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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Sensações que experimentei na igreja por Pavablog


Não posso ser totalmente ingrato ao meu passado dentro da "i"greja. Tanto quanto não posso ser ingrato com meus namoricos de adolescente. Me ocorre agora uma lembrança, ou melhor lembro-me de sensações que já não sinto mais. Sensações boas, perigosas e efêmeras...

Minha vida dentro das enfeitadas construções sagradas me trouxe muita bagagem da qual me orgulho. Embora possa questionar a estrada que peguei, e aceder que existia uma melhor trilha, não mudaria o meu caminho em detrimento de onde estou. Não posso dizer que não gostaria de não ter experimentado tudo o que vivi. Não, seria hipocrisia minha...

Lembro da sensação de viver uma dicotomia.
De achar que vivia o Céu no fim de semana e voltava ao mundo de Segunda à Sexta - Sábado era o esperado culto de jovens. Aquilo para mim era o Reino, era a Igreja, era a Noiva, era Deus conosco... como na música que canta o Pe. Marcelo, não sabia se a igreja subiu ou se o Céu desceu... Era a minha sensação, minha experimentação espiritual mais pungente. Provavelmente aqueles cultos repletos de contrição coletiva, choramingos, berros extravagantes e línguas era fruto do louvor que estava "fluindo". E isso pra mim era deveras espiritual...

Eu ficava ali, na bateria, apenas observando, enquanto tocava (ou como dizia, ministrava), a igreja ceder aos nossos artífices de conduzir a massa em adoração...
todos com os olhos fechados, faces enrugadas e espremidas, todos provocados pelo clima de "intimidade" com Deus. Às vezes, eu nem estava em êxtase, mas, fingia só para "induzir" a congregação. Os que não entravam no "mover", tínhamos por menos espirituais, ou no mínimo haviam cometido algum pecado durante a semana. É claro que, muitas vezes, eu próprio havia pecado durante toda a semana, mas, no Sábado eu me arrependia e orava para que Jesus me lavasse com o Seu sangue e me purificasse de todo pecado. Realmente o que fazia me confessar era a noção de "Presença" de Deus no fim de semana. Uma sensação que não experimentava durante o meio da semana e que me permitia procrastinar e pecar, confiante que Deus me perdoaria poucos minutos antes de "ministrar" louvor em "Sua Casa"...

Para mim, culto com "Presença" de Deus era culto com muito louvor, muita adoração extravagante e uma pregação tocante e, preferivelmente, com bastante eloquência e domínio das emoções dos espectadores... E, claro, se o louvor se estendesse naturalmente em resposta da congregação, ultrapassando o horário da pregação, isso era sinal de que o povo estava sedento de Deus! E se o pastor fizesse cara feia porque o louvor estendera-se era porque estava resistindo à direção do Espírito...

Aquele finalzinho de ministração de louvor
, com aquela música Enche este lugar, e toda a igreja prostrada e declarando seu amor a Deus, chorando, gemendo, gritando... e a música ia se esvaindo devagar (sabíamos como criar um clima), iam sobrando apenas os sniff, sniff... Era uma sensação tão boa! Na verdade não desejava que aquilo acabasse ali, salvo quando estava atormentado pela culpa de algum pecado que me impedia de entrar naquele "mover" e, eu esperava que aquele lenga, lenga moroso terminasse o quanto antes!

É desta sensação de que me recordo agora... de forma nostálgica até! Sensação de Céu, de lá-fora-está-tudo-bem-obrigado, de não-me-preocupo-com-nada-porque-estou-"adorando"! E que me fazia desgostar tanto de ter que deixar aquele prédio sagrado para tornar à minha casa com minha mãe "descrente" e minhas irmãs "desviadas" e todo o "inferno" que vivia lá dentro. Claro, se minha referência de Céu era o culto, para mim o inferno era em casa: responsabilidade, relacionamento para cuidar, diálogo para administrar, tarefas para cumprir, problemas para superar, gente para amar, gente para odiar, gente para perdoar, falta de dinheiro para se preocupar... vida para viver! E sem abundância por sinal! Minha vontade era ficar recluso dentro da "i"greja, eu até tinha as chaves do templo! De maneira que para não ficar em casa, ficava lá dentro, ouvindo música, adorando, orando... FUGINDO!

Toda essa experiência religiosa era tão gostosa quanto ficar com as meninas
(geralmente esse era o pecado de que devia me arrepender no fim de semana)! Aqueles beijos sem compromisso que elevavam a adrenalina (geralmente tinham que ser escondidos), que me causavam momentos de prazer, de satisfação efêmera... e que me fazia ir atrás de mais meninas pra ficar! Eu era dependente daquilo tudo... porque era como um ópio para mim! Uma válvula de escape, tal como beijar descompromissadamente (e, como não podia passar disso até o casamento, também descarregava de outra forma, o que também era um pecado frequente nas confissões antes de "ministrar"), tal como usar uma droga para fugir dos meus problemas, era assim que me viciava na "i"greja!

Mas, como disse, não posso ser ingrato nem com os beijos, frutos de imaturidade, nem com a experimentação religiosa e relacionamento com Deus de outrora, frutos de ingenuidade! Foram experiências que me trouxeram aprendizado e sensações arrebatadoras... mas, que não posso mais desfrutar porque cresci... e aprendi que não posso fugir da vida e achar que estarei seguro no interior de um templo, no ócio de um culto ou no ativismo de um ministério!

Agora sei que a Presença de Deus se faz em mim em todo o tempo, e essa noção de Deus Comigo, me ajuda a distanciar o pecado com maior eficiência e autenticidade. Não fujo mais da vida... mas, recebo a proposta de Cristo que veio para que eu tenha vida - viva- em abundância. Isso significa não ceder aos caprichos, problemas e relacionamentos que ela traz e não fugir como um covarde que não tem em quem confiar seu destino. Cristo é comigo, a quem (que) temerei?

Enxergo agora que se o Reino de Deus se resume aos mimos que experimentamos num culto, o mundo estaria sem esperança! Sei que o Reino já se estabelece nas nossas vidas à partir do momento que acedemos que Cristo reine em nós, tornando-nos Sua moradia! E implantando o Seu Reino aqui na Terra para que, quando Ele regresse, seja como no Céu!

Hoje, não preciso experimentar beijinhos (ou amassos) escondidos com cada gatinha diferente por aí, tenho com quem me RELACIONAR em compromisso, confiança e fidelidade. Hoje não preciso me entorpecer num ambiente sagrado achando que estou me relacionando com Deus... e esperar uma semana para experimentar outra vez a mesma sensação! Não preciso de lugar, hora, dia, ou programação com gente para me RELACIONAR com Deus!

Nem só de sensações boas viverá o homem...

Retirado do Blog: Pavablog

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Era uma Igreja muito engraçada ...


...não tinha teto, não tinha nada.

Essa noite, eu tive um sonho de sonhador, sonhei com uma igreja esquisita. Ela não tinha muros, piso, púlpito, bancos ou aparelhagem de som. A igreja era só as pessoas. E as pessoas não tinham títulos ou cargos, ninguém era chamado de líder, pois a igreja tinha só um líder, o Messias. Ninguém era chamado de mestre, pois todos eram membros da mesma família e tinham só um Mestre. Tampouco alguém era chamado de pastor, apóstolo, bispo, diácono ou Irmão. Todos eram conhecidos pelos nomes, Maria, Pedro, Afonso, Julia, Ricardo...

Todos os que criam pensavam e sentiam do mesmo modo. Não que não houvesse ênfases diferentes, pois Paulo dizia: “Vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem das obras, para que ninguém se glorie”, enquanto Tiago dizia: “A pessoa é aceita por Deus por meio das suas obras e não somente pela fé”. Mas, mesmo assim, havia amor, entendimento e compreensão entre as pessoas e suas muitas ênfases.

Não havia teólogos nem cursos bíblicos, nem era necessário que ninguém ensinasse, pois o Espírito ensinava a todos e cada um compartilhava o que aprendia com o restante. E foi dessa forma que o Agenor, advogado, aprendeu mais sobre amor e perdão com Dinorá, faxineira.

Não havia gente rica em meio a igreja, pois ninguém possuía nada. Todos repartiam uns com os outros as coisas que estavam em seu poder de acordo com os recursos e necessidades de cada um. Assim, César que era empresário, não gastava consigo e com sua família mais do que Coutinho, ajudante de pedreiro. Assim todos viviam, trabalhavam e cresciam, estando constantemente ligados pelo vínculo do amor, que era o maior valor que tinham entre eles.

Quando eu perguntei sobre o horário de culto, Marcelo não soube me responder e disse que o culto não começava nem acabava. Deus era constantemente cultuado nas vidas de cada membro da igreja. Mas ele me disse que a igreja normalmente se reunia esporadicamente, pelo menos uma vez por semana em que a maioria podia estar presente. Normalmente era um churrasco feito no sítio do Horácio e da Paula, mas no sábado em que eu participei, foi uma macarronada com frango na casa da Filomena. As pessoas iam chegando e todos comiam e bebiam o suficiente.

Depois de todos satisfeitos, Paulo, bem desafinado, começou a cantar uma canção. Era um samba que falava de sua alegria de estar vivo e de sua gratidão a Deus. Maurício acompanhou no cavaquinho e todos cantaram juntos. Afonso quis orar agradecendo a Deus e orou. Patrícia e Bela compartilharam suas interpretações sobre um trecho do evangelho que estavam lendo juntas. Depois foi a vez de Sueli puxar uma canção. Era um bolero triste, falando das saudades que sentia do marido que havia falecido há pouco tempo. Todos cantaram e choraram com ela. Dessa vez foi Tiago que orou. Outras canções, orações, hinos e palavras foram ditas e todas para edificação da igreja.

Quando o sol estava se pondo, Filomena trouxe um enorme pão italiano e um tonelzinho com um vinho que a família dela produzia. O ápice da reunião havia chegado, pela primeira vez o silêncio tomou conta do lugar. Todos partiram o pão, encheram os copos de vinho e os olhos de lágrimas. Alguns abraçados, outros encurvados, todos beberam e comeram em memória de Cristo.

Acordei com um padre da Inquisição batendo à minha porta. Junto dele estavam pastores, bispos, policiais, presidentes, ditadores, homens ricos e um mandado de busca. Disseram que houvera uma denúncia e que havia indícios de que eu era parte de um complô anarquista para acabar com a religião. Acusaram-me de freqüentar uma igreja sem líderes, doutrina ou hierarquia; me ameaçaram e falaram: “Ninguém vai nos derrubar!”. Expliquei: “Vocês estão enganados, não fui a lugar nenhum, não encontrei ninguém ou participei de nada... aquela é apenas a igreja dos meus sonhos”.

por: Tonho [foi coordenador do UG -Min. Jovem do Portas Abertas]

Fonte Underground, via Comunidade Mais Jesus, menos religião
Via Sobre fé e mais um pouco

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Movimento pela Regeneração da Igreja


Nos dias da Reforma Protestante, 95 foram as teses. Hoje a tese é uma só: Se tudo é Graça de Deus, então, não há barganhas a serem nem propostas e nem aceitas, jamais.

Portanto, eis como segue:

1. Há um só Deus, que se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo; sendo, no entanto, um só Deus; e tal realidade divina pode ser por nós apenas crida, mas jamais entendida. Ora, sem fé é impossível agradar a Deus!

2. Tudo e todos os que existem foram criados por Deus e para Deus; e Deus ama a todas as Suas criaturas e criações; posto que sendo amor a natureza de Deus, tudo o que Ele criou por amor o criou.

3. Deus é Amor; portanto, Deus é Graça; visto que somente no Amor há Graça; sendo também esta a razão de Deus haver feito o Sacrifício Eterno pela Sua criação e todas as Suas criaturas, antes mesmo de criar qualquer coisa; posto que o Cordeiro Eterno de Deus, que é também o Filho, entregou-se como Redenção e Remissão de pecados antes que qualquer coisa, ente, criatura ou dimensão tivessem sido criadas.

4. As transgressões que houve e há na criação, não demandaram de Deus um "improviso", um remendo; posto que a Graça do amor de Deus revelado aos homens não seja um improviso, mas a consecução do amor que já se dispusera a tudo por amor à criação antes de haver mundo.

5. Deus é amor, é, portanto, Pessoa; pois não há amor sem pessoalidade. Por isto ao criar seres capazes da pessoalidade, Deus chamava a Sua criação a um vinculo de relacionalidade com Ele, em amor, verdade e graça.

6. Sendo Deus Eterno e Infinito, e o homem mortal e finito, não há meios de o homem ou qualquer criatura discernirem Quem Deus é a menos que Deus faça revelação de Si mesmo.

7. Portanto, tudo quanto de Deus possa ser sabido nos vem exclusivamente por revelação; seja a revelação Dele mediante a Natureza das coisas criadas, seja pela iluminação da consciência, seja pelas Escrituras que decorreram da fé de Abraão, seja pela ciência como apreensão da revelação livre que Deus faz de Si mesmo.

8. A Palavra de Deus, portanto, se manifesta de muitos modos; entretanto, uma só é a Palavra; e toda a sua revelação está manifesta em Jesus, que é o Verbo Eterno, a Palavra antes de qualquer Natureza, Consciência, Ciência ou Escritura; posto que somente em Jesus seja possível discernir Deus em Sua plenitude de revelação aos homens. Afinal, Jesus disse: "Quem me vê a mim, vê o Pai" [...] "Eu e o Pai somos Um".

9. Sendo Deus Eterno e totalmente transcendente ao homem, tudo o que Dele nos venha é Graça; e sem Graça, favor divino em todas as coisas, nada pode ser por nós apreendido como bem eterno em razão de nossa incapacidade de discernir o Eterno e Infinito, especialmente quanto a aprender a Sua vontade.

10. Além disso, pela mesma razão, somente se pode manter relação com Deus mediante a fé, posto que a fé se abra para todas as coisas, visíveis e invisíveis; e mais: somente a fé não conhece impossível; portanto, somente pela fé se pode manter vinculo com Aquele está para além de toda compreensão.

11. Ora, sendo Jesus o Cordeiro Eterno de Deus que se manifestou na História, o fez no mesmo espírito da Graça Eterna, a mesma concedida à criação e às criaturas antes que houvesse mundo. Por isto Jesus não é o Deus dos cristãos, nem de qualquer grupo humano, nem o fundador do Cristianismo, nem o Deus dos crentes que assim se confessem apenas pela filiação a uma agremiação religiosa... Antes pelo contrário, Ele é a verdadeira Luz que vinda ao mundo ilumina a todos os homens; posto que Jesus tenha sido apresentado a nós como pertencendo a uma Ordem Sacerdotal Superior, não religiosa, não humana, e que é descrita como sendo a Ordem de Melquizedeque, na qual todos os seres humanos, sabendo ou não de tamanha Graça a eles disponível em Cristo, nela estão incluídos por uma decisão unilateral do amor de Deus; posto que Deus estivesse em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo.

12. Desse modo, tudo quanto concerne ao homem como necessidade, surge de Deus como solução do amor na Graça; a saber: arrependimento, fé, salvação, redenção, perdão, justificação, alegria, santificação e esperança eterna. Assim, não há nada que seja essencial ao homem que seja provisão do homem para o homem; pelo contrário, tudo provém de Deus.

13. Por esta razão o povo de Deus é o Povo da Graça; pois, quem quer que esteja em Deus só o está em razão de ter sido incluído gratuitamente em tão grande salvação.

14. Além disso, esse Povo de Deus é chamado a tornar-se seguidor de Deus nos passos de Jesus; e, por isto, só é Povo de Deus [e, portanto, Igreja], aquele que se entregar a Deus apenas crendo que no Cordeiro Eterno, Cristo Jesus, Tudo Está Consumado; não restando ao homem nada a fazer a fim de completar o que já estava Feito antes de haver mundo.

15. É porque o Evangelho é assim, e porque Jesus assim ensina, e, além disso, por ter sido apenas este o Fundamento Apostólico sobre o qual a revelação da Nova Aliança se deu, é que afirmamos com temor e santo temor que:

15.1. O que se fez nesses 1700 anos de História Cristã Romana, da qual a própria Reforma Protestante não deixou de ser herdeira, rompendo com muitas coisas, mas não com todas, tornando-se assim, de certa forma, apenas uma Re-forma, mas não uma Revolução de sentidos, conteúdos, e, sobretudo, de simplificação não de formas, mas de espírito — é ainda algo totalmente insatisfatório; posto que seja ainda um reformar, mas não uma ruptura de conteúdos, de dogmas, de doutrinas humanas, de lógicas mundanas, todas elas criadas pelo Pai do Cristianismo e seus auxiliares históricos: o Imperador Constantino.

15.2. Que o que provocou a Reforma nos dias dos Reformadores do Século XVI, tornou-se algo revivido com ênfases e disfarces de maldade ainda maior entre nós, hoje; posto que agora tudo seja feito com máscaras do "nome de Jesus", porém, com modos que fazem as vendas de Indulgências que deram pavio ao fogo da Reforma, tornarem-se temas inocentes de presépio infantil.

15.3. Que as barganhas, as negociatas, as campanhas de exploração da credulidade do povo, o uso perverso da Bíblia, o espírito de troca e comercio, as maldições e ameaças pronunciadas "em nome de Jesus", os novos apóstolos do dinheiro e da prosperidade, o desenfreado comercio da fé como produto, a utilização de todos as formas de manipulação e engano, as inegáveis manifestações de ações criminosas em nome da fé, o uso político da igreja e do nome de Jesus, e tudo quanto entre nós hoje se define como "igreja" e sua prática histórica, não mais é que um estelionato sem tamanho e medida, e que faz a Igreja Católica do Século XVI uma entidade de bruxos aprendizes daqueles que entre nós hoje são pastores, bispos, apóstolos e candidatos diabólicos à divindade.

15.4. Que não é mais possível usar termos como "evangélico", que deveria significar "aquilo que carrega a qualidade do Evangelho", nem termos como "Igreja", que deveria apenas ser a assembléia dos crentes no Jesus dos Evangelhos — posto que "evangélico" tenha se tornado aquilo que no Evangelho é descrito como sendo anti-evangélico, e "Igreja" tenha se tornado aquilo que no Evangelho é apenas uma multidão perdida e sem pastor, tamanho é o descaminho dos seus guias e condutores do engano.

15.5. Que não é mais possível conviver passivamente com tamanho engano blasfemo, sob pena de nos tornarmos indesculpáveis diante de Deus, desta geração, e das que ainda virão.

15.6. Que hoje se ouve a Voz de Deus, dizendo como fez antes muitas vezes, e no futuro ainda voltará a dizer: "Sai do meio dela, ó povo meu!" Sim, pois "o Senhor conhece os que Lhe pertencem"; e deseja separar Seu Povo do convívio perverso não no "mundo", mas, sobretudo, no "ambiente chamado 'igreja'"; posto que, pela anuência silenciosa, estamos corroborando o engano para aqueles que não sabem discernir entre a mão direita e a esquerda.

15.7. Portanto, convidamos a todo aquele que ainda crê em Jesus segundo a pureza do Evangelho, que assuma hoje, e para sempre, uma total ruptura com tudo aquilo que se disfarça sob o nome de Jesus, mas que nada mais é do que manifestação do engano, até que chegue o Dia quando todo "Senhor, Senhor" que não teve correspondência de obediência ao Evangelho, de Jesus ouvirá o terrível "Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim todos vós que praticais a iniqüidade".

15.8. Aqui, sem alarde, com total sinceridade no Evangelho, convidamos você a abraçar a busca da Regeneração; pois, o que a "igreja" precisa a fim de se tornar Igreja, segundo Jesus, é de Regeneração, de conversão, de arrependimento e de iluminação do Evangelho na Graça de Deus.

15.9. Portanto, não temos barganhas a fazer com tudo aquilo que, mesmo sendo anunciado "em nome de Jesus", nada tenha de Jesus e do Evangelho; e assim fazemos porque temos certeza de que seremos cobrados por Deus se nos mantivermos alheios, silenciosos, perversamente educados no nosso assistir da mentira na sua prevalência histórica contra a verdade e a simplicidade do Evangelho.

15.10. Estas são as teses puras e simples deste momento/tempo de Busca de Regeneração de nós mesmos no Evangelho. Quem diz amém ao Evangelho de Jesus, esse não temerá viver todas as implicações dessa decisão proposta não como Reforma, mas como Regeneração.

Nele, que nos chama a servi-Lo hoje, nesta geração, pois a ela estamos endividados pelo conhecimento da Verdade em Jesus,

Caio Fábio

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A Igreja dos homens por Richard Halverson


"No início, a igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo. Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia. Depois, chegou à Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura. E, finalmente, chegou à América e tornou-se um negócio."

Richard C. Halverson (1916-1995) pastor americano.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Uma Igreja Gloriosa – Como? por Elisa Walker


Por Eliza Walker

“...para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5.27).

Uma geração terá o privilégio de testemunhar a manifestação plena dessa igreja e, como conseqüência, presenciará a volta de Jesus para sua Noiva!

Imagine só! Este será o maior acontecimento de toda a história: a volta de Cristo. Um dia, em meio às atividades rotineiras “normais”, sentiremos algo forte, palpitações talvez; a sensação de ser um dia diferente dos demais. Todo o universo estremecerá, a natureza estará mais agitada, os astros sem lugar no céu; um fenômeno aparentemente natural – um relâmpago cortando o céu de uma extremidade à outra – revelará o momento mais esperado pelo povo de Deus: a volta do Rei!

Podemos ter várias interpretações escatológicas desse momento ou dos anos que o antecedem, mas uma coisa está muito clara na Bíblia: Jesus virá para uma igreja santa. Pode parecer uma afirmação simples ou óbvia, mas, para a maior parte das pessoas (e até dos cristãos), soa mais como utopia. Você consegue visualizar um povo santo em pleno século 21? Com tantas ofertas de Satanás, os avanços do pecado têm-se revelado desastrosos. Contudo, assim como a volta de Jesus é uma verdade inexorável, o levantamento dessa igreja santa igualmente o é. Vai acontecer; já está determinado.

Sempre me pergunto: como? De que forma Deus executará essa tarefa aparentemente impossível?

A Chave é o Amor – de Quem?

Em primeiro lugar, devemos pensar sobre o significado de ser santo. Santidade implica no cumprimento de todos os mandamentos deixados por Deus. E Jesus resume os mandamentos em dois: amar a Deus de todo coração e ao próximo como a si mesmo. Esses dois mandamentos sustentam a lei e os profetas (Mt 22.34-38).

Concluímos, portanto, que ser santo é amar a Deus, pois o amor ao próximo surge como conseqüência. Quando perguntaram a Agostinho qual seria o segredo da vida cristã, ele respondeu: “Ama a Deus e faze o que quiseres”.

Podemos pensar, então, que a chave para levantar uma geração forte, sem pecado, é o amor por Deus, certo? Errado! Existe um triste fato intrínseco a nós, homens, que torna impossível que isso aconteça: não conseguimos amar a Deus. Somos obcecados por outro amor, pela paixão por nós mesmos; não temos olhos para outra pessoa.

Já que nos conhece por completo, Deus não deposita esperanças em nosso amor por ele. Isso não significa, porém, que nunca se levantará uma igreja santa. A verdade é que a chave é o amor de Deus por nós e não o nosso por ele. Eis a diferença.

Liberdade de Escolha – e Conseqüências

A Bíblia está repleta de demonstrações desse amor, mas a passagem que mais me tem chamado a atenção, nestes dias, é a parábola do filho pródigo (Lc 15.11-32). Jesus conta a história de um pai que tinha dois filhos. Certo dia, o mais novo pede ao pai a sua parte da herança. Foi uma atitude tão mesquinha que beirava a crueldade, pois pedir ao pai a sua parte da herança é o mesmo que lhe declarar que já morreu; um comportamento de total independência.

O pai não hesita nem pergunta, simplesmente dá ao filho o que lhe foi pedido, e este – como bem sabemos – parte para longe e gasta os seus bens vivendo dissolutamente. A atitude do pai é surpreendente. Qualquer um de nós se sentiria ofendido e relutaria em dar a metade dos bens a um filho desmiolado. E ainda que não fosse por dó de perder as posses, seria por superproteção a um filho ainda despreparado para a vida. Esse pai da parábola, porém, não fez nada disso. Não tentou segurar seu patrimônio nem superproteger o filho...

Isso me lembra muito a atitude de Deus no Éden.

Quando criou o homem, Deus lhe deu uma escolha. Ele bem que poderia ter poupado a humanidade dessa escolha, mas não o fez. Não protegeu Adão (ou nenhum de nós) de tomar o caminho errado. Por outro lado, assim como o pai do filho pródigo, Deus sofreu junto com o homem o resultado da escolha errada. Metade dos bens daquele pai foi desperdiçada; para Deus, pior do que um patrimônio jogado fora foi ver o homem que criou com a finalidade de formar sua Noiva, sua cara-metade, parte de si mesmo, afastar-se para longe. Não existe superproteção nem falta de liberdade; o fato real é que o mesmo Deus que concede a liberdade arca com o prejuízo depois.

A Motivação para Voltar

Na seqüência da parábola, depois de partir para longe e desperdiçar seus bens, aquele filho sente a necessidade chegar. E a fome vem de tal forma que ele cai em si: “até um dos empregados de meu pai tem fartura de pão...”. Finalmente, o filho resolve voltar e humilhar-se, disposto a reconhecer seu erro diante do pai e a submeter-se às conseqüências.

Veja como até o voltar do filho pródigo não atende às exigências do juízo humano. Aos nossos olhos, o caminho de volta deve ser motivado pela saudade e pelo amor de quem errou, pelo arrependimento dos erros cometidos, pela percepção do mal causado ao ofendido. Aí, sim, a pessoa pode ser digna de nosso perdão. Contudo, o pródigo não caiu em si por causa de seus erros – novamente, trata-se de uma atitude é egoísta, pois a fome bateu, ele estava numa fria, no fundo do poço, e não lhe restou outra saída. Ele não voltou por estar cheio de boas intenções ou com saudade do pai, mas por ser um tremendo cara-de-pau!

Eis um perfeito retrato de todos nós. Nossas motivações são sempre egoístas. Caminhamos em direção a Deus como esse filho “arrependido” somente quando não nos resta outra opção viável. Usamos até a expressão: “Agora é só por Deus mesmo...”.

Deus sabe que somos assim. Não espera de nós mais do que isso. O amor de Deus não tem “dignidade” (é humilhante para Deus amar-nos dessa forma).

Um dos últimos diálogos entre Jesus e Pedro (Jo 21.15-17), no original, ficaria assim:

– Simão, você me ama mais do que esses outros me amam?

– Sim, Senhor, você sabe que eu gosto de você.

– Simão, você me ama?

– Sim, Senhor, você sabe que eu gosto de você.

– Simão, você gosta de mim?

– Senhor, você sabe de tudo, sabe que eu gosto de você.

Não amamos o Senhor com o amor que ele merece. Mas, “se somos sinceros o suficiente para admitir nosso amor imperfeito, Deus é poderoso o suficiente para tornar nosso amor imperfeito em amor perfeito para ele” (Mateus Ferraz).

Deus não espera que caminhemos em direção a ele, desejando a sua pessoa, sentindo saudade dele, não querendo suas mãos e sim sua face – pois não temos tal capacidade. Toda imaginação do coração humano é CONTINUAMENTE má! Não é sem razão que o filho mais velho resmunga, pois o cara-de-pau do irmão não merecia uma segunda chance. Nenhum de nós merecia, mas o amor de Deus é ilógico, um amor que não depende de ser correspondido, não depende de nada.

O Amor que Gera Amor

O pai confia tanto no amor que abre mão do controle. O amor assume riscos e, sem pensar duas vezes, ouvir as justificativas nem se garantir de nada, o pai recebe o filho de volta – com honra. Que loucura! Um amor que chega a ser insano. O escândalo do amor de Deus não pode ser entendido pela mente racional; só pode ser recebido em nosso espírito.

O filho está de volta. Tudo o que antes lhe pertencia por direito agora lhe é entregue, não mais por direito, mas por graça. Por essa, ele não esperava... É constrangedor estar diante de tamanha graça. E esse retorno inclui também a morte de um animal: “...e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos”. Sangue é derramado.

O filho mais velho, aborrecido com a festa dada ao irmão dissoluto, nunca conheceu a vergonha de estar perdido, mas também nunca desfrutou do sangue da redenção: “Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos”. A porta de entrada da graça é o sangue. Não se pode conhecer a graça sem antes reconhecer a profundidade da iniqüidade.

Um amor como esse gera uma resposta, pois, ao encontrar o perdão incondicional, não tem como não levar uma vida de santidade. É impossível imaginar aquele filho partindo de novo, mesmo sendo totalmente livre para fazê-lo. Ele conheceu o pai (uma pessoa apaixonante), e o foco de seus olhos deixou de estar em si mesmo ou nos bens do pai. Aquela imagem (seu pai de braços abertos) jamais lhe sairá da mente! Agora, sim, ele conhece o pai.

Saindo da parábola e voltando à vida real, uma mulher foi pega em adultério (Jo 8.4). Uma vergonha! Levaram-na até Jesus, e sabemos bem o que ele disse aos acusadores. Todos ficaram constrangidos. Entretanto, o que mais me chama atenção é o que Jesus disse à mulher: “Vai, e não peques mais” (v.11). Como assim? Será que Jesus não conhecia suficientemente a natureza humana para entender a tendência natural daquela pobre mulher? Sim, ele conhecia – mas também conhecia a natureza do amor incondicional de Deus. Ele conhecia a força do perdão como fonte de uma vida santa. Aquela mulher estava de volta à casa do Pai; fora aceita por ele.

Deus sabe que, longe dele, no pecado, não há alegria; sabe também o que sofremos na ilusão do prazer. Por isso a única coisa que ele quer de nós é que recebamos o seu amor – sem cobranças, sem condições...

Que liberdade constrangedora! É esse evangelho que nos transforma, é esse Deus que devemos conhecer todos os dias... E isso é a vida eterna!

Uma igreja que não tem relacionamento com o Pai é como o filho mais velho, cheia de esforço e justiça própria – e pobre apesar de estar em meio à tanta fartura. No fim, ficamos ressentidos, vendo a “diversão” do mundo, e não nos tornamos ponte para o amor de Deus. Com isso, o mundo agoniza: por não conhecer esse amor que traz salvação e santidade.

Precisamos libertar-nos das amarras do legalismo. “Quem me ama guarda os meus mandamentos”, mas Deus não nos ama por sermos bonzinhos ou guardarmos seus mandamentos. Ele nos ama INCONDICIONALMENTE. Quando encontramos esse amor, inevitavelmente o amaremos também, o que nos levará a guardar seus mandamentos. Viveremos em santidade, sem dúvida, pois a fonte será o amor de Deus por nós.

Há quanto tempo você não ouve as boas novas do amor de Deus por você? Faz mais de 24 horas? E como você está sobrevivendo? O justo vive pela fé, e a fé vem pelo ouvir. Não há um mês nem há dez anos – preciso ouvir hoje o meu Pai dizendo-me que me ama do jeito que sou (que escândalo), pois só assim poderei amá-lo também e ter uma vida livre do pecado.

Material retirado do site: www.revistaimpacto.com.br

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Uma Igreja Gloriosa – Como? por Eliza Walker


“...para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5.27).

Uma geração terá o privilégio de testemunhar a manifestação plena dessa igreja e, como conseqüência, presenciará a volta de Jesus para sua Noiva!

Imagine só! Este será o maior acontecimento de toda a história: a volta de Cristo. Um dia, em meio às atividades rotineiras “normais”, sentiremos algo forte, palpitações talvez; a sensação de ser um dia diferente dos demais. Todo o universo estremecerá, a natureza estará mais agitada, os astros sem lugar no céu; um fenômeno aparentemente natural – um relâmpago cortando o céu de uma extremidade à outra – revelará o momento mais esperado pelo povo de Deus: a volta do Rei!

Podemos ter várias interpretações escatológicas desse momento ou dos anos que o antecedem, mas uma coisa está muito clara na Bíblia: Jesus virá para uma igreja santa. Pode parecer uma afirmação simples ou óbvia, mas, para a maior parte das pessoas (e até dos cristãos), soa mais como utopia. Você consegue visualizar um povo santo em pleno século 21? Com tantas ofertas de Satanás, os avanços do pecado têm-se revelado desastrosos. Contudo, assim como a volta de Jesus é uma verdade inexorável, o levantamento dessa igreja santa igualmente o é. Vai acontecer; já está determinado.

Sempre me pergunto: como? De que forma Deus executará essa tarefa aparentemente impossível?

A Chave é o Amor – de Quem?

Em primeiro lugar, devemos pensar sobre o significado de ser santo. Santidade implica no cumprimento de todos os mandamentos deixados por Deus. E Jesus resume os mandamentos em dois: amar a Deus de todo coração e ao próximo como a si mesmo. Esses dois mandamentos sustentam a lei e os profetas (Mt 22.34-38).

Concluímos, portanto, que ser santo é amar a Deus, pois o amor ao próximo surge como conseqüência. Quando perguntaram a Agostinho qual seria o segredo da vida cristã, ele respondeu: “Ama a Deus e faze o que quiseres”.

Podemos pensar, então, que a chave para levantar uma geração forte, sem pecado, é o amor por Deus, certo? Errado! Existe um triste fato intrínseco a nós, homens, que torna impossível que isso aconteça: não conseguimos amar a Deus. Somos obcecados por outro amor, pela paixão por nós mesmos; não temos olhos para outra pessoa.

Já que nos conhece por completo, Deus não deposita esperanças em nosso amor por ele. Isso não significa, porém, que nunca se levantará uma igreja santa. A verdade é que a chave é o amor de Deus por nós e não o nosso por ele. Eis a diferença.

Liberdade de Escolha – e Conseqüências

A Bíblia está repleta de demonstrações desse amor, mas a passagem que mais me tem chamado a atenção, nestes dias, é a parábola do filho pródigo (Lc 15.11-32). Jesus conta a história de um pai que tinha dois filhos. Certo dia, o mais novo pede ao pai a sua parte da herança. Foi uma atitude tão mesquinha que beirava a crueldade, pois pedir ao pai a sua parte da herança é o mesmo que lhe declarar que já morreu; um comportamento de total independência.

O pai não hesita nem pergunta, simplesmente dá ao filho o que lhe foi pedido, e este – como bem sabemos – parte para longe e gasta os seus bens vivendo dissolutamente. A atitude do pai é surpreendente. Qualquer um de nós se sentiria ofendido e relutaria em dar a metade dos bens a um filho desmiolado. E ainda que não fosse por dó de perder as posses, seria por superproteção a um filho ainda despreparado para a vida. Esse pai da parábola, porém, não fez nada disso. Não tentou segurar seu patrimônio nem superproteger o filho...

Isso me lembra muito a atitude de Deus no Éden.

Quando criou o homem, Deus lhe deu uma escolha. Ele bem que poderia ter poupado a humanidade dessa escolha, mas não o fez. Não protegeu Adão (ou nenhum de nós) de tomar o caminho errado. Por outro lado, assim como o pai do filho pródigo, Deus sofreu junto com o homem o resultado da escolha errada. Metade dos bens daquele pai foi desperdiçada; para Deus, pior do que um patrimônio jogado fora foi ver o homem que criou com a finalidade de formar sua Noiva, sua cara-metade, parte de si mesmo, afastar-se para longe. Não existe superproteção nem falta de liberdade; o fato real é que o mesmo Deus que concede a liberdade arca com o prejuízo depois.

A Motivação para Voltar

Na seqüência da parábola, depois de partir para longe e desperdiçar seus bens, aquele filho sente a necessidade chegar. E a fome vem de tal forma que ele cai em si: “até um dos empregados de meu pai tem fartura de pão...”. Finalmente, o filho resolve voltar e humilhar-se, disposto a reconhecer seu erro diante do pai e a submeter-se às conseqüências.

Veja como até o voltar do filho pródigo não atende às exigências do juízo humano. Aos nossos olhos, o caminho de volta deve ser motivado pela saudade e pelo amor de quem errou, pelo arrependimento dos erros cometidos, pela percepção do mal causado ao ofendido. Aí, sim, a pessoa pode ser digna de nosso perdão. Contudo, o pródigo não caiu em si por causa de seus erros – novamente, trata-se de uma atitude é egoísta, pois a fome bateu, ele estava numa fria, no fundo do poço, e não lhe restou outra saída. Ele não voltou por estar cheio de boas intenções ou com saudade do pai, mas por ser um tremendo cara-de-pau!

Eis um perfeito retrato de todos nós. Nossas motivações são sempre egoístas. Caminhamos em direção a Deus como esse filho “arrependido” somente quando não nos resta outra opção viável. Usamos até a expressão: “Agora é só por Deus mesmo...”.

Deus sabe que somos assim. Não espera de nós mais do que isso. O amor de Deus não tem “dignidade” (é humilhante para Deus amar-nos dessa forma).

Um dos últimos diálogos entre Jesus e Pedro (Jo 21.15-17), no original, ficaria assim:

– Simão, você me ama mais do que esses outros me amam?

– Sim, Senhor, você sabe que eu gosto de você.

– Simão, você me ama?

– Sim, Senhor, você sabe que eu gosto de você.

– Simão, você gosta de mim?

– Senhor, você sabe de tudo, sabe que eu gosto de você.

Não amamos o Senhor com o amor que ele merece. Mas, “se somos sinceros o suficiente para admitir nosso amor imperfeito, Deus é poderoso o suficiente para tornar nosso amor imperfeito em amor perfeito para ele” (Mateus Ferraz).

Deus não espera que caminhemos em direção a ele, desejando a sua pessoa, sentindo saudade dele, não querendo suas mãos e sim sua face – pois não temos tal capacidade. Toda imaginação do coração humano é CONTINUAMENTE má! Não é sem razão que o filho mais velho resmunga, pois o cara-de-pau do irmão não merecia uma segunda chance. Nenhum de nós merecia, mas o amor de Deus é ilógico, um amor que não depende de ser correspondido, não depende de nada.

O Amor que Gera Amor

O pai confia tanto no amor que abre mão do controle. O amor assume riscos e, sem pensar duas vezes, ouvir as justificativas nem se garantir de nada, o pai recebe o filho de volta – com honra. Que loucura! Um amor que chega a ser insano. O escândalo do amor de Deus não pode ser entendido pela mente racional; só pode ser recebido em nosso espírito.

O filho está de volta. Tudo o que antes lhe pertencia por direito agora lhe é entregue, não mais por direito, mas por graça. Por essa, ele não esperava... É constrangedor estar diante de tamanha graça. E esse retorno inclui também a morte de um animal: “...e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos”. Sangue é derramado.

O filho mais velho, aborrecido com a festa dada ao irmão dissoluto, nunca conheceu a vergonha de estar perdido, mas também nunca desfrutou do sangue da redenção: “Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos”. A porta de entrada da graça é o sangue. Não se pode conhecer a graça sem antes reconhecer a profundidade da iniqüidade.

Um amor como esse gera uma resposta, pois, ao encontrar o perdão incondicional, não tem como não levar uma vida de santidade. É impossível imaginar aquele filho partindo de novo, mesmo sendo totalmente livre para fazê-lo. Ele conheceu o pai (uma pessoa apaixonante), e o foco de seus olhos deixou de estar em si mesmo ou nos bens do pai. Aquela imagem (seu pai de braços abertos) jamais lhe sairá da mente! Agora, sim, ele conhece o pai.

Saindo da parábola e voltando à vida real, uma mulher foi pega em adultério (Jo 8.4). Uma vergonha! Levaram-na até Jesus, e sabemos bem o que ele disse aos acusadores. Todos ficaram constrangidos. Entretanto, o que mais me chama atenção é o que Jesus disse à mulher: “Vai, e não peques mais” (v.11). Como assim? Será que Jesus não conhecia suficientemente a natureza humana para entender a tendência natural daquela pobre mulher? Sim, ele conhecia – mas também conhecia a natureza do amor incondicional de Deus. Ele conhecia a força do perdão como fonte de uma vida santa. Aquela mulher estava de volta à casa do Pai; fora aceita por ele.

Deus sabe que, longe dele, no pecado, não há alegria; sabe também o que sofremos na ilusão do prazer. Por isso a única coisa que ele quer de nós é que recebamos o seu amor – sem cobranças, sem condições...

Que liberdade constrangedora! É esse evangelho que nos transforma, é esse Deus que devemos conhecer todos os dias... E isso é a vida eterna!

Uma igreja que não tem relacionamento com o Pai é como o filho mais velho, cheia de esforço e justiça própria – e pobre apesar de estar em meio à tanta fartura. No fim, ficamos ressentidos, vendo a “diversão” do mundo, e não nos tornamos ponte para o amor de Deus. Com isso, o mundo agoniza: por não conhecer esse amor que traz salvação e santidade.

Precisamos libertar-nos das amarras do legalismo. “Quem me ama guarda os meus mandamentos”, mas Deus não nos ama por sermos bonzinhos ou guardarmos seus mandamentos. Ele nos ama INCONDICIONALMENTE. Quando encontramos esse amor, inevitavelmente o amaremos também, o que nos levará a guardar seus mandamentos. Viveremos em santidade, sem dúvida, pois a fonte será o amor de Deus por nós.

Há quanto tempo você não ouve as boas novas do amor de Deus por você? Faz mais de 24 horas? E como você está sobrevivendo? O justo vive pela fé, e a fé vem pelo ouvir. Não há um mês nem há dez anos – preciso ouvir hoje o meu Pai dizendo-me que me ama do jeito que sou (que escândalo), pois só assim poderei amá-lo também e ter uma vida livre do pecado.

Matéria da Revista Impacto.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Quem precisa de igreja? Entrevista - Revista Igreja


O consultor Roberto Batista de Lima ainda não se adaptou a um grupo específico de cristãos sem igreja. Ele e sua família vão à residência de irmãos que realizam cultos em casa, mas não há ainda uma organização bem definida.

“Caminhamos com vários irmãos de outros ministérios que têm igreja em casa, mas não existe nenhum compromisso entre nós a não ser do respeito e amor fraternal. Temos reuniões aos domingos, quando normalmente compartilhamos alguns trechos da Bíblia com ênfase na graça de Jesus, cantamos e oramos. Tudo muito simples e informal. Não tiramos dízimos ou ofertas, a não ser quando sabemos que alguém está com dificuldade. Aí nos reunimos e cada um contribui com o que pode para ajudar o necessitado”, explica Roberto, que mora em Santa Bárbara d’Oeste, interior de São Paulo.

Em 2003, ele deixou uma igreja neopentecostal, onde era líder da juventude, por discordar da linha teológica. “Eu era fortemente contrário à visão daquela igreja, baseada no G12. Alguns que andavam comigo saíram também, e a partir daí começamos a nos reunir em casas. Tudo isso nos fortaleceu a consciência de buscarmos um caminho que fosse diferente do que eu, minha família e aqueles irmãos tínhamos trilhado por anos a fio”, revela.

De norte a sul do país, grupos de cristãos sem igreja se formam com pessoas inconformadas e revoltadas com os rumos que as denominações evangélicas estão tomando. Frieza e mercantilismo são algumas das reclamações desses novos “cristãos primitivos”.

Veja a matéria completa em: Revista Igreja - Ed. 17

sábado, 16 de agosto de 2008

NÃO ENTRO MAIS EM IGREJA!


Condicionamento relacionado à culpa é coisa muito séria e persistente.

Lembro do tempo em que deixei de ser "pastor local", passando a dedicar-me exclusivamente ao "ministério itinerante", quando, como nunca antes, senti a culpa de não ir "à igreja" no domingo cedo, na Escola Dominical.

Ora, não se tratava de um desconforto para o qual eu não tivesse uma resposta consciente e bíblica, porém, a alma condicionada, não reconhece nem mesmo as verdades da Palavra.

Assim, eu pregava a semana toda, no mínimo duas vezes por dia, mas, aos domingos de manha, eu queria descansar, já que à noite eu pregaria mesmo, de qualquer maneira.

Aí, porém, morava o problema; posto que ficasse sempre aquele sentimento de culpa, como se minha ausência do lugar fosse emocionalmente semelhante a ter se distanciado de Deus.

Prova disso está no simples fato de as pessoas se referirem à freqüência às reuniões como "ir à igreja".

Há mesmo os que dizem que "não entram numa igreja" há muitos anos; embora eles mesmos não se sintam mais longe de Deus.

"Teologicamente", todos os que estão em Deus estão na Igreja, embora, muitas vezes, não estejam em "igreja" alguma.

Entretanto, a designação da experiência com a igreja como sendo algo que caiba no movimento de ir ou não ir, já demonstra o dado psicológico de que a igreja é, para muita gente, um lugar; e, portanto, quando se associa tal realidade a Deus, não ir à igreja é, no inicio, como não ir a Deus, ou como estar fora de Deus.

Há o mandamento bíblico [Hebreus 13] no sentido de que não se deixe de congregar, como é costume de alguns.

Ora, isto é dito em Hebreus no mesmo contexto em que se denuncia a presença ritualística aos cultos, escravizando-se a alma aos padrões antigos, infantis e pagãos.

Portanto, não se diz que não ir seja um problema, mas sim se diz que o deixar de viver a vontade de encontro com os irmãos, é algo que pode dês-aquecer a alma e tirar a alegria e a exultação horizontal da pratica da fé.

Quando eu sou igreja [e assim entenda!], mesmo quando não vou aos encontros, sou; e isto jamais muda em mim.

Porém, quando a minha alma se desconecta do compromisso histórico da fé [que é sempre horizontal, e, portanto, com os irmãos], a primeira coisa que acontece é que se faz da não ida algo mais sério do que de fato seja; e, em tal caso, torna-se algo sério, não por não se ir ao ajuntamento, mas sim em razão de que não se vai por se julgar existir uma briga entre nós e Deus.

E mais:

Muitas vezes não se acha uma comunhão espiritual que justifique a saída de casa.

Ora, em tal caso não se deve ir mesmo a lugar algum aonde se vá apenas para que se cumpra um rito mágico ou um dever devocional, pois, não tem sentido ou mesmo valor algum.

Durante uns dois anos, entre 1984 e 1986, senti muito culpa quando os filhos iam aos domingos de manhã à Escola Dominical e eu ficava em casa cuidando do jardim e descansando.

Parecia que eu estava negando a fé; e, por mais eu me dissesse que não era assim, no entanto, dado aos anos de pratica pastoral, indo aos cultos pregar e ensinar todos os domingos, o sentimento se manifestava mesmo contra os meus argumentos.

Ora, é neste ponto que se percebe o quanto se está religioso.

E mais:

Sempre que tal culpa bate no coração não havendo razão para tal, é prova de nossa religiosidade.

Não devemos deixar de nos congregar; ao mesmo tempo em que congregar-se jamais deve ser algo movido pela culpa ou pela irrazoabilidade das neuroses religiosas.

Assim, se você não encontra mais onde se sinta bem para cultuar comunitariamente, ao invés de "se afastar de Deus" pela culpa da não freqüência, ame ainda muito mais a Deus e aos homens; e, desse modo, busque, sem neurose, uma boa oportunidade de encontrar os irmãos-amigos; ou, então, de iniciar uma comunhão simples com irmãos e irmãs amados e singelos no crer.

Não se faça culpado de uma culpa que não existe!

Nele, que nos chama ao ajuntamento que junta e une, e não ao que separa e divide,

Caio

domingo, 11 de maio de 2008

SAIR DA IGREJA: O QUE ACONTECE?

Antes de ler esta postagem, por favor, clique no link abaixo e ouça a resposta de Max Gehringer, consultor corporativo e comentarista da rádio CBN, a um rapaz que saiu de uma empresa.

É um comentário rápido, somente 2 minutos. Garanto que você vai gostar!



Quando eu sai da primeira igreja que freqüentei depois de 8 anos lá, o pastor reuniu os irmãos para desligar minha esposa e eu do céu, conforme a passagem onde Jesus diz que “o que desligardes na terra será desligado no céu”.

Na segunda igreja que eu saí fomos tão difamados que depois de 13 anos lá, pareceu que eu era o demônio influenciando as pessoas ao inferno. Até uma semana atrás era um dos mais influentes líderes, uma semana depois da saída, o prórpio demônio que estava embaixo das nossas barbas.Incrível! Ainda era líder da juventude tendo passado pela liderança de grupos familiares, cuidado de uma classe de crianças, integrado grupos de evangelismo, co-líder de grupo de casais, etc, etc, etc....

Nossa juventude era a que mais tinha crescido na denominação que eu estava. Em 2002 saímos de 90 jovens para em um ano e meio chegarmos a 240.

Mas porque acontece esse ritual de difamação quando algum líder sai da igreja local? Porque os antigos irmãos simplesmente viram a cara e não vão mais na casa dele? Porque os projetos que ele desenvolveu na igreja são menosprezados ou minimizados a sua importância?

Max Gehringer respondeu isso.

Mas quero contextualizá-lo.

Quando alguém importante sai de uma igreja, o que acontece?
1) Fica no ar a sensação de que tudo aquilo que a igreja fala de bom de si mesma pode não ser verdade.
2) Abre-se uma janela para se pensar que há outras boas igrejas em que as pessoas podem ser mais felizes que aqui.
3) Os projetos que a pessoa estava a frente tem que ser menosprezados ou minimizados.
4) Os defeitos dessa pessoa são ressaltados.
5) Criam-se rumores de que a pessoa saiu mas quebrou a cara. Não era aquilo que ela pensava.
6) Que ela quer voltar mas está envergonhada.
7) Que ela é rebelde e por isso saiu. Equivale a dizer que enquanto ela estiver lá fora, ela está em pecado.
8) Que ela está sem cobertura?
9) Para que não aconteça que todo mundo comece a sair também, embora sempre alguns acompanham a saída de alguém influente, diz que Deus está limpando a igreja.
10) Amaldiçoam esta pessoa para que ela quebre a cara e volte para o seio daquela maldita congregação de irmãos condenados a viverem abençoados com o temor de sair.
11) Os irmãos boicotam o comércio ou serviço do irmão que saiu.

Agora, se você não for uma pessoa influente na igreja, provavelmente não vai acontecer nada com você. Nem visita você vai receber, porque na maioria das igrejas não se tem amigos, são só participantes da torcida organizada e fanática daquele clube cristão, que é rival de todas as outras.

Se continuar tendo relacionamento com você, provavelmente você encontrou um amigo. Vale a pena você investir nessa pessoa e cultivar essa amizade.
Como diz Milton Nascimento: "Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, dentro do coração".

Mas é certo sair de uma igreja? Vou ser sincero com você, não vejo essas igrejas como representantes de Deus para ninguém. Onde houver amor, há gente boa de Deus ali. No resto... só tem clube e empresa cristã com nome de igreja.

Nunca deixe os amigos que foram granjeados, embora este mundo de torcidas organizadas fanáticas cristãs tenham sua sina: Quem não está com a gente, não é um dos nossos!

Escolha uma que você se identifique, que possa ter amigos, que te ajude a crescer no seu relacionamento com Deus. Faça amigos, ame a todos, e fique livre para partir quando aquilo não for saúde para você e para sua família.

Roberto Lima, para Impacto da Graça!

domingo, 2 de março de 2008

EU TIVE UM SONHO por Roberto Lima




No meu sonho a igreja de cristo tinha mudado muito do que é hoje. Ficou quase que irreconhecível. Parece que ao ler os evangelhos todos decidiram mudar a forma de viver a vida.

Muitas coisas mudaram a começar pelos líderes.

No sonho os líderes eram chamados pelos seus nomes e apelidos de infância. Ninguém era chamado pelo seu cargo ou profissão, o que tornava os relacionamentos mais formais e distantes. Eram irmãos cuidando de irmãos e o respeito era de pais e filhos, de irmãos mais velhos para os caçulas.

O prédio em que se reuniam era chamado de casa, oficina, restaurante, orfanato, salão de festa, quadra, teatro, lanchonete, albergue, centro de convivência, escola, academia, salão de beleza porque não tinham nenhum local como santo templo onde Deus aparece alguns dias na semana e não mais se admitia ter um local para uso religioso exclusivo sendo usado somente duas ou 3x por semana. Antes, toda comunidade usava o local para suas festas, aniversários, batizados, encontros, jogos.

Os dízimos que antes eram dados para sustentar as mordomias dos líderes, a produção dos shows cultos e a manutenção dos templos com suas benfeitorias agora eram utilizados para que os necessitados de toda a comunidade em volta pudesse ter o mínimo necessário para que pudesse sobreviver de maneira digna. O dinheiro não era colocado em tijolo, cimento, aparelho de som e instrumento, antes, era priorizada gente que eles tinham na mente como “meu próximo”.


Os líderes trabalhavam para se manter e só recebiam ofertas, nunca salário, porque não existia mais a empresa igreja para se dedicar na administração de bens, promoção de eventos e gerenciamento de egos. Cada um pastoreava o seu próprio coração exercendo o seu sacerdócio para com Deus e apoiando o seu próximo que próximo estava.


Nesse tempo nenhum grupo tinha “cobertura espiritual”, cuja existência era somente etérea mesmo, porque na maioria das vezes nem ao menos se conheciam os acobertados e cobertores. Não, cada irmão cobria outro irmão e isso não era peso nem honra pra ninguém. A cobertura se dava na amizade e no conhecimento que cada um tinha no outro e na confiança gerada nesse relacionamento.

Nesse tempo, pastores eram todos aqueles que cuidavam pelo menos de uma pessoa e ninguém chamava o outro de meu pastor, meu sacerdote, meu pai, meu mestre, nem de ministro, levita ou qualquer outro título que mudasse o João, o José, a Maria, o Roberto trazendo-lhes honra acima dos outros irmãos ou inserindo sobre eles uma camada a mais de autoridade e santidade, assim como Jesus mandou.

Ali músico era o que tocava um instrumento, pregador era o que pregava, a que dançava não usava roupas especiais e todos eram iguais a qualquer irmão que não tivesse algum dom que o expusesse no meio do show culto.

O culto, aliás, era feito para Deus e as pessoas ao invés de virem com aquele sentimento farisaico com a melhor roupa achando que tinha que dar o melhor para Deus, se vestia de corações contritos e quebrantados, num ambiente cheio de amor e de aceitação onde ninguém julgava ninguém.

Nesse ambiente os homossexuais e seus parceiros entravam e saíam sem serem condenados pelos olhares das pessoas. Os que tinham caído em pecados públicos eram consolados por aqueles que somente pecavam no coração e todos se cuidavam. O ambiente não era de conivência, mas de amor e ninguém julgava o outro porque tinham a consciência de que este trabalho era do Espírito Santo e não deles.

Quando o que caía era um dos líderes ou que ajudava com música, pregação, dança, ninguém mais tomava o seu lugar, pois não havia mais um show que não poderia parar, mas a peregrinação do povo de Deus que pára até que a pessoa restaurada torne ao seu lugar.

Cada culto era a manifestação voluntária e espontânea de cada adorador de cada adorador cuja contribuição era ajudada, apoiada e reforçada pelos líderes que atuavam como protetores do rebanho sendo eles as pessoas mais experientes. Era só esse seu papel. Não pregavam, não cantavam, não dançavam. Cada um fazia conforme o seu dom e a sua capacidade dada por Deus.

Além das músicas de amor ao Senhor e de quebrantamento e louvor, também havia cânticos congregacionais onde cada um cantava para o outro, olhando nos olhos: Te apoiarei quando te condenarem, quando estiveres errado não te abandonarei, nunca deixarei que a necessidade seja tão grande que te sintas humilhado, cuidarei de você meu irmão...

Os irmãos empresários abriram mão da tecnologia e produtos que vendiam abriram empresas comunitárias ou cooperativas onde muitos poderiam usufruir dos recursos gerados pelos negócios dessa organização. Ninguém tinha empresas para ganhar dinheiro, mas para gerar renda e recursos para aqueles que não tinham e não possuíam dons e habilidades para gerar negócios.

Nessa época a música tinha sido dessacralizada de modo que qualquer um poderia ouvir uma música como se lê um livro qualquer, se assiste a um filme, ou se lê um jornal, ou se joga um game. Todas as coisas eram puras e passavam pelo mesmo crivo: O que for bom, retém e o que é ruim joga fora. Todos faziam isso somente consigo mesmo, nunca julgavam as escolhas dos outros.

A adoração era vista no trabalho honesto e dedicado, no cuidado com os relacionamentos, na fidelidade dos compromissos, na obediência à voz do Espírito a cada um, no serviço ao próximo e... também cultos.

A busca por santidade pessoal tinha sido trocada pela profunda consciência de que Jesus já fez tudo o que poderia nos tornar aceitáveis diante de Deus e que, como pecadores que somos só teríamos que aceitar isso para o nosso benefício, que não éramos santos que às vezes pecávamos, mas pecadores e por isso pecamos.

Sabiam que mesmo que se tirasse o diabo do mundo, nossos problemas continuariam porque o mal já não está fora de nós, ele faz parte da nossa essência. Nem acreditavam mais em campanhas porque tinham entendido que não é por cumprir leis, festas, ou reuniões religiosas, ou dar o dízimo que Deus iria abençoá-los, mas porque Ele nos ama. Era somente nisso e aceitar como uma criança.

Havia uma coisa interessante a respeito de oração, jejum e esmolas: Ninguém sabia que o outro fazia, porque ninguém falava. O evangelismo como nós conhecemos também tinha acabado porque ninguém mais chamava para freqüentar sua igreja para aceitar Jesus, antes traziam para suas próprias casas e os tornavam seus amigos. Nisso, Jesus já tinha entrado faz tempo. Não se buscavam mais membros e seguidores porque ninguém queria converter ninguém, porque todos sabiam que esta era tarefa do Espírito Santo.

Vivam em paz com todos, menos com o povo que confiava em si mesmo, se achava justo e menosprezava as outras pessoas, dizendo:

- Este não é filho de Deus, é criatura de Deus!- Eu não ouço música do mundo, só gospel!- Temos que nos envergonhar, pois os espíritas estão amando o próximo, enquanto nós os que somos povo de Deus não estamos fazendo nada!- Irmão eu estou orando e jejuando até que Deus me abençoe!- Você precisa ir lá à minha igreja que o homem de Deus vai orar por você!- Não acredito no pessoal daquela igreja porque Deus não pensa assim, Deus não faz assim!

Ninguém mais procurava conhecer o centro da vontade de Deus, porque todos já conheciam que tanto o centro como as bordas da vontade de Deus é uma só: Amar a Deus e as pessoas que vivem do nosso lado. A busca deles era conseguir ajudar as pessoas nas suas necessidades sem a preocupação do reconhecimento, e sem julgar porque elas entraram nessa situação.

A igreja, enfim, tinha deixado de ser um clube social onde as pessoas tinham vergonha de dizer que estavam doentes ou passando alguma necessidade, porque logo diziam que era pecado, demônio ou não tinha fé. E que não podiam ser quem elas realmente são porque o ambiente selecionava seus membros através das regras dos fariseus: Não pode fumar; não pode beber bebida alcoólica; não pode adulterar; e você deve dar seus dízimos e ofertas.

Para ser casa de misericórdia, hospital aonde todos os que chegavam doentes, abatidos, deprimidos eram cuidados por todos que estavam ali. E quando alguns dos médicos, enfermeiras, atendentes ficavam doentes, em pecado, deprimidos, abatidos eles eram os mais bem cuidados pelos colegas de trabalho, com mordomias de visitas fora de horário, e conversas bem humoradas com as novidades do local de trabalho.

Também ninguém mais se iludia achando que trabalhando numa igreja estava trabalhando para Deus. Não. A obra de Deus era feita na rua, na escola, na empresa, na praça, na lanchonete, no barzinho, sempre estando com pessoas procurando ajudar/apoiar nas suas necessidades.

O diabo não era mais citado, nem lembrado, e nem nas orações era mencionado. Todos oravam a Deus crendo que Deus é Todo Poderoso e nosso Pai, e só com Ele e para Ele era gasto o nosso tempo de comunhão e oração. Porquanto o mal exista, o Pai Nosso conclui que Teu é o poder, Tua é a Honra, Tua é a glória para todo sempre. Amém.

Mas hoje eu acordei. Acordei para aquilo que me anestesiava na religiosidade da minhalma e agora vivo procurando outros acordados que queiram viver de acordo com um sonho.
O melhor de um sonho é a sua realização. O sonho pode ser utilizado como um caminho, porque a vida é um caminho, e só quem aceita o desafio de andar no caminho, mesmo com tantos obstáculos, torna a vida viável para um sonhador.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Igreja Lions Clube x Igreja Alcoólicos Anônimos

Programa dos 12 passos do Alcoólicos Anônimos

01. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
02. Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.
03. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.
04. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
05. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
06. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
07. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.
08. Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
09. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.
10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.
12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a esses Passos, procuramos transmitir essa mensagem aos alcoólicos e praticar esses princípios em todas as nossas atividades.


Fonte: http://www.alcoolicosanonimos.org.br/

Código de ética do Lions Clube

01. DEMONSTRAR fé nos méritos da minha profissão esforçando-me para conseguir honrosa reputação mercê da excelência dos meus serviços.
02. LUTAR pelo êxito e pleitear toda remuneração ou lucro que, eqüitativa e justamente mereça, recusando, porém, aqueles que possam acarretar diminuição de minha dignidade, devido à vantagem injusta ou ação duvidosa.
03. LEMBRAR que, para ser bem sucedido nos negócios ou empreendimentos, não é necessário destruir os dos outros. Ser leal com os clientes e sincero consigo mesmo.
04. DECIDIR contra mim mesmo no caso de dúvida quanto ao direito e a ética de meus atos perante meu próximo.
05. PRATICAR a amizade como um fim e não como um meio. Sustentar que a verdadeira amizade não é o resultado de favores mutuamente prestados, dado que não requer retribuição, pois recebe benefícios com o mesmo espírito desinteressado com que os dá.
06. TER sempre presente meus deveres de cidadão para com a minha localidade, meu Estado e meu País, sendo-lhes constantemente leal em pensamento, palavras e obras, dedicando-lhes, desinteressadamente, meu tempo, meu trabalho e meus recursos.
07. AJUDAR ao próximo, consolando o aflito, fortalecendo o débil e socorrendo o necessitado.
08. SER comedido na crítica e generoso no elogio, construir e não destruir.

Fonte: http://www.lions.org.br/nacional/eticas.html

Com que objetivo postei os dois textos acima? Pelo seguinte: com qual a igreja que congregamos mais se parece?

Se for com a Igreja "Alcoólicos anônimos":
1- Todos estão bem conscientes de estão ali por que não são boas pessoas;
2- Estão ali para conseguir ajuda;
3- Todos estão conscientes de podem falhar, e ninguém critica quando isto acontece; antes os ajudam e ficam muito felizes quando o "caído" volta;
4- Não importa a classe social; todos estão ali pelo mesmo motivo;
5- Praticam a humildade, o perdão e o arrependimento - diariamente.
6- Recebem muito bem a todos os que chegam, pois são tão iguais em fraquezas quanto os que já estão lá.

Se for com a Igreja "Lions Clube":
1- Todos ali devem ser bons o suficiente, tão bons que podem ajudar os outros;
2- Devem mostrar a todos o quão bons eles são;
3- Seguir a risca as regras, e fazer boas obras, mesmo que elas sejam feitas por exibicionismo e para criar uma imagem respeitável perante à sociedade;
4- Fazer parte de um grupo restrito, que não aceita ninguém que não seja de boa índole e que não possa vir a acrescentar ao grupo;
5- Os outros é que são fracos e necessitados;
6- Se não seguir as normas, é separado do grupo.

Em qual destas igrejas o evangelho tem dado resultado na vida das pessoas? Qual destas igrejas entendeu o propósito das boas-novas?

Soli Deo Gloria

Leandro Teixeira.
Retirado do blog Liberdade de Pensar.