sul?

Diferenças Fundamentais

É óbvio que, em um artigo curto como este, não é possível dar respostas detalhadas a essas perguntas. Porém, tentaremos ressaltar alguns pontos essenciais que podem ajudar-nos a localizar “a morte na panela” e separar “o joio do trigo”.

1. De onde procede a resposta ao anseio do homem?


A essência da filosofia de auto-ajuda defendida por Rhonda Byrne é: “Pense, acredite, receba”. É a Lei da Atração. “No momento em que você pede alguma coisa, e acredita, e sabe que já a tem no invisível, o Universo inteiro se move para deixá-la visível” (Rhonda Byrne: O Segredo, pág.49. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006).

Há uma diferença vital entre os ensinamentos de Jesus e os dos gurus: Jesus afirma que é do Pai que vem a resposta, enquanto os mestres de auto-ajuda sempre se referem a duas fontes distintas: o universo e o próprio homem. No fim, acabam considerando os dois como um só, porque o homem faz parte do universo. Para eles, a grande dicotomia de Criador e criatura, revelada na primeira frase da Bíblia (“No princípio, criou Deus os céus e a terra” – Gn 1.1), não existe. A criatura é o criador. Deus está em nós e em todo o universo. O universo é Deus. Portanto, baseados nessa falsa premissa fundamental, afirmam que nós somos Deus e podemos mudar nosso destino. Basta querer!

2. Qual é o propósito da vida?


Veja as seguintes citações do livro O Segredo:

Portanto, seu objetivo é o que você determinar. Sua missão é a que você se atribui (Neale Donald Walsch).

Levei muitos anos para chegar a este ponto, porque fui criado com a noção de que havia algo que eu deveria fazer, e, se eu não fizesse, Deus não ficaria satisfeito comigo. Quando entendi concretamente que minha meta principal era sentir e vivenciar alegria, comecei a fazer só o que me alegrasse. Meu lema é: “Se não é divertido, não faça!” (Jack Canfield).

Faça as coisas que lhe trazem prazer e alegria. Se você não sabe do que gosta, pergunte: “Qual é o meu prazer?” E quando você encontrá-lo e se dedicar a ele, ao prazer, a lei da atração irá derramar em sua vida uma avalanche de coisas, pessoas, situações, acontecimentos e oportunidades alegres, só porque você está irradiando alegria (Jack Canfield).

Como se pode ver, as filosofias de auto-ajuda ensinam que vivemos para o próprio prazer. Somos nós que determinamos o que é bom para nós.

A Bíblia, porém, do princípio ao fim, enfatiza que o homem existe para amar e agradar a Deus. Conseqüentemente, Deus não é apenas aquele que responde nossas orações e anseios, mas também é aquele a quem prestaremos contas pela maneira como conduzimos nossa vida na Terra. Em suma, não estamos na Terra para sermos felizes, mas para fazer Deus feliz. Por outro lado, se isso é verdade, fomos feitos de tal forma que só podemos ser felizes quando ele é feliz. Essa é a essência do amor. O amor se interessa tanto pela felicidade alheia que não consegue ser feliz sem que o outro o seja.