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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

O Sacerdócio Dos Crentes Na História por Christopher Walker

A questão dos limites que se deve colocar à obediência aos superiores dentro da igreja não é uma dificuldade apenas dos nossos tempos atuais. Tampouco é um problema enfrentado apenas por líderes ou teólogos evangélicos. Veja a seguir uma pequena amostragem dos desafios no passado:

São Tomás de Aquino, (1225–1274), teólogo católico:

A Igreja ensina que a obediência faz parte da justiça, uma das quatro virtudes cardinais, as quais, por sua vez, estão subordinadas às virtudes teológicas de fé, esperança e amor. Fé é superior à obediência! Portanto, se a obediência prejudicar a fé, o cristão tem o dever de não obedecer ao seu superior.

Algumas vezes, as coisas que são ordenadas por um superior são contrárias a Deus; daí que os superiores não devem ser obedecidos em todas as coisas. (Summa Teológica II – IIQ.104).

“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos anunciamos, seja anátema” (Gl 1.8).

Muitos cristãos acham que obediência é absoluta, e que só possui um oposto, a desobediência. Estão enganados. A verdadeira obediência tem dois opostos: erro por deficiência, que é desobediência; e erro por excesso, que é obediência falsa ou obediência cega.

Martinho Lutero (1483-1546) reformador protestante

Um dos pilares da reforma de Lutero é a doutrina conhecida como “sacerdócio de todos os crentes”. Baseando-se em 1 Pedro 2.9, e contrapondo-se ao sistema clerical e hierárquico da Igreja Católica, Lutero defendia a liberdade de todos os cristãos exercerem o sacerdócio, ou seja, de estarem diante do trono de Deus, pelo sangue de Jesus, sem necessidade de mediadores.

Pelo batismo, ele ensinou, os cristãos se tornam povo de Deus, irmãos de Cristo, consagrados junto com ele como sacerdotes. Usando João 10, mostrava que as ovelhas conhecem a voz do Bom Pastor e não seguem o estranho. Dessa forma, os membros leigos da igreja tinham o direito de julgar doutrina, pois “as ovelhas terão de discernir se estão ouvindo a voz de Cristo ou uma voz estranha”. Isso não era apenas um privilégio da congregação, mas um dever solene.

Lutero chegou a afirmar que os cristãos não só eram todos sacerdotes, mas ministros da Palavra, com o sagrado dever de ensiná-la. Abolindo, assim, praticamente toda distinção entre clérigo e leigo na igreja, ele realmente tentou implantar essa doutrina na prática.

Existe, porém, uma grande distância entre revelação e prática. Uma sucessão de crises mostrou que o modelo de pura igualdade de todos os crentes diante de Deus, como sacerdotes que ouviam plenamente a voz do Mestre, não funcionava. Houve revolta dos camponeses, anarquia, o surgimento dos chamados entusiastas ou fanáticos e a falta de sustento para aqueles que se dedicavam ao ministério pastoral.

Como freqüentemente acontece, foi preciso adaptar a doutrina à prática. Ao analisar as mensagens e escritos de Lutero, percebe-se que, com o passar dos anos, ele foi mudando seus conceitos e aumentando a distinção entre sacerdócio e ministério. Em 1523, ele havia afirmado que todos os cristãos eram tanto sacerdotes como ministros. Já em 1535, pregou que “embora todos sejamos sacerdotes, nem todos podem ensinar, pregar ou governar na igreja”.

A forma de tornar-se ministro também foi mudando. No início, o chamado ao ministério só precisava ser reconhecido pela própria congregação. A importância do chamado de Deus nunca diminuiu para ele, pois era nisso que via a diferença entre um pastor e um leigo. Porém, o reconhecimento do chamado era visto como sendo “por meio de homens, mas não de homens”. Precisava realmente ser um chamado de Deus, mas o instrumento humano para confirmar ou manifestar o chamado poderia incluir autoridades eclesiásticas e até civis.

Assim, pouco a pouco, o sacerdócio de todos os crentes foi sendo transformado na prática em mais uma estrutura com aquela enorme lacuna entre ministério e povo. Lutero, porém, não se sentiu satisfeito com esta situação até o final de sua vida. A Reforma havia mostrado o sacerdócio universal dos crentes, mas não conseguira colocá-la em prática.

Nossa situação hoje não é muito diferente. Vemos o ideal, o propósito de Deus, aquilo que foi conquistado e disponibilizado pela Nova Aliança (veja Hebreus 8-10). Procuramos colocá-lo em prática com diferentes modelos e ênfases, mas ainda não temos a solução final. E, muitas vezes, acabamos adaptando a doutrina à nossa prática limitada e incompleta.

Não devemos nos acomodar, contudo, nem nos desanimar. “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Os 6.3), até que “todos conheçam o Senhor, desde o menor até o maior” (Jr 31.34).

Retirado do site da Revista Impacto: http://www.revistaimpacto.com.br/

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A Igreja dos homens por Richard Halverson


"No início, a igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo. Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia. Depois, chegou à Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura. E, finalmente, chegou à América e tornou-se um negócio."

Richard C. Halverson (1916-1995) pastor americano.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

UMA CRONOLOGIA DA FÉ NO CONTEXTO HISTÓRICO

O que segue é uma tábua cronológica que relaciona a vida de Jesus e de Paulo aos Imperadores Romanos, aos seus procuradores e ou prepostos na Palestina, inclusive os “Herodes” — com as produções literárias encontradas no Novo Testamento; digo: especialmente as cartas de Paulo, que é meu interesse imediato, embora estejam presentes as possíveis datas e época dos demais textos.

Leia com atenção. Meu interesse não é apenas cronológico, pois isto pouco ajudaria a qualquer pessoa, a menos que se façam outras correlações.

Os imperadores Romanos do período no qual Jesus e Seus apóstolos viveram, foram seres de impensável monstruosidade.

Ano d.c.

Imperadores romanos

Herodianos e Procuradores romanos

Vidas de Jesus e Paulo

Livros do Novo Testamento

10

Augusto

Herodes o Grande (37-4 a.C.)

Nascimento de Jesus (pelo ano 6 antes da era atual)

-

1

-

Arquelau (até 6 d.C.) Filipe (até 34) Herodes Antipas (até ao ano 39)

-

-

10

Tibério (1-37)

-

-

-

20

-

-

Batismo de Jesus (28)

-

-

-

Pilatos (26-36)

Morte e Ressurreição de Jesus (30)

-

-

-

-

Conversão de Paulo (ano 34)

-

-

Calígula

Herodes Agripa (37-44)

-

-

-

(37-41)

-

-

-

40

Cláudio (41-54)

-

1ª Viagem missionária de Paulo (47)

-

-

-

Félix (52-60)

-

-

-

-

-

2ª Viagem missionária

1 e 2 Ts (ano 50)

50

Nero (54-68)

-

3ª Viagem missionária

Gl; 1 e 2 Cor;

-

-

-

-

Fl; Rm (anos 54-58)

60

-

Festo (60-62)

-

Cl; Flm; Fl;

-

-

-

4ª Viagem, para Roma (60-61)

1 e 2 Tm; Tt (61-67)

-

-

Vespasiano (69-79)

Morte de Paulo (67)

-

-

-

-

-

1 Pe; Mc; Mt; Heb;

70

Tito (79-81)

-

-

Lc; Act;

-

-

-

-

Cartas Universais

80

Domiciano (81-96)

-

-

-

90

-

-

-

Jo, 1,2 e 3 Jo, 2 Pe e Ap

-

Nerva (96-98)

-

-

-

100

Trajano (98-117)

-

-

-


Paulo, por exemplo, viveu sob o poder de muitos deles. Alguns deles pode-se dizer que foram os piores e mais malévolos, como aqueles nos dias dos quais Paulo praticou seu ministério e sua fé: Calígula (37-41), Cláudio (41-54) e Nero (54-68), sob quem veio a morrer.

Os dias áureos dos imperadores Romanos haviam ficado para trás desde antes do nascimento de Jesus. Assim mesmo, o que se chama de Era de Ouro dos Romanos, também pode ser chamada de Era de Sangue, Conspiração, Golpes, Traições, e muitas loucuras.

Praticamente não houve imperador Romano, desde o início da República, que não tenha morrido por assassinato, como no caso de Tibério, que, já estava à morte, mas, mesmo assim, foi sufocado por um travesseiro no seu leito.

Roma era inevitavelmente a Grande Babilônia daqueles dias. A cidade das sete colonas, como diz o Apocalipse, era a Grande Meretriz da Terra.

Os imperadores todos foram seres cuja devassidão, loucura, orgias, bacanais, homicídios e despotismo não tinham jamais tido paralelo na História. Ora, tais coisas iam de assassinatos de familiares ou parentes perigosos (até a própria mãe), às ações de arbitrariedade que serviam para o entretenimento imperial. Isto sem falar nas orgias mais impensáveis, nas quais valia tudo; e nas quais se “pegava”, dependendo do imperador maluco, até a mãe, a irmã, o irmão, etc.—pra a satisfação sexual sado-masoquista e incestuosa. A terceira mulher de Tibério entrou num concurso de sexo contra a mais experiente prostituta de Roma e ganhou: agüentou muito mais homens numa mesma noite que a prostituta profissional.

Pedofilia era normal; e em alguns casos era recomendável!

Roma era uma prostituta. Uma adultera contumaz. Uma cidade de loucuras, sangue, morte, traição, embriagues, orgias, bacanais, e, um ambiente no qual não se conhecia nada além do desejo e do prazer; ou ódio cínico, que se fazia morte pela via dos envenenamentos e outras formas de matar pelas mãos de terceiros.

O exemplo maligno dos imperadores se tornava pratica nas praças e esquinas.

Tudo quanto nós pensamos acerca das palavras acima mencionadas é nada. Sim! Porque nossa visão de tais coisas já carrega o verniz da moral cristã ocidental, a qual, não impede que tais coisas aconteçam, mas as inibe, fazendo com que, no mínimo, elas aconteçam sob véus e máscaras socialmente menos agressivas que a própria realidade; ou melhor: que o próprio descaramento com o qual tais coisas eram feitas naqueles dias.

Ora, digo isto de modo resumido apenas para dar um pequeno pano de fundo histórico ao que desejo afirmar.

E o que desejo afirmar?

Não existe meio e nem modo de se pensar ou conceber que um judeu, criado como um fariseu da elite, pudesse assumir os conceitos que Paulo assumiu como fé, prática e divulgação (mesmo tendo encontrado a Jesus numa estrada), sem que isto lhe tenha vindo como uma poderosa e inafastável revelação.

Sim! Por que como alguém pregaria o perdão de Deus ao mundo, a Graça de Deus aos homens, todos os homens, num mundo como aquele, no qual Sodoma e Gomorra eram cidades de escoteiros?

A reação natural seria a do fechamento. Afinal, quem, com bom senso, haveria de falar de Graça num ambiente de tanta licenciosidade e perversão?

Paulo, exposto ao mundo no qual vivia, teria que ter se tornado um grande “conservador de Jesus”; e não o apóstolo dos gentios, dos pagãos — e que anunciava a justiça da fé, e o perdão unilateralmente decretado por Deus, em Cristo, na Cruz.

Ele encontra a Jesus no tempo de Calígula. E prega o Evangelho sob ele, Calígula, e sob Nero. Sim! Tudo quanto dele temos na forma de cartas e epístolas foi produzido no tempo do governo perverso daqueles dois loucos, primos; e ligados também por relações de natureza incestuosa.

Ambos, Calígula e Nero são tão enlouquecidos de maldade, que, muitas vezes, parecem até ser a mesma pessoa.

É sob esses dois diabos que Paulo prega, escreve e põe a cara para fora. Acaba sendo morto, provavelmente decapitado na Via Ápia, sob Nero.

Assim, quando Paulo faz aquela introdução aos Romanos (capítulos 1-2), o mundo que ele tinha diante de si carregava a força de uma gravidade apocalíptica de natureza existencial e comportamental como nunca antes se vira, e, depois, poucas vezes houve similar. Pode-se dizer que até o Nazismo de Hitler foi mais sofisticado e mascarado. Muito mais!

Paulo tratava das questões que se avolumavam monstruosamente sobre ele e o povo, mas jamais deixou de estabelecer a marca da Graça de Deus, quando, o que naturalmente se faria seria declarar a todos condenados e o mundo como perdido.

Desse modo, deixo aqui para você algumas coisas simples:

1- Não importa a perversão do mundo, o que Deus revelou, não tem que ser feito mais aberto ou mais fechado em nenhuma circunstância. A revelação não pode ser objeto de regulagens em razão de como é a sociedade. Isto porque, para Paulo, ambas as coisas, a Lei e a Licenciosidade, eram irmãs gêmeas; embora habitassem pólos oposto na aparência moral; posto que, Paulo, logo entendera que tanto uma quanto a outra levavam o homem para o mesmo lugar de perdição: a Lei empedrava a alma; e a Licenciosidade a tornava uma pasta.

2- Não importa qual seja o mundo (e poucas vezes o mundo foi caricatamente o “mundo” como nos dias de Paulo), a Palavra do Evangelho terá o que a ele dizer. E Paulo mostrou como o Evangelho é poder de Deus em qualquer mundo ou sociedade.

3- Não importam as conseqüências geradas pela pregação, ela tem que ser feita, como ela é, ainda que se pague com a morte. Ora, Paulo e os demais apóstolos viveram para morrer provando tal tese.

4- Não importando quais sejam os hábitos e vícios humanos, o Evangelho é mais forte do que eles. Podendo gerar santos que já foram santificados pela fé; e, produzir os seres humanos mais extraordinários que o mundo já conheceu.

Outra coisa que gostaria de pedir a você é que levasse em consideração cada uma dessas pequeninas coisas sempre que você for ler as cartas ou epistolas de Paulo — bem como todo qualquer outro texto do Novo Testamento. Pois, assim fazendo, jamais cairemos nos extremos que nos são propostos pelas almas pregadoras que não agem pela Palavra, mas apenas reagem às circunstâncias.

Nele, que nos chama a um só chamado, seja em Roma, no Rio, em New York, em Paris, ou na Faixa de Gaza,

Caio


segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Procuram-se Sacerdotes por Derek Prince

Formar um reino de sacerdotes é um propósito eterno mas poucos sabem sobre tão alto chamamento.

Neste pequeno livreto Derek Prince aborda:
- Reino de Sacerdote, um propósito eterno.
- O Reino de Deus versus o Reino dos Homens.
- Dois Ministérios superiores.
- Como reinar?
- Requisitos da Oração.
- Adoração, Louvor, Petição e Ordenar.

Download

Mais Livretos grátis: http://www.ruach.com.br/

sábado, 22 de setembro de 2007

O cristianismo nunca deveria ter existido

'Que reforma há a ser feita naquilo que não deveria jamais ter existido?', questiona Caio Fábio D’Araújo Filho em entrevista exclusiva. Para ele, o cristianismo é uma perversão e um estelionato contra o Evangelho de Cristo.

Caio Fábio afirma não crer em reformas, mas sim em uma Revolução do Evangelho.
O cristianismo é a cooptação feita culturalmente pelos gregos e politicamente pelos romanos daquilo que um dia havia sido apenas o Caminho, conforme o livro de Atos dos Apóstolos. Esta é a opinião do reverendo Caio Fabio D’Araújo Filho, apresentada em entrevista exclusiva ao site Teologia Brasileira.

"Reformar o cristianismo nada muda, apenas se adia o comprometimento radical que o Evangelho demanda", afirma. A própria Reforma Protestante, para ele, foi "um remendo de pano novo em veste velha". Em sua avaliação, o mundo não teve ainda a chance de conhecer o Evangelho conforme as dinâmicas livres e libertadoras do Caminho.

"Na hora em que milhões passarem a viver livres conforme o Evangelho, então, sem pai, sem mãe e sem fundador, a revolução se estabelecerá, sem sede, sem geografia, sem dono, sem tutor e sem reguladores da fé", diz o teólogo. "Não creio em reformas. Creio, sim, numa Revolução do Evangelho que só incluirá os cristãos se eles tiverem a coragem de desistir do cristianismo e abraçar o risco de apenas andar conforme a revelação da Graça de Deus em Cristo. Tal fé é desinstaladora demais para aqueles que vivem do negócio clerical cristão."

Leia a seguir a parte da entrevista com Caio Fábio:

Quais são os "penduricalhos" e modismos que impedem o avanço da Fé e quais pontos, em sua opinião, constituiriam a agenda de uma Nova Reforma?

Reformar o cristianismo nada muda, apenas se adia o comprometimento radical que o Evangelho demanda. A própria Reforma Protestante foi um remendo de pano novo em veste velha. E a tragédia embutida nisso é que o cristianismo, uma tentativa vitoriosa do diabo de diminuir a loucura da pregação e o escândalo da Cruz, manteve-se. O mundo não teve ainda a chance de conhecer o Evangelho conforme as dinâmicas livres e libertadoras do Caminho, segundo as narrativas dos evangelhos, nas quais o único convite que existe é para seguir a Jesus.
O que os cristãos precisam saber é que Jesus não teve interesse em algo que se assemelhasse à civilização cristã ou mesmo com a ‘Igreja’ como a conhecemos de 332 de nossa era até hoje.
O cristianismo já é uma perversão, transformando o Evangelho puro e simples numa religião com dogmas, doutrinas, usos, costumes, tradições imutáveis, moral própria e muita barganha com os homens. Pratica-se assim uma obra de estelionato contra o Evangelho de Cristo. É difícil imaginar que Jesus tenha qualquer coisa a ver com o que nós chamamos de 'Igreja', seja aquela que se abriga no Vaticano, ou sejam aquelas que têm tantas sedes quantos pastores, bispos e apóstolos megalomaníacos.
O ensino de Jesus, inversamente, é caracterizado por desinstalação, mobilidade, liberdade de aplicação sem legalismo, confiança do Semeador no poder da semente-palavra, ênfase na igualdade de todos, denúncia dos poderes religiosos e pertinência à vida. Na prática, isso significava a cura da mente, do corpo e do espírito. Significava o anúncio da destruição do Templo como lugar de Deus. Significava a beatificação de samaritanos e a demonização de religiosos sem coração.
A coragem revolucionária que o Evangelho demanda de cada geração é aquela que se lança ao vento e caminha pela fé, e que se dispõe a se deixar reinventar conforme o espírito do Evangelho, posto que ele não propõe uma religião, mas o Caminho. Isso significa que cada nova geração tem que ter a coragem de vestir o Pano Novo do Evangelho no seu tempo e beber o Vinho Novo do Reino em odres novos. Na hora em que milhões que assim crerem passarem a viver livres conforme o Evangelho, então, sem pai, sem mãe e sem fundador, a revolução se estabelecerá, sem sede, sem geografia, sem dono, sem tutor e sem reguladores da fé.
Não creio em reformas. Creio, sim, numa Revolução do Evangelho que só incluirá os cristãos se eles tiverem a coragem de desistir do cristianismo e abraçar o risco de apenas andar conforme a revelação da Graça de Deus em Cristo, conforme a Palavra do Evangelho. Tal fé é incompreensível pelas mentes viciadas no cristianismo e é desinstaladora demais para aqueles que vivem do negócio clerical cristão.

Ricardo Muniz é jornalista e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista.

Se quiser ler a entrevista na íntegra acesse: http://www.teologiabrasileira.com.br/materia.asp?MateriaID=162